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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A legislação brasileira e a violência institucional no parto e nascimento - VIII COBEON (2013)

Entre os dias 30/10 e 01/11/2013, foi realizado, em Florianópolis-SC, o VIII COBEON – Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal. Promovido pela ABENFO – Nacional e organizado pela ABENFO-SC e Departamento de Enfermagem da UFSC, o evento reúne centenas de profissionais que trabalham diretamente com o ciclo gravídico-puerperal. 

O grupo de pesquisa Gênero, Maternidade e Saúde esteve representado por alunas e as docentes líderes, as profas. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz (FSP/USP) e Dra. Camilla Schneck (EACH/USP).

A advogada Prisicila Cavalcanti apresentou uma série de marcos legais que protegem as brasileiras da violência obstétrica. Confira a íntegra do trabalho na imagem abaixo.

Priscila Cavalcanti, que também é doula em São Paulo-SP, considera ainda que o trabalho apresenta um “panorama geral” dos marcos legais, não incluindo as normas vigentes que decorrem de tratados internacionais ratificados pelo país.




Você também pode enviar seu trabalho apresentando no COBEON para publicação no Blog Parto no Brasil. 
Escreva para lunabianka@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Decisões de parto - Autoridade sobre aquilo que podemos/devemos escolher

Hoje foram publicados dois artigos de opinião sobre o modelo hegemônico de assistência ao parto. Confiram abaixo.



No Site do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), o texto "Cesarianas no Brasil: uma preferência das gestantes ou dos médicos?" repercute uma série de pesquisas nacionais as quais demonstram claramente COMO e POR QUE as brasileiras não têm tido a oportunidade real de tomar suas decisões de parto.

Seja no serviço público ou pelo plano de saúde, a atitude prescritiva inclui ainda o não-esclarecimento sobre as condutas clínicas, e traduzem a falta de autonomia das mulheres e o cerceamento de sua liberdade. São constrangimentos de ordem financeira, regionais, sócio-culturais e educacionais. Atingem a quase todas nós. Confiram alguns trechos retirados do artigo.

"Especialistas defendem que a cesariana tem indicações clínicas precisas como eclampsia ou nos casos da mãe sensibilizada pelo tipo sanguíneo (fator RH) do bebê. Entretanto, além da falta de consideração em relação à opinião da gestante, é possível encontrar o oposto a essa situação, onde mulheres que nem sequer entraram em trabalho de parto e já negociam a data do parto com o obstetra, marcando a cesárea previamente."
"Essa situação é comum e ocorre possivelmente devido a uma predisposição intervencionista dos médicos, que não seguem as recomendações para o parto cesáreo. Além disso, alguns agem de acordo com a sua própria conveniência, já que é possível constatar que cesarianas são realizadas com mais frequência em horários diurnos e em dias úteis (Nagahama e Santiago, 2011)."
"Ao contrário das gestantes com acesso a convênios médicos ou serviços particulares, aquelas que realizam o pré-natal pelo SUS frequentemente não têm a chance de escolher o médico que irá assisti-las e, provavelmente, não terão poder de negociação sobre o tipo de parto de sua preferência ou a forma de atendimento que desejam (Patah e Malik, 2011)."
"Sendo assim, de maneira geral, as mulheres que não interferem na decisão sobre o tipo de parto, ou simplesmente não são consultadas sobre sua opinião, são oriundas de classe social baixa e possuem menor nível de escolaridade."

Hospital birth photograph of a woman resting in hospital bed, black and white

Enquanto isso, no American Journal of Obstetrics and Gynecolgy (AJOG), o manuscrito "Planned home birth: the professional responsibility response" publica uma espécie de linha-guia para profissionais - do modelo tradicional tecnocrático tecnicista - lidarem com o recrudescimento dos partos em casa. Veja a tradução livre do resumo:

"Este artigo aborda o recrudescimento dos partos em casa por um novo modelo baseado na assistência de parteiras, o parto domiciliar planejado, nos Estados Unidos e os outros países desenvolvidos, no contexto da responsabilidade profissional.

Defensores do parto domiciliar planejado já enfatizaram a segurança das paciente, satisfação das pacientes, o custo-efetividade e o respeito pelos direitos das mulheres.

Nós fornecemos uma avaliação crítica de cada uma dessas reivindicações e identificamos respostas profissionais apropriadas para obstetras e outros médicos preocupados com os partos domiciliares planejados.

Começamos com o tema da segurança da paciente e mostramos que o parto domiciliar planejado tem aumentado risco de danos irreparáveis para as grávidas e os bebês - os quais seriam desnecessários e evitáveis.

Nós documentamos que as taxas persistentemente elevadas dos transportes de emergência debilitam a segurança da paciente e sua satisfação, justamente a razão de ser do parto domiciliar planejado, e que uma análise abrangente enfraquece os argumentos sobre o custo-benefício deste tipo de assistência.

Nós, então, argumentamos que os obstetras e outros médicos preocupados ​​deveriam:

(i) buscar compreender, identificar e corrigir as causas do recrudescimento do parto domiciliar planejado;

(ii) responder às manifestações de interesse pelo parto domiciliar planejado por parte das mulheres com recomendações baseadas em evidências contra este modelo de atenção;

(iii) recusar a participação do planejamento do parto em casa;
(iv) mas, contudo, proporcionar excelente e enternecido cuidado obstétrico no atendimento emergencial às mulheres transferidas de partos domiciliares planejados.

Nós explicamos porque os obstetras não deve participar ou fazer referência aos ensaios clínicos randomizados que compararam os partos domiciliares planejados com os partos hospitalares.

