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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A legislação brasileira e a violência institucional no parto e nascimento - VIII COBEON (2013)

Entre os dias 30/10 e 01/11/2013, foi realizado, em Florianópolis-SC, o VIII COBEON – Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal. Promovido pela ABENFO – Nacional e organizado pela ABENFO-SC e Departamento de Enfermagem da UFSC, o evento reúne centenas de profissionais que trabalham diretamente com o ciclo gravídico-puerperal. 

O grupo de pesquisa Gênero, Maternidade e Saúde esteve representado por alunas e as docentes líderes, as profas. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz (FSP/USP) e Dra. Camilla Schneck (EACH/USP).

A advogada Prisicila Cavalcanti apresentou uma série de marcos legais que protegem as brasileiras da violência obstétrica. Confira a íntegra do trabalho na imagem abaixo.

Priscila Cavalcanti, que também é doula em São Paulo-SP, considera ainda que o trabalho apresenta um “panorama geral” dos marcos legais, não incluindo as normas vigentes que decorrem de tratados internacionais ratificados pelo país.




Você também pode enviar seu trabalho apresentando no COBEON para publicação no Blog Parto no Brasil. 
Escreva para lunabianka@yahoo.com.br

segunda-feira, 25 de março de 2013

Violência obstétrica por todos os lados! Como denunciar

"Estamos em um tsunami de informações sobre violência obstétrica e parto humanizado, nas mídias sociais, e em parte da grande imprensa." Comenta Profa. Dra. Simone Diniz, do Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde da FSP/USP, sobre a quantidade de mulheres que estão desejando promover o debate sobre suas experiências com o parto e nascimento dos filhos.

Contamos com a força e coragem de centenas de mães que estão muito bem dispostas a escancarar suas dores e incertezas, politizá-las, e buscar justiça. Elas nos revelam uma perspectiva muito importante para aprendermos sobre como podemos melhorar a atenção à saúde, o acolhimento das pacientes e familiares.

Quando denunciamos a violência obstétrica, estamos avaliando a qualidade da assistência que é prestada para os dois grandes grupos populacionais: as mulheres atendidas no SUS e as consumidoras dos planos de saúde.

São estas duas as condições que acabam por determinar seus dois tipos de parto: a cesárea para o plano, maior parte delas agendadas; e o parto normal completamente inadequado para favorecer a experiência das mulheres: com manipulação excessiva, em posição litotômica, e sem acompanhante (nesse setor, a taxa de cumprimento da Lei do Acompanhante está em somente 36%, cresceu apenas 20% em seis anos) - a principal medida de conforto e segurança das mulheres contra a violência obstétrica.

A reportagem de Andrea Dip para a Pública - Agência de Jornalismo Investigativo, Na hora de fazer não gritou, foi publicada hoje cedinho, e à tarde já havia superado a marca dos cinco mil compartilhamentos.

Acesse Na hora de fazer não gritou

Há nove anos, Andrea pariu seu filho, em São Paulo-SP, e foi desrespeitada pela equipe assistencial. Hoje, nos emociona com sua reportagem sobre Violência Obstétrica e a qualidade da assistência obstétrica no Brasil, e também nos honra com sua força: "o movimento ganhou mais uma militante", ela escreveu em e-mail pessoal.

Enquanto isso, no importante e maravilhoso Eu quero parto normal (aqui!), Marília Mercer, doula e companheira de ativismo em Londrina-PR, publica seu depoimento de um parto acompanhado na sexta-feira, em nossa maternidade municipal.

Este é um serviço público de saúde, que atende partos de baixo risco, e constitui em campo de estágio e internato para os estudantes de Medicina e Enfermagem da UEL. Tem histórico de praticar pouquíssimas episiotomias, confira na entrevista gravada em 2012, para a Rádio UEL, aqui, ou no post então intitulado A Violência Invisívelaqui.

Mas Marília Mercer viu uma realidade completamente diversa daquela gravada há um ano. E também não deixou a violência ficar invisibilizada. A realização de uma episiotomia em multípara, sem qualquer respaldo clínico, sem o consentimento da mulher, é lesão corporal grave. Por três dias, ela me disse que queria denunciar, e então, em mais uma magia da vida, Ligia Moreiras Sena resolveu organizar a compilação das informações que ela tinha obtido em junho de 2012, mas que estavam lá no cantinho do Cientista Que Virou Mãe. Ei-la.

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Por Ligia Moreiras Sena, na Fanpage Cientista Que Virou Mãe

Essas são orientações fornecidas pela Secretaria de Direitos Humanos e pela Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República. 
Como denunciar?
A orientação é a seguinte: a violência no parto enquadra-se como violência contra a mulher e, portanto, não entra como "ofensa aos direitos humanos", já que temos uma lei específica para violência contra a mulher no Brasil. Se fosse violência contra o nascituro, seria possível denunciar via Secretaria de Direitos Humanos, mas como a denúncia é contra a mulher, é necessário acionar o serviço 180, da Secretaria de Política para Mulheres. Ainda assim, a atendente fez questão de enfatizar qual seria o procedimento: primeiro, registrar um boletim de ocorrência. Segundo, entrar em contato com o Ministério da Saúde (diretamente ou via Secretarias) e denunciar, tendo em mãos o nome do profissional de saúde (seja médico ou enfermeiro) e seu registro profissional. São dois processos diferentes e o profissional será chamado em ambos os casos para prestar esclarecimentos. Nessa etapa, pode ser ou não solicitado um advogado, que pode ser um defensor público. Orientação da atendente: somente como última etapa, acionar o CRM ou o COFEN. Após essas orientações, pediu que eu ligasse no 180.
Orientação do serviço 180: fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima da sua residência, não precisa ser delegacia da mulher. É preciso o nome do profissional, o local de trabalho e todas as informações que a mulher conseguir coletar. Na sequência, denunciar à unidade do Ministério da Saúde mais próxima, com as mesmas informações sobre o profissional.
Nesse serviço 180, a atendente afirmou que a abertura de uma denúncia no CRM ou COFEN pode ocorrer paralelamente, mas que por se tratar de violência contra a mulher, esse caminho de denúncia via B.O. e Ministério da Saúde é bastante indicado, porque o profissional seria implicado criminalmente, além de profissionalmente.
E que, por cair na área de violência contra a mulher, outra pessoa que não a vítima pode fazer a denúncia, em função da alteração recente que houve na legislação.
A atendente reforçou o fato de que, em todas essas etapas, a mulher pode – e deve – ir ligando para o 180 para receber outras informações, apoio, encaminhamento para centros de referência e demais orientações para levar a cabo a denúncia. Se precisar da defensoria pública, sugeriu entrar em contato novamente com o 180 que eles indicam telefone e endereço.
IMPORTANTE!
A indicação é fazer um boletim de ocorrência dando nomes aos bois (fui xingada, fui humilhada, me amarrou, me bateu, gritou comigo, me ameaçou, impediu meu acompanhante de entrar - é lei!, e tudo mais), não usando o tempo VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, que ainda não é conhecido.
Ligia Moreiras Sena
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Faz pouco mais de um ano quando eu percebia o quanto era difícil, para as pessoas em geral, associar os maus-tratos no parto à violação dos direitos da mulheres. Hoje estou feliz por estar mais otimista: o manto da invisibilidade está caindo, e vai continuar caindo cada vez mais. 

