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quinta-feira, 13 de março de 2014

Parto no Brasil entrevista Maribel Barreto - Março de 2014

Nossa sessão Parto no Brasil entrevista convida para a prosa a brincante Maribel Barreto, co-proprietária, junto de seu companheiro, do Ocitocina Atelie, ao lado de três filhos! Adept@s da educação antroposófica e da Pedagogia Waldorf, o casal fabrica produtos artesanais feitos com matérias-primas naturais, incentivando o livre brincar, além de atuarem, também, junto da Aliança pela Infância.

Simbora conhecer mais esta experiência de maternagem e cuidado unindo trabalhos manuais, empreendimento familiar e a vida na roça carioca!

PARTO NO BRASIL Maribel é um prazer trazer até nosso espaço a questão da ludicidade, e de como o brincar é importante para as crianças. Fale-nos, por favor, dessa questão do ponto de vista da tua atuação, com o Ocitocina Atelie.

MARIBEL R: Grata pelo convite, é uma alegria estar aqui! No Ocitocina Atelie procuramos oferecer brinquedos diferenciados que estimulem a criança a criar sua brincadeira, são feitos em materiais naturais, como lã de carneiro, madeira, tecido de algodão. 
Acreditamos que o brincar seja um alimento vital para a formação da criança. Através do brincar a criança se relaciona com o mundo. Quanto mais livre e natural for, tanto melhor. A criança precisa de espaço, tempo e natureza. E levamos isso muito à sério! 

PARTO NO BRASIL Como você vê essa tecnologia exacerbada dos dias de hoje à serviço das crianças?

MARIBEL R: Acho um desperdício de recursos em todos os sentidos. Uma criança precisa de muito pouco para se sentir apreciada. Uma folha ou pedra natural é muito mais interativa que um aplicativo. É um engano completo acreditar que a criança se desenvolverá mais usando a tecnologia a seu favor. As coisas tem o tempo certo de acontecerem, e o tempo da criança é movimento, é interação real. Acelerar o processo de amadurecimento intelectual da criança pode parecer promissor num primeiro momento, mas não o é logo mais adiante. É como uma fruta. Se a retiramos do pé no tempo certo temos uma fruta rica em minerais e sabor, porém se tiramos antes e a colocamos para madurar num processo artificial, teremos uma fruta doce, mas bem menos nutritiva. O que é mais importante? 
Como pais, temos de estar atentos às demandas de mercado. E perguntar incessantemente se a moda do momento está à serviço de quem ou o quê. 
Meus filhos não têm acesso a tv (nem temos o aparelho em casa) e tampouco aos computadores. Não é da cultura da família assistir tv, seja ela aberta ou fechada. Antes do Francisco nascer jogamos nossa tv na lixeira e foi libertador. 
Há cerca de um ano as crianças passaram a ver alguns vídeos selecionados por nós. Na casa dos amigos também é permitido, sob nossa observação. Pode parecer radical, mas a experiência me diz que estou num caminho bacana. A resposta eu vejo no corpo deles, no resultado de uma brincadeira rica em imaginação. Isso para mim é mais importante. Meu filho fez cinco anos e já tem um repertório de árvores, plantas e insetos bem maior que o meu, por exemplo. 

PARTO NO BRASIL Na perspectiva antroposófica, a criação não terceirizada d@s filh@s tem um papel fundamental na construção biográfica desta criança, especialmente na primeira infância, até os sete anos, onde temos o primeiro setênio. Conte-nos como é trabalhar em seu home office, com três crianças, sendo uma delas um bebê, e percorrer essa corrente filosófica como estilo de vida.

MARIBEL R: Conhecemos a Antroposofia quando nosso primeiro filho nasceu e desde então nos aproximamos do movimento antroposófico através da Pedagogia Waldorf, por trazer respostas muito convincentes aos nossos questionamentos. Desde a gestação já sabíamos que iríamos investir tempo e dedicação aos filhos, só não sabíamos como. O Atelie foi nascendo na medida em que o Francisco crescia, comecei fazendo peças para bebês e com o tempo os brinquedos foram surgindo. Trabalhar em home office exige de nós uma boa dose de disciplina e foco. Nem sempre conseguimos, pois a prioridade são eles. A gente se reveza nos cuidados das crianças pra que cada um possa fazer sua parte no atelie, pois trabalhamos juntos, meu marido e eu. É comum a gente trabalhar até tarde da noite pra poder atender as demandas. As crianças fazem parte do cotidiano atelie/casa. Fiz uma cortina e amarrei em volta da mesa de costura, enquanto trabalho eles brincam em baixo da mesa. 
Esse cotidiano só enriquece o repertório deles. Sob o ponto de vista antroposófico a criança precisa ver de perto esse labor para que tenham exemplos a serem seguidos. Eles nos ajudam a cuidar da horta, fazer pão, varrer a casa, as vezes limpam lã comigo, tudo de maneira lúdica. Isso pra eles é vida, é movimento. Decidimos sair de uma grande capital pra morar num sitio, a fim de dar a elas mais espaço e contato com a natureza. Até o ano passado não iam à escola, o nosso dia a dia era muito intenso. Esse ano, nos mudamos novamente de cidade sem abrir mão do contato com a natureza, afim de oferecer escola para eles.

PARTO NO BRASIL Dentro da Pedagogia Waldorf os materiais de que são feitos os brinquedos tem muita influência na percepção dos bebês e crianças. Você poderia nos dizer quais tipos são mais indicados, e os motivos?


MARIBEL R: A criança é um ser sensível, ainda ligada às esferas mais sutis. Ao brincar com elementos naturais ela é capaz de perceber as nuances de cada material enriquecendo o tato, uma qualidade que mais tarde se refletirá na maneira como lidará com as outras pessoas. Devemos perder o receio e permitir que as crianças se sujem mais de terra, e molhem-se mais na chuva ou poças d’água, que elas possam manipular diferentes sementes mesmo que sejam ásperas ou espinhosas, carregar pedras ou madeiras com diferentes pesos. Criança precisa sentir o mundo através dos sentidos. Claro que não vamos permitir que se coloquem em riscos, mas podemos  ser mais permissivos e deixar de temer a natureza. Quanto ao brinquedo feito à mão, a criança também é capaz de perceber o esforço impresso na execução daquele brinquedo. Ela sabe que nesse brinquedo tem trabalho, erros e acertos, que não é um brinquedo perfeito, assim como a vida. Isso é um bom exemplo a ser dado às crianças. O ideal seria que cada família pudesse produzir os brinquedos de suas crianças, que elas pudessem acompanhar o processo disso. Isso seria riquíssimo.

PARTO NO BRASIL Você lançou pela internet uma espécie de apoio às bibliotecas infantis, com descontos na aquisição de seus brinquedos, para serem doados a esses espaços. Como funciona?  

MARIBEL R: A ideia é incentivar as pessoas a doarem brinquedos novos para as brinquedotecas e escolas. As escolas Waldorf´s, por exemplo, são escolas associativas e nem sempre tem verbas para renovarem suas brinquedotecas, embora a prática da maioria delas é a de manter grupos de trabalhos manuais onde os brinquedos feitos pelas mães fiquem para a escola. Porém a demanda da escola é mais dinâmica, enquanto que a produção do grupo tem um caráter pedagógico junto às famílias e nem sempre atende a demanda imediata da escola.  
Nesta ação que estamos propondo, cedemos um bom desconto nas compras feitas por pessoas físicas que indique uma instituição que trabalhe com crianças para receber a doação, seja ela ligada a Antroposofia ou não. 
O bacana é que os pais podem organizar uma vaquinha e fazer uma compra grande onde cada um paga o que pode. Nós do Ocitocina Atelie colaboramos com o desconto, as famílias se cotizam e quem ganha são as crianças. 

* Veja aqui - www.ocitocinaatelie.com.br/website/?p=1729

_Maribel Barreto Me chamo Maribel Barreto, Mãe de 3. Francisco Bento, Catarina Maria e Antonio José, todos nascidos em casa. Atriz, contadora de histórias, brincante no Ocitocina Atelie onde faço brinquedos e mimos. Meu trabalho começou quando me tornei mãe em 2008. Hoje o Ocitocina Atelie é um projeto familiar. Somos membros da Aliança Pela Infância, um movimento mundial que atua facilitando a reflexão e ação das pessoas que se preocupam com a infância. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Parto no Brasil entrevista Adriana Vieira - Agosto de 2013


Publicamos hoje uma entrevista realizada em agosto c/ a querida Adriana Vieira, doula, educadora perinatal, instrutora de Yoga e coordenadora do Namaskar Yoga, na Baixada Santista. Na ocasião ela estava em seu puerpério da filhota Dora, nascida de um parto normal após duas cesáreas!








