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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ai, essas vadias!!

A vocês, mulheres corajosas, vadias poderosas, nosso muitíssimo obrigada!

O Blog Parto no Brasil apoia o movimento de orgulho da vadia que existe em cada uma de todas nós! 

E registra hoje a gratidão que sentimos por estas mulheres que levantaram-se contra o modelo hegemônico de atenção ao parto e nascimento, e de maternagem.


Foto de autoria e local desconhecidos, publicada no perfil Parto Ativo

Foto de Ana Carolina Franzon, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR

Foto de Marcos AF Gomes, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR 

Porque parir naturalmente e maternar livremente 
são atitudes super-feministas!  


Se você ainda não entendeu o orgulho de ser vadia, confira o vídeo abaixo; e se for preciso, reflita MUITO:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mais Políticas Públicas para as Mulheres e o nosso CRIAS

Em agosto de 2011, conhecemos as pessoas que fazem as políticas públicas para as mulheres em Londrina-PR.

20 de agosto de 2011
Foto de Marília Mercer

Na foto, na Câmara de Vereadores, com Marília, Laís e Marisse, participávamos da Conferência Municipal preparatória para a III Conferência Nacional, que ocorreu em novembro em Brasília.

Explicando e defendendo a saúde materna que valorizamos, de perspectiva da saúde integral, e dos direitos sexuais e direitos reprodutivos.

Dez meses depois, hoje, voltaremos à Câmara Municipal de Londrina para uma nova Conferência, que vai eleger as representantes do Conselho Municipal de Direitos da Mulher, para mandato de dois anos; e votar alterações e novas propostas ao Plano Municipal de Políticas para as Mulheres.

Nesse tempo que passou, muitas coisas lindas realizamos.

Fundamos nossa principal ferramenta para o trabalho apaixonado, O Instituto CRIAS - Cidadania, Direitos, Saúde.

Por ele, vivemos outras grandes realizações, como a participação na Marcha do Parto em Casa, na Marcha das Vadias, Dia Nacional pela Redução das Mortes Maternas, Dia Internacional das Parteiras, participação na Oficina de Capacitação para voluntários e profissionais que trabalham com Grupos de Gestantes de Londrina e região, entre outras atividades de divulgação e sensibilização.

16 de junho de 2012
Marcha do Parto em Casa, no Calcadão de Londrina
Foto de Vany Ito

02 de junho de 2012
Integrantes da diretoria do Instituto CRIAS participam da
Marcha das Vadias em Londrina, com as respectivas crias
Foto de Dúnia Valle

Dia 11 de maio de 2012
Auditório do HU/UEL
Todas as maternidades reunidas para assistir ao filme do Sofia Feldman e discutir sobre as boas práticas já implementadas e os desafios que permanecem
Foto de Fransny Marcelino - HU/UEL

Um grupo de amigos que está se organizando em reuniões deliciosas, das quais sempre nos alegramos em participar, e comemoramos!

12 de maio de 2012
Fundação do Instituto CRIAS,  diretoria em número já reduzido,
porque não é fácil conciliar agenda de gente sacudida não!
Foto de Renata Frossard


Hoje, agradecemos muito às instituições que nos autorizaram o uso de seu nome, nos indicando suas representantes em tão nobre oportunidade.

Marisse é delegada da Pontifícia Universidade Católica PUC-PR, instituição na qual exerce, há 7 anos, a docência para o bacharelado em Direito.

Eu estarei delegada pela Rede Feminista Sexualidade, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, organização à qual Marisse e eu nos filiamos em 2012.

É com muita satisfação que lutamos pela autonomia das mulheres, pelo muito e todo empoderamento que sempre é preciso nas mais diversas situações das brasileiras.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Poder de decisão - Sexualidade e Direitos Reprodutivos II

Hoje o blog Parto no Brasil quer saber: 
Quando e como foi que você teve consciência de que era SUA a legitimidade para decidir sobre questões que envolviam o seu corpo?

