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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

É preciso ressignificar a dor

Hoje vou compartilhar com vocês a história de uma amiga, e de como vi, a partir de minha percepção como necessitamos ressignificar as dores, e como isso não é permitido, quando temos, enfim, um bebê saudável nos braços, depois de uma cesárea bem indicada.

Luana, 21 anos, gestava Miguel.

Passou a gravidez buscando boas informações, além das consultas médicas, em Botucatu, interior paulista. Mesmo assim, lhe faltou oportunidades de estar num grupo de gestantes e casais, para trocar as emoções, sensações, expectativas de gestar um bebê. Ela também optou por não ter uma doula ao seu lado.

A Lua vira, e com mais de 38 semanas ela perde o tampão mucoso, uma espécie de muco que costuma sair, no fim da gravidez, pelo colo do útero, indicando sua abertura, mesmo assim varia de mulher e gestação, e não é indicação de trabalho de parto. Mas, no caso de Luana já veio acompanhado de contrações. Bora correr para o Hospital Universitário da UNESP!

Com um dedo de colo uterino dilatado, foi aconselhada a voltar para casa. Chuveiro, descanso, casa cheia, ansiedade. E, o relógio passa, tic tac tic tac...

Volta para o hospital! As contrações aumentaram!

Mesmo assim, o trabalho de parto estava longe de ser ativo. E, ela e seu esposo desejavam tanto receber Miguel em um parto normal, mas depois de mais de 30 horas, o obstetra observou que sua cabecinha estava mal colocada, além disso, após romper o saco amniótico verificou um líquido esverdeado, e optou por operá-la, imediatamente, assim, o bebê nasceu via cesárea.

Mesmo com toda a emoção que um nascimento provoca, toda alegria contagiante de ver o rostinho de seu filho, tão aguardado, e sim, saber que está tudo bem, e que foi preciso ser assim, é normal e humano se entristecer! Mas, a sociedade nos cobra o oposto, e fundamenta, inclusive, como a cesárea é ótima, já que seu bebê nasceu de uma, e, claro, agendada, para não termos imprevistos - imagina sair no meio da noite para parir, que absurdo, com tanta tecnologia e modernidade tsc tsc...

Pela rede social afora vi quantos comentários Luana recebia com esse mesmo discurso, com essa cobrança, impossibilitada de vivenciar sim seu luto. O luto de que não foi como sonhava, de que seu corpo não atendeu a fisiologia do nascimento, assim a dor tem que ser abafada, dentro do peito...

Obviamente ficamos felizes quando um filh@ nosso nasce, saudavelmente, e se foi preciso uma intervenção como essa, que ótimo que pudemos ser atendidas, e com todo o respeito, mas ressignificar as emoções, o nó na garganta, a lágrima que afoga também são precisos, e preciosos, até mesmo para o vínculo entre mãe-bebê, a descida do leite, a amamentação, as novas noites sem dormir, enfim, os novos desafios que a maternidade nos presenteia, para, junto daquele serzinho, crescer!

E, tratando sobre esse assunto me vem a palavra empatia. O tal de se colocar no lugar do outro, e não dizer com aquele sorrisinho: "Mas, o importante é que blábláblá...". E, sim: "Eu imagino sua tristeza!", ou apenas o silêncio, e um abraço - como vi nesta animação muito bacana, que compartilha essa mensagem - aqui.

Finalizo, com um pequeno relato de Luana Prado Godoi, abaixo:

O último clic!

"E foram 37 horas em trabalho de parto, 37 horas com contração atrás de contração. Mas infelizmente o parto não ocorreu do jeito que eu previa, Miguel teve que nascer de cesárea pois estava encaixado sim mas com a cabeça torta, viradinha. Não tinha como nascer de parto normal naquela posição. Sem falar que a bolsa foi estourada pelo médico e o líquido já estava esverdeado, outro motivo para fazerem a cirurgia. Mas tanto eu, como os médicos e enfermeiros fizemos de tudo e mais um pouco para que o Miguel viesse ao mundo naturalmente, tanto que eu já estava com quase sete dedos de dilatação  Pexão (seu esposo) e eu ficamos tão tristes por não ter sido o parto que tanto esperávamos, mas essa tristeza logo passou quando vimos o rostinho do nosso abençoado homenzinho, que nasceu lindão e cheio de saúde. Mas Deus é testemunha de que fiz o possível, aguentei tudo firme e forte, e se não aconteceu: amém! Deus sabe de todas as coisas. O que me alivia é saber que o Miguel veio no tempo dele e que essa cesárea foi uma cirurgia realmente NECESSÁRIA!".

Nasce um bebê, e um pai!

Miguel S2

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Relato: Nascimento de João – Cesárea




 Meu filho nasceu em novembro do ano passado e hoje finalmente pari o relato do que considero um "quase-parto", pois ao contrário do que aconteceu no nascimento do meu primeiro filho, dessa vez eu pude pelo menos experimentar a dor e a delícia de um trabalho de parto de que eu fui protagonista até o momento da indicação da cesárea.

Sintam-se livres para me questionar, meu objetivo em postar o relato aqui é justamente entender e digerir a cesárea.

Coloquei algumas fotos tiradas durante o TP e cesárea (quase todas "by Helô Lessa") no álbum: http://picasaweb. google.com. br/biancaz/ NascimentoDoJoao #


ANTES

Eu já estava de 42 semanas pela ultra e minha estimativa da concepção, e 43 semanas pela DUM. Já tinha tido vários episódios de falso trabalho de parto e desde as 40 semanas estava seguindo todas as dicas pra entrar em trabalho de parto (chá de canela, sexo, caminhada, banhos quentes, exercícios, homeopatia). Fiz uma ultra e estava tudo ótimo, então já tinha combinado com a Helô e o Rodrigo de esperar mais uns dias e tentar fazer um descolamento de membranas, já que indução mesmo eu não poderia fazer por conta da cesárea prévia.

Meu pai me indicou um médico acupunturista que segundo um amigo dele era muito bom pra estimular trabalho de parto (aliás, indico: Alcio Gomes). Então marquei uma consulta com ele. Ele me disse que se eu já tivesse um pouco de dilatação, as chances de funcionar seriam grandes. Fiz uma seção com ele e ele me disse pra voltar no dia seguinte se não tivesse entrado em trabalho de parto.

