Mostrando postagens com marcador Teste da Violência Obstétrica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teste da Violência Obstétrica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de junho de 2012

Violência Obstétrica no Portal iG

O Blog Parto no Brasil publica, na íntegra, a matéria do Portal iG que repercute o Teste da Violência Obstétrica com médicos, e seus efeitos sobre a saúde emocional das mães.

--
Pesquisa mostra violência contra mulher durante o parto
Mulheres associam experiência ruim a sentimento de angústia nas primeiras semanas com o bebê em casa

Danielle Nordi - iG São Paulo | 04/06/2012 09:43:51 - Atualizada às 05/06/2012 07:38:58


38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto

Uma pesquisa divulgada no final de maio avaliou o atendimento obstétrico recebido por quase duas mil gestantes em todo o país. As mulheres compartilharam suas experiências e os resultados mostram os maus tratos mais comuns sofridos por elas. O “Teste da Violência Obstétrica” englobou mães que tiveram filhos por cesárea, parto normal, em casa e em hospitais privados e públicos, e foi feito coletivamente por mais de 70 blogs.

Veja também: Dor de parto é ironizada nas maternidades 

O resultado enfoca a conduta dos profissionais de saúde que atendem as gestantes no momento do parto. “Tivemos relatos de todo tipo de violência obstétrica, como negligência, abuso verbal, físico e sexual”, afirma a jornalista e mestranda de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Ana Carolina Franzon, uma das coordenadoras da pesquisa.

“Cheiro de churrasco”

A pesquisa mostra que 21% das parturientes ouviram comentários irônicos em tom depreciativo por parte da equipe médica que as assistiam. Uma das participantes relata que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da minha barriga durante a cesárea”. Em outro relato, a mulher afirma que uma das profissionais da equipe médica reclamou por ter que auxiliar o parto no momento do jogo de futebol do seu time. Segundo Ana Carolina, a violência verbal foi apontada como a mais cometida pelos médicos.

Leia mais sobre os principais tipos de parto: 
Parto normal: “É tocante contribuir para o bebê nascer”
Parto Cesáreo: “Não me considero menos mãe”
Parto natural: “Você se sente como um bicho, mesmo”

Não temos dúvida de que alguns profissionais desrespeitam as mulheres no momento do parto. Infelizmente isso acontece, mas não deveria. Na maioria das vezes falta um acolhimento da gestante, que passa por um momento importante e único da sua vida”, afirma Coríntio Mariani Neto, obstetra presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e diretor da Maternidade Leonor Mendes de Barros.

Angústia

A pesquisa também revela que 38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto. Metade delas acredita que os sentimentos que tiveram logo depois de ir para casa com o bebê foram influenciados pela maneira como o parto ocorreu.

A psicóloga Karla Rapaport Goldenberg atende gestantes e mulheres no pós-parto e afirma que as mulheres que sofrem violência obstétrica se sentem vítimas e não protagonistas de um momento especial em sua vida. “Ela fica insegura para cuidar de uma criança, já que sente que não conseguiu cuidar de si mesma. A violência sofrida pode contribuir para que ela se sinta angustiada e triste. Além disso, pode surgir aversão a médicos, hospitais ou mesmo ao ato sexual, já que partes íntimas da mulher são manipuladas durante o parto com relativa frequência.”

A parturiente não espera ser recebida em um ambiente cheio de amores, onde todos a parabenizem e sorriam para ela. Mas ela espera ser tratada com respeito, como uma mulher em trabalho de parto que em alguns minutos será mãe”, ressalta a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo.

A primeira semana

Apesar das participantes da pesquisa terem estabelecido uma relação direta entre os sentimentos negativos na primeira semana com o bebê e o tratamento recebido na maternidade, outros fatores devem ser considerados como possíveis estopins para essa situação.