Foi em 1984, em Amsterdan, no Encontro Internacional de Saúde das Mulheres (International Women’s Health Meeting), que a noção de direito inaugurou um novo campo da saúde sexual e reprodutiva. Até então, quando o assunto era sexo, gravidez, nascimento, aborto ou morte materna, só a biologia, a medicina, a família e a religião tinham permissão para os pitacos legítimos.

Em 1988, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o conceito de saúde reprodutiva:
(i) garantia que todos tenham autonomia tanto para a reprodução como para regular a fecundidade; (ii) que as mulheres tenham gestações e partos seguros; (iii) que o resultado da gestação seja bem-sucedido em termos do bem-estar da mãe e sobrevivência do recém-nascido; (iv) que os casais possam ter relacionamentos sexuais sem medo de gravidezes indesejadas ou de contraírem doenças sexualmente transmissíveis. 
Considere: (a) há muitos países em que as meninas "devem" se casar aos 16 anos de idade; outros, em que a prática é comum aos 12; (b) 95% de todos os abortos inseguros são praticados em países em desenvolvimento, são estimadas cerca de 200 mortes ao dia; (c) quem mais sofre e morre são as mulheres mais jovens, mais pobres, não-casadas - e no Brasil, quanto mais escura a cor da pele, piores suas condições de acesso e garantia de direitos; (d) não é sempre, nem em todo lugar, nem para com todos os assuntos que as mulheres são autorizadas a tomar decisões na família.


Então, em 1994, no Egito, e em 1995, na China, duas grandes Conferências da Organização das Nações Unidas finalmente descreveram estas subcategorias dos direitos humanos: os direitos sexuais e os direitos reprodutivos - de tod@s as mulheres e homens.
Os direitos sexuais dizem respeito ao exercício da sexualidade de todas as pessoas. Compreende também viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações, independente de sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiência mental ou física. É, ainda, receber educação sexual ampla e sem preconceito, exercer a sexualidade independente da reprodução e praticar sexo com segurança e proteção, inclusive com a opção pelo não exercício.  
Os direitos reprodutivos são direitos humanos básicos, ou seja, é o direito das pessoas de decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas. Todos devem ter acesso às informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não filhos. Direito reprodutivo é, também, ter o direito de exercer a sua sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência. 
Todo o processo de elaboração política tinha como um de seus objetivos principais, a redução da morte materna. Mais uma vez, as mulheres dos países em desenvolvimento configuram a crueldade da não distribuição de recursos: menos de 1% das mortes maternas do mundo ocorrem em países ricos.

A crítica essencial que podemos fazer trata exatamente do acesso à garantia de que estes direitos sejam efetivados, ou poder e recursos: determinantes sociais e marcadores de diferenças são traduzidos em normas sociais que interferem subjetivamente nas nossas escolhas, por vezes comprometendo a efetivação de alguns dos nossos direitos. 

Ou seja, você é definida pela cor da sua pele, pela renda do teu cargo, pelo número de anos em que esteve na escola, pela escolha religiosa que faz diariamente, por ter uma deficiência física qualquer, por ser muito nova, muito velha, ou muito na hora de ter filhos,... E por não ser homem, não ser homem branco, heterossexual, pai, com emprego fixo.
O campo dos direitos sexuais e direitos reprodutivos é definido em termos de poder e recursos: poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura. Esse terreno envolve necessariamente a noção de integridade corporal ou controle sobre o próprio corpo. (Correa e Petchesky, 1996). 
Antes de finalizar, uma observação e uma ideia. Porque somos privilegiadas, temos até Internet em casa, muitas de nós com computadores de uso exclusivo e senhas secretas!

A ideia: se as mulheres casadas, em sua absoluta maioria, decidíssemos que iríamos usar preservativo feminino em todas as relações, do início ao fim, e "se narciso não achasse isso feio", certamente, estas mulheres não ocuparíamos o título de grupo de risco dos que mais se contaminam pelo vírus do HIV no Brasil. - E este é o tema de um próximo post, aguarde.

