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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Reportagem - Parto humanizado: Falta esclarecimento e divulgação

O Blog Parto no Brasil publica, na íntegra, reportagem de Rodrigo Gomes para a Rede Brasil Atual, sobre assistência humanizada ao parto e nascimento, falta de informações sobre diferentes locais de parto (Centro de Parto Normal) - e o posicionamento contrário do Conselho de Medicina -, e a boa experiência das mães com o parto fora dos hospitais.

Uma série de matérias que nos falam sobre o cerceamento da liberdade de informações sobre as diferentes possibilidades de parto e, consequentemente, o constrangimento da autonomia das mulheres. Os grifos são nossos.

A primeira é simplesmente imperdível! Foi republicada hoje no Blog do Luis Nassif, com vários comentários.
A segunda é maravilhosa, sobre mães que tiveram experiências super satisfatórias com o parto natural assistido por enfermeiras obstetras e obstetrizes - com acompanhante e contato com o bebê permanentes.
A terceira é super interessante, trata de algumas das políticas públicas que preconizam serviços obstétricos em CPN, e as dificuldades para sua implementação.
A última dá voz a um Conselheiro do CREMESP. Prefiro não comentar - de novo.

Um grande axé para Rodrigo Gomes e a turma da RBA, eles merecem!
E para minha comadre Bianca Lanu - com quem, há exatamente 3 anos, estava parindo este blog do  nosso coração.

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Em São Paulo, parto humanizado carece de esclarecimentos e divulgação

Casa de Parto de Sapopemba tem sido escondida pela prefeitura, que não permite visitas ou divulgação dos trabalhos; Conselho de Medicina é contra este tipo de nascimento


Por: Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual
Publicado em 19/12/2012, 09:13

São Paulo – Ao buscar alternativas ao parto em hospitais, atualmente dominados pelas cesarianas, as futuras mães têm dificuldade em obter informações e orientações que ajudem a escolher qual método querem para trazer seu filho ao mundo. O parto humanizado, técnica que valoriza o processo de nascimento, dispensando intervenções cirúrgicas ou medicamentosas, pode ser realizado nos centros de parto humanizado, conhecidos como Casa de Parto. Porém, a prática sofre com a desinformação, a não divulgação e a oposição da classe médica.


Nossa reportagem não recebeu autorização da Secretaria Municipal da Saúde para visitar a Casa de Parto de Sapopemba (Foto: Gerardo Lazzari/RBA)


“O parto natural respeita o tempo da mulher e do bebê, promove ações como massagens, banhos, exercícios com bola suíça, caminhada, incentiva o acompanhamento do companheiro e da família, e possibilita à mulher decidir onde quer realizar o parto: na banheira, na cama, de cócoras, etc. É feito, em geral, em locais determinados especialmente para isso, chamados casas de parto. Já o parto normal é o parto vaginal, feito de maneira convencional nos hospitais, com a mulher deitada, podendo utilizar medicamentos que estimulam as contrações, realizar anestesia, incisões e até o rompimento artificial da bolsa”, explica a presidenta da Associação de Obstetrizes do Estado de São Paulo, Ruth Osava.

As Casas de Parto foram oficializadas em agosto de 1999, por meio da Portaria 985 do Ministério da Saúde, de autoria do então ministro José Serra. Neste mesmo ano foi criada a Casa de Parto de Sapopemba, anexa a Unidade Básica de Saúde Reunidas I, no bairro São Lucas, zona leste de São Paulo. No entanto, o processo estagnou e nenhuma outra casa de parto ligada ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi aberta desde então na capital. A Casa Ângela, mantida pela Associação Comunitária Monte Azul com auxílio de parceiros internacionais, que, desde 2009, funciona no Jardim São Luiz, zona sul de São Paulo, não está integrada ao SUS.

Ruth Osava dirigiu a Casa de Parto de Sapopemba por cinco anos, desde sua fundação. Ela reclama da falta de transparência da prefeitura de São Paulo. “Parece que a prefeitura não quer que as pessoas saibam da existência da Casa de Parto. Desde 2009 temos solicitado autorização para realizar estudos sobre parto humanizado na casa e a Secretaria Municipal da Saúde não nos autoriza. Esse trabalho seria fundamental para comprovar, ou não, a segurança do parto natural”, lamenta a obstetriz. Ela afirma, ainda, que os funcionários da Casa não podem fazer divulgação ou outra ação de promoção do trabalho desenvolvido.

O procedimento de parto natural possui alguns requisitos. As mães não podem apresentar complicações durante a gravidez, como hipertensão, diabetes gestacional ou outros fatores de risco. Além disso, se qualquer problema ocorrer durante o parto, como o bebê estar em posição sentada, por exemplo, a gestante será removida para um hospital próximo por uma ambulância que permanece à disposição da unidade todo o tempo. As duas casas citadas nesta reportagem permanecem abertas 24 horas por dia e podem ser visitadas por futuros pais a qualquer momento.

Ruth destaca diversos pontos para a necessidade de "desospitalizar" o parto, o que, inclusive, surgia como recomendação da OMS à época da publicação da Resolução 985. “O ambiente hospitalar é muito estressante para uma mãe em trabalho de parto. Muita gente estranha, luzes fortes, muitas vezes sem acompanhante. Tem ainda a medicalização, que afeta não só a mãe como o bebê. Além disso, existe uma preocupação com o tempo, com a ocupação do leito, que é uma lógica mercantilista, de produção industrial. Um parto natural pode levar até 12 horas, já uma cesária não consome mais do que uma hora, o que é mais vantajoso na ótica financeira”, considera a obstetra.

O número de cesarianas no Brasil tem crescido de maneira alarmante. Em 2010, as cesárias foram 52% de todos os partos, sendo 82% dos partos na rede privada e 37% na rede pública. No entanto, a cidade de São Paulo apresenta um índice ainda maior, com 54% de cesarianas, nos partos realizados na rede pública, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os procedimentos cirúrgicos respondam por somente 15% dos partos.

