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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

I Curso de Ecologia do Parto e do Nascimento, c/ Heloisa Lessa & Michel Odent, na capital paulista


O Blog Parto no Brasil tem o prazer de apoiar e convidá-l@s para:


O curso será realizado em seis encontros mensais, nas seguintes datas: 03/0307/0416/0604/0806/10;
10/11, c/ carga horária de 40 hs/aula, mais 30 hs de estudo dirigido.

Vagas limitadas a 35 pessoas. Inscrições prorrogadas, através do email: nucleodavida@casajaya.com.br, c/ Mayara Boareto.

Programação:

Fisiologia: gravidez, parto, e amamentação
A química do corpo. O coquetel hormonal e suas repercussões na mãe/bebê.
O efeito comportamental da ocitocina.
O cérebro primitivo e o neo córtex no processo do parto.
O ambiente na gravidez, parto e amamentação.

Nutrição na gestação ao pós-parto
A construção e não apenas a prevenção da saúde.
A poluição intra-uterina.
A hipótese de que somos seres adaptados à costa e para tanto necessitamos de alimentos de origem marinha.
As cadeias ômega três e ômega seis e o balanço com outras substâncias e minerais.
Hidratação e alimentação intraparto.
O ganho de peso na gestação. Como trabalhar a gestante no sentido de uma mudança de padrão alimentar que permaneça após a gestação. O olhar individualizado da cliente e das diversas fases da gestação.

História do parto e nascimento
A vivência da gestação e parto a partir das sociedades pré-agriculturais.
As midwives, surgimento e sua inserção no mundo contemporâneo.
A formação do campo obstétrico brasileiro. Médicos, enfermeiras, parteiras, doulas, educadoras perinatais, psicólogas, fisioterapeutas.
Os modelos de assistência obstétrica que coabitam o mundo contemporâneo: tecnocrático, humanista e holístico.

A Gênese do Homem Ecológico – A memória filogenética, a memória cultural
Wilheim Reich e a energia da vida.
A função do orgasmo. Crianças do futuro.
A interface do trabalho de Michel Odent / Wilheim Reich.

Pré-natal
A importância dos estados emocionais da gravidez.
O stress materno e suas consequências para o bebê.
Definição de risco obstétrico.
O efeito nocebo no pré-natal.
Os exames, quando é porque fazê-los. Ultrassonografia, cardiotocografia, Doppler, perfil biofísico fetal. O que indicam os novos estudos.
Um olhar sobre os protocolos de pré-natal no Brasil, Inglaterra e outros países.
O estabelecimento do vínculo com a cliente (na instituição ou no atendimento autônomo).
A possibilidade do plano B. Os riscos implícitos. Morte/Nascimento.
O processo do cuidar e suas implicações para quem cuida. Uma via de mão dupla.
A coleta de dados, anamnese.
A criação de uma rede de apoio com outros profissionais.
A formação de grupos e as equipes ou redes de profissionais.
Uma nova maneira de olhar os desconfortos associados á gestação.
Reconhecer / saber científico / o que fazer para aliviar .
Enjoos, cólicas, sono, azia, dores no corpo, insônia, prisão de ventre etc.

Parto
As necessidades básicas da mulher em trabalho de parto. Segurança, privacidade e proteção.
Os diferentes comportamentos da mulher em trabalho de parto de acordo com o nível de acesso a sua memória instintiva.
O reflexo de ejeção do feto e as possibilidades de experiências de transcendência.
Períodos clínicos do parto com base na fisiologia do parto.
A desmedicalização do processo de gestar e parir.
Alternativas para o alívio da dor.
Quem participa do parto? Como participa?
A participação do pai do ponto de vista fisiológico.
A masculinização do ambiente do parto.
A utilização da água nas suas diversas formas. As piscinas de parto, como surgiram. Como e quando usá-las.
O fenômeno das Doulas. Os estudos de Marshall Klaus e outros.
A epidemia de vídeos sobre a temática do parto e suas consequências nas novas gerações.
As adaptações do recém-nascido num parto fisiológico.
A primeira hora após o parto. Vacinas. Vitamina K.
O atendimento pré-natal pediátrico.
A amamentação. O Grupo de Apoio As Amigas do Peito e La Leche League.

Pós-parto
A volta a um novo ponto de equilíbrio. As transformações hormonais. O corpo tem suas razões.
O turbilhão de emoções e sensações. A angústia genital de mães que amamentam.
O entendimento do resguardo a partir de uma visão de outras culturas.
Criação de rede de apoio familiar e de amigos no pós-parto.
O vínculo com o profissional. A despedida do grupo e outras possibilidades.
A placenta. Seus significados. O que fazer com ela. Pílulas de placenta (China), descarte junto ao material de instituições de saúde, enterrar. O novo modelo: Lótus Birth.

O Período Primal
As conseqüências a longo prazo da maneira como chegamos ao mundo.
Um novo ramo de pesquisas: o Primal Health Research Center.
Aprendendo a formular novas perguntas.

