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sexta-feira, 5 de julho de 2013

22 anos atendendo a gestação, parto e puérpeio, em Olinda/PE

Hoje é dia de festa!

CAIS do Parto completa 22 anos!



O início de sua história pode ser lida aqui, no blog que acaba de ganhar uma nova roupagem, 
mas que está no ar desde 2005. 

ACESSEM:



Rodas de Casais Grávidos, Doulagem, Partería Tradicional com as parteiras Suely Carvalho e Marcelly Carvalho, Formação de Doulas na Tradição e de Aprendizes de Parteira, além de acompanhamento de pré-natal e terapias complementares, em Olinda/PE.

Neste mês temos mais um curso de Doulas na Tradição, c/ Marcelly Carvalho e Marla Carvalho, em parceria com o CAIS da Luz.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Doulas cuidam das gestantes antes e depois da gravidez, por Diário de Ourinhos

Nesta quinta-feira tive o prazer de estar em uma matéria do Diário de Ourinhos, jornal local do interior paulista, terrinha onde passei minha infância, dos 10 aos 17 anos, quando fui sobrevoar outros céus, em Londrina/PR, p/ estudar na Universidade Estadual de Londrina - UEL, onde cursei Ciências Sociais, tive meu 1o. filho Ícaro, e, também, conheci Ana Carolina, em 2004.

Bom, mas o papo é sobre Doulas!

Como elas atuam, como estão inseridas na área da Saúde da Mulher, como funcionam seus atendimentos, entre outras questões foram tratadas nesta pauta, bem como o curso de Doulas na Tradição, ocorrido em Bauru, no último fim-de-semana, produzido pelo Ateliê Eco Materno Jardim de Om, c/ a equipe CAIS do Parto/Cais da Luz, de Olinda/PE.

Bora conferir!

Atualmente, muitas mulheres de várias áreas estão se dedicando a essa profissão

Você já ouviu falar nas doulas? Doula é uma palavra que vem do grego e que significa mulher que serve.  Este é um dos ofícios mais antigos da humanidade, onde mulheres mais experientes cuidavam de outras mulheres durante o parto e nascimento, através da intuição, empatia e acolhimento. Atualmente muitas mulheres de várias áreas profissionais estão se dedicando como cuidadoras de gestantes durante o pré-natal, trabalho de parto, parto, nascimento e amamentação, trazendo informações embasadas, compartilhando os tipos de parto possíveis, e devolvendo às mulheres a autonomia durante esta fase do gestar e parir.


Hoje em dia, inclusive, o Ministério do Trabalho reconhece as doulas como uma ocupação profissional, através do cadastro na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) cujo número é 3221-35.

As doulas são acompanhantes de parto, mas que também contribuem durante a gestação, através de encontros e Rodas de Casais Grávidos, sendo na sua maioria mulheres que prestam apoio físico, emocional e afetivo para gestantes durante e após o parto, tanto no ambiente hospitalar, como no domiciliar. “Elas não substituem o acompanhante de parto, e, tampouco, o médico ou parteira, já que seu trabalho vem somar à equipe, servindo também de mediadora entre a assistência e a família e auxiliando no contato com a profundidade emocional da vivência do parto”, explicou Bianca Lanu, doula.

Desde que seja uma escolha da mulher que gesta, as doulas são indicadas em todos os casos, como um suporte emocional. Segundo Bianca, existem atualmente projetos tramitando para que maternidades e hospitais tenham doulas voluntárias em suas equipes, e também casos de locais onde este tipo de serviço já está disponível, como no Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte/MG.

Já temos estudos que indicam os benefícios da presença das doulas durante o trabalho de parto, parto e nascimento. Pesquisas realizadas na última década demonstraram que, sob a supervisão de uma doula, o parto evolui com maior tranquilidade e rapidez, com menos dor e complicações tanto maternas como fetais. Com a difusão da nova profissão poderá também ocorrer uma substancial redução de custos para os sistemas de saúde, graças à redução do número de intervenções médicas e do tempo de internação de mães e bebês”, afirmou.