Para a obstetriz do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama) Ana Cristina Duarte, é preciso um processo de educação para que o parto seja visto com naturalidade e não como prenúncio de sofrimento. “É preciso investir em informação para as futuras mães, desconstruindo essa ideia de sofrimento ligado ao parto que leva tantas delas, até mesmo, a optar pela cesariana. Muitas consideram que o parto foi bom, que foram bem atendidas, se não sentiram dor. O parto é um processo natural, que envolve, sim, alguma dor. Mas que pode ser amenizada se forem construídas experiências que coloquem a mãe e o bebê como protagonistas, que proporcionem um ambiente tranquilo e a presença de pessoas queridas”, esclarece Ana Cristina.

Para ambas as profissionais, o problema da omissão de informações e de não se incentivar a prática se deve à resistência por parte de alguns setores da saúde, como os conselhos de medicina. “Como a Casa de Parto não demanda, necessariamente, um profissional médico, ocorreu um movimento de desaprovação que evoluiu para a pressão pelo fechamento das casas e a proibição de os médicos atuarem nas unidades”, disse Ana Cristina. Em 2004, o Conselho emitiu a Resolução 111, proibindo os médicos de atuarem nestas unidades por considerá-las inseguras e inadequadas.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo é contrário à existência das casas de parto por considerar que estes locais não possuem estrutura para o profissional trabalhar adequadamente, além de não poder dar a assistência necessária em caso de complicação. Para o Conselho, o parto um processo complicado, de risco, e existem dezenas de condições em que a intervenção do médico deve ser imediata.

Casa Ângela, na Zona Sul de São Paulo, preza por um ambiente familiar que tranquilize as gestantes na hora do parto (Foto: Gerardo Lazzari/RBA)
Ruth afirma que essa preocupação se deve mais ao embasamento das escolas de medicina que, segundo ela, adotam o pensamento das escolas dos Estados Unidos. “É o medo da natureza. Nos Estados unidos tem-se a ideia de que o parto não é exatamente natural, que se deve atuar preventivamente, o que nos leva a essa quantidade de intervenções e cesarianas. Na Europa o número de cesarianas é muito baixo, pois a ideia é de que parto é um evento da natureza, que pode, eventualmente, apresentar complicações”, pondera a obstetriz.

A assessora de políticas públicas da Casa Ângela, Regina Wrasse, apresenta informações que contradizem o potencial de risco afirmado pelo CRM. “Desde fevereiro deste ano, quando começamos a realizar partos, foram 106 nascimentos, sem nenhum problema. Quando houve potencial de risco, a mãe foi transferida, em segurança, para um hospital. Vejo esse posicionamento contra as casas de parto muito mais em uma perspectiva política, de controle da atuação em saúde, do que efetivamente por um risco que elas tragam”, afirma Regina. Para ela, na defesa das casas de parto está implicado também o direito de decisão da mulher, como destacam as mães ouvidas pela nossa reportagem.

Segundo Ana Cristina, o parto natural é melhor, quando possível, porque contribui para o desenvolvimento da criança e a relação entre mãe e filho. “O processo do parto natural promove a produção de hormônios específicos que fortalecem o vínculo entre mãe e bebê, ajudam na amamentação e, também, no desenvolvimento da criança. As mães se recuperam mais rápido e vão para casa, em geral, 24 horas depois. Não somos contra a cesariana, mas defendemos que ela só deve ser utilizada, como procedimento cirúrgico que é, quando as condições apresentarem risco para a mãe ou para o bebê, ou seja, quando houver necessidade de intervenção”, explica.

A reportagem da RBA entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, solicitando informações sobre o número de mulheres atendidas pela Casa de Parto de Sapopemba, números de partos, complicações e outras informações, além de autorização para visitá-la. Após quatro dias de insistência, a resposta foi de que uma visita não seria autorizada e que a secretaria não iria apresentar qualquer informação referente à Casa.


Mãe com a filha recém-nascida na Casa Ângela

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Mães relatam 'emoção' do parto humanizado e fora dos hospitais


Experiência do nascimento natural faz mulheres que tiveram bebês em casas de parto da capital dizerem que repetiriram o procedimento em caso de nova gravidez


Por: Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual
Publicado em 20/12/2012, 09:01
Última atualização às 09:04

São Paulo – Luz suave, ambiente tranquilo, recepção aconchegante. Nas paredes, fotos de mães sorridentes, crianças confortadas, pais felizes. O ar é agradável e nem de longe carrega o odor característico dos hospitais. Atenciosas, as atendentes, enfermeiras e obstetras, respondem aos questionamentos de mães e pais, ansiosos com o momento que se aproxima, além de organizarem oficinas que explicam desde os processos do parto até como fazer papinhas. A Casa Ângela, centro de parto natural, localizado no Jardim São Luiz, região sul da capital, cumpre o ideal de proporcionar às mães um ambiente familiar em um momento tão importante: o nascimento de uma criança.

A atriz Débora Torres estava deitada, um tanto cansada, mas tranquila e sorridente. Ao seu lado, a pequena Carolina, nascida há apenas duas horas, dormia enrolada em um cobertorzinho amarelo, com luvas e touquinha brancas e rosa. “Foi maravilhoso. Meu companheiro ficou comigo todo o tempo, eu caminhei, fiquei na banheira, recebi massagens. Sempre acompanhada por uma obstetriz. Me senti em casa e o processo foi maravilhoso. Tive duas filhas em hospitais antes, mas sentia que era muito invasivo o processo. Agora não troco a casa de parto por nenhum hospital, nem particular”, contou, emocionada.

A enfermeira obstetra Sylvia Maria Furquin, que acompanhou o nascimento de Carolina, estava radiante. “Sinto que ela me escolheu. A Débora veio aqui alguns dias atrás e eu disse, brincando, que eu ia fazer o parto. Ela chegou na madrugada, mas a bolsa só rompeu depois que eu assumi o plantão. Cada criança que nasce aqui é um pouco nosso filho também, cada dia é uma emoção”, conta Sylvia.

A Casa Ângela, batizada em homenagem à parteira Ângela Gehrke, que veio da Alemanha em 1983 para se dedicar ao acompanhamento da gravidez, do parto e do pós-parto de mulheres pobres, na região do Jardim São Luiz, zona Sul de São Paulo, é mantida pela organização não governamental Associação Comunitária Monte Azul, com apoio de parceiros internacionais. A casa foi fundada em 1997, mas Ângela adoeceu no ano seguinte, voltando à Alemanha, onde morreu, em 2000. A unidade fechou em 1999. O projeto foi retomado em 2003, mas a casa só ficou pronta em 2008. Reabriu parcialmente em março de 2009, com os primeiros atendimentos de pré-natal e pós parto, e passou a realizar partos em fevereiro de 2012.

