sexta-feira, 23 de março de 2012

O Panorama Obstétrico em Portugal


Por Maria João, autora do blog Rituais Maternos, de Portugal

A Bianca e a Carolina pediram-me para escrever sobre o panorama obstétrico português, e apesar de sentir que não tenho os conhecimentos necessários (não sou médica, nem enfermeira, nem doula), decidi aceitar o desafio baseando-me na minha própria experiência e nos testemunhos que li de outras mulheres.


O parto em Portugal ainda é muito medicalizado, quer nas instituições públicas quer nas privadas. À excepção de casos muito específicos, nos hospitais públicos tenta-se sempre 1º o parto normal, e nos hospitais privados, regra geral, prevalece a "vontade" da mulher. Mas antes de falar sobre o parto, gostaria de referir o que acontece durante a gravidez.

Confesso que não sei percentagens, mas um grande nº de mulheres em Portugal é seguida por um médico obstetra particular, mesmo que depois optem por ter o bebé num hospital público. Durante as consultas é realizada a auscultação fetal e a grávida é sempre sujeita ao toque vaginal, independentemente do tempo de gestação. Fazem-se várias ecografias ao longo da gravidez, no consultório do próprio médico ou em centros especializados. Algo que agora é muito procurado pelas futuras mães são as ecografias a 3 e a 4 dimensões.  As mulheres que optam pelo serviço nacional de saúde, são acompanhadas pelo médico de família (clínico geral) e o enfermeiro obstetra do centro de saúde da sua área de residência. Nestas consultas por vezes são feitos alguns toques vaginais e apenas são realizadas 3 ecografias obrigatórias. A partir das 37 semanas as grávidas são encaminhadas para o hospital público, onde fazem CTG e começam a ser sujeitas a toques vaginais em todas as consultas. Independentemente da mulher ser seguida no público ou no privado, é aconselhada a fazer o rastreio bioquímico, para despiste de algumas doenças genéticas do bebé. Muitas mulheres são sujeitas desnecessariamente à amniocentese (exame muito invasivo, com uma pequena probabilidade de aborto espontâneo) devido a falsos positivos do rastreio.

Aborda-se a questão física, mas raramente se dá importância à questão Emocional e Espiritual da Gravidez e do Parto. A Intuição e o Instinto há muito que desapareceram e a confiança e a segurança são apenas sentidas através dos médicos e da tecnologia. A mulher portuguesa (talvez o correcto seja, a mulher ocidental) está distante da sua Feminilidade, da sua Sexualidade, do seu Corpo e principalmente está muito muito sozinha nesta caminhada que é a Maternidade. Existe uma alienação feminina, a responsabilidade perante a gravidez e o parto tem uma carga demasiado pesada para a Mulher na nossa sociedade e por isso coloca-se inteiramente nas mãos dos médicos que ilusoriamente assumem a responsabilidade.

Esperar até às 42 semanas de gestação (tendo uma gravidez de baixo risco, sem qualquer problema) é uma raridade em Portugal. Nos hospitais públicos espera-se no máximo até às 41, mas assim que é alcançada a meta das 40 semanas, a grávida começa a ser "pressionada" sobre a indução do parto, estando ela e o bebé saudáveis. É por volta desta altura que se faz o chamado toque "maldoso", em que os profissionais de saúde tentam acelerar o início do trabalho de parto, fazendo o descolamento das membranas. Este procedimento é feito muitas vezes sem o consentimento informado da mulher.

Ainda antes de chegarem às 40 semanas, muitas mulheres são aconselhadas a fazerem induções ou cesarianas desnecessárias, sendo que estas últimas acontecem principalmente nos hospitais privados. Os motivos são os mais variados: a ecografia mostra que o bebé já está muito grande (sabe-se que as ecografias não dão valores exactos, mas sim uma aproximação), o obstetra determina que há incompatibilidade feto-pélvica (isto só é possível de saber quando a mulher já está em trabalho de parto e nunca antes), verifica-se a presença de circulares do cordão umbilical (muitas vezes não representam perigo de vida para o bebé), o médico vai de férias e a grávida precisa de sentir a segurança que o seu obstetra lhe transmite... Apesar de em 2010 a taxa de cesarianas ter descido de 33% para 31,5%, ainda está muito acima do valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde (15%).

O parto é visto como um momento de sofrimento, a mulher é constantemente bombardeada com histórias de terror, por isso a maioria das grávidas portuguesas já dão entrada no hospital decididas a levar epidural. Claro que há partos difíceis e por vezes uma dose mínima de epidural pode, de facto, ajudar no processo. Mas o verdadeiro terror não são as dores das contracções e sim praticamente todas as intervenções que a mulher sofre quando está a parir num hospital. Em Portugal a parturiente é sujeita a vários procedimentos médicos de forma rotineira: enema, soro com ocitocina, CTG contínuo, toques vaginais constantes, amniotomia... A mulher em trabalho de parto passa o tempo todo deitada, mesmo antes de levar epidural, pois é obrigada a estar ligada ao CTG. Normalmente só permitem à mulher beber uns golinhos de água ou chá servido num mísero copinho. Raras são as mulheres que não sofrem uma episiotomia e normalmente aquando da expulsão a parturiente encontra-se deitada ou numa posição semelhante, já para não referir a manobra de Kristeller (fazer força com os braços na barriga da mulher para supostamente ajudar o bebé a nascer), muitas vezes usada pelos enfermeiros e médicos.

