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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Respeito ao parto, violência obstétrica e amamentação

Esta semana, a Violência Obstétrica ocupou o jornal venezuelano Correo del Orinoco, uma publicação do governo daquele país. Neste post, publicamos a tradução livre do texto "Respeito ao Parto, Violência Obstétrica e Amamentação". Já sabemos que, desde 2007, o país reconhece, tipifica e condena civilmente os abusos, maus-tratos, negligências, imperícias e imprudências cometidas e praticas por profissionais de saúde durante o atendimento de mulheres para a gravidez, parto e pós-parto. Assinado pelo coletivo La Araña Feminista, o texto fala da realidade de milhares de mulheres venezuelanas, mas poderia perfeitamente representar nossa experiência. La Araña Feminista é também um grupo socialista e partidário que defende a política de Hugo Chávez, e nos chama a atenção, muito positivamente, a forma com que esse governo trata do tema. Aqui no Blog Parto no Brasil, você encontra diversas experiências que trouxemos de lá para cá se procurar pela palavra-chave "Venezuela"; não deixe de conhecer especialmente os posts:






Respeito ao parto, violência obstétrica e amamentação


"A violência obstétrica é, sem dúvida, uma das manifestações mais concretas e corriqueiras do sistema de dominação patriarcal, que se materializa no seqüestro dos processos naturais do trabalho de parto"


A celebração da Semana Mundial pelo Respeito ao Parto e Nascimento é uma oportunidade para chamar a atenção, especialmente da mídia, sobre um drama humano que tem sido naturalizada pela maioria dos cidadãos, governos e organizações sociais. O nome deste terrível problema é "violência obstétrica", delito tipificado na “Lei Orgânica sobre o Direito das Mulheres a uma Vida Livre de Violência”. 
A violência obstétrica é, sem dúvida, uma das manifestações mais concretas e corriqueiras do sistema de dominação patriarcal, que se materializa no seqüestro dos processos naturais do trabalho de parto. A proibição da mobilidade, a aplicação de fármacos e métodos artificiais para acelerar o trabalho de parto, a agressão verbal e física contra as mulheres, a tomada de decisões sem o seu consentimento, a negação da presença de um acompanhante; enfim, um conjunto de práticas do sistema industrial de saúde que anulam a capacidade das mulheres de parir e cuidar de seu bebê.
Um dos principais desafios que enfrentam as pessoas e organizações que trabalham para aumentar a consciência coletiva sobre esse problema é que - ao fazer-se cotidiana - as mulheres não percebem como agressão as ações exercidas pelo sistema de saúde sobre seus corpos, suas famílias e mais gravemente ainda sobre seu bebê, a não ser que sejam realmente extremas.
Ao contrário do que se pensa, as mulheres não são as únicas vítimas da violência obstétrica. Os bebês sofrem agressões semelhantes às vividas por suas mães durante e depois do parto ou cesárea. Esta visão mais ampla do problema está descrita na “Lei Orgânica sobre o Direito das Mulheres a uma Vida Livre de Violência", que também qualifica como crime a separação da mãe de seu bebê sem justificativa médica, o impedimento do contato pele a pele precoce e da amamentação imediatamente ao nascer.
Separar o bebê recém-nascido de sua mãe tem implicações para a saúde física e emocional do binômio mãe-bebê. Impede que a cria, logo ao sair do útero, volte ao corpo materno que constitui seu habitat, onde consegue regular seu metabolismo, a respiração, a freqüência cardíaca, temperatura e onde obterá o alimento permanente (leite materno), que irá garantir sua saúde e sua vida.
Na maioria dos locais de nascimento, tanto públicos como privados, o recém-nascido é separado de sua mãe assim que nasce para que possa ser realizado um conjunto de procedimentos médicos, alguns deles profundamente violentos, praticados sem o consentimento ou a presença da mãe e do pai, realizados por rotina ou protocolo e não devido ao estado de saúde-doença de cada um.
Particularmente dois dos procedimentos realizados na maioria dos centros de saúde no momento do nascimento são determinantes para o início da amamentação.
São eles: o uso de incubadoras e a prática de dar mamadeiras de glicose e/ou fórmulas lácteas para os bebês durante a sua estadia no centro de saúde. Ambas as práticas são não só contrariam à natureza do recém-nascido e da mãe, mas são profundamente violentas, já que produzem nos recém-nascidos inúmeros episódios de choro, e na mãe, ansiedade, estresse e perda de confiança.
Entender que a amamentação é a continuação da gestação do mamífero humano é imprescindível para compreender que a violência exercida sobre as mulheres durante o parto e nos dias seguintes também é uma violência contra os bebês, e por isso deve ser visibilizado em todas as ações que visam humanizar o parto e o nascimento.

Manifestação na Venezuela, com participação de grupo feminista/chavista La Araña Feminsita, foto daqui

Fonte:

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Post Extraordinário - Estadão publica: Doula a quem doer

Doula a quem doer

Apesar da resistência de hospitais, as acompanhantes de parto têm papel fundamental


02 de fevereiro de 2013 | 16h 00

Ana Cristina Duarte

Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo. Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função. Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da assistência ao parto.

A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia - www.carlaraiter.com
Foto: www.carlaraiter.com.br
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia

Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto. Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.

Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.

No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.

Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.

Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.

Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.

Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.

Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP)

Fonte: Estadão, Caderno Aliás

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Saudações às Doulas!

Na imprensa



Mãe leva doula e é hostilizada na hora do parto no Pró-Matre






Mariana de Mesquita explica ao Jornal da Cultura a importância da atuação das doulas no suporte ao trabalho de parto, parto e pós-parto


Fonte: Jornal da Cultura


E no ciberativismo

Mulheres movimentam as redes sociais em defesa dos direitos reprodutivos, e pela presença das doulas em todos as maternidades brasileiras. Confira as imagens.