Desenvolvimento fetal
A influência das experiências intraútero no desenvolvimento dos bebês.
O ambiente pré-concepcional.
Concepção consciente e a Ciência do Início da Vida.
O futuro das relações dos seres humanos com o mundo dos micro-organismos.
O estabelecimento da nossa flora intestinal e as consequências no desenvolvimento do nosso sistema imunológico.
A importância do contato pele a pele na primeira hora após o parto entre mãe e bebê.
A epigenética e as consequências nas gerações futuras da maneira como nascemos
A web como ferramenta de acesso ao conhecimento.
Os jornais científicos mais importantes e a arte de associar palavras chaves.

Observação: Os temas não necessariamente serão ministrados nesta ordem.

Sobre os palestrantes:

Heloísa Lessa é enfermeira-obstetra/parteira e Doutora em Enfermagem. Atende partos planejados em casa, no Rio de Janeiro, desde 1989. Tem experiência de trabalho com parteiras tradicionais e a população indígena. É internacionalmente conhecida.

Michel Odent é um obstetra francês conhecido pelos conceitos de sala de parto como a casa e da utilização de piscinas de parto. Fundador do centro de pesquisa Primal Heath Research Center em Londres. É autor de 12 livros publicados em 22 idiomas e mais de 50 artigos científicos.

sábado, 31 de março de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Michel Odent na Fiocruz

Saúde Primal: da concepção até o primeiro ano de vida

Foto: Michel Odent, Laura Uplinger e Maria do Carmo Leal
Informe ENSP  

Confiram a palestra que Michel Odent, médico e pesquisador do Primal Health Research Centre, Londres, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. 

A mesa foi coordenada pela pesquisadora da ENSP, Maria do Carmo Leal, responsável pelo Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento. 

Tradução consecutiva de Laura Uplinger, psicóloga e educadora no campo de consciência pré-concepção, pré-natal e perinatal.

O evento foi realizado no dia 28 de março de 2012, na ENSP, Rio de Janeiro.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Agenda Parto no Brasil

... são as águas de março fechando o verão

é promessa de vida no meu coração..."


Confiram os eventos p/ este fim de março!

Audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte/MG, no dia 22/03/2012, quinta feira, às 13 horas, no plenário Amynthas de Barros, na Avenida dos Andradas, nº 3.100, Bairro Santa Efigênia, com a finalidade de debater o alto índice de cirurgias cesáreas no país, tendo em vista que, segundo o Ministério da Saúde, em 2010, o número de ocorrências desse procedimento superou o de partos normais





Sexta, dia 23, das 14:00 até às 17:00 horas, na Rua Bento Gonçalves, 48 - Monte Castelo - Campo Grande/MS, a Casa da Luz, ONG de cuidado a mulheres em todos os seus ciclos de vida, com o apoio da ReHuNa – Rede Pela Humanização do Parto e Nascimento, apresenta a proposta do Curso de Formação de Doula, em Campo Grande – Mato Grosso do Sul.

Dirigido às mulheres que desejam acompanhar mulheres grávidas na gestação, parto e pós-parto e doulas que queiram se atualizar.

O Curso de 80 horas será distribuído em 48 horas de encontros teóricos – vivenciais; 16 horas de encontros inter-módulos em grupo e 16 horas de acompanhamento a uma mulher grávida e acompanhante de escolha da cursista ou indicada pela Coordenação.








