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terça-feira, 29 de outubro de 2013

9o. Congresso Internacional de Parteiras Tradicionais, em Pernambuco

É com grande alegria que divulgamos este congresso, que acontece neste início de novembro, em Pernambuco, sendo um encontro fechado para convidad@s, entre elas parteiras tradicionais, aprendizes e doulas na Tradição, organizado pelo CAIS do Parto

Mais informações, abaixo! 

Quem puder contribuir, doações estão sendo aceitas, já que o evento não conta com recursos de editais, ou outros tipos de financiamento.


O 9º Congresso Internacional de Parteiras Tradicionais, de 3 a 8 de novembro de 2013 reunirá parteiras tradicionais de vários países da América Latina como México, Colômbia, Chile, Bolívia, Argentina, Uruguai, parteiras aprendizes de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Goiás, Paraíba.

Na programação o congresso realizará o I Encontro Nacional de Doulas na Tradição. A reunião das escolas de parteiras da América Latina promoverá um grande impacto para a ressignificação da assistência ao parto e nascimento. Participarão parteiras de seis etnias indígenas, de quatro estados do nordeste e parteiras quilombolas da Paraíba.



O CAIS do Parto solicita doações de recursos econômicos para as despesas de hospedagem, alimentação, transportes locais, blusas e bolsas para 30 parteiras na Tradição que não podem pagar sua inscrição. Não contamos com financiamento, estamos construindo um outro formato de congresso que possa atender as necessidades verdadeiramente e ao final tenhamos atingido todas os objetivos com propostas factíveis e que possamos vislumbrar uma transformação real e efetiva.

Gratidão,

Suely Carvalho - Parteira Tradicional

Para doações:

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA 2365-5 - VARIAÇÃO 51 (POUPANÇA)
CONTA 31413-7
SUELY CARVALHO/CPF 316751239-34


Fonte: http://caisdoparto.blogspot.com.br/2013/10/ix-congresso-internacional-de-parteiras.html

sexta-feira, 5 de julho de 2013

22 anos atendendo a gestação, parto e puérpeio, em Olinda/PE

Hoje é dia de festa!

CAIS do Parto completa 22 anos!



O início de sua história pode ser lida aqui, no blog que acaba de ganhar uma nova roupagem, 
mas que está no ar desde 2005. 

ACESSEM:



Rodas de Casais Grávidos, Doulagem, Partería Tradicional com as parteiras Suely Carvalho e Marcelly Carvalho, Formação de Doulas na Tradição e de Aprendizes de Parteira, além de acompanhamento de pré-natal e terapias complementares, em Olinda/PE.

Neste mês temos mais um curso de Doulas na Tradição, c/ Marcelly Carvalho e Marla Carvalho, em parceria com o CAIS da Luz.


terça-feira, 7 de maio de 2013

A linguagem dos sentidos: além de sorrisos e olhares



Por Vicky Nóbrega - Especial para o Vida



É pela emoção que o bebê percebe o mundo em sua volta. 
Cuidados são necessários, mas tudo na medida certa

Em meio à agitação da vida moderna, tem-se um bebê. Para a mãe principalmente, os deveres aumentam e, aos envolvidos, crescem as tarefas diárias. O que, a princípio, parece sacrifício, torna-se um grande prazer. Afinal, o que é necessário para que aconteça a interação mãe-bebê? Segundo a parteira tradicional Suely Carvalho, vice-presidente da Aliança Latino-Americana de Parteiras (Alapar), basta saber que a criança precisa do essencial: "Sentir-se segura, protegida e amada".

Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil e fundadora do Cais do Parto, Suely diz que a comunicação do bebê ocorre por meio da emoção. Pela sensibilidade, a criança apreende informações. "A percepção é mais aguçada do que se pode imaginar, mas ainda há pessoas que tratam a criança como se não fossem capazes de interagir. É um grande engano. Apesar de não elaborar as percepções, o sentimento fica na sua memória afetiva, sobretudo, no período de gestação".

Durante a gravidez, a parteira explica que o bebê se relaciona com o mundo externo por meio da percepção da mãe, sendo ela o único elo por onde a criança acessa os sentimentos. "A mãe é o balizador. Se está triste, tensa ou alegre a criança capta e registra a emoção. Ao crescer, dependendo da forma como a situação foi encarada, ela pode reagir com insegurança ou não diante dos fatos. Os pais pensam que está tudo bem por ter passado pela fase difícil, mas não se lembram que isso está registrado na memória afetiva do bebê". Após o nascimento, ganha-se mais autonomia e a criança se utiliza das reações e expressões da mãe como um dos canais de comunicação, possuindo agora suas próprias percepções.

Mesmo assim, questiona-se se há formas de resguardá-la dos momentos difíceis. Suely esclarece que a mãe só precisa trazer proteção e amor como suporte para a criança aprender a lidar com isso. "Os problemas são reais, mas não duram a vida inteira. À medida que ela cresce, vai aprendendo. Poupar é impossível. Tem que prepará-la para conviver com as circunstâncias do mundo. Se a mãe passa por tudo, transmitindo amor, o bebê se sentirá seguro e em outra turbulência, estará fortalecido".

Comunicação

A parteira destaca que a criança é um indivíduo com vontade própria cuja linguagem pela qual se comunica é o choro, seguido pelo balbuciar de sons, atribuindo mudanças nessa comunicação. Mas cada choro tem uma finalidade e é dever dos pais aprender cada um, pois trata-se de um processo de construção. "Diferenciando o choro do sono, da fome, da cólica, da sede, da manha, entre outros, a comunicação é estabelecida".

Daí a importância de saber falar com o bebê. "Fale assuntos agradáveis de maneira compreensível, e não emita sons pela boca ou vozes esganiçadas. As crianças devem achar ridículo os adultos que as tratam como bobas. Comunique-se. Mostre um passarinho, indique uma árvore. A criança tem uma mente sadia que capta informações", revela.

O olhar é outro forte canal de comunicação. "Quando nos declaramos a alguém, sempre buscamos olhar nos olhos. Independe da idade. Ninguém olha para o lado ao dizer que ama alguém. A melhor forma de mostrar o amor a uma criança, é olhando nos olhos dela. Dê um sorriso e fale poucas palavras. Não precisa de discurso, porque ela entende o olhar, o sentimento. Mostre que ama e ela vai confiar nisso".

