Eu também sou essa mulher!
Relembre Ana Álvarez-Errecalde, e sua impressionante obra.
Confira:
Informação - Saúde - Direitos - Autonomia

Para quem viu a Marcha do Parto em casa esses dias, quando mulheres (e crianças, e homens, e profissionais de saúde) saíram às ruas de mais de 20 cidades no Brasil em nome do direito à escolha e ao próprio corpo.
Acaba de sair a versão resumida dos principais resultados da coorte de nascimentos do Reino Unido, um estudo aqui do SUS deles (NHS), incluindo as questões do acesso/equidade, os principais resultados maternos e neonatais, os estudos de custo efetividade, e de estrutura/processo/instituições, comparando o parto em hospital, em casa de parto (midwive-led units), e em casa. Em inglês - acesse aqui a pesquisa Birthplace in England.Muito bom para entender o que está dizendo a turma do Marcha do parto em Casa. Vejam a diferença em segurança que faz ter um sistema que apoia a escolha, organiza a referência, faz seleção de risco e investe na formação de profissionais para este modelo.
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| Aumentam partos em casa por falta de alternativas naturais |
| Depois de um parto no hospital "traumático", Joana Duarte optou por ter o segundo filho em casa (Foto Rui Gaudêncio) |
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| Foto do Calendário 2012 La Revolución de las Rosas Pelo Fim da Violência Obstétrica |
"Em quase todas as revistas aparece uma charge, assinada pelo mesmo médico, em que a imagem da mulher é exibida com base em estereótipos machistas e misóginos.
Mostra a mulher como um ser inferior, pouco inteligente, de aspecto abandonado. Ridiculariza mulheres gordas, prostitutas, idosas ou de baixo nível sócio-econômico e cultural.
Oferecem imagens de 'más práticas', que são desaconselhadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e também pela própria SEGO, como padronizadas e realizadas rotineiramente (por exemplo, parto com a mulher deitada em posição de litotomia).
Ridicularizam as recomendações da OMS sobre o nascimento (consentimentos esclarecidos, o protagonismo ativo da mãe no parto, etc.) e suprime as mulheres da cena do parto (em muitos dos partos desenhados, das mulheres só aparecem seus genitais).
Dizer que essas caricaturas são uma clara falta de respeito pelos corpos e mentes das mulheres que buscam diariamente suas consultas, fica muito aquém do desejado.
Permitindo sua divulgação, a Sociedad Española de Ginecología y Obstetricia claramente faz piada dos processos fisiológicos femininos e das doenças e enfermidades das mulheres, menosprezando e pisoteando sem pudor sobre a genitalidade e a dignidade de suas pacientes.
Consideramos intolerável a publicação de charges de tão mau gosto em qualquer meio informativo, mas é particularmente revoltante que a origem dessas imagens com pretensões humorísticas seja uma publicação oficial da Sociedad Española de Ginecología y Obstetricia."
Fonte: Nota para a imprensa, em tradução livre
A ideia da Revolução das Rosas é coletar denúncias de violências no formato: Nome; Breve relato do caso (5 linhas no máx.); Data e maternidade. Em uma data marcada, são enviadas rosas para as maternidades denunciadas, e em cada rosa, o nome de uma mulher que tinha o direito de ter uma lembrança digna. Também articularam o envio postal de centenas de cartões com imagens de rosas para a sede da SEGO. Em cada um, uma denúncia, uma história de vida marcada pela violência obstétrica. Outra ação é a contagem dos dias que se passaram desde a denúncia pública da El Parto es Nuestro até hoje: são 193 dias sem posicionamento oficial da SEGO para com as mulheres e a sociedade espanhola.
Fonte: La Revolución de las Rosas, em tradução livre
A série inclui 30 fotografias de mulheres que tiveram cesárea, acompanhadas de curtos e precisos comentários das protagonistas.
As imagens mostram a cicatriz física e emocional, convidando à contemplação da ferida e para além dela, em busca da reconciliação e do compromisso com uma atenção ao parto respeitosa.
Fonte: Ana Álvarez-Errecalde
Um grupo de mulheres me convidou para fotografar suas cicatrizes de cesáreas. Como eu não tenho experiência com parto hospitalar (meus filhos nasceram em casa), fiquei pensando em como eu poderia homenageá-las (re)tratando cada vivência com respeito.
Nasci por uma cesárea em um época e em um país onde a cirurgia era realizada em poucas ocasiões, comumente em situações comprometedoras para a saúde. Certamente devo minha vida à esta intervenção.