Normalmente a mulher portuguesa não encontra apoio e carinho quando dá entrada num hospital público para ter o seu bebé. Até pode ter a sorte de lhe calhar uma equipa simpática, mas de um modo geral está sujeita à indiferença, frieza e conhecimentos em nada respeitadores da fisiologia do parto. À parturiente só é permitido um acompanhante, que é obrigado a sair aquando da administração da epidural e no caso de se recorrer a ventosa/fórceps ou ter que se fazer uma cesariana. A juntar a isto, muitas vezes a mulher ouve comentários desagradáveis e irónicos por parte dos profissionais de saúde. Claro que também existem histórias de parto em que as mulheres se sentiram respeitadas pela equipa médica, mas acredito que sejam uma minoria. Nos hospitais privados a mulher pode ter 2 acompanhantes e normalmente permitem 1 acompanhante no caso de ser cesariana, mas também aqui não se respeita a fisiologia do parto, aliás é nestes hospitais que ocorrem a maioria das cesarianas eletivas.

As Doulas surgiram em Portugal há cerca de 7 anos, mas infelizmente ainda pouco ou nada podem fazer pelas mulheres que optam por ter os seus filhos nos hospitais. Nestas instituições a Doula é vista como uma ameaça, como alguém que vai atrapalhar o trabalho dos profissionais de saúde, com questões e sugestões nada bem-vindas. Penso que são poucas as mulheres acompanhadas por uma Doula durante o parto no hospital, mas há alguns casos (eu fui uma dessas mulheres).

Desconheço números recentes sobre o parto domiciliar em Portugal, mas segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) verificou-se um aumento destes partos até 2007. No ano 2000 houve 511 partos em casa, em 2002 nasceram mais de 700 bebés no domicílio e em 2007 nasceram 1012 bebés em casa, mais 299 do que em 2006. Penso que o motivo por trás deste aumento se relaciona com o facto da mulher querer fugir aos procedimentos invasivos e desnecessários a que é sujeita no hospital, embora acredite que existam alguns casais que optam por ter o seu bebé em casa porque é o que faz sentido para eles. No entanto, o parto domiciliar em Portugal não é regulamentado, existem poucos enfermeiros obstetras a acompanharem este tipo de parto e praticamente não há informação sobre isso.

O movimento pelo Parto Respeitado, está a crescer aos poucos em Portugal, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Existe apenas um hospital público que permite à parturiente fazer a dilatação dentro de água, numa piscina insuflável, em que os profissionais de saúde tentam respeitar a fisiologia do processo e permitir à mulher ter um parto natural. Também existe uma clínica e um hospital privado, onde mais recentemente começaram a fazer partos aquáticos, mas não sei como têm sido os desfechos da maioria desses partos. Já há alguns anos que tem vindo a ser divulgado nos meios de comunicação a possibilidade do parto natural em algumas instituições públicas e privadas, mas de um modo geral, depois na prática não é isso que acontece. Os profissionais de saúde na área da obstetrícia ainda não estão preparados de forma académica nem emocional para aceitarem o papel de serem observadores, guardiães do parto e apenas intervirem quando é, de facto, realmente necessário.

Já várias mulheres portuguesas vêem a Gravidez e o Nascimento como processos naturais, sentem-se empoderadas e questionam-se sobre os procedimentos médicos realizados nos hospitais. Mas é necessário que se dê uma mudança de mentalidade por parte dos profissionais de saúde, com uma abordagem mais humilde, sem preconceitos e aceitação de que a parturiente não precisa de (regra geral) ser tratada, mas sim acompanhada e respeitada no seu processo de parto. Sonho com o dia em que haverá "casas de parto" no meu país, locais onde as mulheres possam parir os seus filhos num ambiente respeitador, tanto da fisiologia como da espiritualidade do Nascimento. "Casas de Parto" onde os conhecimentos ancestrais sobre Gravidez e Parto sejam aliados da medicina obstétrica moderna, porque tudo seria mais fácil se pudessemos ter o melhor dos 2 mundos.

O meu nome é Maria João, sou portuguesa e autora do blog Rituais Maternos. Bióloga de formação (e vocação), acredito no poder da Mãe Natureza, no Instinto e na Energia Feminina. Mãe a tempo inteiro de um menino que nasceu de parto normal hospitalar, muito intervencionado. Escrevo para informar, empoderar e ajudar outras Mulheres, mas o que mais gosto é de aprender com as partilhas de outras Mães, porque a Maternidade é um processo de constante aprendizagem. :-)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cesárea ou Parto Normal - Vídeo do Hospital Albert Einstein SP

Estamos em plena ação de reconhecimento e enfrentamento da Violência Obstétrica. Uma forma de violência contra a mulher ainda invisível, não legislada, não tratada da forma como gostaríamos e temos direito.

Todas as mulheres têm direito de saber as taxas de cesárea, parto, episiotomia, condução, indução e parto no leito praticadas pelas maternidades brasileiras.

O Blog Parto no Brasil está publicando hoje, aqui e nos canais do Facebook, um vídeo do Hospital Albert Einsten que compara riscos e benefícios das vias de parto: vaginal e cesárea. Veja, o hospital pratica 81% de cesáreas, e contraditoriamente, divulga muitos riscos associados à cirurgia.