Confiança

O vínculo de confiança é construído e não deve ficar restrito somente à mãe. A melhor maneira de assegurar isso é estabelecer uma rotina diária, a qual também inclui as pessoas, que devem ser as mesmas conforme cada tarefa. "É preciso ter hora para dormir, passear, brincar, comer e tomar banho com as pessoas determinadas. Se cada dia é uma pessoa diferente, a rotina não está sendo mantida. Por isso, tantas crianças se acostumam mais com a babá do que com a própria mãe".

Paciência é importante no trato com o bebê. "Se a mãe cuida da criança, mas fica se lamentando do cansaço, a criança vai crescer com um profundo sentimento de culpa, principalmente se a mãe for infeliz". Por isso, o primeiro passo de zelo com o bebê é a mãe ter cuidado consigo.

Aos pais, há papel imprescindível, já que precisam estar comprometidos com o filho e com o relacionamento conjugal. Na fase da amamentação, Suely conta que a mulher se volta integralmente ao bebê. Além disso, os hormônios da lactação inibem sua libido, o que compromete a frequência do ato sexual, gerando problemas conjugais diante da falta de compreensão dos homens. "O pai deve apoiar a mãe e saber que faz uma renúncia temporária por amor ao filho, para que ele tenha o que é essencial. É tudo que ele pode fazer. Depois desse período, ele terá essa mulher por inteiro", orienta.

Mãe dedicada

Há três meses, Mariana Camelo Sá Matos cuida do seu primeiro filho, Rafael, adapta-se às mudanças decorrentes ao bebê, e realiza todas as tarefas com paciência e conhecimento. Ao falar de cuidados com o bebê, ela confessa sorrindo: "Para cuidar do bebê, a mãe deve tampar o relógio, pois não existem horários".

No início, ela conta que Rafael pedia o leite materno logo depois que mamava. "Se isso acontece a mãe acha que não tem leite, mas precisa continuar tentando para o bebê estimular". Após receber orientações de um banco de leite, Mariana aprendeu a lição: "A mama deve ser dada até o final. A primeira parte do leite é o que protege o bebê e a segunda é a que engorda e dá saciedade", recomenda.

Outro sufoco foi por causa das cólicas, que faziam Rafael chorar por horas. A mãe descobriu a massagem indiana shantala pela internet e fez o teste. Deu certo! Também aprendeu que alivia as dores quando coloca o bebê na banheira com água morna até a altura da barriga.

Diferenciar os choros, Mariana tira de letra e diz ser fácil às mães que observam o bebê. "O importante é os pais terem contato com a criança". Após o banho, ela adquiriu o hábito de massagear Rafael com talco. Método também adotado pelo pai, Cristiano Matos, que, nos dias de folga do trabalho, troca fraldas e dedica o tempo disponível para reforçar o vínculo com o filho.

Fonte: Diário do Nordeste - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1264180

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Relato: Nascimento de Natália - Parto Domiciliar

Marcela nos contou ontem sobre seu 1o. parto, c/ o Relato: Nascimento de Nahuel. Natural, mas hospitalar. Nos escreveu enviando este relato que postamos hoje, de seu 2o. parto, já domiciliar, e ocorrido neste mês de janeiro, no dia 02. Memória e sensações frescas, Marcela ainda nos alegrou dizendo que tem acompanhado este Especial de Férias, c/ relatos de parto publicados diariamente. Quando sugeriu a publicação deste nascimento pedimos também do 1o. parto. Confiram, então, uma nova história!

Ainda não vi os vídeos e as fotos do nascimento. Acho que muitos detalhes eu já esqueci, mas ainda tenho algumas sensações frescas e nos últimos dias tenho tentado reviver cada momento na minha memória. Começo o relato do nascimento da minha filha usando uma metáfora: "A escalada"...

Eu tinha um mapa, que me mostrava um caminho a percorrer até chegar ao topo de uma montanha muito grande e íngreme. Comecei a seguir as indicações.
Apesar do mapa ser muito detalhado, o caminho parecia muito diferente, e eu não conseguia avistar a alta montanha que o mapa indicava. Quando eu pensava que já estava começando a subir, vinha então uma curva e o caminho descia novamente, me levando de volta ao ponto de partida. Tentei várias vezes seguir o mapa desde o início, dava voltas e voltas e não saia do lugar. Depois de tanto caminhar, comecei a ficar tensa, cansada, frustrada. Chorei, e tive medo de não achar o caminho certo. Precisava me tranquilizar, rever as indicações do mapa e decidi parar. Encontrei uma caverna. Nesta caverna havia uma fogueira que me aqueceu assim que entrei. O cheiro dentro dela era muito agradável, fresco. Tinha algum rio passando ali dentro, e o som das águas me tranquilizava. Entrei na escuridão, me aconcheguei e dormi. Quando acordei, me sentia renovada. Peguei o mapa, que era meu único guia e o joguei no fogo, já não precisava mais dele. Sai da caverna e continuava sem ver montanha nenhuma, mas na minha frente havia uma trilha que entrava numa mata fechada. Fui caminhando por essa trilha, que por vezes era difícil de caminhar, outras, muito fácil e agradável. Fui caminhando, mata adentro, cada vez mais densa, e sem me preocupar em me perder, só seguindo meus pés. Às vezes a trilha se perdia, mas eu continuava, para onde meu corpo queria me levar. Até que lá na frente vi um clarão, algo que indicava que estava próxima ao meu destino. Ao mesmo tempo que aquilo me dava ânimo para continuar, não conseguia acreditar que já estava tão perto. Continuei caminhando em direção àquela luz, o caminho foi ficando mais íngreme e difícil, e nessa hora, eu usava toda minha força para pegar um impulso e escalar com rapidez. E logo após ter subido um ponto difícil, parava para descansar, sem tirar os olhos do clarão.  Mais alguns passos, mais alguns impulsos e cheguei ao meu destino: o topo de uma montanha altíssima, majestosa, que me permitia olhar além do que eu imaginava, uma paisagem incrível. Era a minha montanha, e subi-la foi muito mais simples do que eu pensava, era só me deixar levar...