Chamamos a atenção de obstetras e outros médicos preocupados, das parteiras e outros prestadores de cuidados obstétricos, assim como de suas associações profissionais para que não apoiem os partos domiciliares planejado quando existem alternativas seguras e empáticas de alternativas com base hospitalar. Apelamos para que defendam uma experiência de parto hospitalar com as mesmas características de ambiência dos partos em casa."



Alguém já ouviu o CREMERJ papagaiar algo parecido? E o médico do pré-natal?

E desde quando é fácil - para as mulheres em geral, em consideração às suas necessidades específicas e diversas - exercer e garantir a proteção dos próprios direitos humanos, de seus direitos sociais, e direitos reprodutivos?

Concluímos então que há uma violação de direitos fundamentais. E retomamos o comentário que o leitor Adriano de Bortoli publicou no Blog do Nassif, quando da repercussão da reportagem sobre 'A falta de esclarecimentos sobre o parto humanizado', produzidas originalmente pela Rede Brasil Atualsobre a falta de informações e divulgação dos Centros de Parto Normal (CPN) em São Paulo-SP.

"A prefeitura, contudo, deve justificar esse sigilo que a meu ver não encontra fundamento jurídico algum para ser imposto pois não faz parte de nenhuma das exceções previstas na Constituição Federal ou na Lei de Acesso à informação.
O CRM/SP deveria abrir suas portas para o assunto da desospitalização do parto se aproximando, assim, das diretrizes da Organização Mundial de Saúde e se afastando de dpreconceitos, corporativismos, incompetências e, principalmente, da falta de cientificidade dos riscos atribuídos ao parto.
O parto está inserido no planejamento familiar e a CF é bem clara ao estabelecer que: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas."
--

Em 2013, a gente continua a luta.



Fotos Allbright Creative Imagery

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estar grávida no Brasil

Por Maria do Carmo Leal
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica novas responsabilidades afetivas, sociais e legais, decorrentes da maternidade. No ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que ocorreram. Embora 97% das gestantes brasileiras tenham realizado consultas pré-natais e 99% dos partos tenham ocorrido em hospitais, persistem problemas na qualidade da atenção oferecida (Lancet 2011; 377:1863-76).


Segundo dados de estudo realizado no Rio de Janeiro em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, durante a gestação a mulher vai mudando de opinião sobre o tipo de parto. No início, mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% haviam se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% tiveram um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto
vaginal e o desejo do companheiro por esta modalidade de parto (Ciência Saúde Coletiva 2008; 13:1521-34).

A cesariana é uma cirurgia que não deve ser banalizada, pois aumenta o risco de hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI, mortalidade e em gravidezes futuras de placentação anormal, ruptura uterina, dentre outros. Para o recém-nascido são reportados maior necessidade de suporte ventilatório ao nascer e maior uso de UTI neonatal.

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal também são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com o auxílio de episiotomia. Esses procedimentos não são hoje recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio nascimento dos seus filhos. Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, ficando subtraídos dessa experiência humana vital e tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde, tais como o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, a Lei do Acompanhante, o Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente, a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço. Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n8/01.pdf

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Participação da Comunidade Faculdade de Saúde Pública em pesquisa sobre parto


O Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP) convida a comunidade da Faculdade de Saúde Pública da USP para participar da pesquisa 'Riscos e Benefícios dos Modelos de Assistência ao Parto: Perspectivas de Usuárias/os e Profissionais'.


Na próxima semana, a pesquisa realizará dois encontros para promover uma conversa sobre a gravidez, o nascimento e a chegada dos filhos na vida familiar. Podem participar todos os alunos, funcionários, docentes e/ou usuários da Creche Saúde e do Centro de Saúde Paula Souza, desde que sejam mães ou pais que acompanharam o nascimento.

Na segunda-feira, dia 24, será realizado o grupo específico para os pais; e na terça, dia 25, o grupo para as mães. Os encontros serão realizados na FSP/USP, e começam às 18h, com duração prevista de 1h. As vagas são limitadas e é preciso realizar inscrição por e-mail.

A participação na pesquisa é voluntária; os dados são sigilosos e anônimos. Os participantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Informações e inscrições nos endereços abaixo.

-Inscrições de pais: painoparto@gmail.com

-Inscrições de mães: escolhasnoparto@gmail.com

SERVIÇO:

Grupo de Conversa com os Pais - Pesquisa FSP/USP
Data: Segunda-feira, 24 de setembro de 2012, às 18h
Local: FSP/USP
Informações e inscrições até sexta, dia 21: painoparto@gmail.com
Para acessar o convite, clique aqui.

Grupo de Conversa com as Mães - Pesquisa FSP/USP
Data:Terça-feira, 25 de setembro de 2012, às 18h
Local: FSP/USP
Informações e inscrições até sexta, dia 21: escolhasnoparto@gmail.com

Fonte: http://www.fsp.usp.br/site/eventos/mostrar/2489

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Saúde Materna: Convite para participação em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP

O Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP) convida a comunidade à participação na pesquisa 'Riscos e Benefícios dos Modelos de Assistência ao Parto: Perspectivas de Usuárias/os e Profissionais'.




Quem pode participar?

  • Mulheres que tiveram seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Homens que acompanharam o nascimento de seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Profissionais de saúde e gestores que trabalham em serviços SUS ou na Saúde Suplementar: Ginecologistas e Obstetras, Pediatras e Neonatologistas, Anestesiologistas, Enfermeiras Obstetras, Obstetrizes.


Como é a participação na pesquisa?

  • Trata-se de um estudo qualitativo, com realização de entrevistas. Duração prevista: cerca de 30min.
  • A participação é voluntária; os dados são sigilosos e anônimos. Os participantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.


Onde serão realizadas as entrevistas?

