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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mamífera Convidada - Desatando nós. Ou como os fios da vida nos entrelaçam

No início do ano recebi um convite especial, vindo de Kalu Brum, uma das idealizadoras do Portal Vila Mamífera: escrever para o Mamíferas, como Mamífera Convidada, ao lado de Anna Gallafrio e Ana Thomaz. A pauta? Livre!

E, impossível não refletir sobre os novos caminhos traçados, ou como disse uma grande amiga no dia do meu aniversário, comemorado no início deste mês, minhas reinvenções!

O mote parto já não é mais um monotema por aqui! Linhas, agulhas, botões e retalhos fazem parte do bê-a-bá desta blogueira-comadre que vos fala - Florais de Bach também, rs!

Bora lá ler o texto Desatando nós. Ou como os fios da vida nos entrelaçam, publicado ontem, segunda-feira, dia 20, disponível aqui! Abaixo, o trecho:

A Lavanda acalma! A Camomila também. Já a Hortelã é boa para cefaleias. Alecrim para estimular e aliviar a ruminação mental, Eucalipto para descongestionar!” – exalto.


A conexão feminina se faz na palavra, no toque, no sorriso dado, e no ouvir atento, tendo o entrar e sair da agulha no tecido sua extensão, juntando pedaços e histórias!


Foto: Bianca Lanu.

sábado, 10 de agosto de 2013

Quando a voz é do pai


Por Juliano Codorna


Lembro que uma das primeiras histórias que marcaram o início desse meu processo de transformação como homem e como pai, foi quando minha companheira Bianca Lanu comentou comigo durante sua gestação que gostaria de parir o nosso filho em casa, e a minha reação foi única e imediata:
             - Não me venha com essa conversinha de antropóloga!!! rs
Mas, a partir desse momento foi dado o ponta pé inicial, mesmo sem nossa percepção, de um processo que mudaria nossas vidas para sempre e principalmente a minha, pois sou pai de “primeira viagem”. 
Bianca começou uma empreitada em busca de informações sobre parto humanizado, gestação ativa, e sempre a procura de textos, livros, vídeos, relatos de parto e com isso ela ia me passando alguns. Lembro que li durante a gestação Nascer Sorrindo, de Leboyer e O Camponês e a Parteira, de Michel Odent, além de alguns relatos de parto, mas acabava sempre assistindo algum vídeo ali meio que por acaso durante o cotidiano.
Claro que todas essas informações estavam sendo processadas em mim e a essa altura já via aquela ideia maluca como algo possível, pois aos poucos iam sendo desmistificados as impressões que tinha sobre essa possibilidade, e percebia como isso seria realmente importante para receber o Rudá e também de dar todo apoio a Bianca que desde o início pretendia ter um parto domiciliar de forma mais humana e calorosa. Outros fatores, como não acreditar no Sistema Único de Saúde e nem na Medicina convencional me ajudaram a realmente ter certeza do que seria melhor para todos nós.
No dia 23 de agosto de 2009 às 3h46 da manhã recebemos Rudá em nosso “Chalézinho”, em uma noite de chuva fina e de pouco frio... momentos inesquecíveis com pessoas que tenho o maior apreço nessa vida.
Realmente a vinda de Rudá foi algo maravilho em minha vida!
Eu sempre pretendi ter filhos, talvez até mesmo pela minha própria criação, e como filho único, sempre tive por perto dois corujões de marca maior, além do meu pai ter sido muito presente em minha criação, então acho até meio que óbvio ter Rudá como um parceiro pra essa caminhada chamada.
Mas, confesso que nunca pensei que a paternidade poderia ser algo tão transformador, pois me fez entender muitas coisas, como também me fará entender tantas outras, espero eu. E, me faz refletir de como matamos a criança que existe em nós para vivermos esse mundo cada dia mais maluco, cartesiano, e consumista.
Muita coisa sobre essa nova paternidade chegou até mim através dos relatos, textos, blogs, vídeos e livros e por isso acredito ser fundamental essas ferramentas como forma de empoderamento paterno e materno, como esse texto mesmo. Desde o nascimento do Rudá ensaio para escrever  um relato, mas a criatividade e a falta de tempo são fatores limitantes - por exemplo, esse texto mesmo era pra ser pro Dia das Mães, mas está saindo no Dias dos Pais! rs

* Mariana Massarani, A franja.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dos Trilhos

Ontem, dia 04, terça-feira inaugurei minha participação como colunista blogueira no Diário de Ourinhos, um jornal de circulação local nesta cidade do interior paulista onde passei minha infância. A terrinha.

Compartilho com vocês a leitura e @s convido para estar, às terças, lá com a gente, através do link: http://diariodeourinhos.com.br/blog.asp?codblog=37

Espiem, também, uma entrevista neste mesmo veículo sobre o papel das Doulas - aqui!

Foto de Felipe Augusto.

Dos Trilhos

Inauguro nesta terça-feira mais uma nova coluna no Diário de Ourinhos, assinada por mim, Bianca, hoje Lanu.
Nascida na 1a. segunda-feira da década de 1980, em Chavantes, passei minha infância, nos anos 90, na terrinha ourinhense, berço de velhas amizades, muitas histórias e aprendizados!
À convite de Natália Eloy venho prosear com vocês sobre o universo feminino, seus sabores, amores, dores e nascimentos, trazidos pelo ventre de cada mulher que gesta.
Com formação acadêmica em Ciências Sociais, pela Universidade Estadual de Londrina - UEL, em 2006 vim para o Vale do Ribeira, na ilha de Cananéia, litoral sul paulista colocar a teoria antropológica em práxis! Um novo modelo de vida se apresentou a mim, e muitas metamorfoses foram vividas, cercada por montanhas, botos, lagamares e um povo de uma sabedoria vasta e sustentável, narrada em seus causos, lendas, mitos e ritos.
Nessa mesma ilha lecionei, produzi projetos voltados ao registro e valorização da Cultura Caiçara, escrevi e organizei algumas publicações literárias, e pari em casa, meu 2o. filho, Rudá, e aí Lanu inicia sua caminhada mais orgânica. Do parto, me reparto e compactuo com cada mulher essa beleza da gestação, nascendo, também, o Blog Parto no Brasil em parceria com a jornalista e mestre em Saúde Pública, Ana Carolina Franzon, mãe de Iara, e minha querida amiga-comadre.
Do espaço virtual para o ativismo, a militância, e o caminhar como aprendiz de parteira tradicional, onde muitas emoções se depuraram, decantaram para que a maturidade pudesse começar a ser encontrada, nesta missão sagrada, e de imensa responsabilidade, como instrumento desse resgate da sacralidade feminina, tão massacrada por anos deste império patriarcal.
Gestação, tipos de parto, parto natural, métodos alternativos de cura, amamentação, cuidados naturais com o bebê, empoderamento e autonomia feminina serão os temas-chave desta coluna, mas, também, as andanças por outros trilhos dessa caminhante caipira, que no solo caiçara nasceu novamente!
Aho!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Doulas cuidam das gestantes antes e depois da gravidez, por Diário de Ourinhos

Nesta quinta-feira tive o prazer de estar em uma matéria do Diário de Ourinhos, jornal local do interior paulista, terrinha onde passei minha infância, dos 10 aos 17 anos, quando fui sobrevoar outros céus, em Londrina/PR, p/ estudar na Universidade Estadual de Londrina - UEL, onde cursei Ciências Sociais, tive meu 1o. filho Ícaro, e, também, conheci Ana Carolina, em 2004.

