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domingo, 6 de novembro de 2011

Post Extraordinário - Parto (In) Seguro: Experiências no Brasil e no Reino Unido

Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
O que as próprias mulheres podem fazer para melhorar a qualidade do seu cuidado?
Como aumentar a segurança e referência para os partos fora do hospital?
Cartaz de Bia Fioretti
O Brasil não tem conseguido reduzir a morbimortalidade materna, e enfrenta um aumento de nascimentos de bebês prematuros e de baixo peso. São resultados de problemas de vigilância, avaliação e planejamento das ações em saúde, todas permeadas por dimensões culturais.
Por meio do SUS, o país tem conseguido uma grande vitória que é a universalização do cuidado à saúde. Agora, é hora de dar atenção à qualidade e à segurança do cuidado.
Intervenções benéficas e seguras, como grupos educativos no pré-natal, presença de acompanhantes no parto, garantia da privacidade das pacientes, e recursos não-farmacológicos para alívio da dor, não têm sido oferecidos à maioria das mulheres, nem quando previstos em lei. Pesquisas brasileiras mostram taxas de depressão e estresse pós-traumático pós-parto mais alto que em outros países.
No Brasil, a assistência ao parto se caracteriza pelo uso excessivo de intervenções como cesáreas, episiotomias, fórceps e aceleração do parto com drogas. Tais intervenções podem levar a conseqüências adversas à saúde de mães e bebês: no curto prazo (período perinatal), e em alguns casos, com implicações para o resto da vida.
Estes aspectos do cuidado e suas conseqüências são problemas de segurança e de qualidade da assistência, e devem fazer parte dos sistemas de informação em saúde.
As Metas do Milênio propostas pela ONU, além de provocarem algumas transformações concretas, servem também como um tipo de diagnóstico da situação atual. A expectativa é de que a Meta do Milênio número 5 (redução de três quartos da mortalidade materna entre 1990 e 2015) não será alcançada, em nenhum estado do país.
A Faculdade de Saúde Pública da USP quer enriquecer este debate e, para isso, convida a comunidade para o encontro da Profa. Jane Sandall, do Reino Unido, com três especialistas brasileiras: Dra. Sonia Lansky, de Belo Horizonte, MG; Dra. Maria Esther Vilela, de Brasília-DF; e Dra. Simone Grilo Diniz, docente na FSP/USP. (Confira mini-cvs abaixo).
Como mudar este quadro? Venha discutir conosco!
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Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
Data: Quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório João Yunes, Faculdade de Saúde Pública da USP
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo – SP (Metrô Clínicas)
Público alvo: Gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, usuários da saúde, movimentos de mulheres
Inscrições gratuitas, certificados e informações: svalunos@fsp.usp.br
Haverá tradução simultânea.
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Convidadas:
Jane Sandall é socióloga e parteira (midwife), coordenadora do Centro de Pesquisa sobre Inovação na Segurança dos Pacientes e na Qualidade da Assistência, do Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, sediado no King's College London, onde é professora na Divisão de Saúde da Mulher.
Sonia Lansky é médica pediatra, coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, MG. A experiência de "BH pelo parto normal" é destaque internacional, tendo sido premiada pela OPAS/OMS Brasil, em 2011, no concurso Boas Práticas em Iniciativa de Maternidade Segura.
Maria Esther Vilela é médica obstetra, coordenadora da Área Técnica da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, Brasília, DF. Está à frente da implementação da Rede Cegonha, projeto de governo que prevê, entre outros, a efetivação da "linha do cuidado às gestantes", em âmbito municipal.
Simone Diniz é médica, doutora em Medicina Preventiva, livre-docente do departamento de Saúde Materno-infantil da FSP/USP. Líder do grupo de pesquisa do CNPq GEMAS (Gênero, Evidências, Maternidade e Saúde), e coordenadora da Pesquisa Nascer no Brasil na região Sudeste.
gemas.usp@gmail.com
Realização
GEMAS (Gênero, Maternidade, Saúde)
Apoio
Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP/USP Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx/FSP/USP)
Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP
OMS/OPAS Brasil – Unidade Técnica Saúde da Mulher, do Homem, Gênero e Diversidade Cultural
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Áreas Técnicas de Saúde da Mulher e da Criança
Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo - SECONCI-SP
Instituto Camargo Corrêa GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
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Por Ana Carolina A Franzon e Simone G Diniz
Gênero, Maternidade e Saúde - GEMAS/FSP/USP

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"Parteiras Caiçaras" em trabalho de parto!