  • Em local de preferência e escolha dos entrevistados: no domicílio, no serviço de saúde, em local de trabalho, ou no espaço da Faculdade de Saúde Pública da USP - Metrô Clínicas;
  • A pesquisa prevê também o uso da Internet (Skype) para gravação de entrevistas, com participantes de outras cidades e regiões ou aqueles que assim preferirem.


Quando serão realizadas as entrevistas?

  • O período de entrevistas começa em 10 de julho e termina em 31 de agosto de 2012.


Como obter mais informações ou realizar inscrição para participar da entrevista?

  • Escreva para escolhasnoparto@gmail.com para sanar dúvidas ou declarar interesse em participar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudo reafirma relação entre parto por cesárea e obesidade infantil




24/05/2012 - 10h30
DA EFE


Pesquisadores americanos reafirmaram que crianças nascidas por cesárea têm mais possibilidades de sofrer de obesidade.

O dado é de uma pesquisa realizada por especialistas do Hospital da Infância de Boston (EUA), publicada nesta quinta-feira (24) na revista "Archives of Disease in Childhood".

Estudo não indica cesariana, a não ser por razões estritamente clínicas, por estar ligada à obesidade infantil - Observação: esta é uma foto meramente ilustrativa. A obesidade infantil somente pode diagnosticada por profissional especialista.


O estudo retoma uma discussão sobre a relação entre partos por cesárea e sobrepeso infantil. Ele desaconselha este tipo de intervenção senão por razões estritamente clínicas, indica a publicação que pertence ao grupo "British Medical Journal".

Os cientistas analisaram 1.255 crianças nascidas no hospital de Boston entre 1999 e 2002, sendo 284 delas por cesárea, desde as 22 semanas de gestação até os três anos de idade.

Enquanto só 7,5% dos bebês nascidos de maneira natural sofriam obesidade aos três anos, esta percentagem chegava a 15,7% nos casos em que houve intervenção cirúrgica no parto.

Os autores do estudo atribuem esta relação às diferenças na composição da flora intestinal entre os nascidos por parto natural ou por cesárea.

No último grupo, os pesquisadores encontraram uma maior incidência de bactérias firmicutes que, segundo outros estudos, estão presentes nos intestinos de pessoas obesas e são um dos fatores que motivam a doença.

Além disso, foi apontado que os partos por cesárea são mais frequentes entre as mães obesas, o que também poderia favorecer o sobrepeso de seus filhos.

Os autores da pesquisa também analisaram outros fatores que poderiam influir na obesidade infantil como a duração do período de lactação ou o tempo de exposição à televisão, mas nenhum deles apresentou diferenças significativas.

Por fim, os pesquisadores destacaram a importância de evitar os partos por cesárea sem indicações médicas.

"As mulheres grávidas que escolhem um parto cirúrgico quando não haja motivos clínicos para fazê-lo deveriam saber que seus filhos serão mais propensos a ser obesos", alertaram.


Fonte: http://folha.com/no1094996

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Feminização do Parto


Estelita e Evandro, pesquisadores do Netccon/UFRJ

Sessões Científicas


Sessão debate o espaço social da gestante e o parto

Informe ENSP, publicada em 01/08/2011
por Vinicius Damazio
Para debater o tema Feminização do parto e saúde psicopolítica, a partir de seu estudo de arqueologia da presença dos conceitos nos corpos, a pesquisadora do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Netccon/UFRJ), Estelita Oliveira de Amorim Ouriques, relacionou a natureza, os gêneros feminino e masculino e a cultura pós-moderna. Estelita proferiu a sessão científica promovida pelo Grupo Direitos Humanos e Saúde da ENSP na quinta-feira (28/7).
Segundo a pesquisadora, que também é yogaterapeuta, o pensamento e a cultura ocidentais pós-modernos são patriarcais, sustentados por valores predominantemente masculinos, em que o gênero feminino é desprezado e renegado a segundo plano, e isso afeta o processo da gestação e do parto.
"É preciso que se faça a transição da humanização para a feminização do parto, porque a própria humanização na sociedade é ligada ao gênero masculino e seus costumes - um deles de recusa dos princípios femininos - e isso causa uma desnaturalização da mulher, proveniente do controle sobre o parto. A mulher, protagonista do ato, é considerada mero instrumento, o que é uma violência."
De acordo com Estelita, há uma relação muito forte entre a natureza e o gênero feminino, enquanto a cultura é diretamente associada ao gênero masculino. O desprezo pelos princípios femininos vigente na sociedade se dá através do que Boaventura de Sousa Santos chama de epistemicídio: ou seja, a mortandade de outras formas de saber e a imposição de um padrão, atitude típica do dualismo.
"O que causa a diferenciação é a falta de legitimidade e reconhecimento de outras formas de pensar e agir, que caracteriza a excessiva masculinização da sociedade; o uso da força, da violência, e a competição são valorizados, e despreza-se o que é diferente disso. A natureza, associada ao gênero feminino por ser provedora da vida tal qual a mulher, é desprezada, por não trazer lucro, em uma sociedade em que o capital é valorizado demasiadamente."
A saúde psicopolítica da mulher gestante, para Estelita, só será fixada quando ela tiver o direito ao autogoverno, que nada mais é do que o controle do próprio espaço sem interferências que causem estranhamento e desnaturalização do processo natural do parto.
"O autogoverno implica a emancipação das interferências impróprias da cultura no processo natural da gestação e do parto, o que é uma experiência de generosidade. Parir é o encontro agudo da cultura com a natureza, e, de forma muito intensa, isso se dá no corpo feminino. É preciso que a mulher tenha o controle do processo para não ser descaracterizada."
Fontes: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/?origem=1&matid=26742 http://www.wix.com/evouriques/evandrobio http://www.wix.com/evouriques/netccon

quinta-feira, 28 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pesquisadora destaca a necessidade de maior atenção à saúde materno-infantil