[Imagem de Janie Paula]

[Imagem de Janie Paula]

[Imagem de Janie Paula]







sábado, 26 de janeiro de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Parto com Amor: Entrevista com Luciana Benatti

Em entrevista à Petria Chaves, para a Revista CBN, a jornalista Luciana Benatti comenta a produção do livro Parto com Amor. E mais: a importância das doulas e dos grupos de apoio ao parto para as brasileiras que desejam o parto normal. Confira!


sábado, 19 de janeiro de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Mulheres optam por tipos diferentes de parto

A assistência humanizado ao parto e nascimento ganha espaço para divulgação na mídia de massa, no Programa Hoje em Dia, da Rede Record. Confira.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Decisões de parto - Autoridade sobre aquilo que podemos/devemos escolher

Hoje foram publicados dois artigos de opinião sobre o modelo hegemônico de assistência ao parto. Confiram abaixo.



No Site do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), o texto "Cesarianas no Brasil: uma preferência das gestantes ou dos médicos?" repercute uma série de pesquisas nacionais as quais demonstram claramente COMO e POR QUE as brasileiras não têm tido a oportunidade real de tomar suas decisões de parto.

Seja no serviço público ou pelo plano de saúde, a atitude prescritiva inclui ainda o não-esclarecimento sobre as condutas clínicas, e traduzem a falta de autonomia das mulheres e o cerceamento de sua liberdade. São constrangimentos de ordem financeira, regionais, sócio-culturais e educacionais. Atingem a quase todas nós. Confiram alguns trechos retirados do artigo.

"Especialistas defendem que a cesariana tem indicações clínicas precisas como eclampsia ou nos casos da mãe sensibilizada pelo tipo sanguíneo (fator RH) do bebê. Entretanto, além da falta de consideração em relação à opinião da gestante, é possível encontrar o oposto a essa situação, onde mulheres que nem sequer entraram em trabalho de parto e já negociam a data do parto com o obstetra, marcando a cesárea previamente."
"Essa situação é comum e ocorre possivelmente devido a uma predisposição intervencionista dos médicos, que não seguem as recomendações para o parto cesáreo. Além disso, alguns agem de acordo com a sua própria conveniência, já que é possível constatar que cesarianas são realizadas com mais frequência em horários diurnos e em dias úteis (Nagahama e Santiago, 2011)."
"Ao contrário das gestantes com acesso a convênios médicos ou serviços particulares, aquelas que realizam o pré-natal pelo SUS frequentemente não têm a chance de escolher o médico que irá assisti-las e, provavelmente, não terão poder de negociação sobre o tipo de parto de sua preferência ou a forma de atendimento que desejam (Patah e Malik, 2011)."
"Sendo assim, de maneira geral, as mulheres que não interferem na decisão sobre o tipo de parto, ou simplesmente não são consultadas sobre sua opinião, são oriundas de classe social baixa e possuem menor nível de escolaridade."

Hospital birth photograph of a woman resting in hospital bed, black and white

Enquanto isso, no American Journal of Obstetrics and Gynecolgy (AJOG), o manuscrito "Planned home birth: the professional responsibility response" publica uma espécie de linha-guia para profissionais - do modelo tradicional tecnocrático tecnicista - lidarem com o recrudescimento dos partos em casa. Veja a tradução livre do resumo:

"Este artigo aborda o recrudescimento dos partos em casa por um novo modelo baseado na assistência de parteiras, o parto domiciliar planejado, nos Estados Unidos e os outros países desenvolvidos, no contexto da responsabilidade profissional.

Defensores do parto domiciliar planejado já enfatizaram a segurança das paciente, satisfação das pacientes, o custo-efetividade e o respeito pelos direitos das mulheres.

Nós fornecemos uma avaliação crítica de cada uma dessas reivindicações e identificamos respostas profissionais apropriadas para obstetras e outros médicos preocupados com os partos domiciliares planejados.

Começamos com o tema da segurança da paciente e mostramos que o parto domiciliar planejado tem aumentado risco de danos irreparáveis para as grávidas e os bebês - os quais seriam desnecessários e evitáveis.

Nós documentamos que as taxas persistentemente elevadas dos transportes de emergência debilitam a segurança da paciente e sua satisfação, justamente a razão de ser do parto domiciliar planejado, e que uma análise abrangente enfraquece os argumentos sobre o custo-benefício deste tipo de assistência.

Nós, então, argumentamos que os obstetras e outros médicos preocupados ​​deveriam:

(i) buscar compreender, identificar e corrigir as causas do recrudescimento do parto domiciliar planejado;

(ii) responder às manifestações de interesse pelo parto domiciliar planejado por parte das mulheres com recomendações baseadas em evidências contra este modelo de atenção;

(iii) recusar a participação do planejamento do parto em casa;
(iv) mas, contudo, proporcionar excelente e enternecido cuidado obstétrico no atendimento emergencial às mulheres transferidas de partos domiciliares planejados.

Nós explicamos porque os obstetras não deve participar ou fazer referência aos ensaios clínicos randomizados que compararam os partos domiciliares planejados com os partos hospitalares.

Chamamos a atenção de obstetras e outros médicos preocupados, das parteiras e outros prestadores de cuidados obstétricos, assim como de suas associações profissionais para que não apoiem os partos domiciliares planejado quando existem alternativas seguras e empáticas de alternativas com base hospitalar. Apelamos para que defendam uma experiência de parto hospitalar com as mesmas características de ambiência dos partos em casa."



Alguém já ouviu o CREMERJ papagaiar algo parecido? E o médico do pré-natal?

E desde quando é fácil - para as mulheres em geral, em consideração às suas necessidades específicas e diversas - exercer e garantir a proteção dos próprios direitos humanos, de seus direitos sociais, e direitos reprodutivos?

Concluímos então que há uma violação de direitos fundamentais. E retomamos o comentário que o leitor Adriano de Bortoli publicou no Blog do Nassif, quando da repercussão da reportagem sobre 'A falta de esclarecimentos sobre o parto humanizado', produzidas originalmente pela Rede Brasil Atualsobre a falta de informações e divulgação dos Centros de Parto Normal (CPN) em São Paulo-SP.