PARTO NO BRASIL Adriana é um prazer ter você neste espaço para nos contar como foi gestar após os 40 anos, e, também buscar um parto natural, após duas cesáreas anteriores! Conte-nos como foi este processo!

ADRIANA R: Obrigada pela oportunidade em estar aqui também. Sempre li o blog, e por aqui aprendi muito com outras mulheres, com as informações que vocês passam, então, fico feliz em estar falando sobre o meu parto e minha vivência e espero poder ajudar também. 
O processo foi longo e cheio de aprendizado. Posso dizer agora que havia uma Adriana antes do parto normal e outra agora. Renasci como mulher! Foi a experiência mais divina que já tive.
Bem, tive duas cesárias: uma há 22 anos e outra há 20. Na época achei que a cesariana era o melhor pra mim e para meu bebê, pois ouvia isso constantemente, tanto de amigas, familiares, como de médicos, e não questionei. Por sorte, entrei em trabalho de parto em ambas gestações, mas como tive uso de ocitocina (o que chamam de sorinho, no hospital) não aguentei a dor e acabei indo pra cesariana. 
Mas tudo começou há sete anos, quando estive na Holanda e acabei fazendo um curso de Iyengar Yoga em Amsterdã.  Lá comecei a ouvir falar sobre Yoga pré-natal e Yoga para casais grávidos, e então comecei a estudar por lá. Assim, conheci o trabalho das midwifes e das doulas.
Fiz um curso em Amsterdã e me encantei com esse mundo das gestantes, e dos casais que se preparavam pra ter seu parto, pra serem protagonistas desse momento. E vi uma realidade por lá muito diferente do que via aqui: a maioria das mulheres queriam o parto normal e tinham seus bebês em casa, com todo apoio da família, marido, e também do governo.
Quando voltei ao Brasil comecei a dar aulas de Yoga bem direcionadas para as gestantes,  e elaborei alguns cursos para os casais grávidos, pois em Santos, onde moro, não havia nenhum curso que realmente preparasse os casais pra um parto natural, ou normal. 
Então, conheci um grupo em São Paulo que falava a língua que eu estava começando a entender, e lá fiz vários cursos para começar atuar como doula aqui no Brasil. 
Realmente aprendi a importância do parto normal para a mulher, para o bebê, para o casal em si! Me apaixonei por esse mundo e há cinco anos abri a Namaskar Yoga, com esse intuito: levar informações para que as mulheres e casais pudessem fazer suas escolhas conscientes em relação ao seu corpo, ao seu parto. Por isso, temos grupos gratuitos, encontros para gestantes e casais que realmente buscam essas informações.
Bom, essa viagem a Holanda que mudou minha vida profissional, mudou ainda minha vida pessoal. Me casei com um holandês e viemos morar no Brasil, e então, quando completei 42 anos, em 2012, decidimos ter um bebê, já que meu marido ainda não tinha filhos, e eu estava realmente louca pra ser mãe de novo!
A gravidez foi de baixo risco, sem nenhuma intercorrência, ou seja, saúde perfeita: pressão ótima, peso ok, nenhuma doença crônica.
Bom, com tudo normal, minha médica, um anjo na minha vida, me liberou para uma viagem que eu já tinha marcado antes de saber que iria engravidar. Então, com quatro meses de gestação fui para Dubai e Índia, onde estive por 22 dias, estudando mais sobre Yoga e saúde da mulher, bem como passeando bastante com Dorinha na barriga.
Continuei a levar minha vida normalmente, mas claro, sem excessos. Doulei alguns partos durante a gravidez, até completar 30 semanas. Mas como dou aulas de Yoga para gestantes, continuei com essa atividade, e acrescentei a caminhada na praia e mais meditação. Mas depois, com 36 semanas parei de dar aulas de Hatha Yoga e Yoga para crianças, pra descansar um pouco mais, fisicamente. Senti essa necessidade e assim fiz.
Eu e meu marido queríamos tentar o parto em casa e já tinha o apoio de uma equipe, com quem trabalho já aqui na minha cidade, Santos. 
Como eu já tinha duas cesárias anteriores, durante o trabalho de parto eu não poderia ter nenhum medicamento, caso precisasse ajudar a dilatar, então, decidimos ficar em casa. Entrei em trabalho de parto num domingo, e tive minha bebê na madrugada de terça-feira, 23 de julho. Passamos a segunda-feira toda em TP (trabalho de parto). A equipe trabalhou muito comigo, e me ajudou bastante, pois foi um parto longo. E meus dois filhos, Aline, 22 anos e Thales, 20, ficaram comigo o tempo todo também me ajudando, bem como meu marido. Cada momento foi importante. 
Num trabalho de parto longo como foi o meu, todo o preparo anterior é de total importância! Eu praticava Yoga e meditação, e ambos me ajudaram muito, pois o parto é físico e mental! Ambos precisam estar em sintonia. 
Bom, outra coisa que me ajudou muito foi a total sintonia com meu marido e meus filhos. Cada olhar, cada palavra. 
Num longo TP , qualquer coisa poderia ter me desanimado, mas com uma boa equipe, pessoas te ajudando e preparo físico e mental anterior, resultou no que tive: um parto normal vaginal.

PARTO NO BRASIL Compartilhe conosco seu parto, e nos conte como foi a participação de seu companheiro, e filh@s durante o trabalho de parto e parto.

ADRIANA R: Ficamos em casa domingo e segunda, e eu entrei em trabalho de parto franco, na segunda-feira. Liguei para a doula na segunda de manhã, mas as contrações ainda estavam espaçadas, porém, ritmadas. Como eu já não havia dormido bem de noite, devido às contrações, resolvi ligar pra ela. Ela chegou em casa, ficamos fazendo alguns movimentos na bola, eu caminhava, agachava etc. Eu ainda estava conversando e interagindo bem com todos em casa. Quando as contrações começaram a ficar mais fortes, comecei a querer ficar mais em silêncio, e a usar mais o chuveiro. Aliviava muito as dores, a água quente na lombar. E então, depois do almoço, eles montaram a banheira no meu quarto. Foi excelente também! Tomamos um lanche, feito pela minha mãe, já no final da tarde, pois entre uma contração e outra, parece que nada havia acontecido. Com isso, aguentei bem as contrações nesse período. Depois das 18hs, aí sim comecei a achar que as contrações estavam bem fortes, e a coisa foi ficando pior e pior! Enfim, a equipe auscutava sempre os batimentos da bebê, e ela colaborava sempre. Coraçãozinho sempre ótimo. Então, eu poderia continuar meu TP. E então, comecei a fazer força. Chegava ao período expulsivo. Contrações mais perto umas das outras e muito doloridas. Nessa hora lembro que o que eu mais queria é que alguém da equipe, ou meus filhos, marido, continuassem a acreditar em mim e que eu iria passar essa fase, e então minha filha ia nascer. E foi exatamente o que fizeram. Me falavam que já estavam vendo o cabelinho do bebê, e brincavam comigo, enfim, me incentivavam sempre. 


Mas, a equipe viu que eu estava com um edema na vagina, e que a dor que eu sentia era também do edema, e esse período do expulsivo foi se tornando mais e mais longo. A bebê estava bem, mas já há muito tempo no canal vaginal, então, resolvemos ir para o hospital e tomar uma analgesia pra não sentir mais tanta dor. Foi tudo bem rápido. Cheguei no hospital depois da 1 da manhã, e ela nasceu antes das duas. Na terceira força que eu fiz Dora coroou. Parto vaginal, sem episiotomia, sem corte nenhum na vagina. Um bebê bem esperto, sadio e lindo! Minha Dora chegou e foi o momento mais emocionante da minha vida, do meu marido, da minha mãe e dos meus dois filhos mais velhos. Eles não  haviam assistido um parto anteriormente. E viram e vivenciaram tudo comigo, na sala de pré-parto, pois nem entramos no centro obstétrico. Tive ela no quarto.
Meu filho, Thales, foi quem cortou o cordão, e foi extremamente emocionante pra mim assistir de certa maneira, meu filho e minha filha. Detalhe:  eu tirei a foto dele cortando o cordão, uma cena inesquecível! Minha filha e minha mãe estavam comigo e adorei tê-las por perto. Maridão o tempo todo pertinho, e logo que Dora nasceu, ele a segurou no colo, e só largou para que ela viesse mamar, o que aconteceu logo nos primeiros minutos.
Me senti a mulher mais feliz do mundo, mais poderosa, mais forte e vi que minha família toda vibrou com minha alegria! Foi divino. Nos trouxe uma união incrível.