Por Vinicius Zepeda
Nos últimas décadas, o Brasil tem praticado uma forma de atendimento ao parto e ao nascimento que poderia ser mais eficiente e humanizada. O alerta é de Maria do Carmo Leal, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, médica sanitarista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Uma das maiores especialistas do País na questão da atenção à saúde de bebês e gestantes, tema que vem estudando desde os anos 1980, ela explica que os melhores índices de resultados obstétricos e perinatais estão em países da Europa Ocidental, como Suécia, Noruega, Inglaterra, França, onde a maioria dos partos acontece de forma normal ou natural – quando não há indução de nenhuma espécie e o parto ocorre no tempo adequado para o recém-nascido, respeitando a necessidade de maturação e desenvolvimento dos fetos dentro do útero. "Muito diferente do modelo que adotamos no Brasil, que é bastante intervencionista, chegando mesmo a colocar o País na péssima condição de ser o detentor das maiores taxas de cesárea do mundo", afirma Maria do Carmo. Segundo a pesquisadora, é preciso recuperar as práticas de partos naturais. "Na Europa Ocidental, o índice de mortalidade de bebês chega a ser três vezes menor que o brasileiro. Já no caso da mortalidade materna, o índice europeu chega a ser dez vezes menor que o brasileiro", complementa.
A pesquisadora, que recentemente deixou o cargo de vice-presidente de Ensino e Pesquisa da Fiocruz, explica que a cirurgia cesariana é uma excelente tecnologia que salva vidas de mães e bebês, mas quando é feita sem indicação deixa de ser benéfica e passa a representar riscos. "No Brasil, a maioria dos partos operatórios ocorre por escolha do médico e da gestante, sem indicação ligada à presença de qualquer patologia materna ou fetal", afirma. Maria do Carmo, porém, destaca que vários estudos internacionais vêm mostrando os riscos associados ao parto cesáreo para a gestante e o recém-nascido, quando não há indicação clínica, tais como maior probabilidade de o recém-nascido precisar de suporte ventilatório, ida para a UTI neonatal, dor e desconforto imediatos, adoecimento e óbito durante o primeiro ano de vida dos bebês. "No caso das mães, aumenta-se a chance de problemas de inserção da placenta e ruptura do útero nas futuras gestações", acrescenta.
Para conhecer a realidade brasileira, está em curso um estudo nacional denominado "Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre parto e nascimento", sob a coordenação de Maria do Carmo Leal. Apoiado pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo entrevistará 24.000 mulheres que pariram recentemente em hospitais públicos e privados, em todas as capitais e o interior de todos os estados brasileiros. "Previsto de completar a coleta de dados em dezembro desse ano, esse estudo permitirá uma avaliação dos resultados perinatais – períodos imediatamente anterior e posterior ao parto – de acordo com a modalidade de parto praticada", acrescenta.
Maria do Carmo Leal chama ainda a atenção para a necessidade urgente de reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna no País. "O Brasil assumiu um compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – conjunto de oito metas firmadas pelos 191 Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, com vistas à redução das desigualdades mundiais até 2015 – mas não deverá cumprir a meta estipulada em relação à mortalidade materna, o que se constituirá uma vergonha para o País", afirma. Segundo a pesquisadora, os dados também estão associados ao modelo de atenção ao parto e nascimento que adotamos, pois, hoje, 97% dos partos ocorrem dentro dos serviços de saúde, segundo as estatísticas oficiais. "O modelo intervencionista de atenção obstétrica não se refere somente às cesáreas, mas diz respeito também ao uso indiscriminado de ocitocina, episiotomia e outras intervenções desnecessárias e não mais recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)", complementa.
Com apoio da FAPERJ, a médica sanitarista concluiu um estudo sobre a qualidade do atendimento pré-natal nas unidades públicas do município do Rio de Janeiro. "Com elevadas coberturas de atendimento ao pré-natal, atingindo, pode-se dizer, a totalidade das mulheres grávidas, o município do Rio de Janeiro ainda tem problemas incompatíveis com a extensão de cobertura que oferece. Por exemplo, uma taxa excessivamente alta de sífilis congênita", afirma. O estudo procurou entender onde estavam as falhas nos processos de atenção e procurou identificá-las em três componentes: gestantes, profissionais de saúde e infraestrutura dos serviços de saúde. "Comparecendo regularmente às consultas pré-natais marcadas no decorrer da gravidez e seguindo, na medida do possível, as recomendações médicas, as mães foram as que melhor cumpriram sua parte", recorda a pesquisadora. Já os profissionais de saúde foram os que mais falharam. "Observamos que falta uma melhor formação para eles se comunicarem com a população. Se o médico ou enfermeiro não interagem com as mães, não dialogam porque certos comportamentos devem ser evitados, não orientam sobre os alimentos que são mais adequados, que medicamentos são necessários e como usá-los, não se terá a adesão dessa mãe desinformada", explica. Segundo a pesquisadora, vários estudos têm mostrado que o entendimento do uso do medicamento receitado é muito baixo. "Além disso, a falta de diálogo entre médico e paciente torna grande o uso incorreto, principalmente quando há desnível educacional e a paciente tem vergonha de perguntar o que não entendeu", complementa.
Outro problema identificado no estudo refere-se ao funcionamento do SUS para o atendimento pré-natal, em que se constatou atraso na disponibilização dos resultados de exames de rotina. "De que adianta fazê-los se eles não são disponibilizados em tempo hábil? O problema, identificado no Rio, está presente em outros lugares", destaca a sanitarista. Segundo Maria do Carmo, o que temos hoje no SUS é a instalação de várias facilidades diagnósticas e de infraestrutura para suporte, por exemplo, uma boa assistência pré-natal, mas sem velocidade nos processos para que o investimento feito redunde em proteção efetiva às mães e recém-nascidos. "A dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde e os pacientes é outro problema dessa mesma natureza. Esse ajuste fino é o nosso desafio atual", explica. Para ela, o enfrentamento dessas mudanças não poderá ser feito isoladamente pelos serviços de saúde. "Será necessário uma revisão na formação do profissional de saúde, que atualmente não está saindo da universidade preparado para realizar bem a sua tarefa de atender a população", destaca.
A edição de maio de 2011 da revista inglesa The Lancet, uma das publicações médicas mais influentes do mundo, publicou pela primeira vez na sua história, um número falando somente sobre o sistema de saúde e a saúde do brasileiro. Pesquisadores de todo o País traçaram, em artigos, um panorama sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) com base em um extenso estudo de documentos existentes. Na publicação, Maria do Carmo Leal apresentou, em conjunto com outros pesquisadores, a situação da saúde materno-infantil no Brasil. Para ela, a discussão na renomada revista inglesa foi uma oportunidade enorme e o reconhecimento dos esforços feitos pelo País na área da saúde. "Com a revista, pudemos mostrar ao mundo que temos um sistema de saúde e que, com qualidades e insuficiências, estamos avançando na direção correta de oferecer uma atenção à saúde pública e gratuita para todos os brasileiros", afirma a pesquisadora.
Um dos pontos abordados em seu artigo diz respeito ao número abortos praticado no País. Maria do Carmo explica que, em 2008, o SUS contabilizou 215 mil internações de mulheres em hospitais públicos, decorrentes de complicações de abortos feitos no País. Estima-se que o número de abortos, resultante da soma dos contabilizados oficialmente e dos feitos ilegalmente é cinco vezes maior, chegando à cifra de um milhão. Em vista desses fatos, a pesquisadora se mostra pessoalmente favorável à legalização do aborto. No Brasil a legislação só permite no caso de estupro ou de feto anencéfalo (sem cérebro). Neste último caso, porém, somente depois de autorização judicial. "O aborto ilegal, como é praticado pelas mulheres mais pobres em clínicas clandestinas, é uma chaga em nosso País. Ele maltrata e humilha a mulher, além de ser a quarta maior causa de mortalidade materna no Brasil, só perdendo para hipertensão, infecção generalizada (septicemia) e hemorragia", afirma. "Enquanto as mulheres ricas fazem abortos pagos em clínicas particulares de maneira segura, as pobres estão sujeitas a infecções e ao risco de infecções e da própria vida", acrescenta.
Apesar das dificuldades ainda enfrentadas na área da saúde, a médica identifica como muito positiva a busca de soluções para problemas crônicos na gestão do SUS. Entre os exemplos, ela cita o maior investimento nos Programas de Saúde da Família, nas capitais e cidades de grande porte, como vem acontecendo no Rio de Janeiro, e o desenvolvimento do Rede Cegonha – projeto do Ministério da Saúde, lançado no final de março de 2011, que pretende reunir um conjunto de medidas para garantir a todas as brasileiras, pelo SUS, atendimento adequado, seguro e humanizado desde a confirmação da gravidez, passando pelo pré-natal e o parto, até os dois primeiros anos de vida do bebê. "Com essas iniciativas, espero que no futuro as crianças possam nascer de forma mais humanizada, sem aceleração de seu processo de maturação. Que nasçam quando, de fato, avisarem que estão prontas para chegar", conclui.
Fonte: FAPERJ - http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=7379
* Ilustração de Paulica Santos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal


Para fechar a semana, divulgamos nesta sexta-feira o texto da pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - FSP/USP Simone Grilo Diniz - Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal, que está linkado no site da Scielo e pode ser encontrado no impresso da Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, V.19, n.2, de agosto de 2009.
Confiram um trecho:
RESUMO
Nos últimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saúde materna no Brasil, assim como grande ampliação do acesso aos serviços de saúde. Paradoxalmente, não há qualquer evidência de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensão deste paradoxo, através do exame dos modelos típicos de assistência ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudança para uma assistência mais baseada em evidências sobre a segurança destes modelos, sua relação com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistências à mudança dos modelos. Examinamos os pressupostos de gênero que modulam a assistência e os vieses de gênero na pesquisa neste campo, expressos na superestimação dos benefícios da tecnologia, e na subestimação ou na negação dos desconfortos e efeitos adversos das intervenções. Crenças da cultura sexual não raro são tidas como explicações 'científicas' sobre o corpo, a parturição e a sexualidade, e se refletem na imposição de sofrimentos e riscos desnecessários, nas intervenções danosas à integridade genital, e na negação do direito a acompanhantes. Esta 'pessimização do parto' é instrumental para favorecer, por comparação, o modelo da cesárea de rotina. Por fim, discutimos como o uso da categoria gênero pode contribuir para promover direitos e mudanças institucionais, como no caso dos acompanhantes no parto.
Palavras-chave: gênero; saúde sexual e reprodutiva; cuidado baseado em evidências; SUS; saúde materna; humanização.
Para ler na íntegra acessem: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-12822009000200012&script=sci_arttext