O convite então é assistir ao vídeo, conferir a tabela de indicadores de 10 maternidades paulistanas (publicada recentemente pela obstetriz Ana Cristina Duarte, em seu perfil no Facebook) e refletir sobre as seguintes categorias:

Direitos reprodutivos  ·  Escolhas Esclarecidas  
Primum Non Nocere   ·   Ética Médica
                   
Fonte: Tabulações SISNAC
TabNet Win32 2.7: SINASC Nascidos Vivos
(Município de São Paulo Dados de 2011 até Outubro)
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//cgi/deftohtm.exe?secretarias%2Fsaude%2FTABNET%2FSMS%2Fnasc_sp.def

          


O Blog Parto no Brasil defende a autonomia das mulheres! 

Todas as mulheres têm direito a informações adequadas e justas sobre os procedimentos fisiológicos ou médicos que são inerentes ao processo de parto e nascimento.

52% dos nascimentos do país ocorrem via cesariana. 
Diante deste quadro, é impossível responsabilizar apenas as mulheres por estes indicadores. Mesmo em defesa da autonomia que garante direito de escolha até para realização de uma cirurgia eletiva, pergunto: Seria possível um resultado como este, se as mulheres e as famílias fossem realmente esclarecidas?

Definição de Direitos reprodutivos: Poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura.

E você, teve essa oportunidade de escolha real?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Agenda Parto no Brasil

... são as águas de março fechando o verão

é promessa de vida no meu coração..."


Confiram os eventos p/ este fim de março!

Audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte/MG, no dia 22/03/2012, quinta feira, às 13 horas, no plenário Amynthas de Barros, na Avenida dos Andradas, nº 3.100, Bairro Santa Efigênia, com a finalidade de debater o alto índice de cirurgias cesáreas no país, tendo em vista que, segundo o Ministério da Saúde, em 2010, o número de ocorrências desse procedimento superou o de partos normais





Sexta, dia 23, das 14:00 até às 17:00 horas, na Rua Bento Gonçalves, 48 - Monte Castelo - Campo Grande/MS, a Casa da Luz, ONG de cuidado a mulheres em todos os seus ciclos de vida, com o apoio da ReHuNa – Rede Pela Humanização do Parto e Nascimento, apresenta a proposta do Curso de Formação de Doula, em Campo Grande – Mato Grosso do Sul.

Dirigido às mulheres que desejam acompanhar mulheres grávidas na gestação, parto e pós-parto e doulas que queiram se atualizar.

O Curso de 80 horas será distribuído em 48 horas de encontros teóricos – vivenciais; 16 horas de encontros inter-módulos em grupo e 16 horas de acompanhamento a uma mulher grávida e acompanhante de escolha da cursista ou indicada pela Coordenação.








segunda-feira, 19 de março de 2012

Parto vaginal depois de cesárea

Pode?

É possível?

Mas, e os riscos?

Pois bem, nesta segunda-feira não iremos tratar dos argumentos p/ justificar um parto normal após cesárea. Iremos toca-l@s pelas imagens!

O blog El Parto es Nuestro trás belíssimas campanhas e, uma delas foi bordada por mim nesta última semana, utilizando o ponto corrente e o ponto atrás, também chamado de reverso - bora espiar! Confiram também outras fotos e trabalhos sobre o tema.




Informações - aqui!

Para finalizar, meu relato pessoal de um parto normal após cesárea - aqui!

Foto de Silmara Guerreiro

E você, também gestou e pariu depois de uma cesariana? Se sim, compartilhe conosco seu relato de parto!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A violência invisível

Violência obstétrica é violência contra a mulher

Ter acesso à informação e aos meios para decidir e gozar do mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva, livre de discriminações, coerções ou violências. (Direitos Reprodutivos no Brasil, Miriam Ventura)

Hoje à tarde, na divulgação da participação ao vivo na Rádio UEL FM, lancei as seguintes inquietações aqui no Blog

i) O país, de fato, só reconhece e regulamenta as formas de violência contra as mulheres praticadas no espaço doméstico e familiar?
ii) Uma mulher brasileira que sofre maus-tratos durante internação para parto, tem mesmo é que 'se virar como pode'?
iii) A única saída de uma mulher violentada no parto/pré-natal é mesmo encaminhar sua denúncia para a direção ou ouvidoria do serviço de saúde? Ou seja, para os gestores dos serviços, que muitas vezes são também profissionais da saúde, da mesma categoria daquele que está sendo acusado? 
Respostas sugeridas: Ignorar a especificidade do gênero na questão da violência obstétrica é desconectar o problema da realidade social. Não abordar a violência no parto como "violência contra a mulher" é contribuir para a preservação do silêncio, da aceitação e da produção deste tipo de notícia aqui
Então, convido a todas e todos a ouvirem as entrevistas produzidas nos últimos dias, com Lígia Moreiras Sena, para a Rádio Brasil Atual; e, na Rádio UEL FM, o bate-papo ao vivo que Marisse Queiroz e eu tivemos com a jornalista Patrícia Zanin. E também a conferirem algumas tabulações preliminares da pesquisa informal que a Ligia publicou ontem à noite. Confiram no Cientista que Virou Mãe.

Clique aqui para ouvir a entrevista de Lígia
Clique aqui para ouvir a entrevista de Ana Carolina e Marisse
Na entrevista, nós repercutimos a lei venezuelana para erradicação de todas as formas de violência contra a mulher, que inovou ao tipificar a 'violência obstétrica' e também a 'midiática', entre outras, regulamentando mecanismos jurídico-processuais específicos. É linda. Tá aqui. E precisa nos inspirar.