"A prefeitura, contudo, deve justificar esse sigilo que a meu ver não encontra fundamento jurídico algum para ser imposto pois não faz parte de nenhuma das exceções previstas na Constituição Federal ou na Lei de Acesso à informação.
O CRM/SP deveria abrir suas portas para o assunto da desospitalização do parto se aproximando, assim, das diretrizes da Organização Mundial de Saúde e se afastando de dpreconceitos, corporativismos, incompetências e, principalmente, da falta de cientificidade dos riscos atribuídos ao parto.
O parto está inserido no planejamento familiar e a CF é bem clara ao estabelecer que: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas."
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Em 2013, a gente continua a luta.



Fotos Allbright Creative Imagery

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Contra a morte de mulheres no parto - Organização e Qualificação da Assistência

Para acalmar o coração das partólatras, em tempos de merecida intolerância para matérias capengas de ética, responsabilidade civil, e coerência de informações.

Excelente vídeo sobre as mortes de mulheres no parto. Com entrevista do médico obstetra João Batista, diretor clínico do Hospital Sofia Feldman - Belo Horizonte/MG.

O hospital é um modelo de serviço humanizado, sempre imperdível conferir as informações de seu contexto. Mais uma vez, vencedor do Prêmio Iniciativa Maternidade Segura, da OPAS/OMS 2012.


É sempre um prazer ouvir estes mineiros!


Eu  Comissão Perinatal

Eu    Sofia Feldman




[Use o Keepvid para baixar o vídeo]
O parto normal é mais seguro para as mães e crianças

É preciso organizar e qualificar a assistência ao parto

Sofia Feldman têm resultados 70% melhores que a média brasileira de mortes maternas



Mais informações em:


Iniciativa Maternidade Segura anuncia ganhadores




domingo, 10 de junho de 2012

Plantão: Práticas obstétricas obsoletas - O Globo 1/2


O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.
Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história!


Confira a íntegra do artigo publicado ontem no jornal O Globo.


Imperdível!

Busque esclarecimentos sobre riscos e benefícios - não apenas sobre parto vaginal e cesárea, mas também sobre o "jeitão" do parto normal, se o profissional conhece e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal

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Estar grávida no Brasil
Em artigo inédito, a epidemiologista Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Ensp/ Fiocruz escreve como são conduzidos os partos hoje no país

Publicado: 9/06/12 - 14h00


A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica em novas responsabilidades afetivas, sociais e legais decorrentes da maternidade. Mas, no nosso país, no ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em um nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que elas ocorreram. Das não planejadas, 30% foram consideradas gestações não desejadas pelas mulheres.

Esse aspecto do não planejamento da gravidez, mais frequente ainda em adolescentes, torna a gestação também um motivo de angustia para uma grande parte das mulheres. Estima-se que houve cerca de um milhão de abortos em 2008, ou seja, uma gravidez em cada quatro terminou em aborto naquele ano no Brasil (Victora ET AL 2011). A ilegalidade atribuída ao aborto no país faz com que essa prática seja de alto risco, frequentemente realizada fora do sistema oficial de saúde, muitas vezes por leigos, sem a presença de profissionais qualificados, estando, em qualquer das situações, fora do controle sanitário e profissional vigentes. A situação de vulnerabilidade é maior para mulheres de baixa escolaridade, negras e jovens (Victora ET AL 2011).

Assim, desejar estar grávida é o primeiro componente para o sucesso e bem-estar da gestação. Dados recentemente publicados na “World Health Statistics” da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2010, 97% das gestantes brasileiras realizaram consultas pré-natais, sendo que 86% fizeram mais de quatro consultas e que 99% dos partos ocorreram dentro dos serviços de saúde, colocando o Brasil em uma situação próxima aos indicadores de cobertura dos países desenvolvidos (WHO, 2012).

Dados preliminares do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizado em 2011, mostram que mais de 80% das mulheres entrevistadas usaram os serviços públicos de saúde para acompanhar suas gestações e seus partos, sem diferenças entre as regiões geográficas, capital e interior, denotando a importância do SUS para o alcance daquele desempenho em âmbito internacional. Entretanto, persistem ainda problemas na qualidade da atenção oferecida, o que pode ser constatado pelas altas taxas de morbidade e mortalidade por patologias possíveis de serem evitadas por uma assistência bem feita no pré-natal e no parto (Vettore ET AL 2011).

Durante a gestação a mulher planeja o seu parto, a forma como vai receber o seu filho. Aqui no Brasil recebe influência da opinião do seu médico, dos familiares e amigos sobre as vantagens de fazer um parto normal ou cesáreo. Para gestantes que têm plano de saúde a escolha da via de parto (vaginal ou abdominal) pode se constituir em motivo de estresse. Ao início da gravidez a maioria delas prefere que o seu parto seja vaginal, opinião essa que vai mudando no decorrer da gestação.

Um estudo realizado no Rio de Janeiro, em 2008, por nosso grupo de pesquisa em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, onde as cesarianas atingem cifras próximas a 90%, mostrou que as mulheres mudam de ideia sobre o tipo de parto, durante a gravidez. No início um pouco mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% havia se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% teve um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto vaginal e o desejo do companheiro por essa modalidade de parto. As mulheres referiram com muita frequência (mais de 50%) que a sua decisão de mudança foi compartilhada com o medico (Dias et al 2008).

Em relação à cesariana, o que se sabe hoje é que essa cirurgia produz danos para a vida reprodutiva futura da mulher, aumentando o risco de placentação anormal, ruptura uterina, hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI e mortalidade. É, portanto, um procedimento que não deve ser banalizado e que deve ser utilizado quando necessário, em situações em que esteja em risco a vida da gestante e do recém-nascido. Para o recém-nascido também são reportados prejuízos advindos de uma cesariana: mais frequentemente necessitam de suporte ventilatório para respirar ao nascer e usam mais a UTI neonatal, sendo essa necessidade tão maior quanto menor for a idade gestacional do recém-nascido (Hansen et AL, 2008).

Outros danos tão importantes quanto esses são o retardo do contato da mãe com o filho no momento do nascimento e a baixa prática do aleitamento materno na sala de parto. Esses últimos aspectos jogam um importante papel no apego da mãe ao seu bebê e vice-versa (Buccolini ET AL 2008).

