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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Agenda Parto no Brasil

E o mês de maio tem muitas novidades e encontros, bora apreciar!


Sexta, 4 de maio, das 10:00 até às 18:00 horas - Evento gratuito, na EACH/USP - São Paulo/SP

10h - Abertura: Nádia Zanon Narch - Coordenadora do curso de Obstetrícia da EACH/USP
10:15h - Palestra inicial: "Entre as Orelhas - O parto na perspectiva do sujeito", c/ Ricardo Jones
12h - Almoço
13:30h - Mesa: "O Brasil Precisa de Obstetrizes"
- Atenção hospitalar: Carla de Almeida Vieira Azenha – Profissional da assistência hospitalar
- Atuação como autônoma: Michely Christiny Marcondes Nunes – Mestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da USP
- Pós-graduação em Enfermagem: Jéssica Galante Reis – Mestranda da Escola de Enfermagem da USP
- Pós-graduação em Saúde Pública: Marcel Robledo Queiroz – Mestrando da Faculdade de Saúde Pública da USP
- Obstetriz na Docência: Nathalie Leister – Doutoranda da Escola de Enfermagem da USP
- Experiências internacionais: Natália Rejane Salim - Doutoranda da Escola de Enfermagem da USP
15:30h - Palestra: " A História da formação da Obstetriz no Brasil", c/ Maria Luiza Gonzalez Riesco - Escola de Enfermagem da USP
16:30h - Coffee Break
16:50h - Palestra da ABENFO-SP: "A experiência com o parto domiciliar", c/ Karina Fernandes Trevisan - Enf. Obstetra, parteira domiciliar e doutoranda da Escola de Enfermagem da USP e Nathalie Leister – Obstetriz, parteira domiciliar e doutoranda da Escola de Enfermagem da USP
17:50h - Encerramento

E, no dia 05 de maio, Dia Internacional da Parteira, ouçam web conferências pelo link: 


Mais informações aqui.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A maternidade hospitalar é um campo de guerra

Todo apoio a Marcos Dias (RJ) e todos os outros profissionais obstetras que praticam uma assistência respeitosa e amigável às mulheres.
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Violência obstétrica é...


La obstetricia actuando
palabrademujer.wordpress.com/otra-mirada-de-la-atencion-obstetrica



Quero, antes de tudo, manifestar meu apoio ao colega Marcos Augusto Bastos Dias, e repudiar a hipocrisia, não apenas do CRM-RJ, mas de todos os CRM's Brasil afora. Nessa disputa envolvendo assistência ao trabalho de parto e nascimento, não existe nenhuma pureza dentro dos conselhos. Os augustos, quase divinos conselheiros - encastelados em sua ética parcial - não estão assim tão interessados nos sujeitos principais do parto: a mulher, o bebê, a família. Estão ali para proteger o poder e os privilégios da categoria que representam - importantíssima, sim, mas nem por isso proprietária da fisiologia humana. Fazem uma balbúrdia quando se trata de compartilhar a assistência com outra categoria - obstetrizes e enfermeiros obstetras - e outros modelos de assistência - ainda que comprovadamente eficazes e seguros em vários outros países do mundo. Mas se calam, ou se acomodam em inúmeras outras situações, flagrantemente ilegais, absurdamente antiéticas, ou explicitamente desumanas... 

1) Um médico, obstetra, professor-doutor, tutor de residência (talvez conselheiro em seu estado) que chega no plantão da maternidade, onde mulheres foram ganhar seus bebês, e assim se pronuncia: "Como está o nosso Vietnã? Nossa Faixa de Gaza!!" Porque ele vai para o plantão como quem vai para uma guerra; as parturientes e seus familiares são o inimigo a ser vencido; ele está ali para matar ou morrer; para arrancar sangue; para dominar, para impor seu ponto de vista. Sua postura e suas condutas frente às mulheres, no decorrer do dia, são um desdobramento de seu "carinhoso" bom dia. Nossas maternidades estão abarrotadas de profissionais desse tipo, que vão trabalhar sem gostar do que fazem, e que descontam suas raivas nas mulheres que vão lá parir. O que os CRM's fizeram daquele estudo que mostra que cerca de 25% das mulheres são violentadas dentro das maternidades, na hora do parto? O que tem feito nossos CRM's, tão "preocupados" com a ética, contra médicos obstetras, anestesistas, pediatras (não todos, claro, mas muitos, muitos!!), que sistematicamente agridem mulheres nas mesas de cirurgia - principalmente quando são negras, obesas e pobres? Tem levantado a voz, pelo menos? Alguém foi punido, por isso? Ou isso é tão inerente à prática, que não vale a pena discutir?