... é... tenho andado um pouco ausente daqui, vocês notaram?!
Dos posts diários, apenas nossa Agenda Parto no Brasil e o Multimídia Parto no Brasil tenho conseguido cumprir c/ certo afinco. O bom disso tudo é que Ana Carolina tem subido algumas matérias incríveis, que tem nos levado à reflexão, além de compartilhar novidades do meio acadêmico e oportunidades - parceria vinda lá da Patota da Cozinha.
Mas, essa "sumida" é por um ótimo motivo!
Vocês se recordam do Projeto "Parteiras Caiçaras" que coordeno atualmente? Então, esse trabalho tem como objetivo concretizar um levantamento e registro das parteiras tradicionais caiçaras de Cananéia (saiba como tudo começou aqui!), região situada no Vale do Ribeira, no litoral sul paulista, que abriga comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras, fruto da miscigenação das etnias Carijó e Guarani M´Bya, c/ europeus degredados da Coroa Imperial Portuguesa e africanos, considerada o 1o. povoado do Brasil, c/ ocupação datada de 1502, além de Patrimônio Natural da Humanidade, pela Unesco e Reserva da Biosfera, contendo o último remanescente contínuo de Mata Atlântica do País, c/ diversas unidades de conservação, como a Ilha do Cardoso, além de reservas de uso sustentável, extrativista e áreas de proteção ambiental, que abrigam manguezais, costões rochosos, praias, lagamares!
Sim, aqui é um paraíso!
E, associada a beleza verdejante e úmida dessa flora e fauna também temos a riqueza humana e cultural! E, algumas poucas parteiras, já idosas, mas fonte de saberes e práticas pertencentes ao nosso patrimônio imaterial brasileiro.
Neste sentido, o Projeto "Parteiras Caiçaras" além de encontrar essas mulheres, também registrou, através de relatos em entrevistas in locco, isto é, feitas nas comunidades, especialmente nas áreas continentais e insulares, suas histórias de parto e nascimento, sendo que a memória dos tempos antigos direciona o caminho trilhado entre pesquisador e pesquisado, onde o protagonista é o narrador. Como metodologia uma pesquisa participante, c/ bases na Antropologia Interpretativa, História Oral e Memória.
Pois bem, desde o início do ano algumas ações ocorreram, como o Dia da Parteira, em 05 de maio, c/ a presença da parteira Cleuza da Silva dos Reis p/ uma prosa no Ponto de Cultura "Caiçaras", c/ exibição do filme Dia de Nascimemto (Birth Day), da parteira mexicana Naoli Vinaver, e a exposição de fotos de parto da Rede Parto do Princípio. O encontro fez parte, ainda, da Marcha das Parteiras, conforme nos conta Bia Fioretti em Marcha das Parteiras pelo Brasil.
Também participamos em maio do 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, em Bauru/SP, organizado pelo GAAME e Senac Bauru, c/ a apresentação de um pôster e de uma entrevista no Programa Conexão Futura, do Canal Futura, c/ a presença em estúdio da parteira Suely Carvalho, da Cais do Parto, em Olinda/PE.
Para outubro temos agendada a Oficina de Arpilleras, c/ Esther Vidal, p/ confeccionar um artesanato têxtil bordado, através desta técnica chilena utilizada durante a Ditadura de Pinochet como forma de lutar contra a opressão do Estado, feita por mulheres, geralmente as mães e esposas dos refugiados e presos políticos. O material será a capa da obra literária "Parteiras Caiçaras: relatos e retratos de parto e nascimento", apoiada pela Secretaria da Cultura, do Governo de São Paulo, pelo Programa de Ação Cultural.
Além de muito trabalho pela frente, visto que estou na fase das transcrições das entrevistas, redação, edição e produção do livro - fôlegofôlegofôlego!
Soma-se: cria full time (há quatro dias de comemorar dois anos!), home-office, craft-room (sim, ainda me meti a ser aprendiz de modelista/costureira - ah, e blogueira assumida, pois criei o Comadre para contar minhas aventuras manuais), 26 metros quadrados (o chalezin onde Rudá nasceu - Lar Doce Lar!), companheiro leonino agroecológico e, desde ontem três frangotes!
Tem q ser capricorniana, c/ ascendente em Libra, Carneiro no ano, Boi no mês e Coelho no dia, e, Tormenta Azul, filha de Iemanjá. Claro, antropóloga!
Brincadeiras a parte (mas, é verdade, sou toda essa miscelânea citada acima!) estou adorando ter essa dádiva, agradecida todo dia (obrigada, obrigada a todos os deuses e deusas!) de poder realizar este trabalho que valorize e reconheça a sabedoria de nossas parteiras tradicionais. Em lugares longínguos como esses elas eram as únicas que podiam amparar as parturientes e seus bebês. Mais do que tarde merecem este destaque!
Aproveito para agradecer também cada mulher que me recebeu em seu lar, que compartilhou comigo histórias de vida, de amor, de fé!
"Um Dom de Deus"
Cleuza da Silva dos Reis
Em dezembro ele nasce!
Enquanto isso, bora trabalhar - prometo um lindo slide show c/ as imagens das atividades!!!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Casa Angela: o sonho de uma parteira

