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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Abaixo-assinado - Solicitação de posicionamento frente as resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ


Para: Conselho Federal de Medicina; Ministério da Saúde; Ministério Público Federal; Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro; Conselho Nacional do Direito das Mulheres; Defensoria Pública do Rio de Janeiro

Solicitamos urgente posicionamento deste órgão a respeito das resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ que se referem as atividades dos profissionais de saúde em 
partos domiciliares e hospitalares. 

Entendemos que tais resoluções ferem o direito de escolha das mulheres sobre os acompanhantes e o local de nascimento de nossos filhos e são contrárias ao que preconiza a OMS, o Ministério da Saúde e as mais atualizadas evidências científicas. Tratam-se das resoluções 265 e 266, que foram publicadas no dia 17 de julho deste ano de 2012 e referem-se às atividades dos profissionais de saúde nos partos domiciliares e hospitalares.

A resolução 265/12 proíbe a presença de médicos em partos domiciliares assim como também os impede de fazer parte de equipes de retaguarda, caso haja necessidade de remoção da mulher para ambiente hospitalar. Isso significa que os médicos cariocas que participarem de partos em casa serão punidos pelo Conselho. Estas medidas vão totalmente de encontro com a recomendação da Organização Mundial de Saúde que deixa claro a possibilidade das mulheres escolherem ter seus partos em casa, desde que elas tenham gestação de baixo risco, recebam o nível apropriado de cuidado e formulam plano de contingencia para a transferencia para uma unidade de saúde devidamente equipada. Ainda, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia (FIGO) recomenda que recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura”. E no Brasil, o Ministério da Saúde afirma que “É direito da mulher definir durante o pré-natal o local onde ocorrerá o parto.” (www.brasil.gov.br/sobre/saude/maternidade/parto)

Já a resolução 266/12 impede a participação de “doulas, obstetrizes, parteiras etc” (conforme o texto original) em partos hospitalares. Ou seja, a mulher não terá o direito de escolha da equipe de profissionais que a acompanhará no seu parto. Neste caso, a postura do Cremerj também contraria as principais conclusões científicas que recomendam a presença desses profissionais para a redução de intervenções desnecessárias e melhoria da qualidade da experiência (ver AMORIM, M; KATZ, L. Continuous support for women during childbirth disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD003766.pub3/abstract)

Acreditamos que tais resoluções mostram que o CREMERJ não está preocupado com o bem estar das mulheres e seus bebês, mas com o exercício de poder sobre os nossos corpos em detrimento dos direitos individuais e da qualidade do cuidado!

Parto do Princípio 
GAMA - Grupo Maternidade Ativa 
Casa Moara 
Ishtar - espaço para gestantes 
Associação de doulas de São Paulo 
Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal 
MAHPS 
Blog Mulheres Empoderadas

Os signatários


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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Repúdio à Resolução 266/12 do CREMERJ

A Resolução 266/12 é uma reação à Marcha do Parto em Casa, é uma reação CONTRA as milhares de mulheres que saíram às ruas de todo o país em favor dos direitos de escolha no parto.

Esta é uma situação inadmissível. Manifeste-se também: esta violência é contra TODAS as mulheres.


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Foi publicada ontem, a Resolução 266/12, do CREMERJ, que "Dispõe sobre a responsabilidade do Diretor Técnico em relação a assistência perinatal prestada por pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde", que resolve PROIBIR a presença e o acompanhamento de doulas, obstetrizes e parteiras durante o parto e pós-parto em ambiente hospitalar

A Resolução é válida para o Estado do Rio de Janeiro.

Aquelas mesmas mulheres que saíram as ruas de todo o Brasil para Marchar em favor do direito de escolhas no parto, agora, perdemos o fôlego com esta nova reação.

Por isso, o Blog Parto no Brasil publica hoje, a Carta Aberta de autoria de Melania Amorim - médica e docente de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Recife-PE).

Na carta, estão os dados científicos, as provas, evidências, de que o que vivemos atualmente no Brasil pode sim ser, de um modo geral, caracterizado como um quadro de Obstetrícia violenta contra as mulheres.

Publicamos também, imagens produzidas por mulheres e divulgadas no Facebook, em repúdio à Resolução. 

Em mais este momento, o Blog Parto no Brasil recupera as palavras de Janet Balaskas, naquele memorável encontro na Faculdade de Saúde Pública da USP, quando o Conselho Federal de Enfermagem ameaçava e persuadia servidores da educação a recomendarem o fechamento do curso de Obstetrícia da EACH/USP: "Todo o poder às parteiras!"

Nós, mulheres brasileiras, que tanto precisamos de MAIS DOULAS, MAIS PARTEIRAS e MAIS OBSTETRIZES, continuaremos lutando pelo nosso direito de escolha. Contra a soberba médica. Contra a violência obstétrica. Pela nossa saúde e segurança. Porque o parto é nosso!

Imagem divulgada por ativistas da Humanização do Parto, no Facebook
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CARTA ABERTA AO CREMERJ



Como médica-obstetra, cidadã e ativista do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento no Brasil, venho tornar público o meu repúdio à resolução 266/12 do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), que veta a presença de doulas, obstetrizes e parteiras em partos hospitalares.


Com essa resolução arbitrária e que não se justifica a partir da série de "considerandos" com que o CREMERJ inicia o seu texto, esse Conselho demonstra uma lamentável falta de conhecimento de todas as evidências científicas correntemente disponíveis pertinentes à importância das obstetrizes e doulas em um modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher. Mais ainda, vai contra as diretrizes do Ministério da Saúde e a Política Nacional de Humanização da Saúde.

A participação das obstetrizes (profissionais formadas em curso superior de Obstetrícia) não somente integra o modelo transdisciplinar de assistência ao parto, mas tem demonstrado resultados SUPERIORES a outros modelos, como é bem demonstrado na revisão sistemática da Biblioteca Cochrane: em um modelo de atenção promovido por obstetrizes, as mulheres têm menor risco de hospitalização antenatal, de analgesia regional e parto instrumental. Têm maior chance de partos sem analgesia, parto vaginal espontâneo, maior sensação de controle durante o nascimento, atendimento por uma obstetriz conhecida e início do aleitamento. Adicionalmente, têm menor risco de experimentar perda fetal antes de 24 semanas e menor duração da hospitalização neonatal. A recomendação dessa revisão sistemática é que deve-se oferercer um modelo de atenção promovido por obstetrizes à maioria d as mulheres e AS MULHERES DEVERIAM SER ENCORAJADAS A REIVINDICAR ESSA OPÇÃO.


Em relação às doulas, outra revisão sistemática da Biblioteca Cochrane incluindo 21 ensaios clínicos randomizados e mais de 15.000 mulheres avaliando os efeitos do suporte contínuo intraparto evidenciou que mulheres que receberam esse suporte tiveram maior chance de ter parto vaginal espontâneo, menor necessidade de analgesia de parto, menor risco de relatar insatisfação com a experiência de parto, menor duração do trabalho de parto, menor risco de cesariana, parto instrumental, analgesia regional e nascimento de bebês com baixos escores de Apgar no 5o. minuto. A análise de subgrupo evidenciaou que o suporte contínuo intraparto era MAIS EFETIVO quando providenciado por DOULAS!


Em maio de 2012, eu tive a oportunidade de publicar um comentário para a Biblioteca de Saúde Reprodutiva (RHL) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Dra. Leila Katz, avaliando essa revisão sistemática da Cochrane. Em nosso comentário, PUBLICADO NO SITE DA RHL com o aval da OMS, nós concluímos que TODOS OS HOSPITAIS DEVERIAM IMPLEMENTAR PROGRAMAS PARA OFERECER SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO, integrando doulas nos serviços de maternidade, UMA VEZ QUE OS MELHORES DESFECHOS MATERNOS E NEONATAIS SÃO OBTIDOS QUANDO O SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO É OFERECIDO POR DOULAS. Essa estratégia é particularmente importante quando os gestores desejam reduzir as altas taxas de cesarianas em seus hospitais ou países.