2) E as cesarianas eletivas com 37 e 38 semanas, nas melhores maternidades do país - naquelas com imensos saguões de granito e manobrista? O que tem sido feito com esses profissionais, geralmente gente muito fina! Profissionais muito conceituados em suas cidades e seus estados! o que tem sido feito com os profissionais que indicam e executam essas cesarianas? não sei de onde sai tanta indicação: o líquido secou, o nenê não estava respirando, o cordão estava enrolado no pescoço, o nenê era muito grande, HbsAg +, estreptococo B positivo (essa é de rir - ou chorar!). Porque a mentira foi normalizada em nossos pré-natais. A mentira e a arte de aterrorizar. Há uns meses, minha irmã me ligou de Maceió, onde mora, desesperada. Estava com 39 semanas de gestação, já tivera um parto normal anterior e aguardava tranquilamente o trabalho de parto. Mas "inventou" de fazer um ultra-som; a ultrassonografista falou que tinha que ser cesariana porque o cordão estava enrolado no pescoço. Falei para ela que ficasse tranquila; quatro dias depois nasceu o bebê, com uma circular de cordão, em perfeitas condições. Quantas outras mulheres não tiveram a sorte de ter quem as tranquilizasse? e quantas outras "excelentes" ultrassonografistas, pelo Brasil afora, não fazem outras tantas brilhantes indicações como esta? Isso não configura um quadro de imperícia? Isso não é antiético? O que os CRM's tem feito nestas situações? Alguém foi chamado, pelo menos para uma advertência? E quando algum desses bebês afoitamente retirado com 37 semanas (porque o fim de semana, ou o feriado prolongado estava próximo, ou porque havia um risco iminente de nascimento por parto normal), por "azar", teve uma membrana hialina, ou uma taquipnéia mais severa, e teve que ir para uma UTI neonatal, e teve que ficar entubado lá, um ou dois dias, alguém questionou a conduta desse profissional de condutas tão ilibadas? Será que os diretores clínicos das nossas maternidades privadas investigam esses casos? No final, mãe e bebê e família retornam muito felizes para suas casas... Intercorrências benignas, não é!Ainda agradecem o profissional, que "salvou" o bebê. É verdade que, às vezes não dá prá salvar... Os CRM investigam isso? Ou isso também é intercorrência benigna?

3) Existe maternidade pública no Brasil, onde o médico plantonista não avalia puérpera na enfermaria, porque na enfermaria não tem ar condicionado - ninguém merece aquele calor, né gente!. Levem os prontuários para eles, no conforto médico, onde o ar condicionado mantém uma temperatura civilizada - 18-20 graus, né gente! Por outro lado, ar condicionado de bloco cirúrgico-obstétrico tem que ser 16 graus, né gente! Para vestir capote cirúrgico, tem que abaixar a temperatura. "Senão, não dá para trabalhar!" A paciente (mãezinha, ou filhinha), de camisola, ou despida, que se vire! Ninguém pergunta se a temperatura está adequada para ela. Alguém se preocupa com isso? Ah! sim, claro, o pediatra, quando que o bebê nasce...