Bom, mas o papo é sobre Doulas!

Como elas atuam, como estão inseridas na área da Saúde da Mulher, como funcionam seus atendimentos, entre outras questões foram tratadas nesta pauta, bem como o curso de Doulas na Tradição, ocorrido em Bauru, no último fim-de-semana, produzido pelo Ateliê Eco Materno Jardim de Om, c/ a equipe CAIS do Parto/Cais da Luz, de Olinda/PE.

Bora conferir!

Atualmente, muitas mulheres de várias áreas estão se dedicando a essa profissão

Você já ouviu falar nas doulas? Doula é uma palavra que vem do grego e que significa mulher que serve.  Este é um dos ofícios mais antigos da humanidade, onde mulheres mais experientes cuidavam de outras mulheres durante o parto e nascimento, através da intuição, empatia e acolhimento. Atualmente muitas mulheres de várias áreas profissionais estão se dedicando como cuidadoras de gestantes durante o pré-natal, trabalho de parto, parto, nascimento e amamentação, trazendo informações embasadas, compartilhando os tipos de parto possíveis, e devolvendo às mulheres a autonomia durante esta fase do gestar e parir.


Hoje em dia, inclusive, o Ministério do Trabalho reconhece as doulas como uma ocupação profissional, através do cadastro na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) cujo número é 3221-35.

As doulas são acompanhantes de parto, mas que também contribuem durante a gestação, através de encontros e Rodas de Casais Grávidos, sendo na sua maioria mulheres que prestam apoio físico, emocional e afetivo para gestantes durante e após o parto, tanto no ambiente hospitalar, como no domiciliar. “Elas não substituem o acompanhante de parto, e, tampouco, o médico ou parteira, já que seu trabalho vem somar à equipe, servindo também de mediadora entre a assistência e a família e auxiliando no contato com a profundidade emocional da vivência do parto”, explicou Bianca Lanu, doula.

Desde que seja uma escolha da mulher que gesta, as doulas são indicadas em todos os casos, como um suporte emocional. Segundo Bianca, existem atualmente projetos tramitando para que maternidades e hospitais tenham doulas voluntárias em suas equipes, e também casos de locais onde este tipo de serviço já está disponível, como no Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte/MG.

Já temos estudos que indicam os benefícios da presença das doulas durante o trabalho de parto, parto e nascimento. Pesquisas realizadas na última década demonstraram que, sob a supervisão de uma doula, o parto evolui com maior tranquilidade e rapidez, com menos dor e complicações tanto maternas como fetais. Com a difusão da nova profissão poderá também ocorrer uma substancial redução de custos para os sistemas de saúde, graças à redução do número de intervenções médicas e do tempo de internação de mães e bebês”, afirmou.

O Ministério da Saúde (MS) considera que a participação da doula é mais um instrumento humanizador, pois ela acolhe e acompanha as mulheres na hora do parto, dando apoio emocional e incentivo não só às gestantes, mas também a seus familiares.

Apesar da mídia televisiva,  sites e blogs difundirem a atuação das doulas, sua existência para muitos ainda é uma surpresa. “Muitos profissionais da área da saúde mais convencionais, como obstetras e enfermeiras, ainda não levam em conta a importância da doula por terem receio de que ela poderia ‘ocupar’ seus lugares na assistência, o que é um grande equivoco, pois não cabe às doulas procedimentos médicos”, ressaltou.

Curso de doula

Entre os dias 17, 18 e 19 de maio, Bianca Lanu integrou um grupo de mulheres, de diferentes áreas e idades, que estiveram no Ateliê Eco Materno Jardim de Om para uma formação de Doulas na Tradição, com a equipe do Centro Ativo de Integração do Ser - CAIS do Parto/Cais da Luz, sob a coordenação da parteira tradicional Marcely Carvalho, e sua irmã Marla Carvalho, com o apoio de Denise Cardoso, gestora do espaço.

Muito mais do que técnicas, informações, métodos de alívio da dor o grupo pode compartilhar histórias e relatos sobre parto e nascimento em um ambiente acolhedor. ”De Ourinhos contamos com a presença de Patrícia Indaiá, que pariu seu segundo filho em casa no começo de dezembro, acompanhada por duas doulas e aprendizes de Parteira, comigo e com a Denise Cardoso, que auxiliamos a parteira tradicional Suely Carvalho durante o trabalho de parto e parto”, contou.

A origem do termo Doula

Por Rodrigo Francisco Barbosa

De acordo com o dicionário etimológico Chantraine[1] o adjetivo grego doula (δοῦλος) aparece nas obras de Homero apenas na forma feminina de doulé (δούλη) (Iliada 3. 409; Odisséia 4,12) que também deriva outras formas como doulios (δούλιος) e doulosuné (δουλοσύνη) que hospedam o significado geral de “escravo” (“esclave”). Ocorre ainda na Antiguidade pequenas variações do sentido: enquanto em alguns autores ela é empregada significando “escravo por natureza”, por outro lado, nas “tabuinhas micênicas” a palavra é empregada para significar tanto “os trabalhos de um escravo” como “escravo de um deus”. A palavra doulo é de origem micênica na qual o radical “dou” é a contração da palavra de origem indo-germânica “doe”, por sua vez, relacionada ao “nome de um escravo”. O verbo denominativo oriundo de doulos (δοῦλος) é douleuo (δουλεύω) e significa “ser escravo”(“etre esclave”), “prestar um serviço” (“rendre un service”). Considerando que o significado de “escravo” para os gregos antigos continha nuances um pouco diferentes de nosso sentido moderno de escravo  e escravidão, a palavra Doula no português tem uma derivação direta do adjetivo grego doulé (δούλη) e significa sobretudo, “mulher que já foi mãe e que aconselha, acompanha e assiste mulheres grávidas antes, durante e após o parto”[2], ou seja, se apresenta como uma “servidão” afetiva de dedicação exclusiva ao momento de surgimento de um próximo.

[1]     CHANTRAINE, Pierre. Dictionnaire étymologique de la langue grecque: Histoire de les mots.Tome I (Α-Δ). Éditions Klincksiege, Paris, 1968, p. 294-5.

[2]     “doula” In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-21].
Disponível na www: .

