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terça-feira, 28 de maio de 2013

Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna - Gravidez de Risco e Direitos Reprodutivos

Divulgo hoje o evento comemorativo ao 28 de maio "Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna" que será realizado em Londrina-PR. Embora ainda não tenha comunicado por aqui, estamos em uma boa onda do movimento de mulheres em nossa cidade. Muitos cursos, oportunidades, manifestações, encontros - todos feministas -, reunindo e conectando pessoas das mais diversas lutas, paixões e necessidades. Um grande prazer, muita gratidão por cada uma das oportunidades.

Confira as informações! E compartilhe conosco as atividades que estão realizadas em sua cidade para marcar esta que é a data mais importante para a saúde das brasileiras!
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Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna 2013

Gravidez de Risco e Garantia dos Direitos Reprodutivos


O dia 28 de maio é celebrado em todo mundo como o "Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres". No Brasil, comemora-se o "Dia Nacional pela Redução das Mortes Maternas". Venha refletir conosco sobre os principais desafios para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio número 5 "Melhorar a Saúde das Gestantes".

A morte materna é considerada a mais grave forma de violação dos direitos reprodutivos das mulheres, isso porque estima-se que 90% delas poderiam ser evitadas com atendimento de qualidade e em momento oportuno. Nacionalmente, a razão de mortalidade materna está em 56 para cada 100 mil nascidos vivos, quase três vezes o número considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas.

No estado do Paraná, as mulheres negras têm risco de morte aumentado em sete vezes quando comparadas às outras - esse é um fenômeno recorrente em todo o país. Trata-se de um indicador que reflete as desigualdades de classe, cor/etnia, e especialmente, a autonomia das mulheres e sua cidadania.


DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS

São parte dos direitos humanos reconhecidos pelas Plataformas de Ação elaboradas nas duas grandes Conferências da ONU, Cairo (1994) e Beijing (1995).

"Os direitos reprodutivos são direitos humanos básicos, ou seja, é o direito das pessoas de decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas. Todos devem ter acesso às informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não filhos. Direito reprodutivo é, também, ter o direito de exercer a sua sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência". REDE FEMINISTA DE SAÚDE (2011)


GRAVIDEZ DE ALTO RISCO

Este ano, o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna chama a atenção para as mulheres que desenvolvem gestações de alto risco. Desde a implementação da Rede Mãe Paranaense, os serviços estão adotando a classificação de risco para as pacientes de obstetrícia. O desafio é garantir uma experiência de atenção integral à saúde dessas mulheres, com acolhimento de suas especificidades clínicas e sociais.

Além do debate sobre os fatores que impactam a vida das mães, seus filhos e sua famílias, esta Mesa Redonda também contará com uma apreciação crítica sobre a realidade dos serviços.

Nosso objetivo é construir novas oportunidades de reflexão sobre como podemos melhorar a assistência prestada às londrinenses em nossas maternidades.


PÚBLICO-ALVO: Estudantes e profissionais da saúde, gestores, movimento de mulheres e demais interessados.


SERVIÇO:

MESA REDONDA*: Gravidez de Risco e Garantia dos Direitos Reprodutivos - Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna 2013

Data: 29 de maio de 2013, quarta-feira, das 14h às 17h
Local: Anfiteatro do Hospital Universitário CCS/UEL

Inscrições pelo formulário online Sympla: https://www.sympla.com.br/gravidez-de-risco-e-garantia-dos-direitos-reprodutivos__12743

Serão fornecidos gratuitamente certificados aos inscritos e participantes


Comissão Organizadora:
Thelma Malagutti Sodré
Ana Carolina Arruda Franzon
Keli Regiane Tomeleri da Fonseca Pinto
Kátia Mara Kreling Vezozzo
Luis Claudio Galhardi
Elaine Galvão

Organização:
Departamento de Enfermagem CCS/UEL - Residência Multiprofissional em Saúde da Mulher
Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres - Prefeitura Muncicipal de Londrina
Rede Nacional Feminista de Saúde - Regional Paraná
Curso de Enfermagem UNIFIL
Nós Podemos Londrina

Apoio:
Instituto CRIAS - Saúde, Direitos, Cidadania
GestaLondrina - Grupo de Apoio à Gestante e ao Parto Ativo
Conselho Municipal de Cultura de Paz
Conselho Municipal de Direitos da Mulher
Secretaria Municipal da Mulher e da Família - Prefeitura Municipal de Rolândia

* Atividade integrada ao Encontro Regional de Gestoras de Políticas para as Mulheres

terça-feira, 7 de maio de 2013

A morte materna invisível das brasileiras negras

Dia 28 de maio está chegando!