No dia seguinte fui andando a pé da minha casa até a Gávea pra segunda sessão de acupuntura e durante a seção comecei a sentir contrações. Saí de lá sentindo contrações espaçadas e pouco doloridas. Estava muito calor e eu saí de lá direto para passear no shopping (andei, andei, andei) porque na rua não dava, o calor estava demais.


EM CASA

À noite finalmente as contrações ficaram mais doloridas e regulares, apesar de ainda estarem bem espaçadas (a cada 7 minutos, mais ou menos). Liguei para a Helô e quando disse que estava em TP ela disse "Oba! Não era isso que você queria?" Ela veio aqui pra casa lá pelas 22h. Me olhou e me disse pra tentar descansar. Passamos a noite na sala, cada uma deitada em um sofá. O Roberto ficou tocando violão por um tempo, tocou de tudo, mas lembro principalmente de Elomar. Em algum momento as luzes se apagaram e fomos pra varanda ver se tinha sido só aqui. Vimos que estava tudo escuro, até onde a vista alcançava. Era o apagão que apagou grande parte do Brasil. Acendemos algumas velas pela casa, ficou um clima ótimo. Eu conseguia dormir entre as contrações, mas acordava e ficava na posição que me parecia mais confortável quando vinha a contração. Passamos a noite assim e de manhã ela fez o primeiro toque da minha gravidez: 2cm. As contrações continuavam espaçadas. Ela decidiu sair pra resolver algumas coisas na rua e disse pra eu ligar quando precisasse.

O meu filho Antônio acordou e eu fiz de tudo pra dar café-da-manhã normalmente pra ele, mesmo tendo que parar durante as contrações. Expliquei pra ele que logo, logo o irmãozinho dele estaria chegando. O Antônio saiu para a escola e meu marido foi para o trabalho (o trabalho dele é pertinho da nossa casa). Eu fui pra cama tentar dormir mais um pouco porque estava muito cansada. Nisso eu dormi por uma meia hora e acordei assustada porque não estava mais sentido as contrações. Eu tinha muito medo que o TP parasse. Liguei pra Helô e contei pra ela o que estava acontecendo. Contei que tinha feito acupuntura e que estava com medo que fosse um falso TP causado pela acupuntura. Ela me disse que isso não tinha nada a ver, que era normal dar uma parada e depois recomeçar com mais força. Disse pra eu tentar dormir mais. Dormi mais um pouco e acordei com uma contração mais forte. Aí peguei a bola e fiquei quicando nela. As contrações foram ficando mais fortes e regulares, comecei a realmente sentir dor. Liguei pra Helô e ela me disse pra tomar um banho de chuveiro, não de banheira. Me disse que teria que resolver algumas coisas e mais tarde passaria aqui em casa. Eu fiquei entre o chuveiro e a bola mais algum tempo. Nisso muita gente (minha mãe, meu pai, meus sogros) ligou pra saber como estavam as coisas, já que o plano era fazer o descolamento naquele dia. Eu nem falei que estava em TP e disse que só iria fazer o descolamento mais tarde.


NA MATERNIDADE

Lá pelo meio-dia liguei pra Helô e disse que não estava aguentando mais que queria ir logo pra maternidade porque se demorasse mais não sabia se iria aguentar a viagem de carro. Ela aceitou, já que meu plano era parir na maternidade, não em casa. Me disse que ia ligar para o Rodrigo, pra ele tentar conseguir vaga. O Rodrigo ligou depois de um tempo pra dizer que não tinha vaga na Perinatal de Laranjeiras, que ele sugeria a Promatre no Centro. A Helô tinha me falado dessa Promatre, mas eu fiquei com pé atrás (infelizmente) e perguntei se não podia ser na Perinatal da Barra. O Rodrigo ligou pra lá e conseguiu vaga. Ele e a Helô iriam encontrar com a gente lá.

Fui no banco de trás do carro me contorcendo nas contrações. Chegando lá, enquanto meu marido resolvia a internação, o Rodrigo quis fazer o exame de toque e pra minha surpresa ainda estava em 2cm. Fomos para o quarto e ficamos lá só eu e o Roberto por um tempo. Ficamos um tempão juntos no chuveiro e pra minha surpresa meu marido foi perfeito nessa hora me ajudando a relaxar e ficar mais ocitocinada. Quando a equipe voltou umas duas horas depois eu já estava com quase 5cm. Aí como eu estava muito cansada, resolvemos que era melhor ir pra banheira na suíte de parto humanizado. Tive que colocar aquela roupa de hospital e ir pra lá na maca (reclinada) me contorcendo e gritando muito. Os enfermeiros me olhavam como se eu fosse uma louca, acho que nunca tinham visto aquilo por lá. Nessa hora eu já estava começando a entrar na Partolândia, ficava entoando uma espécie de mantra, que eu mesma tinha inventado e que me acalmava. Chegando na suíte, vi a equipe toda e o meu marido com aquela roupinha de hospital, muito estranho. Pediram pra encher a banheira e a louca da enfermeira resolve colocar espuma de banho na água. A Helô quase teve um treco, tiveram que esvaziar tudo, limpar e encher de novo. Fiquei um tempão na banheira, a Helô e o Roberto se revezavam pra jogar água na minha barriga porque a banheira era muito rasa. Acho que foram quase duas horas na banheira porque deu tempo de ouvir duas vezes o CD da Monica Salmaso cantando Afro-Sambas.