Hoje vamos contar como foram nossos (deliciosos) dias juntas, com atividades maravilhosas e integrantes de nosso aprendizado diário no universo da humanização às assistências obstétrica e neonatal. (Texto de Bianca Lanu e Ana Carolina; Fotos: Bianca Lanu).
Nos dias 13, 14 e 15 de maio a Casa Angela - Associação Comunitária Monte Azul, na Estrada p/ Itapecerica, em São Paulo, capital, contou c/ a presença de aproximadamente 30 mulheres que participaram do 2o. módulo da formação em Educação Perinatal pela ANEP Brasil, c/ a presença das psicólogas Eleanor Luzes e Laura Uplinger e também da terapeuta Carla Machado, que coordenou os trabalhos cujo tema foi Concepção Consciente - confiram a programação em http://partonobrasil.blogspot.com/2011/05/fomacao-em-educacao-perinatal-pela-anep.html.
Na casa, também estavam expostas fotos do livro recém-lançado Parto com Amor, do casal Lucina Benatti e Marcelo Min - que logo será sorteado pelo blog!
Além da companhia de Laura e sua prosa baseada na Ciência Iniciática, que pode ser conferida em seu site Wonder Soft the Womb - http://www.wondersofthewomb.com/index.html, também pude conhecer Bia Fioretti, fotógrafa e coordenadora do projeto Mães da Pátria (acessem aqui!), que fotografa parteiras e já tem cerca de 1000 imagens registradas, com parteiras da América Latina. Para firmar o elo, Bia nos recepcionou c/ saborosas mexiricas, sem ao menos saber o quão simbólica é para mim a fruta, já que passei os últimos dos nove meses da gestação de Rudá comendo muitas mexericas, e nossa placenta num pé foi plantada, 15 dias depois de seu nascimento em nossa casa. Nem preciso dizer o quanto meu coração ficou acalentado! Bia, foi um grande prazer ter por perto aquela que há alguns anos já apreciava o inovador e magnífico trabalho, sem ao menos saber que também trilharia esse caminho de partejar!
É... nada é mesmo por acaso!
Assim, 30 mulheres, 30 histórias, 30 singularidades em um rico e lindo (micro)Cosmos!
Todas nós ali presentes, naquele final de semana frio e ensolarado na capital paulista, nos entregamos à experiência de pensar sobre o ato consciente de ser mulher, filha e mãe.