Diversas tentativas de estabelecimento de convênios com a prefeitura de São Paulo foram realizadas. Todas sem sucesso. Com isso a Casa Ângela passou a adotar um sistema em que as mulheres que moram em outras regiões da cidade e que têm condições de pagar pelo parto custeiam os trabalhos para aquelas que moram no entorno da casa e não podem pagar pelo procedimento. Aliada ao já citado apoio internacional, a casa tem conseguido manter a equipe de seis enfermeiras obstetras, uma especialista em pré-natal, uma psicóloga, uma fisioterapeuta, cinco técnicas e uma auxiliar de enfermagem, além dos profissionais administrativos e de serviços gerais.

A casa conta com quatro quartos para parto, sendo dois com banheira, com todos os equipamentos para o trabalho de parto, como banquetas para parto de cócoras, barras de apoio, bolas e chuveiro. Além disso, tem oito leitos pós-parto, sala para recém-nascido com incubadora e berço térmico, além dos procedimentos básicos de pesagem, limpeza e exames. A casa não aplica vacinas, por não possuir licença do Ministério da Saúde. Dentre suas atividades, a casa realiza oficinas de brinquedos e de papinhas, orientação para amamentação, cursos de orientação sobre parto e pós-parto para a gestante e seus familiares, entre outras ações.

As consultas de pré-natal são caracterizadas por conversas sobre diversos temas e não apenas questões técnicas como pesagem (Foto: Gerardo Lazzari/RBA)

Mesmo com a problemática para atuação, a professora de português Juliana Santos é só elogios à atuação das profissionais. “Eu queria viver o parto e não lidar como um acontecimento em si. Fiz o pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e na Casa Ângela. Na primeira era só peso, medida, 'tudo bem?' e tchau. A única vez que o médico olhou mesmo para mim foi quando eu disse que queria parir na casa de parto, que ele achou absurdo. Na Casa Ângela fazia-se isso, e também conversávamos sobre o cotidiano, as sensações, o relacionamento durante a gravidez, além dos encontros em que aprendemos a fazer brinquedos, papinhas. Isso contribui muito para essa nova identidade que teremos, porque a maternidade muda muito a gente”, destaca Juliana.

A professora não pôde ter o parto da filha Isis na Casa Ângela porque o local ainda não contava com autorização. Então procurou a Casa de Parto de Sapopemba, no bairro São Lucas, zona leste da capital, ligado à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). “Fui muito bem acolhida. Tive liberdade para decidir como fazer o parto, que foi de cócoras. O tempo todo houve uma preocupação em me deixar à vontade, saber se queria comer, caminhar, ficar na banheira. Meu marido ficou todo o tempo comigo. Ao nascer, a Isis ficou nos meus braços e nós cantamos para ela por cerca de 15 minutos”, conta, sorridente e com os olhos marejados. Doze horas depois do parto ela já estava em casa.

Na Casa de Parto de Sapopemba o acompanhamento pré-natal se inicia na 37ª semana. A gestante deve fazer o pré-natal completo em uma UBS e, se não houver nenhum fator de risco, faz o acompanhamento final, com seis consultas em média, e o parto na Casa. A unidade possui dois quartos para parto com banheira, cinco leitos pós-parto, sala para recém-nascido com incubadora e berço térmico, além dos procedimentos básicos de pesagem, limpeza, exames e vacinas. Poderia realizar, com essa estrutura, cerca de 60 partos por mês.

Como a RBA não obteve autorização da Secretaria Municipal de Saúde para visitar a Casa, que é pública, sendo informada, inclusive, que a secretaria não coloca à disposição qualquer informação estatística, nossa reportagem fez uma visita à unidade, sem se identificar como jornalista, com o objetivo de observar o atendimento que recebem as pessoas que buscam a casa, bem como sua condição estrutural.

A monitora de transporte escolar Alessandra Gomes, que mora bem em frente à Casa de Parto de Sapopemba, teve aqui a segunda filha, Ana Clara, hoje com cinco anos. Ela conta que muitas amigas dela tiveram filhos na Casa, além de uma irmã e uma cunhada. Nenhuma teve problemas. “Eu queria ter tido o meu primeiro filho aqui também, mas por conta da asma eles me encaminharam ao hospital da Vila Alpina. O nascimento da Ana foi maravilhoso, as enfermeiras são atenciosas, eu fiz exercícios com bola, fiquei na banheira. Depois dos cuidados normais, nós dormimos abraçadas. Pouco tempo após o parto eu já estava recuperada. Se eu tiver outro filho, com certeza será aqui”, exalta-se Alessandra.

Alessandra Gomes recomenda a Casa de Parto de Sapopemba, onde teve sua filha Ana, a todas as amigas (Foto: Gerardo Lazzari/RBA)
A chef de cozinha Reila Miranda, que teve a filha Maria, de um ano e meio, também em Sapopemba, iniciou um movimento para defender a Casa, organizando rodas de conversa sobre parto humanizado. “Comecei a fazer isso porque a Casa não pode se promover, a procura vem caindo. E com isso vai se justificar o fechamento por falta de procura. É uma forma de exclusão, porque as mulheres mais pobres não têm acesso a esse tipo de informação, mas a classe média cada vez mais procura esse tipo de parto, a preços altos. E aqui temos o serviço público, de excelência, humanizado e respeitoso, que querem impedir de acontecer”, afirma Reila.

Reila fez um convênio médico, depois de esperar três meses por um ultrassom na rede pública. Mas também não se sentiu acolhida no pré-natal particular. “Nunca recebi uma orientação sobre amamentação, uma conversa sobre as mudanças que eu estava vivendo. Na casa, fui bem atendida desde o primeiro momento, fui ouvida e respeitada, sou muito grata pelo carinho das profissionais. Esse trabalho precisa ser expandido”, diz a chef, referindo-se ao fato de que as casas de parto nunca foram expandidas e há uma ocultação de informações sobre parto natural na rede pública de saúde.