PARTO NO BRASIL Você também atua como doula e educadora perinatal, além de instrutora de Yoga. Como está sendo a vivência da maternidade durante o puerpério, e os primeiros dias amamentando Dorinha, aliado à vida profissional, nessa área.

ADRIANA R: Como mulher, mãe e doula, fico feliz em ter tido essa experiência, e aos 42 anos. Me percebi ainda mais. Senti o poder que temos sobre nossa mente, sobre nosso corpo, e também como podemos aprender sobre nossos limites, medos e como ultrapassá-los. Percebi, que tudo que venho aprendendo e ensinando com o Yoga foi fundamental pra que eu tivesse essa percepção, física e mental, e como é importante sermos responsáveis pela nossa decisão do que queremos, do que podemos fazer por nós mesmas. E como é importante escolher bons profissionais pra ter nesse momento, e apenas as pessoas importantes e essenciais pra você nesse momento tão importante, tão privado, que é nosso parto e o nascimentos de seu bebê, de uma nova família. 
Percebi ainda mais a importância da privacidade e do silêncio durante o trabalho de parto e no parto realmente. E o respeito à gestante para que ela possa ficar consigo mesma e perceba o que seu corpo pede, que posição ficar, como agir, pois no fundo, cada mulher sabe o que precisa fazer e como agir.


Dora nasceu num ambiente amoroso, sem intervenções desnecessárias e veio logo pro meu peito mamar. Ficou comigo o tempo que quisemos. Pôde mamar, pôde parar de mamar quando quis. Fomos pra casa no dia seguinte. Tomei banho sozinha, claro, e me sentia inteira, física e mentalmente. Sem cortes ou cicatrizes, sem dores, sem medos, pelo contrário, me sentia a super mulher, super mãe. Percebi a admiração também de meu marido por tudo que fiz, que consegui. Na verdade, tudo o que juntos conseguimos! 
Hoje me sinto uma profissional também mais completa, como doula e educadora perinatal me sinto plena. Pude passar pelas duas experiências diferentes, e assim, sinto-me mais capaz pra ajudar muitas mulheres, pois saber na prática o que a teoria nos diz e isso é realmente algo profundo. Espero assim, poder ajudar ainda mais as gestantes e os casais grávidos.
Vejo hoje, ainda mais, também que devemos dar uma extrema importância para o período pós-parto. Pois, começamos uma nova fase,  tanto para o casal, que se torna uma família, como para o binômio mãe-bebê, que tem que se adaptar a tudo: amamentação, dormir menos etc. 
Como eu já havia amamentado meus dois primeiros filhos, e já sabia que queria amamentar exclusivamente também até os seis meses, e que no início, nem sempre amamentar é fácil, então, tive bastante paciência, até eu e Dorinha nos adaptarmos uma a outra, nesse balet que é o amamentar. Depois de uma semana, tudo já estava fluindo naturalmente, sem dores, sem medos, sem ansiedade. Ela mama bem, e claro, dorme muito bem. 
E adoro fazer massagem nela, a Shantala, pra que ela não tenha muitas cólicas. Ela ama receber. Também logo dei o banho de ofurô nela, com três dias, pois acredito que remeta o bebê ao útero, e eles amam esse tipo de banho. Embalo ela numa fralda e a mergulho até o pescocinho, deixando o rostinho de fora, claro, e mantendo o corpinho dela imerso no baldinho. Ela fica paradinha, apenas sentindo, e ama também.
Como casal também conversamos muito sobre as mudanças que passamos. Acho isso importante, principalmente pra quem é pai ou mãe de primeira viagem, pois meu marido, que é pai agora, pela primeira vez, aos 47 anos, está percebendo como as mudanças são grandes para o casal. E ele tem aprendido muito e cuidado muito bem da Dorinha também, pois achamos importantíssimo para que eles dois criem um bom vínculo, que ele também faça todas as atividades e tenha os cuidados com ela, como dar banho, trocar fralda, fazê-las dormir, etc.
O pós-parto é um período que requer muito cuidado de ambos, marido e mulher, para que passem bem por essa fase, com um novo serzinho a ser cuidado, uma fase sem sexo pelo menos nos 40 primeiros dias, enfim, muitas mudanças e novidades. Bater papo é o melhor para um bom entendimento e para que a nova família se vincule e se fortifique. Se tivesse que dar um conselho diria pra o casal e bebê terem sempre um tempo sozinhos, sem visitas, sem compromissos e preservem o bebê desses tumultos, por pelo menos 15 a 20 dias. Isso, acredito, faz o trio se vincular mais e melhor! 
Eu me sinto privilegiada por tudo que passei. Me sinto privilegiada por ter conhecido esse caminho, meu marido, essa família que tenho, e pela profissão que estou trilhando. E creio que toda mulher que tiver essa vontade, esse desejo de ter seu parto normal, corra realmente atrás de informações úteis para realizar esse sonho, que nos realiza como fêmeas realmente. 
E claro, aprendi e aprendo muito com as mulheres que doulei, e também com as alunas que ministrei aulas de Yoga pré-natal, e quero cada vez mais retribuir tudo isso. E através do meu trabalho, penso que posso dar um pouco do que recebi!
Se tive meu parto lindo e tão gratificante dessa maneira, foi porque outras mulheres me ensinaram muito! E isso me faz amar mais e mais o trabalho que faço como doula. E acredido muito, que nosso "trabalho" na vida seja realmente nossa "missão". Algo muito maior do que "ganhar" dinheiro pra viver. O trabalho depende da nossa energia e essa depende de como lidamos com o que fazemos, então, quanto mais amor, melhor você se doa, e mais você recebe. Uma roda cíclica de linda em nossas vidas!
E assim tudo foi acontecendo em minha vida. O espaço Namaskar Yoga foi se moldando dia após dia. E fico feliz, porque, se tem tido procura pelas aulas e cursos que ministramos por lá, é porque as mulheres e os casais grávidos estão realmente buscando ser protagonistas de seus partos. Isso vai fazer mudar a triste realidade do nosso país, que hoje é um campeão de cesárias desnecessárias. 
Eu estou retomando as atividades na Namaskar aos poucos, percebendo o ritmo que seja bom pra minha bebê Dora também. Quando ela fez 15 dias participamos do encontro mensal e gratuito que transmitimos ao vivo, via internet, e é dedicado aos casais grávidos, nossa Roda de Mães da Baixada. 


Quanto às aulas de Yoga também volto a dar em setembro, quando completo 40 dias de pós parto.
Em setembro vamos voltar ainda com as aulas de Babyoga, que é pra ser feita pela mãe com o bebê.
Mas claro, devemos perceber nosso bebê, e sentir como eles se comportam, se essas saídas atrapalham ou não o sono e a mamada deles. Por enquanto, Dora fica muito bem no meu colo, no wrap ou sling, quando participamos desses eventos. 


E assim é a fase de puerpério, um eterno aprendizado entre pais e bebês, com uma linda jornada pela frente: a Vida!


(Re)leia outras entrevistas!

Rebeca Celes

Janet Balaskas

Kalu Brum

Mayra Calvette

terça-feira, 7 de maio de 2013

A linguagem dos sentidos: além de sorrisos e olhares



Por Vicky Nóbrega - Especial para o Vida



É pela emoção que o bebê percebe o mundo em sua volta. 
Cuidados são necessários, mas tudo na medida certa

Em meio à agitação da vida moderna, tem-se um bebê. Para a mãe principalmente, os deveres aumentam e, aos envolvidos, crescem as tarefas diárias. O que, a princípio, parece sacrifício, torna-se um grande prazer. Afinal, o que é necessário para que aconteça a interação mãe-bebê? Segundo a parteira tradicional Suely Carvalho, vice-presidente da Aliança Latino-Americana de Parteiras (Alapar), basta saber que a criança precisa do essencial: "Sentir-se segura, protegida e amada".

Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil e fundadora do Cais do Parto, Suely diz que a comunicação do bebê ocorre por meio da emoção. Pela sensibilidade, a criança apreende informações. "A percepção é mais aguçada do que se pode imaginar, mas ainda há pessoas que tratam a criança como se não fossem capazes de interagir. É um grande engano. Apesar de não elaborar as percepções, o sentimento fica na sua memória afetiva, sobretudo, no período de gestação".