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Projeto "Parteiras Caiçaras" comemora o Dia da Parteira

Pois é, o Dia da Parteira foi em 05 de maio - e o Blog Parto no Brasil noticiou diversas ações Brasil afora, confiram aqui e aqui - e só hoje venho compartilhar c/ vcs o registro fotográfico deste dia tão especial, comemorado no Ponto de Cultura "Caiçaras", em Cananéia/SP, numa deliciosa prosa c/ a parteira Cleusa, sob os flashes de Leandro Cagiano, integrando a Marcha das Parteiras; onde pude tb relatar como foi o nascimento de Rudá, em casa, há dois anos atrás, além da exibição do doc. "Dia de Nascimento", da parteira mexicana Naoli Vinaver e a exposição de fotos de parto e nascimento da Rede Parto do Princípio. Deliciem-se c/ as lindas imagens!
















terça-feira, 24 de maio de 2011

Depois da ponte: o melhor de viajar é voltar!

Eita, o blog anda desatualizado, não é?!
Pois bem, suas editoras, depois de poucos dias juntas, c/ madrugadas a dentro em papos monotemáticos sobre (adivinhem?!) parto e obstetrícia, c/ duas crias, dois eventos e, também, alguns passeios, estiveram atribuladas, e, fora de casa, já que tanto Ana e eu fomos visitar nossos p@is, depois de nosso encontro em São Paulo, em nossas terras natais - Londrina/PR e Ourinhos/SP, passando por Bauru, onde participamos do 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, c/ a apresentação de uma palestra e de um pôster.

E, enfim, em casa, pois nada melhor do que viajar é voltar p/ seu lar, seu cantinho!
Ou seja, muita prosa p/ contar, fotos p/ mostrar, angústias p/ desabafar! Eu, em minha santa ingenuidade, nunca pensei que esta viagem fosse tão significativa, c/ encontros e certezas de que lindos caminhos estão sendo travados. Mas, hoje o dia esta atribulado, c/ mala p/ desfazer, roupa p/ lavar, casa p/ arrumar!
Aguardem nossos novos posts!
* Imagens da internet.

terça-feira, 17 de maio de 2011

3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, em Bauru/SP

HOJE, PARTO NO BRASIL EM BAURU!
18 de abril de 2011

Seminário no Senac Bauru aborda saúde da gestante e do recém-nascido
Motivado por estudos e experiências de trabalho dos membros, o Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Gaame) realiza dia 17/5/2011, das 8 às 17 horas, o 3º Seminário de Humanização da Assistência Obstétrica e Neonatal, no Senac Bauru, que aborda a realidade dos partos e nascimentos no Brasil. A participação é gratuita.
O objetivo é promover uma reflexão sobre fatores que envolvem o ciclo gestação, parto e puerpério para contribuir na redução da taxa de cesárea e auxiliar na melhoria do atendimento à mulher e ao recém-nascido.
O evento é dirigido a profissionais de obstetrícia e neonatologia, estudantes da área, pessoas que atuam na promoção, proteção e apoio ao parto humanizado e à amamentação, como aos demais interessados.
A programação é a seguinte:
8 horas – Recepção
8h15 – Abertura, com Cláudia Magalhães
8h45 – Palestra Violência Institucional na Atenção Obstétrica, com Janaína Marques
9h30 – Apresentação Experiências Bem-sucedidas: Comissão Perinatal, Movimento BH pelo Parto Normal e Aleitamento Materno, com Gisele Maciel
10h45 – Apresentação www.PartonoBrasil.com: Obstetrícia, Internet e Empoderamento, com jornalista Ana Carolina Franzon
14 horas – Exibição do vídeo De Volta para Casa, documentário sobre parto domiciliar à luz da evidência científica e da vivência emocional do parto e do nascimento, com a psicóloga e doula Eleonora de Moraes
15 horas – Depoimento
15h45 – Apresentação Parto do Princípio – Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, com a psicóloga e doula Heloisa Salgado
16h15 – Encerramento
Para ver os perfis dos participantes, clique aqui.
Clique aqui para se inscrever.
Fonte: Senac Bauru.
Av. Das Nações Unidas, 10-12 – Centro – Bauru – SP
Tel.: (14) 3321-3199 – E-mail: bauru@sp.senac.br

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Post Extraordinário - Conexão Futura entrevista Suely Carvalho e Bianca Lanu, sobre parteiras tradicionais

Foi ao ar ontem o programa Conexão Futura, do Canal Futura, c/ a parteira tradicional, fundadora da Cais do Parto, que em julho comemora 20 anos e também presidente da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, Suely Carvalho, que numa deliciosa prosa nos conta como se tornou parteira, no Estado do Paraná, e como é a atuação naquilo que ela considera como um dom! Por telefone eu pude também contar sobre o Projeto Parteiras Caiçaras, o qual coordeno recentemente, c/ apoio da Secretaria de Cultura, do Governo de São Paulo, pelo Programa Ação Cultural - ProAC, onde realizo o levantamento das antigas parteiras do município de Cananéia/SP, p/ registrar seus relatos de parto e nascimento em solos caiçaras, a fim de publicar uma obra literária c/ este conteúdo, em dezembro deste ano.
Foi muito emocionante escutar Suely ( e agora vê-la!), esta querida madrinha e mestre de tantas aprendizes de parteiras, que, ao vivo, falou sobre esse chamado que venho tendo: "... a Bianca é uma futura parteira, esse ano ela começa a missão, o caminho dela, c/ o curso que a gente faz, c/ a instrução."
Quanta honra!
Aqui do lado de cá, a ligação estava muito baixa, e mal ouvia o que elas diziam, tanto que pensei que a apresentadora tinha me feito uma pergunta, mas Suely ia explicar sua vinda p/ Cananéia, em junho passado - saibam mais aqui! Peço desculpas, rs!
Dia intenso, de expectativa, de espera pelo celular tocar e falar daquilo que tenho hoje como dever, p/ que outras mulheres-mães possam ter o sabor de parir c/ naturalidade e respeito! Minha trajetória começa c/ a vinda de Rudá, a ele minha gratidão por vivenciar a experiência mais significativa pela qual já passei nestas 31 voltas ao Sol!
Assistam abaixo e se encantem também!