As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor das mães
Aline Melo, psicóloga especialista em psicologia social, diz que muitas gestantes têm uma grande expectativa com relação ao momento do parto e não se preparam para o pós-parto. “Cerca de 80% das mulheres apresentam o que se chama de ‘tristeza materna’, causada pela alteração hormonal própria do pós-parto.”

Leia ainda:
Veja as últimas notícias sobre violência contra a mulher 
Verdades e mentiras sobre parto normal
Quando é necessário fazer cesariana?

As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor por conta não só da alteração hormonal, mas também porque as mães enfrentam noites em claro e passam por um período de adaptação com a amamentação, lembra Aline.

“Existe um fenômeno de depressão no pós-parto que é um processo fisiológico, mesmo que o parto tenha sido excelente. Mas não há dúvidas de que não ter uma boa assistência no parto tem consequências ruins para a mulher”, afirma Corintio Mariani Neto.

Outros dados revelados pela pesquisa “Teste da Violência Obstétrica”:

- 82% das mulheres estavam respondendo a pesquisa com base no parto do primeiro filho
- 56% tiveram seus filhos em hospitais particulares através do convênio; 26% em hospitais públicos; 12% em hospitais particulares; 4% em casa; 3% em casas de parto
- 35% das mulheres entrevistadas tinham de 25 a30 anos; 27% de 20 a25 anos; 23% de 30 a 35 anos
- 53% das gestantes declararam ter sido compreendida, amparada e tratada com respeito
- 12% das entrevistadas disseram que os profissionais de saúde fizeram piadas sobre o comportamento delas
- 9% disseram que os médicos e enfermeiros mandaram a parturiente parar de gritar
- 43% das mulheres se sentiram seguras e à vontade durante todo o processo de internação para o parto
- 37% das gestantes sentiram medo pela sua própria saúde ou a do bebê
- 45% das parturientes foram informadas e consultadas sobre todos os procedimentos realizados
- 24% disseram não ter conhecimento prévio ou não ter consentido a necessidade da realização da episiotomia (corte na vagina no momento que o bebê está nascendo)
- 23% declararam não ter conhecimento prévio ou não ter consentido com a administração de ocitocina (remédio usado para acelerar o trabalho de parto

Veja a pesquisa completa no blog “Cientista que virou mãe”. 

Leia também:
Tudo que a grávida pode ou não fazer na gestação  
Seis dicas para quem quer engravidar  
Gravidez Semana a Semana

Fonte: Pesquisa mostra violência contra a mulher durante o parto

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Teste da Violência Obstétrica - Divulgação de Resultados

Divulgamos hoje os resultados da ação de Blogagem Coletiva Teste da Violência Obstétrica.

Elaboramos três formas para apresentação dos resultados - você pode salvar e reproduzi-las  independentemente.

No primeiro link, você acessa o documento com as imagens dos blogs participantes e as tabelas geradas a partir das respostas do Teste  da Violência Obstétrica. São as mesmas imagens que ilustram este post de Divulgação dos Resultados.

No segundo link, você encontra o documento com o texto descritivo sobre os resultados, além de uma compilação de publicações, grupos de apoio e sites que poderão orientar as mulheres e os profissionais que sentirem necessidade de obter mais informações sobre segurança e qualidade da atenção ao parto.

Nos próximos dias, dedicaremos esforços para que todas as blogueiras que participaram da ação possam ter acesso aos resultados, e repercuti-los em suas mídias sociais.

Agradecemos imensamente a colaboração e o apoio de todas as mulheres envolvidas nesta ação.

Continuamos juntas pela redução das mortes maternas; pelo direito de acessar a melhor assistência obstétrica disponível; pela segurança das mães e dos bebês, por sua integridade física, e pelo bem-estar materno e familiar.