A violência obstétrica está por todos os lados: as mulheres estão denunciando massivamente. E elas choram quando nos contam suas histórias, mesmo que uma década tenha se passado. E nós queremos aumentar suas chances de obter informação sobre o modelo obstétrico que defendemos, porque sabemos que é mais seguro para a saúde da mãe e do bebê, dentro do qual parimos e gostamos, muito.

Gostamos da ética, da estética, dos cheiros e dos sabores e das dores de um parto fisiológico seguro, favorecido, respeitado, bem acolhido e monitorado.

Hoje, vejo que temos como o mais urgente desafio a formalização jurídica de tal conceito: Violência Obstétrica. Para facilitar o acesso de TODAS as mulheres à denúncia e apreciação da assistência recebida. Para que haja regulamentação também por parte dos Conselhos profissionais, da ANVISA, das empresas hospitalares e operadoras de planos de saúde. Para que o Ministério da Saúde perceba a importância de estabelecer o monitoramento de todas as intervenções no parto: rotura de bolsa, episiotomia, litotomia, kristeller, tudo o mais. Para que implementem protocolo para formulários de qualidade preenchidos pelas mulheres e seus acompanhantes de parto.

Por Carla Raiter, na Fanpage Projeto 1:4

Muitas ações já despontam como estratégias, como Carla Raiter publicou em seu Projeto 1:4, ou a Cientista Que Virou Mãe, e a advogada Gabi Sallit em sua jornada ao lado de Ana Paula Garcia, a partir da qual publicou a Campanha Tenha Seu Pronturário.

Percebendo, hoje, que a violência obstétrica está por todos os lados, pergunto: quais são os principais desafios colocados para os nossos processos individuais contra a violência obstétrica? Como podemos agir para ampliar a efetividade dos direitos para um número cada vez maior de mulheres? Como podemos burocratizar (sim, ela é necessária, e requer organização, planejamento, advocacy) o poderoso Mapa da Violência?

Definição de violência obstétrica estabelecida na Ley Orgánica sobre el 
Derecho de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia (Venezuela, 2007) 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Saúde Materna: Convite para participação em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP

O Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP) convida a comunidade à participação na pesquisa 'Riscos e Benefícios dos Modelos de Assistência ao Parto: Perspectivas de Usuárias/os e Profissionais'.




Quem pode participar?

  • Mulheres que tiveram seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Homens que acompanharam o nascimento de seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Profissionais de saúde e gestores que trabalham em serviços SUS ou na Saúde Suplementar: Ginecologistas e Obstetras, Pediatras e Neonatologistas, Anestesiologistas, Enfermeiras Obstetras, Obstetrizes.


Como é a participação na pesquisa?

  • Trata-se de um estudo qualitativo, com realização de entrevistas. Duração prevista: cerca de 30min.
  • A participação é voluntária; os dados são sigilosos e anônimos. Os participantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.


Onde serão realizadas as entrevistas?

  • Em local de preferência e escolha dos entrevistados: no domicílio, no serviço de saúde, em local de trabalho, ou no espaço da Faculdade de Saúde Pública da USP - Metrô Clínicas;
  • A pesquisa prevê também o uso da Internet (Skype) para gravação de entrevistas, com participantes de outras cidades e regiões ou aqueles que assim preferirem.


Quando serão realizadas as entrevistas?

  • O período de entrevistas começa em 10 de julho e termina em 31 de agosto de 2012.


Como obter mais informações ou realizar inscrição para participar da entrevista?

  • Escreva para escolhasnoparto@gmail.com para sanar dúvidas ou declarar interesse em participar.

sábado, 23 de junho de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Médicas em defesa da saúde das mulheres


Nesta Seção Multimídia, o Blog Parto no Brasil valoriza a ação de duas médicas brasileiras, importantes nomes do modelo de atenção de atenção humanizado. Esta semana, elas circularam mensagens importantes que nos esclarecem sobre a dinâmica de trabalho dos sistemas de saúde, sobre como a organização dos serviços é estratégia eficiente para melhorar a qualidade da atenção e do cuidado que recebemos para o parto e nascimento.

Abaixo, a neonatologista Ana Paula Caldas, durante a Marcha do Parto em Casa, em Campinas-SP, no dia 17 de junho de 2012.


Em seguida, replicamos o post de Simone Diniz, médica e docente da FSP/USP, atualmente desenvolvendo a pesquisa "Riscos e benefícios dos modelos de atenção ao parto: Perspectivas de usuárias/os e profissionais". Publicado originalmente em seu perfil no Facebook.