O Ministério da Saúde (MS) considera que a participação da doula é mais um instrumento humanizador, pois ela acolhe e acompanha as mulheres na hora do parto, dando apoio emocional e incentivo não só às gestantes, mas também a seus familiares.

Apesar da mídia televisiva,  sites e blogs difundirem a atuação das doulas, sua existência para muitos ainda é uma surpresa. “Muitos profissionais da área da saúde mais convencionais, como obstetras e enfermeiras, ainda não levam em conta a importância da doula por terem receio de que ela poderia ‘ocupar’ seus lugares na assistência, o que é um grande equivoco, pois não cabe às doulas procedimentos médicos”, ressaltou.

Curso de doula

Entre os dias 17, 18 e 19 de maio, Bianca Lanu integrou um grupo de mulheres, de diferentes áreas e idades, que estiveram no Ateliê Eco Materno Jardim de Om para uma formação de Doulas na Tradição, com a equipe do Centro Ativo de Integração do Ser - CAIS do Parto/Cais da Luz, sob a coordenação da parteira tradicional Marcely Carvalho, e sua irmã Marla Carvalho, com o apoio de Denise Cardoso, gestora do espaço.

Muito mais do que técnicas, informações, métodos de alívio da dor o grupo pode compartilhar histórias e relatos sobre parto e nascimento em um ambiente acolhedor. ”De Ourinhos contamos com a presença de Patrícia Indaiá, que pariu seu segundo filho em casa no começo de dezembro, acompanhada por duas doulas e aprendizes de Parteira, comigo e com a Denise Cardoso, que auxiliamos a parteira tradicional Suely Carvalho durante o trabalho de parto e parto”, contou.

A origem do termo Doula

Por Rodrigo Francisco Barbosa

De acordo com o dicionário etimológico Chantraine[1] o adjetivo grego doula (δοῦλος) aparece nas obras de Homero apenas na forma feminina de doulé (δούλη) (Iliada 3. 409; Odisséia 4,12) que também deriva outras formas como doulios (δούλιος) e doulosuné (δουλοσύνη) que hospedam o significado geral de “escravo” (“esclave”). Ocorre ainda na Antiguidade pequenas variações do sentido: enquanto em alguns autores ela é empregada significando “escravo por natureza”, por outro lado, nas “tabuinhas micênicas” a palavra é empregada para significar tanto “os trabalhos de um escravo” como “escravo de um deus”. A palavra doulo é de origem micênica na qual o radical “dou” é a contração da palavra de origem indo-germânica “doe”, por sua vez, relacionada ao “nome de um escravo”. O verbo denominativo oriundo de doulos (δοῦλος) é douleuo (δουλεύω) e significa “ser escravo”(“etre esclave”), “prestar um serviço” (“rendre un service”). Considerando que o significado de “escravo” para os gregos antigos continha nuances um pouco diferentes de nosso sentido moderno de escravo  e escravidão, a palavra Doula no português tem uma derivação direta do adjetivo grego doulé (δούλη) e significa sobretudo, “mulher que já foi mãe e que aconselha, acompanha e assiste mulheres grávidas antes, durante e após o parto”[2], ou seja, se apresenta como uma “servidão” afetiva de dedicação exclusiva ao momento de surgimento de um próximo.

[1]     CHANTRAINE, Pierre. Dictionnaire étymologique de la langue grecque: Histoire de les mots.Tome I (Α-Δ). Éditions Klincksiege, Paris, 1968, p. 294-5.

[2]     “doula” In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-21].
Disponível na www: .

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Experiências em Empreendedorismo Materno - Maternati, em Maringá/PR

Esta quinta é dia de falar da nossa série sobre empreendedorismo materno, trazendo a experiência do Maternati, em Maringá, no interior do Paraná, sob gestão de Renata Frossard, também psicóloga e doula.


O ponto inicial desse projeto tem a mesma origem de muitos outros empreendimentos maternos: a paixão por esse tema, e a vontade de conciliar a vida de mãe com os caminhos profissionais.