No país campeão mundial de cesarianas, no qual nos deparamos com a vergonhosa taxa de 52% de cesáreas, que superam 80% no setor privado, situação que se repete no próprio Rio de Janeiro, onde a taxa de cesáreas na maioria dos hospitais privados ultrapassa 90%, o CREMERJ tem se omitido de forma indesculpável e, mais que isso, dá mostras de que pretende alimentar e perpetuar esse modelo perverso que tantos danos e sequelas tem provocado às mulheres brasileiras. 

Em vez de combater a epidemia de cesarianas desnecessárias, o CREMERJ fecha os olhos à lamentável INFRAÇÃO ÉTICA das cesáreas SEM INDICAÇÃO MÉDICA, sob pretextos mal definidos por condições não respaldadas pela literatura. Diversos estudos demonstram que as absurdas taxas de cesárea nos hospitais brasileiros não ocorrem por pedido das mulheres, uma vez que a maioria das brasileiras continua demonstrando preferência pelo parto normal. O QUE JUSTIFICA ENTÃO TAXAS DE MAIS DE 90% DE CESÁREAS? Por que, em vez de fiscalizar, indiciar e PUNIR os médicos que ENGANAM suas pacientes e realizam cesarianas desnecessárias, infringindo assim o Artigo 14 do Capítulo III do Código de Ética Médica vigente em nosso país (que veda ao médico a realização de atos médicos desnecessários), o CREMERJ, na contramão das boas práticas baseadas em evidências, quer COIBIR estratégias que comprovadamente reduzem as taxas de intervenções e cesarianas desnecessárias?

Não podemos nos calar diante de tamanha arbitrariedade e tentativa de legislar sobre o corpo feminino, desrespeitando a autonomia e o protagonismo da mulher. O Conselho Federal de Medicina, o Ministério Público e o Ministério da Saúde devem ser notificados dessa tentativa absurda do CREMERJ de transformar o parto em um ato médico e desconsiderar tanto a atuação de outros profissionais no atendimento transdisciplinar ao parto e nascimento como o próprio DIREITO das mulheres de escolher COM QUEM querem ter os seus filhos e quem querem como acompanhantes nessa experiência única e transformadora do nascimento.

Melania Amorim, MD, PhD
Médica-obstetra
CRM - PB 5454
CRM - PE 9627

Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG, Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP, Pesquisadora Associada da Biblioteca Cochrane, Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Coordenadora do Núcleo de Parteria Urbana (NuPar) da Rede pela Humanização do Nascimento (ReHuNa)

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Retrocesso e violência contra as mulheres.
Imagem da FanPage Cientista que Virou Mãe
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Em tempo, não deixe de conferir outros posts que registram e documentam, aqui no Blog Parto no Brasil, o histórico de atuação violenta deste Conselheiros do Rio de Janeiro. É praticamente inacreditável!


É Fantástico: CREMERJ já se posicionou contra a reportagem de ontem!


terça-feira, 5 de abril de 2011

Andamento das discussões sobre o Curso de Graduação em Obstetrícia, da EACH-USP


Alguns veículos de informação noticiaram o andamento das discussões sobre o Curso de Graduação em Obstetrícia, da EACH-USP, confiram nos links:
Diretoria da EACH faz reunião c/ deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - http://each.uspnet.usp.br/site/noticia.php?id=1002;
IG - Diretoria da USP Leste promete manter n° de vagas, por Cinthia Rodrigues - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/diretoria+da+usp+leste+promete+manter+numero+de+vagas/n1300024579440.html;
G1 - Diretor da USP Leste promete manter vagas e lutar por curso de obstetrícia - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/04/diretor-da-usp-leste-promete-manter-vagas-e-lutar-por-curso-de-obstetricia.html;
Estadão - Diretoria da USP Leste diz que manterá vagas - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110405/not_imp701761,0.php.
Leiam, ainda, a Carta Aberta da Rede Parto do Princípio contra o fechamento do Curso de Obstetrícia da USP Leste - http://www.partodoprincipio.com.br/obstetriz-carta.html.
Para finalizar, um lindo e emocionante relato da obstetriz Ana Cristina Duarte, formanda da 1a. turma do curso:
Porque obstetriz, ou, O que você tem a ver com isso?

Entenda a opção pela obstetrícia. E se puder, apóie a causa.
Meu nome é Ana Cristina Duarte. Coordeno o GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (www.maternidadeativa.com.br).
Sou obstetriz formada pela USP-EACH.
Quando decidi me dedicar ao atendimento de mães e bebês, já casada, dois filhos, vida estabilizada, eu poderia ter trilhado qualquer caminho que quisesse, qualquer carreira. Mas eu esperei por alguns anos, perseguindo a Profª Dulce Gualda em todos os eventos de Humanização para saber quando sairia o prometido curso de obstetrícia da USP. No tempo em que esperei o curso sair, eu poderia já ter completado um curso de enfermagem! Mais dois semestres e algumas horas de estágio, eu já poderia ser enfermeira obstetra. Mas não era o meu sonho. Eu não me via como enfermeira, eu não queria estudar doenças, hospitais, cuidado com idosos, crianças, UTI, procedimentos, cardiologia, oncologia, sistematização do processo de cuidar, antes de me dedicar à minha paixão.
Eu queria estudar a mulher, seus processos, a gravidez, seus partos, seus bebês. Eu queria reinventar o cuidado na gravidez, parto e pós-parto. Eu queria pensar em como cuidar da mesma mulher desde o resultado do exame de gravidez, até ela estar amamentando seu bebê. Eu queria estar com ela desde o início, até o fim do processo. Com a mesma mulher, na sua família, na sua casa, no seu contexto social, emocional, afetivo. Eu me via assim, parteira. Eu não me via assim, antes enfermeira, depois especialista. Questão de identidade pessoal com uma carreira que já existe internacionalmente e já existiu no Brasil!
Quando o curso saiu para o vestibular de 2005, eu devo ter sido a primeira a me inscrever! Foram quatro anos de dedicação. Quatro anos estudando tudo o que se refere à mulher, nesta fase da vida. Tínhamos na ponta da língua tudo o que era normal e o que era anormal. Normal na média, normal fora da média, anormal. Exames, diagnósticos, sintomas. Equipe multidisciplinar, UBS, alto risco, baixo risco. Fisiologia, anatomia, nutrição, sociologia, psicologia. Mecanismos do parto, manobras, posições, apresentações, distocias, eutocia. Intervenções, estatísticas, saúde pública e privada. Filmes de parto entre técnicas de esterilização. Parto na água entre elaborações de escala.
Sacolejando em trens ou parados na Marginal Tietê ao final de um dia cansativo, nós sobrevivemos a quatro anos de intenso treinamento focado na assistência humanizada, segura e baseada em evidências no ciclo da gravidez, parto e puerpério.
Foram quatro intensos e difíceis semestres de estágio, porque ainda não existem campos de estágio onde a mulher seja vista e tratada como nós, alunos, havíamos aprendido na escola. Mas ainda assim pudemos atender muitos partos, consultas de pré natal, consultas de pós parto, em ambulatório e domicílio. Massagem nas costas e partograma, palavras de incentivo, acocorar no banheiro, abraçar, controlar a dinâmica e o gotejamento (desse não pudemos escapar). Proteção do períneo, clampeamento tardio (quando conseguíamos), contato pele-a-pele (quando transgredíamos).
Tivemos um excelente curso, que certamente poderia ser melhor (tudo pode ser sempre melhor) e que desde então vem sendo melhorado ano a ano, com novas disciplinas, reestruturação da grade, adaptação a exigências. Formamo-nos obstetrizes competentes e sedentos por trabalhar na assistência. Não queremos ser enfermeiros, nem médicos, nem psicólogos. Queremos trabalhar na assistência à saúde da mulher durante a gravidez, parto e puerpério. Apenas obstetrizes, como existem em todo o mundo sob os curiosos nomes de sage-femme, midwife, matrona, partera, hebamme, ostetrica, obstetrix, llevadora. Não estamos reinventando a roda e não negamos a importância de todas as outras profissões que existem.
Quero apenas continuar fazendo o que amo: assistência dentro de equipe multidisciplinar, com parceiros obstetras, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, doulas, educadoras, pediatras e muitos outros. Quero continuar parceira respeitosa e privilegiada desses maravilhosos médicos e enfermeiras obstetras que têm nos dado os braços nessa longa jornada pela melhoria da assistência à saúde no Brasil. Mas não quero ser enfermeira nem médica. Eu sou obstetriz.
Neste momento o primeiro e único (por enquanto) curso de formação de obstetrizes do país está sob ameaça. A USP pretende encerrar as vagas para a carreira já no próximo ano. A justificativa é que o COFEN (Conselho Federal de Enfermeiros) não nos reconhece como enfermeiros (que não queremos ser), bem como não mais reconhece a profissão obstetriz, apesar dela ser mais antiga que a enfermagem obstétrica. A proposta oficial da USP é "Fundir o curso de obstetrícia com a enfermagem", ou seja, aumentar um pouco o número de vagas para Enfermagem no vestibular e extinguir de vez a Obstetrícia.
Esse é o começo do fim. Sem vagas, sem alunos. Sem alunos, sem curso. Sem curso, sem carreira. Sem carreira, sem obstetrizes. Mesmo as que existem serão como solitárias andorinhas voando sem um bando. Sem fazer verão. Sem mudanças no cenário. Continuaremos como era antes, o que não era nada bom. Para impedir que isso aconteça, é necessária muita pressão da sociedade e é isso que estamos tentando fazer. Para isso peço sua ajuda neste momento.
Assinando nossa petição, manifestando nela a sua opinião, vamos mostrando que o curso não é uma manifestação de 250 alunos e 150 obstetrizes formados. Não estamos falando mais de um vestibular, nem de alguns formados a procurarem uma nova carreira. Assinando e manifestando repulsa a essa amputação proposta pela USP, mostramos que o curso e seu ideário são uma manifestação da sociedade por um mundo melhor, por uma forma diferente e justa de se gestar, nascer, dar à luz e amamentar seus filhos, que seja acessível a todas as mulheres. A obstetrícia não diz respeito a obstetrizes, enfermeiros, médicos, USP, CFM ou COFEN. A obstetrícia diz respeito à vida de todos e ao futuro dos nossos filhos.
Para assinar nossa petição: clique em http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452
Basta nome e RG, mas você também pode deixar uma mensagem de apoio. Não precisa preencher os outros dados.
Assinaturas já recolhidas (7800 na última visita): http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/8452/?show=500
Vídeo da Manifestação de apoio ao curso de obstetrícia da USP:
http://www.youtube.com/watch?v=-lq3BqQ6DT0
Reportagem da Globo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1470143-7823-ALUNOS+DA+FACULDADE+DE+OBSTETRICIA+DA+USP+FAZEM+PROTESTO,00.html
Reportagem no blog da fotógrafa Bia Fioretti:
http://maesdapatria.wordpress.com/2011/03/27/forca-obstetriz-uma-essencia-da-profissao/
Grupo de Apoio no Facebook:
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_149118918485370
Blog Obstetrizes Já:
http://obstetrizesja.blogspot.com/
Grata pela colaboração! E assine a petição, clicando aqui: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452