Para quem viu a Marcha do Parto em casa esses dias, quando mulheres (e crianças, e homens, e profissionais de saúde) saíram às ruas de mais de 20 cidades no Brasil em nome do direito à escolha e ao próprio corpo.
Acaba de sair a versão resumida dos principais resultados da coorte de nascimentos do Reino Unido, um estudo aqui do SUS deles (NHS), incluindo as questões do acesso/equidade, os principais resultados maternos e neonatais, os estudos de custo efetividade, e de estrutura/processo/instituições, comparando o parto em hospital, em casa de parto (midwive-led units), e em casa. Em inglês - acesse aqui a pesquisa Birthplace in England.

Muito bom para entender o que está dizendo a turma do Marcha do parto em Casa. Vejam a diferença em segurança que faz ter um sistema que apoia a escolha, organiza a referência, faz seleção de risco e investe na formação de profissionais para este modelo.

Não são lindas estas mulheres que lutam? O Blog Parto no Brasil também é grato à Ana Paula e Simone por seu empenho, dedicação e comprometimento com as mulheres.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Adoecer e morrer para dar à luz


Hoje, 28 de maio, é Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres, e Dia Nacional pela Redução das Mortes Maternas.

Todo o país está marcando a data, com eventos que tratam desta questão: direitos humanos fundamentais das mulheres de receber assistência obstétrica de qualidade e em momento oportuno. Confira no mapa.

Não podemos aceitar que nenhuma mulher morra por falta de ou demora no atendimento à gestação, parto e pós-parto. 
Melhorar a qualidade da assistência, que é praticamente universal, é o principal desafio.

Enquanto a imprensa oficial do governo anuncia a redução em 21% das mortes maternas em 2011, em comparação com o mesmo período de 2010 - e justifica a melhoria em decorrência de ações do Programa Federal Rede Cegonha, e também pela implementação do Cadastro Nacional de Gestantes (sim!!! a MP 557 e o não-diálogo com a sociedade estão vigentes!!!) - convidamos você leitora, a conhecer o artigo de Simone Diniz, publicado em 2009, sobre o porquê melhoramos as condições de saúde geral dos brasileiros, em detrimento da saúde das gestantes brasileiras. Confira abaixo o resumo, e acesse aqui o artigo original (Gênero, Saúde Materna e o Paradoxo Perinatal).
Nos últimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saúde materna no Brasil, assim como grande ampliação do acesso aos serviços de saúde. Paradoxalmente, não há qualquer evidência de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensão deste paradoxo, através do exame dos modelos típicos de assistência ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudança para uma assistência mais baseada em evidências sobre a segurança destes modelos, sua relação com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistências à mudança dos modelos. 
Confiram também a excelente reportagem de Eliane Brum e Cristiane Segatto, de 2008, Elas morreram de parto. Acesse aqui - são 5 páginas imperdíveis!

Arquivo Pessoal
Elas morreram de parto. Muitas outras mulheres não morrem, mas chegam a ficar em estado mórbido. 

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que ocorram até 20 casos de morbidade materna por cada morte materna registrada. Então, tomando como exemplo a cidade de Londrina-PR, que registrou 5 mortes maternas em 2011, podemos supor que outras 100 londrinenses tenham tido severa complicação de saúde. A Pesquisa Nascer no Brasil poderá também dimensionar a quantidade de mulheres que adoecem, e em que medida padecem, as brasileiras que têm filhos.

O Conselho Nacional de Saúde reunirá diversas vozes do movimento de mulheres, e do governo, nos dias 28 e 29 de maio, em Brasília-DF, para o debate conforme a seguinte programação. Está excelente!

Evento promovido pela Prefeitura de Londrina-PR, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Este ano, o IV Encontro A Saúde da Mulher no Ciclo da Vida abordará a qualidade da assistência ao parto, com destaque para a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento.

E, por fim, linkamos o relatório da ONU, publicado em 16 de maio de 2012, em inglês, que estima a redução global das mortes maternas, mas alerta para o fato de que 800 mães morrem diariamente em todo o mundo.


Você conhece alguma mulher que ficou seriamente doente logo após o nascimento de um bebê - e até 42 dias depois? 
Que precisou ser hospitalizada, receber transfusão sanguínea, ou cuidados intensivos (UTI)?
Quais foram os problemas identificados? Como foi a assistência ao parto que ela teve?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Episio não!

Este post foi motivado principalmente pela dúvida de uma leitora do blog Parto no Brasil.

"Eu gostaria de saber se vcs conhecem mulheres que usaram o EPI-NO, um instrumento à pressão usado para trabalhar o períneo de grávidas. Se vale a pena ter." 


Pessoalmente, não tinha recordações sobre tal aparato tecnológico. Fui ao Google. E então, prontamente direcionada ao ótimo blog da fisioterapeuta e doula Renata Olah. De lá, parti para o link de um comentário: 


Pois trata-se de um site da empresa que vende EPI-NO no Brasil. O aparelho promete tonificar o assoalho pélvico, portanto, trata especificamente de trabalhar com períneo íntegro, lesão espontânea ou episiotomia. Então, vamos observar como as coisas estão organizadas em nossa sociedade, para nós e o nosso corpo.

Os filmes explicam que o objetivo é obter um volume similar ao tamanho da cabeça de um bebê. Observem a reação com o tamanho do balão no primeiro filme, com mulheres dos EUA; já o varão no vídeo abaixo, não infla o produto da mesma maneira, o mantém em menor proporção. 



Fora do universo engajado na humanização, não raro, a episiotomia é defendida como salvadora das entranhas das mulheres, sem a qual todas se destroçarão. Neste mesmo mundo perverso, a cesárea, muitas vezes, é vendida como instrumento cirúrgico de preservação da integridade física do períneo das mulheres - não só durante o parto, mas meses após, para sempre "lesionadas" pela elasticidade do expulsivo? 