Para presidenta da Associação Brasileira de Obstetrizes do Estado de São Paulo, Ruth Osava, o motivo de satisfação da mães está na própria dinâmica do parto natural. “O parto natural é feito sob diversos cuidados que contribuem para o desenvolvimento do bebê, da mãe e o fortalecimento do vínculo entre os dois. A criança é muito maltratada pelo processo da cesariana, pelos medicamentos, pela retirada forçada do útero. O trabalho de parto natural prepara o bebê para a vida, é o primeiro estímulo de sobrevivência e as mães percebem a importância disso”, define Ruth.


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Projeto de lei para municipalizar casas de parto emperra no Legislativo em São Paulo


Por: Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual
Publicado em 20/12/2012, 09:08
Última atualização às 09:08

São Paulo – Com objetivo de possibilitar a instalação de novas casas de parto na capital, o Projeto de Lei (PL) 542, de 2009, que estabelece diretrizes para a criação do Programa de Parto Normal em Casas de Parto, no âmbito do município de São Paulo, de autoria da vereadora Juliana Cardoso (PT), está tramitando na Câmara dos Vereadores desde 2009. Para a assessora de Articulações Políticas e Relações Públicas da Casa Ângela, localizada na zona sul da capital, Regina Wrasse, o PL é um passo importante na concretização das casas de parto como política pública no município.

De acordo com a vereadora Juliana Cardoso, o PL transformará uma norma federal em legislação municipal, dando base legal para ampliação das casas de parto de administração pública e possibilitando que entidades privadas se tornem parceiras para prestar o serviço, como já ocorre com as Organizações Sociais de Saúde. “A Associação Comunitária Monte Azul já administra serviços de saúde na região do Jardim São Luiz e nada impede que possa assumir mais essa responsabilidade. O que precisa é de procedimento legal para isso”, explica Juliana.

A primeira análise se iniciou em setembro de 2009, com a Comissão de Constituição e Justiça, onde o PL ficou por dois anos e três meses. Depois disso, o projeto recebeu pareceres favoráveis das comissões de administração pública, de saúde, promoção social e trabalho. Falta o parecer da comissão de orçamento e finanças. Porém, de acordo com a assessoria técnica da vereadora, este parecer seria solicitado no momento da votação, não implicando dificuldades. O projeto tem de ser aprovado em duas votações no plenário e então irá para sanção do prefeito.

Para Regina, aprovação do PL é fundamental para garantir a continuidade da prestação dos serviços, o acesso das mulheres à informação parto humanizado e ao próprio parto natural. “Essa regularização é fundamental, pois permitirá estabelecermos convênios com o poder público, desenvolvendo o trabalho com estrutura e condições, garantindo o direito de decisão das mulheres sobre como querem ter seus filhos”, conclui Regina.



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Conselho Regional de Medicina de São Paulo é contrário às casas de parto



Por: Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual
Publicado em 19/12/2012, 10:00
Última atualização às 10:00

São Paulo – “Uma das decisões mais equivocadas dos gestores de saúde no nosso país”: assim o corregedor do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Krikor Boyaciyan, descreveu a Portaria 985/99, do Ministério da Saúde, que estabelece parâmetros para instalação das casas de parto no Brasil. Segundo o corregedor, posição contrária das entidades médicas visa a proteger gestantes e nascituros de condições que possam colocá-los em risco.

Boyaciyan entende que a necessidade de se manter o parto nos hospitais está relacionada a questões técnicas e à frequência de complicações nos partos. “Existe uma série de situações onde a intervenção do médico deve ser imediata, pois podem acarretar lesões e até o óbito da mãe e do bebê. Não existe parto sem risco. O ambiente hospitalar proporciona condições para a pronta ação do profissional sobre qualquer intercorrência, coisa que a casa de parto, por sua própria definição, não pode garantir”, considera.

Co-autor da Resolução 111 do Cremesp, que proíbe os profissionais médicos de atuar em casas de parto, o corregedor defende que a proibição é por uma questão de segurança. “Não é um ambiente adequado para o médico trabalhar. Nós não podemos permitir que o profissional atue sem condições minímas de estrutura, sem auxílio de anestesista, de um pediatra, longe de um hospital. Mesmo que os riscos no parto fossem raros, eu não submeteria uma mãe a esse perigo”, justifica Boyaciyan.

O médico pondera que o aumento das cesárias que, na rede pública, atinge 37% do partos na média nacional e 54% na municipal, não pode ser usado para justificar a adoção das casas de parto e que o crescimento se deve a múltiplas condições. “O número é absurdo, não se pode aprovar algo assim. Mas é um processo multifatorial. Tem contribuição do sistema de saúde, que busca lucro na maior rotatividade que a cesária proporciona, dos obstetras, que têm pressa por conta de, muitas vezes, ter outro emprego, e das próprias pacientes, que pressionam para fazer a cesariana por diversos motivos”, avalia Boyaciyan.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Boas novas da Casa Ângela!


Foto de Bianca Lanu
Por Franciely Schermak
Queremos compartilhar com vocês uma grande conquista.
Finalmente a Casa Ângela - Casa de Parto da zona sul de São Paulo, está em funcionamento. No mês passado selecionamos a nova equipe de enfermeiras obstetras e neste momento estamos em treinamentos para oferecermos um serviço de qualidade.
Assistimos há 15 partos neste mês com ótimos resultados.
Como filosofia de trabalho estamos adotando a INTERNATIONAL MOTHERBABY CHILDBIRTH INITIATIVE - 10 Passos para a otimização dos serviços de maternidade Mãe-bebê - (www.imbci.org)
A proposta de assistência é o acompanhamento do pré-natal (consultas, cursos, oficinas e trabalho corporal), assistência ao parto natural, atendimento de pós-parto, visita domiciliar, consultas de puericultura, incentivo e apoio ao aleitamento materno com posto de coleta, cursos mãe-bebê e oficinas que se estendem até o 1º ano de vida.
A possibilidade de funcionamento da casa se deve a um modelo financeiro auto-sustentável, onde oferecemos atendimento gratuito para as mulheres da área de abrangência da casa e particular para mulheres de outras regiões com opções de pacotes e negociações acessíveis.
Neste sentido também contamos com a colaboração de todos para divulgação da casa pois agora precisamos aumentar a demanda e com isso colaborarmos para um mundo melhor.
Em relação aos treinamentos da equipe, gostaríamos de contar com profissionais que tenham disponibilidade para compartilhar seus conhecimentos.
Convidamos todos para conhecer a Casa Ângela. Todas as quartas-feiras às 09:30 horas temos um grupo de acolhimento para mulheres, casais, profissionais e interessados em conhecer a casa.
Um grande abraço, Equipe Casa Ângela.
Contatos pelo e-mail: casaangela@monteazul.org.br e/ou pelo site: www.casaangela.org.br
Leiam tb:
O movimento do parto humanizado natural, pelo jornalista Luis Nassif - aqui!
E, As casas, o parto e o público, por Nanda Café, do blog Mamíferas - aqui!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Apoio a Casa Ângela