Agora, a observação. Uma das prerrogativas deste espaço, que orienta nossas reflexões e atitudes, trata do exercício da alteridade. Este é um conceito da Antropologia que buscar perceber os outros inseridos em seus contextos - fatalmente diversos entre as pessoas e as situações. Então, por aqui, é comum a defesa dos direitos e a denúncia das mulheres que morrem por má assistência ao parto, ou falta de assistência ao aborto, por exemplo. Também defendemos os direitos das mulheres que não querem cesárea,  e das que não querem o parto normal que o modelo padrão tem a oferecer.
E deixo aberta a questão: Quando e como foi que você teve consciência de que era SUA a legitimidade para decidir sobre questões que envolviam o seu corpo?


Fontes: 

Arilha M, Berquó E, 2009. Cairo+15: trajetórias globais e caminhos brasileiros em saúde reprodutiva e direitos reprodutivos. In: Brasil, 15 anos após a Conferência do Cairo. ABEP; UNFPA. Campinas.

Correa S, Petchesky R, 1996. Direitos sexuais e reprodutivos: uma perspectiva feminista. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1/2, p. 147-77

Diniz CSG, 2011. Saúde sexual e reprodutiva. Apresentação de aula em PowerPoint. Disciplina SCS5702 – Gênero e Saúde Materna. PPGSP/FSP/USP

Rede Feminista Saúde, 2011. Campanha pela Convenção Interamericana dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos. Disponível em: http://www.redesaude.org.br/portal/home/campanhas.php
Family Care International, 1988. Safe Motherhood Fact Sheets. Disponível em: http://www.familycareintl.org/UserFiles/File/pdfs/e_tech_facts.pdf

_______________________________________________________

Este é segundo texto da série "Sexualidade e Direitos Reprodutivos" que publica quinzenalmente, no Blog Parto no Brasil, conteúdos sobre contracepção, aborto, HIV/Aids e participação dos homens.

Tudo a partir de uma perspectiva feminista em favor da saúde e da autonomia das mulheres.

Acesse o primeiro post da série aqui:


MP 557 - Sexualidade e Direitos Reprodutivos

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Parto no Brasil: Promoção da Saúde, Prevenção Quaternária e Empoderamento

Post redigido a quatro mãos!
Pessoal, lançamos hoje a proposta de publicarmos alguns textos em formato de editorial, assinados em nome do blog Parto no Brasil, de autoria conjunta de Bianca Lanu e Ana Carolina. Para nós, esta é uma nova experiência de trabalho que certamente nos trará também muito prazer e aprendizado – coisas que adoramos! Bora lá contar sobre nosso trabalho apresentado em formato de pôster na III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, organizada pela ReHuNa, em Brasília/DF, entre os dias 26 a 30 de novembro.
Parto no Brasil: Promoção da Saúde, Prevenção Quaternária e Empoderamento
Antes de apresentarmos a proposta da pesquisa e seus resultados, é importante notar que a internet foi uma ferramenta importante para os desfechos de nossas gestações – nossas pequenas crias nasceram com respeito e sem intervenções desnecessárias. Em pesquisas sobre o parto no Brasil, descobrimos que os relatos de parto descortinam a realidade da assistência no país. Nas palavras de outras mulheres, encontramos as cicatrizes da mais dura realidade. Aprendemos também que um outro modelo é possível, não sem batalha, mas é completamente factível. E foi assim que construímos o desejo pelos nossos partos, sentimos também medo e insegurança, e então, entramos para a excelente rede de compartilhamento destes saberes que, somente nós, mães, somos capazes de produzir. O blog Parto no Brasil é um fruto, vocês já sabem.
A pesquisa "Parto no Brasil: Promoção da Saúde, Prevenção Quaternária e Empoderamento" buscou demonstrar como os meios de comunicação virtuais contribuem para a educação em saúde, ao apresentarem à mulher-leitora e sua família, perspectivas sobre parto e nascimento que são contra-hegemônicas no país campeão em cesáreas.
Em redes sociais e blogs, há troca de informações científicas, dados empíricos e experiências pessoais. Nesta sociabilidade virtual, observamos propostas e conteúdos que correspondem aos conceitos de promoção da saúde e prevenção quaternária em saúde (saiba mais no pôster).
Durante dois meses, acessamos diariamente as listas GestaParaná, Parto do Princípio e Parto Nosso, e, também, os blogs Parto no Brasil, Mamíferas e What Mommy Needs, procurando por informações que compreendessem os objetivos e valores da própria ReHuNa.
Como resultado, descobrimos que estas informações disponíveis na internet satisfazem e enriquecem o debate sobre a parturição, além de subsidiar o empoderamento feminino, para escolhas conscientes, a favor do parto normal ativo!
Clique e confira o pôster
Parabéns a tod@s vocês que enriquecem o Movimento de Humanização do Parto e Nascimento! Nossos agradecimentos e gratidão por participarem desta pesquisa, em especial Patrícia Merlin (Pata), Ingrid Lotfi, doula Rebeca, Aurea Gil (Kathy), Kalu Brum, Renata Penna e Carolina Pombo.
ps.: Se você também esteve em Brasília, socialize suas vivências e impressões conosco: publique aqui seus trabalhos, fotos, relatos, etc. Escreva para partonobrasil@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O sexo é meu!