terça-feira, 5 de julho de 2011

Casa Jaya recebe o obstetra Michel Odent, em São Paulo/SP

Boa noite!
Sim, são mais de 23 horas e, finalmente, depois da cria dormir, retorno ao blog que desde sábado está sem atualizações!
O filhote ficou dodói, alguns outros imprevistos, aliados ao frio e a baita chuva litorânea impediram de trabalhar por aqui, mas venho c/ uma matéria fresquinha da jornalista Adriana Vieira, também instrutora de Yoga e Shantala no Namaskar Yoga, que participou hoje do encontro c/ o obstetra Michel Odent e a parteira Heloisa Lessa, na Casa Jaya, em Pinheiros, na na capital paulista, organizado pela graduanda em Obstetrícia Mayara Boareto, que realiza um lindo trabalho de documentação em vídeo de parteiras tradicionais pelo mundo afora, o Mulheres da Terra.
Confiram abaixo:
Segundo Michel Odent, obstetra francês “proteger” é a palavra chave para um trabalho de parto produtivo
...E nessa terça-feira, 5 de julho, Odent, autor de livros como “O renascimento do Parto”, entre outros 11 títulos, ministrou palestra em São Paulo, na Casa Jaya, para mais de 150 pessoas, entre profissionais da saúde, gestantes, casais grávidos e demais interessados no bem estar da gestante e do bebê.
Odent enfatizou a importância da gestante sentir-se ‘protegida’ de algumas armadilhas que possam impedir um trabalho de parto contínuo e saudável. São observações fáceis de serem percebidas, mas que nem sempre são respeitadas, como: a privacidade da gestante, a linguagem, ou seja, o respeito ao silêncio necessário durante essas horas de trabalho de parto, uma baixa iluminação, que permite também que ela se acalme, se aquiete, e principalmente a presença somente de pessoas tranqüilas e que passam para a gestante também segurança. “Esses detalhes fazem toda a diferença”, afirma o obstetra. “A falta de privacidade, o entra e sai das pessoas no quarto, o barulho, celular, muita luz, estimulam a produção da adrenalina, inibindo assim a produção de oxitocina, o hormônio necessário para aumentar as contrações e finalizar uma boa hora do parto”, completa Michel Odent.
A explicação fisiológica para o processo do bom andamento do trabalho de parto é que com a ativação do neocórtex, a parte frontal do cérebro, nosso lado racional, há a inibição da ação das áreas instintivas, ou seja, da produção hormonal natural da oxitocina. Quando a mulher se sente “protegida”, segura, ela pode relaxar e seguir com o trabalho de parto naturalmente.
Odent também comentou sobre alguns mitos e regras que muitos livros sobre parto humanizado citam, e que nem sempre devem ser seguidos: “ não há regras durante o trabalho de parto. O mais importante é perceber as necessidades da mulher. Se ela quiser beber água ou comer algo leve, tudo bem. Mas se ela não achar necessário, isso deve ser respeitado”, conclui Odent. Ele comenta ainda que em relação a movimentar-se durante o TP (trabalho de parto) também não deve ser uma condição única. “ Se a mulher estiver conectada com seu íntimos, intuitivamente ela vai saber a posição que dever estar e quando mudar, para ajudar o seu bebê a chegar ao mundo”, diz Michel Odent.
Fontes:
http://www.casajaya.com.br/modules/news/article.php?storyid=171#.ThOq80Wex_g.facebook
http://www.namaskaryoga.com.br/blog/files/96767b185e511daac87d342dc4a99935-158.php
E, já em solos mineiros, Ana Carolina aterrizou à tarde em Belo Horizonte p/ participar do VII Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal - COBEON, c/ incríveis apresentações de trabalhos, debates, mesas-redondas - Caderno de Programação aqui e Conferencistas aqui! Em breve, novidades compartilhadas, eba!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Agenda Parto no Brasil

Confiram os eventos e oportunidades em nossa Agenda Parto no Brasil desta semana, c/ incríveis encontros e capacitações p/ o início de julho!
No portal Absoluta, participem da Promoção Meu Bebê é meu Melhor Presente:

2a. Semana Gênero e Direito:

Nesta quarta, Roda de Casais Grávidos, em São Paulo, capital, na Casa Jaya:

Simpósio Multidisciplinar de Parto Humanizado, em 1o e 2 de julho, c/ carga horária de 20 horas, na Câmara Municipal de Dourados/MS, p/ acadêmicos e profissionais da área da saúde, da atenção básica, especialidades e hospitalar. Mais informações no site - www.humanizadourados.com
Lançamento dos resultados do Projeto Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais de Pernambuco e do Inventário dos Saberes e Práticas das Parteiras Indígenas de Pernambuco. O evento acontecerá no sábado, dia 02 de julho, das 13 às 15 horas, no auditório da Livraria Cultura. No lançamento haverá uma mesa redonda, composta por uma representante do Instituto Nômades, que apresentará os resultados das pesquisas; pelo Núcleo Ariano Suassuna de Estudos Brasileiros/UFPE, através da antropóloga Cida Nogueira, que falará sobre o conceito de tradição na atualidade; pela Gerência de Saúde da Mulher da SES/PE, que apresentará o Programa Estadual de Parteiras Tradicionais; pelo Iphan, que fará uma exposição sobre a metodologia do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e o processo de registro de um bem como patrimônio cultural imaterial, e por parteiras. Será entregue também ao Iphan uma solicitação do registro dos saberes e práticas das parteiras tradicionais como patrimônio cultural brasileiro, e as pessoas físicas e jurídicas presentes no evento que apoiam a solicitação poderão assinar o documento, reforçando o pedido.

Congresso Virtual de Aleitamento:

Curso de Doulas, em Recife/PE:
O Instituto Nômades e o Ishtar Espaço para Gestantes anunciam a tod@s a realização do seu Curso de Capacitação de Doulas no Grande Recife. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas!
Com o objetivo de capacitar mulheres de diversas áreas/profissões para atuarem como doulas (acompanhantes de parto) em partos hospitalares e domiciliares, sendo que o público alvo são mulheres de qualquer formação profissional que desejam ajudar outras mulheres no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
De 09 a 12 de julho, c/ carga horária de 37 horas, c/ uma atividade prática numa maternidade local com 5 horas de duração. Na Granja Jaguaroca, Aldeia, Camaragibe/PE, c/ uma equipe formada por Melania Amorim (obstetra); Leila Katz (obstetra); Dan Gayoso (doula); Ana Katz Schuler (doula); Kelly Brasil (doula); Fabiana Melo (fisioterapeuta) e Marcelle Mello (enfermeira obstetra). Investimento de R$ 600,00, parcelado em até 3x. Mais informações/inscrições pelo tel.: (81) 3454-2505 / 9973-8035 / 8825-1274, e/ou pelo email: dan@institutonomades.org.br / espacoishtar@gmail.com
E, p/ finalizar, Michel Odent também no Rio de Janeiro/RJ:

terça-feira, 1 de março de 2011

Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE II


Fotos: Acervo Espaço Aobä
Publico hoje a segunda e última parte de minhas anotações sobre o workshop que participei com o obstetra francês Michel Odent, em Curitiba/PR, no Espaço Aobä, que receberá em abril Janet Balaskas - saiba mais aqui!
Também foi em abril, no dia 06, que tive essa bela oportunidade, com a cria ainda pequenina e serelepe, com seus sete meses, lá foi toda a família para a terra das Araucárias se deleitar com tantas informações! Por acúmulo de trabalho não consegui compartilhar todas as 20 páginas rascunhadas, tendo postado somente a PARTE I desse material.
Aproveitem!
Temos, ainda, outros posts sobre o autor/tema, confiram:
Menos adrenalina e mais ocitocina no parto - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/05/menos-adrenalina-e-mais-ocitocina-no.html.
O nascimento dos mamíferos humanos - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/05/o-nascimento-dos-mamiferos-humanos.html.
Leiam agora Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE II
Na metade do século XX houve uma masculinização do ambiente do parto, com a presença de médicos treinados e especializados para participar do parto, processo esse que se desencadeou rapidamente. Aparelhos eletrônicos foram introduzidos reforçando o simbolismo do masculino.
A ocitocina foi esquecida, bem como sua condição de "hormônio tímido", tendo esse condicionamento cultural gerado muitos efeitos.
As imagens visuais no processo de parto também foram adicionadas, com vídeos e fotos de parto, o que se tornou, segundo Odent, uma epidemia nos EUA, com inúmeros vídeos de parto natural, dando ao ambiente de parto uma não-naturalidade, no sentido estrito da palavra.
Os movimentos de parto natural também diziam: "Você não pode parir sozinha!". Um novo condicionamento cultural surgia, dando confiança ao poder da fisilogia materna, visto que para parir a mulher tem que se sentir segura, porém, não observada, para que possa liberar a quantidade de ocitocina necessária, que se comporta timidamente quando em presença de outros seres, devido a inibição neo-cortical.
Parir não é assunto para o néocortex!
Nas estruturas cerebrais arcaicas notavam-se a presença da glândula pituitária e do hipotálamo, sendo que nos Homo sapiens ocorreu o desenvolvimento do néocortex, que durante o parto precisa "parar de funcionar", descansar - um dos aspectos mais importantes da fisiologia do parto, tendo a mulher protegida de estímulos, como a fala, necessitando do silêncio, o uso da palavra no TP, porém em nossa sociedade atual leva-se tempo para "aceitar" o silêncio, onde usamos demasiamente a fala racional - "Você está com oito centímetros!". Faz-se necessário ter muito cuidado ao se perguntar qualquer coisa para a mulher durante o TP, por conta desta interferência.
A luz é outro estímulo significativo durante esse processo do parto e nascimento. Quando vamos dormir, à noite, liberamos um hormônio da escuridão, a melatonina, que sem um ambiente escuro aumenta os níveis desse hormônio.
O fato de ser observado também estimula o néocortex, que dirá de cardiotocos, pessoas e câmeras fotográficas e filmadoras.
Como aceitar esses preceitos como necessidades básicas?
Aí encontramos um grande perigo! Muita atenção! A única necessidade básica é sentir-se segura e não observada.
Quem poderia estar no parto e não "atrapalhar", fazendo com que a mulher se sentisse segura? A mãe? A parteira?
O desaparecimento das parteiras indica a falta de compreensão da fisilogia do parto, tendo esse ofício ancestral se configurado como mais um membro da equipe médica.
Qual a razão para ser parteira? Entendendo o processo fisiológico enxergamos esse motivo. Assim, uma parteira "autêntica" compreende intuitivamente e cientificamente o antagonismo entre ocitocina/adrenalina e como é contagioso! A liberação de adrenalina é contagiosa! Desta forma, a duração do TP é proporcional a liberação de adrenalina entre os presentes.
Um estudo em Provence e no Reino Unido comprovaram atividades repetitivas que reduzem o nível de adrenalina, como por exemplo tricotar! Sendo assim, manter o nível de adrenalina baixo é uma das atividades de uma parteira "autêntica", conciliando conhecimento com consciência.
A fome é também um dos fatores que desencadeia mais adrenalina, e, o que dizer das inúmeras cascatas de intervenções ocorridas nos partos hospitalares, desde o parto, nascimento do bebê até a dequitação da placenta?
Após o parto o pico de ocitocina é mais alto do que qualquer outra situação, como no orgasmo, parto, ejeção do leite, pois é um momento vital, para a descida segura da placenta sem perda sanguínea.
Existem alguns fatores que colaboram para a liberação da placenta:
- A mulher não sentir frio;
- A mulher não deve ser distraída, não devendo fazer;
- Sentir o contato com o bebê, olhar em seus olhos, sentir seu cheiro e amamentá-lo.
Isso é um parto fisiológico, ou natural, muito diferente de um parto normal, vaginal, e cultural, pois está de acordo com as regras/normas sociais, pregadas nos rígidos protocolos hospitalares.
Para fazer com que as pessoas percebam o momento atual é necessário trazer-lhes informação com embasamento científico, fazendo surgir uma nova consciência, que nos é um dever, conciliando intuição e Ciência - cá está o ponto de mutação do parto.
Hoje temos pressa! Bebês precisam nascer em datas pré-agendadas. De acordo com a data da última menstruação (DUM) versus o dia da fecundação, temos 42 semanas, mas se medirmos a altura do útero, analisar quantas vezes o bebê se movimenta, sendo preciso 10 movimentações diárias, realizar uma Amnioscopia, um ultrasom, coletar a urina e ver a taxa de hormônio da placenta, estando seu funcionamento placentário perfeito, podemos aguardar a chegada desde bebê um pouco mais.
Mas, a obstetrícia se industrializou, como Odent menciona no livro O camponês e a parteira, onde ele relaciona as transformações entre a agricultura e o nascimento. Nasceu também a estandartização do parto, com o surgimento do parto vaginal e o cesáreo. Para o autor é impossível humanizar a cesárea.
Existem tipos de cesárea: a ideal, que ocorre durante o TP, sem ser de emergência, não esperando muitas horas de indução com soro, sem uso de fórceps ou ventosa e sem perda sanguínea.
Odent nos falou que verifica-se uma proporção entre a taxa de cesárea de uma instituição hospitalar se calcularmos o n° de obstetras e o de parteiras/enfermeiras obstetras (EO).
Praticamente em todos os Países o significado da partería ganhou outros contornos.
E, como escolher seu tipo de parto, entre um parto domiciliar (PD) ou um parto normal hospitalar (PNH)?
A resposta de Odent é: "Sentir-se segura é o principal! Não há um protocolo rígido. O mais apropriado é combinar a intimidade do lar com o equipamento hospitalar. Talvez esse seja o futuro.".
Os rituais e crenças mantidas de geração em geração trouxeram alguma vantagem para as sociedades, nos seus cinco continentes, em milhares de anos? Qual o motivo? A estratégia básica de sobrevivência era dominar, seja a Natureza, o Homem, o fraco, o outro. Sempre existiram rituais de separação entre mãe/filho, seja pelo xamã, parteira ou o obstetra e sua equipe de enfermagem, incluindo o pediatra, ou até mesmo pelo padrinho! O colostro e a placenta estiveram no cerne desse rito.
Muitos esqueceram que a ocitocina é um fabuloso antidepressor, então, porque hoje muitas mulheres sofrem de depressão pós-parto?
A respeito do uso da piscina de parto no TP, ao invés de parto na água, como muitos falam, Odent utiliza essa prática desde os anos 70, tendo como objetivo evitar o uso de drogas em situações específicas, como nas dores na lombar, contribuindo para a dilatação do colo uterino, e diminuindo os níveis da adrenalina. Mas, seu uso deve ser com imersão em uma água na temperatura do corpo em um curto período de tempo, não antes do meio da dilatação, por isso não se deve planejar o nascimento na água, mesmo apesar disso ele ocorrendo.
Em 1983 Odent publicou um artigo em linguagem médica sobre a equivalência de uma anestesia com o uso da piscina de parto no TP, mas estar imersa em água na temperatura do corpo é inútil se tiver pessoas observando a mulher, já que esta necessita de privacidade e não se sentir observada, que é também uma necessidade básica de outros mamíferos.
Assim, pudemos ouvir naquela fria tarde curitibana os ensinamentos e estudos deste grande pesquisador, que muito contribuiu e contribuí com o Movimento de Humanização!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Michel Odent no Rio de Janeiro