Voltando ao site do EPI-NO, encontramos as seguintes informações:

Episiotomia
Pequena incisão realizada no períneo que permite ao feto sair mais facilmente no final do período de expulsão.
Sexualidade no pós parto
Um dos aspectos mais importantes da recuperação pós parto é a “reconciliação” com o seu próprio corpo, especialmente com a zona genital. Depois do parto, o retorno da vagina às suas dimensões normais e consequentemente a qualidade das relações sexuais, está ligada à tonicidade do períneo.
Caso tenha sido um parto via vaginal, deve ter presente o risco de infecção na episiotomia, que deve estar cicatrizada antes de o casal iniciar as relações sexuais. Na prática, a episiotomia pode provocar dor, ardor e incômodo na relação, uma vez que sendo uma região húmida, dificulta a cicatrização.

Pequena incisão? Sair mais facilmente? Pode provocar dor, ardor, incômodo na relação? Acorda Alice! Ou, levante-se mulher! Qualquer corte cirúrgico dói! E torna cicatriz! 

Então qual é a charada? - "Qual é a polêmica com a episiotomia?" - como perguntou certa vez uma acadêmica de enfermagem durante palestra de Mary Zwart no interior do Paraná, me provocando risos.

A resposta está no eixo do seu corpo, mulher - é vertical ou horizontal.


Com liberdade de posição ou presa ao protocolo do profissional que está á sua frente.
Com respeito ao tempo da fisiologia ou com alarme programado, "porque, depois que vai para a litotomia, tem que nascer em 15 minutos" 



Acompanhante engajado, doula, água quente, massagem, assistência profissional especializada, hands off. Eles te ajudarão a proteger teu períneo. E especialmente o teu autocuidado em realizar os exercícios. Recomendo esta versão, da Cartilha Fique Amiga Dela, de Simone Diniz - minha orientadora, com muito prazer, líder do Grupo de Pesquisa CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP). Na página 15.

É tão incoerente esta atitude de valorização da tecnologia acima de qualquer coisa. E quando este valor é somado ao "medo do parto normal" (e é de dar medo mesmo, eu tenho muito medo de violência verbal, kristeller, episiotomia, fórceps, assistência técnica de má-qualidade, tudo isso sem analgesia) - pimba! 52% de "parto cesáreo" e períneos íntegros. E, hoje à noite, o Prof. Dr. Zugaib vai falar 45min sobre "A Cesárea nos Dias Atuais", durante lançamento do livro Ética em Ginecologia e Obstetrícia.


Exercícios para músculos do assoalho pélvico devem ser praticados por todas as pessoas. Muito especialmente por aquelas que se cuidam, e que estiveram grávidas, independente da via de nascimento dos filhos.

A leitora é que está certa. Buscando informação para melhorar, prevenir o que for possível. Alguém tem experiência que possa compartilhar?

domingo, 6 de novembro de 2011

Post Extraordinário - Parto (In) Seguro: Experiências no Brasil e no Reino Unido

Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
O que as próprias mulheres podem fazer para melhorar a qualidade do seu cuidado?
Como aumentar a segurança e referência para os partos fora do hospital?
Cartaz de Bia Fioretti
O Brasil não tem conseguido reduzir a morbimortalidade materna, e enfrenta um aumento de nascimentos de bebês prematuros e de baixo peso. São resultados de problemas de vigilância, avaliação e planejamento das ações em saúde, todas permeadas por dimensões culturais.
Por meio do SUS, o país tem conseguido uma grande vitória que é a universalização do cuidado à saúde. Agora, é hora de dar atenção à qualidade e à segurança do cuidado.
Intervenções benéficas e seguras, como grupos educativos no pré-natal, presença de acompanhantes no parto, garantia da privacidade das pacientes, e recursos não-farmacológicos para alívio da dor, não têm sido oferecidos à maioria das mulheres, nem quando previstos em lei. Pesquisas brasileiras mostram taxas de depressão e estresse pós-traumático pós-parto mais alto que em outros países.
No Brasil, a assistência ao parto se caracteriza pelo uso excessivo de intervenções como cesáreas, episiotomias, fórceps e aceleração do parto com drogas. Tais intervenções podem levar a conseqüências adversas à saúde de mães e bebês: no curto prazo (período perinatal), e em alguns casos, com implicações para o resto da vida.
Estes aspectos do cuidado e suas conseqüências são problemas de segurança e de qualidade da assistência, e devem fazer parte dos sistemas de informação em saúde.
As Metas do Milênio propostas pela ONU, além de provocarem algumas transformações concretas, servem também como um tipo de diagnóstico da situação atual. A expectativa é de que a Meta do Milênio número 5 (redução de três quartos da mortalidade materna entre 1990 e 2015) não será alcançada, em nenhum estado do país.
A Faculdade de Saúde Pública da USP quer enriquecer este debate e, para isso, convida a comunidade para o encontro da Profa. Jane Sandall, do Reino Unido, com três especialistas brasileiras: Dra. Sonia Lansky, de Belo Horizonte, MG; Dra. Maria Esther Vilela, de Brasília-DF; e Dra. Simone Grilo Diniz, docente na FSP/USP. (Confira mini-cvs abaixo).
Como mudar este quadro? Venha discutir conosco!
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Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
Data: Quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório João Yunes, Faculdade de Saúde Pública da USP
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo – SP (Metrô Clínicas)
Público alvo: Gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, usuários da saúde, movimentos de mulheres
Inscrições gratuitas, certificados e informações: svalunos@fsp.usp.br
Haverá tradução simultânea.
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Convidadas:
Jane Sandall é socióloga e parteira (midwife), coordenadora do Centro de Pesquisa sobre Inovação na Segurança dos Pacientes e na Qualidade da Assistência, do Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, sediado no King's College London, onde é professora na Divisão de Saúde da Mulher.
Sonia Lansky é médica pediatra, coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, MG. A experiência de "BH pelo parto normal" é destaque internacional, tendo sido premiada pela OPAS/OMS Brasil, em 2011, no concurso Boas Práticas em Iniciativa de Maternidade Segura.
Maria Esther Vilela é médica obstetra, coordenadora da Área Técnica da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, Brasília, DF. Está à frente da implementação da Rede Cegonha, projeto de governo que prevê, entre outros, a efetivação da "linha do cuidado às gestantes", em âmbito municipal.
Simone Diniz é médica, doutora em Medicina Preventiva, livre-docente do departamento de Saúde Materno-infantil da FSP/USP. Líder do grupo de pesquisa do CNPq GEMAS (Gênero, Evidências, Maternidade e Saúde), e coordenadora da Pesquisa Nascer no Brasil na região Sudeste.
gemas.usp@gmail.com
Realização
GEMAS (Gênero, Maternidade, Saúde)
Apoio
Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP/USP Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx/FSP/USP)
Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP
OMS/OPAS Brasil – Unidade Técnica Saúde da Mulher, do Homem, Gênero e Diversidade Cultural
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Áreas Técnicas de Saúde da Mulher e da Criança
Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo - SECONCI-SP
Instituto Camargo Corrêa GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
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Por Ana Carolina A Franzon e Simone G Diniz
Gênero, Maternidade e Saúde - GEMAS/FSP/USP