Das razões da cultura sobre nosso corpo


Médicos do Brasil Imperial promoviam a amamentação com estímulo à culpa e medo.
Confira a matéria clicando na ilustração de Ivan Wasth Rodrigues
Vocês sabem que somos tod@s a evidência de que informações justas e adequadas fazem a diferença no momento de brincar com nossa sexualidade: nas relações de prazer, na gravidez, parto e puerpério, ou amamentação e cuidados com os filhotes.
Como somos bicho-mãe e mulheres humanas, somos seres biopsicossociais, fisiológicos e culturais. Isso significa que até o ato de fazer cocô, para a gente, é simbólico: tem significados outros, além de ser o ato fisiológico de evacuar as fezes. Cada um o vive e percebe de um jeito diferente do outro! Aposto até que muita gente achou de mau gosto o uso do termo referente ao 'cocô' aqui no blog, preferindo muito mais a segunda opção, não é mesmo?
Pois bem. Somos assim mesmo. E manter esta perspectiva de distanciamento da nossa própria cultura, quando tratamos de questões de saúde, é melhorar o entendimento que temos sobre as dinâmicas médico-hospitalares, os processos de saúde-doença dos sujeitos, e a nossa própria experiência nesse meio.
Parir é cultural
Não raro, digo que as dificuldades por que passei durante a gestação (inúmeros encontros com diversos profissionais, insegurança, desajuste de interesses, choro), para parir Iara sem intervenções são mesmo o motivo do meu ativismo.
Brasileiras, temos nossos corpos peculiarmente dominados pelas instituições médico-hospitalares.
Nota 1: Falo dos 84,5% de cesáreas praticados no país (Fonte: http://www.ans.gov.br/portal/site/informacoesss/informacoesss.asp), mas falo também, das nossas gestações cuidadas no esquema padrão. Será que todas estas gestações têm problemas fisiológicos?
Nota 2: Outras instituições também subjugam nosso corpo e autonomia, como a Igreja e o Estado. O exemplo é a questão do aborto, que aqui ainda está no mérito de ser debatida pelos varões católicos e evangélicos do Congresso Nacional. Esta situação de fato é a tragédia da vida privada. O aborto clandestino condena milhares à morte – se já somos super maltratadas em pleno processo de parturição, no maravilhoso ato de dar à luz, quem dirá em caso de abortamento? Por isso vale a pena assistir a filmes tais como o que a Carolina Pombo do What Mommy Needs compartilhou via FB (ié, estamos on, babe):
Para repensarmos as situações que nos são dadas. Em outras palavras, vida de gado com a nossa própria saúde não rola, né?
Nota 3: Confira no Blog Mamíferas a polêmica discussão que está rolando sobre a amamentação, se é direito ou dever das mães. A simples colocação deste debate em pauta já evidencia que somos bichos culturais, ou seja, não amamentamos porque produzimos leite e ponto (assim como as outras mamíferas), amamentamos porque produzimos leite e sobretudo porque queremos amamentar.
Nota 4: Culpa e medo não são recorrentes ainda hoje na relação médico-mulher paciente de saúde materno-infantil?
Para finalizar, vale repetir então a importância de preparar-se emocionalmente para parir. Parto é 50% fisiológico (biologia-corpo) e 50% emocional (cultura-mente). Não basta a gestação saudável, é preciso entregar-se à experiência, coisa que a maioria das brasileiras desaprendeu a fazer.
Sozinhas, extremamente medicalizadas e passivas, em poucas décadas, a maioria das mulheres perdeu a confiança inata na sua capacidade de parir.
Lucía Caldeyro Stajano - Associação Nacional de Doulas, ANDO-Campinas.
E você com isso tudo? Conte para a gente tudo o que quiser, pois são temas tão distoantes e próximos. Nossos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mamografia anual após os 40 anos - Direito garantido!