Durante a gravidez, a parteira explica que o bebê se relaciona com o mundo externo por meio da percepção da mãe, sendo ela o único elo por onde a criança acessa os sentimentos. "A mãe é o balizador. Se está triste, tensa ou alegre a criança capta e registra a emoção. Ao crescer, dependendo da forma como a situação foi encarada, ela pode reagir com insegurança ou não diante dos fatos. Os pais pensam que está tudo bem por ter passado pela fase difícil, mas não se lembram que isso está registrado na memória afetiva do bebê". Após o nascimento, ganha-se mais autonomia e a criança se utiliza das reações e expressões da mãe como um dos canais de comunicação, possuindo agora suas próprias percepções.

Mesmo assim, questiona-se se há formas de resguardá-la dos momentos difíceis. Suely esclarece que a mãe só precisa trazer proteção e amor como suporte para a criança aprender a lidar com isso. "Os problemas são reais, mas não duram a vida inteira. À medida que ela cresce, vai aprendendo. Poupar é impossível. Tem que prepará-la para conviver com as circunstâncias do mundo. Se a mãe passa por tudo, transmitindo amor, o bebê se sentirá seguro e em outra turbulência, estará fortalecido".

Comunicação

A parteira destaca que a criança é um indivíduo com vontade própria cuja linguagem pela qual se comunica é o choro, seguido pelo balbuciar de sons, atribuindo mudanças nessa comunicação. Mas cada choro tem uma finalidade e é dever dos pais aprender cada um, pois trata-se de um processo de construção. "Diferenciando o choro do sono, da fome, da cólica, da sede, da manha, entre outros, a comunicação é estabelecida".

Daí a importância de saber falar com o bebê. "Fale assuntos agradáveis de maneira compreensível, e não emita sons pela boca ou vozes esganiçadas. As crianças devem achar ridículo os adultos que as tratam como bobas. Comunique-se. Mostre um passarinho, indique uma árvore. A criança tem uma mente sadia que capta informações", revela.

O olhar é outro forte canal de comunicação. "Quando nos declaramos a alguém, sempre buscamos olhar nos olhos. Independe da idade. Ninguém olha para o lado ao dizer que ama alguém. A melhor forma de mostrar o amor a uma criança, é olhando nos olhos dela. Dê um sorriso e fale poucas palavras. Não precisa de discurso, porque ela entende o olhar, o sentimento. Mostre que ama e ela vai confiar nisso".

Confiança

O vínculo de confiança é construído e não deve ficar restrito somente à mãe. A melhor maneira de assegurar isso é estabelecer uma rotina diária, a qual também inclui as pessoas, que devem ser as mesmas conforme cada tarefa. "É preciso ter hora para dormir, passear, brincar, comer e tomar banho com as pessoas determinadas. Se cada dia é uma pessoa diferente, a rotina não está sendo mantida. Por isso, tantas crianças se acostumam mais com a babá do que com a própria mãe".

Paciência é importante no trato com o bebê. "Se a mãe cuida da criança, mas fica se lamentando do cansaço, a criança vai crescer com um profundo sentimento de culpa, principalmente se a mãe for infeliz". Por isso, o primeiro passo de zelo com o bebê é a mãe ter cuidado consigo.

Aos pais, há papel imprescindível, já que precisam estar comprometidos com o filho e com o relacionamento conjugal. Na fase da amamentação, Suely conta que a mulher se volta integralmente ao bebê. Além disso, os hormônios da lactação inibem sua libido, o que compromete a frequência do ato sexual, gerando problemas conjugais diante da falta de compreensão dos homens. "O pai deve apoiar a mãe e saber que faz uma renúncia temporária por amor ao filho, para que ele tenha o que é essencial. É tudo que ele pode fazer. Depois desse período, ele terá essa mulher por inteiro", orienta.

Mãe dedicada

Há três meses, Mariana Camelo Sá Matos cuida do seu primeiro filho, Rafael, adapta-se às mudanças decorrentes ao bebê, e realiza todas as tarefas com paciência e conhecimento. Ao falar de cuidados com o bebê, ela confessa sorrindo: "Para cuidar do bebê, a mãe deve tampar o relógio, pois não existem horários".

No início, ela conta que Rafael pedia o leite materno logo depois que mamava. "Se isso acontece a mãe acha que não tem leite, mas precisa continuar tentando para o bebê estimular". Após receber orientações de um banco de leite, Mariana aprendeu a lição: "A mama deve ser dada até o final. A primeira parte do leite é o que protege o bebê e a segunda é a que engorda e dá saciedade", recomenda.

Outro sufoco foi por causa das cólicas, que faziam Rafael chorar por horas. A mãe descobriu a massagem indiana shantala pela internet e fez o teste. Deu certo! Também aprendeu que alivia as dores quando coloca o bebê na banheira com água morna até a altura da barriga.

Diferenciar os choros, Mariana tira de letra e diz ser fácil às mães que observam o bebê. "O importante é os pais terem contato com a criança". Após o banho, ela adquiriu o hábito de massagear Rafael com talco. Método também adotado pelo pai, Cristiano Matos, que, nos dias de folga do trabalho, troca fraldas e dedica o tempo disponível para reforçar o vínculo com o filho.

Fonte: Diário do Nordeste - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1264180

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não me venha com flores

Pois é. Dia Internacional da Mulher.

Recebemos flores, temos atividades comemorativas que contemplam nossa beleza exterior, c/ manicures, cabeleireiros e o escambau p/ celebrarmos a data.

Mas, quem disse que temos o que comemorar num País que tem altos índices de violência contra às mulheres, seja doméstica, sexual, e/ou obstétrica?!

Quem disse que somos o sexo frágil - "mas que mentira absurda", já expressada por Erasmo Carlos!

Somos mulheres, mães, guerreiras e lutadoras, em busca de respeito e autonomia!

Por isso, o Blog Parto no Brasil lança hoje a página sobre Violência Obstétrica, editada por Ana Carolina, c/ o intuito de compilar as postagens neste espaço, sobre o tema, p/ dar visibilidade a este tabu, que é pouquíssimo debatido ou questionado.

Para quem não conhece e nunca ouviu falar violência obstétrica é o desrespeito físico, verbal, de classe/minorias, e institucional durante o trabalho de parto e parto de uma em cada quatro mulheres brasileiras, segundo pesquisas da Fundação Perseu Abramo, e do sociólogo Gustavo Venturi, em 2011. Não é mito. Acontece todos os dias em algum hospital do Brasil. Pode ter acontecido c/ você, um familiar, um amigo.

Assim, p/ desmitificar bora se informar e vir lutar c/ a gente! Por que temos o direito de parir c/ dignidade, e o Estado tem o dever de cumpri-lo!


Ouça, ainda, uma entrevista de profissionais sobre o assunto pela Radioagência Nacional, de 06 de março, por Katiana Rabêlo, c/ Ligia Moreiras Sena, do Cientista que virou mãe, Ana Cris Duarte, obstetriz e coordenadora do Grupo de Apoio a Maternidade Ativa (GAMA), em São Paulo, e outros convidados!


Para finalizar, conheça os sites:

Violência Obstétrica - Mapa de Abusos Cometidos no Parto

 Um panorama deste tipo de violência relatada por mulheres e suas famílias, lançado hoje, em:

https://violenciaobstetrica.crowdmap.com/


E, a fanpage Projeto 1:4, da fotógrafa Carla Raiter

https://www.facebook.com/projeto1em4


E, se você passou por algum tipo de violência denuncie!

Não se cale!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Entrevista com a parteira Naolí Vinaver sobre seu próximo encontro - “Nossas Relações Amorosas e Sexuais”



Confiram a entrevista gentilmente cedida pela parteira mexicana Naolí Vinaver, que reside atualmente em Florianópolis/SC, e facilita vivências e encontros sobre a natureza feminina, sendo que nos dias 02 e 03 de novembro acontecerá um novo encontro p/ compartilhar sobre relações amorosas e sexuais.

Por Elli

Como nasceu a ideia deste encontro?
No ano 1987 comecei meu caminho como parteira. Nesse andar tenho descobrido muitos segredos da natureza, da fisiologia e da emocionalidade humana. Entre outros, o fato que a gravidez começa através do fluir da energia sexual, que é energia VITAL na sua mais pura forma. Mas da mesma forma, a sua vez, o trabalho de parto pode ficar atrapalhado se esta energia está de uma ou mais formas bloqueada ou mal-resolvida.
O prazer pela vida, o gosto por ela, pela comida, pelos amores, pelo sexo, elas experiências criativas... tudo tem a ver com os mesmos hormônios que atuam de forma profunda e intensa no ato do amor. Para ser feliz, a gente precisa se-permitir amar em grande, chorar em grande, rir em grande e se-expressar abertamente. Mesmo se é de forma discreta, uma emoção pode ser fluida. Não estou falando de um estilo de vida necessariamente extrovertido mas de ser como somos, inteiros e fieis a nós em toda a extensão da palavra.
A ideia deste encontro nasceu de estes conceitos juntos, porque as pessoas não temos espaços de abertura, reflexão profunda em companhia de outras pessoas sententes e pensantes dispostas a dividir e compreender a natureza humana em relação com a nossa sexualidade, amorosidade e os nossos relacionamentos.
É preciso falarmos sem-inibições e com grande coragem e abertura se queremos chegar a tratar o parto e o sexo com a mesma naturalidade com que a nossa saúde mental, física e espiritual exige. Quem procura trabalhar dentro da corrente do “parto humanizado” precisa “naturalizar” a sua própria visão e sentimentos em relação ao sexo e ao amor.