As contrações mesmo na banheira estavam punk, eu tentava mentalizar que elas estavam trazendo meu filho, mentalizava "vem João, vem João", mas o que me aliviava mesmo era mentalizar "vou conseguir, sou forte, vou conseguir". Aí a água esfriou e eu saí da banheira. Novo exame de toque e a dilatação não tinha evoluído quase nada. Mas, o bebê tinha girado e agora estava com o dorso a esquerda, não mais com dorso a direita. Falaram pra eu ficar fora da banheira e tentar ficar em outras posições, mais agachada, pendurada. Me pendurava no meu marido e a Helô me fazia massagem nas costas, que aliviava muito. A dilatação progrediu um pouco mais, mas como eu estava muito cansada depois de algum tempo eles me propuseram analgesia e eu aceitei. Entrou a anestesista, me explicou que daria só uma anestesia bem fraca que duraria mais ou menos uma hora pra eu descansar. Não vou negar que foi um grande alívio. Fiquei deitada vendo a minha barriga mexendo durante as contrações. Falei pro Roberto ir jantar porque ele já estava há horas sem comer nada. Eu tinha comido antes de sair de casa e confesso que nem me passou pela cabeça comer (só beber água, o que eu fiz). Pedi pra chamarem a minha mãe que fiquei sabendo que já estava na maternidade. Ela entrou e ficou do meu lado junto com a Helô, falando de como tinha sido o meu parto. Depois de um tempo pedi pra ela sair, porque estava me tirando a concentração e eu sentia que a anestesia ia passar e eu precisaria voltar ao trabalho.

Fizeram um exame de toque e pra minha surpresa minha dilatação tinha progredido muito durante a analgesia, estava com 7cm. A analgesia passou e voltei pras posições de cócoras e de repente senti uma água escorrendo e comecei a falar que tinha feito xixi (não sei por que falei isso, já que era óbvio que era a bolsa). Depois de algum tempo, novo toque e eu já estava com 9cm, mas o João ainda estava um pouco alto e eu com edema de colo. Disseram pra eu ficar um pouco em posição semi-reclinada pra colocar gelo e tentar diminuir o edema. Depois de um tempo, novo toque, edema tinha diminuído só um pouco e saiu mecônio (não tinha mais líquido, era mecônio puro). Senti que aí o Rodrigo começou a ficar preocupado. Eu comecei a tentar fazer força nas contrações pra ver se ajudava. Estava na Partolândia total e sabia que de vez em quando ele media os batimentos, mas eu não conseguia ouvir o que estavam falando. Só sei que uma hora o Rodrigo falou que não dava mais pra esperar, que os batimentos não estavam mais recuperando depois das contrações e que tínhamos que ir correndo pra cesárea. Eu fui de cócoras na maca fazendo força nas contrações com esperança de que meu filho nascesse no caminho. Ainda fiz um auto-toque e tive a impressão de sentir a cabeça dele em cima do colo inchado. Mas, quando me deitaram na mesa da cirurgia e começaram a dar a anestesia, vi que não tinha mais jeito, tentei me acalmar e apesar de tudo ficar feliz porque veria meu filho em breve. Falei pro meu marido: "Amor, vamos finalmente conhecer o João". A cesárea foi feita rapidamente e meu filho nasceu de olhos abertos e coberto de mecônio, a 00:25 do dia 12 de novembro de 2009. Colocaram ele um pouco no oxigênio, o Apgar foi 6/8 e o capurro 41 semanas e 6 dias. Puseram ele em cima de mim e ele mamou logo em seguida.


_Bianca Zadrozny, mãe de João.

sábado, 20 de outubro de 2012

domingo, 10 de junho de 2012

Plantão: A questão do (medo do) parto no jornal O Globo 2/2

Confiram a íntegra da matéria publicada na edição de sábado do jornal O Globo.

O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.

Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história! 
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A questão do parto
Número de cesáreas confirma cirurgia como primeira opção das mulheres


VIVIANE NOGUEIRA
Publicado: 9/06/12 - 14h00


A informação é sua melhor aliada para a defesa de sua integridade física e bem-estar emocional. Não deixe que escolham por você. Busque apoio de outras mulheres, em grupos presenciais e virtuais de apoio ao parto.

Se você perguntar à grávida mais próxima como ela quer que seu bebê chegue ao mundo, ela provavelmente responderá que por parto normal. Ainda assim, dados sobre nascidos vivos do Ministério da Saúde mostram que, em 2010 (ano mais recente desse levantamento), nas redes pública e privada, 52,2% dos partos realizados foram cesarianas e 47,8% foram normais. O motivo pode estar entre os instintos mais básicos: o medo. 

Um estudo feito em 2008 no Rio e na Baixada Fluminense pela epidemiologista Maria do Carmo Leal, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, mostrou que no início da gravidez 70% das mulheres queriam parto vaginal, mas ao fim dos nove meses apenas 30% confirmavam seu desejo. A maioria dos bebês nascia mesmo por cesárea. Por que elas mudavam de opinião? Algumas queriam ligar as trompas, outras eram influenciadas por seus médicos, mas a maioria tinha medo da dor.
A cesárea já está no inconsciente coletivo, é a experiência da maioria. Os médicos aqui não sabem fazer parto, já aprendem a cirurgia na universidade. Nos outros países não há essa cultura intervencionista, mas as mulheres são mais bem assistidas no pré parto, ficam em banheiras de água quente, recebem massagem para relaxar e aprendem a respirar para conduzir o parto, isso diminui o medo — acredita a pesquisadora, que prepara para agosto uma pesquisa com 24 mil mulheres do país sem problema algum de saúde que optaram pela cesárea.
Pela Organização Mundial de Saúde, o recomendado é que apenas 15% das mulheres deem à luz por cesárea, uma cirurgia ótima para quando há algum problema. Quando não há, o ideal é o parto vaginal para evitar o estresse orgânico do corte de tecido, infecções, cicatrizes uterinas e a alienação da mãe na hora do nascimento do bebê por causa da anestesia. 