Saiba mais sobre a Lei que garante a toda mulher realizar anualmente a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através de indicação médica. Leia abaixo o texto extraído do portal Observatório Brasil da Igualdade de Gênero e conheça aqui a ação Outubro Rosa. Outras informações no site Mulher Consciente.

Instituto Nacional do Câncer explica lei da mamografia

Instituição disse que há várias interpretações para a nova lei e que texto não muda as regras anteriores
Segundo nota divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), houve um equívoco de médicos e instituições da sociedade civil ao divulgarem que as mulheres entre 40 e 50 anos passariam a fazer mamografias anuais para controle da doença.
O texto explica que as mulheres nessa faixa etária já fazem o exame gratuitamente no Sistema Único de Saúde, mas apenas se tiverem indicação médica. Para o Inca, essa política é a mais correta e permanecerá, mesmo com a nova lei.
Leia a nota na íntegra:

"A Lei 11.664/2008, que entrou em vigor dia 29 de abril e dispõe sobre a atenção integral à saúde da mulher, reforça o que já é estabelecido pelos princípios do Sistema Único de Saúde: o direito universal à saúde. Porém, ao estabelecer que SUS deve assegurar a realização de exames mamográficos a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade, a nova legislação suscitou interpretações divergentes. Alguns profissionais e entidades divulgaram informações equivocadas em relação à lei e às recomendações para a realização do exame adotadas no país – as mesmas aplicadas nos países da União Européia e Canadá, baseadas nas evidências científicas mais atuais.
O SUS garante a toda brasileira o acesso gratuito à mamografia. Esse exame, como qualquer outro realizado pela rede de saúde pública ou complementar, depende de indicação médica - o que não foi alterado pela nova legislação. É o profissional de saúde que indica à paciente se deve ou não fazer o exame, de acordo com seu histórico familiar, sua idade ou a suspeita de alguma alteração. É preciso esclarecer que há indicações diferentes para a realização de mamografia, ambas dependentes de indicação médica.
O profissional de saúde pode pedir a mamografia diagnóstica, quando tem alguma suspeita, independentemente da idade da paciente. O médico também deve recomendar à paciente, entre 50 e 69 anos, mamografia para rastreamento. Nesse caso, o objetivo é o monitoramento das mulheres saudáveis, com a realização de exames regulares, a fim de diagnosticar precocemente possíveis casos da doença e diminuir a taxa de mortalidade na faixa etária de maior risco e incidência.
De acordo com o Consenso de Mama (documento elaborado em 2004 por gestores, ONGs, sociedades médicas e universidades), a estratégia de controle da doença é a realização do exame clínico anual das mamas em mulheres de 40 a 49 anos. As mulheres pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer de mama devem fazer exame clínico e mamografia anual a partir dos 35 anos. Para rastreamento, a recomendação é a realização de mamografia na faixa de 50 a 69 anos, com intervalo de até dois anos.
Essas recomendações se baseiam em evidências científicas e estudos internacionais, e é adotada em países com políticas públicas de rastreamento populacional implementadas, como Reino Unido, Holanda, Canadá e Austrália. De acordo com a Cochrane Colaboration, uma rede mundial sem fins lucrativos que busca subsidiar as tomadas de decisão na área da saúde, os programas de rastreamento mamográfico resultam em benefícios para a população feminina, tanto para redução da mortalidade quanto para a da morbidade.
Em sua última análise sistemática (metanálise) do rastreamento, a ONG avaliou os resultados e a metodologia de sete estudos de diferentes países que envolveram ao todo meio milhão de mulheres. As evidências indicam uma redução na mortalidade de até 20% para a faixa entre 50 e 60 anos, quando a mamografia é realizada periodicamente em 70% da população-alvo por um período de dez anos. Entretanto, os autores ressaltam que não está claro se o rastreamento resulta mais em benefícios ou danos. A mesma metanálise também confirmou alguns possíveis efeitos adversos do rastreamento, como o excesso de diagnóstico (over-diagnnosis) e tratamento (over-treatment) com aumento estimado de até 30%.
Isto significa que, para cada 2.000 mulheres convidadas para o rastreamento ao longo de dez anos de programa, dez mulheres saudáveis, que não teriam sido diagnosticados se não tivessem participado, terão o diagnóstico confirmado e serão tratadas desnecessariamente seja no caso de falso-positivo ou de lesões que jamais se desenvolveriam. Por isso, uma das recomendações comuns à maioria dos programas implementados no mundo é que as mulheres convidadas sejam plenamente informadas dos benefícios e dos prejuízos do exame.
Em abril, o Instituto Nacional de Câncer promoveu o Encontro Internacional sobre Rastreamento de Câncer de Mama, que reuniu alguns dos maiores especialistas do mundo, gestores do todas as esferas de poder, representantes da sociedade civil, profissionais da saúde, ONGs e demais instituições ligadas à abordagem deste tipo de câncer. Durante o evento, foram amplamente discutidas as recomendações e a sua adequação à realidade do sistema de saúde e ao perfil da população brasileira para, a partir daí, elaborar um documento que subsidiará o Ministério da Saúde na regulamentação da lei e na implementação do rastreamento efetivo em todo país."