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com auxilio de episiotomia. Esses procedimentos, além de produzirem um trabalho de parto muito doloroso, são hoje não recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Ou seja, tanto pelo excesso de cesarianas quanto pela inadequação do modelo ofertado para atendimento ao parto vaginal, no Brasil a pratica obstétrica é obsoleta, não segue as recomendações baseadas em evidencias cientificas e precisa ser modificada.

No Reino Unido e em outros países da Comunidade Econômica Europeia as gestantes também escolhem o tipo de parto que melhor convém a elas, levando em conta suas expectativas, as do seu companheiro e da sua família. Mas, diferente daqui, a escolha que elas fazem não é se o parto será cirúrgico ou não, mas qual a posição que elas desejam parir, se de cócoras, sentada, de joelhos, dentro da água, ou outra. Além dos cuidados pré-natais habituais, durante a gestação as mulheres se preparam psicológica e emocionalmente para o momento do parto, aprendendo técnicas de respiração, concentração e relaxamento que ajudarão no alívio das dores e aumentarão a segurança e tranquilidade para condução do seu parto. 

O parto tem um profundo significado para o encontro da mulher com a sua feminilidade e, por isso, naqueles países, os aspectos emocionais da parturição são também objeto de considerações pelos serviços de saúde, que cumprem um papel de dar suporte, amparo e garantia de segurança à escolha da gestante na condução do seu parto, em uma ambiência de conforto material, afetivo e emocional que inclui a presença da família no cenário das maternidades. Nesses países, os protocolos de atendimento ao parto recomendam o parto vaginal, com um mínimo de intervenção, sendo a decisão por uma cesariana, geralmente da responsabilidade do serviço de saúde, diante das condições e necessidades reais de cada caso clínico.

Esse modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio parto dos seus filhos.

Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, não fazem força para nascer, ficando subtraídos dessa experiência humana e vital tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

As mulheres brasileiras, mesmo que desejem, têm pouca chance de vivenciarem um parto do tipo humanizado porque esse modelo de atenção está implantado em pouquíssimas maternidades dos serviços de saúde. E, para as mulheres de nível socioeconômico mais elevado que são esclarecidas e desejam ter um parto vaginal, uma opção tem sido o parto domiciliar, geralmente realizado por enfermeiras obstétricas.

No Brasil a decisão sobre a realização de um parto cirúrgico sem indicação clínica tem sido considerado um direito de escolha da gestante. Ocorre que o exercício desse direito não tem se acompanhado de informações claras sobre o risco de um parto operatório. Ou seja, a escolha tem sido feita sem informações adequadas para a tomada de uma decisão consciente. Em parte porque os obstetras que as assiste também ou não têm essas informações, ou não baseiam sua pratica em evidencias cientificas. Ambas as situações são graves, sobretudo porque os manuais técnicos do Ministério da Saúde trazem recomendações corretas sobre a atenção ao parto e nascimento e estão disponíveis para todos.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde tais como Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Lei do acompanhante, Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço.

Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Um grande número de grupos associativos de mulheres vem surgindo no país, tendo a ReHuNa — Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – uma organização da sociedade civil criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede em defesa do parto humanizado, um papel importante na articulação desse movimento pela mudança do modelo obstétrico vigente (http://www.rehuna.org.br/index.php/seminario). Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.




Bibliografia
Victora CG, Aquino EM, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald CL. Maternal and child health in Brazil: progress and challenges. Lancet. 2011 May 28;377:1863-76.
WHO World health Statistics 2012 - Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27, SwitzerlandWHO Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27.
Vettore, MV; Dias MABD; Domingues RMSM; Vettore MV; Leal MC - Cuidados pré-natais e avaliação do manejo da hipertensão arterial em gestantes do SUS no Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, Maio 2011, vol.27, no.5, p.1021-1034.
Dias MAB, Domingues RMSM; Pereira APE; Fonseca SCF; Gama GN; Theme Filha MM; Bittencourt SDA; Rocha PMM; Schilithz AOC; Leal MC - Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo: estudo de caso em duas unidades do sistema de saúde suplementar do estado do Rio de Janeiro. Ciênc. Saúde Coletiva 13 (5) Rio de Janeiro, 2008.
HANSEN, et al. Risk of respiratory morbidity in term infants delivered by elective caesarean section: cohort study. BMJ, v.336, n.7635, Jan 12, p.85-7, 2008.
BOCCOLINI, et al. Fatores que interferem no tempo entre o nascimento e a primeira mamada. Cadernos de Saúde Pública, v.24, p.2681-2694, 2008.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Violência Obstétrica no Portal iG

O Blog Parto no Brasil publica, na íntegra, a matéria do Portal iG que repercute o Teste da Violência Obstétrica com médicos, e seus efeitos sobre a saúde emocional das mães.

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Pesquisa mostra violência contra mulher durante o parto
Mulheres associam experiência ruim a sentimento de angústia nas primeiras semanas com o bebê em casa

Danielle Nordi - iG São Paulo | 04/06/2012 09:43:51 - Atualizada às 05/06/2012 07:38:58


38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto

Uma pesquisa divulgada no final de maio avaliou o atendimento obstétrico recebido por quase duas mil gestantes em todo o país. As mulheres compartilharam suas experiências e os resultados mostram os maus tratos mais comuns sofridos por elas. O “Teste da Violência Obstétrica” englobou mães que tiveram filhos por cesárea, parto normal, em casa e em hospitais privados e públicos, e foi feito coletivamente por mais de 70 blogs.

Veja também: Dor de parto é ironizada nas maternidades 

O resultado enfoca a conduta dos profissionais de saúde que atendem as gestantes no momento do parto. “Tivemos relatos de todo tipo de violência obstétrica, como negligência, abuso verbal, físico e sexual”, afirma a jornalista e mestranda de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Ana Carolina Franzon, uma das coordenadoras da pesquisa.