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Novos padrões para nascer

Com participação da USP, pesquisa nacional sobre parto e nascimento questiona o uso indiscriminado da cesariana e alerta para seus efeitos nas mães e nos recém-nascidos
Por Sylvia Miguel
No Brasil, um dos principais argumentos utilizados a favor da cesariana e da episiotomia de rotina é que o parto vaginal provoca flacidez dos músculos, comprometendo a atratividade sexual das mulheres. O excesso de estimativa de risco fetal ou a dor materna também desencadeiam a demanda por cesariana. Mas também os horários e conveniência dos médicos, especialmente no setor privado, colaboram para a prática indiscriminada da cesariana. No setor público, um argumento usado especialmente na década de 1990 é que a cesariana aliviaria a lotação de leitos.
Um grande retrato da assistência em saúde no Brasil vem sendo produzido por um consórcio de instituições de pesquisa e ensino e revelará em breve a magnitude das intervenções rotineiras desnecessárias relacionadas ao nascer. Trata-se da pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), com participação da USP e outras instituições de pesquisa e ensino do País. Ela pode ser conhecida em detalhes no site www.ensp.fiocruz.br/nascernobrasil.
Segundo a pesquisa, as práticas intervencionistas durante o parto ganharam terreno especialmente após a década de 1950, com a adoção da tecnologia como forma de acelerar, regular e monitorar o processo de nascimentos no Brasil. Com isso, estabeleceu-se um padrão, uma espécie de “linha de montagem” para nascimentos que, além dos procedimentos citados, disseminou o uso da ocitocina e outros medicamentos para induzir o trabalho de parto, a adoção da posição deitada para a parturiente, o uso de rotina do fórceps em hospitais-escola e a “manobra de Kristeller” (empurrar a barriga para forçar a saída do bebê).
Mesmo comprovado que tais práticas rotineiras, além de obsoletas, não constituem bom exercício da obstetrícia, a maioria dos obstetras não consegue abandoná-las, justamente porque constituem práticas que lhes foram passadas nos bancos universitários.
Do ponto de vista das pacientes, parece que as únicas opções possíveis, pelo menos no sistema público e privado de saúde brasileiro, seriam a escolha do “corte por cima” (a cesariana), ou do “corte por baixo” (a episiotomia).
A grande maioria das mulheres se submete a tais procedimentos por conta das informações deformadas que recebem dos próprios médicos, acreditando que esse ou aquele medicamento, essa ou aquela prática protegerão seu bebê. Ou seja, as parturientes assumem que o “médico está fazendo a coisa certa”.
Ainda pesa na falta de opções o fato de que a episiotomia é um dos poucos procedimentos cirúrgicos realizados sem qualquer consentimento prévio da paciente. Os médicos a realizam como “procedimento de rotina”. É bom ressaltar que o uso dessas tecnologias podem, comprovadamente, prevenir e reduzir danos à mãe e ao bebê, mas em casos muito específicos. A episiotomia seletiva, por exemplo, ou seja, aquela com indicação específica, traz maiores benefícios que o uso rotineiro, sendo indicada em situações de sofrimento fetal, quando existe ameaça de laceração perineal grave, quando o feto está em apresentação pélvica (virado), ou ainda quando há progressão insuficiente do parto.
No setor privado, onde 30% das mulheres dão à luz, a cesariana é realizada em mais de dois terços dos partos. A episiotomia em mulheres que dão à luz por via vaginal atinge a taxa de 94,2%, sendo 70% delas no serviço público, de acordo com dados da professora Carmen Simone Grilo Diniz, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
A sociedade e, principalmente, as brasileiras, nunca discutiram profundamente as consequências na saúde das parturientes e dos bebês e nem sequer foi feita, até hoje, uma conta dos custos hospitalares relativos aos procedimentos cirúrgicos desnecessários nas práticas obstétricas. O que existe atualmente nesse sentido no Brasil são movimentos e debates em torno da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa).
Motivações
Felizmente, pela primeira vez, o Brasil poderá fazer essa conta, ou seja, saber se, em se tratando de saúde pública, de fato se justifica a profusão de tantos procedimentos obstétricos sem indicação precisa. A pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento permitirá conhecer a magnitude e os efeitos de intervenções desnecessárias como a cesariana em puérperas e recém-nascidos. Também será possível descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto e as complicações médicas durante o período do puerpério.
A Faculdade de Saúde pública (FSP) da USP, através do Departamento de Saúde Materno-Infantil, sedia a coleta de dados em São Paulo. “A pesquisa se iniciou em fevereiro de 2011 e deve ser finalizada em dezembro próximo”, afirma a coordenadora da coleta estadual dos dados, professora Camila Schneck, da Escola de Artes e Humanidades (EACH) da USP.
O edital convocado em 2009 pelo CNPq foi “provocado” por anseios de organizações civis e movimentos nacionais a favor da humanização dos partos no Brasil e contra a mutilação genital feminina, segundo a professora Carmen Simone Grilo Diniz (FSP), coautora da pesquisa.
Simone também coordena e monitora a coleta de dados da região Sudeste. O inquérito epidemiológico tem a professora Maria do Carmo Leal, da Fiocruz, como coordenadora-geral.
“A pesquisa traz inovações nunca estudadas em âmbito nacional. Conheceremos a magnitude da cesariana e de outras intervenções desnecessárias. Mas também poderemos relacionar os efeitos de gravidade pós-natal em mães e bebês decorrentes dessas intervenções, como também os efeitos de procedimentos ‘invisíveis’ no prontuário, como a manobra de Kristeller, por exemplo”, afirma Simone.
A amplitude das informações será possível graças à metodologia, que cruza a investigação de prontuários hospitalares com entrevistas de puérperas face a face no pós-parto imediato e por telefone 45 a 60 dias após o parto. Foram selecionados estabelecimentos de saúde nas cinco macrorregiões. Todos os Estados da federação participam, perfazendo um total de 23.580 pares de puérperas e conceptos.
Fonte: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=18819