O Blog Parto no Brasil teve a querida oportunidade de ir a Casa Ângela (revejam aqui!), em maio deste ano, em um evento da Anep, p/ educadores perinatais. E, como não se encantar c/ o belo espaço, o carinho, a equipe e a história de luta, amor e dedicação de Irmã Ângela!
Por isso, divulgamos hoje o vídeo da parteira Mayra Calvette que esteve por lá, e entrevistou as gestoras do espaço, que necessita de apoio, visto que a Secretaria Municipal de Saúde não firmou convênio c/ a instituição.
Aproveitem e conheçam, ainda, o site recém lançado de Mayra, Parto pelo Mundo (Birth Around The World), onde ela acaba de embarcar em busca de novas perspectivas no cenário obstétrico, sendo seu último encontro c/ Janet Balaskas, em Londres, no Centro de Parto Ativo, e tb na Midwifery Today Internacional Conference, em Frankfurt - http://partopelomundo.com/blog/
Abaixo, o vídeo:

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sobre Casas de parto e parteiras

Nesta segunda-feira, depois de um delicioso e animado fim de semana, na companhia de amig@s na Festa da Tainha, realizada pela comunidade caiçara do Maruja, na Ilha do Cardoso, onde pude conversar brevemente c/ duas parteiras tradicionais, Augusta e Iracema, sendo a 1a. mãe da segunda, e já ter agendado p/ agosto uma prosa sobre o partejar em solos e mares de Cananéia, pelo Projeto Parteiras Caiçaras, venho, ainda, divulgar uma matéria da Rádio ONU sobre a importância e a necessidade de termos mais parteiras na atenção obstétrica, e, também, a Petição da Casa Ângela, p/ que seja firmado o convênio c/ o SUS p/ poderem atender às gestantes da região do Campo Limpo, em São Paulo, capital. Confiram, abaixo:
ONU diz que 3,6 milhões de vidas podem ser salvas com mais parteiras
por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU, de 20/06/11
Um relatório do Fundo de População das Nações Unidas alerta para o problema da escassez de parteiras em todo o mundo.
Segundo a ONU, o trabalho delas é fundamental para se alcançar as Metas do Milênio 4, 5 e 6 sobre redução da mortalidade infantil e materna.
Tratamento Adequado
Uma pesquisa com 58 países de renda baixa mostrou que 38 deles podem deixar de atingir as Metas por falta de 112 mil parteiras.
O estudo foi lançado em Durban, na África do Sul, na presença de 3 mil parteiras. Entre os países analisados estão três de língua portuguesa: Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste.
Dos três, apenas a Guiné-Bissau tem em suas comunidades agentes de saúde com algum treino como parteiras.
Mortes
A falta de tratamento adequado causa a morte de 358 mil mulheres todos os anos. O número de natimortos chega a 2,6 milhões.
A diretora do Unfpa em Genebra, Alanna Armitage, disse à Rádio ONU que as parteiras têm que estar integradas em sistemas nacionais de saúde.
Elas não podem trabalhar sozinhas. Elas têm que fazer parte de um sistema de saúde reforçado, para que esse sistema trabalhe para salvar vidas de mulheres e bebês. Esse relatório vai nos dar a oportunidade para levantar novamente o tema das parteiras, a importância delas e assim poderemos todos trabalhar juntos para assegurar que as mulheres não morram durante o parto”, afirmou.
Bordões
Para a ONU, os governos devem investir mais no treinamento de parteiras e na melhoria de serviços de saúde que ajudam a salvar a vida mas mães e dos bebês.
Por causa da escassez desses serviços, 2 milhões de recém-nascidos morrem nas primeiras 24 horas de vida.
Para pedir formação de mais parteiras, mais de mil profissionais saíram às ruas de Durban cantando bordões como “as parteiras não ficarão mais invisíveis”. Elas fizeram uma marcha de 5 km pela orla da cidade sul-africana.
Para marcar a divulgação do relatório sobre o Estado das Parteiras 2011, um grupo de acadêmicos da Universidade de Exeter, na Inglaterra, lançou um mapa interativo sobre o número de profissionais em todo o mundo.
Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/onu-diz-que-36-milhoes-de-vidas-podem-ser-salvas-com-mais-parteiras/?utm_source=newsletter&utm_medium=email& utm_campaign=mercado-etico-hoje
Casa Ângela - Parto Normal - Associação Monte Azul
Petição - assinem aqui!
Exmo. Sr. Januário Montone, secretário municipal da Saúde
Em funcionamento desde 2009, na rua Mahamed Aguil, 34, no Jardim São Luís, a Casa Angela é um Centro de Atenção à Saúde Materno-Infantil com Centro de Parto Normal autônomo (unidade isolada), conforme a Portaria 985, de 05/08/1999, do Ministério da Saúde. Por estar de acordo com os padrões estabelecidos na RDC 36/08/ANVISA para os serviços de atenção obstétrica e neonatal, possui alvará de funcionamento da ANVISA, publicado em diário oficial em 19/02/2009.
Construída e equipada pela Associação Comunitária Monte Azul, ONG que atua há 30 anos na zona Sul de São Paulo, com o apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo e de parceiros nacionais e internacionais, tem capacidade para atender 1 800 partos normais por ano, absorvendo cerca de 25% do excesso de demanda por leitos obstétricos na região.
A Casa Angela é a continuidade do trabalho iniciado pela enfermeira obstetra Angela Gehrke da Silva, que desde 1986 até seu falecimento em 2000 acompanhou um grande número de mulheres da favela Monte Azul e de outras comunidades carentes da região durante a gravidez, o parto e o puerpério. Sua atuação na humanização da assistência ao parto é amplamente reconhecida pela população local e por profissionais da saúde e de diversas áreas afins.
No primeiro ano de funcionamento (março de 2009 a março 2010), viabilizado por meio de doações e do trabalho de profissionais voluntários, foram realizados 734 atendimentos de pré-natal, 369 consultas de puerpério e amamentação (incluindo visitas domiciliares) e dez partos.
Entre os indicadores de qualidade do serviço oferecido pela Casa Angela, destacam-se a cobertura pré-natal maior ou igual a sete consultas para 96% das gestantes ante 77,6% na região do M’Boi Mirim, nenhum caso de baixo peso ao nascer (8,91% na região) e o baixo índice de prematuridade (1,96% ante 8,2% na região).
O apoio e a orientação recebidos por mães e gestantes na Casa Angela também tiveram impacto positivo no sucesso da amamentação: 84,2% das mulheres atendidas mantiveram o aleitamento materno exclusivo cinco meses após o parto.
Assim, vimos à presença das autoridades competentes para solicitar urgência na assinatura do convênio com SUS (Sistema Único de Saúde) para garantir a continuidade do funcionamento e a ampliação da capacidade de atendimento do serviço, que vem mostrando resultados tão efetivos no atendimento à saúde da população carente da zona Sul de São Paulo.
* Estivemos na Casa Ângela em maio, p/ o 2o. módulo da formação em Ed. Perinatal pela Anep-Brasil. Lugar lindo e maravilhoso, c/ profissionais preparados voltados p/ um atendimento respeitoso, que priorize à mulher e o bebê!
Nós, do blog Parto no Brasil apoiamos a Casa Ângela!
E, você, Ana Carolina, que esteve no COBEON - bora compartilhar sua vivência em terras mineiras!
Foto de Bia Fioretti, na celebração do Dia de Iemanjá, em fevereiro deste ano, em Olinda/PE, c/ as parteiras tradicionais da região.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Agenda Parto no Brasil