[Use o Keepvid para baixar o vídeo]

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento 2010 - em Cananéia/SP

Nos dias 20 e 22 de maio de 2010 a Parto do Princípio e o Blog Parto no Brasil organizaram a Exposição Fotográfica Parir e Nascer: do trauma ao prazer, em duas comunidades tradicionais caiçaras de Cananéia, no Vale do Ribeira, litoral sul paulista, compreendendo a área continental (Comunidade do Ariri) e insular (Comunidade do Maruja, no Parque Estadual da Ilha do Cardoso - PEIC), em comemoração à Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento - 2010.
Além da exposição, contamos com a participação de algumas mulheres, moradoras do Ariri, em uma roda de conversa sobre parto e nascimento, entre elas agentes do Programa Saúde da Família (PSF) e também Dona Enedina, parteira da localidade que com seus mais de 70 anos já atendeu cerca de cem partos; nos relatos experiências, vivências, ervas usadas, benzimentos e rezas, uma riquíssima sabedoria contida nas histórias do povo, porém essas práticas já desapareceram, pois hoje o município é atendido em outra cidade em um hospital regional.
Abaixo seguem algumas fotos:
Montagem da Exposição Fotográfica no Ariri _ Não basta ser pai, tem que participar! _
Tudo pronto!
Simplicidade e beleza!
PP & SMRN
PP & E. E. Péricles Eugênio
Guilherme, o garoto curioso.
Rudá revivendo seu nascimento em casa!
Mulherada e criançada reunida!
Roda de conversa sobre parto e nascimento: o passado e o panorama atual.
Izildinha e Dona Enedina: duas gerações de parteiras no Ariri.
Ju, Bianca, agentes do PSF, Izildinha e Dona Enedina.
A organizadora e a parteira!
Em maio teremos uma nova edição do evento no Mundo todo, que c/ certeza será divulgado por aqui! Mês das Mamães, de ver lindas fotos e ter a chance de levar Parto com Amor, de Luciana e Marcelo, p/ casa, Ô delícia! Que venha maio!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Anotações da Formação Profissional em Parto Ativo, c/ Janet Balaskas