O projeto começou a ser idealizado em 2012, para concretizar-se em 2013. O objetivo é agregar no mesmo espaço várias atividades voltadas às gestantes, mães, pais e crianças, tornando o Maternati um espaço de vivências, acolhimento e integração.

"Acreditamos que através da preparação e conscientização durante a gravidez é possível ter uma experiência mais ativa de todo o processo do nascimento de um filho e formação de uma família", salienta Renata.

O foco do trabalho está na busca pela humanização do parto e por escolhas mais conscientes na maternidade e paternidade. Atualmente, é coordenado por Renata Frossard, em parceria com a psicóloga Mayara Coutinho e com o apoio da doula Marilia Mercer, que também atende em Londrina.

As atividades realizadas são: Roda de Conversa gratuita e aberta a todos os interessados, Grupo de Educação Perinatal para Gestantes, com enfoque na gravidez e no processo do parto, e, em breve, Grupo de Mães com enfoque no puerpério e desenvolvimento do bebê, além de uma equipe de doulas, p/ orientação na gestação, parto e pós-parto, bem como Psicoterapia, cursos, oficinas e palestras.

Roda de conversa c/ relato de parto.

Piquenique entre gestantes, puérperas e mães.

Doulagem de Elisângela Santos.

Parto domiciliar c/ a equipe Maternati, c/ Heidi Jo Palma. 

Oficina de Gestação Parto & Simbiose / Inscrições Corporais, com a Claudia Rodrigues.

* Renata Frossard tem formação em Administração e Psicologia e atua há três anos como coordenadora de grupos de gestantes e também como doula. É mãe de dois meninos, Miguel e Rafael. 

Para contatos por tel. (44) 9932-4302, e por email escreva p/ renata.mrfa@gmail.com

Fotos: Acervo pessoal de Renata Frossard.

Conheça a fanpage Maternati.

quinta-feira, 28 de março de 2013

World Doula Week - March 22-28

Nesta World Doula Week, de 22 a 28 de março compartilhamos algumas informações sobre a importância da Doula durante a gestação, trabalho de parto, parto e pós-parto!


A Parto do Princípio elaborou um documento frente aos boicotes que as Doulas brasileiras estavam sofrendo, em alguns hospitais, confiram:

Contra o boicote às doulas

A Parto do Princípio - Rede de Mulheres pela Maternidade Ativa, formada por 340 mulheres espalhadas por todo o Brasil, manifesta o seu repúdio às instituições e equipes que, de uma forma ou de outra, desencorajam ou proibem a presença de doulas no local do parto.

Manifestamos também nossa indignação para com as instituições/equipes que, apesar de defenderem em seu discurso o embasamento científico dos seus procedimentos e o reconhecimento do protagonismo feminino no processo de parir permanecem tutelando as mulheres quanto às suas escolhas. Compreendemos que ninguém pode determinar e nem mesmo influenciar sobre quem ou quantas pessoas podem estar presentes em um momento que é só nosso. Nós decidimos onde, como e com quem vamos parir.

Além disso, o suporte oferecido pela doula durante o trabalho de parto e parto não pode ser confundido nem substituído pelo cuidado da família e amigos, nem pelo cuidado dos profissionais de saúde que acompanham o parto. A doula oferece suporte *contínuo* à mulher, tanto físico como emocional. Ela conhece a fisiologia do parto e acredita em todo processo, transmitindo segurança sem, no entanto, realizar procedimentos técnico de saúde. Como ela não se ocupa desta responsabilidade, fica livre para exercer sua função adequadamente.

São comprovados cientificamente os benefícios das doulas*. Segundo os estudos, somente quando o suporte contínuo é prestado por uma doula, há um aumento de partos vaginais espontâneos, ou seja, sem intervenções. As cesarianas podem ser reduzidas em 28% e o soro com ocitocina sintética reduzido em 31%. Os melhores desfechos, inclusive, são alcançados quando o apoio intraparto contínuo é fornecido por prestadores que não fazem parte da equipe da instituição. Além disso, há uma redução significante de sentimentos negativos no parto (34%).