“Cheiro de churrasco”

A pesquisa mostra que 21% das parturientes ouviram comentários irônicos em tom depreciativo por parte da equipe médica que as assistiam. Uma das participantes relata que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da minha barriga durante a cesárea”. Em outro relato, a mulher afirma que uma das profissionais da equipe médica reclamou por ter que auxiliar o parto no momento do jogo de futebol do seu time. Segundo Ana Carolina, a violência verbal foi apontada como a mais cometida pelos médicos.

Leia mais sobre os principais tipos de parto: 
Parto normal: “É tocante contribuir para o bebê nascer”
Parto Cesáreo: “Não me considero menos mãe”
Parto natural: “Você se sente como um bicho, mesmo”

Não temos dúvida de que alguns profissionais desrespeitam as mulheres no momento do parto. Infelizmente isso acontece, mas não deveria. Na maioria das vezes falta um acolhimento da gestante, que passa por um momento importante e único da sua vida”, afirma Coríntio Mariani Neto, obstetra presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e diretor da Maternidade Leonor Mendes de Barros.

Angústia

A pesquisa também revela que 38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto. Metade delas acredita que os sentimentos que tiveram logo depois de ir para casa com o bebê foram influenciados pela maneira como o parto ocorreu.

A psicóloga Karla Rapaport Goldenberg atende gestantes e mulheres no pós-parto e afirma que as mulheres que sofrem violência obstétrica se sentem vítimas e não protagonistas de um momento especial em sua vida. “Ela fica insegura para cuidar de uma criança, já que sente que não conseguiu cuidar de si mesma. A violência sofrida pode contribuir para que ela se sinta angustiada e triste. Além disso, pode surgir aversão a médicos, hospitais ou mesmo ao ato sexual, já que partes íntimas da mulher são manipuladas durante o parto com relativa frequência.”

A parturiente não espera ser recebida em um ambiente cheio de amores, onde todos a parabenizem e sorriam para ela. Mas ela espera ser tratada com respeito, como uma mulher em trabalho de parto que em alguns minutos será mãe”, ressalta a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo.

A primeira semana

Apesar das participantes da pesquisa terem estabelecido uma relação direta entre os sentimentos negativos na primeira semana com o bebê e o tratamento recebido na maternidade, outros fatores devem ser considerados como possíveis estopins para essa situação.

As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor das mães
Aline Melo, psicóloga especialista em psicologia social, diz que muitas gestantes têm uma grande expectativa com relação ao momento do parto e não se preparam para o pós-parto. “Cerca de 80% das mulheres apresentam o que se chama de ‘tristeza materna’, causada pela alteração hormonal própria do pós-parto.”

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As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor por conta não só da alteração hormonal, mas também porque as mães enfrentam noites em claro e passam por um período de adaptação com a amamentação, lembra Aline.

“Existe um fenômeno de depressão no pós-parto que é um processo fisiológico, mesmo que o parto tenha sido excelente. Mas não há dúvidas de que não ter uma boa assistência no parto tem consequências ruins para a mulher”, afirma Corintio Mariani Neto.

Outros dados revelados pela pesquisa “Teste da Violência Obstétrica”:

- 82% das mulheres estavam respondendo a pesquisa com base no parto do primeiro filho
- 56% tiveram seus filhos em hospitais particulares através do convênio; 26% em hospitais públicos; 12% em hospitais particulares; 4% em casa; 3% em casas de parto
- 35% das mulheres entrevistadas tinham de 25 a30 anos; 27% de 20 a25 anos; 23% de 30 a 35 anos
- 53% das gestantes declararam ter sido compreendida, amparada e tratada com respeito
- 12% das entrevistadas disseram que os profissionais de saúde fizeram piadas sobre o comportamento delas
- 9% disseram que os médicos e enfermeiros mandaram a parturiente parar de gritar
- 43% das mulheres se sentiram seguras e à vontade durante todo o processo de internação para o parto
- 37% das gestantes sentiram medo pela sua própria saúde ou a do bebê
- 45% das parturientes foram informadas e consultadas sobre todos os procedimentos realizados
- 24% disseram não ter conhecimento prévio ou não ter consentido a necessidade da realização da episiotomia (corte na vagina no momento que o bebê está nascendo)
- 23% declararam não ter conhecimento prévio ou não ter consentido com a administração de ocitocina (remédio usado para acelerar o trabalho de parto

Veja a pesquisa completa no blog “Cientista que virou mãe”. 

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Fonte: Pesquisa mostra violência contra a mulher durante o parto

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Iniciativa Maternidade Segura anuncia ganhadores

Foram anunciados ontem, 29 de maio de 2012, em Washingnton nos EUA, os vencedores do concurso de fotografias e de boas práticas em saúde materna, da Iniciativa Maternidade Segura - uma realização da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da Organização Mundial de Saúde (OMS).


Primeira posição: "Parir", de Tali Elbert, Argentina.

O objetivo é chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos países da América Latina e Caribe em promover a saúde materna e neonatal, assim como destacar as experiências eficientes que têm tido sucesso na resolução dos problemas de saúde das mães e dos bebês. 

O concurso de fotografia premiou as melhores imagens sobre a promoção e proteção dos direitos das mulheres, mães e recém-nascidos, de acessar o mais alto padrão de atendimento em saúde disponível. A seleção recebeu mais de 2000 imagens participantes.

No concurso sobre as boas práticas, foram premiadas as melhores experiências em nível comunitário, estatal e institucional (serviços de saúde), que obtiveram redução eficaz da mortalidade materna e melhoraram o atendimento à gestante e recém-nascidos. 

Mais de 121 experiências de 22 países foram avaliadas. 
E o Brasil foi premiado nas três categorias de boas práticas. Confiram.