"O futuro da África é carregado na barriga de suas mães" Ação da White Ribbon Alliance for a Safe Motherhood

Blog Parto no Brasil estudando a morte materna invisível das negras brasileiras (Alaerte Martins, 2006) chama a atenção: mulheres negras têm risco 7 vezes maior de morrer por causa materna do que as brancas.

Considerando as nuances da cor da nossa pele, e ainda, que:

1) os Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna não julgam o mérito pelas perspectivas da imprudência, imperícia e negligência, e mais,

2) podemos dizer que cerca de 90% das mortes maternas ocorrem dentro dos hospitais e em decorrência de quadros clínicos evitáveis com assistência oportuna e eficaz (confira neste post em nossa Fanpage);

Retomamos uma citação de Janaína Marques de Aguiar para a Folha de São Paulo, sobre a violência obstétrica neste nosso Brasilzão:

"Quanto mais jovem, mais escura, mais pobre, maior a violência no parto". 

Uma morte materna afeta diretamente um número grande de membros da família e da comunidade que depende dela. As mortes maternas, quando muitas, podem produzir graves conseqüências para as comunidades, as nações e a população. OMS (1993).

E você, vai convidar a sua comunidade para refletir sobre como prevenir a morte materna? Conte-nos como, vamos ampliar a divulgação das iniciativas locais, regionais e nacionais. 


Confira o comunicado na Fanpage Mobilização pelos Direitos das Mulheres e Redução da Morte Materna.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Adoecer e morrer para dar à luz


Hoje, 28 de maio, é Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres, e Dia Nacional pela Redução das Mortes Maternas.

Todo o país está marcando a data, com eventos que tratam desta questão: direitos humanos fundamentais das mulheres de receber assistência obstétrica de qualidade e em momento oportuno. Confira no mapa.

Não podemos aceitar que nenhuma mulher morra por falta de ou demora no atendimento à gestação, parto e pós-parto. 
Melhorar a qualidade da assistência, que é praticamente universal, é o principal desafio.

Enquanto a imprensa oficial do governo anuncia a redução em 21% das mortes maternas em 2011, em comparação com o mesmo período de 2010 - e justifica a melhoria em decorrência de ações do Programa Federal Rede Cegonha, e também pela implementação do Cadastro Nacional de Gestantes (sim!!! a MP 557 e o não-diálogo com a sociedade estão vigentes!!!) - convidamos você leitora, a conhecer o artigo de Simone Diniz, publicado em 2009, sobre o porquê melhoramos as condições de saúde geral dos brasileiros, em detrimento da saúde das gestantes brasileiras. Confira abaixo o resumo, e acesse aqui o artigo original (Gênero, Saúde Materna e o Paradoxo Perinatal).
Nos últimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saúde materna no Brasil, assim como grande ampliação do acesso aos serviços de saúde. Paradoxalmente, não há qualquer evidência de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensão deste paradoxo, através do exame dos modelos típicos de assistência ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudança para uma assistência mais baseada em evidências sobre a segurança destes modelos, sua relação com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistências à mudança dos modelos. 
Confiram também a excelente reportagem de Eliane Brum e Cristiane Segatto, de 2008, Elas morreram de parto. Acesse aqui - são 5 páginas imperdíveis!

Arquivo Pessoal
Elas morreram de parto. Muitas outras mulheres não morrem, mas chegam a ficar em estado mórbido. 

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que ocorram até 20 casos de morbidade materna por cada morte materna registrada. Então, tomando como exemplo a cidade de Londrina-PR, que registrou 5 mortes maternas em 2011, podemos supor que outras 100 londrinenses tenham tido severa complicação de saúde. A Pesquisa Nascer no Brasil poderá também dimensionar a quantidade de mulheres que adoecem, e em que medida padecem, as brasileiras que têm filhos.

O Conselho Nacional de Saúde reunirá diversas vozes do movimento de mulheres, e do governo, nos dias 28 e 29 de maio, em Brasília-DF, para o debate conforme a seguinte programação. Está excelente!

Evento promovido pela Prefeitura de Londrina-PR, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Este ano, o IV Encontro A Saúde da Mulher no Ciclo da Vida abordará a qualidade da assistência ao parto, com destaque para a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento.

E, por fim, linkamos o relatório da ONU, publicado em 16 de maio de 2012, em inglês, que estima a redução global das mortes maternas, mas alerta para o fato de que 800 mães morrem diariamente em todo o mundo.