No próximo sábado, dia 30 o obstetra Michel Odent dará uma palestra gratuita no Rio de Janeiro/RJ - Parto e Nascimento... razões para otimismo?
O evento tem início às 9h30 na Avenida Américas, 3500 - Condomínio Le Monde - Auditório Toronto - Bl Hong Kong - Barra da Tijuca.
Outras informações pelo email partoecologico@gmail.com - não é necessário fazer inscrição.
Leia também no Blog Parto no Brasil mais sobre Odent - O nascimento dos mamíferos humanos e Nascimento: da fisiologia à prática (PARTE I).
Veja também as fotos de quando ele esteve em Curitiba/PR no álbum Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer - da página Blog Parto no Brasil do Facebook.
Foto: Acervo Aobä.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Divulgação de eventos no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal

Michel Odent, obstetra e pesquisador francês que foi encarregado do Centro Cirúrgico e da maternidade estadual em Pithiviers, Paris, entre os anos de 1962 a 1985 e fundador do Primal Health Research Centre, em Londres, estará no Rio de Janeiro/RJ no dia 20 desse mês, terça-feira, na Rua Real Grandeza, 108 e fará uma roda de conversa, das 18 às 21 horas, evento aberto e gratuito, vale a pena conferir e participar! Na década de 70 ele introduziu o home-birth (parto caseiro) e os quartos com pequenas piscinas aquecidas nas maternidades. Também é o autor do primeiro artigo na literatura médica sobre o uso das piscinas de parto (Lancet 1983), do primeiro artigo sobre o início da lactação durante a 1a hora após o nascimento e do primeiro artigo "Teoria do portão para o controle da dor” na obstetrícia. Criou o banco de dados do Primal Health Research e escreveu 12 livros publicados em 22 idiomas. Foto: Acervo Espaço Aobä - workshop ocorrido em abril, em Curitiba/PR.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Workshop com Michel Odent em São Paulo/SP