segunda-feira, 28 de março de 2011

Blogagem Coletiva - Carta de Apoio ao Curso de Obstetrícia da EACH-USP

A semana que passou foi intensa contra a redução do n° de vagas para o único curso de graduação que temos em Obstetrícia, pela Universidade de São Paulo-USP, campus Zona Leste, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades-EACH.
Contamos c/ um abaixo-assinado que circulou pelas redes afora e duas manifestações - na Reitoria da USP e no MASP, ambas na capital paulista. Mulheres c/ seus filhos/as, nascidos/as pelas mãos de obstetrizes, profissionais, estudantes, alunos/as recém formadas em Obstetrícia clamaram NÃO a esta decisão anti-democrática, c/ vozes e peitos de fora!
Movimentação linda de se ver!
Pela internet muito se falou sobre o assunto, e, nós do Blog Parto no Brasil noticiamos diariamente as novidades e imagens desses atos, c/ orgulho e felicidade (e indignação, claro!).
Abaixo publicamos uma Carta Aberta em apoio ao curso de Obstetrícia, redigida e compartilhada na web e redes sociais, c/ assinaturas de outros veículos de comunicação virtuais, entidades e apoiadores da causa, pelo direito de partejar e nascer c/ respeito!
Publiquem em seus sites/blogs!!!
CARTA DE APOIO AO CURSO DE OBSTETRÍCIA DA EACH-USP
Nós, mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), mães, profissionais das mais variadas áreas e entidades afins declaramos nosso apoio ao Curso de Obstetrícia da Escola de Artes e Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo – EACH-USP, que terá seu número de vagas reduzido e corre o risco, inclusive, de ser fechado, visto que o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) não reconhece a categoria e a USP por pressão e intimidação se posicionou em seu Relatório Estudos das Potencialidades, Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da Escola de Artes e Ciências e Humanidades da USP considerando reduzir mais de 300 vagas, de diversos cursos.
Com indignação clamamos e lutamos contra esta ação, visto que o curso é o único no País a formar obstetrizes centradas nos cuidados integrais relacionados à saúde da mulher, especialmente em um momento único como o parto e nascimento de um filho, que é visto pelos atuantes deste ofício como algo fisiológico, próprio do corpo feminino, tendo a mulher como protagonista.
Uma formação desta magnitude é uma inovação, dado que o Brasil apresenta elevadas taxas de cesarianas eletivas, alcançado patamares como o 2º. País com os mais altos índices, seja no sistema público de saúde (cerca de 45%), ou no privado (cerca de 90%), mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar um percentual de 15%, assim uma profissão centrada nas especificidades que uma gestante necessita é um ganho para a sociedade e para as futuras gerações, além do mais que já é uma vitória ter o Curso de Obstetrícia reaberto após 30 anos de sua exclusão, ocasionando cenários de violência institucional no atendimento ao parto e nascimento em várias regiões brasileiras, tratando os corpos femininos como templos do saber médico.
Pela continuidade do Curso de Obstetrícia da EACH-USP, pelo reconhecimento de nossas obstetrizes e pela arte de partejar!
Abaixo-assinamos,
Nome das entidades/grupos/coletivos/sites/blogs:
- Blog A Bolsa da Doula - Patrícia Merlin
- Aldeia Materna
- Blog Buena LecheCláudia Rodrigues
- Blog Parir é Natural - Carla Andreucci Polido
- Blog Parto no BrasilAna Carolina A. Franzon & Bianca Lanu
- Blog Mamãe Antenada - Pérola B.
- Blog Mães Empreendedoras - Vanessa Rosa
- Blog MaternAtiva - Denise Cardoso
- ciadasmães
- Gesta Paraná - Patrícia Merlin
- Grupo Curumim - Paula Vianna
- Hugo Sabatino
- Kika de Pano - Bruna Leite
- Mamíferas - Kalu Brum
- Umbiguinho Slings
- What Mommy NeedsCarolina Pombo
- Yoga para Gestantes - Anne Sobotta
24 de março de 2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Post Extraordinário - Carta de Sonia Hotmsky à ReHuNa

Divulgo a Carta de Sonia N. Hotmsky, autora da tese de doutorado em Ciências, publicada em 2007 - A formação em obstetrícia: competência e cuidado na atenção ao parto*, pela Faculdade de Medicina Preventiva da USP enviada a Rede de Humanização ao Parto e Nascimento (ReHuNa) a favor do Curso de Obstetrícia da EACH-USP:
Carta de Sonia Hotmsky à ReHuNa:
"Uma das últimas falas publicas de Angela Gehrke, obstetriz alemã que trabalhou durante anos atendendo ao prénatal, parto e pós-parto de mulheres de camadas populares, moradoras do Jardim Monte Azul no ambulatório e Casa de Parto da Associação Comunitária Monte Azul foi em um programa da GNT no qual afirmava que era essencial a colaboração entre os distintos profissionais que prestam assistência ao parto. Afinal, uma atenção centrada na mulher depende desta colaboração e deste respeito e reconhecimento mútuo. Sua fala foi particularmente impactante para todos nós presentes naquela ocasião - companheiros da ReHuNa, profissionais de saúde, feministas, mulheres 'consumidoras', ativistas lutando em prol do direito à escolha do local de parto - pois dizia isso após ter sido proibida de atuar e de ter sido fechada a casa de parto que fundou e que foi modelo para a Casa de Parto do Projeto Qualis da Fundação Zerbini - a Casa de Parto Sapopema.
As discentes e docentes do Curso de Obstetrícia da USP Leste precisam de nosso apoio!".
Foto de Deborah Rachel, daqui.
* Tese encontrada aqui.