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos

Narrativas da vagina

Georgia O'Keeffe "Leaves of a Plant"
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
I ENCONTRO DE MULHERES ESTUDANTES DA USP
21 a 23 de outubro de 2011
OFICINA: Narrativas da Vagina: Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos

Nosso corpo nos pertence!
O feminismo dos anos 60/70 incluiu a saúde das mulheres no rol dos temas políticos. Desde então, saúde e sexualidade, política e gênero, são pontos ‘controlados’ por um complexo sistema de valores sobre o exercício do poder.
Valorizar o histórico desta conquista. E situar os desafios presentes.
Foi em 1984, em Amsterdan, no International Women’s Health Meeting, que a noção de direito inaugurou um novo campo da saúde sexual e reprodutiva. Até então, esta era uma esfera considerada ‘natural’, regulada pela biologia, o Estado, a família e a religião.
O campo dos direitos sexuais e direitos reprodutivos é definido em termos de poder e recursos: poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura. Esse terreno envolve necessariamente a noção de integridade corporal ou controle sobre o próprio corpo. (Correa e Petchesky, Direitos Sexuais e Reprodutivos: Uma perspectiva Feminista, 1996).
Saúde das brasileiras e iniqüidades
O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM/MS, 1991) é o espaço em que a perspectiva das relações de gênero encontra abertura para ação. Sua proposta é ampla, trata da saúde para além do biológico, incorporando as dimensões culturais e simbólicas, o psicológico e o social. Propõe a crítica à medicalização dos corpos. E valoriza as diversidades e subjetividades tais como a geração, a classe social, etnia, sexualidades. Defende a maternidade voluntária e o direito a contracepção e ao aborto, preocupa-se com a saúde mental e ocupacional.
Além de ratificar tratados internacionais que privilegiam os direitos humanos e promovem eqüidades em saúde, o Brasil apresenta um histórico de implementação de políticas de Estado e publicação de documentos que recomendam práticas de saúde baseadas nas melhores evidências aos serviços de saúde. São exemplos destas ações: as recomendações da Organização Mundial da Saúde reunidas na publicação de 1996 intitulada “Maternidade Segura. Assistência ao Parto Normal: Um Guia Prático”; e as publicações do Ministério da Saúde: “Parto, Aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher (2001)” e “Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal (2004)”.
Apesar de passados trinta anos após o reconhecimento destes direitos, ainda hoje enfrentamos o drama de seu não cumprimento na prática: lei do acompanhante sem sanção pecuniária; episiotomia de rotina nas instituições de ensino e na prática da maioria dos serviços; ilegalidade e criminalização do aborto no país, entre outros.
Objetivos:
Promover a sensibilização das participantes para a possibilidade de auto-educação sexual e da promoção da saúde a partir da perspectiva do empoderamento feminino e comunitário.
Valorizar a beleza do corpo feminino, as diversidades do sexo, as manifestações do auto-cuidado saudável.
Para tal, às inscritas serão propostas atividades de sensibilização sensorial e cognitiva, por meio de troca de experiências e dinâmicas orientadas. Como produto final, as participantes da oficina produzirão cartazes (arte em tecido – imagem, desenho, colagens, etc.) de sensibilização para os temas da saúde e direitos sexuais e reprodutivos, que deverão compor uma Mostra Itinerante entre os vários campi da USP.

COORDENAÇÃO
Carmen Simone Grilo Diniz (PPGSP/FSP/USP - Docente e orientadora)
Ana Carolina Arruda Franzon (PPGSP/FSP/USP - mestrado)
Bianca Alves De Oliveira Zorzam (PPGSP/FSP/USP - mestrado)
Rosario Avellaneda (PPGSP/FSP/USP - doutorado)
Marília Reiter (jornalista e psicóloga, colaboradora GEMAS)
Bia Fioretti (publicitária e fotógrafa, colaboradora GEMAS)
GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde - FSP/USP

Aproveite e curta a página do GEMAS no facebook para saber mais sobre Gênero e Saúde Materna, além de acompanhar as atividades do grupo de pesquisa. Acesse aqui o link.