Para tentar atender a esta demanda, o Ministério da Saúde criou em 2011 o Rede Cegonha, que prevê consultas de pré-natal, a presença do acompanhante durante o parto, e centros de parto normal com leitos adaptados para num só lugar acolher a mulher antes, durante e depois do parto. Hoje, o valor repassado ao médico do Sistema Único de Saúde (SUS) no parto normal já é maior que nas cesáreas e, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se pensa em remunerar as horas que o médico acompanha a mulher no parto normal.
— É preciso mudar a cultura dos médicos que hoje se aprimoram na cirurgia e deixam de lado o parto vaginal. O que vai reduzir o número de cesáreas é a gestante chegar segura à maternidade. Até 2014 queremos 80% das grávidas com no mínimo seis consultas de pré-natal e exames de sífilis, HIV e ultrassonografia feitos — anuncia Padilha.
Na experiência da professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) Daphne Rattner, presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), as mulheres cada vez mais reivindicam seus corpos e o direito de parir. E para isso a melhor opção seria o parto domiciliar. De acordo com a “The Cochrane Collaboration”, pesquisa da fundação sem fins lucrativos feita com 8.677 mulheres, quando comparados com os hospitais, os partos em casa apresentaram menos intervenções médicas e mais satisfação materna, com a ressalva de que cuidadores e pacientes devem estar atentos para sinais de complicações.
— Gravidez não é doença e parto não é cirurgia, mas a cultura influencia muito. Em 1997 participei de um encontro internacional e a representante do Nepal disse que lá o médico aprende que a dor é sinal de que algo está errado e é preciso intervir. Já a parteira diz ‘oba, as dores começaram, vamos ver o que há para fazer’ — conta Daphne.
Por aqui a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é terminantemente contra partos domiciliares porque considera que um parto só é sem riscos depois de 24 horas que aconteceu.
— Muitas interferências podem acontecer mesmo num parto normal, como uma hemorragia e a consequente retirada do útero. E às vezes, na transferência de casa para o hospital, a morte da mãe pode acontecer — explica a diretora administrativa da Febrasgo, Vera Lúcia Mota da Fonseca, que defende a cesárea em indicações precisas e acredita que a gravidez acompanhada por uma equipe múltipla pode servir para aumentar o número de partos normais. — Dessa forma o médico não precisa largar o consultório e correr para a maternidade: a mulher entra em trabalho de parto, vai para a maternidade em que fez o pré-natal e lá o médico disponível faz o parto.
A ginecologista e obstetra Cláudia Araújo Bottino credita à vida moderna a opção das mulheres “ocupadas e estressadas” pela cesárea:
— A carga da mulher hoje não é só ser mãe. Ela é profissional, esposa, dona de casa e mãe. E por isso não quer sentir dor — diz.
A dor não desanimou a publicitária Simone Pinto, que queria que seu filho João, hoje com sete meses e meio, nascesse quando estivesse pronto. As contrações começaram às 3h, ela monitorou tranquilamente, chegou ao hospital às 8h30 e às 15h recebeu o bebê. 
Eu senti dor mas curti, foi um momento intenso de dor e prazer. Mas a todo momento eu sabia que se algo desse errado eu poderia contar que minha médica faria a cesárea — conta.
Fonte: A Questão do Parto - O Globo



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Opção polêmica

Portal O Globo
Publicado: 9/06/12 - 14h00

Dados: O número de cesáreas na rede pública vem aumentando na medida em que diminuem os partos normais. No SUS, os percentuais de cesáreas em 2009, 2010 e 2011 foram 34,6%, 36,7% e 38,3 enquanto o de partos normais, 65,3%, 63,2% e 61,6%. Nas redes pública e privada (os dados dos nascidos vivos) o percentual de cesáreas aumentou de 50% para 52,2% entre 2009 e 2010 e o de partos normais caiu de 50% para 47,8% no mesmo período.
Mãe: Como toda cirurgia, a cesárea pode ter como desdobramentos, além da cicatriz aparente, uma fibrose uterina, o que pode dificultar a implantação do embrião em uma próxima gestação. Por isso muitos médicos indicam que o no segundo parto de uma mulher que já tenha feito uma cesárea se repita a cirurgia.
Bebê: A idade gestacional do feto é determinada por ultrassonografia ou pela data da última menstruação da mãe, mas esses métodos não podem precisar a data exata do nascimento.
Natural ou normal: A nomenclatura natural é usada quando todos os processos biológicos do nascimento do bebê são respeitados. Ou seja: não há anestesia, não há corte para ajudar a passagem da cabeça. Já o parto normal é o vaginal, no qual o bebê sai pela vagina e a mãe pode contar com a interferência médica.
SUS: No primeiro ano do programa Rede Cegonha, houve queda de 21% na mortalidade decorrente de complicações na gravidez e no parto. No Estado do Rio, já há uma unidade em funcionamento no Hospital da Mulher, em São João de Meriti e a próxima será inaugurada em Mesquita. Em 2011, mais de 1,7 milhão de mulheres fizeram no mínimo sete consultas pré-natais pelo programa.
Dor: Segundo Daphne Rattner, a dor faz parte do processo de parto e, “quando a mulher se mexe por causa da dor, a cabeça do bebê se encaixa”. Mais importante que qualquer estratégia ou planejamento já traçado, é que o parto seja bom para a mãe e para o bebê.

Plantão: Práticas obstétricas obsoletas - O Globo 1/2


O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.
Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história!


Confira a íntegra do artigo publicado ontem no jornal O Globo.


Imperdível!

Busque esclarecimentos sobre riscos e benefícios - não apenas sobre parto vaginal e cesárea, mas também sobre o "jeitão" do parto normal, se o profissional conhece e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal

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Estar grávida no Brasil
Em artigo inédito, a epidemiologista Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Ensp/ Fiocruz escreve como são conduzidos os partos hoje no país

Publicado: 9/06/12 - 14h00


A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica em novas responsabilidades afetivas, sociais e legais decorrentes da maternidade. Mas, no nosso país, no ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em um nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que elas ocorreram. Das não planejadas, 30% foram consideradas gestações não desejadas pelas mulheres.

Esse aspecto do não planejamento da gravidez, mais frequente ainda em adolescentes, torna a gestação também um motivo de angustia para uma grande parte das mulheres. Estima-se que houve cerca de um milhão de abortos em 2008, ou seja, uma gravidez em cada quatro terminou em aborto naquele ano no Brasil (Victora ET AL 2011). A ilegalidade atribuída ao aborto no país faz com que essa prática seja de alto risco, frequentemente realizada fora do sistema oficial de saúde, muitas vezes por leigos, sem a presença de profissionais qualificados, estando, em qualquer das situações, fora do controle sanitário e profissional vigentes. A situação de vulnerabilidade é maior para mulheres de baixa escolaridade, negras e jovens (Victora ET AL 2011).

Assim, desejar estar grávida é o primeiro componente para o sucesso e bem-estar da gestação. Dados recentemente publicados na “World Health Statistics” da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2010, 97% das gestantes brasileiras realizaram consultas pré-natais, sendo que 86% fizeram mais de quatro consultas e que 99% dos partos ocorreram dentro dos serviços de saúde, colocando o Brasil em uma situação próxima aos indicadores de cobertura dos países desenvolvidos (WHO, 2012).