Carta da ABENFO aos Associados

"A formação da nova obstetriz, condizente com os princípios que orientam o ensino de enfermeiras e enfermeiras obstétricas, constrói o conhecimento pautado na valorização do saber e da atuação interdisciplinares e no respeito à autonomia do cliente. Nesse contexto de revitalização das boas práticas, o ressurgimento do Curso de Obstetrícia vem tão somente revigorar a missão de todas nós, de guardiãs da fisiologia do parto e nascimento."
Editorial Boletim Informativo ABENFO - junho de 2009 (Ano 13, n. 39)
Divulgamos a Carta da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) a favor do Curso de Obstetrícia da EACH-USP:
São Paulo, 23 de março de 2011

Aos associados e interessados,
A Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) é uma entidade que acolhe as duas profissões - obstetrizes e enfermeiros obstetras - conforme assegura a sua denominação, além de enfermeiros que atuam nas áreas de saúde da mulher e do recém-nascido e repudia qualquer manifestação contrária ao Curso de Obstetrícia e seus egressos, ainda que assumidas em caráter pessoal por integrantes de sua Diretoria. Acolher uma parte dos profissionais e renegar outra é uma violação ao Regimento da ABENFO, dado que uma das finalidades centrais da entidade é a defesa de seus associados. Sejam eles obstetrizes ou enfermeiros obstetras.
A ABENFO-SP e ABENFO NACIONAL vem a público relembrar os apoios aos egressos da EACH, prestados ao longo destes anos, como o Editorial em Boletim Informativo da entidade, em março de 2006 (Ano 10, n. 32), onde se destacava a criação do curso, e outro Editorial em junho de 2009 (Ano 13, n. 39), saudando os primeiros formandos e defendendo o trabalho colaborativo. Lembra a participação da associação em eventos realizados pelos alunos da EACH, sempre que solicitada e a participação de membros de sua Diretoria em negociações junto a Secretaria de Estado da Saúde por vagas para os egressos da EACH. E, finalmente, a realização em São Paulo, do III Fórum Nacional de Políticas de atuação de Enfermeiros e Obstetrizes na Assistência à Saúde da Mulher e do Neonato, onde se buscou pacificar o máximo de ABENFOs regionais que fosse possível, em momento tormentoso, onde as resistências aos egressos da EACH ganhavam manifestações vigorosas das ABENFOs de vários estados (Editorial - Boletim Informativo Ano 13, n. 40, outubro de 2009).
Assim, a ABENFO-SP reafirma seu alinhamento com todas as lutas dos profissionais da saúde e usuários pela qualificação da assistência ao parto e nascimento, seja no aprimoramento de modelos assistenciais mais adequados para a promoção da fisiologia da gestação e parto, seja na busca dos melhores modelos de formação profissional para o parto normal.
Atenciosamente,
A Diretoria.

terça-feira, 22 de março de 2011

Nós mulheres precisamos das obstetrizes: por um parto c/ respeito!

10:35 am
Mulheres, obstetrizes, profissionais da saúde e ativistas do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento se reúnem na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo - USP, em defesa do Curso de Obstetrícia, visto que o mesmo terá suas vagas diminuídas ou, até mesmo, será fechado. O embate é entre o COREN/COFEN/USP.
Já noticiamos a situação nos posts de domingo e de ontem linkando o abaixo-assinado que já conta com mais de 5000 assinaturas! E a mídia noticia:
IG, por Cinthia Rodrigues - Fusão do curso de Obstetrícia da USP significa fim da profissão - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/fusao+do+curso+de+obstetricia+da+usp+significa+fim+da+profissao/n1238183622688.html
DCE - USP - Estudantes pela continuidade da graduação em Obstetrícia na USP - http://www.dceusp.org.br/2011/03/estudantes-pela-continuidade-da-graduacao-em-obstetricia-na-usp/
Em Defesa da Educação Pública - DCE da USP chama ato contra a extinção do curso de Obstetrícia - http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/2011/03/21/dce-da-usp-chama-ato-contra-a-extincao-do-curso-de-obstetricia/
Além disso, a Carta Aberta divulgada ontem pelo Blog Parto no Brasil, escrita pela pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública - FSP da USP, Simone Diniz, veiculou em outros endereços virtuais, como no Blog Saúde com Dilma e no site da Casa Angela. Inclusive, assinem esta petição para que a Casa Angela tenha seu convênio c/ o SUS estabelecido e dê continuidade em seus atendimentos em prol do parto normal - http://www.petitiononline.com/angela10/petition.html.
Confiram, ainda, o Relatório da EACH c/ as informações dos motivos para a diminuição do n° de vagas do Curso de Obstetrícia, entre outros - Estudo das Potencialidades, Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, disponibilizado pelo DCE.
Abaixo segue Carta de Esclarecimento do mesmo órgão:
Caros Alunos,
Na manhã desta segunda-feira, dia 21 de março, foi realizada uma reunião entre a Direção da EACH, a Presidente da Comissão de Graduação, professores e representantes discentes do curso de Obstetrícia para esclarecimento das ações empreendidas, até o momento, junto ao Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP) e à Pró-Reitoria de Graduação em prol do curso.
No período da tarde, foi realizada outra reunião, desta vez com a Pró-Reitora de Graduação, Profa. Dra. Telma Zorn, para discutir a situação do curso de Obstetrícia. Participaram também do encontro o Pró-Reitor Adjunto, Prof. Dr. Paul Jean, o Vice-Diretor da EACH, Prof. Dr. Edson Leite, a Presidente da Comissão de Graduação, Profa. Dra. Mônica Yassuda, a Coordenadora do Curso, Profa. Dra. Nádia Zanon Narchi, e as Profas. Dras. Célia Regina Melo e Jacqueline Brigagão, além de quatro representantes discentes, Flavia Estevan, Thaís Cursino, Mariana Gersavio e Jéssica Silva. A Pró-Reitora afirmou que “a principal preocupação é com os egressos e com os alunos que estão cursando Obstetrícia. Tudo será feito para melhorar o curso. Se for necessária outra reformulação, ela será feita”.
Enquanto acontecia a reunião na Pró-Reitoria, o Diretor da EACH, Prof. Dr. Jorge Boueri, estava reunido com o Presidente do COREN, Dr. Claudio Porto. A partir deste encontro, ficou acertada uma reunião de esclarecimento com todos os alunos e egressos do curso de Obstetrícia para a próxima segunda-feira, dia 28 de março, às 14h, na sede do COREN-SP na Alameda Ribeirão Preto, 82, Bela Vista. Esta reunião contará também com a presença do Prof. Dr. Francisco Cordão, assessor técnico de ensino do COREN e Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.
Quanto ao relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho para Estudo das Potencialidades, Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da EACH, presidido pelo Prof. Dr. Adolpho José Melfi, esclarecemos que o fórum para seu debate é junto à Comissão de Graduação da Escola.
Na Universidade de São Paulo é comum a avaliação permanente da graduação e a revisão dos cursos da EACH é absolutamente natural, indo de encontro às demandas sociais, científicas e tecnológicas da sociedade.
A Direção
Para finalizar a prosa assistam a manifestação dos/as estudantes de Obstetrícia após a divulgação deste relatório acima:

segunda-feira, 21 de março de 2011

Post Extraordinário - Carta de Simone Diniz em apoio ao Curso de Obstetrícia da EACH-USP