Odent estará na capital paulista dia 10 de julho, sábado, das 10 às 17 horas, falando sobre vida fetal, nascimento e saúde. Inscrições e vagas limitadas! O curso será certificado pelo Primal Health Research, de Londres, para as pessoas que estiverem presentes integralmente na vivência. O investimento é de R$80,00 para estudantes, até dia 03 e R$100,00 após essa data; R$120,00 para quem não é estudante, até dia 03 e R$140,00 após essa data. O evento será na CASA JAYA, na Rua Capote Valente, 305 – Pinheiros (5 minutos do metrô Clínicas). Informações e inscrições com Mayara Boareto pelo e-mail: ma_boareto@hotmail.com

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE I


"Estamos prontos para amar?".
Foi assim que o obstetra Michel Odent iniciou sua conversa com um grupo de pessoas no Espaço Aobä, em Curitiba/PR, de diversas áreas, incluindo obstetras, enfermeiras, doulas, psicólogas, cientistas sociais etc. em abril, em seu workshop Nascimento: da fisiologia à prática, desta forma, o post de hojé é o resultado da compilação dessa prosa boa (demorou, mas saiu!)!
Nossa sociedade, tecnocrata e cartesiana, não pode aguardar, com naturalidade, a vinda de nossos bebês. A indução do parto, pelo uso de ocitocina sintética, hormônio que contribui com as contrações uterinas, é uma das intervenções mais corriqueiras, mas não aparece nos estudos científicos e nas estatísticas de parto e nascimento, assim, é impossível saber quem teve o processo de Trabalho de Parto (TP) induzido, e, por que não falamos disso? Será apenas "um detalhe"? Por que tantas mulheres precisam de ocitocina sintética? Elas não conseguem naturalmente liberar esse hormônio fundamental para o parto? Será que o lugar em que elas estão parindo influencia? A ocitocina atravessa a placenta? Atinge o bebê? A quantidade introduzida de ocitocina é muito maior do que a produzida pela glândula perianal?
Na literatura médica encontramos apenas um estudo de 1996, de um jornal de Medicina Fetal e Materna em que foram relacionados os índices de ocitocina produzida pela mãe e a sintética introduzida na veia e na artéria umbilical e o que se concluiu, portanto, é que a ocitocina atravessa sim a placenta, assim, quando a mãe recebe ocitocina sintética o bebê também recebe, indo para seu cérebro e ocasionando durante seu efeito estresse nesse precioso momento de vida extra uterina, com a interação dos genes e do ambiente.
Desta forma, interferimos rotineiramente e continuamente no sistema ocitocinógeno dos humanos, que também interfere na vida social e na capacidade de amar.
Atualmente, passamos por um momento de revolução cultural e questionamos o uso demasiado dessa substância, utilizada mundialmente, e reavaliar as estatísticas é de suma importância, pois esse fato não é um "mero detalhe".
Algumas doenças comuns em nossa sociedade estão associadas ao sistema ocitocinógeno, como o autismo e a anorexia, então, vale questionarmos o uso de ocitocina sintética durante o TP. Como conclusão, podemos perceber que estamos no caminho de redescobrir o que há de básico na fisiologia do parto e esquecer tudo o que já foi dito e estudado.
Fisiologia - Período Perinatal: qual a necessidade da mulher no TP?
Podemos redescobrir hoje essas necessidades depois de tantos anos de aplicação científica/cultural/ritualística?
No século XX, descobrimos através de um acúmulo de informações que o bebê precisa da mãe, mas algumas sociedades separam mãe e bebê após o parto, tendo a amamentação atrasada, seja por mitologias culturais ou tecnologias científicas, assim, o instinto protetor agressivo da mãe, inato, é reprimido, anulado pelas culturas, crenças e rituais, sendo o colostro, considerado nos cinco continentes, um fluido que faz mal, justificando, portanto, a separação, mesmo sendo tão precioso... outras crenças também são transmitidas, ritualizadas e difundidas, como o corte do cordão umbilical e a expulsão da placenta.
Nos anos de 1953 e 1954, em um hospital de Paris, ainda como estudante de Medicina, Odent pode acompanhar os procedimentos de parto e nunca os bebês ficavam com as mães após o nascimento, a parteira cortava o cordão e o bebê era separado, comprovando o condicionamento cultural pelo qual sofremos.
A partir de testes de controle randomizados, e a introdução do contato entre mãe/bebê, pele a pele, através da autorização de cômites éticos e a defesa de que o bebê precisa de sua mãe verificou-se a presença de hormônios que flutuavam nesse período perinatal e a produção de anticorpos, assim, se não interferimos na relação mãe/bebê e o filhote encontra o seio na primeira hora após o parto uma imunização bacteriológica natural acontece.
O bebê precisa de sua mãe!
Essa descoberta de suma importância é também aceitável?
Os exemplos tem demonstrado que sim!
Alojamento conjunto: mãe e bebê juntos versus Berçário.
Cuidado Mãe Canguru: criado em Bogotá, na Colômbia, em 1979, sendo a mãe a melhor incubadora.
Mesmo essas práticas serem aceitas intelectualmente tais descobertas culturalmente não foram tão aceitáveis.
Um outro ponto nesta discussão é a presença do pai durante o TP e parto, sendo uma nova "doutrina" aplicada, além das atendentes de parto, com uma nova geração de parteiras e doulas. Desta forma, se foi possível no século XX redescobrir que o bebê precisa da mãe também podemos redescobrir as necessidades da mulher durante o TP.
Nesta perpectiva temos dois entraves que atrapalham o processo fisiológico do parto e nascimento: a Ciência e a cultura, portanto, qual a razão para otimismo?
A fisiologia ultrapassa e supera as intervenções científicas e culturais! A grande questão é o antagonismo entre ocitocina e adrenalina, visto que quando os mamíferos liberam adrenalina não podem liberar ocitocina, o hormônio que facilita as contrações uterinas para o parto e expulsão da placenta e sensações como medo, frio, sentimento de estar acuado ativam o neocórtex, parte do cerébro responsável por "pensar", que garantiu o desenvolvimento dos humanos, produzindo mais adrenalina!
Durante o parto ou outros processos sexuais inibições do neocórtex interferem no desenvolvimento dos mesmos, assim, quando falamos de fisiologia do parto temos que centralizar na ocitocina, como ocorre sua liberação, quais são os fatores para a sua produção, tendo em vista que em pessoas tensas e ou observadas age como um "hormônio tímido", portanto, temos que verificar as situações que dependem da liberação da ocitocina.
Tanto a ocitocina como a endorfina estão presentes em todos os processos sexuais, reflexo de ejeção, como da ereção, do esperma, da lubrificação vaginal, do feto, do leite.
Em todas as sociedades, até àquelas em que são mais livres, casais se isolam para copular. No reflexo de ejeção do leite, por exemplo, quando a mulher está sozinha, em um lugar escuro, com portas e janelas fechadas esse processo é mais fácil.
Mas, existem estratégias para não observação quando se está parindo? Em sociedades pré agriculturas, mulheres se isolavam para parir, comprovados em documentos antropológicos, assim, os partos ocorriam na floresta, em casas específicas para o parto e quando acompanhadas eram de uma figura materna, como a mãe, avó, tia, parteira ou outra mulher, nesta medida a origem do ofício das parteiras surge como protetoras do espaço.
Mas, as coisas mudaram de lá para cá...
Atualmente, o parto é um evento socializado! Esqueceram que a ocitocina é um hormônio tímido.
E o papel da parteira ganha outros contornos. Antes ela era a mãe ou outra mulher experiente, hoje ela tem o controle do processo, guia a mulher, realiza alguns procedimentos de intervenção, como o uso de ervas, massagens, toques para acelerar o TP ou aliviar as dores da parturiente; quando as mulheres começaram a parir em suas casas o processo de socialização do parto se desenvolveu, e isso historicamente é recente, tendo início em meados do século XX, quando ainda parto era assunto de mulher e ser obstetra era usar o fórceps; ninguém, ainda, antes disso, tinha pensado no acompanhante de parto e na presença do homem nesse momento.
Foto: Acervo Espaço Aobä.
* Quer ler mais sobre Michel Odent no Blog Parto no Brasil? Clique aqui! *