No dia 30, Suely, Thiana e família chegaram na pousada. Almoçamos e acho que nesse mesmo dia a Suely me examinou. Fez o toque e eu estava com seis cm de dilatação. Isso já indicava que faltava pouco, mas eu não sentia nenhuma dor e as contrações que apareciam de vez em quando eram quase imperceptíveis. No dia seguinte, 31 de dezembro, fez calor, e as horas passaram sem grandes novidades. À noite, depois da ceia de ano novo, comecei a sentir algumas pontadas, não eram contrações, eram umas fisgadas bem embaixo. A Suely achou uma boa ideia me examinar, e eu estava com sete ou oito cm de dilatação. Acreditamos que o parto aconteceria naquela madrugada, do dia 1° de Janeiro, e eu comecei a me preparar para as horas de contrações dolorosas. Já tinha convocado minha tia Leone, minha prima Amanda e minha prima agregada Gabriela para ajudarem com as panelas de água, o tambor, o fogo. A Thiana ligou para a Carol, que também participaria do parto. Gonzalo acendeu o fogo e ficamos ali em volta aguardando as contrações. Mas elas estavam muito suaves, indolores e irregulares, longe de serem as contrações que eu esperava/queria... Fiquei caminhando em volta do fogo, passeando pra lá e pra cá. A Amanda tocando tambor, Tia Leone esquentando as águas e enchendo a banheira, Thiana e Carol fazendo massagens pra induzir as contrações, Suely conversando comigo. O tempo passou voando, e nada daquele trabalho de parto que eu tanto esperava, aquela dor que eu tanto me preparei... Já perto das 5:00 da manhã, decidimos ir dormir.
Deitei na cama e me sentia muito elétrica, não conseguia fechar os olhos. Amanheceu, todo mundo foi tomar café, o dia começou, e eu com aquelas contrações fraquinhas, indolores e irregulares. Suely fez mais um toque, e acho que eu já estava com uns oito cm, e segundo ela, a cabeça do bebê estava bem embaixo... Aquilo era muito louco, estava quase com dilatação total, sem dor, sem nenhuma outra sensação e isso às vezes me dava uma sentimento de vulnerabilidade, insegurança...
Quando amanheceu, Suely pediu pra colocar um forró e mandou eu ficar rebolando com o Gonzalo, e isso estimularia o trabalho de parto... As contrações começaram a vir de quatro em quatro minutos, mas sem dor, muito leves... O único incômodo que eu tinha era nas pernas, um tipo de formigamento, que a Thiana e a Carol aliviavam com massagens. Fui ficando cansada, sentei na bola e as contrações se foram. Tentei dormir, descansar, mas não conseguia, seguia elétrica, com a adrenalina lá em cima e cada vez mais tensa. Ficava pensando que não ia conseguir ter as tais contrações e tinha muito medo de que a Suely me mandasse para o hospital. Mas, sempre que ela vinha me examinar, a bolsa continuava perfeita e os batimentos do bebê ótimos! Ela me tranquilizava, explicando que não havia motivo para se preocupar. Era só eu deixar de pensar, parar de querer controlar a situação e permitir que meu corpo trabalhasse.
No fim da tarde, tentei ir dormir mais uma vez. Das 15:00 às 18:00 tive contrações irregulares, indolores, e pra mim, mais uma vez inofensivas...
Até que cheguei à conclusão que precisava dormir de verdade, antes de ficar contanto as contrações... Fui para o quarto, dentei na cama e fiquei rolando de um lado para o outro, sem conseguir relaxar, com a cabeça a mil por hora. Não, o parto não ia acontecer daquela maneira. Anoiteceu, pedi que o Gonzalo me fizesse uma massagem nas costas, que já doíam de tanta tensão. Perto das 23:00, o Gonzalo sugeriu que a Thiana e a Carol me fizessem uma massagem mais completa. Ele aproveitou para dizer a todo mundo (tia e primas) que estava de plantão que fossem dormir.  A única que ficou na pousada foi minha mãe. Thiana me mandou entrar no chuveiro, me preparou um escalda pés com sal grosso e fiquei ali, sentada na bola, com os pés no balde. Gonzalo foi se deitar para tentar descansar também. Thiana e Carol prepararam o quarto ao lado, com aromatizante, luz de velas, música relaxante. Deitei num colchão no chão e elas me massagearam, não sei por quanto tempo. Uma delícia, tão relaxante que acho que cochilei. Em algum momento senti uma contração forte, a mais forte que havia sentindo desde então. Senti o sono chegando, senti meus pensamentos lá longe. Percebi que a massagem tinha terminado, mas não percebi elas saindo do quarto. Alguns minutos depois senti mais contrações doloridas, e notei que estavam regulares. Não consegui calcular o tempo entre elas, nem o tempo em que fiquei ali. Elas começaram a ficar mais e mais fortes, e eu fiquei “curtindo” aquela viagem, inspirando fundo, expirando com a boca aberta, como a Thiana tinha me ensinado nas aulas de Yoga. Aproveitei para sonorizar a dor. Inspirava fundo, expirava dizendo “ahhhhhhhhhhh”. Me concentrava no som que saia e isso era muito agradável, tornando as dores muito suportáveis... Agora tinha certeza que a hora tinha chegado. Chamei o Gonzalo, que foi avisar a Suely e as meninas. Não consigo me lembrara exatamente o que acontecia enquanto eu fazia “ahhhhhh”, mas me lembro muito bem das cenas quando as dores davam uma pausa: Suely mandando Gonzalo ir esquentar as águas para a banheira; Thiana me massageando forte na região lombar; Carol me dando algo para tomar; Me lembro do gato observando tudo ao meu lado. Suely perguntando onde doía, me examinado, depois ela chamou o Gonzalo e disse pra ele desencanar das águas, não daria tempo de entrar na banheira, eu já ia ter vontade de fazer força.
-Fazer força? Daqui umas 3 horas, não? – perguntei.
-Não, já já – Suely respondeu.
Escutei o galo cantando e me assustei: “já amanheceu?”.
-Não, o galo é que está cantando antes da hora - me esclareceu Thiana.
Prepararam o quarto, me  levantei entre uma contração e outra e me sentei no colo do Gonzalo. Na minha frente, 3 anjos...