Confiram as novidades desta semana em nossa Agenda Parto no Brasil!
I Curso para Gestantes:

Em São Paulo, capital, a Casa Ângela recebe a parteira holandesa Mary Zwart em, Parto: posições como intervenção e prevenção de distócias.
Fundadora da Escola Perinatal Européia, membro do Fórum Europeu de Cuidados Primários, representante internacional da Iniciativa Amiga da Mãe e do Bebê (MotherBabyFriendly Care Iniciative), membro do Movimento pela Humanização do Parto (Humpar) de Portugal, sendo que no Brasil colabora com o movimento de humanização do parto e na capacitação de profissionais, Mary Zwart estará dia 13, a partir das 8 horas, na R. Mahamed Aguil, 34, Jd. Mirante, para compartilhar seus ensinamentos e práticas! Imperdível!
Vagas limitadas - investimento de R$10,00.
Outras informações pelo contato: casaangela@monteazul.org.br - Tel.: (11) 5852-5332.
Com a proposta de discutir quem são os pais de hoje nesta sociedade contemporânea serão apresentados no curso Os pais, mães e seus filhos na sociedade contemporânea algumas indicações da Psicanálise que orientam os pais a respeito dos cuidados adequados com a criança.
Destinado aos pais e pessoas interessadas, c/ investimento de R$ 120,00. Encontros na R. João Moura, 464, Conj. 5, em São Paulo, c/ grupos nos dias 20 e 27 de julho, das 20 às 22 horas, sob a coordenação do psicanalista Rubens de Aguiar Maciel (Doutor pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - FSP-USP).
Os interessados deverão fazer um depósito de 50% do valor em nome de Rubens de Aguiar Maciel, no Banco do Brasil, Banco 01, Agência 3043-0, Conta Corrente 13151-2, para garantir sua inscrição; o restante deverá ser pago durante os encontros. Após o depósito encaminhar nome e telefone para rubensm@usp.br, ou (011) 8913-3313.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Casa Angela: o sonho de uma parteira

Hoje vamos contar como foram nossos (deliciosos) dias juntas, com atividades maravilhosas e integrantes de nosso aprendizado diário no universo da humanização às assistências obstétrica e neonatal. (Texto de Bianca Lanu e Ana Carolina; Fotos: Bianca Lanu).
Nos dias 13, 14 e 15 de maio a Casa Angela - Associação Comunitária Monte Azul, na Estrada p/ Itapecerica, em São Paulo, capital, contou c/ a presença de aproximadamente 30 mulheres que participaram do 2o. módulo da formação em Educação Perinatal pela ANEP Brasil, c/ a presença das psicólogas Eleanor Luzes e Laura Uplinger e também da terapeuta Carla Machado, que coordenou os trabalhos cujo tema foi Concepção Consciente - confiram a programação em http://partonobrasil.blogspot.com/2011/05/fomacao-em-educacao-perinatal-pela-anep.html.
Na casa, também estavam expostas fotos do livro recém-lançado Parto com Amor, do casal Lucina Benatti e Marcelo Min - que logo será sorteado pelo blog!
Além da companhia de Laura e sua prosa baseada na Ciência Iniciática, que pode ser conferida em seu site Wonder Soft the Womb - http://www.wondersofthewomb.com/index.html, também pude conhecer Bia Fioretti, fotógrafa e coordenadora do projeto Mães da Pátria (acessem aqui!), que fotografa parteiras e já tem cerca de 1000 imagens registradas, com parteiras da América Latina. Para firmar o elo, Bia nos recepcionou c/ saborosas mexiricas, sem ao menos saber o quão simbólica é para mim a fruta, já que passei os últimos dos nove meses da gestação de Rudá comendo muitas mexericas, e nossa placenta num pé foi plantada, 15 dias depois de seu nascimento em nossa casa. Nem preciso dizer o quanto meu coração ficou acalentado! Bia, foi um grande prazer ter por perto aquela que há alguns anos já apreciava o inovador e magnífico trabalho, sem ao menos saber que também trilharia esse caminho de partejar!
É... nada é mesmo por acaso!
Assim, 30 mulheres, 30 histórias, 30 singularidades em um rico e lindo (micro)Cosmos!
Todas nós ali presentes, naquele final de semana frio e ensolarado na capital paulista, nos entregamos à experiência de pensar sobre o ato consciente de ser mulher, filha e mãe.