Laura Uplinger e Carla Machado nos brindaram com seus conhecimentos sobre a concepção, sobre todo o processo que compreende o momento exato em que nossos corpos deixam de ser dois, exatamente, e passam então a ser três.... sobre o momento exato em que nosso corpo de mulher recebe, materialmente, a entidade, nossa cria, que em termos médicos-objetivos-científicos-desprovidos de emoção ou individualidade é chamado concepto ou produto da concepção.

Sim, querid@s, é possível nos beneficiarmos também da percepção e vivência consciente e ativa dos processos que antecedem o nascimento, de nossos filhos sobretudo, mas de nossa própria existência. É possível e prazeroso estar atento às sutilezas de nossos gestos e pensamentos, e o nosso contexto.
E participar daquela roda organizada pela Anep-Brasil foi um mergulho intenso nas origens de nossas maternidades... Falando agora por mim, Ana Carolina, não é mesmo à toa que ambas as editoras deste blog trataram de rumar a casa de suas respectivas progenitoras tão logo fosse possível. (Em Bauru-SP, o delicioso III Seminário de Humanização era nosso único compromisso pendente).



Além da partilha intensa de relatos, com mistos de lágrimas e risos, pudemos conhecer a Casa Angela (suspiro!), uma casa de parto aconchegante, onde cada detalhe foi pensado e sonhado pela parteira alemã Angela Gehrke, mas que sem recurso não pode operar, já que a Secretaria Municipal da Saúde não firmou convênio com a instituição. A Casa Angela foi criada para atender a comunidade Monte Azul, na Zona Sul, tendo capacidade p/ 14 partos de baixo risco diários, em suítes PPP, c/ banheira, bola suíça, cavalinho, banqueta, além de um ambulatório de aleitamento materno e uma ambulância a postos, em um ambiente acolhedor que poderia ser atendido por enfermeir@s obstetras e obstetrizes, porém por questões políticas não é disponibilizado seu uso.







No sábado, após a formação com a ANEP, a querida Dal, enfermeira obstetra Romilda Dias, nos guiou pelo edifício, contando-nos das dificuldades que enfrentam para trabalhar. Também relatou experiências super gratificantes, como por exemplo, da chefe de enfermagem que foi conhecer o local após ter recebido em sua maternidade 04 parturientes que informaram terem frequentado o pré-natal da Casa, e que, segundo seu julgamento (claro!) estavam muito bem preparadas para o parto vaginal em maternidade padrão brasileira.

A Dal também tem um história que ficou famosa na obstetrícia paulistana: uma versão externa aos 45 do segundo tempo, sabe? Médico alemão, amigo da Angela, maternidade tradicional (pública) UTI de prontidão. Mas..... deu certo! E o bebê nasceu duas semanas depois! Esta é apenas uma de todas as tantas histórias que conhecemos nesta oportunidade. Gratidão!