Compreendemos que os dois pilares básicos que definem a humanização do parto e do nascimento são o Protagonismo Feminino e a Medicina baseada em Evidências Científicas. Toda mulher tem poder de decisão sobre seu corpo e  restringir o acesso da doula às mulheres é violência obstétrica!

Chega de atendimento sem respaldo científico ou sem o devido respeito à autonomia da mulher!

* Fonte: Hodnett ED, Gates S, Hofmeyr GJ, Sakala C, Weston J. Continuous  support for women during childbirth. Cochrane Database of Systematic  Reviews 2011, Issue 2.

A doula Ingrid Lotfi, integrante da Parto do Princípio esteve no Programa Conexão Futura p/ falar sobre a função e o papel deste ofício, considerado pelo Ministério do Trabalho como uma ocupação, na Classificação Brasileira de Ocupações. Assistam em - Parto: Doulas e Médicos, no dia 08 de março de 2013, no Canal Futura.

A Casa Moara também preparou uma postagem sobre o tema - Doula, uma companhia especial na hora do parto (acessem o título).


Às doulas, nosso respeito e amor <3 i="">

sábado, 2 de março de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Centro de Parto Normal: O Brasil precisa de mais parteiras, obstetrizes e doulas!

Em defesa do SUS!

Em defesa das boas experiências de parto normal para todas as mulheres!

Fotos: 

Marcello Casal /Agência Brasil EBC
Tânia Rêgo/Agência Brasil EBC
Marcelo Camargo/Agência Brasil EBC

CPNs:

São Paulo-SP:
Casa Angela
Casa de Parto de Sapopemba

Brasília-DF:
Casa de Parto de São Sebastião

Rio de Janeiro-RJ:
Casa de Parto David Capistrano Filho 




































Fontes e para saber mais:

http://noticias.uol.com.br/saude/album/2012/10/22/casas-de-parto-na-periferia-de-sao-paulo-dispensam-medicos.htm

http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2012-10-22/casas-de-parto-1?foto=AgenciaBrasil051012MCSP5X_1

http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2012-10-22/casas-de-parto-1

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/sanitarista-david-capistrano-foi-pioneiro-na-defesa-das-casas-de-parto

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/maes-elogiam-atendimento-na-unica-casa-de-parto-do-distrito-federal

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/com-atendimento-mulheres-saudaveis-casa-de-parto-dispensa-presenca-de-medico-defende-especialista

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Conexão Futura - Direitos da Grávida - 18/02/2013

Foi ao ar nesta segunda-feira, ao vivo, gravado no estúdio do Conexão Futura, no Rio de Janeiro, e apresentado por Thiago Gomide, um debate sobre direitos das gestantes, c/ a presença da Juíza do Trabalho Daniela Müller, do médico Renato Sá, da FEBRASCO, e tb Ana Carolina A. Franzon, q co-edita este Blog e está às vésperas de se tornar Mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP/USP).

Ana Paula Garcia esteve, ainda, por telefone, direto de Belo Horizonte/MG e relatou c/ muita emoção a perda de seu bebê, após o parto, muito por conta das intervenções não autorizadas por ela, como falta de seu acompanhante por dado momento, uso de soro e analgesia, perca da mobilidade no trabalho de parto, estando atada a cama p/ parir, além de violências verbais ao discriminar o tipo de parto que ela e sua família desejavam, antes planejados e idealizados.

Mais que destacar os direitos constitucionais tivemos a oportunidade de ouvir sobre o trabalho das Doulas, seus benefícios e atuações, além do poder de decisão que nós mulheres temos na assistência obstétrica frente aos vários tipos de modelos disponíveis.

O tema da violência obstétrica também foi muito bem esclarecida, mesmo que rapidamente, principalmente ao ser frisado como algo velado, sendo rotineiro, e encarado como normalidade.

Fica o gosto de quero mais, e de que c/ dedicação, amor e luta de milhares seremos milhões!