Por um lado, me sentia incrivelmente feliz, porque a hora tinha chegado. Por outro lado, não conseguia acreditar que já estávamos no fim, porque me preparava para o momento em que a dor seria insuportável, em que eu não fosse conseguir dar conta, o momento em que iria implorar por anestesia. Este momento nunca chegava, nunca chegou. As contrações eram fortes, mas me pareceram curtas e o intervalos entre elas longas o suficiente para respirar e me preparar para a próxima. Então senti a pressão, a vontade de empurrar, fiz força. Gritei várias vezes, pra mim, um grito de bicho. A contração ia embora e eu dizia alguma coisa. Ela voltava e eu gritava com gosto.
A Suely disse que o bebê era cabeludo, coloquei a mão e senti algo muito estranho entre minhas pernas. Suely pediu um espelho, a bolsa ainda estava intacta e era uma imagem incrível. A contração deu uma pausa e pude dizer:
-Nossa, parece uma lichia...
-Sim, parece uma lichia... a bolsa vai estourar a qualquer momento – nos preparava Suely.
Quanto mais minha filha se aproximava, mais vontade eu tinha de empurrar. Elas começaram a cantar algo em espanhol. Me lembro de ter escutado aquela música em algum lugar, tenho que perguntar ainda que canção era aquela - Rosa Zaragoza, em Sabemos Parir. Agarrei no pescoço do Gonzalo, agarrei na perna do Gonzalo, agarrei na minha perna e gritei. Senti ela descendo. Mais uma vez, mais uma vez e a cabeça saiu. A próxima contração veio e empurrei por última vez, e o corpinho deslizou.
Olhei para baixo e a vi, nas mãos da Suely. Que vontade de gritar mais uma vez, de alegria... Gonzalo me dizia que eu tinha conseguido. Ficamos ali hipnotizados.
Alguns instantes depois, ela veio para o meu colo e foi maravilhoso. E ela veio direto para o meu peito. Mamou forte. A placenta saiu, Gonzalo cortou o cordão. Ficamos ali curtindo nossa filha.

Ela é perfeita, forte, linda!
Parece que desde o momento que as contrações doloridas começaram até a hora do nascimento se passou menos de uma hora. Mas, todo o processo de trabalho de parto foi longo, lento, cheio de inícios, pausas e grilos, muito diferente, mas muito melhor do que eu imaginei. Foi mágico! Foi um dos momentos mais intensos da minha vida.
Foram avisar a minha mãe, que também não conseguia relaxar nos últimos dias e estava de plantão. Ela chegou trazendo um leite com aveia e muitas lágrimas. E, então, fomos dormir na nossa cama. O Gonzalo trouxe o Nahuel, que quando deitou ao lado da irmã, abriu os olhos e lhe fez uma carícia na cabecinha: o bebê da barriga da mamãe tinha finalmente chegado.

OBS: Tínhamos escolhido o nome Tainah, caso fosse menina, mas poucos dias antes do parto tive um sonho onde chamava por minha filha, e, no sonho, seu nome era Natália. Assim ficou...

Natália nasceu com apgar 10/10. Peso: 3,375gm. Tamanho: 50cm.

_Marcela Mölk, Designer de Interiores, mãe de Nahuel e de Natália.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A água nas tradições culturais brasileiras - Relato da parteira tradicional Suely Carvalho



Meu prazer de ser parteira está na possibilidade de ensinar às mães e pais a cuidarem de suas crianças. Toda criança que chega vem da luz, traz nova esperança, e os pais devem cuidar dessas crianças. A família é sagrada, o amor de mãe e pai são sagrados.

Mesmo contra a vontade de muitas pessoas que nos discriminam, nós, parteiras tradicionais, continuamos existindo. Nós tivemos uma inquisição que dizimou milhões de parteiras na Europa e no Ocidente. Nós transmitimos o nosso saber por meio da oralidade. Eu me sinto honrada por ser herdeira das minhas antepassadas, em que muitas são parteiras. Eu tenho uma filha que é parteira e uma neta de 20 anos que é aprendiz de parteira. É assim que nós passamos a nossa tradição, de avó pra neta, de mãe pra filha. Nas cidades grandes, esse é um ofício que não é valorizado, e as mulheres que tem o dom de ser parteiras não descobrem esse dom.

Nós viemos da água. O ventre materno é sagrado porque todo ser humano passou pelo ventre de uma mulher. Portanto, todas as pessoas devem respeitar isso. A mulher precisa respeitar o seu próprio ventre. Se o trabalho de parto for bem feito, sem intervenções desnecessárias, a criança pode nascer dentro da bolsa das águas. É lamentável que os médicos rompem as bolsas das águas, seja em partos normais seja em partos cesáreos.

A mulher tem o corpo perfeito para a gestação e para o parto. Os partos em hospitais não são saudáveis, as pessoas devem nascer e morrer junto com seus familiares. Eu desejo que as águas do parto sejam respeitadas”.

Por Suely Carvalho, parteira tradicional e fundadora do CAIS do Parto, em Olinda/PE.

Fonte: http://acervodesaberes.wordpress.com/2012/10/05/a-agua-nas-tradicoes-culturais-brasileiras/

Foto: Acervo de Bianca Lanu, julho de 2010.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Agenda Parto no Brasil

Confiram os eventos p/ este início de setembro, em nossa agenda semanal!





Evento em Florianópolis cancelado, e em São Paulo inscrições e vagas esgotadas!

Em Córdoba - Argentina.

E, imperdível! Naoli Vinaver e Rosa Zaragoza juntas!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parteira tradicional Suely Carvalho realiza vivências p/ gestantes em São Paulo, capital

A parteira tradicional Suely Carvalho realiza hoje, na Casa Jaya, pelo Mulheres da Terra, e Núcleo da Vida um encontro sobre "O primeiro direito do ser humano: nascer bem", das 19h30 às 22 horas!