Muito obrigada!
Ana Carolina A. Franzon e Lígia M. Sena





Imagens dos resultados - clique sobre a imagem para ampliar e salvar



















 
























sexta-feira, 16 de março de 2012

A violência invisível

Violência obstétrica é violência contra a mulher

Ter acesso à informação e aos meios para decidir e gozar do mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva, livre de discriminações, coerções ou violências. (Direitos Reprodutivos no Brasil, Miriam Ventura)

Hoje à tarde, na divulgação da participação ao vivo na Rádio UEL FM, lancei as seguintes inquietações aqui no Blog

i) O país, de fato, só reconhece e regulamenta as formas de violência contra as mulheres praticadas no espaço doméstico e familiar?
ii) Uma mulher brasileira que sofre maus-tratos durante internação para parto, tem mesmo é que 'se virar como pode'?
iii) A única saída de uma mulher violentada no parto/pré-natal é mesmo encaminhar sua denúncia para a direção ou ouvidoria do serviço de saúde? Ou seja, para os gestores dos serviços, que muitas vezes são também profissionais da saúde, da mesma categoria daquele que está sendo acusado? 
Respostas sugeridas: Ignorar a especificidade do gênero na questão da violência obstétrica é desconectar o problema da realidade social. Não abordar a violência no parto como "violência contra a mulher" é contribuir para a preservação do silêncio, da aceitação e da produção deste tipo de notícia aqui
Então, convido a todas e todos a ouvirem as entrevistas produzidas nos últimos dias, com Lígia Moreiras Sena, para a Rádio Brasil Atual; e, na Rádio UEL FM, o bate-papo ao vivo que Marisse Queiroz e eu tivemos com a jornalista Patrícia Zanin. E também a conferirem algumas tabulações preliminares da pesquisa informal que a Ligia publicou ontem à noite. Confiram no Cientista que Virou Mãe.

Clique aqui para ouvir a entrevista de Lígia
Clique aqui para ouvir a entrevista de Ana Carolina e Marisse
Na entrevista, nós repercutimos a lei venezuelana para erradicação de todas as formas de violência contra a mulher, que inovou ao tipificar a 'violência obstétrica' e também a 'midiática', entre outras, regulamentando mecanismos jurídico-processuais específicos. É linda. Tá aqui. E precisa nos inspirar.


Em tempo, nossa participação hoje é resultado de uma nova parceria entre o Blog Parto no Brasil, a Rádio UEL FM e o Grupo Crias na Roda: foi o início do projeto Parto Seguro e Prazeroso, uma coluna mensal dentro do programa diário Modos de Vida - Comportamento e Cultura. Será um novo espaço de comunicação por uma cultura mais amigável às mulheres e às famílias na hora do nascimento. E vocês serão sempre nossos convidados! =)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Violência Obstétrica hoje na Rádio UEL FM

Na estreia da coluna radiofonica Parto Seguro e Prazeroso, o tema não poderia ser outro: Teste da Violência Obstétrica - Uma denúncia pública inédita em forma de Blogagem Coletiva 

Boas novas hoje no Blog Parto no Brasil!

Continue participando e
divulgando esta causa
Curta a página no Facebook
Há uma semana, no Dia Internacional da Mulher 2012, publicamos a Blogagem Coletiva - Teste da Violência Obstétrica, com pesquisa e chamada dos blogs Cientista que Virou Mãe, Mamíferas e Parto no Brasil, e realização de mais de 60 blogueiras de todo o país. 

Hoje, somamos mais de 1500 respostas ao Teste, e seguimos com a observação dos debates suscitados a partir da ação - e, em muitos espaços, encontramos um caminho nunca antes aberto: são vários os relatos que confirmam a naturalização e a invisibilidade dos maus-tratos que as mulheres sofrem durante pré-natal e parto. Ontem, Ligia Moreiras Sena, co-autora do Teste, publicou algumas considerações iniciais, com resultados preliminares,  no Cientista que Virou Mãe. Confira aqui.


Dia Internacional da Mulher, Rio de Janeiro, 1993
Acervo Memória e Movimentos Sociais
Fotojornalista Claudia Ferreira
Ok, o princípio da dignidade da pessoa humana garante que "nenhum ser humano pode ser submetido a tratamento desumano ou degradante", especialmente nos espaços em que ela busca acolhimento e/ou cuidado técnico especializado. 