"Estimados colegas,
Como vocês devem estar acompanhando, a Reitoria da USP ameaça não oferecer ocurso de Obstetrícia no vestibular de 2012. Isto porque o Conselho Federal de Enfermagem se recusa a aceitar o registro das obstetrizes (apesar delas terem seu direito de registro garantido na justiça). Como tenho muitas amigas enfermeiras e tenho grande respeito por esta profissão, quero dizer que muitas discordam desta atitude do seu conselho e acham que as enfermeiras e obstetrizes devem estar unidas na luta por uma assistência ao parto que respeite os direitos da mulher.
Como ativistas e pesquisadores no campo de saúde e direitos da mulher, sabemos que o que o Brasil precisa hoje é de profissionais capazes de facilitar o parto fisiológico, promover um parto seguro e respeitoso, e reduzir as inaceitáveis taxas de episiotomias, induções, kristeller e outras intervenções obsoletas, agressivas, dolorosas e arriscadas no parto. Este cenário de parto agressivo somado à violência institucional e ao desrespeito ao direito a acompanhantes, faz com que muitas mulheres, para escapar da violência, prefiram uma cesárea desnecessária, com todos os riscos implicados para mãe e bebê. Ou seja, temos um conflito de interesses: manter as coisas como estão – um “parto pessimizado”, favorece aqueles profissionais que se beneficiam com este modelo violento, pois assim podem impor às mulheres o “modelo da cesárea de rotina” como alternativa “melhor”.
*A parteira de nível universitário é a profissional que atende os partos das mulheres saudáveis nos países desenvolvidos, e que está associada aos melhores resultados maternos e neonatais*. O Brasil precisa desta profissional com urgência, em um sistema de atenção integral e hierarquizado, principalmente agora que estamos nos perguntando os porquês do aumento das taxas de mortalidade e morbidade materna, e os porquês detanta violência no parto.
Se você se importa com este quadro, rogo que assine o abaixo-assinado pedindo a manutenção do curso:
Link: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452
Convidamos também para a manifestação na porta da Reitoria da USP, no dia 22/03 às 9:00h
Link: http://www.facebook.com/event.php?eid=202473466447962&index=1
Peço ainda que se este assunto toca você, convide os amigos e colegas, e divulguem nas suas listas e redes sociais esta luta.
Um abraço e preparem seus cartazes, dia 22 iremos às ruas, será nosso dia de fúria. "

sexta-feira, 11 de março de 2011

Carta a meu pai: o porquê das minhas escolhas

Republico no Blog Parto no Brasil um lindo texto, esclarecedor e envolvente, da tatuadora Ana K., que reside no Rio de Janeiro/RJ, narrando para seu pai o motivo por escolher um parto natural da cria que gesta. Isso demonstra que quando temos acesso a boa informação nos empoderamos e, com certeza, optamos pelo o que é melhor para nós e nossos bebês!
Grata Ana, por compartilhar! Conheçam seu blog Rosa dos Ventres - http://rosadosventres.blogspot.com/.

Carta a meu pai: o porquê das minhas escolhas
"Pai,
Desculpa o email tão longo! Mas fico feliz de ter finalmente terminado de escrevê-lo. Desde que conversamos no telefone sobre parto eu queria te mostrar um pouco mais sobre os porquês das minhas escolhas ou buscas, que podem parecer loucura, mas têm um significado muito importante pra mim. Não quero "convencer" você, mas quero que você participe dessa vivência, trazer você pra perto dessa história, mesmo não estando lá na hora e também que se sinta tão confiante quanto eu, a cada passo que dou. Às vezes pode parecer que eu quero ser diferente ou chocar, mas a verdade é que eu SOU uma pessoa diferente e o que eu quero não é chocar, eu só sou verdadeira comigo mesma e sigo meu coração. Eu sei que você não vai ler nem ver tudo isso agora nem de uma vez, mas queria pedir que você fosse lendo e vendo aos poucos e tentando compreender o porquê das minhas escolhas que segundo estudos, não é menos segura do que um parto normal hospitalar, é muito mais segura do que uma cesárea eletiva (sem indicação) e ainda aumenta as chances de uma experiência mais satisfatória e digna para a família, leia-se: oposto de traumático.
Com a inteligência que meus pais me deram, eu não posso fechar os olhos para algumas questões que engolimos confiando em nosso sistema de saúde, como se não fosse óbvio o absurdo. Nem minha cabeça, nem meu coração me perdoariam por permitir que eu, meu filho(a) e mesmo minha família passássemos por algumas vivências totalmente desnecessárias sabendo que (elas SIM) pudessem botar em risco um de nós. Riscos físicos com certeza, mas também psicológicos, que não são levados em conta, pois tem-se como normal uma série de coisas que NÃO SÃO. E se você se permitir olhar com meus olhos, você vai achar o mesmo. Um dia eu pensei igual a todo mundo em relação ao parto, quando não se conhece outra coisa, a gente continua achando que o que conhecemos é bom. Ainda mais numa sociedade cada vez mais globalizada e adepta da tecnologia. Só que alguma coisa me levou a conhecer um outro lado, que eu queria que você conhecesse pra entender.
Uma introdução:
Chen (2006) levanta dados curiosos sobre os partos no Brasil:
1) 79% dos partos realizados no setor privado são cesarianas. (Dados de 2004)
2) 27% dos partos realizados pelo SUS são cesarianas. (Dados de 2004)
3) A OMS recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreos.
4) 77% das mulheres brasileiras entrevistadas preferem parto normal, segundo dados de entrevistas realizadas antes e depois do parto.
5) Um parto normal pode durar até 48 horas.
6) O custo do parto normal para médicos e hospitais é até 30% maior do que na cesariana, contabilizando o tempo de atenção dispensados pelas enfermeiras e equipe médica, o tempo de utilização de salas especiais para parto, etc..
7) O número de cesarianas no SUS foi reduzido no momento em que o Governo decidiu estabelecer uma cota mensal de remuneração para cesarianas. Isto é, acima de uma determinada porcentagem, a cesariana não é remunerada.
8) O número de cesarianas não diminuiu no setor privado, apesar da equiparação de remuneração dos médicos pelos dois tipos de procedimentos.
9) O Ministério da Saúde não tem o poder de interferir na saúde privada.
10) O órgão regulador que fiscaliza os planos de saúde e convênios é a ANS, que pouco pode fazer enquanto não houver denúncias.
11) Apesar da cesariana ter se tornado uma cirurgia mais segura, continua sendo uma cirurgia de amplo aspecto, com todos os riscos de uma cirurgia de amplo aspecto.
12) Os riscos de complicações posteriores a uma cesariana são 350% maiores para a mãe e, para o bebê, são 400% maiores no que se referem a problemas respiratórios.
13) Hospitais lucram na venda dos medicamentos e nas internações, especialmente internações em UTIs.
14) Hospitais e profissionais da área da saúde também têm metas de "produtividade". Internações e procedimentos desnecessários são utilizados para bater essas metas.
15) Médicos conseguem negociações mais vantajosas com os hospitais, pela quantidade de clientes internados e pela quantidade de horas utilizadas de centro cirúrgico.
16) Os hospitais cobram esta conta dos convênios. Os convênios cobram este custo desnecessário de todos os segurados.
17) O maior cliente do hospital não é o paciente, mas o médico.
18) Cesárea por conveniência médica é uma trangressão ética.
19) Em 60% dos casos de cesárea no Brasil, a razão médica apresentada não justificava o procedimento e era no mínimo duvidosa.