Você conhece alguma mulher que ficou seriamente doente logo após o nascimento de um bebê - e até 42 dias depois? 
Que precisou ser hospitalizada, receber transfusão sanguínea, ou cuidados intensivos (UTI)?
Quais foram os problemas identificados? Como foi a assistência ao parto que ela teve?

terça-feira, 8 de maio de 2012

Qualidade e segurança no parto

Desafios para a redução da morte materna


Campanha da Marcha das Vadias DF
Acesse aqui 

Em tempos de celebração das parteiras, das obstetrizes, enfermeiras obstetras, médicas obstetras, o Blog Parto no Brasil republica hoje o ótimo texto de Vanda Albuquerque sobre os desafios para a redução da mortalidade materna.


O debate sobre a qualidade da assistência de serviços em obstetrícia, e a segurança das pacientes, segue um curso natural que, inevitavelmente, nos leva a conhecer as políticas de humanização


Infelizmente, o "modelo padrão" de formação dos profissionais - médicos e enfermeiros - ainda ignora a atualidade, o contexto social e cultural e a subjetividade de cada atendimento. 


Como resultado, temos um "modelo padrão" de práticas e condutas, tal qual podemos conferir a partir da leitura abaixo. 


Vanda Albuquerque, como boa defensora dos direitos sexuais e direitos reprodutivos das mulheres, amplia o debate sobre como reduzir as mortes maternas: a defesa e garantia da autonomia e da saúde integral das mulheres.


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Vanda Albuquerque: Morte de duas gestantes mostra erro em foco de MP 557

publicado em 7 de maio de 2012 às 18:29
por Vanda Regina Albuquerque


No dia 31 de maio, vence o prazo de votação da MP 557/2011 criada para supostamente acelerar os passos da redução da mortalidade materna no país. Ela “institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna, autoriza a União a conceder benefício financeiro” e levantou inúmeras críticas e notas de repúdio de vários segmentos dos movimentos sociais tais como CUT, AMB, UBM, FEBRASGO, UBM, MMM, AMNB, Rede Feminista de Saúde, etc.
Mas por que persistem tantas reações contrárias?
Primeiro, porque ela foi criada sem nenhuma participação dos movimentos feministas, de mulheres ou de saúde, segmentos que nas últimas três décadas, vêm participando da construção democrática de políticas na área da saúde integral das mulheres.
Segundo, porque não dialoga sequer com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), que existe desde 1984.
E terceiro, porque todo empenho em reduzir a estatística de 68 mortes para cada 100 mil gestantes se resume em ampliar o sistema de dados das gestantes e criar benefício de R$ 50 reais, pagos em duas parcelas para garantir transporte durante pré-natal, e, em nome de uma transparência, terão o cadastro disponibilizado na transparência para controle público.
Para ilustrar a falácia dessa MP, lembramos a morte de duas jovens gestantes no último dia 9 de abril, uma carioca de 21 anos e outra cearense de 22 anos, ao que tudo indica, ambas vítimas de mau atendimento nas unidades de saúde.
Os laudos revelaram que a primeira morreu em decorrência de parada cardiorrespiratória e a segunda por hemorragia digestiva. As famílias denunciam, respectivamente: “apenas deram remédio para dor”, “ela aguardou nove horas até ser atendida”.
O que denuncia que as mulheres estão morrendo dentro dos hospitais por sofrerem maus tratos, racismo e outras formas de violência institucional nas unidades/serviços de saúde. E, assim, fica fácil constatar porque o Brasil está longe de atingir a 5ª meta das Nações Unidas, que prevê até 35 mortes para cada 100 mil até 2015.
Diante das gritantes desigualdades sociais do país, qualquer iniciativa de transferência de renda parece bem-vinda. Mas neste caso, os índices da mortalidade materna não se justificam em grande medida pela falta de transporte das gestantes, a ponto de exigir do Executivo uma MP e, sim, pela má qualidade no atendimento ao pré-natal e parto.
Isso se complica ainda mais quando esse auxílio-transporte duplica ação já existente no programa Bolsa Família, que prevê aumento da bolsa para famílias com gestantes, demonstrando a não continuidade de programas já existentes e a utilização de recursos destinados à saúde em ação típica de assistência social.
Nesse sentido, a marcha da redução da mortalidade materna no Brasil continuará lenta, caso as ações do governo não considerem as diretrizes do PAISM como caminho possível. Para além da atenção ao parto, ele prevê o planejamento familiar, a utilização de parteiras tradicionais em determinados contextos, orientação ao pós-abortamento e aborto legal, o uso de tecnologias apropriadas, o atendimento profissional capacitado e a atenção institucional ao parto, prevenção e cuidado ao câncer, atendimento às mulheres com HIV/AIDS, enfim, estratégias que ultrapassam a visão momentânea materna infantil e garantem a redução da morte materna, considerando a integralidade da saúde da mulher.