Laura Uplinger e Carla Machado nos brindaram com seus conhecimentos sobre a concepção, sobre todo o processo que compreende o momento exato em que nossos corpos deixam de ser dois, exatamente, e passam então a ser três.... sobre o momento exato em que nosso corpo de mulher recebe, materialmente, a entidade, nossa cria, que em termos médicos-objetivos-científicos-desprovidos de emoção ou individualidade é chamado concepto ou produto da concepção.

Sim, querid@s, é possível nos beneficiarmos também da percepção e vivência consciente e ativa dos processos que antecedem o nascimento, de nossos filhos sobretudo, mas de nossa própria existência. É possível e prazeroso estar atento às sutilezas de nossos gestos e pensamentos, e o nosso contexto.
E participar daquela roda organizada pela Anep-Brasil foi um mergulho intenso nas origens de nossas maternidades... Falando agora por mim, Ana Carolina, não é mesmo à toa que ambas as editoras deste blog trataram de rumar a casa de suas respectivas progenitoras tão logo fosse possível. (Em Bauru-SP, o delicioso III Seminário de Humanização era nosso único compromisso pendente).



Além da partilha intensa de relatos, com mistos de lágrimas e risos, pudemos conhecer a Casa Angela (suspiro!), uma casa de parto aconchegante, onde cada detalhe foi pensado e sonhado pela parteira alemã Angela Gehrke, mas que sem recurso não pode operar, já que a Secretaria Municipal da Saúde não firmou convênio com a instituição. A Casa Angela foi criada para atender a comunidade Monte Azul, na Zona Sul, tendo capacidade p/ 14 partos de baixo risco diários, em suítes PPP, c/ banheira, bola suíça, cavalinho, banqueta, além de um ambulatório de aleitamento materno e uma ambulância a postos, em um ambiente acolhedor que poderia ser atendido por enfermeir@s obstetras e obstetrizes, porém por questões políticas não é disponibilizado seu uso.







No sábado, após a formação com a ANEP, a querida Dal, enfermeira obstetra Romilda Dias, nos guiou pelo edifício, contando-nos das dificuldades que enfrentam para trabalhar. Também relatou experiências super gratificantes, como por exemplo, da chefe de enfermagem que foi conhecer o local após ter recebido em sua maternidade 04 parturientes que informaram terem frequentado o pré-natal da Casa, e que, segundo seu julgamento (claro!) estavam muito bem preparadas para o parto vaginal em maternidade padrão brasileira.

A Dal também tem um história que ficou famosa na obstetrícia paulistana: uma versão externa aos 45 do segundo tempo, sabe? Médico alemão, amigo da Angela, maternidade tradicional (pública) UTI de prontidão. Mas..... deu certo! E o bebê nasceu duas semanas depois! Esta é apenas uma de todas as tantas histórias que conhecemos nesta oportunidade. Gratidão!

No site encontramos como esse lindo projeto teve início, e agradecemos muito a Dal, que nos acolheu e nos contou como funciona a Casa Angela atualmente.
Nascida e formada na Alemanha, a parteira Angela Gehrke chegou ao Brasil em 1983 para trabalhar na área de saúde da Associação Comunitária Monte Azul e logo passou a se dedicar ao acompanhamento da gravidez, do parto e do pós-parto das mulheres da favela de mesmo nome, na zona Sul de São Paulo.
Inspirada em sua formação com o médico obstetra francês Frederick Leboyer, um dos pioneiros do parto humanizado, e comovida com a falta de acesso das mulheres da comunidade a serviços de saúde adequados, Angela passou a oferecer assistência ao parto e ao nascimento no ambulatório da Associação Comunitária Monte Azul.
A divulgação desse serviço sem precedentes entre as mulheres e adolescentes da favela e dos bairros adjacentes foi enorme, atraindo um número cada vez maior de interessadas. Com o tempo, a fama do parto humanizado oferecido por Angela na Monte Azul ultrapassou os limites da região e chegou até os bairros mais ricos da capital, de onde muitas mulheres passaram a se deslocar para ter seus bebês com a parteira na favela.
Primeira casa de parto
Em junho de 1997, foi inaugurada a primeira casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul, na rua Vitalina Grassman, onde hoje fica a Casa da Trilha, que oferece orientação e tratamento para dependentes químicos e seus familiares.
A proposta da casa de parto era dar prosseguimento ao trabalho desenvolvido por Angela durante 10 anos no ambulatório da Monte Azul. Nesse período, ela realizou um total de 1500 partos normais, com baixos índices de intervenção, alto grau de satisfação das mulheres e nenhum caso de morte materna ou neonatal.
Em 1998, Angela adoeceu. No ano seguinte a casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul fechou suas portas. A parteira alemã, que se tornou uma das pioneiras do movimento pela humanização do parto no Brasil, morreu vítima do câncer em 2000. Seu trabalho constitui um importante legado que até hoje, mais de dez anos depois, continua inspirando mulheres de todas as classes sociais, profissionais de saúde e pessoas dedicadas à elaboração de políticas públicas em prol da humanização do parto e do nascimento no Brasil.
Casa Angela: o projeto
Em 2003 a Associação Comunitária Monte Azul, em cooperação técnica com o Hospital Municipal do Campo Limpo e com a Secretaria Municipal da Saúde elaborou o projeto de uma nova casa de parto, batizada de Casa Angela, em homenagem à parteira Angela.
O primeiro passo foi realizar um levantamento da situação da assistência materno-infantil na região em termos de oferta e de qualidade. Foram encontrados números alarmantes: taxa de cesárea por volta de 50%, taxa de mortalidade materna acima da média do município, além de altos índices de prematuridade e baixo peso ao nascer. Analisando diversos indicadores como esses, chegou-se à conclusão de que existia demanda por uma casa de parto na região.
Em 2004 o projeto foi apresentado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Na época, houve o entendimento de que, para garantir a manutenção do serviço, inclusive o custeio da equipe profissional, a Prefeitura incluiria a Casa Angela no Programa Saúde da Família por meio de um convênio entre a SMS e a Associação Comunitária Monte Azul. Em contrapartida a entidade, com a ajuda de parceiros internacionais, assumiu os custos com as obras de construção e a aquisição de equipamentos básicos e mobiliário. Em setembro de 2005 o projeto de edificação da Casa Angela foi aprovado pela Vigilância Sanitária. A construção inciou-se em 2006.
Casa Angela: a realidade
A Casa Angela ficou pronta em 2008 e começou a funcionar parcialmente em março de 2009, com os primeiros atendimentos de pré-natal e pós parto.
No primeiro ano de funcionamento, de março de 2009 a março de 2010, foram realizadas 734 consultas de pré-natal e 369 de pós-parto (incluindo visitas domiciliares e orientação em planejamento familiar). Os grupos de apoio, oficinas e palestras para gestantes e pais atraíram 763 participantes. Além disso, 60 adolescentes foram atendidos a cada semana no programa de educação sexual “Jovens Tecendo Laços”.
Em 2008 a Casa Ângela também se tornou sede das reuniões do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil da Supervisão Técnica de Saúde M´Boi Mirim. Desde então, 1490 profissionais de saúde participaram de palestras e cursos de capacitação voltados à saúde materno-infantil, realizados pela Casa Angela.
Pronta para funcionar
A organização, a infraestrutura física, os materiais e equipamentos, bem como a qualificação dos profissionais da Casa Angela estão de acordo com os padrões estabelecidos na RDC 36/08 da Anvisa que estabelece padrões para o funcionamento de serviços de atenção obstétrica e neonatal.
A planta arquitetônica foi elaborada de acordo com as normas estabelecidas na Portaria nº 985/GM, de 5 de agosto de 1999, que cria a figura do Centro de Parto Normal, e aprovada pela Anvisa em setembro de 2005. Desde dezembro de 2008, a Casa Angela possui o alvará de funcionamento da Anvisa.
Assim, a Casa Angela possui toda a documentação necessária para funcionar como Centro de Atenção Integral à Saúde Materno-infantil com Centro de Parto Normal e Núcleo de Educação Sexual e Aconselhamento para Adolescentes.
Apresentado em 2004 à Secretaria Municipal da Saúde, seu projeto de implantação obteve, na época, parecer favorável da Prefeitura. De lá para cá, num contexto de mudanças na gestão municipal, ao primeiro parecer favorável seguiram-se cinco respostas negativas da Secretaria Municipal da Saúde. Na mais recente delas, de novembro de 2009, a Prefeitura alega que não existe esgotamento da capacidade pública de atendimento que justifique investimento privado na região. Em outras palavras, que não existe demanda pelo serviço de uma casa de parto nesse local.
Sem o convênio que possibilitaria o repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), a Casa Angela funciona atualmente de forma parcial, oferecendo atendimento pré-natal, mas sem realizar partos.
Fonte: http://www.casaangela.org.br/?page_id=64