Você percebe que as pessoas precisam cada vez mais falar sobre sua sexualidade?
Com certeza que sim! Quando a sociedade não consegue ter espaços de abertura, aprendizado e reflexão sobre os detalhes mais preciosos da sua natureza sexual, as pessoas seja ficam sem compreender, seja procuram a informação de forma desconectada, incompleta, errada, ou simplesmente ficam sem saber só tentando fazer o melhor que seu atual conhecimento e capacidade permite.  As vezes os casais se-separam por não saber remediar e lidar com desafios comuns, que são muitos dos temas que vamos tocar no encontro.

Por que é ideal o casal participar? Mas, também pode participar individualmente?
Estar juntos homens e mulheres para explorar temas que de repente são esquivos ou doloridos, ou complexos na relação de casal da como fruto olhares novos, renovados, ou fichas caírem pela primeira vez duma forma nova! Por exemplo, uma mulher pode ouvir da boca de outro homem uma versão parecida mas com palavras diferentes e compreender pela primeira vez o que seu companheiro tentava comunicar para ela sem sucesso. Ou de repente, os homens presenciar e ouvir algumas mulheres expressando a partir da sua sexualidade, sentimentos parecidos ou diferentes dos da sua mulher pode dar uma luz básica e vital para chegar a um novo lugar na relação. Nos-ouvir mutuamente falar com abertura, sinceridade, sensibilidade e curiosidade, na procura de descobrir alguns padrões que podem ter o efeito de nos-bloquear ou nos-libertar sexual e amorosamente dentro dos nossos relacionamentos.
Também acho muito importante e positivo para pessoas que atualmente estão fora dum relacionamento participar, porque é nesse espaço de intervalo entre amores que a gente tem a maior capacidade e possibilidade de observar, refletir e possivelmente mudar alguns dos padrões nocivos ou inférteis de relacionamentos passados.

Como será a dinâmica do encontro?
A dinâmica é abrir com um pacto de absoluta confidencialidade e entrega ao trabalho. É saber que nada que ninguém senta, pense ou tenha feito é melhor ou pior do que ninguém mais, e que a base do trabalho e o não-julgamento. Dessa forma vamos ir nos-apresentando uns e outros, abrindo para o grupo tudo o que quiser dividir sobre as suas preocupações, sensações, curiosidades e dificuldades nos temas da sexualidade, as relações amorosas e afetivas. A partir de lá vamos criar um tecido amoroso e de apoio e abertura refletindo, conversando e explorando a grande variedade de temas propostos no programa. Tem várias referências e filosofias pessoais e de riqueza cultural que vamos colocar para o grupo, mas com certeza as pessoas que participarão no grupo vão marcar profundamente o rumo do encontro, porque dependendo das preocupações e necessidades individuais vamos expandindo, dividindo e contribuindo na reflexão do grupo.

O que faz uma relação se aproximar do perfeito?
Tudo mundo quer ser feliz e sentir o intenso tesão pela vida! Mas cada indivíduo e cada combinação de pessoas que formam uma relação ou um casal vai ter idiossincrasias bem especiais que diferenciam eles das outras pessoas e casais do mundo. Por isso que é impossível falar de “perfeição”, mas também porque a vida e as relações amorosas nos-servem nos seus processos de desenvolvimento para justamente nos-aprimorar como pessoas individuais. Se-diz que uma pessoa se-sente atraída por outra que é muito diferente de sim pelo fato de “complementar” ela de diversas maneiras. Mas se durante o relacionamento essa pessoa que se-sentiu atraída pelo “oposto” não trabalha para cultivar essas qualidades em sim própria, com o passo do tempo pode chegar a se-sentir irritada e ate a “detestar” as qualidades originais que foram o atrativo inicial. Quer dizer, toda relação tem a capacidade absoluta de dar certo ou de dar errado, tudo depende de quanto que a gente investe no crescimento pessoal dentro da relação. Não tem perfeição, só tem entrega e procura de fluir e crescer no processo de nos-relacionarmos. O vínculo amoroso que conseguimos ter através da comunicação sexual e afetiva vital, criativa, propositiva, expansiva é o que nos-permite crescer e transcender a nossa percepção limitante da vida.

A mulher moderna ainda carrega mitos e preconceitos sobre o próprio corpo que a impede de viver em plenitude sua sexualidade?
Sim, e o homem também. Existem tantos mitos sexuais e corporais como existem inibições e proibições religiosas ao prazer sexual. A ideia é ir compreendendo e aprendendo da integralidade do que é conformado pelas capacidades dos nossos corpos, as nossas almas, nossos corações e a profunda espiritualidade que podemos atingir através da união disso tudo no momento de amar. É bom, muito bom! Deixar de carregar com as energias negativas e ignorantes das gerações anteriores às nossas. É tempo de aproveitar, crescer e nos-sentirmos bem mais felizes e expansivos!

Este encontro já foi realizado anteriormente? Qual a expectativa?
Este é um primeiro encontro do tipo que eu celebro. Muitos anos já passei felizmente entre a mulherada toda em conversas riquíssimas. Também muitos anos tem passado em conversas e reflexões com os homens que eu tem amado. Sento que está na hora de juntarmos os dois sexos com pessoas de qualquer inclinação sexual e amorosa para tentar abrir as polêmicas e as nossas compreensões! A expectativa é deliciosa. Vai ser um grupo bem íntimo de menos de 16 pessoas que até agora prometem ser pessoas ricas, trazidas pelo interesse de sair profundamente renovadas e fluidas. A gente nunca termina de aprender sobre os fenômenos da sexualidade e do amor. Cada pessoa vai trazer uma nova forma e uma nova sensibilidade.

Em 2013 há previsão de uma viagem para Bali para esta temática? Como será este encontro?
O encontro de Bali em Junho 2013 será uma experiência de imersão de 10 dias com temas de sexualidade e amorosidade também, só que num contexto diferente e num momento diferente. Só sei que já existe uma lista de veinti-poucas pessoas desejosas de participar! O programa desse trabalho vai ir se-gestando nos próximos sei meses, mas com certeza vai ser também uma delicia! Por enquanto, para quem quer trabalhar e aproveitar do encontro no Brasil, ainda tem umas poucas vagas, sentam-se bem-vindas e bem-vindos com o coração!

Mais informações sobre os temas do programa, vagas e inscrições com a Naolí Vinaver, pelo email - naolivinaver@gmail.com, e, tb no evento criado no Facebook - https://www.facebook.com/events/241822342607203/

Foto de Bianca Lanu, em dez. de 2011, em Florianópolis/SC.

sábado, 14 de julho de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho

O Blog Parto no Brasil compartilha hoje uma entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho, por Say Adinkra, que nos trás a beleza do Chamado e da sacralidade feminina, numa perspectiva holística guiada pela Tradição dos povos, além da história do CAIS do Parto, em Olinda/PE, que todas às terças-feiras, há 22 anos realiza rodas de casais grávid@s, no Centro Cultural Luiz Freire, às 19h30,  na R. 27 de janeiro, 169, Carmo.




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Blog Parto no Brasil entrevista Mayra Calvette - Dezembro de 2011

Iniciamos a última semana do ano c/ uma entrevista muito querida!

A parteira Mayra Calvette, uma das idealizadoras do Projeto Parto pelo Mundo nos conta como está sendo viajar em busca de outros modelos de assistência obstétrica, confiram!

PARTO NO BRASIL Mayra, conte para os leitores do blog sobre o Projeto Parto pelo Mundo? 