Vanda Regina Albuquerque é assessora do Coletivo Leila Diniz/RN e colaboradora do CFEMEA/DF.


Fonte: Viomundo

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Safe Motherhood Quilt Project


Hoje divulgamos um lindo e habilidoso trabalho, coordenado pela parteira americana Ina May Gaskin, sobre as altas taxas de mortalidade materna nos Estados Unidos, o Safe Motherhood Quilt Project.
Em peças de patchwork mulheres voluntárias bordam os nomes e as histórias de mães que faleceram durante o parto, sendo que as peças são expostas com o intuito de sensibilizar a população frente a este sério problema de saúde pública.
Visitem o site e conheçam em detalhes a iniciativa - http://www.rememberthemothers.net/
Vejam os quilts no link e assistam também o vídeo - http://www.rememberthemothers.net/quilt/thumbnails.php?album=4

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As muitas faces de um assunto

Ontem o blog divulgou eventos pelo País afora sobre a questão do aborto, incluindo uma aula aberta da profa. Dra. Simone Diniz, em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP).
Pouco falamos do tema por aqui, apesar de termos nossas convicções e posturas diante do assunto, porém já sofremos, inclusive, retaliação por termos divulgado um documentário sobre o aborto na capital paulista - aqui.
Tanto Ana, como eu somos estudiosas da Saúde da Mulher e o fato de muitas mulheres morrerem pelo ato não nos pode passar desapercebido, tampouco fazer do fato apedrejamento em praça pública em nome da moral, dos bons costumes ou da fé cristã - leiam aqui o post Curetagem é a cirurgia mais realizada no Brasil!

Por isso hoje, aproveitando o gancho, compartilho uma série de informações que venho compilando há tempos!
- Post A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada, do blog Matizes Feministas.

- O Preço de uma Escolha (If These Walls Could Talk) - A HBO produziu para a televisão o projeto If These Walls Could Talk, no qual três histórias distintas, sobre aborto em 1996 e sobre homossexualidade feminina em 2000, são apresentadas no mesmo cenário em épocas diferentes - 1952, 1974 e 1996. O primeiro filme contou com atrizes como Demi Moore, Sissy Spacek e Cher.

Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) - Com Leonardo di Caprio e Kate Winslet, de Sam Mendes, que dirigiu Beleza Americana - Leiam aqui, no post de Carol Pombo, do What Mommy Needs suas impressões sobre um filme forte e tocante. Assistam aqui seis clips do longa-metragem!
E, para finalizar os links p/ o documentário Clandestinas, no Youtube:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=PGy21f212OY&noredirect=1
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=YY3RcmmS0hk&feature=related
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=k5WlInkenEw&feature=related
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM&feature=related
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=kfLvyoqoSmc&feature=related
Parte 6 - http://www.youtube.com/watch?v=MNt7-giC21c&feature=related

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Profissão Repórter: Caos na Saúde

Nesta terça-feira, dia 13, o Programa Profissão Repórter, exibido na Rede Globo e dirigido pelo jornalista Caco Barcellos tratou sobre o caos na saúde pública, c/ visitas em alguns hospitais p/ retratar como os brasileiros estão sendo atendidos, além da Santa Casa de Misericórdia, em Belém, no Pará, onde há três semanas uma gestante de gêmeos perdeu os bebês por falta de atendimento - leiam aqui mais detalhes sobre esse fato, do Central Notícias, e nestes outros links - aqui e aqui, da CBN e do D24AM, respectivamente. No site institucional da Santa Casa tb podem ser encontradas informações sobre o ocorrido - aqui.
Podemos ver clara e friamente como funcionam os atendimentos em uma estrutura sucateada e sem recursos, sendo que bebês prematuros ainda precisam lutar p/ conseguir uma vaga na UTI. Uma triste realidade...
Para assistir na íntegra as matérias, acessem - http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2011/09/pacientes-dormem-em-cadeiras-no-corredor-de-hospital-em-sobral-ce.html
Nesta semana, ainda, uma mulher veio a óbito por cair no foço do elevador no Hospital e Maternidade Interlagos, em São Paulo, capital - mais informações no Portal Terra aqui.
E, dizem que segurança é encontrada nos hospitais, e que lugar de parir tb é por lá... Pessoalmente fico na dúvida (e parece que a ONU tb - outras notícias aqui), e divido c/ vcs este cenário de morte, desesperança, falta de governabilidade e justiça, e pergunto, será que um dia vai melhorar? Qtas outras mortes serão preciso?
* Imagem daqui.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