segunda-feira, 24 de maio de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Michel Odent em Curitiba - 06 de abril

O evento "Nascimento: da fisiologia à prática" é um workshop com palestra de Michel Odent e será realizado no Espaço Aoba. Odent apresentará seus últimos trabalhos sobre a fisiologia e a prática de assistência ao nascimento, bem como mediará discussões de propostas de humanização dentro da realidade brasileira de assistência à saúde da gestante e da mãe. Nesse sentido, ele tratará, entre outros temas, das conseqüências para a sociedade brasileira dos exagerados níveis de cirurgia cesariana que se observam atualmente no nosso País. Michel Odent é o obstetra francês conhecido por introduzir no hospital de Pithiviers na França, o conceito de sala de parto como casa e da utilização das piscinas de parto. Autor da famosa frase "Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer". Vai falar também do caso brasileiro especificamente, das altas taxas de cirgurgias cesarianas. Fundador do centro de pesquisa Primal Health Research Centre em Londres, que tem como objetivo estudar as correlações entre o que ocorre no “período primal” a saúde e o comportamento adulto. Autor de 12 livros publicados em 22 línguas e mais de 50 artigos científicos. Não é grátis. Para participar: R$200,00 para inscrições até 31/03 ou R$250,00 após esta data. Inscrições e informações : (41) 3042 5559 ou mario@aobabebe.com O evento será dia 06 de abril, terça-feira, das 9h30 às 18h, no Espaço Aobä, na Rua Gal. Aristides Athayde Junior, 1025, Bigorrilho, em Curitiba-PR