Dados preliminares do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizado em 2011, mostram que mais de 80% das mulheres entrevistadas usaram os serviços públicos de saúde para acompanhar suas gestações e seus partos, sem diferenças entre as regiões geográficas, capital e interior, denotando a importância do SUS para o alcance daquele desempenho em âmbito internacional. Entretanto, persistem ainda problemas na qualidade da atenção oferecida, o que pode ser constatado pelas altas taxas de morbidade e mortalidade por patologias possíveis de serem evitadas por uma assistência bem feita no pré-natal e no parto (Vettore ET AL 2011).

Durante a gestação a mulher planeja o seu parto, a forma como vai receber o seu filho. Aqui no Brasil recebe influência da opinião do seu médico, dos familiares e amigos sobre as vantagens de fazer um parto normal ou cesáreo. Para gestantes que têm plano de saúde a escolha da via de parto (vaginal ou abdominal) pode se constituir em motivo de estresse. Ao início da gravidez a maioria delas prefere que o seu parto seja vaginal, opinião essa que vai mudando no decorrer da gestação.

Um estudo realizado no Rio de Janeiro, em 2008, por nosso grupo de pesquisa em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, onde as cesarianas atingem cifras próximas a 90%, mostrou que as mulheres mudam de ideia sobre o tipo de parto, durante a gravidez. No início um pouco mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% havia se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% teve um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto vaginal e o desejo do companheiro por essa modalidade de parto. As mulheres referiram com muita frequência (mais de 50%) que a sua decisão de mudança foi compartilhada com o medico (Dias et al 2008).

Em relação à cesariana, o que se sabe hoje é que essa cirurgia produz danos para a vida reprodutiva futura da mulher, aumentando o risco de placentação anormal, ruptura uterina, hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI e mortalidade. É, portanto, um procedimento que não deve ser banalizado e que deve ser utilizado quando necessário, em situações em que esteja em risco a vida da gestante e do recém-nascido. Para o recém-nascido também são reportados prejuízos advindos de uma cesariana: mais frequentemente necessitam de suporte ventilatório para respirar ao nascer e usam mais a UTI neonatal, sendo essa necessidade tão maior quanto menor for a idade gestacional do recém-nascido (Hansen et AL, 2008).

Outros danos tão importantes quanto esses são o retardo do contato da mãe com o filho no momento do nascimento e a baixa prática do aleitamento materno na sala de parto. Esses últimos aspectos jogam um importante papel no apego da mãe ao seu bebê e vice-versa (Buccolini ET AL 2008).

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com auxilio de episiotomia. Esses procedimentos, além de produzirem um trabalho de parto muito doloroso, são hoje não recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Ou seja, tanto pelo excesso de cesarianas quanto pela inadequação do modelo ofertado para atendimento ao parto vaginal, no Brasil a pratica obstétrica é obsoleta, não segue as recomendações baseadas em evidencias cientificas e precisa ser modificada.

No Reino Unido e em outros países da Comunidade Econômica Europeia as gestantes também escolhem o tipo de parto que melhor convém a elas, levando em conta suas expectativas, as do seu companheiro e da sua família. Mas, diferente daqui, a escolha que elas fazem não é se o parto será cirúrgico ou não, mas qual a posição que elas desejam parir, se de cócoras, sentada, de joelhos, dentro da água, ou outra. Além dos cuidados pré-natais habituais, durante a gestação as mulheres se preparam psicológica e emocionalmente para o momento do parto, aprendendo técnicas de respiração, concentração e relaxamento que ajudarão no alívio das dores e aumentarão a segurança e tranquilidade para condução do seu parto. 

O parto tem um profundo significado para o encontro da mulher com a sua feminilidade e, por isso, naqueles países, os aspectos emocionais da parturição são também objeto de considerações pelos serviços de saúde, que cumprem um papel de dar suporte, amparo e garantia de segurança à escolha da gestante na condução do seu parto, em uma ambiência de conforto material, afetivo e emocional que inclui a presença da família no cenário das maternidades. Nesses países, os protocolos de atendimento ao parto recomendam o parto vaginal, com um mínimo de intervenção, sendo a decisão por uma cesariana, geralmente da responsabilidade do serviço de saúde, diante das condições e necessidades reais de cada caso clínico.

Esse modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio parto dos seus filhos.

Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, não fazem força para nascer, ficando subtraídos dessa experiência humana e vital tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

As mulheres brasileiras, mesmo que desejem, têm pouca chance de vivenciarem um parto do tipo humanizado porque esse modelo de atenção está implantado em pouquíssimas maternidades dos serviços de saúde. E, para as mulheres de nível socioeconômico mais elevado que são esclarecidas e desejam ter um parto vaginal, uma opção tem sido o parto domiciliar, geralmente realizado por enfermeiras obstétricas.

No Brasil a decisão sobre a realização de um parto cirúrgico sem indicação clínica tem sido considerado um direito de escolha da gestante. Ocorre que o exercício desse direito não tem se acompanhado de informações claras sobre o risco de um parto operatório. Ou seja, a escolha tem sido feita sem informações adequadas para a tomada de uma decisão consciente. Em parte porque os obstetras que as assiste também ou não têm essas informações, ou não baseiam sua pratica em evidencias cientificas. Ambas as situações são graves, sobretudo porque os manuais técnicos do Ministério da Saúde trazem recomendações corretas sobre a atenção ao parto e nascimento e estão disponíveis para todos.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde tais como Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Lei do acompanhante, Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço.

Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Um grande número de grupos associativos de mulheres vem surgindo no país, tendo a ReHuNa — Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – uma organização da sociedade civil criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede em defesa do parto humanizado, um papel importante na articulação desse movimento pela mudança do modelo obstétrico vigente (http://www.rehuna.org.br/index.php/seminario). Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.