Confiram, abaixo:



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Antes de ir ao ar na web, Ana compartilhou conosco um breve relato de agradecimento:

Um SUPER agradecimento aos jornalistas produtores, ao apresentador Tiago, e ao editor do programa Conexão Futura - por pautarem tão importante tema para as mulheres: os direitos daquelas que engravidam, direitos trabalhistas e especialmente o direito à saúde e a melhor assistência obstétrica disponível. E especialmente pelo contato acolhedor e recepcão cuidadosa - foi um grande prazer ter tido a oportunidade de conhecê-los. Nos bastidores, conheci uma juiza do TRT que teve parto domiciliar planejado com Heloisa Lessa (fala sério!!), e conversavamos felizmente sobre o Congresso de Honolulu, do qual ela participou, e outras coisitas caras aos defendores de uma assistência ao parto mais amigável as mulheres. Conhecemos também um GO da Febrasgo administrador da Maternidade Perinatal, do Rio. Em 25 minutos de conversa, tivemos como auge das emoções o relato ao vivo e por telefone de Ana Paula Garcia, de BH-MG, com a história de sua filha que nao conseguiu sobreviver aos danos iatrogênicos, e sobre como ela transformou o 'luto em luta'. Conversamos sobre as doulas, os acompanhantes, a qualidade do pré-natal e a importância da valorização das escolhas de parto das mulheres. O desafio é IMENSO - e é sempre desalentador ouvir o discurso que culpabiliza as mulheres pelas taxas de cesáreas, pelo não cumprimento das recomendações do pré-natal, por uma gravidez incompatível com os objetivos de lucro das empresas. MUITO felizmente, hoje somos milhares de brasileiras e brasileiros bem dispostos a fazer com que as informações estratégicas sobre a assistência ao/ a experiência de parto cheguem a cada vez mais mulheres. Obrigada a todos vocês que se importam com a qualidade dos nossos serviços de saúde, e com a MISSÃO de aumentar o número de mulheres satisfeitas com a experiência do parto normal. Sinto uma imensa gratidão por poder fazer desta rede de mulheres que lutam. Um abraço enorme em Ana Paula, e em todas as mulheres que não puderam levar seus bebês para casa. Nós somos todas vocês! Bianca Lanu e Vanessa do Canal Futura, obrigada do coração. O programa sera reprisado esta noite, e em breve, estará também nos canais do Blog Parto no Brasil. 

Por Ana Carolina Franzon

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Post Extraordinário - Estadão publica: Doula a quem doer

Doula a quem doer

Apesar da resistência de hospitais, as acompanhantes de parto têm papel fundamental


02 de fevereiro de 2013 | 16h 00

Ana Cristina Duarte

Quando em 2001 o primeiro curso de formação de doulas teve lugar no Brasil, por iniciativa de um médico obstetra, ninguém poderia imaginar a importância que essas profissionais teriam num futuro tão próximo. Naquela época raras pessoas sabiam o que era uma doula e sua função. Apesar de ainda hoje se fazer muita confusão, muita gente já conhece as funções a elas atribuídas, sua importância e seu papel no cenário da assistência ao parto.

A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia - www.carlaraiter.com
Foto: www.carlaraiter.com.br
A doula Maíra Duarte ajuda a mãe Alcione Agnes uma hora após o nascimento de Giulia

Doulas são mulheres treinadas para dar suporte durante o parto. Embora elas não possam executar a parte técnica da assistência, têm papel importante durante o processo, o que faz a maior diferença nos resultados. Em outras palavras, pensando num mesmo público, mesma maternidade, mesma equipe de médicos e enfermeiras, são as mulheres acompanhadas por doulas as que serão mais beneficiadas. Os estudos mostram redução de 20% nas taxas de cesariana e de 30% nos nascimentos de bebê com baixa nota nos primeiros minutos de vida, para citar alguns parâmetros, tudo isso sem nenhum efeito deletério.