Em tempo, nossa participação hoje é resultado de uma nova parceria entre o Blog Parto no Brasil, a Rádio UEL FM e o Grupo Crias na Roda: foi o início do projeto Parto Seguro e Prazeroso, uma coluna mensal dentro do programa diário Modos de Vida - Comportamento e Cultura. Será um novo espaço de comunicação por uma cultura mais amigável às mulheres e às famílias na hora do nascimento. E vocês serão sempre nossos convidados! =)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Violência Obstétrica hoje na Rádio UEL FM

Na estreia da coluna radiofonica Parto Seguro e Prazeroso, o tema não poderia ser outro: Teste da Violência Obstétrica - Uma denúncia pública inédita em forma de Blogagem Coletiva 

Boas novas hoje no Blog Parto no Brasil!

Continue participando e
divulgando esta causa
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Há uma semana, no Dia Internacional da Mulher 2012, publicamos a Blogagem Coletiva - Teste da Violência Obstétrica, com pesquisa e chamada dos blogs Cientista que Virou Mãe, Mamíferas e Parto no Brasil, e realização de mais de 60 blogueiras de todo o país. 

Hoje, somamos mais de 1500 respostas ao Teste, e seguimos com a observação dos debates suscitados a partir da ação - e, em muitos espaços, encontramos um caminho nunca antes aberto: são vários os relatos que confirmam a naturalização e a invisibilidade dos maus-tratos que as mulheres sofrem durante pré-natal e parto. Ontem, Ligia Moreiras Sena, co-autora do Teste, publicou algumas considerações iniciais, com resultados preliminares,  no Cientista que Virou Mãe. Confira aqui.


Dia Internacional da Mulher, Rio de Janeiro, 1993
Acervo Memória e Movimentos Sociais
Fotojornalista Claudia Ferreira
Ok, o princípio da dignidade da pessoa humana garante que "nenhum ser humano pode ser submetido a tratamento desumano ou degradante", especialmente nos espaços em que ela busca acolhimento e/ou cuidado técnico especializado. 

Concordo, está na Constituição Federal de 1988, inclusive! Mas infelizmente, percebo que garantir às parturientes a defesa dos direitos dos "consumidores da saúde" ou de sua "condição de pessoa, que merece dignidade", inserindo-a em um contexto maior e equiparando-a a 'todos os seres humanos', significa necessariamente desconectar a "atenção à saúde" da realidade social

Ora, nenhum ser humano, de fato, deve ter cuidados negligenciados ou ser mau-tratado durante sua internação em um serviço de saúde. Mas, de fato, quando isso ocorre, se dá de forma mais corriqueira, mais agressiva, lesiva e danosa contra as mulheres, as pessoas negras, portadoras de deficiências, as crianças e os idosos, entre outras 'populações' igualmente 'vulneráveis'.

Em agosto de 2006, o governo brasileiro decretou a Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Antes disso, toda mulher violentada (moral, física ou sexualmente), abusada, ameaçada ou roubada por pessoas do âmbito familiar ou doméstico, tinha que se dirigir até uma Delegacia de Polícia comum para realizar a sua denúncia. Isso significava, quase que necessariamente, estar diante de um homem qualquer (um policial, um delegado, um escrivão) para explicar sua vulnerabilidade social - que, no caso, acabara tornando-se uma violência íntima, individual.

Hoje, diante desta ação do Teste da Violência, surgem algumas inquietações:
i) O país, de fato, só reconhece e regulamenta as formas de violência contra as mulheres praticadas no espaço doméstico e familiar?

ii) Uma mulher brasileira, que sofre maus-tratos durante internação para parto, tem mesmo é que se virar como pode?

iii) A única saída de uma mulher violentada no parto/pré-natal é mesmo encaminhar sua denúncia para a direção ou ouvidoria do serviço? Ou seja, para os gestores dos serviços, que muitas vezes são também profissionais da saúde, da mesma categoria profissional daquele que está sendo acusado?

E seguimos em busca dessas respostas, com a provocação de novas reflexões, mesmo que tenham que ser produzidas, conjuntamente, ineditamente, assim como estamos todas juntas pela desnaturalização dos maus-tratos no parto, sua denúncia e enfrentamento.

Sobre este assunto e pelos motivos aqui expostos, o Blog Parto no Brasil inicia hoje uma nova área da trabalho e parceria. A convite da jornalista Patrícia Zanin, do Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, da Rádio UEL FM 107,9 MHz, damos início, à coluna radiofônica "Parto Seguro e Prazeroso".


O Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura vai ao ar diariamente, sempre às 15h, ao vivo. Uma vez por mês, até o final do ano, teremos a oportunidade ímpar de estar no estúdio com a jornalista Patrícia Zanin, para tratar de saúde materna a partir de uma perspectiva feminista, e de Saúde Pública.

Hoje, na estreia da coluna Parto Seguro e Prazeroso, vamos falar sobre o Teste da Violência Obstétrica: sobre a naturalização deste tipo de violência contra as mulheres, e os caminhos que se mostram (im)possíveis para o enfrentamento do tema. 

Com a presença ao vivo da Profa. Ms. Marisse Queiroz (Direito PUC-PR) e trechos da entrevista gravada ontem com a Coordenadora de Enfermagem da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina-PR, Enfermeira Regina Adário.