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Revista Tempus

Compartilhamos hoje um material muito interessante c/ diversos textos sobre a humanização da assistência ao parto e nascimento - a Revista Tempus-Actas de Saúde Coletiva, Vol. 4, No. 4, de 2010.
Nela vocês poderão ler, entre outros:
Os desafios de uma filosofia para a humanização do parto e do nascimento, de Marcos Leite DOS SANTOS (pag.17-24)
A primeira verdade inconveniente, de Michel ODENT (pag.61-65)
A iniciativa internacional pelo nascimento MãeBebê: Uma abordagem de um atendimento materno eficiente à luz dos direitos humanos, de Robbie DAVIS-FLOYD, Debra Pascali BONARO, Rae DAVIES, Rodolfo Gomez Ponce DE LEON (pag.93-103)
Humanização da atenção ao parto e nascimento no Brasil: pressupostos para uma nova ética na gestão e no cuidado, de Dário Frederico PASCHE, Maria Esther de Albuquerque VILELA, Cátia Paranhos MARTINS (pag.105-117)
Parto Humanizado e Memória do Nascimento: uma reflexão sobre a produção de saúde desde os seus primórdios, de Liliane PENELLO, Liliana LUGARINHO, Selma Eschenazi do ROSARIO (pag.119-127)
Reflexões sobre a trajetória do Aleitamento Materno no Brasil e suas interfaces com o movimento pela Humanização do Parto e Nascimento e com a Política Nacional de Humanização, de Sonia Isoyama VENANCIO, Maria Cezira Fantini NOGUEIRA-MARTINS, Elsa Regina Justo GIUGLIANI (pag.129-141)
Analise crítica dos benefícios do parto normal em distintas posições, de Hugo SABATINO (pag.143-148)
Apoio à parturiente por acompanhante de sua escolha em maternidade brasileira: ensaio clínico controlado randomizado, de Odaléa Maria BRÜGGEMANN, Mary Angela PARPINELLI, Maria José Duarte OSIS, José Guilherme CECATTI, Antônio dos Santos Carvalhinho NETO (pag.155-159)
Ocitocina: novas perspectivas para uma droga antiga, de Steven L. CLARK, Kathleen Rice SIMPSON, G. Eric KNOX, Thomas J. GARITE (pag.161-172)
Práticas baseadas em evidências para a transição de feto a recém-nascido, de Judith S. MERCER, Debra A. ERICKSON-OWENS, Barbara GRAVES, Mary Mumford HALEY (pag.173-189)
Gestão da qualidade e da integralidade do cuidado em saúde para a mulher e a criança no SUS-BH: a experiência da comissão perinatal, de Sônia LANSKY (pag.191-199)
A experiência de trabalho do Grupo Curumim com parteiras tradicionais, de Paula VIANA (pag.209-214)
ReHuNa – A Rede pela Humanização do Parto e Nascimento, de Daphne RATTNER, Marcos Leite dos SANTOS, Heloisa LESSA, Simone Grilo DINIZ (pag.215-228)
A JICA e a Humanização do Parto e Nascimento no Brasil, de JICA Brasil (pag.229-230)
* Revista coordenada pelo Núcleo de Estudos de Saúde Pública (NESP) do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Universidade de Brasília (UnB) com a colaboração editorial da Faculdade de Ciência da Informação (FCI) da UnB.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Impressões e imagens do 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, em Bauru/SP

Ainda pelas nossas incursões... No último dia 17, terça-feira, em Bauru, interior paulista, a convite de Celma Regina S. Godoy Araujo (psicóloga, educadora perinatal e doula) do GAAME, para apresentarmos a palestra www.PartoNoBrasil.com.br: Internet, Obstetrícia e Empoderamento e o pôster do Projeto Parteiras Caiçaras, no 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, em parceria c/ o Senac Bauru.
No evento, outros incríveis trabalhos foram compartilhados, entre eles: a obstetra Claudia Magalhães, da Unesp de Botucatu, abriu as atividades do dia; a Dra. Janaina Marques apresentou a sua pesquisa p/ o doutorado - Violência Institucional em Maternidades Públicas (confiram o assunto neste post e baixem a tese!); em seguida, Ana Carolina divulgou nossa pesquisa (acessem aqui!) apresentada na III Conferência Internacional de Humanização do Parto e Nascimento, da ReHuNa, em novembro passado e, ainda, incorporou outros estudos sobre como a internet tem nos servido como instrumento e ferramenta p/ a obtenção de boas e seguras informações sobre a Saúde da Mulher e Materno-Infantil, contribuindo p/ o empoderamento feminino. Após o café ,a psicóloga e doula Eleonora de Moraes exibiu o documentário dirigido por ela - De volta para casa, sobre o parto domiciliar baseado em evidências científicas, c/ relatos de enfermeiras obstetras e casais que vivenciaram esta linda experiência - neste momento o auditório, que contava c/ aproximadamente 100 pessoas, entre profissionais da saúde, ficou todo eufórico, e, era comum ouvir borburinhos do tipo: "Isso é coisa p/ rico!", "Mas, será seguro? E os riscos?".
Quando ouço opiniões como essas, baseadas no senso comum e na crença de que nossos (imperfeitos) corpos não podem parir naturalmente fico irritada (p/ não dizer emputecida!), pois me parece que as pessoas, especialmente as mulheres, esqueceram que é recente essa medicalização do parto, e, desde que existe Humanidade sempre foi assim que parimos, em casa, c/ nossos familiares, tendo o hospital há pouco mais de 70 anos como espaço de nascimento. Ainda se desconhecem que países europeus, como a Inglaterra e/ou a Holanda, por exemplo, tem em suas assistências a opção pelo parto domiciliar, seguro e acompanhado por obstetrizes, com baixíssimas taxas de morte materna e neonatal.
Enfim, nós brasileir@s temos um longo caminho pela frente, no que se refere a trazer a tona as boas práticas de atenção obstétrica, e momentos como esse nos dá um baita fôlego!
Após o almoço, a médica obstetra Gisele Maciel nos apresentou a experiência mineira da Comissão Perinatal e o movimento BH pelo Parto Normal (conheçam aqui!), sobre o trabalho inovador do hospital Sofia Feldman (aguardem, teremos um post especial sobre o tema!), reconhecido e premiado como Hospital Amigo da Criança (confiram aqui outras informações), além do depoimento do casal de p@is que tiveram sua filha em casa, doulad@s por Denise Cardoso, do Grupo MaternAtiva e, também, as ações da Parto do Princípio, c/ a psicóloga e doula Heloisa Salgado, que nos contou como foi o nascimento de seu filho Gabriel por uma cesárea e como suas marcas lhe impulsionaram p/ buscar outras e novas possibilidades, através do Movimento de Humanização.
Novas partilhas, novos contatos, encontrar c/ nossas amigas virtuais (não é , e foi tão pouco e corrido!) foi maravilhoso! E, mais ainda por saber que este trabalho de formiguinha é realizado em muitos cantos deste País, p/ que outras mulheres-mães possam parir c/ dignidade e respeito, pois temos direito - assistam os vídeos da Humpar apresentados por Ana em sua apresentação.
Abaixo as imagens deste delicioso encontro:

terça-feira, 10 de maio de 2011

Post Extraodinário - Série Lancet Saúde no Brasil

Foi lançada ontem, em Brasília, a série artigos da revista médica inglesa The Lancet, uma das mais prestigiadas, sobre a Saúde no Brasil.

É uma foto do Rio de Janeiro que estampa a Série, no site da Lancet
http://www.thelancet.com/series/health-in-brazil
Segundo o texto de abertura da publicação, o Brasil é o primeiro país do mundo em número de cesáreas. Agora, mais que nunca, tá na hora de acabar com essa bobeira de segundo lugar. Isso é histórinha prá mãezinha dormir.
O Brasil conquistou melhorias significativas na saúde materno-infantil, em serviços de atendimento de emergência, e na redução e controle de doenças infecciosas. Mas as notícias não todas boas. O país continua a ter índices de mortalidade por lesão que são diferentes de outros países, devido ao grande número de assassinatos, especialmente por armas de fogo. Os níveis de obesidade estão aumentando e as taxas de cesariana são as mais altas do mundo.
O Brasil tem agora a oportunidade de se aproximar do seu objetivo último de saúde universal, eqüitativa e sustentável, tal como promulgado na Constituição de 1988. Para dar visibilidade a essa oportunidade, a revista The Lancet publica uma série de seis artigos que examinam criticamente as conquistas das políticas públicas nacionais e indicam os próximos desafios. É como Cesar Victora e colaboradores concluem no documento final da Série Lancet sobre o Brasil: "O desafio é, em última instância, político; e requer a participação contínua da sociedade brasileira como um todo para garantir o direito à saúde para todo o povo brasileiro.
Fonte: http://www.thelancet.com/series/health-in-brazil
Haja solidariedade!!!
Quero só ver o que diz a Lancet sobre o tipo de parto normal que é normal por aqui....

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obstetrícia, Internet, Empoderamento

Amamentação: Uma experiência 3D
Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento - SMRN 2011 Meu parto, meu corpo, meu Bebê. A escolha é minha.
Estes são importantes eventos da área da saúde internacional, que nos mobilizam localmente. Este post trata de um aspecto transversal à saúde:
a informação e comunicação.
Também assinam esta pesquisa aqui apresentada: Bianca Cruz Magdalena e Simone Diniz








Muito obrigada a tod@s @s participantes, mais uma vez!

Com tantas formas de comunicação acessíveis pela ponta dos dedos, agora é o momento perfeito para compartilhar e empoderar.
Waba, por Bianca Balassiano Najm

quinta-feira, 24 de março de 2011

Post Extraordinário - Carta de Sonia Hotmsky à ReHuNa

Divulgo a Carta de Sonia N. Hotmsky, autora da tese de doutorado em Ciências, publicada em 2007 - A formação em obstetrícia: competência e cuidado na atenção ao parto*, pela Faculdade de Medicina Preventiva da USP enviada a Rede de Humanização ao Parto e Nascimento (ReHuNa) a favor do Curso de Obstetrícia da EACH-USP:
Carta de Sonia Hotmsky à ReHuNa:
"Uma das últimas falas publicas de Angela Gehrke, obstetriz alemã que trabalhou durante anos atendendo ao prénatal, parto e pós-parto de mulheres de camadas populares, moradoras do Jardim Monte Azul no ambulatório e Casa de Parto da Associação Comunitária Monte Azul foi em um programa da GNT no qual afirmava que era essencial a colaboração entre os distintos profissionais que prestam assistência ao parto. Afinal, uma atenção centrada na mulher depende desta colaboração e deste respeito e reconhecimento mútuo. Sua fala foi particularmente impactante para todos nós presentes naquela ocasião - companheiros da ReHuNa, profissionais de saúde, feministas, mulheres 'consumidoras', ativistas lutando em prol do direito à escolha do local de parto - pois dizia isso após ter sido proibida de atuar e de ter sido fechada a casa de parto que fundou e que foi modelo para a Casa de Parto do Projeto Qualis da Fundação Zerbini - a Casa de Parto Sapopema.
As discentes e docentes do Curso de Obstetrícia da USP Leste precisam de nosso apoio!".
Foto de Deborah Rachel, daqui.
* Tese encontrada aqui.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Divulgação de estudo - A Fisioterapia no suporte ao parto