E, neste sábado orienta uma vivência, em Vargem Grande, a 40 Km de São Paulo, o Oráculo do Nascimento -

Direcionado a gestantes, interessados em geral e profissionais da área, esta vivência, conduzida com base na Tradição das Parteiras, trata do nosso nascimento, o início de um grande ciclo, uma história, que ficou sobre nossa existência intra-uterina e a forma como fomos recebidos nessa Terra. 


Um convite a mergulhar na ancestralidade que é presente, partilha das experiências da gestação, parto e pós-parto que nos mostram os sinais. Olhando para trás reconhecemos onde estamos, facilidade e desafios como instrumentos nessa vida.

Investimento: R$140,00 - inclui alimentação e hospedagem

Mínimo de 10 e máximo de 20 participantes.

Inscrições até 30 de Agosto - Com Gisele Ross, pelo email giseleross@gmail.com

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dia da Parteira e seus múltiplos - III

Por Suely Carvalho

5 DE MAIO DIA MUNDIAL DA PARTEIRA
Como Parteira Tradicional, missão e Dom herdado das minhas ancestrais avós e bisavós parteiras as quais honro hoje e sempre, quero falar para minhas colegas companheiras de ofício para as queridas aprendizes e também falar sobre nós parteiras oportunamente neste momento de celebrações, reivindicações e denúncias que se ancora no decorrer do mês de maio.
Durante centenas de anos as parteiras atuavam como sempre fizeram desde que a humanidade existe e sequer entendiam o quanto era importante. Diferente da maioria das profissões ser parteira é muito mais do que estar presente na hora do parto e nascimento ajudar a mulher e aparar o bebê. Não escolhemos esta profissão assim como as demais profissões onde as pessoas escolhem prestam vestibular e se aprovados cursam alguns anos recebem um título e acreditam estar prontas para exercer, torna-se profissional antes de ter a experiência apenas com a teoria e no máximo algum tempo de estágio. No ofício de parteira sentimos o chamado de alguma forma e geralmente nos aproximamos da prática seja com nosso próprio corpo ou com outras mulheres ou ajudando alguma parteira. Nascemos com o DOM, é missão de vida. Entendo que alguns outros ofícios também nascem com a pessoa. Dom é diferente de talento. 
Algumas parteiras se referem ao acaso, aconteceu de uma mulher vizinha ou parente começou o parto sozinha sem ter ninguém para ajudar e chamou, ou a que teve coragem chegou e ajudou seguindo a intuição, neste momento sentiu medo e alegria algo inexplicável. Aconteceu mais uma ou duas vezes e pronto ela ouviu o chamado e sabia que tinha o Dom de parteira mesmo necessitando de muito tempo e muito mais conhecimentos e experiências mas, estava iniciada. Outras parteiras aconteceu com seu corpo ao ter seus próprios partos fez quase tudo sozinha e sentiu claramente que era capaz e naturalmente as grávidas foram chegando e os bebês nascendo com sua ajuda. No seu dia a dia a parteira não fica em um consultório ou hospital cumprindo um horário de atendimento ela está fazendo outras coisas naturalmente e quando chega alguém chamando tudo passa para o segundo plano e a prioridade é a gestante em trabalho de parto sem ter hora para voltar para sua casa. Disponibilidade, dedicação e compromisso são combustíveis que mobilizam a parteira, quando volta prá casa está cansada algumas vezes sem o devido reconhecimento, mas leva paz na consciência gratidão no espírito e emoção no coração. Sensação de dever cumprido. 
A cada parto aprendemos mais e mais por isso, quanto mais antiga mais experiente e mais sábia é a parteira. Diferente das profissões modernas que se dá todo mérito aos recém-formados no nosso caso de parteira o tempo e a experiência qualificam a profissional assim quando já idosa com muitas décadas de experiências não precisa mais estar nos partos, é mestra para ensinar e contar as histórias de vida e morte, de dor e alegrias, de bebês que se fizeram gente grande, de reconhecimentos e injustiças. Se ela formou aprendizes herdeiras do seu saber estas seguidoras irão beber dessa fonte e com segurança e determinação dar continuidade a essa tradição milenar honrando sua mestra e as ancestrais ante passadas.
Nos últimos anos em vários países, e o Brasil se inclui fortemente, estamos numa fase de emersão conquistamos visibilidade. Historicamente é cíclico que a existência e prática das parteiras emergem nas diferentes sociedades galgam visibilidade reconhecimento depois vem as tentativas de mudanças de descréditos por parte dos sistemas vigentes e de grupos sociais específicos, voltam as perseguições as iniquidades e as injustiças. Mais uma vez as parteiras voltam ao estado latente porém sem nunca deixar de atuar seguem na invisibilidade partejando silenciosamente e solitariamente como forma de cumprir a missão de sobreviver e continuar existindo. Embora muitas pessoas em diferentes sociedades acreditem que as parteiras não existem mais ou estão em extinção como parte da natureza, o elo jamais foi rompido, sobrevivemos a caça às bruxas no obscuro período da inquisição, sobrevivemos a hegemonia hospitalocêntrica criando a cultura da cesariana desnecessária e aqui estamos queridas amigas e companheiras parteiras, existimos porque resistimos, somos nós mesmas parteiras que sabemos o que fazer e como atuar nas horas de escuridão e injustiças, sabemos também que nas fases de euforia e modismos precisamos cuidar do que nos é mais precioso nosso Saber e prática repassado de geração em geração entre mulheres e homens de espírito feminino. Aqui estamos, em todos os lugares deste planeta presentes no momento sagrado em que um novo Ser brota da Pachamama saindo de dentro de uma mulher trazendo luz e esperança.
Hoje, 5 de maio de 2012 dia mundial da parteira, estou num lugar distante onde a natureza é uma explosão de vida força e beleza no alto da serra dos papagaios nas Minas Gerais, esperando o parto de uma jovem obstetriz, aprendiz de parteira do CAIS do Parto minha aluna. O bebê já está quase chegando. Hoje dia da parteira e é também a maior lua cheia do ano assim que nascer a Lua cheia de Budha faremos uma grande fogueira no quintal da casa desta mulher prestes a dar a Luz iremos celebrar a vida nova que chega plena de fé esperança e possibilidades, junto ao fogo iremos celebrar nossas ancestrais antepassadas parteiras que foram queimadas na fogueira da intolerância fogueira das vaidades fogueira das injustiças conhecida como inquisição. Iremos chamar a força dessas mulheres sábias ancestrais que antes de nós prepararam o caminho e cuidaram de preservar a cultura e a tradição, vamos honrar a existência delas e vamos honrar nossa própria existência para que tenhamos a mesma força e sabedoria de seguir na missão de parteira tradicional, para cumprir esse compromisso nascemos e aqui estamos. 
Com o coração cheio de gratidão e amor abraço todas, comadres e compadres, alunas, companheiras, mestras, afilhadas e afilhados.