sábado, 18 de setembro de 2010

Ainda sobre cosmética natural

Para fechar a semana posto alguns links sobre cosmética natural. Acessem o blog Cruelty free makeup e leiam a lista de empresas que não fazem e as que fazem testes em animais para produzir seus produtos, vale a pena espiarem as demais matérias. Outra dica é do blog Carol Daemon e do post sobre como lavar roupa sem sabão. Para os bebês indico a linha Weleda Bebê, com produtos maravilhosos com extratos de flores de Calêndula (Calendula officinalis), erva medicinal com princípios cicatrizantes e calmantes, cultivados em culturas biodinâmicas, no site tem outras informações sobre cuidados mãe/bebê. Desde que Rudá nasceu uso o Calêndula Babycreme, e não pensem que é mais caro dos que os habituais, pois paguei cerca de R$20,00 em 75ml/81g no creme para assaduras que chegou a durar oito meses! Fragância deliciosa com garantia recomendada por 70% das parteiras da Alemanha de um ótimo produto para o bumbum de seu filhote! Foto de Bianca C. Magdalena, primavera de 2008_calêndula_.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

E dr., como vai ser o parto?

Tenho lido que várias pesquisas brasileiras indicam que um dos maiores problemas relacionados à assistência ao parto e nascimento é a comunicação entre médico e parturiente. Mas, no caso de quem não pariu no SUS, a interação começa na gravidez, e é uma relação que rende um caldo de considerações...
Sobre o que conversamos com o médico durante o pré-natal?
Vitaminas, alimentação, pressão arterial, e todo aquele universo mágico do desenvolvimento do filhote na barriga. Misteriosa e esotérica imagem ultrassonográfica! Cria linda e amada...
“- Mas, dr. e como vai ser o parto? - Ainda é muito cedo, sobre isso conversaremos mais adiante!”.
Quem nunca levou esta, levanta o mouse, por favor!
Passam alguns meses, queremos falar do assunto, sempre, por motivos óbvios.
A sensação é que, de fato, há uma indisposição para o assunto. Os olhos que brilham ao falar que a fisiologia do nosso corpo está funcionando suficientemente bem mudam imediatamente quando a pergunta corta o ar. O dr. encosta-se na poltrona e de lá responde sobre a dinâmica da internação, do expulsivo, da episiotomia, economizando palavras.
A impressão que dá é que somos tolas, o dr. não dedica importância para estes nossos anseios (e nestas horas, ainda bem que existem as amigas das listas de discussão, os blogs e sites com quem dialogar).
Mas, voltando ao pré-natal, é melhor pensar em outros termos. Temos que insistir na conversa sobre o parto, mesmo que rapidamente, em toda consulta. Insistir na conversa que queremos. Temos que ser exigentes de nossos direitos. Infelizmente, eles não são auto-exercidos.
A internet é nossa ferramenta de transformação, quantas de nós começamos nossas buscas no Google. Mas, o padrão da consulta pré-natal (e no caso deste texto, no sistema de saúde privado) também tem que ser transformado. E você que leu este post pode ser responsável por uma mudança.
Para finalizar, só porque eu comecei falando destas pesquisas que tenho lido, compartilho que os outros grandes problemas da assistência ao parto são as experiências de parto anterior (maioria que teve primeira cesárea, tem segunda; e também, maioria que teve primeiro parto normal, tem PN de novo), falta de informação e medo. São pesquisas qualitativas, realizadas nos últimos 10 anos, tanto em instituições públicas como privadas, de várias partes do Brasil.
Ilustração de Bruno Nunes.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gestante brasileira precisa de ajuda para parir