No site encontramos como esse lindo projeto teve início, e agradecemos muito a Dal, que nos acolheu e nos contou como funciona a Casa Angela atualmente.
Nascida e formada na Alemanha, a parteira Angela Gehrke chegou ao Brasil em 1983 para trabalhar na área de saúde da Associação Comunitária Monte Azul e logo passou a se dedicar ao acompanhamento da gravidez, do parto e do pós-parto das mulheres da favela de mesmo nome, na zona Sul de São Paulo.
Inspirada em sua formação com o médico obstetra francês Frederick Leboyer, um dos pioneiros do parto humanizado, e comovida com a falta de acesso das mulheres da comunidade a serviços de saúde adequados, Angela passou a oferecer assistência ao parto e ao nascimento no ambulatório da Associação Comunitária Monte Azul.
A divulgação desse serviço sem precedentes entre as mulheres e adolescentes da favela e dos bairros adjacentes foi enorme, atraindo um número cada vez maior de interessadas. Com o tempo, a fama do parto humanizado oferecido por Angela na Monte Azul ultrapassou os limites da região e chegou até os bairros mais ricos da capital, de onde muitas mulheres passaram a se deslocar para ter seus bebês com a parteira na favela.
Primeira casa de parto
Em junho de 1997, foi inaugurada a primeira casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul, na rua Vitalina Grassman, onde hoje fica a Casa da Trilha, que oferece orientação e tratamento para dependentes químicos e seus familiares.
A proposta da casa de parto era dar prosseguimento ao trabalho desenvolvido por Angela durante 10 anos no ambulatório da Monte Azul. Nesse período, ela realizou um total de 1500 partos normais, com baixos índices de intervenção, alto grau de satisfação das mulheres e nenhum caso de morte materna ou neonatal.
Em 1998, Angela adoeceu. No ano seguinte a casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul fechou suas portas. A parteira alemã, que se tornou uma das pioneiras do movimento pela humanização do parto no Brasil, morreu vítima do câncer em 2000. Seu trabalho constitui um importante legado que até hoje, mais de dez anos depois, continua inspirando mulheres de todas as classes sociais, profissionais de saúde e pessoas dedicadas à elaboração de políticas públicas em prol da humanização do parto e do nascimento no Brasil.
Casa Angela: o projeto
Em 2003 a Associação Comunitária Monte Azul, em cooperação técnica com o Hospital Municipal do Campo Limpo e com a Secretaria Municipal da Saúde elaborou o projeto de uma nova casa de parto, batizada de Casa Angela, em homenagem à parteira Angela.
O primeiro passo foi realizar um levantamento da situação da assistência materno-infantil na região em termos de oferta e de qualidade. Foram encontrados números alarmantes: taxa de cesárea por volta de 50%, taxa de mortalidade materna acima da média do município, além de altos índices de prematuridade e baixo peso ao nascer. Analisando diversos indicadores como esses, chegou-se à conclusão de que existia demanda por uma casa de parto na região.
Em 2004 o projeto foi apresentado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Na época, houve o entendimento de que, para garantir a manutenção do serviço, inclusive o custeio da equipe profissional, a Prefeitura incluiria a Casa Angela no Programa Saúde da Família por meio de um convênio entre a SMS e a Associação Comunitária Monte Azul. Em contrapartida a entidade, com a ajuda de parceiros internacionais, assumiu os custos com as obras de construção e a aquisição de equipamentos básicos e mobiliário. Em setembro de 2005 o projeto de edificação da Casa Angela foi aprovado pela Vigilância Sanitária. A construção inciou-se em 2006.
Casa Angela: a realidade
A Casa Angela ficou pronta em 2008 e começou a funcionar parcialmente em março de 2009, com os primeiros atendimentos de pré-natal e pós parto.
No primeiro ano de funcionamento, de março de 2009 a março de 2010, foram realizadas 734 consultas de pré-natal e 369 de pós-parto (incluindo visitas domiciliares e orientação em planejamento familiar). Os grupos de apoio, oficinas e palestras para gestantes e pais atraíram 763 participantes. Além disso, 60 adolescentes foram atendidos a cada semana no programa de educação sexual “Jovens Tecendo Laços”.
Em 2008 a Casa Ângela também se tornou sede das reuniões do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil da Supervisão Técnica de Saúde M´Boi Mirim. Desde então, 1490 profissionais de saúde participaram de palestras e cursos de capacitação voltados à saúde materno-infantil, realizados pela Casa Angela.
Pronta para funcionar
A organização, a infraestrutura física, os materiais e equipamentos, bem como a qualificação dos profissionais da Casa Angela estão de acordo com os padrões estabelecidos na RDC 36/08 da Anvisa que estabelece padrões para o funcionamento de serviços de atenção obstétrica e neonatal.
A planta arquitetônica foi elaborada de acordo com as normas estabelecidas na Portaria nº 985/GM, de 5 de agosto de 1999, que cria a figura do Centro de Parto Normal, e aprovada pela Anvisa em setembro de 2005. Desde dezembro de 2008, a Casa Angela possui o alvará de funcionamento da Anvisa.
Assim, a Casa Angela possui toda a documentação necessária para funcionar como Centro de Atenção Integral à Saúde Materno-infantil com Centro de Parto Normal e Núcleo de Educação Sexual e Aconselhamento para Adolescentes.
Apresentado em 2004 à Secretaria Municipal da Saúde, seu projeto de implantação obteve, na época, parecer favorável da Prefeitura. De lá para cá, num contexto de mudanças na gestão municipal, ao primeiro parecer favorável seguiram-se cinco respostas negativas da Secretaria Municipal da Saúde. Na mais recente delas, de novembro de 2009, a Prefeitura alega que não existe esgotamento da capacidade pública de atendimento que justifique investimento privado na região. Em outras palavras, que não existe demanda pelo serviço de uma casa de parto nesse local.
Sem o convênio que possibilitaria o repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), a Casa Angela funciona atualmente de forma parcial, oferecendo atendimento pré-natal, mas sem realizar partos.
Fonte: http://www.casaangela.org.br/?page_id=64