MAYRA R: O Projeto Parto pelo Mundo visa encontrar alternativas ao modelo biomédico e tecnocrático de atenção ao nascimento, predominante em nossa cultura, através da busca de modelos de parto centrados na mulher e ações em prol da humanização do parto ao redor do mundo. Estamos viajando num período de 9 meses. Durante a viagem, estamos fazendo vídeos, fotos e escrevendo sobre a humanização do nascimento em cada país. A informação traz aspectos da cultura em geral e do nascimento, relatos de parto, taxas de mortalidade materna e neonatal, sistema de saúde e muito mais. As filmagens podem incluir nascimentos, entrevistas com pessoas na rua, mulheres grávidas, mães, pais e filhos, profissionais, organizações de apoio ao nascimento, e será um futuro documentário! Um processo de nascimento que respeite a vida e a natureza é uma das chaves para um planeta melhor. As experiências que o bebê e sua mãe passam durante esse período podem refletir para o resto de suas vidas positiva ou negativamente. Esses bebês são o futuro do nosso planeta, suas mães são seus primeiros instrutores. Eles têm o potencial de fazer deste mundo um lugar melhor, com mais amor, respeito aos outros e a natureza. Existem formas simples de melhorar a saúde materna e neonatal com efetividade, melhor custo-benefício atendimento humanizado. Estamos nessa viagem explorando os horizontes do Parto pelo Mundo! 

PARTO NO BRASIL O que esta iniciativa significa na sua trajetória pessoal como parteira? 

MAYRA R: Essa iniciativa representa a abertura da visão, conseguindo visualizar novos horizontes e possibilidades. Tenho aprendido muito a cada passo dessa intensa viagem. 

PARTO NO BRASIL Como você avalia essa rede de mulheres em busca de um parto respeitoso no mundo? 

MAYRA R: É uma rede de grande força. E é uma força verdadeira, que surge do coração. Elas lutam pelo direito de ter um parto digno e respeitoso. Elas percebem que o nascimento pode ser um momento incrível de força e transformação. É um daqueles momentos únicos que passamos na vida e que não deveria ser perdido. As mulheres estão redescobrindo o poder e a confiança no instinto e intuição. É uma rede que aumenta a cada dia, é lindo de ver! Acredito que essa é a tendência, o caminho a seguir! 

PARTO NO BRASIL A partir dessas vivências o que você indicaria para as mulheres que estão gestantes, e/ou que pensam em engravidar, como elas poderiam ter um atendimento/assistência como os descritos na Holanda, Reino Unido, por exemplo, dos quais você pesquisou? 

MAYRA R: O modelo de parto no Brasil é diferente desses países, o movimento pela humanização cresce cada vez mais, mas ainda é pequeno, pois atinge um pequeno número de mulheres e em apenas alguns lugares. O modelo que temos ainda não proporciona muitas opções de parto para as mulheres, então elas acabam sendo levadas pelo fluxo, sem saber as opções que poderiam ter e muitas vezes sem realmente terem outra opção além do parto hospitalar convencional. Mas acredito que estamos no caminho! A melhor sugestão que poderia dar de forma mais ampla seria: Informem-se! Pesquise, procure... senão provavelmente você será levada pelo fluxo. Converse com seu companheiro e peça seu suporte e descubram juntos as melhores possibilidades disponíveis na sua região. Visite os hospitais, casas de parto, converse com outras mulheres que tiveram seu bebê neste local, busque histórias positivas de parto e não absorva as histórias negativas! Procure profissionais que atendam parto em casa pelo menos para uma conversa! Procurem profissionais que tenham uma assistência humanizada durante o parto, que pode ser enfermeira obstetra, obstetriz, parteira, médico de família, médico obstetra, (para gestação que tenha algum fator de risco você será encaminhada para o médico obstetra) . Faça perguntas durante o pré natal, faça um plano de parto e discuta, percebendo a real abertura do profissional. Busque na sua região uma Doula. Se não houverem doulas, busque uma amiga/mãe/irmã que tiveram experiências positivas de parto para estar com você nesse momento e descubram como ela pode te ajudar. Busque e participe de grupo de gestante/ casais grávidos. Alimente-se bem, faça exercícios regularmente, seja saudável e feliz acima de tudo. O estado emocional tem muita relação na gravidez e nascimento saudáveis, então evite o estress o máximo que der! E uma das coisas mais importantes: Acredite no seu poder de parir! Repita essa afirmação constantemente: Eu consigo, eu posso! Eu vou trazer meu bebê ao mundo! Sim, você vai, ninguém pode fazer por você. Sinta-se poderosa! Você está gerando um novo ser no seu ventre! Essa já é uma grande demonstração de sua força e poder. E já é um grande caminho andado em direção ao parto natural. Lembre-se que você pode negar todo e qualquer procedimento durante o parto, seja uma participante ativa e não passiva, deixando que façam qualquer procedimento com você e seu bebê. No início do trabalho de parto fique em casa, se alimente, se hidrate... descanse se você ainda conseguir, o trabalho de parto pode ser longo. Tome um banho quente de chuveiro bem longo... relaxe, respire. Independente do local que você está preserve seu espaço, busque privacidade, nem que seja o banheiro. Fique no chuveiro, caminhe, use a bola, encontre posições favoráveis. Peça para a pessoa que estiver como acompanhante te ajudar nesse processo, fazer massagem ( geralmente massagem na região lombar alivia bastante), te relembrar de respirar apropriadamente e relembrar que você consegue. Cada contração seu bebê chega mais perto! Visualize seu colo do útero abrindo e abrindo... como uma flor desabrochando!

Conheçam, ainda - www.partopelomundo.com e www.partopelomundo.com/blog

(re)Vejam nossas outras entrevistas deste ano de 2011:

Parto no Brasil entrevista Rebeca Celes - aqui!

Parto no Brasil entrevista Janet Balaskas - aqui!

Parto no Brasil entrevista Kalu Brum - aqui!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Blog Parto no Brasil entrevista Kalu Brum - Abril de 2011

Hoje publicamos a entrevista c/ a jornalista, doula e fotógrafa Kalu Brum, também co-editora do Mamíferas, ao lado de Tata e Kathy. Desde dezembro viemos idealizando realizar entrevistas c/ algumas pessoas desde cenário do Mov. da Humanização, e em fevereiro contactamos Kalu p/ prosearmos sobre como foi sua escolha por um parto domiciliar e como essa linda história da vinda de Miguel mudou seus rumos (literalmente - de SP p/ MG!), tal como aconteceu c/ Ana e eu, tendo nossas experiências pessoais dado uma nova guinada em nossa carreira profissional.
E, assim, tecemos essa grande rede que busca resgatar o feminino e a confiança na fisiologia de nossos corpos! Confiram a deliciosa conversa:
PARTO NO BRASIL Kalu, sabemos que a mudança de São Paulo para Minas Gerais está relacionada com a gravidez de Miguel. Conte-nos como foi este processo, da ideia ao desfecho. E também, como você avalia, hoje, tudo isso?
KALU R: Na verdade demorei um tempo para despertar minha Mamífera interior. Já tinha entrado em contato com estas informações sobre parto natural quando estava responsável pela pauta na TV Cultura. Fiz a pauta para uma matéria sobre parto humanizado. Guardei os links dos sites pesquisados em um diário. Quando minha chefe, na agência Folie Comunicação, engravidou, oferecei para ela os contatos destes sites e ela acabou mergulhando e compartilhando comigo do universo da humanização. Um ano depois eu estava grávida, no susto. Tinha um médico de família, que me atendia desde 13 anos de idade. Eu sabia das dificuldades de se conseguir um parto normal, afinal na minha família até minha avó teve cesárea. Sabia que teria que batalhar para conseguir parir meu filho. A princípio parti para um plano meio maluco: ficar mais tempo possível em casa, com uma doula e ser atendida por este médico no Hospital São Luís. Com 26 semanas fui a um encontro do GAMA. A minha chefe tinha tido a Ana Cris Duarte como doula e Dr Jorge Khun como obstetra e me indicou o GAMA. Neste encontro falei dos meus planos de parto para Ana Cris e ela me disse que minhas chances de parir com este médico eram mínimas. Saí de lá meio desesperada e fui pesquisar sobre os valores de ter um parto particular. É o preço de um carro popular. Resolvi que ia tentar parir com plantonista porque aos poucos fui percebendo que este médico estragaria meu parto e que não deixaria a doula trabalhar. Com 33 semanas fiz meu chá de bebê e foi a melhor (e pior) experiência para mim. Todo mundo me falava dos perigos de um parto normal, da maravilha da cesárea. Aquele dia eu estava fragilizada porque minha mãe tinha assumido o evento e eu não gosto que assumam as coisas por mim. Finalmente alguém me perguntou qual era meu plano de parto. Vale ressaltar que eu morava na casa dos meus pais, meu então namorado morava em Belo Horizonte. Eu achava que precisaria estar perto da minha mãe para os primeiros dias para cuidar de um recém nascido. Afinal eu não teria apoio familiar, nem de amigos em BH (afinal não conhecia ninguém). Então quando disse que meu plano de parto era ficar em casa com a doula e ir para o Hospital com uma dilatação mais avançada, meu pai disse que ao menor sinal de trabalho de parto me levaria ao hospital. Que doula nenhuma ficaria na casa dele. Foi a minha salvação e desespero final. Liguei para a Ana Cris que me deu a ideia de parir em BH, porque lá tinha o Sofia Feldman, uma maternidade pública referência em Parto Humanizado e que tinha uma casa de parto ótima. Me passou o telefone de uma doula também. Falei com Maurício, meu marido, sobre essa ideia. Ele ficou desesperado porque há muito preconceito contra SUS e um mito de que parto é perigoso. Fomos conhecer a Casa de Parto, que fica há 40 km da minha casa em BH. Adoramos a Casa de Parto e em todo momento eu pensava: nossa isso parece uma casa. Falei com uma das enfermeiras: pena que BH não tem parto domiciliar e que seja tão caro. Ela me disse que ela fazia parte de uma equipe de parto domiciliar e que cobravam mil reais. Eu fiquei maravilhada. Aí foi trabalhar com o marido que tinha medo de complicações. As enfermeiras foram lá em casa e explicaram tudo, os equipamentos que levavam para primeiros socorros. A doula, que acabei não chamando no parto, emprestou para meu marido o livro Nascer Sorrindo, do Leboyer. No final da gestação, com 37 semanas, reencontrei a Aurea Gil, que foi minha colega de infância (estudamos na mesma escola). Ela já tinha o Samuel e logo me apresentou a lista Parto Nosso e Materna_sp. Fui devorando os relatos de parto, tirando minhas dúvidas, sanando meus medos. Com 37 semanas cheguei a BH e 15 dias depois nascia Miguel, em 20 de fevereiro de 2007, em um parto que durou não mais que 40 minutos e apenas uma enfermeira conseguiu chegar (elas atuam em dupla). Foi um parto maravilhoso que me senti poderosa, dona da minha história. A mudança para BH foi o rompimento com a minha herança familiar. Foi a virada de mesa para assumir o protagonismo da minha vida. Poderia ter sido ao contrário (de BH para SP). E quando Miguel era recém nascido não precisei de ajuda alguma (só alguém para cuidar da casa, e então contratamos uma empregada). Com meu parto poderoso nasceu uma mãe segura. Assumir o protagonismo é a grande chave para a vida. Isso pode acontecer em muitos momentos da vida. E no parto é quando morre a filha para nascer a mãe/mulher.