Hoje compartilho minhas anotações pessoais colhidas durante os três maravilhosos dias que passei ao lado de 30 mulheres e Janet Balaskas, que nos privilegiou c/ tantas e ricas informações acerca do Parto Ativo. Nesta vivência além de conhecermos diversas posturas verticais que auxiliam na dor durante o trabalho de parto/parto, c/ o uso da bola Suiça, também tivemos momentos de relaxamento e respiração c/ o Yoga aplicado à gestantes, no Active Birth Centre, em Londres, além de refeições vegetarianas indianas saboreadas na Associação de Yoga do Paraná (AYPAR), onde tivemos a formação, organizada pelo Espaço Aobä, em Curitiba/PR.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM PARTO ATIVO - MÓDULO I
De 15-17 Abril de 2011 - Espaço Aobä – Curitiba/PR
Janet Balaskas - Educadora Perinatal, fundadora do Active Birth Centre, em Londres e do Parto Ativo, tendo dado aulas de preparação p/ o parto há 25 anos. Também trabalha na Hungria.
Tradução: Talia Gevard.Itálico
Dia 15
Anos 70 – Inglaterra:
Início do Movimento pelo Parto Ativo, c/ passeatas e mulheres nas ruas exigindo o direito de parir c/ dignidade e respeito.
O controle ativo do trabalho de parto/parto era uma práxis do modelo obstétrico britânico, c/ indução, monitoramento eletrônico, uso de analgesia c/ peridural e cesárea, em última instância, sendo uma das características do mundo civilizado, que extinguiu o ofício das parteiras c/ a medicalização do corpo feminino.
A obstetrícia era responsável por diagnosticar problemas e salvar vidas, especialmente c/ a cesárea moderna, porém, ao invés de ter sido um modo alternativo de parto, passou a ser realizada corriqueiramente e aplicada a todas às gestantes, o que culminou na “Cultura do Medo”, atrapalhando o processo natural do nascimento.
Na mão dos profissionais em posição deitada (litotomia), a gestante fica a mercê desse modelo obstétrico, nesta medida o Parto Ativo é uma mudança de paradigma, não só nas posições, mas uma reconquista da privacidade, liberdade e controle do corpo feminino, tendo o parto como processo fisiológico e a mulher como um mamífero.
Com a medicalização do parto, quais os resultados que vemos?
Aumento das complicações e intervenções c/ o aumento da taxa de cesáreas, o que nos demonstra uma falha da Medicina, não cumprindo seu papel.
E, como o Parto Ativo deveria ser p/ uma gestante de baixo risco?
C/ 80% de chances de ter um parto vaginal.
Mas, porque ter um bebê naturalmente? O que é o Parto Ativo? Como os bebês nasciam ao longo da História, nas mais diversas culturas?
Este é nosso ponto de partida.
Imagens de mulheres em posições verticais foram vistas pela autora em um museu em Londres, o que demonstra um comportamento universal e instintivo, presente nos genes e apreendido pelas gerações, c/ a interferência da Cultura. No entanto, o saber popular foi suplantado pelo saber médico e a Ciência.
A sabedoria feminina contribuiu ao longo da História, e nos últimos 30/40 anos pesquisas demonstram como tais práticas são benéficas, c/ a redução de medicamentos alopáticos e menores taxas de cesárea.
Anos 80 – Inglaterra:
Manifesto pelo Parto Ativo, baseado em evidências científicas – (http://partonobrasil.blogspot.com/2011/04/manifesto-pelo-parto-ativo-por-janet.html)
Os benefícios do Parto Ativo:
Sacro/cóccix – Pélvis feminina perfeita p/ o parto.
O sacro tem inúmeros nervos que massageados durante o trabalho de parto contribuem na redução da dor, além disso, a relaxina e a progesterona são hormônios que amolecem a pélvis, que se alarga cerca de dois cm.
Os ossos do crânio do bebê se acomodam na pélvis, que alargada, c/ o sacro mais móvel, dá a possibilidade da cabeça do bebê se encaixar; o sacro se levanta e se abre, um design e uma fisiologia perfeita!
A pélvis se abre de frente para trás – 1/3 a mais do que na posição deitada (supina).
Alterar a posição p/ vertical já é uma transformação!
Parto Ativo= mais espaço p/ o bebê
A pélvis se assemelha a um funil (analogia). A gravidade é uma força poderosa!
Parto Ativo= gravidade
O útero:
Como funciona o útero?
Nas contrações o útero vai p/ frente. O suplemento de sangue vai p/ o útero, placenta e bebê.
No fim da gravidez, a barriga tem um peso aproximado de 10-15 kg. De costas, todo esse peso pressiona os vasos sanguíneos – veio aorta/cava, acarretando a falta de oxigenação p/ o bebê – sofrimento fetal/cesárea.
Na posição vertical e c/ o corpo p/ frente o útero também vem p/ a frente e c/ práticas simples, como a Yoga na gravidez, os benefícios são imensos.
Posição de quatro apoios:
Como os médicos ignoram isso? Faz uso de peridural, diminuindo a oxigenação p/ o útero.
Com indução e anestesia o Parto Ativo pode também ser empregado, sendo mais seguro p/ o útero trabalhar, p/ o bebê descer e nascer.
O bebê não é passivo no trabalho de parto/parto – reflexos inatos, e realiza uma grande jornada, senão a maior delas, p/ nascer.
O bebê precisa de sua mãe!
O oxigênio dá forças p/ o bebê nascer.
A pélvis tem um diâmetro maior na entrada, de um lado ao outro. O maior diâmetro da cabeça do bebê encaixa na pélvis.
A chegada no assoalho pélvico – Músculos curvos; a rotação do bebê é de 90 graus (restituição), isso quando ele está c/ seu dorso voltado p/ o abdômen da mãe, preferencialmente à esquerda, mas qdo ele está em posição posterior, c/ suas costas voltada p/ as costas da mãe, ele precisa fazer duas rotações de 90 graus, característica de partos demorados, pressão anal e dor no sacro, ao invés de na pélvis. A explicação p/ esta posição posterior do bebê são os hábitos de vida e postura da mãe.
Ao longo da coluna e cabeça – parte mais pesada do bebê.
Posturas:
No fim da gestação é indicado às gestantes posições eretas, c/ a pélvis mais alta que os joelhos ou c/ o corpo p/ frente p/ ajudar o bebê a se posicionar.
O uso da bola de Pilates no pré-natal e no trabalho de parto – Posições.
O papel do acompanhante no trabalho de parto é oferecer apoio à gestante, pois o parto é um processo.
Assim, é benéfico trabalhar o Parto Ativo ao longo da gestação, c/ a Yoga para gestante, a partir da 16ª. semana, por exemplo.
Janet não gosta da denominação “fases” p/ o trabalho de parto/parto, pois a experiência é contínua.
1. Pré trabalho de parto > “Aquecendo”
Os hormônios se preparam p/ o parto – Ocitocina e endorfina, que aumentam no fim da gestação.
A mulher, nesse período, deve descansar, pois tais hormônios começam sua atuação no fim da gestação. A palavra é relaxar!
Nas últimas três/quatro semanas da gestação é iniciado o preparo p/ o trabalho de parto pelo próprio corpo. O pulmão do bebê começa a “amadurecer”, se expandindo, expelindo o fluído no líquido amniótico, que é aderido pela mãe até chegar ao cérebro materno, ativando a ocitocina – conexão.
Ansiedade, medo e stress dificultam o processo do trabalho de parto.
O colo uterino produz prostaglandina, que deixa macia a sua parte baixa.
2. “Amaciamento”
Colo do útero macio, contrações e afinamento desse colo.
* Janet não utiliza a expressão “contração”, e sim “ondas” (waves).
3. “Afinando” – Raiz do parto
Colo dilatado – 0-10 cm. O bebê desce, suas orelhas alcançam à pélvis e ajuda a abrir o colo do útero; c/ o bebê alto o colo tem dificuldade p/ abrir.
4. “Abertura”
Confiar no instinto durante a gestação.
5. “Completude”
Transição – Parto – Placenta
Reflexo de puxo do útero muito forte – retraí e empurra.
Na 1ª. hora até às quatro horas após o parto – Vínculo e amamentação.
Os Hormônios:
Janet cita Michel Odent que menciona o coquetel de hormônios produzidos durante o trabalho de parto/parto, como a ocitocina, produzida no hipotálamo, uma glândula situada atrás da cabeça.
Há um contínuo de ocitocina durante o trabalho de parto até a expulsão da placenta – Extraordinária produção. Através de pulsos chega até o útero da mulher, pela corrente sanguínea.
O ritmo do trabalho de parto é contração – descanso, como um ciclo.
A ação muscular do útero é Contração – Parto – Expulsão da placenta, c/ um pico de produção de ocitocina, que também está presente no orgasmo feminino e masculino, e na ejeção do leite, chamada por Odent como o “Hormônio do Amor”.
O processo do parto tem um efeito neurológico no cérebro, produzindo um comportamento maternal. A adrenalina inibe a ação da ocitocina.
Ansiedade, medo, ser observada estimulam o néocortex e inibem a produção de ocitocina. Proteção, silêncio, falta de estímulo, ambiente aquecido tornam o parto mais rápido, pois facilitam a liberação desse hormônio tímido.
Dar à luz envolve reflexos primitivos/animais, tal como quando se faz amor e ou se tem orgasmos – É necessário esquecer do mundo e deixar fluir, uma total entrega.
Privacidade e ambiente suave – Quente, escuro, isolado. Nada pode atrapalhar a atuação da ocitocina. As mulheres podem parir por elas mesmas, em um estado calmo, adormecido, introspectivo, em transe, c/ concentração e foco. A ocitocina dá alívio à dor, enviando ao sistema nervoso sinais, cujo efeito é a diminuição dessa sensação dolorosa.
Endorfina – Produzida na parte da frente da glândula pituitária, ao passo que a ocitocina na parte de trás dessa mesma glândula.
OCITOCINA – ENDORFINA > Química natural em nosso próprio corpo
Em todo o processo de nascimento mãe/bebê recebem altos níveis desses hormônios, estimulando o comportamento maternal e a liberação de prolactina, que produz o leite materno. A produção de ocitocina é contínua após o parto, nascimento e no contato c/ o bebê, assim, para a mulher passar por essa experiência é ir muito além da dor.
Os bebês nascem sem chorar, ficam c/ os olhos abertos, prontos, formando um grande vínculo.
Na Inglaterra, após 40 semanas, as gestantes são induzidas e as taxas de cesárea estão crescendo cada vez mais.
Terapias complementares p/ acelerar e entrar em trabalho de parto contribui e muito, como a Reflexologia, uso de Mocha, Acupuntura etc.
O corpo sabe à hora de nascer e o bebê também!
A gestante precisa relaxar e se ela souber a fisiologia de seu corpo terá confiança, mas como ajudá-la? A ansiedade não é um estado natural de uma gestante. Falta compreensão da fisiologia do parto.