À esquerda, segunda posição: "Maternidad Digna" de Cecilia Monroy, México. À direita, terceira posição: "Pobreza económica, riqueza de amor maternal", de Gustavo Raúl Amador, Honduras

- Concurso de boas práticas na comunidade: terceira posição para o Programa Mãe Curitibana (Curitiba-PR), pelo aumento no atendimento ao pré-natal e partos institucionais, entre outras realizações

- Concurso de boas práticas institucionais, promovidas pelos serviços de saúde: terceira posição para a Casa de Gestantes Zilda Arns, do Hospital Sofia Feldman (Belo Horizonte-MG). Um programa que mostrou os benefícios da implementação de casas maternas para a redução das mortes maternas e infantis. 
- Concurso de boas práticas governamentais, de Estado: terceira posição para a Comissão Perinatal de Belo Horizonte - Gestão da qualidade e da integralidade do cuidado para a mulher e a criança no SUS (Belo Horizonte-MG). Pela redução da mortalidade materna, aumento de consultas no pré-natal, e uma mudança na relação dos serviços com os direitos das mulheres e dos bebês.


Além das homenagens de reconhecimento, os vencedores são incluídos em um e-book sobre Maternidade Segura (a ser lançado em 2012), e também recebem prêmios em dinheiro, cujos valores variam entre mil e três mil dólares.

A Iniciativa Maternidade Segura é um chamado conjunto da OPAS com agências das Nações Unidas e ministérios da saúde nas Américas.

O objetivo da Iniciativa é reduzir a mortalidade materna e alcançar o acesso universal à saúde reprodutiva. 

De acordo com estimativas da OPAS e da OMS, a redução das mortes maternas na América Latina e Caribe ainda não é suficiente para alcançar a meta do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio número 5, que estabelece a redução de 75% até 2015, em comparação com dados de 1990. 


Super parabéns aos premiados, que suas experiências sirvam como fonte de inspiração, para que sejam replicadas para todas as brasileiras!


terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudo reafirma relação entre parto por cesárea e obesidade infantil




24/05/2012 - 10h30
DA EFE


Pesquisadores americanos reafirmaram que crianças nascidas por cesárea têm mais possibilidades de sofrer de obesidade.

O dado é de uma pesquisa realizada por especialistas do Hospital da Infância de Boston (EUA), publicada nesta quinta-feira (24) na revista "Archives of Disease in Childhood".

Estudo não indica cesariana, a não ser por razões estritamente clínicas, por estar ligada à obesidade infantil - Observação: esta é uma foto meramente ilustrativa. A obesidade infantil somente pode diagnosticada por profissional especialista.


O estudo retoma uma discussão sobre a relação entre partos por cesárea e sobrepeso infantil. Ele desaconselha este tipo de intervenção senão por razões estritamente clínicas, indica a publicação que pertence ao grupo "British Medical Journal".

Os cientistas analisaram 1.255 crianças nascidas no hospital de Boston entre 1999 e 2002, sendo 284 delas por cesárea, desde as 22 semanas de gestação até os três anos de idade.

Enquanto só 7,5% dos bebês nascidos de maneira natural sofriam obesidade aos três anos, esta percentagem chegava a 15,7% nos casos em que houve intervenção cirúrgica no parto.

Os autores do estudo atribuem esta relação às diferenças na composição da flora intestinal entre os nascidos por parto natural ou por cesárea.

No último grupo, os pesquisadores encontraram uma maior incidência de bactérias firmicutes que, segundo outros estudos, estão presentes nos intestinos de pessoas obesas e são um dos fatores que motivam a doença.

Além disso, foi apontado que os partos por cesárea são mais frequentes entre as mães obesas, o que também poderia favorecer o sobrepeso de seus filhos.

Os autores da pesquisa também analisaram outros fatores que poderiam influir na obesidade infantil como a duração do período de lactação ou o tempo de exposição à televisão, mas nenhum deles apresentou diferenças significativas.

Por fim, os pesquisadores destacaram a importância de evitar os partos por cesárea sem indicações médicas.

"As mulheres grávidas que escolhem um parto cirúrgico quando não haja motivos clínicos para fazê-lo deveriam saber que seus filhos serão mais propensos a ser obesos", alertaram.


Fonte: http://folha.com/no1094996

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Brasil está entre os países que menos optam por parto normal

Índices de morte são maiores em cesarianas. Mesmo assim o Brasil, e principalmente São Paulo, são campões em partos com cirurgia

Por Talita Molinero 05/04/2012 às 10:32

Na hora do parto, o Brasil não segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por incrível que parece, os hospitais particulares são os que menos obedecem. Segundo a OMS, o país não deve ultrapassar 15% dos partos cesarianas. Hoje, os nascimentos com cirurgias chegam a 52%.


Em São Paulo, os números são ainda maiores. Só nos primeiros quatro meses de 2011, as cinco mais conceituadas maternidades particulares da cidade tiveram, em média, 89,18% de cesáreas. 

Parto normal, criança saudável

O índice de mortes associadas à cesariana é quase quatro vezes maior do que no método natural, segundo o Ministério da Saúde.

As crianças que nascem sem ajuda de cirurgião também têm mais saúde. É o que prova um estudo feito com 2.250 crianças, realizado no Canadá. Cinquenta e oito por cento das que vieram ao mundo de forma natural têm menos problemas respiratórios. Outro dado curioso é que obesidade pode estar relacionada à forma de nascimento. Durante 25 anos, a Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto acompanhou 2.057 pessoas do nascimento até os 25 anos de idade, dos jovens que nasceram de cesáreas, 15,2% tinham índice de massa corporal acima de 30, definido como obesidade.


A gastroenterologista Helena Goldani ajudou na elaboração da pesquisa. Ela explica que um dos motivos da obesidade é a falta de contato da criança com a flora vaginal da mãe, a falta do contato pode afetar a flora intestinal do filho e, no futuro, ela pode vir a ter problemas de peso.




Desinformação no nascimento

O médico Gonzalo Vecina Neto é superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês. Quando o assunto é cesariana, ele é rápido na resposta sobre os motivos dos altos índices. "O médico não quer ter trabalho, a mãe tem medo. Quando os dois se unem, a criança nasce de cesárea". Gonzalo ressalta que se a mãe tivesse mais informação este quadro poderia mudar. "Erroneamente a mãe acha que ter um filho pela vagina dói, e que isso vai atrapalhar as relações sexuais do casal. Hoje, é possível que a criança nasça sem dor tanto para ela quanto para a mãe".