‘Aguenta sim, aguenta, ela soube fazer’


Neste último domingo, dia 28, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma matéria sobre a questão da mortalidade materna, e como hospitais e maternidades, especialmente das regiões mais afastadas e empobrecidas do Brasil, sofrem c/ o descaso na saúde pública. Como fruto temos, ainda, altos índices de mortes entre gestantes e neonatos, s/ contar a violência institucional sofrida por estas mulheres, que enfrentam, também, profissionais despreparados e a saúde sucateada!
Leiam, na íntegra, o assunto:
Meu parto para mim foi um horror, um terror. Às vezes, as pessoas me perguntam: ‘Você quer ter filho de novo?’ A resposta é sim. Mas, por trás do sim, fica o medo de passar tudo isso de novo”, lamenta Taciana.
PE: Hospital não tem obstetra no fim de semana
Na semana passada, a ONU condenou o Brasil por violação dos direitos humanos depois da morte de uma jovem grávida, no Rio de Janeiro.
Na semana passada, a ONU condenou o Brasil por violação dos direitos humanos depois da morte de uma jovem grávida, no Rio de Janeiro. Poucos dias depois, em Belém, uma outra jovem perdeu os filhos gêmeos após ter o atendimento recusado em dois hospitais. E no interior de Pernambuco, o Fantástico descobriu que existe uma cidade onde os bebês só "podem" nascer entre segunda e quinta-feira.
Nesta semana, uma jovem perdeu os filhos gêmeos após ter o atendimento recusado em dois hospitais de Belém. E o Fantástico foi ao interior de Pernambuco contar a história de outra mãe, que acompanhou a filha em trabalho de parto, sem obstetra, durante 18 horas. A menina e o bebê morreram.
“Eu falei: ‘Mainha, foi meu filho, meu filho morreu, não foi? Ela respondeu: ‘Você tem que aceitar, porque o que Deus faz a gente tem que aceitar’. Mas eu não aceito perder meu filho assim”, lamenta a dona de casa Taciana Maria da Silva Gomes.
Maria de Lourdes Alves da Silva, também dona de casa, conta como tudo aconteceu: “Me perguntaram: ‘É você que é a mãe da Marcela? Sinto muito, mãe. Mas o bebê dela morreu, e ela está com hemorragia".
“Ele disse a ela assim: ‘Quando você está com problema de vista, minha filha, você procura um oculista ou um açougueiro?’ Você se lembra que você disse isso a ela?, pergunta Ana Luiza Carvalho Silva.
“Eu quis dizer que quando a pessoa precisa ter um parto, tem que procurar um obstetra. Aqui não é maternidade”, explica o clínico geral José Maurício Leite.
“Nós estamos aqui abandonados”, diz a professora Maria José da Silva.
O Fantástico foi a Barreiros, a 110 km da capital de Pernambuco. Na cidade, a tristeza de avós sem netos e as roupinhas de bebê sem uso são a face mais dolorosa do caos na Saúde . Marcela foi a vítima mais recente. Pouco antes do parto tudo parecia bem.
“Ela escutou a barriga da menina, disse que o menino estava mexendo. O coração dele também, bulindo e muito na barriga dela” conta a mãe de Marcela.
Mas, na Casa de Saúde João Alfredo, o trabalho de parto acompanhado por uma parteira se complicou. “Ela gritava muito, muito mesmo. Dizia que não estava aguentando mais”, conta a mãe de Marcela.
E o pior é que era sexta-feira. Pela escala, bebês em Barreiros só podem nascer de segunda a quinta.
“Nós não temos obstetra no final de semana, sexta, sábado e domingo”, conta o médico José Dhália da Silveira.
Encontramos o médico que foi chamado às pressas para ajudar no parto de Marcela. Ela estava sofrendo havia 18 horas.
“Eu cheguei e a mulher tinha parido há uns 20 minutos, tinha parido o feto morto. Faltava anestesista, faltava sangue, faltava outro médico para ajudar. Não tinha nada disso. Só tinha eu, quando eu cheguei lá. Eu não podia fazer nada”, contou José.
O sistema de Saúde em Barreiros já não era bom e piorou em 2010, quando as enchentes de inverno destruíram o hospital público. A cidade passou então a viver uma situação absurda: há médicos sem hospital e um hospital onde falta médico.