Concordo, está na Constituição Federal de 1988, inclusive! Mas infelizmente, percebo que garantir às parturientes a defesa dos direitos dos "consumidores da saúde" ou de sua "condição de pessoa, que merece dignidade", inserindo-a em um contexto maior e equiparando-a a 'todos os seres humanos', significa necessariamente desconectar a "atenção à saúde" da realidade social

Ora, nenhum ser humano, de fato, deve ter cuidados negligenciados ou ser mau-tratado durante sua internação em um serviço de saúde. Mas, de fato, quando isso ocorre, se dá de forma mais corriqueira, mais agressiva, lesiva e danosa contra as mulheres, as pessoas negras, portadoras de deficiências, as crianças e os idosos, entre outras 'populações' igualmente 'vulneráveis'.

Em agosto de 2006, o governo brasileiro decretou a Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Antes disso, toda mulher violentada (moral, física ou sexualmente), abusada, ameaçada ou roubada por pessoas do âmbito familiar ou doméstico, tinha que se dirigir até uma Delegacia de Polícia comum para realizar a sua denúncia. Isso significava, quase que necessariamente, estar diante de um homem qualquer (um policial, um delegado, um escrivão) para explicar sua vulnerabilidade social - que, no caso, acabara tornando-se uma violência íntima, individual.

Hoje, diante desta ação do Teste da Violência, surgem algumas inquietações:
i) O país, de fato, só reconhece e regulamenta as formas de violência contra as mulheres praticadas no espaço doméstico e familiar?

ii) Uma mulher brasileira, que sofre maus-tratos durante internação para parto, tem mesmo é que se virar como pode?

iii) A única saída de uma mulher violentada no parto/pré-natal é mesmo encaminhar sua denúncia para a direção ou ouvidoria do serviço? Ou seja, para os gestores dos serviços, que muitas vezes são também profissionais da saúde, da mesma categoria profissional daquele que está sendo acusado?

E seguimos em busca dessas respostas, com a provocação de novas reflexões, mesmo que tenham que ser produzidas, conjuntamente, ineditamente, assim como estamos todas juntas pela desnaturalização dos maus-tratos no parto, sua denúncia e enfrentamento.

Sobre este assunto e pelos motivos aqui expostos, o Blog Parto no Brasil inicia hoje uma nova área da trabalho e parceria. A convite da jornalista Patrícia Zanin, do Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, da Rádio UEL FM 107,9 MHz, damos início, à coluna radiofônica "Parto Seguro e Prazeroso".


O Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura vai ao ar diariamente, sempre às 15h, ao vivo. Uma vez por mês, até o final do ano, teremos a oportunidade ímpar de estar no estúdio com a jornalista Patrícia Zanin, para tratar de saúde materna a partir de uma perspectiva feminista, e de Saúde Pública.

Hoje, na estreia da coluna Parto Seguro e Prazeroso, vamos falar sobre o Teste da Violência Obstétrica: sobre a naturalização deste tipo de violência contra as mulheres, e os caminhos que se mostram (im)possíveis para o enfrentamento do tema. 

Com a presença ao vivo da Profa. Ms. Marisse Queiroz (Direito PUC-PR) e trechos da entrevista gravada ontem com a Coordenadora de Enfermagem da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina-PR, Enfermeira Regina Adário.

A coluna Parto Seguro e Prazeroso tem produção e realização da Rádio UEL FM/Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, do Blog Parto no Brasil e do Grupo Crias na Roda. Apoio do Grupo de Pesquisa CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Enquanto nos preparamos para entrar no ar, a pedida é sintonizar a Rádioweb Brasil Atual e apreciar, em bom som, as palavras da companheira Ligia Moreiras Sena, sobre o que nos motivou para esta grande ação que teve a realização de mais de sessenta blogs! Acesse aqui.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...