Para isso acontecer, o médico precisa informar a grávida. Gonzalo conta que o aumento da cesariana foi tanta que até ganhou apelido: "parto Guarujá". A mulher não quer atrapalhar o final de semana na praia e marca a hora para ter o filho, explica o médico.

A baixa procura de nascimento através da vagina no Brasil, virou motivo de estudo. Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) vão entrevistar 24 mil pacientes de hospitais públicos e privados para descobrirem o motivo da alta incidência de cesarianas no pais. O anúncio do resultado da pesquisa está prevista para o final do ano.

Outro Caminho - O convencional que virou raro

Há mulheres que têm condições financeiras de pagar anestesia, mas optam por um parto mais tradicional, sem anestesia e com mais contato humano e menos intervenções médicas em excesso. Este parto é chamado de parto humanizado. Ele pode ser feito na residência da mãe, entretanto ao contrario de países europeus, ele não é muito utilizado no Brasil.


A casa de Parto Sapopemba, na Zona Leste da capital, é um destes locais. Na contramão dos hospitais, lá não existem aparelhos cirúrgicos ou a opção de cesáreas. As pacientes não são tratadas como doentes e são chamadas pelo nome. Literalmente parece uma casa.


A ausência dos equipamentos cirúrgicos se deve ao fato do parto ser uma questão fisiológica e não médica. Mas caso a mãe tenha complicações, ela é encaminhada imediatamente a um hospital, mas estes casos são raros. 

O Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA) estimula o parto humanizado e auxilia mulheres que optam por ele. A instituição acredita que essa modalidade é mais afetuosa, além disto, elas ensinam técnicas durante a gestação que amenizam a dor do parto.


Quem dá as dicas são as doulas, mulheres que estudam para auxiliarem as mães antes, durante e depois da maternidade. Mariana Mesquita é doula há mais de dez anos. Ela conta que um dos principais motivos para as mães procurarem o grupo é o apelo sentimental. "Elas chegam bravas, pois são tratadas como crianças durante a gestação. Todas querem vivenciar cada momento da nova vida que estão gerando, principalmente segurar o bebê por longo tempo após o nascimento" gesto impossibilitado no parto cirúrgico pelo alto risco de infecção. 

Publicado originalmente em: http://www.midiaindependente.org/es/blue/2012/04/505990.shtml
Revisão e pesquisa de imagens por Ana Carolina Franzon

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aumentam partos em casa por falta de alternativas naturais

É gente que não abre mão de respeito, acima de tudo. E também de cuidados especializados, boa técnica, individualidade, e garantia dos direitos humanos, reprodutivos. É sempre uma escolha verdadeira, comprometida.

Foi chamada na capa do domingo, uma matéria sobre o aumento da demanda por partos domiciliares em Portugal. 
Aumentam partos em casa por falta de alternativas naturais


Publicada em jornal de grande circulação, o Público, a reportagem é clara e diretamente questionadora da medicalização da saúde das mulheres, do excesso de intervenções e do culto à alta tecnologia.

Em entrevista ao Blog Parto no Brasil e Rádio UEL FM, em dezembro de 2010, a cientista social e ativista dos direitos das mulheres, Monica Bara Maia, alertou que, por vezes, a militância pelo parto natural perde um importante foco em suas ações quando silencia sobre a super-valorização das tecnologias 'duras' - como são chamados todos os aparatos e procedimentos tecnológicos operados por especialistas em saúde e ciência. Em oposição, as tecnologias 'suaves' são consideradas as formas relacionais de trabalho (sendo a comunicação a principal delas), além das técnicas não-farmacológicas para alívio da dor.

É nesse contexto que faz todo o sentido a frase citada por Esdras Daniel Pereira - "Retornar a naturalidade do parto é um ato revolucionário frente a mercantilização da vida." O contexto de sua fala é a fotografia das esculturas de uma indígena de cócoras pegando o próprio bebê/realizando o próprio parto, que circulou amplamente no Facebook na última semana. Veja aqui.

A nossa luta é pelo direito que as mulheres têm de escolher qual profissional da obstetrícia irá assistir seu parto; onde acontecerá o nascimento; e quais os recursos tecnológicos que serão usados. O 'parto tecnológico' requer a presença de um médico, o 'parto suave' dispensa sua presença.

Afinal, é direito das mulheres escolherem - esclarecidamente - se querem/aceitam/refutam analgesia/massagem e bola/cesárea. 

Mas é preciso ir além da resistência desses profissionais para com os 'partos naturais'; é preciso contrapor-se à uma cultura que desvaloriza as mulheres de forma genérica e massiva, que não pergunta sobre sua satisfação com a experiência de dar à luz, que não se interessa se há uma mãe recém-parida assustada, frustada, com dor.

Em poucos dias, começaremos a divulgar os resultados da ação de blogagem coletiva Teste da Violência Obstétrica. Apesar da informalidade da pesquisa, poderemos conhecer um pouco das mulheres que se dispuseram a participar. Vamos saber, por exemplo, se os sentimentos percebidos pelas mães no pós-parto são, por elas mesmas, relacionados com os cuidados médicos que receberam durante a internação na maternidade.



Porque nós, mulheres, ativistas dos direitos reprodutivos, nos preocupamos (e muito!) com a (in)satisfação das mulheres sobre a qualidade da assistência obstétrica que receberam.


Confiram a reportagem, na íntegra.

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Saúde

Aumento de partos em casa por falta de alternativas naturais nos hospitais

08.04.2012 - 10:41 Por Catarina Gomes

Depois de um parto no hospital "traumático", Joana Duarte optou por ter o segundo filho em casa
Depois de um parto no hospital "traumático",
Joana Duarte optou por ter o segundo filho em casa
 
(Foto Rui Gaudêncio)
 Depois de, em 2004, Portugal ter atingido um número mínimo de partos em casa, 454, em 2006 houve uma viragem e, desde então, o número de mulheres que têm filhos no domicílio tem-se aproximado dos mil - ainda assim, cerca de 1% do total dos nascimentos. Para o presidente do Colégio de Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, Vítor Varela, este é um movimento claro de fuga a um parto hospitalar excessivamente medicalizado e intervencionado. Porém, os hospitais públicos pouco se adaptaram a esta chamada de atenção.