Para conhecer também um pouco da vida desta parteira acessem: http://www.casaangela.org.br/?page_id=62
O Blog Parto no Brasil, em novembro de 2010 noticiou o lançamento de sua biografia, em Brasília/DF: http://partonobrasil.blogspot.com/2010/11/livro-reune-historias-da-parteira.html
Conheçam também a localidade:
A Casa Angela fica ao lado da Estrada de Itapecerica, a aproximadamente 300 metros do terminal de ônibus João Dias e da estação Giovanni Gronchi do Metrô (Linha 5 – Lilás), na Rua Mahamed Aguil, 34, Jd. Mirante, CEP 05801-060, em São Paulo/SP. Para contato: Tel.: (11) 5852-5332 - Email: casaangela@monteazul.org.br - Site: http://www.casaangela.org.br/
Vejam também a entrevista apresentada por Juliana Cardoso no Programa Expresso Paulistano, da TV Câmara, com a enfermeira obstetra Romilda Dias, em fevereiro deste ano:


Nós desejamos imensamente que este sonho se concretize, e que muitas mulheres-mães possam parir c/ amor e respeito, como deve ser!
É exatamente como foi destacado em The Lancet, Série Saúde no Brasil (acesse aqui os PDF's em português, até 31 de maio!): os desafios para melhorar a assistência à saúde de brasileir@s é essencialmente político.

domingo, 21 de novembro de 2010

Evento na Casa Ângela

A Casa Ângela convida para o evento O Nascimento e a Família Humana, na quinta-feira, dia 25 às 20 hs, ministrado por Ioanna Maari, da Grécia, Presidente da Organização Internacional de Educação Pré-Natal (Omaep) e uma das palestrantes da Conferência Internacional pela Humanização do Parto e Nascimento, em Brasília/DF nos próximos dias.

Onde? Casa Ângela - Rua Mahamed Aguil, # 34 - Jd. Mirante, próximo ao Terminal João Dias e ao colégio Zulmira - Zona Sul - São Paulo/SP.
Fone: (11) 5852-5332; cel.: (11) 6450-1495.
Saiba mais aqui sobre educação pré-natal no site da Anep - Associação Nacional para Educação Pré-natal.
Veja também no site Parto com Prazer a festividade de Natal na casa de parto.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Petição pela Casa Angela

A Casa Angela, casa de parto construída e mantida pela Associação Comunitária Monte Azul na zona sul de São Paulo, pede a ajuda de vocês para engrossar o movimento que solicita urgência na assinatura do convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) ao secretário municipal da Saúde, Sr. Januário Montone. A assinatura desse convênio, que vem sendo sistematicamente negada pela Prefeitura, é fundamental para garantir a continuidade do funcionamento e a ampliação da capacidade de atendimento desse serviço, que já mostra resultados efetivos no atendimento à saúde da população carente dessa região.
Este espaço de atenção à saúde da mulher e dos bebês, totalmente gratuito, oferece atendimento num local onde os serviços de saúde são escassos e precários. A Casa Angela foi construída em continuidade e substituição ao trabalho começado pela parteira alemã Angela Gherke, que viveu no Brasil muitos anos.
Pedimos o apoio de vocês! É só clicar no link e assinar:

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