Bibliografia
Victora CG, Aquino EM, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald CL. Maternal and child health in Brazil: progress and challenges. Lancet. 2011 May 28;377:1863-76.
WHO World health Statistics 2012 - Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27, SwitzerlandWHO Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27.
Vettore, MV; Dias MABD; Domingues RMSM; Vettore MV; Leal MC - Cuidados pré-natais e avaliação do manejo da hipertensão arterial em gestantes do SUS no Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, Maio 2011, vol.27, no.5, p.1021-1034.
Dias MAB, Domingues RMSM; Pereira APE; Fonseca SCF; Gama GN; Theme Filha MM; Bittencourt SDA; Rocha PMM; Schilithz AOC; Leal MC - Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo: estudo de caso em duas unidades do sistema de saúde suplementar do estado do Rio de Janeiro. Ciênc. Saúde Coletiva 13 (5) Rio de Janeiro, 2008.
HANSEN, et al. Risk of respiratory morbidity in term infants delivered by elective caesarean section: cohort study. BMJ, v.336, n.7635, Jan 12, p.85-7, 2008.
BOCCOLINI, et al. Fatores que interferem no tempo entre o nascimento e a primeira mamada. Cadernos de Saúde Pública, v.24, p.2681-2694, 2008.


sábado, 2 de junho de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Parto normal e cesárea







[Use o Keepvid para baixar os vídeos]

Programa exibido em 16/05/2012, pela TVE São Carlos.
Entrevista com Carla Andreucci Polido, ginecologista-obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de São Carlos.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudo reafirma relação entre parto por cesárea e obesidade infantil




24/05/2012 - 10h30
DA EFE


Pesquisadores americanos reafirmaram que crianças nascidas por cesárea têm mais possibilidades de sofrer de obesidade.

O dado é de uma pesquisa realizada por especialistas do Hospital da Infância de Boston (EUA), publicada nesta quinta-feira (24) na revista "Archives of Disease in Childhood".

Estudo não indica cesariana, a não ser por razões estritamente clínicas, por estar ligada à obesidade infantil - Observação: esta é uma foto meramente ilustrativa. A obesidade infantil somente pode diagnosticada por profissional especialista.


O estudo retoma uma discussão sobre a relação entre partos por cesárea e sobrepeso infantil. Ele desaconselha este tipo de intervenção senão por razões estritamente clínicas, indica a publicação que pertence ao grupo "British Medical Journal".

Os cientistas analisaram 1.255 crianças nascidas no hospital de Boston entre 1999 e 2002, sendo 284 delas por cesárea, desde as 22 semanas de gestação até os três anos de idade.

Enquanto só 7,5% dos bebês nascidos de maneira natural sofriam obesidade aos três anos, esta percentagem chegava a 15,7% nos casos em que houve intervenção cirúrgica no parto.

Os autores do estudo atribuem esta relação às diferenças na composição da flora intestinal entre os nascidos por parto natural ou por cesárea.

No último grupo, os pesquisadores encontraram uma maior incidência de bactérias firmicutes que, segundo outros estudos, estão presentes nos intestinos de pessoas obesas e são um dos fatores que motivam a doença.

Além disso, foi apontado que os partos por cesárea são mais frequentes entre as mães obesas, o que também poderia favorecer o sobrepeso de seus filhos.

Os autores da pesquisa também analisaram outros fatores que poderiam influir na obesidade infantil como a duração do período de lactação ou o tempo de exposição à televisão, mas nenhum deles apresentou diferenças significativas.

Por fim, os pesquisadores destacaram a importância de evitar os partos por cesárea sem indicações médicas.

"As mulheres grávidas que escolhem um parto cirúrgico quando não haja motivos clínicos para fazê-lo deveriam saber que seus filhos serão mais propensos a ser obesos", alertaram.


Fonte: http://folha.com/no1094996

sábado, 28 de abril de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Imagens da semana

Um deleite!

A Seção Multimídia Parto no Brasil apresenta uma coletânea com as melhores imagens que circularam no Facebook nesta semana. Cenas imperdíveis da nossa realidade obstétrica, que repercutiram (e muito!) entre as pessoas conectadas à nossa rede. 

Histórias de luta e transformação, de mulheres reais, com corpos reais que sentem dores e prazeres. 
Porque o parto é nosso!



Foto 1 - acesse aqui 


"Muitas pessoas se perguntam por que algumas mulheres se esforçam tanto para ter um parto normal, natural, fisiológico. Se as cesáreas são hoje em dia tão comuns e aparentemente tão simples, rápidas e descomplicadas. O Núcleo Carioca de Doulas inicia hoje uma série de posts-imagens sobre uma das inúmeras razões para essa busca: Queremos parir porque é bom!



Foto 2 - acesse aqui

Você se sentiu coagida a se submeter a uma cesárea?
Quais argumentos foram usados?



Foto 3 - acesse aqui




Foto 4 - Dia Internacional das Parteiras  


O Blog Parto no Brasil agradece a todas estas mulheres poderosas que se dispõem a transformar nossa realidade!
Porque parir naturalmente é bom demais!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ao Ministério Público: Queremos parir com dignidade, respeito e excelência técnica!

A ReHuNa publicou ontem à noite um Fact Sheet para ativistas da humanização do parto participarem da Consulta Pública que o Ministério Público Federal está promovendo nesta semana, em 21 capitais de estados: 

A audiência será realizada hoje à tarde em:  
Belo Horizonte/MG
Cuiabá/MT
Fortaleza/CE
Maceió/AL
Natal/RN
Porto Alegre/RS
Porto Velho/RO 
São Paulo/SP 
Vitória/ES 
Confira o endereço e a programação completa no link: 
São três áreas que necessitam de ação/investigação, e o descumprimento da Lei do Acompanhante é uma delas. Como podemos ver no documento, o Inquérito Nascer no Brasil está divulgando resultados preliminares sobre acompanhantes no parto: 25% das mulheres ainda têm descumprido seu direito fundamental. Os últimos dados 'oficiais' que tínhamos eram de 2006, quando apenas 16% das mulheres tinham tido acompanhante. 

Todas as pessoas podem escrever suas sugestões! Participe!



Este é o texto simples com o qual eu participei.