Para conhecer também um pouco da vida desta parteira acessem: http://www.casaangela.org.br/?page_id=62
O Blog Parto no Brasil, em novembro de 2010 noticiou o lançamento de sua biografia, em Brasília/DF: http://partonobrasil.blogspot.com/2010/11/livro-reune-historias-da-parteira.html
Conheçam também a localidade:
A Casa Angela fica ao lado da Estrada de Itapecerica, a aproximadamente 300 metros do terminal de ônibus João Dias e da estação Giovanni Gronchi do Metrô (Linha 5 – Lilás), na Rua Mahamed Aguil, 34, Jd. Mirante, CEP 05801-060, em São Paulo/SP. Para contato: Tel.: (11) 5852-5332 - Email: casaangela@monteazul.org.br - Site: http://www.casaangela.org.br/
Vejam também a entrevista apresentada por Juliana Cardoso no Programa Expresso Paulistano, da TV Câmara, com a enfermeira obstetra Romilda Dias, em fevereiro deste ano:


Nós desejamos imensamente que este sonho se concretize, e que muitas mulheres-mães possam parir c/ amor e respeito, como deve ser!
É exatamente como foi destacado em The Lancet, Série Saúde no Brasil (acesse aqui os PDF's em português, até 31 de maio!): os desafios para melhorar a assistência à saúde de brasileir@s é essencialmente político.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A favor do Curso de Obstetrícia da EACH-USP: na blogosfera


Foto de Bia Fioretti.
Muitos sites/blogs estão se mobilizando pelo Curso de Obstetrícia da EACH-USP, confiram:
Obstetrizes Já, da Associação de Obstetrizes da Universidade de São Paulo - http://obstetrizesja.blogspot.com/.
Blog Parir é Natural, da obstetra Carla Polido - Contra a extinção do curso de Obstetrícia - http://parirenatural.blogspot.com/2011/03/contra-extincao-do-curso-de-obstetricia.html.
Fórum Político da Zona Norte de São Paulo - Usp vai perder 300 vagas e o curso de Obstetrícia. È o xóki de jestão tucano - http://forumzn.blogspot.com/2011/03/220320110337.html.
Blog Memórias Póstumas de uma mulher comum, por Nina Barreto - Não ao fechamento do curso de Obstetrícia - http://aninanemliga.blogspot.com/2011/03/nao-ao-fechamento-do-curso-de.html.
Blog Deixa Sair, editado pela jornalista Sonia Hirsh - Viver melhor:todo apoio à obstetrícia - http://www.soniahirsch.com/2011/03/viver-melhor-todo-o-apoio-obstetricia.html.
Site ciadasmães - todo apoio ao curso de obstetrícia da usp - http://www.ciadasmaes.com.br/blog/2011/03/todo-apoio-ao-curso-de-obstetricia-da-usp/.
Registre você também sua manifestação aqui, deixe seu link nos comentários!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Post Extraordinário - Relato e novidades sobre o Curso de Obstetrícia da EACH-USP


Divulgo novidades que circularam na web sobre a manifestação contra a redução de vagas e o possível fechamento do Curso de Obstetrícia da EACH-USP, único no País a formar obstetrizes:
Parto de baixo risco com enfermeira sim, por Kalu Brum, jornalista, doula e fotógrafa, além de co-editora do Mamíferas - http://www.blogmamiferas.com.br/2011/03/parto-de-baixo-risco-com-enfermeira-sim.html.
Obstetriz na saúde da mulher, por Bia Fioretti, fotógrafa e idealizadora do Projeto Mães da Pátria, que fotografa imagens de parteiras pelo mundo - http://maesdapatria.wordpress.com/2011/03/23/obstetriz-na-saude-da-mulher/.