O secretário de Saúde Elídio Moura relata: “O município vive, desde junho de 2010, uma situação de guerra. A partir do momento que nossa rede de saúde foi completamente dizimada.
Agonizando, Marcela foi transferida para o Hospital Dom Helder Câmara, a quase uma hora de Barreiros, mas a tentativa de retirada do útero para conter a hemorragia também aconteceu tarde demais. O diretor do hospital, Audes Feitosa, justificou: “Se a gente conseguisse abreviar o tempo do atendimento do início do sangramento para realizar a histerectomia, talvez o resultado pudesse ser outro”. Marcela morreu aos 21 anos.
Taciana, aos 20, perdeu o primeiro filho, também na Casa de Saúde de Barreiros. Em um dia em que não havia obstetra.
“Quando foi oito horas da manhã, eu ainda lá, sangrando, perdendo muito sangue, já não tinha mais líquido. Minha mãe disse: ‘Minha filha não vai mais agüentar’. Então disseram ‘Aguenta sim, aguenta, ela soube fazer’.
Novamente chamado às pressas, o médico tirou o bebê já quase sem vida. Ele lutou por três dias, mas não resistiu. Taciana lamenta: “Meu primeiro filho, era meu sonho, era um menino. Meu filho ir embora assim. Sofrer tanto e não poder estar aqui comigo”.
Nesta semana em Belém, um casal também deixou a maternidade sem os filhos. Wanessa e Raimundo esperavam gêmeos. “Era nossa vida. Era um plano que a gente tinha com os dois”, conta o pai.
Grávida de sete meses e sentindo dores, Wanessa procurou a maior maternidade do estado na terça-feira (23). Foi barrada na porta. Raimundo buscou socorro no Hospital das Clínicas, mas lá também não conseguiu atendimento.
Wanessa ficou na calçada durante uma hora e meia. Um dos bebês nasceu na ambulância durante a volta para a Santa Casa. O parto do outro foi feito no hospital. Os dois nasceram mortos.
“Morreram do lado de fora, ninguém socorreu meus filhos”, conta o pai.
“Nenhum médico. Tanto aqui como no HC, o Hospital das Clínicas. Nenhum médico veio me ver, e eu fiquei lá na calçada do HC com dor”, lembra a mãe.
A direção da Santa Casa foi afastada e a polícia vai investigar se houve omissão de socorro.
São histórias que mostram como o Brasil está longe de alcançar o compromisso assinado com as Nações Unidas. A meta é reduzir a mortalidade materna para 35 em cada 100 mil nascimentos até 2015. Ainda morrem cerca de 75 mulheres para cada 100 mil nascimentos.
Há menos de duas semanas, o Brasil foi responsabilizado pela morte de outra grávida. Alyne da Silva Pimentel procurou uma casa de saúde em Belford Roxo, reclamando de vômito e dor abdominal. Ela recebeu remédios e foi mandada de volta para casa. Dois dias depois, os médicos notaram que o coração do bebê já não batia.
A Mãe de Alyne, Maria de Lourdes da Silva Pimentel, contou: “Na hora da visita, eu cheguei lá e ela chorava e falava: ‘Mãe, não está tudo bem, não’. O médico falou que o meu neném está morto e que ele vai fazer o meu parto’”. Alyne morreu três dias depois em outro hospital.
“Alyne representa várias outras mulheres que faleceram na mesma circunstância. Então, é assim: Olha, Brasil, você não está cumprindo suas normas, suas regras e tampouco as regras internacionais de que você pactuou, de que você é membro e que tem a obrigação de fazer”, explicou a coordenadora da ONG Advocacy, Gleyde Selma da Hora.
Assista aqui o vídeo desta matéria!
Vale a reflexão: até quando outras mulheres e seus filhos/as irão morrer?!

sábado, 13 de agosto de 2011

Multimidia Parto no Brasil - Morte Materna: Não precisa ser assim!


O Blog Parto no Brasil divulga hoje mais uma experiência internacional na área da Saúde Materna - Engender Health

Porque enquanto você assiste a este filme, duas mulheres terão morrido por complicações relativas à gravidez e ao parto.
Não precisa ser assim.

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