Quero mostrar a história que, depois da ferida, questiona, se informa, cresce e sobretudo, ama. Me implico. O projeto me envolve. Seu ritmo acelera e me surpreende. A história encontra um maneira de contar-se, e eu a registro.
Desejo que o mostrar/ver/compartilhar/escutar seja o começo de uma reversão dos 'estigmas' e, que, a partir da aceitação, iniciemos uma transformação.
Ana Álvarez-Errecalde (em trecho do livro)
A Organização Mundial de Saúde recomenda que esta prática deve ser limitada a 10 a 15% dos nascimentos, mas em países como a Espanha e os EUA as cesáreas são feitas em cerca de 23% de todos os nascimentos, subindo 33% nas clínicas privadas.
Fonte: Ob Stare
Com alegria ou dor, alívio ou raiva, sempre fica uma marca (...) Com a força que surge de lembrar-se da ferida e saber-se curada.
Fonte: Ibone Olza, na Introdução
En el mes de agosto pasado, se realizó el III Congreso de Partería en la Cuidad de La Plata. Bajo este marco, se comunicó los detalles de la reforma y actualización de la ley que regula el ejercicio de la profesión Obstétrica en Argentina. La ley vigente, determina que las parteras pueden tener casas de partos, consultorios propios, pueden ejercer su profesión de forma individual o en equipo con otros profesionales, en hospitales públicos y privados y pueden atender a la mujer en su domicilio.
Lamentablemente, junto con modificaciones favorables, se ha introducido una que es altamente alarmante: eliminar la posibilidad de las casas de parto, marcando una tendencia que llevará a quitar también del proyecto de ley, la atención y asistencia por parte de las parteras de los partos planificados en domicilio.
De esta manera se quita la posibilidad de elegir una modalidad de parto con profesionales idóneos, con experiencia en este tipo de partos realizados en un marco de seguridad pertinente, que evalúan con claridad qué mujeres están en condiciones de optar por esta opción, profesionales de la salud que se encuentran equipadas con el equipo necesario para brindar un excelente atención y que cuentan con habilidades para resolver o anticiparse a complicaciones antes, durante o después del parto.
Los conocimientos que se tiene del parto domiciliario tanto desde las altas esferas públicas, como desde la sociedad en su conjunto y desde los diferentes ámbitos de la medicina misma son vagos y escasos. Países como Canadá y Holanda, ofrecen a sus mujeres embarazadas estas opciones de parto con excelentes resultados.
Las mujeres que toman la decisión de parir en casa con parteras, lo hacen con información y prudencia. Estas mujeres son atendidas y controladas, durante el embarazo, el parto y postparto por una partera calificada, responsable, preparada y en permanente capacitación. Parir en casa no es una moda, ni una elección irresponsable, ya que parir en casa es seguro siempre y cuando la mujer sea sana, el embarazo normal y se esté debidamente acompañada.
Elegir cómo, dónde y con quién parir, es parte del derecho sexual y reproductivo de la mujer, es elegir sobre su propio cuerpo, sobre los cuidados y atención que se adecuen a sus necesidades y creencias.
Agradecemos infinitamente el apoyo y la difusión.
Asociación de Parteras Independientes y Familias

Há muito tempo sou fascinada pelo Egito, suas histórias, lendas, deuses... não foram raras às vezes em que sonhei que estava lá, junto das pirâmides e dessa incrível energia, em cores pastéis e alaranjadas! Grande sonho conhecer essa terra (um dia eu vou!)!
Ainda nos tempos da graduação, em 1998, tatuei um Olho de Hórus, no braço direito, minha 2a. tatuagem, das nove que tenho hoje (amo arte corporal!).
Hórus é um dos deuses egípcios, filho de Osíris e Isís, também chamado de Deus Sol, e representado por um falcão.
O tempo passou (pois é, já sou uma balzaquiana...) e a tatoo foi perdendo as cores vivas. Bora fazer um cover up nela!
Assim, resolvi pintá-la novamente e incluir outro desenho. Dias de pesquisas, buscas de imagem. E Isís não saia da minha mente,
apesar de saber apenas que Ela foi mãe de Hórus, esposa de seu irmão Osíris. E, quantos desenhos lindos encontrei!
Depois de decidir que ilustraria Isís em meu corpo continuei buscando outras informações mais detalhadas, e para minha surpresa não é que a deusa alada é símbolo da maternidade e da fertilidade, além de ter sido parteira dela mesma, quando pariu Hórus!