Abaixo, botei alguns links de vídeos. Alguns vídeos são BEM fortes. Alguns já me fizeram chorar, uns de horror, outros de alegria. Desculpe se forem impróprios, mas eu não sei de outra forma pra mostrar meu ponto de vista se não sendo realista.
Esse é o cuidado padrão com o recém nascido na maternidade quando ele nasce. Você deve ter acompanhado isso e sabe que é assim mesmo. Você, como a enorme maioria de nós, sabe que isso acontece e acha super normal. Eu não. Eu acho cruel. Penso que o bebê precisa ficar com a mãe assim que nasce, é o período de vínculo entre mãe e bebê, mas não só por isso. O bebê vem de um ambiente quentinho tranquilo lá no ventre da mãe e de repente o puxam desajeitadamente pra um lugar gelado, cheio de gente "sem rosto", com vozes estranhas, luzes fortes, muito barulho, quando ele precisa de colo, e a mãe precisa dele no peito, pois esse contato faz ela produzir ocitocina, que ajuda que ela expulse a placenta sozinha e tenha menos risco de infecção por danos na placenta advindos de tração pra retirada da mesma. O bebê precisa do calor do colo e da voz da mãe - e do pai - que ele já conhece, precisa ser acalmado, precisa conhecer o ambiente, o rosto por trás das vozes que conhece, o cheiro de sua mãe. Ao invés disso ele é arrancado de perto dos pais, pelado, pendurado pelos pés que nem um frango abatido, é analisado, furado, aspirado, medido, pesado sem nenhum pudor ou cuidado, uma coisa tão frágil e provavelmente assustada... A mãe fica lá, vazia, imobilizada. E o pai, ninguém nem pensa no pai uma hora dessa, que deveria participar ativamente. Então ele fica lá, assistindo a tudo meio perdido e assustado. O cuidado humanizado não é assim, não. O bebê não sai do colo da mãe pra ser examinado, o pai não precisa se sentir dividido entre amparar sua mulher ou acompanhar seu filho nos procedimentos e as coisas são feitas com calma e carinho, SE necessárias, na presença dos pais. Pra que você saiba (porque eu também não sabia), a injeção que eles dão no bebê (de vitamina K, pra evitar que ele tenha icterícia que é normal nos primeiros dias do bebê) pode ser dada por via oral em várias doses, depois do vínculo com a mãe estabelecido, depois do trauma do parto digerido e o nitrato de prata que aplicam nos olhinhos dele arde muito e serve como antibiótico caso a mãe tenha gonorréia (que eu não tenho). Eu não quero isso pro meu filho: El Nacimiento de Marcelo. O que mas me emociona é como o bebê fica tranquilo quando finalmente o levam pra perto da mãe. Se você acha que o bebê "esquece" por ser pequeno demais... eu tenho minhas dúvidas.
Algumas rotinas podem atrapalhar se não forem necessárias, algumas nem sempre fazem bem. Tracionar um bebê ou usar fórceps ou vácuo em um bebê que tem dificuldade de sair e começa a entrar em sofrimento, pode ser bom, mas fazer o mesmo a um bebê que vai sair sozinho, saudável e em seu tempo, pode causar sérios danos: Newborn Birth Injuries: The Untold Story.
A mulher, se deixada tranquila e segura ao invés de receber um monte de ameaças caso não se submeta a intervenções de rotina, a seu tempo consegue expulsar o bebê sozinha, naturalmente, restando à tecnologia monitorar o processo intermitentemente e se colocar num papel REALMENTE salvador CASO haja algum problema. Fazer a criança nascer mais rápido, não significa nascer melhor. Mesmo os médicos humanizados se dizem reféns dos hospitais onde trabalham quando se trata de intervenções de rotina, o que pode atrapalhar o processo do trabalho de parto em um nível emocional/psicológico. Mesmo eles encorajam a mãe à esperar até o último momento pra dar entrada em uma maternidade para que a ele caiba agir de pronto. As rotinas são pra quem tem indicação, ao invés, são feitas rotineiramente em todas as mães e bebês, sem distinção e por isso têm maior probabilidade de causar danos. Nem toda mulher precisa ter seu períneo cortado (na verdade quase nenhuma e quando precisa, na maioria das vezes, é por nervosismo e impaciência da mesma de expulsar o bebê), nem toda mulher precisa de ocitocina por não ter dilatação, o que aumenta consideravelmente a intensidade das contrações e a dor, ela pode só precisar de tempo e incentivo. Nem toda mulher precisa de uma cirurgia de médio porte pra retirar o bebê, isso é a maior causa dos números ainda altos de mortalidade materna no Brasil. Isso sem falar de procedimentos realizados nos hospitais que são degradantes e que estudos já afirmaram não ter embasamento técnico nenhum que beneficie o parto como a raspagem de pêlos para o parto normal (que pinica depois), a lavagem intestinal e enema, a manobra de Kristeller onde o médico empurra a barriga da mulher pra o bebê sair... E ainda tem a litotomia, a famosa posição em que os médicos nos colocam deitadas e com as pernas amarradas, contra a força da gravidade e em baixo do peso desconfortável da barriga, o que piora qualquer contração, para que ele possa "retirar o bebê" com mais conforto. Não é à toa que todo mundo tem terror do parto, homens e mulheres. No hospital têm-se como padrão instituído que a mulher não consegue expulsar o bebê sem uma série de "ajudas", o que vai de encontro às orientações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. E é essa violência aqui, eu não quero sofrer à toa e nem você deveria querer isso para sua filha, nem meu marido querer pra esposa dele: Callate y Puja.
Isso é um pouco mais parecido com o parto que eu desejo: Dia do Nascimento. Essa mulher se chama Naoli, ela é uma parteira mexicana. Eu nunca falei pro Derick nada disso que eu estou lhe escrevendo. Até porque, eu não precisei. Ele era contra, também desconhecia muita coisa, achava que uma cesárea era mais segura, mas confiou em mim e me acompanhou às reuniões. Leu. E acho que esse foi o vídeo que o fez concordar comigo que esse era o caminho.
Agora, eis algumas razões pelas quais eu estou buscando um caminho mais humano pra mim, pra minha família e pro meu filho. Pra começar, hoje eu recebi esse vídeo de uma estudiosa que eu já li uma tese de mestrado chamada "ciência do início da vida" e é isso que ela fala que eu estou buscando! Não é só pra ser diferente que estou escolhendo um caminho x, é uma coisa que fala muito profundo dentro de mim, uma busca por uma experiência que transcende o que se prega numa sociedade mecanizada e estéril por natureza. Espero que entenda: Maternidade Consciente por Eleanor Luzes.
Esse aqui é o parto mais lindo que eu já vi: Naitre Enchanté.
Certa vez que te mandei uma Revista Online Sobre Parto. Ela falava sobre todos os tipos de parto e tirava algumas dúvidas sobre mitos e fatos. Acho legal as inforções dela, não sei se você chegou a ver.
Bem, espero que minhas escolhas pareçam menos loucas agora. Queria dizer que eu estou buscando não um parto natural a qualquer custo, mas uma equipe que seja capaz de me acompanhar com respeito e carinho, em quem eu confio para me dar forças e incentivos para vencer pensamentos e medos incutidos em mim por uma cultura insalubre de parto e realizar o que eu desejo, até onde puder ir. E também em quem eu vou confiar se em algum momento me disser que preciso de alguma intervenção ou transferência, pois sei que as razões serão verdadeiras, ao invés de pensar se o que me falam é uma desculpa para me inserir em um protocolo no qual não me encaixo por conveniência médica ou interesse financeiro, ou mesmo desconhecimento de novos estudos. E para isso, essa equipe precisa acreditar nas mesmas coisas que eu, ser a favor da vida e respeitar a fisiologia do nascimento, ser ativista mesmo. Eu quero me sentir tranquila, segura e bem cuidada, e acho que isso não é loucura.
Tem um médico obstetra francês que diz que "pra mudarmos o mundo, antes é preciso antes mudar a forma de nascer". E eu concordo. Se toda mulher e homem desejasse ter trazer um bebê ao mundo assim, o que não fariam na criação de seus filhos?
Te amo, e o seu apoio é muito importante pra mim.
Paulinha"
Fonte: http://rosadosventres.blogspot.com/2011/02/carta-meu-pai-o-porque-das-minhas.html.
Foto: Kim Derick, companheiro de Ana e pai do Minduim!

terça-feira, 8 de março de 2011

O Dia 8 de Março, as feministas e o silêncio sobre a assistência ao parto

Plantão_Para as mulheres e @s ativistas pelo empoderamento no parto.