Parto & Sexo – Condição médica nos dias atuais.
A preparação durante a gestação deve ser holística, e contribui p/ reduzir a ansiedade.
Janet se encontra uma vez por semana c/ suas gestantes no Active Birth Centre, por duas horas p/ praticar Yoga p/ o parto ativo, sendo que é a partir da 16ª. semana que as grávidas iniciam os exercícios, geralmente. Essas aulas são mistas, c/ gestantes em todas as semanas, onde há uma troca neste processo educativo. No grupo de grávidas todas trocam e aprendem, compartilham suas experiências, tomam chá; uma vez por mês também há um encontro c/ a presença dos pais. Doulas e obstetrizes presentes no grupo se apresentam às gestantes.
Ações Afirmativas – Afirmações (programar a mente):
MEU CORPO SABE PARIR
MEU BEBÊ SABE COMO NASCER
MEU BEBÊ SABE QUANDO NASCER
MEU BEBÊ ESTÁ DESCENDO
MEU BEBÊ ESTÁ DESCENDO FACILMENTE E C/ SUAVIDADE
MEU CORPO ESTÁ SE ABRINDO
O corpo grávido após as afirmações fica mais confortável e feliz! Este trabalho de suporte é um antídoto.
Na Inglaterra as opções de assistência neonatal são: Serviço Nacional de Saúde, c/ Parto Domiciliar c/ duas obstetrizes, que recebem treinamentos extras para PD, um supervisor fica no hospital e conversa c/ as parteiras por telefone, quando necessário. Também há a possibilidade de transferência, caso necessite. Além dessa opção também existem os Centros de Parto, para partos c/ baixo risco c/ obstetrizes, s/ epidural, c/ banheiras, em um trabalho de equipe. Por fim, pode-se parir no hospital ou contratar obstetrizes particulares. Fruto do resultado de três décadas de mobilização, campanhas e trabalho direto c/ as mulheres p/ se alcançar tais práticas, mesmo assim ainda existem problemas, como falta de recurso e de obstetrizes, sendo que apenas de 15 a 20 % das mulheres britânicas tem um parto ativo.
Ocitocina sintética – Efeito nos músculos, mas não no vínculo e na produção de endorfina, levando ao aumento do sofrimento fetal e, por fim, de cesáreas > Cascatas de intervenções.
Realizar movimentos em espiral durante o trabalho de parto e parto tem uma relação c/ a energia do Universo; entregar-se conscientemente e perceber a sexualidade no parto dá a mulher o controle da situação. Bebês que nascem c/ respeito tem uma inteligência inigualável!
Parto> Processo de coragem e de autodescoberta
* A Inglaterra é um dos Países europeus pioneiros no parto na água.
Dia 16
O local do trabalho de parto:
Chão – Tapetes, lugar limpo, c/ lençóis que possam ser higienizados facilmente.
A mulher precisa manter sua energia, dormir, comer, beber água p/ ficar hidratada e ficar relaxada. Descansar do lado esquerdo. Ter apoio e segurança. Tentar dormir. Ter uma doula. Ter ajuda c/ os outros filhos.
Posições verticais durante as contrações (“waves” – ondas). Suavidade nos movimentos, respiração abdominal. Entre as “ondas” a gestante descansa na bola suíça c/ uma toalha na bola.
O trabalho de parto fica cada vez mais profundo e o Yoga é uma ferramenta muito importante p/ meditação, respiração e relaxamento, também importantes p/ a gestante passar por este momento.
Na Inglaterra os Centros de Parto indicam p/ às gestantes ficarem em casa até as “ondas” ficarem ritmadas e padronizadas, em torno de quatro a quatro minutos.
Janet nos mostra uma foto de um iceberg, c/ a maior parte dele submersa pela água, e faz uma analogia ao útero – Educação através de uma nova linguagem c/ a mulher em trabalho de parto, se necessidade de ser medicalizada.
O uso da bola suíça p/ relaxamento e respiração – Um pouco antes da “onda” chegar à gestante relaxa e respira; no topo da “onda” ela estará preparada e focada na respiração, que deve ser intensa nesse pico. O bebê oxigenado tem energia p/ o parto. A mulher deve se concentrar no pico da “onda” – A “Zona”/Partolândia. A mulher deve ficar entregue, em transe, trabalhando junto c/ a energia do parto.
Em quatro apoios – Posição muito relaxada p/ o final do trabalho de parto, c/ “ondas” rápidas, estando à mulher aterrada ao chão, c/ a mandíbula solta e a boca aberta; os sons vem de dentro, não da garganta, são guturais e naturais. C/ a cabeça mais baixa que a pelve o parto fica mais rápido no expulsivo, além de contribuir p/ o bebê mudar de posição – Janet nos mostra uma imagem de um urso polar nessa posição (analogia).
Bebê em posição c/ as costas na coluna da mãe, ocasionando dor nas costas na gestante e pressão no ânus – No início do trabalho de parto usa-se essa postura de quatro apoios, ao invés de posições verticais.
Acupuntura, Hipnose, Reflexologia e exercícios p/ auxiliar a mudança de postura do bebê.
No Centro de Parto Ativo há uma clínica de Terapias Complementares, em Londres.
Exercícios na parede p/ virar o bebê pélvico – deitada de costas, pés na parede, almofada embaixo; posição urso polar.
Pulsatilla – Homeopatia tomada em dose alta, uma única vez, contribui p/ mudança; caminhar uma hora por dia devagar, Acupuntura.
Liberar os medos – Psicoterapia.
Trabalho individual c/ a gestante.
34 semanas – Evitar o cócoras qdo o bebê está sentado.
Preparar a gestante p/ a cesárea, p/ evitar desapontamento. O bebê vem 1º. Não idealizar o parto ativo. O bebê recebe mensagens da mãe constantemente. Acolher a mulher grávida, dar carinho e atenção.
Sobre versão externa – As parteiras tradicionais relaxam muito a gestante p/ a prática, algumas inclusive tomam uma dose de bebida alcoólica e oferecem à gestante. Janet não gosta desta técnica, pois é preciso ter muita delicadeza, p/ não ser agressiva.
O útero:
Como é seu funcionamento? Ação involuntária – reflexo.
- Fibras longitudinais que trabalham na parte superior no trabalho de parto, provocando a descida do bebê;
- Fibras oblíquas que se cruzam; presença de muitas veias, muito sangue;
- Fibras concentradas na parte baixa do útero, elípticas.
Não é necessário fazer força, mas a ação já está impregnada no inconsciente das mulheres.
O útero sabe como parir o bebê!
A consciência do parto natural está voltando e é por isso que estamos aqui hoje!”. Janet Balaskas
No Reino Unido as obstetrizes usam o Partograma.
Piscinas de parto – 75% dos hospitais ingleses tem piscinas p/ o parto.
* www.activebirth.com
Usar a piscina reduz a taxa de peridural e cesárea, baseado em muitas pesquisas, assim os hospitais aderiram por questões econômicas.
O uso da água no trabalho de parto/parto - A mulher não deve entrar na água no início do trabalho de parto; aguardar os cinco/seis dedos de dilatação. Água em temperatura pouco abaixo da temperatura ambiente, se necessário ver c/ um termômetro, de 32 a 36 graus. P/ o parto, de 35 a 36, em Países quentes. O bebê tem um grau a menos que a mãe.
O que se atentar em um parto na água:
- Qdo entrar?
- Temperatura
- Profundidade da água – água até o peito, c/ os ombros expostos. Em duas/três horas a dilatação total deve ser atingida p/ parir, se isso não acontecer, ou o trabalho de parto ficar lento é indicado sair da água.
Não dizer a mulher o que fazer, pois ela é guiada por sua intuição. O ambiente favorável contribui p/ isso. Dar sugestões, mas não prescrições; não criar regras e dar liberdade.
Odent diz que a água tem efeito sobre a ocitocina – redução.
Não ter a fantasia de parir na água, pois é preciso condições que só serão conferidas durante o parto.
Teste da piscina – “Água e Sexualidade”, Michel Odent.
Reflexo de mergulho – O bebê tem a laringe fechada e não respira pelo nariz nesse momento. O estímulo é dado quando ele sai da água e o ar toca seu rosto. Tempo do corte do cordão – Não há motivo p/ cortar o cordão umbilical antes da saída da placenta. A razão de cortar o cordão apressadamente é que após a saída do bebê é introduzida ocitocina sintética p/ dequitação da placenta, que é manual e controlada pelo médico.
“Completude”-Parto – Cabeça do bebê no assoalho pélvico – “Medo fisiológico”.
Primeiro vem o cocozinho, depois o bebezinho!”. Ina May
Dia 17
No 3º. trimestre de gestação – Relaxamento e respiração; habilidade p/ relaxar e estar calma, trabalhar o medo.
Posição de relaxamento p/ o fim da gestação – Deitar do lado esquerdo p/ o bebê ter suprimento de oxigênio. Encorajar o bebê a ficar na posição esquerda.
Muito dos problemas da amamentação começam c/ o uso de medicamentos durante o parto, como a ocitocina sintética e a peridural, que dão um efeito combinado no bebê. É muito importante encontrar formas holísticas p/ empoderar a mulher, s/ o uso de alopáticos.
As características da “Completude”:
Na 1ª. parte do trabalho de parto a adrenalina é ausente, pois está inibida, mas uma vez completa a dilatação a mãe tem uma descarga desse hormônio, mas o que produz esse efeito? Segundo Odent o “medo fisiológico”.
O último dos quatro partos de Janet foi assistido por Odent em casa, c/ uso de piscina p/ o parto, porém como o mesmo teve uma parada de progressão, o obstetra pediu q ela saísse da água. Em poucos minutos sua filha caçula nasceu! Três anos antes Janet tinha tido uma cirurgia de fibrose no útero, tinha já 42 anos, e o bebê pesava mais de cinco quilos, mesmo assim, não teve nenhuma laceração.
Parecia que eu dirigia uma Ferrari, s/ freio!”. Michel Odent
Não ter durante o trabalho de parto e parto pessoas ansiosas por perto. As obstetrizes precisam estar conscientes do silêncio e privacidade. O principal equipamento é a mudança de consciência. Ensinar a mulher a se soltar, e no parto em si só é preciso esperar!
A importância da respiração, do movimento da pélvis. No parto ativo é necessário espaço p/ se movimentar, inclusive na água/piscina.
Quando ter o parto na água?
- Se os batimentos cardíacos do bebê estiver ok;
- Se a mulher quiser;
- Gemelares e pélvicos são contra indicados na água;
O ponto é que condições as mulheres precisam p/ produzir os seus hormônios naturais.
Quando o bebê está de ombros presos – Posição em pé, c/ um joelho no chão. Duas outras pessoas fazem pressão no quadril p/ abri-lo.
O índice de morte materna/neonatal por cesárea é de 55%, segundo estudos científicos.
É sobre liberdade que a gente fala!”. Janet Balaskas
Hands off!” – Sem as mãos, mas a postos.
O futuro começa c/ um pequeno passo!”. Janet Balaskas