A coluna Parto Seguro e Prazeroso tem produção e realização da Rádio UEL FM/Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, do Blog Parto no Brasil e do Grupo Crias na Roda. Apoio do Grupo de Pesquisa CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Enquanto nos preparamos para entrar no ar, a pedida é sintonizar a Rádioweb Brasil Atual e apreciar, em bom som, as palavras da companheira Ligia Moreiras Sena, sobre o que nos motivou para esta grande ação que teve a realização de mais de sessenta blogs! Acesse aqui.

terça-feira, 13 de março de 2012

Colo e Despedida da Barriga - boas práticas brasileiras

Buenos dias!

Depois de alguns dias ausentes por aqui, por conta de uma vivência c/ mulheres muito especiais, no Estado de São Paulo, hoje trago mais uma boa prática brasileira, na assistência à mulher gestante e sua família!

Os posts anteriores nos trouxeram a discussão tão pertinente sobre a violência institucional, vivida por inúmeras mulheres em todo o País, sejam nos corredores frios dos hospitais, nas vozes caladas, nos corpos deitados, nas vaginas cortadas... Debate pouco (ou quase nada) discutido pelas e entre as mulheres, que velam suas dores... Assim, é hora de falar!

Mas, p/ também nos lembrar das alegrias de gestar p/ parir, trago a prática do Colo e Despedida da Barriga feito pelas Rodas de Casais Grávidos da ONG CAIS do Parto - Centro Ativo de Integração do Ser, realizada em Olinda/PE há 22 anos, fruto da parteira tradicional Suely Carvalho, que atua há mais de 40 anos, presidente da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, que já amparou mais de 5.000 bebês por todo o mundo!

Ana nos trouxe o exemplo do Chá de Bençãos, organizado em Minas Gerais, pela Roda Bem-Nascer e pelo Ishtar, e nos fez (re)pensar que tipo de cuidado uma gestante necessita neste momento singular e divisor de águas que é a gestação, o trabalho de parto e o parto.

Todas às terças-feiras, a partir das 19 horas o CAIS do Parto recebe casais grávidos, mulheres com seus filhos, doulas, aprendizes de parteira e interessad@s para debater sobre assuntos ligados ao universo da gestação e parto. Como facilitadoras parteiras tradicionais que trazem à tona os aspectos fisiológicos, culturais e espirituais do nascimento de um novo Ser. Além disso as parteiras da ONG também esclarecem as grávidas que serão atendidas por elas, nos meses seguintes, tendo Suely Carvalho e sua filha Marcely Carvalho como as parteiras da casa, informando-as sobre os cuidados, a alimentação, o dia-a-dia durante os próximos nove meses, o trabalho de parto e parto, a chegada do bebê, a amamentação.

Além disso, as gestantes que estão p/ parir recebem do grupo um colo e tod@s despedem-se da barriga, a espera do nascimento! Momento muito especial, de amor, carinho, cuidado!

Estive em outubro numa dessas rodas, em Olinda, e, em janeiro deste ano participei em Bauru/SP de outra. Muita emoção!

A roda começou!

Suely Carvalho em atendimento c/ a gestante que recebeu o Colo da noite!

Colo e Despedida da Barriga de Denise Cardoso.

Denise e Anahí, a espera de Ravi!

Assim, vemos e percebemos o que uma mulher que gesta necessita, em sua essência. Calma, coragem e amor!

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No dia 17, sábado, às 10 hs. Suely Carvalho estará em Jundiaí/SP p/ uma Roda de Casais Grávidos no espaço Gerar e Nascer Humanizado Jundiaí, coordenado pos Thiana Andreotti Ferrarezi - aqui!

sábado, 10 de março de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Cesárea

Nosso audiovisual deste sábado é forte!

Nele, uma cesárea. O contraponto daquilo que defendemos neste espaço.

Mas, de que cesárea nos remetemos? De todas? Não. Pois, quando ela é praticada conscientemente para salvar vidas, ela é como um milagre. Fora deste contexto, por conveniência médica, econômica, e/ou por um desejo sem profundidade nos reais riscos dessa prática p/ nós ela deveria ser abolida.

Porém, há de ter q resgatar a confiança feminina em sua fisiologia. Em sua capacidade de parir.

Para despertar, nada melhor do que ver, sem laços e fitas o procedimento, nua e cruamente. Parto dói? Cesárea, tanto quanto!

Às mulheres que carregam suas feridas (como eu) por partos que desembocaram em uma cesariana, força, e honra!



Pelo fim da violência obstétrica e das cesáreas eletivas!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Teste da Violência Obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva

Neste Dia Internacional da Mulher 2012, o Blog Parto no Brasil opera em quinta jornada de trabalho. 


Sim, prezad@s leitor@s, faltam quinze minutos para o dia acabar, então bora blogar!


Enfim, com grande prazer, chegou a hora de publicar a Blogagem Coletiva - Teste da Violência Obstétrica.

Coragem: Quanto mais mulheres responderem, menos violência
O Blog Parto no Brasil apresenta hoje uma ideia de um importante livro feminista, ainda não publicado em português: Sacrificing Ourselves for Love - Why Women Compromise Health and Self-Esteem... And How to Stop. (Tradução livre: Sacrificando nós mesmas por amor - Porque as mulheres comprometem sua saúde e auto-estima.... E como parar.)