Hoje celebramos mais um Dia Internacional da Mulher. Damos visibilidade à dignidade, à autonomia e aos direitos que queremos ter respeitados. Clamamos pelo fim da violência contra nossos corpos, nossa produção laboral e a nossa saúde emocional. Publicizamos as mazelas que o capitalismo, o patriarcado e o machismo engendram sobre nós e os outros gêneros.
Deste modo, fala-se sempre em raça e etnia, aborto seguro, violência doméstica, valorização do trabalho, educação e assistência integal à saúde de boa qualidade.
Entretanto, fica sempre uma lacuna: como nascem noss@s filh@s?
Estou citando a pesquisadora feminista Monica Bara Maia, que, em entrevista ao Blog Parto no Brasil, afirmou que o processo da parturição é mesmo uma experiência desconsiderada na vida das mulheres. Parece-nos que o que importa é a gestação e a materialização da cria em boas condições de saúde. Mas o processo pelo qual "damos vida" aos pequenos seres é quase sempre completamente ignorado.
Assim, neste dia, proponho uma crítica aos movimentos de mulheres, e também chamo a atenção do movimento pela Humanização do Parto e Nascimento. Pois, nós mulheres, precisamos pautar a assistência à saúde que recebemos (e/ou prestamos) especificamente no momento de parir.
Nossa sexualidade é o campo dos fênomenos que acompanham os nascimentos. Temos direitos humanos e reprodutivos assegurados e precisamos popularizar as informações sobre o bom parto, sobre o parto que queremos, sobre os maus-tratos que sofremos, sobre a assistência que não nos satisfaz, aquela que mal-queremos.

Hoje, publico então a íntegra de um texto que considerei representativo desta data, o 8 de Março. Trata-se de uma carta assinada por muitas entidades e organizações brasileiras, publicada no site da Secretaria de Políticas para Mulheres, do Governo Federal.
_________________________________________________________
Feministas em Luta por Autonomia e Igualdade!
Contra o Machismo e o Capitalismo!