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnavália


ilustração_Mariana Massarani_
Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar
Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar
Vem comemorar, escandalizar ninguém
Vem me namorar, vou te namorar também
Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar
composição_Carnavália_Tribalistas_
Hoje o Blog Parto no Brasil vem recheado para este Carnaval 2011! Contaremos para as crianças como surgiu esta festa popular símbolo de nosso País; teremos também uma programação especial de folias para a criançada do Rio de Janeiro/RJ e de São Paulo/SP, além de dicas sobre fantasias para @s pequen@s, aproveitem!
Com seus lindos traços Ziraldo nos conta sobre o surgimento do Carnaval em Olha o Carnaval aí, gente!!! (cliquem no título) e o site Smart Kids preparou na sessão Especiais uma prosa sobre o Carnaval - acessem aqui!
Saibam como se preparar e quais os cuidados com @s filhotes em - Tem problema levar nossos filhos para as festas de Carnaval conosco, do site babycenter, por Carolina Schwartz. Lembrem-se: identifiquem as crianças, deem bastante líquido, proteja-as do sol, com protetor solar e bonés, vista-as com fantasias leves e confortáveis, porque o lema é se divertir!!!
Vocês ainda não compraram as fantasias? Pois vocês podem fazê-las em casa! Para as mamães, titias e dindas crafters acessem:
Blog Criando Crianças - Carnaval: máscaras de bichinhos.
Revista Manequim - Vista esta fantasia.
Ou, vejam as lindas opções no site ciadasmães - http://www.ciadasmaes.com.br/site_/index.php/component/magebridge/carnaval.
E, por fim, preparem as agendas e anotem as programações abaixo:
Mini Humanos: É Carnaval!!! - http://minihumanos.blogspot.com/2011/03/e-carnaval.html.
ciadasmães: agenda colaborativa de carnaval para pequenos foliões - http://www.ciadasmaes.com.br/blog/2011/02/agenda-colaborativa-de-carnaval-para-pequenos-folioes/.
1001 Roteirinhos: Mamãe eu quero folia! - http://1001roteirinhos.com.br/2011/03/mamae-eu-quero-folia/ e Roteirinhos no Carnaval 2011 - http://1001roteirinhos.com.br/2011/03/roteirinhos-no-carnaval-2011/.
Ano passado eu sai pela 3a. vez no Bloco da Tiduca, em Cananéia, Vale do Ribeira/SP, e toquei lata ao som de um ritmado Afoxé! A cria, com cerca de seis meses não perdeu o bailado e também pulou conosco, com direito a abadá e teta durante a festa! Esse ano não sabemos, ainda, como curtiremos o feriadão, talvez uma esticadinha pela linda comunidade caiçara do Marujá, no Parque Estadual da Ilha do Cardoso!


_Fotos: Acervo pessoal de Bianca Lanu_Carnaval 2010_
À tod@s um maravilhoso esquindô lelê!!!