O livro faz parte de uma coleção de manuais feministas intitulada "Our Bodies, Our Selves" ("Nosso Corpo nos Pertence") publicados e reeditados anualmente, desde 1970, pelo Coletivo de Mulheres de Boston (The Boston Women's Health Book Collective). Tem cada um maravilhoso, só sobre gravidez e parto, sobre envelhecer, e os clássicos tradicionais que tratam de inúmeros e variados aspectos da saúde, sexualidade e reprodução. Conheça mais aqui.

Sacrificing Ourselves for Love parte da constatação de que muitas regras sociais prejudicam nossa saúde física e emocional; porque subordinam e exploram as mulheres, desvalorizando as suas contribuições e o seu trabalho; além de impor padrões de aceitação dos atributos físicos ou comportamentos. 

Assim, "explora uma série de problemas de saúde que resultam da pressão sobre as mulheres para que conformem em tradições culturais prejudiciais." Em três seções, o livro trata do desejo de ter uma aparência diferente, de viver em relações afetivas abusivas (não apenas com o companheiro), e das doenças sexualmente transmissíveis.

Em todas essas áreas - aparência, relações afetivas, amorosas e sexuais e reprodutivas - nós somos convocadas para agradar e cuidar dos outros, priorizando suas necessidades em detrimento de nossas, concedendo aos seus desejos e opiniões, e evitando o conflito, mesmo quando ficamos irritadas. 
Essa aceitação tão importante dos desejos dos outros, revela que nós não levamos a sério nossos próprios desejos. 
Algumas de nós vivem sentimentos de culpa ou ansiedade quando insistimos em algo que desejamos, ou recusamos fazer alguma coisa, somente para nossa própria saúde e benefício.
De todo modo, com informação, coragem e encorajamento, nós podemos enfrentar as tradições sociais que são prejudiciais à nossa saúde. 
Nós seremos menos propensas a embarcarmos em uma dieta de baixa caloria, se soubermos que "passar fome" quase sempre nos deixa mais pesadas; que a gordura corporal protege nossa fertilidade; e que a "expurgação" da bulimia pode comprometer severamente nossa saúde. 
Poucas de nós iremos escolher uma cirurgia estética ou implantes de silicone nas mamas quando descobrirmos que "levantar" as pálpebras pode nos impedir permanentemente de fechar os olhos; que a liposucção pode deixar pregas contraídas ou matar a pele; que os nossos corpos nunca param de tentar rejeitar implantes; e que o silicone que vaza pode danificar nosso sistema imunológico. 
Nós estaremos mais dispostas a demandar sexo seguro quando a gente se der conta que nós podemos sofrer anos com a saúde debilitada, podemos perder nossa fertilidade, ou morrer de câncer, de doença inflamatória pélvica ou AIDS, em resultado de relações sexuais desprotegidas. 
Se a gente entender que companheiros "abusivos" não compartilham de nosso desejo de construir uma intimidade respeitosa, que eles preferem nos controlar, nós não dedicaremos energia tentando salvar um relacionamento que prejudica nossa saúde e esgota nosso espírito.

Somos nós mulheres que precisamos levar esta discussão adiante, que temos a necessidade de romper com estas tradições e normas culturais que nos impedem de viver uma vida livre de violência.

Agora, diante de tudo isso, convido também a observar a delicadeza do tema.

Por exemplo, muitas mulheres não vêem problemas em suas episiotomias, enquanto outras desenvolvem profunda depressão e levam anos para aprender a viver bem com a cicatriz. 

Muitas mulheres aceitam a cesárea antes do início do trabalho de parto e não sofrem. Outras, não se conformam.

É comum as mulheres - em qualquer situação de violência - sentirem-se envergonhadas, confusas, culpadas. 

É comum as mulheres virarem as costas para os atos de violência que praticaram contra seu corpo e alma. 

É comum praticarem memória seletiva, deixando de lamber as feridas mais doídas.

E isso tudo é legítimo. Porque somos todas diferentes. E únicas. 

São únicos e exclusivos os modos como se formam as percepções que a gente tem sobre nosso próprio corpo, sobre o que é desejável, intolerável, aceito. E também o modo como cuidamos de nós mesmas. As escolhas que fazemos e aquelas outras ocasiões em que não nos são dadas opções.

Então, ao final, o que eu mais gostaria de dizer é que o enfrentamento da violência no parto não é uma luta entre as mulheres. 53% de cesárea é violência sim. Parto vaginal no SUS, maioria absoluta, tem violência também. Mais uma vez, é preciso sair de nossa zona do conforto, e tentar enxergar além da nossa própria experiência. 

Existem vários tipos de parto por aí. 
E eu te pergunto, será que você escolheu mesmo tudo aquilo que fizeram com você?

São legítimas as opções que te foram colocadas pelo obstetra, pela família, pelo marido, pelo espelho, pela mídia, pelo teu cansaço e ansiedade?

Já fez o teste? Como avalia os cuidados que teve em seus partos?

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POR QUE CHAMAR A ATENÇÃO PARA A VIOLÊNCIA NO PARTO

Esta Blogagem Coletiva é uma ação que considera o contexto de regulamentação da Lei Maria da Penha, em contraste com a aceitação e a invisibilidade das variadas formas de violência obstétrica ou institucional, comuns em nossas maternidades.