Fiquei muito emocionada quando soube desses outros detalhes de Isís e mais do que na agora corri agendar c/ um tatuador, o Will Shanti, da Aldeia Tatoo, algumas sessões!
É incrível como o Universo devolve, através da Intuição, respostas para nossas escolhas, angústias, decisões... basta se (re)conectar a Ele!
Já foram duas "rabiscadas", em free hand (s/ decalque), c/ cerca de três horas cada (guenta mulher!), e ainda tenho que finalizar c/ alguns retoques e o fundo, mas já está maravilhosa e poderosa! Essa foto abaixo é da 1a. sessão (depois tiro outra p/ vcs verem como já está diferente, c/ as asas pintadas e a antiga cobra coberta).
(Citado por Serge Sauneron em "Dictionaire de la civilisation égyptienne", Paris, 1959, p. 140)
P/ saber mais acessem os links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis
http://intensidade.wordpress.com/2008/05/25/isis-osiris-horus-e-set/
* Imagens encontradas na internet:
- Escultura egípcia de mulher parindo em posição vertical.
- Olho de Hórus, em amuleto.
- Hórus, em papiro.
- Isís.
- Isís amamentando Hórus.
Àlias, tais assuntos deveriam ser discutidos durante o Pré Natal junto de quem lhe presta atendimento, seja seu G.O, seu/sua obstetra ou sua parteira, porém é muito comum passarmos as 40 semanas da gestação (quando esperam!) sem falar sobre o trabalho de parto e o parto, dependendo da escolha que fazemos, deixando aos cuidados médicos essa responsabilidade - a tal da medicalização do corpo feminino que tanto salientamos neste blog!
Neste post falamos sobre isso - E dr., como vai ser o parto?
Abaixo algumas informações sobre o Plano de Parto - a blogesfera está recheada deste tema, basta consultar os blogs ou o Google nosso de cada dia!
- No site da Parto do Princípio tem exemplos de Planos de Parto escritos (inclusive o meu, rs!), deem uma espiada também.
- No site Amigas do Parto vocês podem conferir - O Que É _Porque Fazer: http://www.amigasdoparto.com.br/plano.html
- No site da HumPar (Associação Portuguesa pela Humanização do Parto), de Corroios, em Portugal:
Questões relacionadas com as rotinas hospitalares na admissão ao parto:
_ Gostaria que não me realizassem enema (clister);
_ Prefiro que me realizem enema;
_ Gostaria que apenas me realizassem tricotomia, se for necessária na altura da expulsão;
_ Gostaria que me realizassem tricotomia parcial logo na admissão;
_ Gostaria de poder tomar uma ducha;
Questões relacionadas com o trabalho de parto:
Gostaria que me acompanhasse durante o trabalho de parto:
_ o meu companheiro;
_ um parente;
_ um(a) amigo(a);
_ a minha Doula;
_ ninguém;
_ Gostaria de ter liberdade de movimentos durante esta fase;
_Gostaria de poder beber líquidos claros (água, chá);
_ Gostaria de circuncrever ao mínimo o número de exames vaginais;
_ Gostaria de ter musica ambiente no quarto;
_ Gostaria de ter o máximo silêncio no quarto;
_ Gostaria de ter luz suave no quarto;
_ Gostaria que não me rompessem artificialmente as membranas, se o bebê estiver bem;
Questões relacionadas com a monitorização do bebê:
_ Gostaria de ter monitorização intermitente, se o bebê estiver bem;
_ Desejaria ter monitorização contínua do bebê;
Questões relacionadas com a gestão da dor:
_ Gostaria de não ter medicação para a dor, a não ser que seja eu a solicitá-la;
_ Gostaria que me fosse administrada epidural, mais para o fim do trabalho de parto;
_ Gostaria que me fosse administrada epidural, o mais cedo possível;
_ Gostaria de poder utilizar métodos não farmacológicos para o alívio da dor (bola, massagens, terapia frio/calor);
Questões relacionadas com a fase de expulsão:
_ Gostaria que estivesse presente para assistir ao parto .....................;
_ Gostaria de poder usar os meus óculos;
_ Gostaria de poder escolher a posição mais confortável para parir;
_ Gostaria de poder tocar a cabeça do meu bebê, assim que ele coroar;
Questões relacionadas com a episiotomia:
_ Gostaria de não ser submetida a episiotomia (e assino termo de responsabilidade);
_ Gostaria de ser submetida a episiotomia apenas em situação de risco eminente de laceração;
_ Gostaria de ser submetida a episiotomia apenas em situação de risco de vida para o bebê;
_ Prefiro que me seja realizada a episiotomia;
Questões relacionadas com o recém-nascido:
_ Gostaria que o cordão fosse cortado, depois de deixar de pulsar;
_ Gostaria que fosse ................... a cortar o cordão umbilical;
_ Gostaria de pegar imediatamente no meu bebê;
_ Gostaria que realizassem os procedimentos ao recém-nascido na minha presença;
_ Gostaria de poder amamentar o meu bebê, na sua 1ª meia-hora de vida;
Questões relacionadas com a 3ª fase - expulsão:
_ Gostaria que me fosse mostrada a minha placenta;
_ Não desejo ver a minha placenta;
Questões relacionadas com a cesariana:
_ Gostaria de realizar uma cesariana apenas por razões clínicas, e sob efeito de epidural;
_ Gostaria que o meu acompanhante assistisse à minha cesariana;
_ Em caso de cesariana de emergência, gostaria que fosse .................. a cortar o cordão umbilical;
_ Em caso de cesariana de emergência, gostaria que fosse ..................... a pegar no bebê, assim que ele estivesse vestido;
_ Gostaria de realizar uma cesariana, a meu pedido.
(SMRN-2011)
® Uso exclusivo concedido por Janet Balaskas
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
Janet Balaskas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
20 de Abril de 2011
Na véspera do feriado prolongado da Semana Santa, a visita da educadora perinatal Janet Balaskas à Faculdade de Saúde Pública da USP lotou o Anfiteatro Paula Souza. Estudantes e pesquisadores, profissionais da obstetrícia, usuários da saúde, e até mães com bebês aproveitaram a oportunidade de conhecer a britânica fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.
A palestra Parto Ativo, a história de uma filosofia e revolução durou aproximadamente duas horas, durante as quais, Janet Balaskas e sua tradutora falaram de pé, apresentando um belo registro iconográfico. Coordenadora do Active Birth Centre em Londres, Janet compartilhou com o público a história do movimento organizado de mulheres, que há 30 anos, conseguiu denunciar e abolir práticas obsoletas e agressivas na assistência obstétrica da Inglaterra. Algumas destas ainda são rotina nos hospitais brasileiros.
Dois episódios foram marcantes neste processo: em 1982, uma passeata mobilizou seis mil ingleses que foram às ruas de Londres protestar contra as episiotomias de rotina e a imobilização das parturientes no leito. Alguns meses depois, novamente milhares de pessoas participaram de duas Conferências Internacionais pelo Parto Ativo, provocando mudanças significativas na assistência ao parto na Inglaterra.
Na USP, Janet também demonstrou algumas vantagens que os partos normais em posição vertical oferecem, como por exemplo, maior abertura do canal pélvico. Todos os presentes se levantaram para tocar seu próprio corpo e comparar o diâmetro de seu crânio com o de sua pelve, em variadas posições.
Em debate com o público, Janet Balaskas reconheceu no Programa Cegonha uma boa oportunidade para que o Brasil dê um salto de qualidade na atenção ao parto. Isso porque foi informada de que o atual plano de governo prevê investir na construção de 72 Centros de Parto Normal. Estudos recentes defendem que o parto normal – aquele sem o uso obrigatório de drogas ou procedimentos cirúrgicos – tem os melhores desfechos de saúde materna e infantil, sendo indicador da qualidade da assistência obstétrica de um país. Como disse o Ministro Padilha recente passagem pela FSP, esta política também objetiva reduzir a violência institucional no parto, questão que ganhou ampla divulgação na mídia pela pesquisa de opinião Mulheres e Gênero nos Espaços Públicos e Privados (SESC Fundação Perseu Abramo), segundo a qual, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido algum tipo de violência durante o parto.
Por fim, Janet dedicou todo apoio às obstetrizes brasileiras, especificamente às profissionais formadas pela EACH: “All power to the midwives” encerrou. Em seguida, um intenso e prolongado aplauso, com todos de pé, emocionou às lágrimas uma das figuras mais emblemáticas da humanização do parto. Além de todos nós.
Simone Diniz e Ana Carolina Franzon
Fotos: Ana Carolina Franzon
Realização:
Curso de Obstetrícia EACH-USP
Associação de Obstetrizes da USP
Faculdade de Saúde Pública da USP
GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)
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