Recuemos 42 anos, a 1970: em Portugal, 93% das crianças nasciam em casa, situação que, um ano depois do 25 de Abril, já está invertida, nasce-se sobretudo em hospitais. Quando chegamos a 1997, o país já está reduzido a pouco mais de mil partos domiciliários, face a uns esmagadores 111.226 nascimentos em ambiente hospitalar.

Rita Cruz teve de procurar muito para ter um parto natural num hospital. Passou-lhe pela cabeça ter um parto em casa, mas diz que não se sentiria segura porque o país não está preparado e porque sente que seria difícil "encontrar um profissional que lhe inspirasse segurança". O que queria era algo que lhe parecia quase impossível: ter um parto o mais natural possível mas num hospital público. Conseguiu. As fotos do nascimento de Marc mostram-na a ela e ao marido dentro de um tanque de água onde esteve grande parte das suas cinco horas de trabalho de parto, numa sala do Hospital de Setúbal. Pouco foi tocada e os enfermeiros que a assistiram limitaram-se a fazer ajustamento das posições do bebé, conta.

Rita, que vive em Faro, pensa que a atitude das mulheres quando vão ter um filho a um hospital é "tirem-me o bebé, vocês é que sabem fazer isso". É como se os profissionais de saúde fossem possuidores desse saber e nada estivesse nas mãos da grávida. 

Fisioterapeuta de profissão, esta mulher sabia que não era assim: sabia que é bom a mulher ter liberdade de movimentos e não ter de estar deitada, que o facto de o bebé estar sempre a ser monitorizado impede essa liberdade de movimentos, que a epidural desacelera as contracções. Tudo o que Rita não queria no seu parto. E foi isso que levou escrito no seu plano de parto, um documento assinado por si e pelo marido depois de uma pesquisa no site da Organização Mundial de Saúde. Visitaram o hospital às 30 semanas e discutiram o plano de parto com o enfermeiro responsável. Claro que, se houvesse complicações, deixavam "margem de manobra" para todas as soluções técnicas necessárias, da cesariana aos fórceps.

Partos na água

No sistema público, o Hospital de São João, no Porto, foi anunciado em 2008 como tendo uma experiência pioneira de partos na água, mas está desactivado, confirma Lisa Vicente, chefe da divisão de saúde reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde, ressalvando que "as medidas de promoção de partos normais menos intervencionados e em segurança vão aparecendo nos vários serviços". Para tal concorrem também os esforços de diminuição das cesarianas.

A responsável afirma que foi importante o apoio de um documento que define o que é "um parto normal em ambiente hospitalar", reconhecendo que há práticas que se instalaram relativamente às quais não existe demonstração científica de terem qualquer utilidade no desfecho de parto. É o caso das tricotomias (rapagem dos pêlos púbicos) e dos clisteres antes do parto.

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), Germano Couto, veio dizer, no mês passado, que o aumento do número de partos no domicílio, em Portugal, está muito relacionado com a "falta de resposta dos serviços de saúde às opções assistenciais que as mulheres e os casais desejam ver asseguradas no nascimento do seu filho". Aquele responsável vê os partos em casa como "um "novo" paradigma assistencial requerido pela sociedade civil".

Retrocesso, dizem médicos

A Ordem dos Médicos respondeu aos enfermeiros dizendo que o que entendiam ser "uma campanha em favor dos partos no domicílio" representava "um retrocesso". Alegam os médicos: "Para que o parto em casa pudesse ser uma opção admissível, seriam necessários meios logísticos sofisticados e dispendiosos, para nós incomportáveis, para apoio assistencial ao domicílio e transporte medicalizado dos recém-nascidos e grávidas com problemas inesperados".

Joana Duarte, escriturária de 34 anos, teve o seu primeiro filho num hospital público da Grande Lisboa há seis anos e toda a experiência foi traumática: "Aceleraram-me o parto com ocitocina [hormona], rebentaram-me as águas com um gancho metálico, vários profissionais fizerem-me toques vaginais sem me pedirem autorização" e "o corte [do períneo] foi mal feito, rasguei até ao ânus. Estive dois meses sem me conseguir sentar. Não me lembro da cara e do nome de ninguém, de um carinho, nada". Todo o parto aconteceu com Joana deitada e ela, que tanto queria amamentar, saiu do hospital com o filho alimentado com leite artificial. Prometeu-se, na altura, "que se tivesse outro filho não tinha de passar por aquilo". O segundo nascimento foi uma fuga a tudo por que passara no hospital. Decidiu que iria ter o parto em casa, apesar de quando estava grávida ter sido tornado público o caso da apresentadora Adelaide de Sousa, que esteve em casa quatro dias em trabalho de parto, correu risco de vida e teve de ser levada para o hospital, onde o bebé nasceu de cesariana.

Andar duas horas

A filha de Joana Duarte nasceu em casa em 2010, com o seu corpo mergulhado na banheira da sua casa de banho, com um enfermeiro e uma doula (profissionais que fazem assistência emocional em partos em casa). Quando as contracções se intensificaram, foi para a rua andar durante duas horas e foi Joana quem disse ao enfermeiro que estava na hora de nascer. "Foi tudo mais normal", recorda.

Vítor Varela defende que "as mulheres sentem-se mais seguras nos hospitais mas é necessário criar nos hospitais serviços de obstetrícia de baixa intervenção que respeitem o processo de parto natural". 

O responsável não tem dúvidas de que a tendência será para o aumento dos partos em casa, também por causa da "falta de cumprimento das expectativas e desejos e necessidades das parturientes pelos profissionais de saúde". Um entrave ao aumento dos partos em casa, que costumam ser procurados por casais mais escolarizados, é o preço: ter um filho em casa não custa menos do que dois mil euros, admite o presidente do Colégio de Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica.


Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/aumento-de-partos-em-casa-por-falta-de-alternativas-naturais-nos-hospitais-1541217?all=1


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