Diversas pesquisas apresentam dados significativos a partir dos quais podemos afirmar que o modelo padrão de atendimento e cuidados no parto expõe as mulheres a quatro tipos principais de violência, durante sua internação: negligência; violência verbal (incluindo tratamento rude, ameaças, repreensão, gritos e humilhação intencional); violência física (incluindo negação de alívio da dor quando tecnicamente indicado); e violência sexual. (Ana Flávia Pires Lucas d’Oliveira, Simone Grilo Diniz, Lilia Blima Schraiber. Violence against women in health-care institutions: an emerging problem. Lancet 2002; 359: 1681–85).

Em 2011, a divulgação da pesquisa de opinião da Fundação Perseu Abramo e SESC, coordenada pelo Prof. Dr. Gustavo Venturi Jr (FFLCH/USP), Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado provocou ampla repercussão: uma em cada quatro brasileiras relata ter sofrido maus-tratos durante o trabalho de parto e parto. Ao mesmo tempo, a tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP de Janaína Marques Aguiar evidenciou que "quanto mais jovem, mais escura e mais pobre, maior a violência no parto."

Mais recentemente, as denúncias chegaram à base de nossa "pirâmide de hierarquias reprodutivas", as presidiárias e seus partos algemadas. Muitas instituições governamentais, civis e feministas posicionaram seu repúdio, e a sensibilização gerada pelas notícias culminaram no Decreto pelo Governador de São Paulo Geraldo Alckmin 'vedando' a prática. (http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/estado-de-sao-paulo-proibe-uso-de-algemas-em-detentas-gravidas)

____________________________________________

INSTRUÇÕES - COMO PARTICIPAR

Para participar, basta responder as questões e depois clicar em SUBMIT.
Seus dados são anônimos e confidencias.

O Teste da Violência Obstétrica ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, divulgaremos os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica.


Ao final, você terá o convite para denunciar sua história para o movimento social (Rede Parto do Princípio) ou para uma pesquisa de Doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (de autoria da Lígia M Sena).

Se quiser divulgar o Teste da Violência, deixe seu email nos comentários ou escreva para partonobrasil@yahoo.com.br e receba as instruções.

Agradeço a todas as bravas mulheres que tornaram este trabalho possível, todas as que compartilham suas histórias, que nos ensinam sobre as coisas que acontecem contra nossos corpos e dignidade. Muito obrigada!
E, por favor, não deixem de nos enviar os links de seus posts nesta blogagem!

Agradeço especialmente às companheiras Lígia e Nanda, que trabalharam para que fosse prazeroso, respeitoso e memorável!

Se tiver problemas para visualizar o teste aqui no Blog Parto no Brasil, acesse direto no link.




quarta-feira, 7 de março de 2012

Agenda Parto no Brasil

Bora agendar p/ meados e fim de março alguns eventos, entre eles Michel Odent no Rio de Janeiro/RJ!




segunda-feira, 5 de março de 2012

08 de março - Teste da Violência Obstétrica - Blogagem Coletiva






Os blogs Parto no Brasil, Mamíferas e Cientista Que Virou Mãe, com apoio das blogueiras da Parto do Princípio e em deferência ao Dia Internacional da Mulher, convidam a todas as blogueiras a fazerem parte desta ação em defesa das mulheres, da qualidade da assistência ao parto e contra a violência obstétrica: blogagem coletiva "TESTE DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA".



No dia 08 de março, insira em seu post o Teste da Violência Obstétrica, um teste elaborado para que as mulheres possam avaliar se foram submetidas a alguma forma de violência durante o atendimento em seus partos.

O teste será divulgado, em forma de blogagem coletiva, no dia 08 de março, e ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, divulgaremos os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica.

O teste será respondido anonimamente e os dados individuais serão confidenciais.

Precisamos desnaturalizar os maus-tratos na maternidade, buscar formas de reduzir sua aceitação, e também acabar com a impunidade contra este tipo de violência.

Precisamos valorizar nossa integridade física e bem-estar emocional no momento de dar à luz.
Todas as mulheres têm direito a ter um parto com escolhas esclarecidas, respeito à sua individualidade e dignidade.

Se você quiser participar desta blogagem, entre em contato com a gente pelo email partonobrasil@yahoo.com.br
Enviaremos por e-mail as instruções sobre como inserir o formulário do teste em seu post.

Divulge essa ação!
Quanto mais blogs participarem, mais mulheres alcançaremos.

Violência obstétrica também é violência contra a mulher.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Afirmações para a gravidez e o trabalho de parto - afirmações para Yoga e Parto Ativo

O post de hoje compartilha uma série de mentalizações para serem feitas durante a gestação e o trabalho de Parto, segundo a Educadora Perinatal e autora de Parto Ativo, Janet Balaskas.

A partir de abril o Parto Ativo Brasil trará Janet p/ o Brasil e teremos uma série de atividades imperdíveis!