Mais informações sobre o evento e a oficina em http://eme-usp.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal


Para fechar a semana, divulgamos nesta sexta-feira o texto da pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - FSP/USP Simone Grilo Diniz - Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal, que está linkado no site da Scielo e pode ser encontrado no impresso da Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, V.19, n.2, de agosto de 2009.
Confiram um trecho:
RESUMO
Nos últimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saúde materna no Brasil, assim como grande ampliação do acesso aos serviços de saúde. Paradoxalmente, não há qualquer evidência de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensão deste paradoxo, através do exame dos modelos típicos de assistência ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudança para uma assistência mais baseada em evidências sobre a segurança destes modelos, sua relação com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistências à mudança dos modelos. Examinamos os pressupostos de gênero que modulam a assistência e os vieses de gênero na pesquisa neste campo, expressos na superestimação dos benefícios da tecnologia, e na subestimação ou na negação dos desconfortos e efeitos adversos das intervenções. Crenças da cultura sexual não raro são tidas como explicações 'científicas' sobre o corpo, a parturição e a sexualidade, e se refletem na imposição de sofrimentos e riscos desnecessários, nas intervenções danosas à integridade genital, e na negação do direito a acompanhantes. Esta 'pessimização do parto' é instrumental para favorecer, por comparação, o modelo da cesárea de rotina. Por fim, discutimos como o uso da categoria gênero pode contribuir para promover direitos e mudanças institucionais, como no caso dos acompanhantes no parto.
Palavras-chave: gênero; saúde sexual e reprodutiva; cuidado baseado em evidências; SUS; saúde materna; humanização.
Para ler na íntegra acessem: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-12822009000200012&script=sci_arttext

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dia Mundial da Parteira e seus múltiplos - II

Agora, tudo isso acontecendo tão intensamente.... e lá dentro do hospital é só litotomia... e ocitocina, fórceps, kristeller, profissionais insensíveis, ....... lugar de nascimento risco zero não é mesmo no hospital.


Simone Diniz (FSP/USP) e a mesa sobre Violência Institucional no Parto
Foi disso que mais um vez nos convencemos durante o V Encontro de Obstetrizes, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, naquela quinta-feira, Dia da Parteira.


Carmen Lucia Mollica, do Programa Mãe Paulistana (Rede de Proteção à Mãe Paulistana)
São modelos diferentes de assistência, em muitos aspectos diversos - e acreditamos na importância formar e informar que os melhores desfechos perinatais estão diretamente associados à presença do acompanhante, e ao uso seletivo e criterioso de drogas e procedimentos cirúrgicos.



Auditório Azul da EACH/USP - 05/05/2011
A programação estava excelente, confira!
E foi lá que encontrei as seguintes perguntas:
Como pode que um pré-parto com seis parturientes adquira o sentido de um filme de terror para um médico obstetra?
Relato de pesquisa - Janaína Aguiar. Violência Institucional em Maternidades Públicas. Tese de Doutorado Faculdade de Medicina da USP.
Como pode demorar 12 anos para que a assistência à nossa saúde cumpra a lei do acompanhante?
Acompanhante no pré-natal e parto: Lei Estadual 10.241/99 – SP.
Por que dessa crueldade que nos cala e imobiliza?
Estas anotações acabam sendo também como um registro de diário de campo, da Pesquisa Nascer no Brasil. Observação direta da realidade de um hospital escola 100% SUS.
*Não é pior que ou melhor que um hospital 100% lucro, concordamos?
Finalmente, que estas experiências aqui documentadas nos sirvam como dádivas de cada e todo nascimento com respeito e segurança que conhecemos por aí.
Boa notícia: há rumores de que Brasília-DF terá, em breve, o segundo curso de graduação em Obstetrícia do país. (Aquela luta de nadar e nadar! Eba!)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução

® Uso exclusivo concedido por Janet Balaskas
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
Janet Balaskas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
20 de Abril de 2011
Na véspera do feriado prolongado da Semana Santa, a visita da educadora perinatal Janet Balaskas à Faculdade de Saúde Pública da USP lotou o Anfiteatro Paula Souza. Estudantes e pesquisadores, profissionais da obstetrícia, usuários da saúde, e até mães com bebês aproveitaram a oportunidade de conhecer a britânica fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.
A palestra Parto Ativo, a história de uma filosofia e revolução durou aproximadamente duas horas, durante as quais, Janet Balaskas e sua tradutora falaram de pé, apresentando um belo registro iconográfico. Coordenadora do Active Birth Centre em Londres, Janet compartilhou com o público a história do movimento organizado de mulheres, que há 30 anos, conseguiu denunciar e abolir práticas obsoletas e agressivas na assistência obstétrica da Inglaterra. Algumas destas ainda são rotina nos hospitais brasileiros.
Dois episódios foram marcantes neste processo: em 1982, uma passeata mobilizou seis mil ingleses que foram às ruas de Londres protestar contra as episiotomias de rotina e a imobilização das parturientes no leito. Alguns meses depois, novamente milhares de pessoas participaram de duas Conferências Internacionais pelo Parto Ativo, provocando mudanças significativas na assistência ao parto na Inglaterra.
Na USP, Janet também demonstrou algumas vantagens que os partos normais em posição vertical oferecem, como por exemplo, maior abertura do canal pélvico. Todos os presentes se levantaram para tocar seu próprio corpo e comparar o diâmetro de seu crânio com o de sua pelve, em variadas posições.
Em debate com o público, Janet Balaskas reconheceu no Programa Cegonha uma boa oportunidade para que o Brasil dê um salto de qualidade na atenção ao parto. Isso porque foi informada de que o atual plano de governo prevê investir na construção de 72 Centros de Parto Normal. Estudos recentes defendem que o parto normal – aquele sem o uso obrigatório de drogas ou procedimentos cirúrgicos – tem os melhores desfechos de saúde materna e infantil, sendo indicador da qualidade da assistência obstétrica de um país. Como disse o Ministro Padilha recente passagem pela FSP, esta política também objetiva reduzir a violência institucional no parto, questão que ganhou ampla divulgação na mídia pela pesquisa de opinião Mulheres e Gênero nos Espaços Públicos e Privados (SESC Fundação Perseu Abramo), segundo a qual, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido algum tipo de violência durante o parto.
Por fim, Janet dedicou todo apoio às obstetrizes brasileiras, especificamente às profissionais formadas pela EACH: “All power to the midwives” encerrou. Em seguida, um intenso e prolongado aplauso, com todos de pé, emocionou às lágrimas uma das figuras mais emblemáticas da humanização do parto. Além de todos nós.
Simone Diniz e Ana Carolina Franzon






Fotos: Ana Carolina Franzon
Realização:
Curso de Obstetrícia EACH-USP
Associação de Obstetrizes da USP
Faculdade de Saúde Pública da USP
GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)
Apoio:

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lançamento do livro Parto com Amor

Em casa, com parteira, na água, no hospital. Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado.

