Eu também sou essa mulher!
Relembre Ana Álvarez-Errecalde, e sua impressionante obra.
Confira:
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"O mais difícil foi ser incompreendida, porque se o bebê o está bem, nada mais importa. Eu sofri sozinha, em silêncio, uma dor negada como tal, até que eu tive a oportunidade de compartilhar com outras mulheres que tinham se sentido como eu: partidas, fracassadas e feridas na alma. Compartilhar a dor, a legitima; demonstra que tem fundamento e que não é fruto de uma mente enferma..."
"Minha cicatriz é bonita. É um portal para a minha consciência profunda, que se aninha em meu ventre. Também é uma rachadura, e através dela vislumbro todos os fantasmas e o meu pior monstro. Graças à ela, tenho a espada e a luz."
"As minhas três cesáreas me despertaram da completa letargia que eu vivia. Apesar delas, e por meio delas, eu alcancei um profundo conhecimento de mim mesma. Começo a conectar com meu corpo e sua linguagem: a aceitar-me e a sentir-me mais mulher".
A série inclui 30 fotografias de mulheres que tiveram cesárea, acompanhadas de curtos e precisos comentários das protagonistas.
As imagens mostram a cicatriz física e emocional, convidando à contemplação da ferida e para além dela, em busca da reconciliação e do compromisso com uma atenção ao parto respeitosa.
Fonte: Ana Álvarez-Errecalde
Um grupo de mulheres me convidou para fotografar suas cicatrizes de cesáreas. Como eu não tenho experiência com parto hospitalar (meus filhos nasceram em casa), fiquei pensando em como eu poderia homenageá-las (re)tratando cada vivência com respeito.
Nasci por uma cesárea em um época e em um país onde a cirurgia era realizada em poucas ocasiões, comumente em situações comprometedoras para a saúde. Certamente devo minha vida à esta intervenção.
Quero mostrar a história que, depois da ferida, questiona, se informa, cresce e sobretudo, ama. Me implico. O projeto me envolve. Seu ritmo acelera e me surpreende. A história encontra um maneira de contar-se, e eu a registro.
Desejo que o mostrar/ver/compartilhar/escutar seja o começo de uma reversão dos 'estigmas' e, que, a partir da aceitação, iniciemos uma transformação.
Ana Álvarez-Errecalde (em trecho do livro)
A Organização Mundial de Saúde recomenda que esta prática deve ser limitada a 10 a 15% dos nascimentos, mas em países como a Espanha e os EUA as cesáreas são feitas em cerca de 23% de todos os nascimentos, subindo 33% nas clínicas privadas.
Fonte: Ob Stare
Com alegria ou dor, alívio ou raiva, sempre fica uma marca (...) Com a força que surge de lembrar-se da ferida e saber-se curada.
Fonte: Ibone Olza, na Introdução