Os dois modelos de atuação são as doulas do setor privado, remuneradas por seu trabalho de atendimento a clientes que as contratam, e as doulas voluntárias, que trabalham no sistema público sem conhecer anteriormente as gestantes que vão atender. Nos países do primeiro mundo, como Estados Unidos por exemplo, as doulas já estão ativas na assistência há mais de 30 anos.

No Brasil existem entre 2 mil e 4 mil doulas atuantes entre os dois setores, embora não haja um número oficial ou um cadastro único. Neste 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho lançou a nova versão da Classificação Brasileira de Ocupações onde figura, pela primeira vez, a ocupação de doula. Não existe uma profissionalização oficial, tal qual ocorre em outras ocupações em que não há execução de procedimentos de risco para a população. Tal qual fotógrafos e cinegrafistas que adentram o recinto do parto, as doulas não executam procedimentos médicos ou de enfermagem, não oferecendo, portanto, riscos à população. As funções básicas da doula são: acompanhar, acalmar, oferecer suporte emocional e físico, realizar massagem localizada, sugerir movimentos, respirações, atitudes, enfim, uma miríade de ferramentas que ajudam a mulher a atravessar o intenso processo que é dar à luz um bebê.

Uma grande polêmica ocorreu essa semana quando dois grandes hospitais privados da capital paulista proibiram a presença de doulas nos partos, alegando risco de infecção, e recuaram após imensa repercussão na mídia e nas redes sociais. A questão, no entanto, passa longe dos alegados riscos.

Estamos falando de relações de poder, de interesses econômicos, de falta de gerenciamento do setor privado.

Uma boa parte dos hospitais privados do Brasil apresenta taxas de cesarianas superiores a 90%. As cesarianas marcadas são o pilar de sustentação financeira das maternidades privadas. Partos normais, apesar de mais seguros, causam prejuízo, ocupam imprevisivelmente o leito por muito tempo, dão trabalho à enfermagem, não têm hora para ocorrer e não podem ser controlados. Doulas, acompanhando mulheres em trabalho de parto que querem muito um parto natural, perturbam a ordem natural de um centro cirúrgico estruturado para cesarianas pré-agendadas. Doulas pedem água, alimentos e explicações. Mulheres acompanhadas de doulas desobedecem às regras da instituição, questionam, desafiam. Pais acompanhados de doulas são mais protetores e questionadores. Doulas incomodam, partos normais incomodam.

Enquanto todos os setores do nosso país não assumirem que as mulheres estão sendo roubadas em seus partos, tanto no setor privado, com suas cesarianas agendadas, quanto no setor público, com seus partos altamente medicalizados e violentos, não poderemos avançar de fato nas crises profissionais. O problema não são as doulas e sua regulamentação. O problema não são as alegadas infecções provocadas pela presença de mais um acompanhante. Estamos falando de um processo de violência coletiva que vem se perpetuando há décadas em nosso país, sob os olhos semicerrados do governo, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde, das secretarias.

Se nem a Lei do Acompanhante é obedecida em mais da metade das instituições paulistas, o que se dirá de uma iniciativa que deve ser tomada de livre e espontânea vontade pelas instituições para melhorar a assistência às mulheres que desejam um parto suave, prazeroso, positivo, acolhedor? Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as doulas continuarão a ter um papel fundamental nesse processo.

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA) E AUTORA DE PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER - E TODO HOMEM TAMBÉM (UNESP)

Fonte: Estadão, Caderno Aliás

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Saudações às Doulas!

Na imprensa



Mãe leva doula e é hostilizada na hora do parto no Pró-Matre






Mariana de Mesquita explica ao Jornal da Cultura a importância da atuação das doulas no suporte ao trabalho de parto, parto e pós-parto


Fonte: Jornal da Cultura


E no ciberativismo

Mulheres movimentam as redes sociais em defesa dos direitos reprodutivos, e pela presença das doulas em todos as maternidades brasileiras. Confira as imagens.











[Imagem de Janie Paula]

[Imagem de Janie Paula]

[Imagem de Janie Paula]







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