Divulgo hoje um estudo enviado pela fisioterapeuta e doula Renata Olah, editora do blog Fisio & Doula e também uma das coordenadoras do grupo de orientação a casais grávidos MadreSer, que atua em Sumaré/SP, sobre a atuação do fisioterapeuta como profissional de suporte à parturiente/gestante, publicado na Revista Ciência & Saúde Coletiva, de autoria de Berta Almeida; Gabriela Zanella Bavaresco; José Hugo Sabatino; Mirella Dias e Renata Stefânia Olah de Souza. Itálico
Confiram o resumo do trabalho abaixo:
O controle da dor no trabalho de parto e no parto, assim como a prevenção do sofrimento são alguns dos objetivos da equipe obstétrica, que deve trabalhar para garantir à mulher um parto seguro e satisfatório. Há diversos recursos que podem ser utilizados pelo fisioterapeuta enquanto membro da equipe obstétrica para proporcionar confiança, conforto e alívio da dor à parturiente durante o trabalho de parto. O suporte fisioterapêutico inclui banhos, crioterapia, massagens, técnicas respiratórias, deambulação, posições verticais e a neuroeletroestimulação transcutânea (TENS). Através da pesquisa bibliográfica realizada concluiu-se que a TENS para analgesia ainda aparece com resultados inconclusivos. Todavia, todos os outros recursos aparecem na literatura como vantajosos e que devem ser estimulados durante o período de dilatação e expulsão. O fisioterapeuta mostrou-se útil no acompanhamento da mulher durante o processo parturitivo, ajudando na redução da percepção dolorosa e na diminuição do tempo de trabalho de parto.
Leiam na íntegra O fisioterapeuta como profissional de suporte à parturiente - http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/artigo_int.php?id_artigo=4882.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O parto normal péssimo que gera a venda da cesárea anestesiada

Confira, na íntegra.
Folha de São Paulo, quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Uma em 4 mulheres relata maus-tratos durante parto
Queixa é mais frequente em hospital público, mas ocorre também em particular
Agressões vão de exames dolorosos a xingamentos e gritos; secretário diz que situação é intolerável
LAURA CAPRIGLIONE
DE SÃO PAULO
Chorando em um hospital, agulhada pelas dores das contrações do parto, mulheres brasileiras ainda têm de ouvir maus-tratos verbais como: "Na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe. Por que tá chorando agora?"; ou "Não chora não que no ano que vem você está aqui de novo"; ou ainda "Se gritar, eu paro agora o que estou fazendo e não te atendo mais".
Uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar.
São agressões que vão da recusa em oferecer algum alívio para a dor, xingamentos, realização de exames dolorosos e contraindicados até ironias, gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele.
Os dados integram o estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizado em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc e divulgado agora.
A Folha obteve com exclusividade o capítulo "Violência no Parto", que pela primeira vez quantificou à escala nacional, a partir de entrevistas em 25 unidades da Federação e em 176 municípios, a incidência dos maus-tratos contra parturientes.
Coordenado pelo sociólogo Gustavo Venturi, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, o estudo constatou uma situação que Janaina Marques de Aguiar, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, já tinha captado em estudos qualitativos. "Quanto mais jovem, mais escura, mais pobre, maior a violência no parto."
O estudo mostra, por exemplo, que as queixas são mais frequentes no caso de o local do parto ser a rede pública, com 27% das mulheres reportando alguma forma de violência. Em 2009, foram quase 2 milhões de partos feitos nas unidades do Sistema Único de Saúde. Quando a mulher dá à luz em um serviço privado, as queixas caem a 17%.
Ressalta no estudo a diferença de tratamento em municípios pequenos, médios e grandes. Quanto maior o município, maior a incidência de queixas.
Segundo Sonia Nussenzweig Hotimsky, docente da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a diferença pode ser atribuída à "industrialização" do parto nos grandes hospitais. "Em uma cidade pequena, as pessoas acabam se conhecendo e o tratamento tende a ser mais humanizado".
Desde 2004, o Ministério da Saúde tem entre suas prioridades a humanização do parto. Mesmo assim, até hoje não conseguiu nem sequer universalizar o direito das parturientes a um acompanhante de sua confiança, conforme lei de 2005.
Segundo Helvécio Magalhães Jr., secretário de Atenção à Saúde do ministério, a situação "é intolerável". Segundo ele, "a humanização do parto está no centro da política de saúde do governo". Sobre a lei do acompanhante, o secretário diz que é essencial seu cumprimento até para "coibir os abusos".
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Clique sobre a imagem e leia frase da pesquisadora Janaína de Aguiar, que também coordena o Projeto Nascer no Brasil, da FIOCRUZ. O referido estudo é a tese de doutorado de Janaína na Faculdade de Medicina/USP, que foi apresentada na ilustre mesa sobre Violência Obstétrica Institucional, durante a III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, em Brasília, 2010.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico

A série de textos sobre as cirurgias cesarianas chega a sua terceira parte - confiram as outras duas aqui!
Estudos realizados a partir da Medicina Baseada em Evidências, publicados em forma de artigos no Femina, por Alex Sandro Rolland Souza, Melania Maria Ramos Amorim e Ana Maria Feitosa Porto foram disponibilizados nas listas virtuais e linkados no blog, assim, confiram Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico - https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0ByeaAlBSCXOOZjY5N2E4MTAtNzMxZi00NmY4LWIyMzUtOTM4ODFhNWJmYTRm&hl=en
Acessem também o blog MaternAtiva, editado por Denise Cardoso e vejam dois vídeos produzidos pelo Grupo Curumim sobre as altas taxas de cesária em nosso País - Por que cesárea?
Pois, não basta querer um parto normal no Brasil... temos que lutar por ele!

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