Axé, namastê, I hei yá, que a grande Mãe nos abençoe.

Suely Carvalho –  61 anos, 39 anos de ofício de parteira tradicional, duas filhas, um filho, 11 netos e netas, uma bisneta. Fundadora do C.A.I.S. do Parto - 1991, coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil, cofundadora da REHUNA (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento), cofundadora da RELACAHUPAN (Rede Latino Americana pela Humanização do Parto e Nascimento), vice-presidente da ALAPAR (Aliança Latino Americana de Parteiras - México), Assessora da ASOPARUPA (Associação de Parteiras Unidas do Pacífico - Colômbia), Rede de Escolas de Parteiras -Argentina, Instrutora da formação de aprendizes de parteiras tradicionais do CAIS do Parto, Griô, leitora de aura, rezadeira, curandeira xamânica.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho

O Blog Parto no Brasil compartilha hoje uma entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho, por Say Adinkra, que nos trás a beleza do Chamado e da sacralidade feminina, numa perspectiva holística guiada pela Tradição dos povos, além da história do CAIS do Parto, em Olinda/PE, que todas às terças-feiras, há 22 anos realiza rodas de casais grávid@s, no Centro Cultural Luiz Freire, às 19h30,  na R. 27 de janeiro, 169, Carmo.




quinta-feira, 12 de maio de 2011

Post Extraordinário - Conexão Futura entrevista Suely Carvalho e Bianca Lanu, sobre parteiras tradicionais

Foi ao ar ontem o programa Conexão Futura, do Canal Futura, c/ a parteira tradicional, fundadora da Cais do Parto, que em julho comemora 20 anos e também presidente da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, Suely Carvalho, que numa deliciosa prosa nos conta como se tornou parteira, no Estado do Paraná, e como é a atuação naquilo que ela considera como um dom! Por telefone eu pude também contar sobre o Projeto Parteiras Caiçaras, o qual coordeno recentemente, c/ apoio da Secretaria de Cultura, do Governo de São Paulo, pelo Programa Ação Cultural - ProAC, onde realizo o levantamento das antigas parteiras do município de Cananéia/SP, p/ registrar seus relatos de parto e nascimento em solos caiçaras, a fim de publicar uma obra literária c/ este conteúdo, em dezembro deste ano.
Foi muito emocionante escutar Suely ( e agora vê-la!), esta querida madrinha e mestre de tantas aprendizes de parteiras, que, ao vivo, falou sobre esse chamado que venho tendo: "... a Bianca é uma futura parteira, esse ano ela começa a missão, o caminho dela, c/ o curso que a gente faz, c/ a instrução."
Quanta honra!
Aqui do lado de cá, a ligação estava muito baixa, e mal ouvia o que elas diziam, tanto que pensei que a apresentadora tinha me feito uma pergunta, mas Suely ia explicar sua vinda p/ Cananéia, em junho passado - saibam mais aqui! Peço desculpas, rs!
Dia intenso, de expectativa, de espera pelo celular tocar e falar daquilo que tenho hoje como dever, p/ que outras mulheres-mães possam ter o sabor de parir c/ naturalidade e respeito! Minha trajetória começa c/ a vinda de Rudá, a ele minha gratidão por vivenciar a experiência mais significativa pela qual já passei nestas 31 voltas ao Sol!
Assistam abaixo e se encantem também!


[Use o Keepvid para baixar o vídeo]

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O início do levantamento das parteiras tradicionais caiçaras, em Cananéia/SP

Em junho de 2010, c/ a vinda da parteira tradicional Suely Carvalho, em Cananéia/SP, iniciamos o levantamento das antigas parteiras desta ilha, c/ diversas comunidades tradicionais que ainda guardam seus saberes passados de geração p/ geração, mas que no que se refere ao parto teve a assistência medicalizada e o evento, outrora familiar, passou a ser serviço p/ médicos e hospitais. Confiram as fotos desse 1o. encontro... inesquecível!
- Álbum "Partejar" no Orkut - Suely veio acompanhada de uma de suas aprendizes de parteira, Josiane Bizarri, de Valinhos/SP e do casal Fabiane Belém e Fábio Almeida, da capital paulista. Entre os dias 13 a 16 de junho de 2010 pude ter o privilégio de contar com a presença dessas pessoas tão especiais e queridas! Também tivemos um encontro com profissionais da área da saúde e outros interessados/as do município realizado no Matimpererê Empório Cultural - Ponto de Cultura Caiçaras, no dia 15, onde vimos o vídeo "Eu acredito em parteiras", da ong Cais do Parto, de Olinda/PE, fundada por Suely há 19 anos. Também visitamos a comunidade caiçara do Ariri, na área continental, para nos encontrar com a parteira Enedina Coelho e a equipe da Saúde da Família (PSF), com o apoio da Escola Estadual Prof. Péricles Eugênio, que nos cedeu o espaço. Momentos de troca, risos, abraços, lágrimas e a certeza de que quando agimos com nosso coração os caminhos estão abertos e o poder do Criativo pode operar! Doces encantos... para todos/as que contribuíram nosso muito obrigada/o!!! E, desse trilhar muitos frutos estão sendo colhidos! Ontem tivemos uma prosa c/ a parteira Cleusa dos Reis, neste mesmo Ponto de Cultura, c/ cerca de 20 pessoas, mas esse papo vai ficar p/ um outro post, aguardem!_Na foto Suely, Josi e D. Enedina, três gerações do partejar_Créditos Bianca Lanu.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Post Extraordinário - Dia Mundial das Parteiras Tradicionais

Por Suely Carvalho
Parteira Tradicional, fundadora da CAIS do Parto e integrante da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais.