A chegada de Arthur
Depois de mudar de médico com 36 semanas de gestação, Luciana teve um parto tranquilo e sem intervenções desnecessárias. “Senti muita dor, mas em nenhum momento isso significou sofrimento. Fechava os olhos para me concentrar melhor. Por alguns momentos, esqueci que havia outras pessoas na sala, uma cidade e um mundo lá fora.” O nascimento de Arthur, num parto natural hospitalar na água, em novembro de 2007, foi vivido com prazer e alegria.
Fonte: Parto com Prazer
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Será lançado no dia 04 de maio, em São Paulo, o livro Parto com Amor - Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min. 1.ed. São Paulo: Panda Books, 2011.
Então hoje, o blog Parto no Brasil reforça o convite para que tod@s prestigiem os autores - trata-se realmente de um produto que já é o crème de la crème do nosso consumo! Adoro!!
De quebra, deixamos com vocês a imagem da autora, a jornalista Luciana Benatti, em pleno parto, registrada por seu marido, o fotógrafo Marcelo Min. Também aguçamos outros sentidos com o belo texto que apresenta o livro, na íntegra.
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Um Convite à Coragem
Este é um livro emocionante, para ser lido com grande delícia. São narrativas de parto em que as mulheres assumem seu papel de protagonistas da aventura de viver e buscam um compromisso consciente, ético e (por que não?) estético com a experiência da maternidade.
A ideia de um parto prazeroso é para muitos uma heresia: no parto, a mulher deve pagar por seus pecados. Se ela, ao contrário, pode ter prazer físico e emocional, todo o nosso sistema de crenças está ameaçado. E se o parto, como construto da cultura sexual e reprodutiva que é, ao invés de um evento medonho, doloroso, danoso à saúde e à sexualidade, tal como defende a crença médica e religiosa hegemônica, puder ser um evento potencialmente saudável e prazeroso?
Neste livro, o parto é entendido, reinterpretado, como integrante da experiência sexual, erótica da mulher (e, quando existe, do casal), à semelhança do que vários autores defendem há décadas. É isso que vem dizendo um renovado movimento internacional de mulheres – e homens – que se espalha rapidamente pelo mundo, na esteira de livros, filmes, websites e redes sociais sobre o tema.
Finalmente, as mulheres estão falando com clareza que, sim, pode haver grande prazer físico e emocional na experiência corporal do parto. Como dito por muitas no Parto orgásmico, documentário citado por algumas delas, as mulheres têm receio de contar sobre a parte boa do parto, diante do sofrimento de outras mulheres. É preciso coragem. Assim como é preciso muita coragem para viver o parto de forma respeitosa, empoderada, com a mulher no centro da assistência. Este é um livro sobre mulheres corajosas.
Elas se recusaram à infantilização, à paternalização, à imposição do silêncio que amavelmente manda a mulher calar a boca quando expressa suas dúvidas ou preferências. Como disse um médico: “Por que você está tão preocupada com o parto? Cuide das roupinhas e da decoração do quarto e deixe que do parto cuido eu”. Mulheres que recusaram o conforto da ignorância passiva, obediente. É um feito extraordinário em uma cultura que premia a subserviência feminina e pune a curiosidade e a ousadia, especialmente das mães. A ameaça de problemas com o bebê é capaz de paralisar a mãe mais corajosa: numa das histórias, um médico quis convencer a mulher a fazer uma cesárea com 35 semanas, pois o coração do bebê poderia... “deixar de bater”. A mãe fugiu e o bebê nasceu quando quis, exatamente um mês depois.
São mulheres que não aceitaram uma assistência ao parto baseada no medo e no desconhecimento. Mulheres que quiseram saber por que a anestesia é obrigatória (“não existe parto sem anestesia”, diz o médico de uma delas). Leram que não há evidências científicas justificando o corte de sua vagina (episiotomia) ou demonstrando que o cor-dão no pescoço é indicação de cesárea. Se essas intervenções e tantas outras não se apresentam cientificamente como benefício da mãe ou do bebê, por que os médicos as impõem a todas? Boa pergunta.
Diante dessas incertezas, elas encontraram muitas redes sociais, virtuais ou presenciais, de mulheres como elas, que se perguntavam: o parto é mesmo esse martírio todo ou é tornado um martírio pelos procedimentos obsoletos, dolorosos, arriscados, que são impostos apesar das evidências de que não devem ser usados de rotina? Por que o parto é tornado uma experiência muito mais penosa e arriscada do que pode ser? A quem interessa a “pessimização” do parto? E por que aceitar apenas esta alternativa: um parto vaginal traumático com intervenções obsoletas e agressivas ou uma cesárea? Essas mulheres tiveram a coragem de rejeitar.
Mais do que isso, quiseram viver o parto como um evento de saúde e, sim, de prazer, de êxtase, de glória. Claro, nada disso exclui o fato de haver dor e esforço envolvidos na experiência. Uma dor fisiológica e útil, suportável, não a provocada por drogas como ocitocina para aceleração das contrações, pela imposição de posições desconfortáveis ou por uma episiotomia desnecessária. Essas mulheres reservam para si a decisão sobre se querem ou não sedativos para a dor, recusam a sua imposição.
São histórias encantadoras, complexas, mostrando as idas e vindas das descobertas e dos impasses; seu enfrentamento, o esforço, as recompensas, as delícias, a alegria, a magia de viver esse momento com sua presença total, física e emocional, ao lado das pessoas de sua confiança. As fotos são magníficas em sua sutileza no que se refere aos delicados, intensos, complexos sentimentos envolvidos. Um livro imperdível, extraordinário, com grande capacidade de inspirar a coragem naquelas mulheres e naqueles homens que adentram a aventura da gravidez, do parto e da parentalidade.
SIMONE G. DINIZ Médica e professora doutora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

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