Nós, mulheres feministas, estamos nas ruas novamente neste 8 de Março para reafirmar nosso compromisso com a luta contra o machismo; uma luta que, para nós, também é anti-capitalista, pois ainda há muito a fazer para garantir nossa autonomia, igualdade e direitos plenos. Esta é a base da sociedade que queremos construir.
O combate ao machismo se faz todo dia. Reconhecemos os avanços conquistados pela luta das mulheres, mas temos no horizonte ainda muito pelo que lutar. Para sermos vitoriosas, é preciso compromisso com nossas bandeiras históricas e total autonomia do movimento para pautá-las. Estamos em luta diária contra a violência sexista, pela descriminalização e legalização do aborto, valorização do nosso trabalho, educação de qualidade para todos e solidárias às lutas anti-capitalistas travadas no Brasil e no mundo.
Em todo o país, acompanhamos o surgimento de uma grave ofensiva conservadora, que tenta impor princípios religiosos para o conjunto da população, além de propor retrocessos na questão dos direitos humanos, como vimos na ocasião da assinatura do Acordo Brasil-Vaticano e nos vetos ao PNDH-3. Essa ofensiva culminou em um processo eleitoral pautado pelo conservadorismo, no qual o papel da mulher se reduziu ao de ser mãe.
Reconhecemos a importância histórica da eleição da primeira mulher para a Presidência da República, mas sabemos que isso apenas não basta para mudar a vida das mulheres. No processo eleitoral, pautas importantes como a legalização do aborto e o casamento gay foram seqüestradas por setores reacionários e usadas como moeda de troca pelas principais candidaturas. A participação de mulheres à frente dos ministérios aumentou; entretanto, no Legislativo, ela foi reduzida e, infelizmente, os espaços de poder seguem ocupados majoritariamente por homens.
Contra a violência
O ano de 2011 começou com a tentativa, por parte do Supremo Tribunal Federal, de supressão de medidas jurídicas criadas em conjunto com a Lei Maria da Penha. A postura do STF semeia a confusão, reforçando a atitude dos que querem questionar a lei, e contribui para a certeza da impunidade de que gozam hoje os agressores, para a banalização da violência e o descrédito na Justiça por parte das mulheres. Todos os dias, dez mulheres morrem no país. A violência machista cresce em geral e nada é feito para nos proteger de maneira efetiva.
Em São Paulo, o poder público, apesar de ter assinado o Pacto pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, não investiu nenhum centavo para a ampliação das delegacias da mulher, casas abrigos ou na construção de centros de referência. A segurança das mulheres abrigadas também é negligenciada, uma vez que o sigilo sobre seu novo endereço é quebrado pela localização das crianças via matrícula feita pela internet na rede pública de ensino. É necessário que a Secretaria de Educação proteja esses dados, realizando a matrícula off-line destas crianças.
Em São Paulo, também constatamos, de forma escancarada, manifestações de violência contra lésbicas, homossexuais e transexuais. Rechaçamos com veemência as iniciativas dos setores conservadores, sobretudo da bancada religiosa no Congresso Nacional, em barrar aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia no Brasil. Por essa razão, nos juntamos ao movimento LGBTT na luta pela aprovação imediata do PLC 122 e demais políticas inclusivas, que reconheçam de forma integral os direitos desta população.
Por igualdade
A vida das mulheres tem piorado com a constante elevação de preços de produtos essenciais, como os alimentos, e a falta de um salário mínimo que dê conta das necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras. Hoje, 53% dos que ganham até um salário mínimo são mulheres e 30% das famílias são chefiadas por mulheres. Assim, a luta pelo aumento real do salário mínimo é também uma luta das mulheres.
Também é preciso lembrar que ainda ganhamos menos do que os homens no mercado de trabalho, muitas vezes realizando o mesmo serviço. Empregos considerados femininos possuem remuneração menor que a de trabalhos predominantemente realizados por homens. O Brasil é o único país da América Latina que ainda não assinou a Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que define a igualdade de oportunidades e de tratamento entre homens e mulheres e determina que a responsabilidade com o cuidado das crianças e da família deve ser compartilhada.
Pedimos ao Estado brasileiro que ratifique a Convenção, assim como aprove o Projeto de Lei em tramitação no Congresso que garante igualdade no mundo do trabalho.
A pobreza no Brasil tem gênero e cor. A grande maioria das mulheres empregadas são trabalhadoras domésticas e, destas, a maioria é negra. Super exploradas, vivem sem a garantia dos mínimos direitos trabalhistas e são as maiores vítimas da diferença salarial. Defendemos a equiparação dos direitos das domésticas aos de todos os trabalhadores, com a alteração do Art.7o da Constituição Federal.
Por autonomia e direitos
A maioria das mulheres brasileiras não tem licença maternidade garantida. Das que trabalham fora de casa, cerca de 60% estão na informalidade, ou seja, sem carteira assinada e sequer os quatro meses garantidos pela CLT. Defendemos a imediata aplicação da licença maternidade de seis meses para todas as mulheres, assim como a ampliação da licença paternidade de igual período.
Exigimos também políticas públicas que contribuam para a construção da nossa autonomia, como lavanderias e restaurantes coletivos, e uma educação de qualidade para as crianças. As vagas no ensino infantil não atendem a todos e, nas creches, o déficit de São Paulo em 2010 já passava de 120 mil vagas. Este número só não é maior porque a atual gestão Kassab optou por superlotar as creches, transformando-as em verdadeiros depósitos de crianças.
São milhares de mulheres e crianças atingidas pelo descaso com a educação infantil na cidade, sendo que as mães são penalizadas por não poderem voltar ao trabalho ou não conseguirem emprego por não ter onde deixar seus filhos. Exigimos das três esferas de governo educação infantil e creche com orientação pedagógica de qualidade, pública, gratuita e em tempo integral para todas as crianças. Uma educação de qualidade para as crianças também é direito de nós, mulheres.
Também reivindicamos nosso direito à atenção integral à saúde, para além da idade reprodutiva, considerando as necessidades da população idosa, que cresce em nosso país, a diversidade sexual e étnica existente entre as mulheres, as especificidades de saúde da população negra (hipertensão arterial, cardiopatias, anemia falciforme) e das mulheres com deficiência, como a acessibilidade aos equipamentos públicos de saúde.
A atenção integral à saúde inclui ainda a garantia dos direitos reprodutivos e a garantia de que tenhamos autonomia para decidirmos sobre nossos corpos, sobre se queremos ser mães e quando. A criminalização do aborto obriga as mulheres que decidem fazê-lo a se submeterem a procedimentos clandestinos, inseguros e que colocam suas vidas em risco. Em caso como esses, as mulheres pobres e negras morrem 6 vezes mais por não terem acesso ao atendimento de saúde integral.
Por dignidade
Nos meios de comunicação de massa, persiste a exploração e mercantilização do corpo das mulheres, a falta de diversidade étnico-racial e de orientação sexual, além de um discurso que reserva às mulheres um lugar subalterno na sociedade.
No contexto da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas em território nacional, temos a árdua tarefa de questionar o impacto das obras sobre as comunidades atingidas, assim como o aumento do turismo sexual e da prostituição que acompanham a realização dos mega eventos. É tarefa do movimento feminista problematizar e pautar o tema do tráfico de mulheres e da prostituição junto à sociedade!
Ano após ano, vemos nossas casas serem invadidas pelas águas das chuvas. Estas tragédias não são “naturais”. É o modo de produção capitalista, de produção e consumo desenfreados, o responsável pelas alterações climáticas que ocorrem no mundo. Essas mudanças e suas consequências têm sido previsíveis e podem e devem ser prevenidas. Exigimos ações governamentais contundentes para seu combate e políticas públicas urbanas efetivas que garantam nosso direito à cidade e à moradia digna.
Queremos uma verdadeira reforma urbana e não medidas que beneficiem a especulação imobiliária e expulsem a população pobre para as periferias, sem a mínima estrutura de moradia ou acesso a equipamentos públicos. Repudiamos, assim, o descaso criminoso do governo tucano e da Sabesp com a população do município de Franco da Rocha e bairros da periferia de São Paulo, e nos somamos à luta por uma cidade inclusiva com transporte público de qualidade. Estamos ao lado da juventude nos protestos contra os aumentos abusivos no preço das passagens de ônibus.
Nos juntamos às mulheres do campo ao afirmar o nosso direito a uma alimentação saudável e livre de venenos. Clamamos pela reforma agrária, por soberania alimentar e por outro modelo de desenvolvimento no campo, com uma agricultura sem agrotóxico e sem monocultura!
Solidariedade internacional
Acompanhamos a crise econômica se abater sobre a Europa, onde as reformas, principalmente as previdenciárias, se transformaram no carro-chefe para salvar o sistema financeiro. Tais medidas penalizam a classe trabalhadora e sobretudo as mulheres, tradicionalmente as primeiras a perder o emprego e as últimas a recuperá-lo.
Repudiamos a perda de direitos, trabalho e renda para trabalhadoras e trabalhadores. Manifestamos nosso apoio à luta das mulheres na Itália contra Berlusconi e reafirmamos nossa solidariedade às mulheres de todo o mundo, tanto àquelas que lutam na Europa contra os efeitos da crise quanto àquelas que se batem contra o imperialismo, para derrubar ditaduras de décadas como na Tunísia e Egito ou ocupações militares existentes mundo afora. Defendemos a soberania e autonomia dos povos.
Solidariedade em especial às mulheres do Haiti, que sofrem o aumento significativo da violência sexual, inclusive nos acampamentos de refugiados sob proteção da Minustah, a missão da ONU chefiada pelo governo brasileiro. É preciso ajudar na reconstrução do Haiti de forma humanitária. O Haiti não precisa de armas e soldados, mas de médicos e professores. Sua reconstrução deve estar sob o controle do povo haitiano e não pode significar penhora de recursos naturais, incentivo à especulação de empresas transnacionais na região e o aumento da violência contra o povo.
Neste 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, convocamos aqueles que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, sem opressão e exploração, a se somarem a nossa luta. Ainda há muito o que avançar e a participação de todos e todas é fundamental.
Sobre o 8 de Março
Em 1910, a alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, celebrado inicialmente em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. A ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, é a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher. Com a revolução, muitos direitos foram conquistados, como o voto e a elegibilidade feminina e o direito ao aborto. Em 1922, a celebração internacional foi oficializada nesta data e o 8 de Março se transformou no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem sua condição e a sociedade como um todo.
Assinam este documento:
APEOESP § APSMN/SP § Articulação Mulher e Mídia § AGB § AMB § ANPG § Barricadas Abrem Caminhos § CA Benevides Paixão da PUC § CACS PUC § CA Guimarães Rosa § CAPPF da USP § CAPSICO da PUC § CA XI de Agosto de Direito da USP § Contraponto § Construção § Domínio Público § Casa Cidinha Kopcak § Casa Viviane dos Santos § Católicas pelo Direito de Decidir § CIM § Centro Maria Maria § CEUPES da USP (Gestão Cirandeia) § CineMulher § Ciranda de Informação Independente § Círculo Palmarino § Coletivo 28 de Junho § Coletivo Alumiá § Coletivo Ana Montenegro § Coletivo Bancários na Luta § Coletivo Feminista Yabá do Direito da PUC-SP § Coletivo Dandara do Direito da USP § Consulta Popular § Coordenação de Mulheres da UNEGRO § CTB § CTB-SP § DCE Unicamp § DCE USP § Espaço Cultural Carlos Marighela § ENECOS § FEMN-SP § FCV § Fuzarca Feminista § Grupo Construção Coletiva § IBDC § Intersindical §Intervozes § Instituto Zequinha Barreto § Juventude Libre § LBL § LGBTs do PT § LGBTs do PsoL § Marcha Mundial das Mulheres § MH2O § MMC § Observatório da Mulher § Oriashé § PLPs § RFS § REF § Refundação Comunista § Romper o Dia § Sec. de Mulheres do PCdoB, PT e PSoL § SEMT/CUT-SP § SNMT/CUT § Sindicato é Para Lutar – Oposição do Sindicato dos Jornalistas § Sindicato dos Bancários de Santos § SINPSI § Sindicato dos Químicos Unificados § SINTARESP § SOF § Sub-sede Leste Tatuapé APEOESP § Terra Livre § Tribunal Popular § UEE-SP § UBM § UMM-SP § UNE § UNEAFRO Brasil §.
_________________________________________________________

Nós, que reivindicamos melhores condições para parir, ficamos mesmo de fora deste documento em 2011?
Você, que atua em outras instâncias também pelas causas de gênero e das mulheres, enxerga outras lacunas?
Compartilhe conosco e fortaleça a construção de uma experiência melhor para tod@s!
Disponível em: http://www.sepm.gov.br/noticias/documentos-1/02-03%20Documento%20Feminista.pdf
Arte - Kinbaku de Nobuyoshi Araki.

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