Se você conhece a atuação do MPF, informe quais ações da instituição são mais benéficas para a sociedade:
A proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana, com especial e equitativa atenção para os marcadores sociais da diferença (classe, gênero, cor da pele, geração). 
Na sua opinião, das ações elencadas acima, quais devem receber atuação prioritária?
O enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. Pela defesa de uma legislação que garanta ampla proteção aos direitos das mulheres, pelo direito de viver uma vida livre de qualquer forma de violência. 
Deixe aqui suas sugestões de melhoria para a atuação do MPF ou formule perguntas que você gostaria que fossem respondidas durante a consulta pública:
1) Excesso de cesáreas em toda a rede (52%), especialmente na saúde suplementar (85%)  
2) Descumprimento da Lei Federal do Acompanhante no Parto, de 2005. Dados de 2006, traziam que 16% das mulheres tiveram garantido seu direito à presença do acompanhante. Dados de 2011, registram que 25% das brasileiras ainda não têm acesso a este direito fundamental.
3) O enfrentamento da violência institucional praticada por profissionais da saúde contra as gestantes e parturientes, e o reconhecimento da especificidade de gênero na violência obstétrica. Em 2011, um quarto das brasileiras disse ter sofrido algum tipo de violência durante a assistência ao parto.


E este é o modelo enviado por Daphne Rattner à lista da ReHuNa.





Nota de retificação: A ReHuNa corrigiu a informação sobre a porcentagem de mulheres que têm direito ao acompanhante. O texto deste post foi editado, e os dados aqui apresentados já foram acertados.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Brasil está entre os países que menos optam por parto normal

Índices de morte são maiores em cesarianas. Mesmo assim o Brasil, e principalmente São Paulo, são campões em partos com cirurgia

Por Talita Molinero 05/04/2012 às 10:32

Na hora do parto, o Brasil não segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por incrível que parece, os hospitais particulares são os que menos obedecem. Segundo a OMS, o país não deve ultrapassar 15% dos partos cesarianas. Hoje, os nascimentos com cirurgias chegam a 52%.


Em São Paulo, os números são ainda maiores. Só nos primeiros quatro meses de 2011, as cinco mais conceituadas maternidades particulares da cidade tiveram, em média, 89,18% de cesáreas. 

Parto normal, criança saudável

O índice de mortes associadas à cesariana é quase quatro vezes maior do que no método natural, segundo o Ministério da Saúde.

As crianças que nascem sem ajuda de cirurgião também têm mais saúde. É o que prova um estudo feito com 2.250 crianças, realizado no Canadá. Cinquenta e oito por cento das que vieram ao mundo de forma natural têm menos problemas respiratórios. Outro dado curioso é que obesidade pode estar relacionada à forma de nascimento. Durante 25 anos, a Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto acompanhou 2.057 pessoas do nascimento até os 25 anos de idade, dos jovens que nasceram de cesáreas, 15,2% tinham índice de massa corporal acima de 30, definido como obesidade.


A gastroenterologista Helena Goldani ajudou na elaboração da pesquisa. Ela explica que um dos motivos da obesidade é a falta de contato da criança com a flora vaginal da mãe, a falta do contato pode afetar a flora intestinal do filho e, no futuro, ela pode vir a ter problemas de peso.




Desinformação no nascimento

O médico Gonzalo Vecina Neto é superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês. Quando o assunto é cesariana, ele é rápido na resposta sobre os motivos dos altos índices. "O médico não quer ter trabalho, a mãe tem medo. Quando os dois se unem, a criança nasce de cesárea". Gonzalo ressalta que se a mãe tivesse mais informação este quadro poderia mudar. "Erroneamente a mãe acha que ter um filho pela vagina dói, e que isso vai atrapalhar as relações sexuais do casal. Hoje, é possível que a criança nasça sem dor tanto para ela quanto para a mãe".

Para isso acontecer, o médico precisa informar a grávida. Gonzalo conta que o aumento da cesariana foi tanta que até ganhou apelido: "parto Guarujá". A mulher não quer atrapalhar o final de semana na praia e marca a hora para ter o filho, explica o médico.

A baixa procura de nascimento através da vagina no Brasil, virou motivo de estudo. Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) vão entrevistar 24 mil pacientes de hospitais públicos e privados para descobrirem o motivo da alta incidência de cesarianas no pais. O anúncio do resultado da pesquisa está prevista para o final do ano.

Outro Caminho - O convencional que virou raro

Há mulheres que têm condições financeiras de pagar anestesia, mas optam por um parto mais tradicional, sem anestesia e com mais contato humano e menos intervenções médicas em excesso. Este parto é chamado de parto humanizado. Ele pode ser feito na residência da mãe, entretanto ao contrario de países europeus, ele não é muito utilizado no Brasil.


A casa de Parto Sapopemba, na Zona Leste da capital, é um destes locais. Na contramão dos hospitais, lá não existem aparelhos cirúrgicos ou a opção de cesáreas. As pacientes não são tratadas como doentes e são chamadas pelo nome. Literalmente parece uma casa.


A ausência dos equipamentos cirúrgicos se deve ao fato do parto ser uma questão fisiológica e não médica. Mas caso a mãe tenha complicações, ela é encaminhada imediatamente a um hospital, mas estes casos são raros. 

O Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA) estimula o parto humanizado e auxilia mulheres que optam por ele. A instituição acredita que essa modalidade é mais afetuosa, além disto, elas ensinam técnicas durante a gestação que amenizam a dor do parto.


Quem dá as dicas são as doulas, mulheres que estudam para auxiliarem as mães antes, durante e depois da maternidade. Mariana Mesquita é doula há mais de dez anos. Ela conta que um dos principais motivos para as mães procurarem o grupo é o apelo sentimental. "Elas chegam bravas, pois são tratadas como crianças durante a gestação. Todas querem vivenciar cada momento da nova vida que estão gerando, principalmente segurar o bebê por longo tempo após o nascimento" gesto impossibilitado no parto cirúrgico pelo alto risco de infecção. 

Publicado originalmente em: http://www.midiaindependente.org/es/blue/2012/04/505990.shtml
Revisão e pesquisa de imagens por Ana Carolina Franzon

terça-feira, 27 de março de 2012

Cesárea: Para Além da Ferida

Cesárea - Para Além da Ferida

Uma obra de Ana Álvarez-Errecalde em colaboração com a Associação El Parto Es Nuestro 


Estamos em festa no Blog Parto no Brasil: parimos o projeto www.partonobrasil.com.br!