5 DE MAIO, DIA MUNDIAL DAS PARTEIRAS TRADICIONAIS
SEJAM ABENÇOADAS,
Todas as Parteiras Tradicionais de todos os lugares do mundo que honram o saber milenar das nossas ancestrais e preservam na sua prática as plantas, as rezas, os quatro elementos, o Sagrado feminino, a natureza, a vida.
Sejam abençoadas as mãos que recebem o Ser que nasce, mãos que curam, que acalentam, mãos firmes e seguras em todos os bons momentos e nos momentos de aflição. Mãos experientes que tocam, que acolhem, que abençoam.
Sejam abençoadas as Parteiras Tradicionais das localidades mais longínquas que na solidão seguem salvando vidas sem sequer questionar a informação que não chega, o apoio que nunca teve, o reconhecimento que o sistema jamais priorizou, a indiferença dos dados estatísticos com cada vida que ela amorosamente recebe e cada mulher que ela solidariamente ajuda no sagrado momento de dar à luz. Estas Parteiras seguem cumprindo sua missão de guerreira da paz sem se importar com a discriminação dos arrogantes doutores e autoridades com o preconceito da elite falida e confusa. Desde o princípio da humanidade as Parteiras sempre existiram e sempre existirão, queiram as autoridades ou não.
Sejam abençoadas as Parteiras Tradicionais urbanas que enfrentam todo tipo de dificuldade para cumprir seu Dom, sua profissão de partejar fora dos hospitais, distantes da doença e do tecnicismo garantindo a naturalidade do parir e nascer com segurança e respeito. Nas cidades, nos grandes centros urbanos as Parteiras Tradicionais sentem-se discriminadas como se fossem antiquadas, ultrapassadas porque fazem a ponte entre o antigo e o moderno, porque acreditam na simplicidade exuberante do parir e do nascer, porque sabem esperar e confiam na capacidade do corpo feminino. Porque confiam na luz, no Ser superior, porque realizam o sagrado ato de humildade diante do protagonismo feminino com segurança, com respeito, com amor incondicional.
Abençoamos nossas aprendizes de Parteira que dedicadamente confiam que é possível parir e nascer de forma natural e espontânea. Que se entregam completamente nesse conhecimento sagrado da experiência de sua mestra Parteira e assim se preparam para no futuro próximo assumir nossos lugares e garantir a continuidade desta prática milenar preservando a cultura do partejar, a tradição das ancestrais, ofertando aos céticos tecnicistas a possibilidade de rever, o lidar com a vida honrando quem veio antes de nós e respeitando quem ainda hoje acredita e faz a diferença na selva de concreto das grandes cidades, fria dura e indiferente.
Abençoamos nossos afilhados e afilhadas recebidos e acolhidos pelas nossas mãos ao nascer.
Que em cada oração seja lembrada a Parteira que lhe recebeu nesta vida, a Parteira que lhe ajudou parir.
Esta missão de Parteira está de comum acordo com a divindade, integrada com os anjos e arcanjos disseminando luz. Verdadeiras mensageiras da PAZ.
Foto de Josiane Bizarri, c/ Suely e Rudá, indo p/ o Ariri, em junho de 2010!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Instrução para Parteiras Tradicionais


Hoje compartilho um pouco do que vivenciei semana passada quando estive, por uma tarde de domingo, dia 13 e dois outros dias, na terça e quarta-feiras, na presença da parteira tradicional Suely Carvalho, fundadora da ong Cais do Parto, em Olinda/PE, na Instrução para Parteiras Tradicionais, ocorrida em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira/SP, distando 50 km aproximadamente de Cananéia, onde resido, sendo o 2o. módulo em que profissionais de várias áreas realizam esta imersão nas artes da Partería, tendo esta grande mestre Griô como porta-voz.
Tarde e dias intensos e muito felizes no sítio Toque Natural, propriedade da Acunputurista e Musicoterapeuta Esther Pallares, aliado ao carinho das mãos de Ana, que nos contemplava com deliciosos pratos vegetarianos e bolos integrais maravilhosos! Além disso, muita mulherada reunida, e, um único homem, o Rodrigo, em ótimas prosas sobre gestação, parto e pós-parto, querem mais?!
Eu quero, rs!
Suely chegou até a mim por esses caminhos que o destino nos permite viver. Através do casal Fábio e Fabiana, que gestavam Miguel, nascido meses depois pelas mãos de Suely, os recebi em junho passado em meu singelo lar! Já havia a visto pela tv, no Globo Rural, em uma matéria sobre parteiras, e cheguei a escrevê-la para solicitar a permissão de postar um lindo relato dela que havia lido no Orkut - leiam aqui Minhas mestras ancestrais. Assim, quando abri as portas do nosso chalezinho e abracei aquela parteira que nos contou muitas histórias de parto, de sua atuação, de sua luta soube, na serenidade de meu coração, a gratidão que tive por essa oportunidade - vejam aqui as imagens desse encontro!
Meses se passaram e novos trabalhos dessa parceria surgiram! A oito mãos escrevemos um projeto para a realização de uma Capacitação para Parteiras Tradicionais - indígenas, caiçaras, quilombolas e ribeirinhas, tendo em vista o contexto antropológico da região em que resido, com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, num contínuo de Mata Atlântica remanescente e uma rica biodiversidade, com a presença de comunidades tradicionais com práticas, modos de vida, mitos e ritos próprios e peculiares, pertencentes ao patrimônio material e imaterial brasileiro.
Sinto-me lisongeada por atuar profissionalmente na área da Antropologia como uma espécie de guardiã desses saberes na medida em que realizo trabalhos de resgate, registro, difusão e valorização das histórias desses povos, e o parto e nascimento fazem parte desse arcabouço em uma região escassa de riqueza econômica, mas milionária na sabedoria popular.
A metodologia aplicada nesta formação em Parteira Tradicional, oferecida pela Cais do Parto, tendo Suely como Mestre Griô, utiliza da oralidade, do resgate do sagrado feminino, da potencialidade natural e fisiológica de nosso corpo para gestar e parir. Receitas de ervas medicinais e curativas, posições para o parto, o parto, a Medicina da Placenta, a espiritualidade do parto, o pós-parto, a depressão pós-parto, os cuidados na amamentação, os 1os dias com o bebê e a formação de uma nova família são temas tratados neste curso que tem quatro módulos até sua conclusão, em que mais uma nova parteira nasce!
Vejam aqui a entrevista dada por Suely a TV Ribeira, por Esther Pallares, no Programa Medicina Alternativa.
Para ler e assistir alguns documentários em outros posts sobre Suely Carvalho acessem os links abaixo:
Ao natural - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/11/ao-natural.html
Quem agora caminha - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/10/quem-agora-caminha.html
Pelo direito de nascer de parto normal, do post Luta nossa de cada dia - http://partonobrasil.blogspot.com/2011/01/boa-noite-hoje-o-debate-por-aqui-e.html