Lindas fotos do ato realizado ontem, na Reitoria da USP, no Butantã, em São Paulo/SP, que contou c/ a participação de cerca de 150 ativistas a favor da arte de partejar!
O IG noticiou: Governador promete ajuda contra o fechamento de curso da USP Leste, por Cinthia Rodrigues - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/governador+promete+ajuda+contra+fechamento+de+curso+da+usp+leste/n1238187030422.html. O G1 também: Alckmin defende manutenção de curso de Obstetrícia na USP Leste - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/03/alckmin-defende-manutencao-de-curso-de-obstetricia-na-usp-leste.html.
O site do DCE também comentou e informa sobre a audiência pública na ALESP que será amanhã, dia 24, confiram no link: Audiência pública e paralização no dia 24 - http://www.dceusp.org.br/2011/03/audiencia-publica-e-paralisacao/. Também publicou imagens e vídeos do ato ocorrido ontem: Fotos e vídeos do ato em defesa da Obstetrícia (22/março) - http://www.dceusp.org.br/2011/03/fotos-e-videos-do-ato-em-defesa-da-obstetricia-22marco/.
Para finalizar, fecho c/ as sábias palavras de Adriano Rangel, geógrafo e jornalista, além de conterrâneo dos mares de Caniné (puxa, rs!) via Facebook:
"Não estudo na EACH, não tenho filhos, não moro da zona leste, mas tudo isso não importa quando a USP resolve arbitrariamente cometer, pela segunda vez em sua história, o erro de fechar um dos cursos mais humanísticos da área da saúde, o de Obstetrícia. Tendo ou não filhos, sendo ou não estudante de Obstetrícia, a extinção do curso deve ser motivo de revolta em toda a sociedade, a maior interessada na formação de profissionais de saúde capazes de olhar o ser humano como gente, não como mero produto. A formação atual dos profissionais da saúde tem desprezado sistematicamente o estudo das questões sociais que permeiam a saúde pública. O curso de Obstetrícia é um dos poucos, quiçá o único, que tem, desde a sua origem, o compromisso de abordar o parto como um processo natural, que deve ser respeitado. Infelizmente, não é esse o tratamento que a maioria das mulheres recebe, especialmente na rede privada, onde a taxa abusiva de cesáreas (90%) visa industrializar o parto e, com isso, torná-lo mero produto. A USP Leste foi inaugurada sob a justificativa de levar o ensino público para uma região carente da cidade. Poucos anos depois, A mesma USP decide reduzir a já pequena oferta de vagas na nova universidade, privilegiando, como de costume, cursos "de maior reconhecimento social", como se o papel da universidade não fosse justamente o de gerar todo o tipo de conhecimento. O reitor João Grandino Rodas fará história ao repetir o erro de menosprezar a formação humanística em prol exclusivamente das demandas de mercado, lugar que, lamentavelmente, a saúde pública brasileira se encontra há muito tempo. Ofereço o meu apoio aos estudantes de Obstetrícia e à todas as mulheres brasileiras, que merecem ter um tratamento digno no sistema de saúde."
E, neste sábado, dia 26, às 10h no vão livre do MASP, na Av. Paulista, em São Paulo/SP, novo ato de repúdio contra a posição do COFEN e USP, reúnam-se, compareçam, lutem por uma assistência ao parto e nascimento humanizada, pois parir c/ obstetriz é tudo de bom!!!
_ilustração de Ingrid Lotfi, doula e ativista da Parto do Princípio (PP).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Partería: descoberta e paixão