Abaixo, as afirmações:

• Minha gestação é natural, normal, vibrante e saudável

•Meu corpo está nutrindo e protegendo meu bebê perfeitamente

•Meu bebê é puro, sagrado e inocente

•Meu bebê percebe tudo

•Estou aprendendo a relaxar mais e mais a cada dia

•Estou calma e tranquila, meu bebê sente minha tranquilidade e compartilha dela

•Quanto mais me afasto do medo, mais relaxada eu fico e menos dor eu sinto

•O Universo apóia e guia a mim e a meu bebê

•Eu posso me comunicar com o espírito do meu filho agora, durante o trabalho de parto e após o parto

•Estou me preparando para um parto calmo e confortável

•O nascimento é um momento de prazer e não há nada a temer

•A respiração e a confiança se combinam para criar uma experiência de nascimento estática e maravilhosa

•O parto é seguro e natural

•Cada onda, ritmo e movimento do meu corpo me leva para mais perto do nascimento do meu bebê

•Meu bebê sabe como e quando nascer

•A cabeça do meu bebê se encaixa do interior de minha pélvis perfeitamente

•As minhas ondas de contração uterina estão massageando e abraçando meu bebê

•Meu bebê vai descendo suave e facilmente

•Meu corpo se amolece e se abre facilmente à medida que meu bebê desce

•Confio em meu corpo

•Meu corpo sabe como parir

•Tenho muita força e energia

•Eu consigo

•Eu estou me entregando

•Eu me entrego ao milagre que acontece em meu corpo

•Eu posso respirar e transformar esta energia em prazer

•Minha vagina e meu períneo se expandem e se abrem como uma flor para deixar meu bebê nascer

•A ajuda está lá se precisarmos – estamos seguros

•Gosto de pensar que você vem de mim , pensar em segurá-lo em meus braços, pensar em olhar em seus olhos.

•Eu amo você


Por www.activebirthcentre.com – jb@activebirthcentre.com

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Agenda Parto no Brasil

Simbora c/ as novidades p/ este mês de março em nossa agenda semanal!

Workshop “Desbloqueiando as Emoções para Bem-Parir”.-  Com a Psicologa e terapeuta mexicana Yolanda Vargas e a Parteira Naolí Vinaver, que fazem parceria desde o ano 2000 na prática do desbloqueio das emoções em procesos de parto desafiantes.


É um workshop para profissionais de varias áreas da saúde, mais é especifico para a área da gravidez, parto e pós-parto. Para aprenderem técnicas e formas de ajudar a indentificar e desbloquear as emoções para abrir o processo de parto e nascimento do bebê e da famiíia.

Público Alvo: Parteiras, Enfermeiras, Doulas, Médicos, Pediatras, Terapeutas diversos, mulheres gestantes, casais.

Dias: 03 e 04.03.2012 - Carga horária: 14 horas

Horários: Das 09 às 17 horas com 1 hora para o almoço.

Valor: R$ 350,00
ReHuNa: 10% desconto

Inscrição: até dia 29.02.2012

Local: Rua Altenor Vieira, 377 Lagoa da Conceição, Florianópolis/SC, Brasil.

Número de vagas: 20 pessoas

Inscrições e contato: naolivinaver@yahoo.com.br

Em março inicia-se tb o primeiro módulo de fim de semana dos cursos em Florianópolis e Brasília:

·      Curso Livre de Aprofundamento em Parto Domiciliar, 2012

             Este curso foi desenhado tanto para profissionais na atenção do parto que desejam desenvolver as suas práticas  para incluir a atenção do parto domiciliar, como para Parteiras, Médicos e Doulas, que já acompanham o parto domiciliar mas que tem vontade de expandir, enriquecer,  ou adquirir segurança nas práticas de um acompanhamento seguro, cálido e gostoso do parto domiciliar.

A visão deste curso é baseada nas prácticas da Parteria Tradicional Mexicana assim como na Parteria Profissional não-medicalizada do mundo moderno.

Datas e locais:
•  Florianópolis, Santa Catarina (Datas: março 17 e 18. Abril 7 e 8. Maio 19 e 20. Junho 9 e 10. Julho 14 e 15. Agosto 4 e 5. Setembro 15 e 16. Outubro 13 e 14. Novembro 10 e 11.

•  Brasilia (Datas: março 21, 22 e 23. Maio 23, 24 e 25. Junho 20, 21 e 22. Agosto 8, 9 e 10. Setembro 19, 20 e 21. Novembro 14, 15 e 16.

Público Alvo:  Parteiras, Enfermeiras, Doulas, Médicos, Pediatras, Terapeutas diversos, mulheres gestantes e tentantes. Porque o parto deveria ser um processo que todas as pessoas e sociedade compreendam e conheçam mesmo se nâo vao atuar nessa Área.  Saber e conhecer é se-sentir com poder e confiança nos processos de vida.

Carga horária: 126 horas

Horários: Das 09 às 17 horas com 1 hora para o almoço.

Valor: R$ 3.150,00 à vista ou parcelado em 6x de R584,00 ou em 9x de R400,00

Obs.:O custo do transporte das viagens da Naolí entre Florianópolis-Brasília vai ser compartilhado entre as participantes, como iniciativa das organizadoras.

Inscrição: até dia 07.03.2012

Local: R. Altenor Vieira, 377 Lagoa da Conceição, Florianópolis.

Número de vagas: 20 pessoas

Inscrições e contato para os dois cursos: naolivinaver@yahoo.com.br

Tem mais Naoli E Yolanda em Campinas/SP, nos dias 10 e 11:





terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho

O Blog Parto no Brasil compartilha hoje uma entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho, por Say Adinkra, que nos trás a beleza do Chamado e da sacralidade feminina, numa perspectiva holística guiada pela Tradição dos povos, além da história do CAIS do Parto, em Olinda/PE, que todas às terças-feiras, há 22 anos realiza rodas de casais grávid@s, no Centro Cultural Luiz Freire, às 19h30,  na R. 27 de janeiro, 169, Carmo.




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