Há 4 anos, arrumava as malas entre lágrimas e medo. Dentro e fora de mim uma nova vida a surgir. O que acumulei em 27 anos cabia em um porta malas de um corsa velho. Alguns livros, artigos de Yoga e meditação. Dentro de mim muita história. Dentro de mim uma nova vida. Com 37 semanas descobri um desejo ardente por parir em casa e uma coragem indescritível para romper com tantas verdades. Parir sozinha, em casa, a 700 km da família. Nascer como mulher, como mãe, como esposa tudo junto ao mesmo tempo agora. Mudar de estado, estado civil. Tantos lutos com tantos nascimentos. Escrever a minha história com consciëncia, coragem, perseverança e ousadia. Não sabia o que esperar de um relacionamento que existia há 1 ano. Nao sabia o que iria sobrar e se formar do incêndio da vida. E cá estou eu, mais madura, grata por mim, por meu caminho, por minhas escolhas. Como cantou Maria Betânia, acordei na noite escura para ver a lua. Brilhante e bela, escura e assustadora como a vida é.
PARTO NO BRASIL Como foi para você a decisão de ter um parto domiciliar? Que tipos de transformações a maternidade lhe trouxe?
KALU R: Eu brinco que meu parto domiciliar nasceu em 2001 quando tive uma dor de garganta com fechamento da glote que me levou a ser internada por três dias. Eu me sentia tão mal naquele hospital, com pessoas que nem me olhavam nos olhos, sem afeto, sem informação. Lembro que um dia fui passear pelo hospital e fui na maternidade (berçário) aqueles bebês sozinhos chorando atrás do vidro ativaram talvez uma lembrança do meu próprio nascimento. Eu não queria aquilo para mim, nem ser tratada como uma inválida, nem passar por uma cirurgia, nem que meu filho fosse deixado sozinho em sua chegada ao planeta. Mas, eu não sabia que existia Parto Domiciliar na cidade grande. Antes da gente engravidar a gente não sabe de nada, muito menos da profundidade que é toda essa história de parto/nascimento. Depois desta internação eu passei a fazer Yoga, me tratar com homeopatia e Reiki. Eu deixei de acreditar na medicina tradicional. Quando engravidei, apesar de ter demorado para descobrir o que eu realmente queria, minha jornada me levou para o parto mais natural possível, que é o domiciliar. Eu acho que toda mulher que pudesse deveria viver este parto. Ele é maravilhoso, incrível, transformador. Tem o cheiro da casa da pessoa, as músicas da pessoa, os objetos, cada detalhe íntimo, pessoal. É um portal de poder. Assim foi para mim. A maternidade mudou completamente a minha vida. Até então eu tinha sido programada para trabalhar e ser bem sucedida. Mas, quando eu engravidei eu vi que tinha uma responsabilidade maior: cuidar de uma vida e isso mudou o foco dos meus objetivos. Acho que quando nosso destino encontra a nossa alma o universo conspira para a realização. Jornalismo casou com maternidade, e eu com a Áurea e a Renata, pessoas que conheci na Materna_sp, assim nasceu o Mamíferas que aos poucos mostra que poderá ser até uma fonte de renda. Mudei de estado, mas como blogueira consegui um trabalho na agência que eu trabalho e trabalho em casa, o que é maravilhoso, porque estou todos os dias perto de meu filho. A maternidade me deu a chave para ajudar as pessoas, que já era um desejo meu. Fiz vários trabalhos voluntários, mas ainda não tinha achado o destino da minha alma. Quando meu destino encontrou minha alma, nasci doula. E desta paixão, a fotografia para registrar esse momento tão lindo.
PARTO NO BRASIL Quais as principais diferenças nos movimentos de humanização dos quais você participou em São Paulo, e, em Belo Horizonte? E como você percebe o movimento nacional pela humanização do parto e nascimento?
KALU R: Acho que em São Paulo temos mais doulas experientes, mais obstetrizes, mais médicos que atendem plenamente um parto humanizado. Mas, tudo isso pelo sistema privado a um valor bem alto. Em São Paulo há poucas Casas de Parto e elas são bem diferentes da Casa de Parto de Belo Horizonte. Em Sampa há mais mulheres com demanda de partos humanizados. Aqui em BH o movimento é bem mais recente e conta com a atuação da ONG Bem Nascer, da qual sou voluntária. Não existem médicos, nem pediatras que atendem em Partos domiciliares, por exemplo. Os médicos que são humanizados tem restrições. Atendem a planos de saúde, cobram um valor por fora, mas só fazem em partos hospitalares. Em contrapartida tem enfermeiras obstetras que atendem a poucos PDs. A Casa de Parto do Sofia tem sido uma alternativa para quem quer parir como se estivesse em casa. Em quatro anos que estou lá o movimento tem se intensificado. Em 2010 tivemos dois cursos de doulas. Com mais doulas atuando aumenta-se a demanda por partos humanizados. Em 2010 atendi dois PDs. Em 2011 foram dois, com mais três à vista. O mineiro é mais conservador. Mas, acho que estamos conseguindo expandir muito o acesso à informação.
PARTO NO BRASIL O quê a experiência de doula-fotógrafa tem lhe mostrado? Que tipo de situações você tem vivenciado com esses outros e novos rumos em sua carreira profissional?
KALU R:Minha experiência de doula-fotógrafa vem me mostrando que as mulheres estão acreditando mais em seus corpos e acordando para a importância das escolhas para um nascimento mais respeitoso. Acho que o grande desafio ainda é saber o limite dos médicos que nos atendem em Partos Hospitalares. Não tive boas experiências. Os Hospitais não querem a humanização. Então somos uma ilha (médico, doula, mulher) pressionados pelo sistema. Às vezes é triste ver um parto se perder por limite de um profissional. Quem perde é a mulher, o bebê e o mundo. Ser doula-fotógrafa era um hobby. Hoje já tem sido mais freqüente minha atuação, o que mostra que mais mulheres desejam um nascimento mais humanizado. Quero investir agora em equipamentos profissionais de fotografia e em cursos para aprimorar minha técnica/olhar. São rumos lindos com diferenciais. Eu estou amando seguir este caminho. Como jornalista eu descobri como posso informar as pessoas e como desejo mudar o mundo: mudando a forma de nascer, de como as pessoas encaram as dores, de como a gente favorece a fisiologia. Meus textos nascem da alma, do fundo do coração. Às vezes são ácidos e saculejam, como fui saculejada. Como doula posso fazer a informação virar ação. E como fotógrafa eu posso registrar a transformação da mulher em seu momento mais íntimo, transformador e inesquecível. Eu me sinto realizada com a minha maternagem e com a minha forma de maternar o mundo!