Para dar boas-vindas a esta nova configuração, escolhemos brindar com vocês, nossa querida e poderosa rede de leitura, articulação e aprendizado!
O presente é este belo livro de fotografias, capa dura, que virá direto da Espanha para a sua casa! Eba! 


Recentemente, a arte desta mulher de quem você vê as fotos, explodiu diante de nossos olhos! Foi preciso revisar a obra de Ana Álvarez-Errecalde, suas repercussões, pesquisar imagens, para então apresentar El Nacimiento de mi Hija aqui no Blog Parto no Brasil, com o carinho e respeito (entre outras sensações) que também sentíamos diante do quadro.



Hoje, apresentamos um outro projeto da mesma autora. 
O livro fotográfico "Cesárea: Para Além da Ferida", produzido em colaboração 

A série inclui 30 fotografias de mulheres que tiveram cesárea, acompanhadas de curtos e precisos comentários das protagonistas.  
As imagens mostram a cicatriz física e emocional, convidando à contemplação da ferida e para além dela, em busca da reconciliação e do compromisso com uma atenção ao parto respeitosa. 
Fonte: Ana Álvarez-Errecalde   


Um grupo de mulheres me convidou para fotografar suas cicatrizes de cesáreas. Como eu não tenho experiência com parto hospitalar (meus filhos nasceram em casa), fiquei pensando em como eu poderia homenageá-las (re)tratando cada vivência com respeito. 
Nasci por uma cesárea em um época e em um país onde a cirurgia era realizada em poucas ocasiões, comumente em situações comprometedoras para a saúde. Certamente devo minha vida à esta intervenção.
Quero mostrar a história que, depois da ferida, questiona, se informa, cresce e sobretudo, ama. Me implico. O projeto me envolve. Seu ritmo acelera e me surpreende. A história encontra um maneira de contar-se, e eu a registro.
Desejo que o mostrar/ver/compartilhar/escutar seja o começo de uma reversão dos 'estigmas' e,  que, a partir da aceitação, iniciemos uma transformação.
Ana Álvarez-Errecalde (em trecho do livro) 


A Organização Mundial de Saúde recomenda que esta prática deve ser limitada a 10 a 15% dos nascimentos, mas em países como a Espanha e os EUA as cesáreas são feitas em cerca de 23% de todos os nascimentos, subindo 33% nas clínicas privadas.
Fonte: Ob Stare

Com alegria ou dor, alívio ou raiva, sempre fica uma marca (...) Com a força que surge de lembrar-se da ferida e saber-se curada.
Fonte: Ibone Olza, na Introdução 

Quer ganhar o exemplar do livro de fotografias?
Compartilhe a foto do sorteio que está em nossa página no Facebook, deixando seu nome e contato nos comentários. Acesse a foto aqui.

Serão apenas 08 dias para as inscrições! Participe!
O resultado será divulgado no feriado da Sexta-feira Santa, dia 06 de abril! 


Não tem Facebook? Escreva para partonobrasil@yahoo.com.br e saiba como participar!


Sobre a autora:
Ana Álvarez-Errecalde é mãe de três crianças que são a fonte de inesgotável inspiração. Sua obra artística inclui fotografia, vídeo e instalações. Seu livro fotográfico "Cesárea, más allá de la Herida" produzido em colaboração com a Associação El Parto es Nuestro, editado pela Ob Stare, recebeu excelentes críticas a nível internacional. Ana nasceu na Argentina e, atualmente, reside em Barcelona, na Espanha.

Sobre a editora:
"A Editora Ob Stare, fundada em 2001, é especializada em maternidade e paternidade. De Santa Cruz de Tenerife (Espanha), apoia o conhecimento e a liberdade de escolha."

Muito mais:
http://www.alvarezerrecalde.com/index.php?/projects-proyectos/cesarea-mas-alla-de-la-herida-/
http://www.facebook.com/pages/Ana-Alvarez-Errecalde/299304243282

http://blogelpartoesnuestro.com/2010/02/11/cesarea-mas-alla-de-la-herida/
http://www.facebook.com/elpartoesnuestro

http://www.obstare.com/
http://www.facebook.com/OBSTARE

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cesárea ou Parto Normal - Vídeo do Hospital Albert Einstein SP

Estamos em plena ação de reconhecimento e enfrentamento da Violência Obstétrica. Uma forma de violência contra a mulher ainda invisível, não legislada, não tratada da forma como gostaríamos e temos direito.

Todas as mulheres têm direito de saber as taxas de cesárea, parto, episiotomia, condução, indução e parto no leito praticadas pelas maternidades brasileiras.

O Blog Parto no Brasil está publicando hoje, aqui e nos canais do Facebook, um vídeo do Hospital Albert Einsten que compara riscos e benefícios das vias de parto: vaginal e cesárea. Veja, o hospital pratica 81% de cesáreas, e contraditoriamente, divulga muitos riscos associados à cirurgia.

O convite então é assistir ao vídeo, conferir a tabela de indicadores de 10 maternidades paulistanas (publicada recentemente pela obstetriz Ana Cristina Duarte, em seu perfil no Facebook) e refletir sobre as seguintes categorias:

Direitos reprodutivos  ·  Escolhas Esclarecidas  
Primum Non Nocere   ·   Ética Médica
                   
Fonte: Tabulações SISNAC
TabNet Win32 2.7: SINASC Nascidos Vivos
(Município de São Paulo Dados de 2011 até Outubro)
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//cgi/deftohtm.exe?secretarias%2Fsaude%2FTABNET%2FSMS%2Fnasc_sp.def

          


O Blog Parto no Brasil defende a autonomia das mulheres! 

Todas as mulheres têm direito a informações adequadas e justas sobre os procedimentos fisiológicos ou médicos que são inerentes ao processo de parto e nascimento.

52% dos nascimentos do país ocorrem via cesariana. 
Diante deste quadro, é impossível responsabilizar apenas as mulheres por estes indicadores. Mesmo em defesa da autonomia que garante direito de escolha até para realização de uma cirurgia eletiva, pergunto: Seria possível um resultado como este, se as mulheres e as famílias fossem realmente esclarecidas?

Definição de Direitos reprodutivos: Poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura.

E você, teve essa oportunidade de escolha real?

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