Ana Carolina Franzon
A América Latina é o continente campeão em número de nascimentos via cesárea; o Brasil perde apenas para o Chile. Nesta lógica, as gestantes brasileiras são umas coitadas! Mulher brasileira, grávida, sabe muito bem que vai passar por apuros para pôr seu filho no mundo. No SUS, elas sabem que não poderão gritar; não poderão comer ou beber água; terão de ouvir humilhações do tipo "Foi bom fazer né? Agora aguenta pôr pra fora!"; levarão soro na veia, o que aumentará suas dores; sofrerão a episiotomia de rotina; e muitas vezes, viverão tudo isso sozinhas com a equipe de saúde. Se é um plano de saúde que paga pelo parto, elas sabem que farão uma cirurgia; que ficarão mais de uma semana em recuperação; que será outra pessoa que cuidará de seu bebê nestes primeiros dias; que será difícil amamentar e maternar. O marido, a sogra, mãe, irmã ou vizinhas, serão indispensáveis. Se o "evento médico", que é o nascimento, for pago particularmente, a história mais comum é a lenga-lenga da mentira deslavada para justificar uma intervenção cirúrgica. Mas é justamente aqui, nesta situação específica, que a lógica deveria ser completamente outra. Um casal está contratando um serviço para lhes ajudar com o nascimento de seu filho. Você está pagando, você deve pagar por aquilo que quer. Então, o ponto chave se torna o protagonismo da mulher - como muito bem descreve o dr. Ric Jones (aqui você encontra um excelente texto que ele escreveu sobre o assunto). De nada adianta o médico topar um parto humanizado, a presença de uma doula, o marido não se opor e a mãe incentivar, se a grávida não estiver disposta a assumir a responsabilidade pelo nascimento do seu filho. O corpo é da mulher. A saúde é dela e do seu filho. Para uma criança nascer, sempre, há uma série de decisões que precisam ser tomadas - aconteça o parto em casa, na floresta ou no centro cirúrgico. Se a brasileira não tomar as decisões para si, alguém o fará, é certo! Entretanto há salvação. Embasada em evidências científicas e contra essa cultura de que o parto normal é perigoso para mãe e bebê, há milhares de mulheres organizadas e muito bem dispostas a ajudarem as gestantes a darem à luz. É o caso, por exemplo, da Parto do Princípio, Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, e das tantas listas de discussão que circulam pela internet, como a GestaPR, PartoNosso etc. São nestes espaços virtuais de articulação política que aquelas mulheres que desejam lutar por um parto e nascimento respeitosos encontram alento e orientação certeira. Não dá para ignorar as informações que circulam nestes espaços. Não dá para confiar no sistema médico obstétrico e no padrão de atendimento hospitalar. Para parir em paz, confiante, com prazer e, sobretudo, segurança, a gestante brasileira precisa mesmo de ajuda. Ps.: se for ter parto normal, procure alguém que saiba realmente assiti-lo.

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