terça-feira, 1 de março de 2011

Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE II


Fotos: Acervo Espaço Aobä
Publico hoje a segunda e última parte de minhas anotações sobre o workshop que participei com o obstetra francês Michel Odent, em Curitiba/PR, no Espaço Aobä, que receberá em abril Janet Balaskas - saiba mais aqui!
Também foi em abril, no dia 06, que tive essa bela oportunidade, com a cria ainda pequenina e serelepe, com seus sete meses, lá foi toda a família para a terra das Araucárias se deleitar com tantas informações! Por acúmulo de trabalho não consegui compartilhar todas as 20 páginas rascunhadas, tendo postado somente a PARTE I desse material.
Aproveitem!
Temos, ainda, outros posts sobre o autor/tema, confiram:
Menos adrenalina e mais ocitocina no parto - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/05/menos-adrenalina-e-mais-ocitocina-no.html.
O nascimento dos mamíferos humanos - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/05/o-nascimento-dos-mamiferos-humanos.html.
Leiam agora Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE II
Na metade do século XX houve uma masculinização do ambiente do parto, com a presença de médicos treinados e especializados para participar do parto, processo esse que se desencadeou rapidamente. Aparelhos eletrônicos foram introduzidos reforçando o simbolismo do masculino.
A ocitocina foi esquecida, bem como sua condição de "hormônio tímido", tendo esse condicionamento cultural gerado muitos efeitos.
As imagens visuais no processo de parto também foram adicionadas, com vídeos e fotos de parto, o que se tornou, segundo Odent, uma epidemia nos EUA, com inúmeros vídeos de parto natural, dando ao ambiente de parto uma não-naturalidade, no sentido estrito da palavra.
Os movimentos de parto natural também diziam: "Você não pode parir sozinha!". Um novo condicionamento cultural surgia, dando confiança ao poder da fisilogia materna, visto que para parir a mulher tem que se sentir segura, porém, não observada, para que possa liberar a quantidade de ocitocina necessária, que se comporta timidamente quando em presença de outros seres, devido a inibição neo-cortical.
Parir não é assunto para o néocortex!
Nas estruturas cerebrais arcaicas notavam-se a presença da glândula pituitária e do hipotálamo, sendo que nos Homo sapiens ocorreu o desenvolvimento do néocortex, que durante o parto precisa "parar de funcionar", descansar - um dos aspectos mais importantes da fisiologia do parto, tendo a mulher protegida de estímulos, como a fala, necessitando do silêncio, o uso da palavra no TP, porém em nossa sociedade atual leva-se tempo para "aceitar" o silêncio, onde usamos demasiamente a fala racional - "Você está com oito centímetros!". Faz-se necessário ter muito cuidado ao se perguntar qualquer coisa para a mulher durante o TP, por conta desta interferência.
A luz é outro estímulo significativo durante esse processo do parto e nascimento. Quando vamos dormir, à noite, liberamos um hormônio da escuridão, a melatonina, que sem um ambiente escuro aumenta os níveis desse hormônio.
O fato de ser observado também estimula o néocortex, que dirá de cardiotocos, pessoas e câmeras fotográficas e filmadoras.
Como aceitar esses preceitos como necessidades básicas?
Aí encontramos um grande perigo! Muita atenção! A única necessidade básica é sentir-se segura e não observada.
Quem poderia estar no parto e não "atrapalhar", fazendo com que a mulher se sentisse segura? A mãe? A parteira?
O desaparecimento das parteiras indica a falta de compreensão da fisilogia do parto, tendo esse ofício ancestral se configurado como mais um membro da equipe médica.
Qual a razão para ser parteira? Entendendo o processo fisiológico enxergamos esse motivo. Assim, uma parteira "autêntica" compreende intuitivamente e cientificamente o antagonismo entre ocitocina/adrenalina e como é contagioso! A liberação de adrenalina é contagiosa! Desta forma, a duração do TP é proporcional a liberação de adrenalina entre os presentes.
Um estudo em Provence e no Reino Unido comprovaram atividades repetitivas que reduzem o nível de adrenalina, como por exemplo tricotar! Sendo assim, manter o nível de adrenalina baixo é uma das atividades de uma parteira "autêntica", conciliando conhecimento com consciência.
A fome é também um dos fatores que desencadeia mais adrenalina, e, o que dizer das inúmeras cascatas de intervenções ocorridas nos partos hospitalares, desde o parto, nascimento do bebê até a dequitação da placenta?
Após o parto o pico de ocitocina é mais alto do que qualquer outra situação, como no orgasmo, parto, ejeção do leite, pois é um momento vital, para a descida segura da placenta sem perda sanguínea.
Existem alguns fatores que colaboram para a liberação da placenta:
- A mulher não sentir frio;
- A mulher não deve ser distraída, não devendo fazer;
- Sentir o contato com o bebê, olhar em seus olhos, sentir seu cheiro e amamentá-lo.
Isso é um parto fisiológico, ou natural, muito diferente de um parto normal, vaginal, e cultural, pois está de acordo com as regras/normas sociais, pregadas nos rígidos protocolos hospitalares.
Para fazer com que as pessoas percebam o momento atual é necessário trazer-lhes informação com embasamento científico, fazendo surgir uma nova consciência, que nos é um dever, conciliando intuição e Ciência - cá está o ponto de mutação do parto.
Hoje temos pressa! Bebês precisam nascer em datas pré-agendadas. De acordo com a data da última menstruação (DUM) versus o dia da fecundação, temos 42 semanas, mas se medirmos a altura do útero, analisar quantas vezes o bebê se movimenta, sendo preciso 10 movimentações diárias, realizar uma Amnioscopia, um ultrasom, coletar a urina e ver a taxa de hormônio da placenta, estando seu funcionamento placentário perfeito, podemos aguardar a chegada desde bebê um pouco mais.
Mas, a obstetrícia se industrializou, como Odent menciona no livro O camponês e a parteira, onde ele relaciona as transformações entre a agricultura e o nascimento. Nasceu também a estandartização do parto, com o surgimento do parto vaginal e o cesáreo. Para o autor é impossível humanizar a cesárea.
Existem tipos de cesárea: a ideal, que ocorre durante o TP, sem ser de emergência, não esperando muitas horas de indução com soro, sem uso de fórceps ou ventosa e sem perda sanguínea.
Odent nos falou que verifica-se uma proporção entre a taxa de cesárea de uma instituição hospitalar se calcularmos o n° de obstetras e o de parteiras/enfermeiras obstetras (EO).
Praticamente em todos os Países o significado da partería ganhou outros contornos.
E, como escolher seu tipo de parto, entre um parto domiciliar (PD) ou um parto normal hospitalar (PNH)?
A resposta de Odent é: "Sentir-se segura é o principal! Não há um protocolo rígido. O mais apropriado é combinar a intimidade do lar com o equipamento hospitalar. Talvez esse seja o futuro.".
Os rituais e crenças mantidas de geração em geração trouxeram alguma vantagem para as sociedades, nos seus cinco continentes, em milhares de anos? Qual o motivo? A estratégia básica de sobrevivência era dominar, seja a Natureza, o Homem, o fraco, o outro. Sempre existiram rituais de separação entre mãe/filho, seja pelo xamã, parteira ou o obstetra e sua equipe de enfermagem, incluindo o pediatra, ou até mesmo pelo padrinho! O colostro e a placenta estiveram no cerne desse rito.
Muitos esqueceram que a ocitocina é um fabuloso antidepressor, então, porque hoje muitas mulheres sofrem de depressão pós-parto?
A respeito do uso da piscina de parto no TP, ao invés de parto na água, como muitos falam, Odent utiliza essa prática desde os anos 70, tendo como objetivo evitar o uso de drogas em situações específicas, como nas dores na lombar, contribuindo para a dilatação do colo uterino, e diminuindo os níveis da adrenalina. Mas, seu uso deve ser com imersão em uma água na temperatura do corpo em um curto período de tempo, não antes do meio da dilatação, por isso não se deve planejar o nascimento na água, mesmo apesar disso ele ocorrendo.
Em 1983 Odent publicou um artigo em linguagem médica sobre a equivalência de uma anestesia com o uso da piscina de parto no TP, mas estar imersa em água na temperatura do corpo é inútil se tiver pessoas observando a mulher, já que esta necessita de privacidade e não se sentir observada, que é também uma necessidade básica de outros mamíferos.
Assim, pudemos ouvir naquela fria tarde curitibana os ensinamentos e estudos deste grande pesquisador, que muito contribuiu e contribuí com o Movimento de Humanização!

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