quinta-feira, 11 de março de 2010

III Curso de Atualização - A ecologia do parto e nascimento


Heloisa Lessa* e Michel Odent** convidam:
III Curso de Atualização
A ecologia do parto e nascimento
Objetivo: Oferecer evidências científicas atuais aos interessados em renovar/niciar sua prática profissional acompanhando mulheres, durante a gravidez, parto e amamentação. O curso tem como base a fisiologia da mãe e do bebê e as conseqüências à longo prazo na saúde do indivíduo do que ocorre no Período Primal (da concepção até o 1° ano de vida).
Aula Inaugural dia 9 de abril
Palestra com MICHEL ODENT: Razões para Otimismo - As conseqüências da Mid-Atlantic Conference on Birth and Primal Health
Encontro mensal: Sexta-feira, das 17h às 21h e Sábado, das 9h às 13 h.
Local: Gestos - Rua Conde Afonso Celso 99, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.
Revisão bibliográfica atual em português e inglês.
Trabalho corporal, dinâmicas e atividades interativas.
Investimento: Pagamento mensal (9 meses) de R$ 330,00.
Matricula: R$ 100,00 – a ser realizada durante entrevista e entrega de material.
Certificados fornecidos pelo Primal Health Research Center.
*Heloisa Lessa é enfermeira obstetra / parteira e mestre em Enfermagem. Atende a partos em casa planejados no Rio de Janeiro desde 1989. Tem experiência de trabalho com as parteiras tradicionais e a população indígena brasileira. É internacionalmente conhecida.
**Michel Odent, obstetra francês conhecido pelos conceitos de sala de parto como casa e da utilização das piscinas de parto. Fundador do centro de pesquisa Primal Health Research Center, em Londres. Possui 12 livros publicados em 22 línguas e mais de 50 artigos científicos.
Mais informações e programação completa escrevam para: heloisa.lessa@terra.com.br
Tel.: (021) 2232-2445
Ilustração: Zuza.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A subjetividade da dor do parto

Bianca Cruz Magdalena


A dor sentida (ou não) durante o trabalho de parto é muito subjetiva, pois cada mulher tem suas próprias sensações, diríamos que ela seja relativa a cada experiência e vivência enquanto pessoa, pelos caminhos já percorridos, por acontecimentos vivenciados no passado, mas o foco é que por conta dessas ditas dores que a medicalização do parto ocorreu, por volta de 1920, com o “sono do crepúsculo”.
As intervenções propostas nessa época pelo obstetra norte-americano Joseph DeLee, que salientava o caráter patológico do parto e os usos indiscriminados do fórceps, da episiotomia e de substâncias que acelerassem o nascimento, como o ergot e que sedassem a “paciente”, como o éter e o clorofórmio, ganharam força, assim, já na década de 30, a profilaxia na obstetrícia era norma rotineira (ODENT, 2003).
Pessoalmente, em minha primeira gestação, de Ícaro, hoje com pouco mais de sete anos, não senti fisicamente esta dor, por um laudo de distócia e bolsa rota há 12 horas, sem nenhuma contração como sinal, mesmo com uso de ocitocina sintética, fui submetida à cesariana, onde fiquei anestesiada por uma combinação de morfina e raqui. Meu filho nasceu, no auge da Copa do Mundo de 2002, assunto comentado pela ginecologista obstetra (GO) e anestesista durante a cirurgia, sendo que após seu nascimento, nada humanizado, ele já foi levado para o pediatra e sabe Deus (e nós sabemos!) por quantas intervenções a cria passou, pauta essa que apetece meu coração ao imaginar como bem-vinda foi sua recepção ao mundo, com a ausência de sua mãe, de seu seio, do nitrato de prata pingado em seus olhos, da vitamina de Potássio (K) injetada, das vacinas para imunização, enfim...
Já com o nascimento natural e domiciliar de Rudá, há cinco meses, amparado por uma parteira obstetriz, em um trabalho de parto ativo de 32 horas vivi plenamente minha função de mulher, mãe e mamífera; a cada contração e abertura de meu colo uterino podia perceber que sua chegada se aproximava, escutava a bacia se alargando e dando espaço a passagem, imaginava meu filhote em meus braços, no calor de meu peito, sem intervenções e interrupções bruscas, em prol da segurança neonatal e hospitalar de seus protocolos inóspitos. E, assim, ele chegou, em nosso quarto, no chão, a luz de velas, na penumbra da noite chuvosa e fria de inverno, ao lado das montanhas, nos braços do mar!
Doeu? Sim! E muito! Mas, revivendo e relembrando consigo entender o porquê dessa dor e consigo compreender as falhas hormonais que tive, visto que a ocitocina, que colabora para que o útero se contráia e a endorfina, que funciona como um analgésico, foram perseguidas pela adrenalina dessa aprendiz de parideira...
De qualquer forma, faria tudo novamente!
O parto é um momento único na vida da mulher e também de seus familiares, é um processo fisiológico, parte da natureza humana; nosso corpo, tal como uma máquina, possuí todas as funções para que esse evento ocorra e as mãos do homem, nessa medida, devem agir quando necessárias, caso seja preciso um resgate.
_ ODENT, Michel. O camponês e a parteira. São Paulo: Editora Ground, 2003.
Desenho de Tulipa Ruiz_Parto para chegar_

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