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ao natural

A Revista Tpm filmou uma série de entrevistas com parteiras tradicionais, especialmente de regiões pernambucanas, disponíveis no vídeo Ao natural - assista abaixo.


[Use o Keepvid para baixar o vídeo]
O Blog Parto no Brasil postou em julho deste ano a matéria Em Casa, também da Tpm, #78, sobre o nascimento em casa, com entrevistas da parteira tradicional Suely Carvalho, fundadora da Cais do Parto, de Olinda/PE, que também aparece no vídeo acima e Heloisa Lessa, parteira que atua no Rio de Janeiro/RJ - leia aqui o post Sobre parir e partejar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Quem agora caminha

Compartilho hoje com vocês o belíssimo vídeo-documentário Quem agora caminha, sobre parteiras do interior pernambucano, com a participação da parteira tradicional, fundadora da Cais do Parto, Suely Carvalho.

QUEM AGORA CAMINHA... CAIS DO PARTO from paschoal samora on Vimeo.
Ainda sobre esse belo ofício leia aqui o depoimento da parteira mexicana Naolí Vinaver - Ser parteira: o chamado - redigido por Adriana T. Nogueira em novembro de 2005 e postado no site Amigas do Parto. Para ver Naolí em uma oficina acessem o álbum Parir é natural do Blog Parto no Brasil no Facebook.
No blog Bebedubem vocês podem conferir também o relato de parto domiciliar da querida parteira que amparou a vinda de Rudá, Kátia Z. A. Pedroso, de sua terceira gestação após duas cesáreas anteriores, emocionante - clic aqui, e, ainda, entrevista com a parteira Ina May - clic aqui!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Suely Carvalho em Porto Alegre/RS

A parteira tradicional Suely Carvalho, fundadora da ong Centro Ativo de Integração do Ser - Cais do Parto e presidente da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais - RNPT estará em Porto Alegre/RS no dia 24 de setembro, próxima sexta-feira. A organizadora da vivência é a doula Zezé, que atua com o Dr. Ric Jones e sua companheira Zeza. Para outras informações - email: doulazeze@yahoo.com.br; tel.: (51) 9123-6136. Foto de Josiane Bizarri, junho de 2010, Cananéia/SP.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Encontro de Parteiras - Uruguay

Divulgo o encontro de parteiras que acontecerá no Uruguay, com a presença da parteira tradicional Suely Carvalho. Saiba mais (em espanhol): SUELY CARVALLO, PARTERA TRADICIONAL DESDE 1975, FUNDADORA DE LA ONG CAIS DE PARTO Y CO-FUNDADORA DE LA ONG VIVA MUJER, RESPONSABLE DE LA CREACION DE 60 ASOCIACIONES DE PARTERAS EN BRASIL Y DE LA RED NACIONAL DE PARTERAS TRADICIONALES CONVOCA A REUNIRSE A LAS PARTERAS DE URUGUAY EN RELACION AL PARTO TRADICIONAL EL ENCUENTRO TENDRA LUGAR EN JANAJPACHA - ESPACIO PARA EL CRECIMIENTO INTERIOR. DURANTE LOS DIAS 11, 12 Y 13 DE SEPTIEMBRE.
"Hemos de reciclar los saberes en la contracultura de práctica obstétrica, haciendo emerger la cultura milenaria en el parto. Debemos honrar a nuestros antepasados parteras, pioneras del parto en esta civilización. Revisaremos las prácticas, la historia y la relación con la sociedad y con los gobiernos, la organización política y social de las parteras. Cómo creamos la red nacional de las parteras tradicionales en Brasil y cómo mantenemos y fortalecemos a este movimiento. Relación con la cultura y la educación. La visión de género estimulando la refundición y acuerdos entre el hombre y la mujer embarazada." Suely Carvalho
La organización de este encuentro se debe a la venida de Suely a Uruguay para asistir un nacimiento. El encuentro de parteras en un espacio para compartir. Contactos: Organización ? 098 407 451 ? gorkareiki@yahoo.com - Janajpacha - 098 512 818 - janajpachauruguay@yahoo.es - www.janajpacha.org.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Filme sobre mitos do parto

Partejar!


[Use o Keepvid para baixar o vídeo]
O filme é uma aula!
E no final ainda tem choro, claro! Parto lindo maravilhoso mais lindo do mundo, o nascimento do Gabriel!
Assistam e confiram Leila Katz falando sobre a vagina depois do parto. Hoje ouvi Simone Diniz (USP) dizer que a vagina ativa é uma grande ameaça conceitual. Adorei: vagina ativa! Vai dar outro post, certeza!
Notem como a parteira Suelly Carvalho distingue a dor do sofrimento. Sofrimento não. Chega de sofrer no parto!
A mulher tem direito à informação: virou minha logo.
Ao final de sua fala, Leila Katz expressa o tipo de assistência que ela oferece. Afinal é a contratação de um serviço. Ou é o quê mais? O video chegou até mim via GestaPR, postado pela Pata Merlin.

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