Semana que vem subo para a capital paulista, no feriado, para assistir a palestra da parteira holandesa Mary Zwart e também para assinar o contrato do novo projeto que executarei em 2011 - Parteiras Caiçaras.
O tema tem sido parte de minhas reflexões atuais e o desejo de me capacitar na Tradição da Partería tem me chamado desde quando conheci a querida parteira mexicana Naolí Vinaver, em agosto deste ano, em Curitiba/PR, no workshop Nascer: um evento da vida, mas como nosso destino segue seu curso e aprendi a agir conforme as circunstâncias e o tempo, que é sábio, aguardo essa hora com tranquilidade. Quando criança me recordo de que a indagação "O que você vai ser quando crescer?" era respondida com "Médica! Obstetra. "Fazer" bebês nascerem!". O tempo passou e a área de Humanas sem sombra de dúvidas me cercou, também pelo trilhar de minha sina... conheci a Antropologia e tive certeza de que era isso!
Às vezes as certezas se transformam...
Gestei Rudá, pari e mesmo depois de mais de um ano essa ocitocina está impregnada em minha pele, meus pensamentos, meus sonhos e desejos, que são compartilhados com Ana Carolina na edição deste blog, que nasceu sem pretensão, mas que ganhou corpo e forma e diariamente estamos por aqui, entre fraldas, tetas e afins!
Hoje, para dividir com vocês essa alegria imensa de poder ouvir relatos de parto e nascimento em solos caiçaras no ano que vem linko alguns endereços cujo tema também é recorrente, a começar pela história de Tidu, contada pela fotógrafa Bia Fioretti que coordena o Projeto Mães da Pátria - http://maesdapatria.wordpress.com/2010/02/03/tidu/. Como poderão ver o destino nos chama!
Tidu pela lente de Bia
Veja também entrevista dada no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva pela parteira Zefa da Guia a Maiana Diniz aqui - Muitas mulheres ainda dão a luz com o auxílio de parteiras.
Leiam os artigos Parto e Maternidade: profissionalização, assistência, políticas públicas, da antropóloga Soraya Fleischer sobre as parteiras de Melgaço, no Pará e os cursos de capacitação oferecidos a elas e Nada de hospital: no Amapá mulheres "pegam meninos", postado no Almanaque Brasil, em abril de 2005, por Ronaldo Evangelista.

Crianças nascidas por parteiras na região

sábado, 4 de setembro de 2010

Mães da Pátria

Conheça aqui o lindo trabalho de Bia Fioretti que fotografa parteiras pelo Brasil afora em Mães da Pátria. Bia Fioretti é publicitária e fotógrafa, pesquisa e cadastra parteiras pelo Brasil e pelo mundo com o objetivo de encontrar seus pontos em comum e traçar o retrato do que é a essência do feminino. São fotografias e depoimentos da vida cotidiana que ilustram seus valores, costumes e tradições. Segundo o site: O objetivo desse trabalho é valorizar essas mulheres que sempre foram discriminadas pelas comunidades médica e científicas, pois a profissão de parteira no Brasil não é reconhecida e nem remunerada. Esse cadastro já consta com 246 parteiras e doulas no Brasil, 85 na América Latina e 23 entre Europa e Estados Unidos. Tanto as parteiras tradicionais quanto as midwives formadas em faculdades européias e norte americanas são guias que conduzem o parto natural e humanizado, mantém vivos os elos com o sagrado e o respeito às necessidades e ao bem estar da mãe e da criança prestes a nascer. Isso independe de culturas, etnias, origens e territórios - todas tem o mesmo princípio. Elas ritualizam o ato, assistem e transmitem segurança e confiança. O Projeto Mães da Pátria não pretende registrar regras ou técnicas de parto. Pretende valorizar, reconhecer e agradecer socialmente as parteiras. Estimam-se 60.000 parteiras em atividade no País. Elas são responsáveis por 20% dos partos na periferia dos centros urbanos, 40% no interior e 70% nas regões Norte e Nordeste. Essas mulheres abnegadas são as verdadeiras mães do nosso povo, mães da nossa terra, são as Mães da Pátria.

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