Fotos: Acervo Pessoal de Kalu Brum.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mães Empreendedoras: Parto no Brasil e Empreendedorismo Social

Confiram o post sobre o Blog Parto no Brasil no blog Mães Empreendedoras, de Vanessa Rosa, que conta brevemente como Ana e eu começamos esta linda empreeitada, em dezembro de 2009 - Mães Empreendedoras: Parto no Brasil e Empreendedorismo Social

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Parto no Brasil entrevista Janet Balaskas - Abril de 2011

Com imensa satisfação que publico a entrevista inédita que a educadora perinatal inglesa, Janet Balaskas, cedeu ao Blog Parto no Brasil em Curitiba, PR, no dia 17 de abril, na Formação Profissional em Parto Ativo, pelo Espaço Aobä.
Um domingo inesquecível que com certeza ficará na memória ao ver aqueles lindos olhos verdes tão expressivos daquela incrível mulher que clamou que nós mulheres precisamos de parteiras! A entrevistadora aqui (rs) não se conteve e confirmou: "Simmm!!!".
Confiram abaixo!
(re)Leiam também outros posts sobre Janet:
Anotações da Formação Profissional em Parto Ativo, c/ Janet Balaskas;
Parto Ativo: a História e a Filosofia de uma Revolução;
Manifesto pelo Parto Ativo, por Janet Balaskas.
Baixe partes de Parto Ativo: guia prático para o parto natural - aqui! Ou adquira em nossa Loja Virtual - aqui!
PARTO NO BRASIL Já falamos do Parto Ativo e do teu trabalho no Blog Parto no Brasil, e eu queria que você contasse p/ nós como que o Parto Ativo é mais do que uma aplicação do Yoga na gestação e posturas verticais no trabalho de parto/parto, mas sim uma filosofia, um novo paradigma de atenção obstétrica?
JANET R: É fisiológico p/ a mulher que ela tenha liberdade de se movimentar durante o trabalho de parto e parto, e que ela tenha um ambiente onde ela possa ter o parto de forma fácil e de forma natural, mesmo que a princípio seja uma questão de se manter vertical, a diferença entre ficar em uma postura vertical e ficar deitada, é que deitada a mulher fica passiva e ela perde o poder. Ela está vulnerável às intervenções das outras pessoas. Ela perde a privacidade e a sua dignidade. Ela também perde muitas vantagens, como por exemplo, melhor fluxo sanguíneo do bebê p/ a placenta, mais possibilidades do seu corpo se abrir, e todo o processo do parto é mais fácil quando a mulher pode seguir seus próprios instintos. Quando a mulher segue seus próprios instintos ela sabe exatamente como parir seu bebê. Esse é um conhecimento instintivo de todas as mulheres, que todas as fêmeas de mamíferos tem. O bebê também tem reflexos inatos, ele sabe como nascer, e, eu sempre falo p/ as mães que o corpo delas foi perfeitamente desenhado p/ darem conta de parir um bebê. O corpo foi perfeitamente desenhado p/ conceber o bebê e nutrir o bebê na gravidez, assim como dar à luz e nutrir o bebê depois. Isso é algo que as mulheres sabem fazer, então o Parto Ativo reconecta a mulher c/ suas habilidades instintivas de ser mãe e de dar à luz. Porque quando tem intervenções médicas desnecessárias, essa cadeia de eventos fisiológicos fica interrompida. É um desenho da natureza muito delicado, e envolve uma liberação hormonal especial, e quando nós usamos uma intervenção médica sem ter a necessidade real inibimos a liberação desses hormônios naturais. Quando uma mulher está assustada, ou ela está ansiosa, também a liberação desses hormônios fica inibida. Então, o objetivo principal do Yoga no Parto Ativo é permitir que as mulheres possam relaxar e liberar medo e ansiedade, que elas acreditem mais na capacidade de dar à luz, daí elas querem que este evento aconteça, porque vai ser uma das experiências mais maravilhosas da vida delas. E, foi assim que a natureza desenhou o parto, é um momento importante na vida da mulher, um momento de desenvolvimento, e é o nascimento de uma criança. Nós não deveríamos deixar isso ser levado, tirado de nós e de nossos bebês, ainda mais porque o Parto Ativo é mais fácil e mais seguro, e ele é totalmente baseado em estudos e evidências de que é assim mesmo que deveria ser. È preciso achar um novo equilíbrio, onde a maioria das mulheres que estão saudáveis possa dar à luz de forma natural e normal, no ambiente certo, onde a ajuda obstétrica está lá para os casos mais difíceis, quando realmente é necessário. A natureza não é perfeita, nós precisamos da Obstetrícia moderna, e nós precisamos de obstetras competentes, mas não p/ o parto normal, p/ o parto normal nós precisamos de parteiras!
PARTO NO BRASIL Como esse modelo de Parto Ativo poderia ser aplicado como uma Política Pública num País como o nosso, com elevadas taxas de cesárea, que correu o risco agora de perder o curso de Obstetrícia, o único do País, da USP, e como que esse modelo poderia ser transformado p/ todas, porque hoje ainda é p/ poucas, ainda é elitista, p/ quem tem aquisição, p/ quem tem acesso a informação, enquanto a maioria da população fica a deriva?
JANET R: Eu acho que as parteiras e as mulheres tinham que protestar muito contra o fechamento desse curso, porque esse movimento deveria incluir treinamento das parteiras, condições e locais p/ o Parto Ativo acontecer. Eu acho que as mulheres devem ser educadas a respeito disso e que elas devem mesmo exigir essas mudanças nos hospitais públicos. Trinta anos atrás era assim também no Reino Unido, nós fomos p/ as ruas, nós tínhamos passeata, nós fizemos conferências, nós insistimos nos nossos direitos de fato. Isso não é um método, ou uma técnica, esse é o modo com que as mães humanas devem dar à luz, o modo como elas foram desenhadas p/ dar à luz. E vem acontecendo assim há milhões de anos, no mundo todo, c/ todas as culturas, em todos os países, é universal, global, basicamente é a verdade! Então, até que nós tenhamos o Parto Ativo possível p/ todas as mulheres existe um abuso do direito do parto natural, e é preciso encontrar um novo equilíbrio entre a Natureza e a Ciência, de modo que os dois possam nos servir, em nossa Humanidade.
PARTO NO BRASIL Qual é a sua expectativa nos eventos em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e no workshop no dia seguinte?
JANET R: Estou super empolgada p/ ir p/ São Paulo, e empolgada p/ ajudar o curso de Obstetrícia da USP, porque é muito importante que as mulheres tenham parteiras que sejam comprometidas c/ o trabalho, que sejam apaixonadas pelo trabalho, que acreditem e que confiem no poder das mulheres de dar à luz! È muito importante que existam parteiras, esse curso não pode fechar! Estou louca p/ conhecer essas pessoas, pois em São Paulo tem pessoas muito ativas e participantes. Também estou muito feliz pelo workshop profissional em Curitiba, onde encontrei pessoas do Brasil todo super comprometidas e que conhecem muito e que trabalham muito pela melhoria das condições de nascimento no Brasil, então estou muito feliz de estar aqui!
PARTO NO BRASIL E, nós também!!!

* Tradução de Talia Gevard.
Foto de Mario Lima - Talia, Janet e eu após a deliciosa prosa!

sábado, 14 de maio de 2011

Multimídia Parto no Brasil - Doula Voluntária

Nesta segunda-feira, o Blog Parto no Brasil entrevistou a doula Rebeca Celes (confiram aqui!), que atua tanto em atendimentos particulares há seis anos, como também como voluntária pelo SUS em Divinópolis/MG, desde 2008, e neste sábado em Multimídia Parto no Brasil compartilhamos lindas fotos de seu acompanhamento, bem como da linda família, c/ os filh@s Breno (7a - cesárea intraparto) e Alice (5a - parto normal na água).





Fotos: Acervo pessoal de Rebeca Celes.

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