4) E as cesarianas para ligadura!! A lei do planejamento familiar já está bem velhinha! Mas até hoje tem mulher com dois ou três partos normais que entra na maternidade às 9:00 e às 10:30 é levada para o bloco cirúrgico para uma cesariana de urgência por sofrimento fetal agudo (com BCF de 140), ou distócia (distócia? teve tempo de ter distócia?), e na cesariana "ganha" a ligadura... Ou entra na maternidade com diagnóstico de pré-eclâmpsia (com PA de 150/100) e é encaminhada direto para o bloco, para cesariana de urgência + ligadura. Curiosamente, todas as outras medidas de PA situam-se em torno de 100/70; mais curioso ainda, a única medida anormal foi a medida da admissão, tomada pelo médico; curiosíssimo: talvez ele nem tenham colocado o esfigmomanômetro no braço da gestante... Como é mesmo o nome disso? Não entendo muito de lei! Falsidade ideológica? Será que cabe aqui? A Lei de Planejamento Familiar estabelece algumas penas... Tem algum CRM no Brasil preocupado com essa prática? Comuníssima ainda nos grotões... Claro, ainda tem o cachê do médico: mil reais prá fazer a ligadura...

5) E os "esquemas" de plantão? Tem três pediatras de plantão. Na prática, só tem um, porque eles rodam. "Tem que contratar mais pediatra" fala uma pediatra absolutamente sobrecarregada, "porque não estou dando conta do serviço!". Os outros dois estão nos seus consultórios... "Não dá para fazer analgesia peridural nas pacientes em trabalho de parto, porque não tem gente suficiente" fala o anestesista de plantão. O outro anestesista, também de plantão, não está... (onde está?). E assim, por diante... Cadê os CRMs?? Cadê os nobres conselheiros? 

6) "Período de dilatação, prá mim, dura 6 horas; período expulsivo, 30 minutos. Mais que isso, é cesariana" Ou Kristeller. Porque, depois que vai para a litotomia, tem que nascer em 15 minutos. 

“Isso! Cuidado mãe! (ela subindo na litotomia) Vamo buta o pezinho aqui mãe, pro menino nascer rápido! Força para o menino sair taqui. Mãe, presta atenção, tá fazendo errado. Peraí!! Puxa isso aqui. Vamo butá o campo. Vai nascer! Agora mãe, quando vier a dor, é prá você ajudá. Puxa, tá certo, na hora da dor. Puxa.! Tá descendo? Força, confiança. Fecha a boca. Vai mãe vamo, vamo vai vai vai mãezinha, vai, vai. Ela tá muito desesperada (não aguento) Oh m~e, presta atenção. Vc tá com desespero, mas sem necessidade (mas dói demais) (eu tô tentando). Aquela hora achei que ia nascer lá (gemidos). Bota o pezinho, isso. Ajuda mãe! Ajuda aí. Vai força, vai força, puxa o ferro. Vai mãe, vai mãe, espreme, tá vindo, tá nascendo. Vá mãe, vá, VAI. Força!!! (oh gente!) (tá dando agonia) Presta atenção, mãe, presta atenção, vamo lá (Oh meu deus) Desça o bumbum, desça, desça mais. Vá mãezinha, isso! Muito bem (Ah meu deus). Desce na contração, sobe. (Oh gente!) (OH senhor) Tá chegando, vamo mãe, bota o pezinho prá cima e puxa o ferro, vamo vai va va va maezinha, empurra o pé. Vá mãe vá. É que as contrações dela são poucas. (doi demais gente) Força, vá, força, va (grito). (gente!) respira, puxa o ar pelo nariz (não aguento mais não). (meu pai!) (não não) Empurra, vá vai nascer. Vamos vamos (grito) Você tá segurando. Não mae tenha calma, deixa descer mais. Força Raimunda, vá. Vamos raimunda. Não devagar, de uma vez só. Sobe ela. Tô dexando rodar. Nasceu pronto. Respire mamãe. Nasceu! pronto" 

Essa gritaria toda durou quinze minutos. De fato nasceu. Tinha que nascer em 15 minutos? O BCF estava ótimo e a parturiente tinha dois partos normais prévios. Essa é a assistência padrão de período expulsivo no país inteiro. 

E o que os CRM's fazem, então com esse bullying sistemático nos períodos expulsivos das mulheres brasileiras (na hora de fazer você não gritou assim), com essa gritaria (parece que estamos tocando vaca!), com esse estímulo irracional ao puxo dirigido (Será que ninguém nunca viu o que o Caldeiro-Barcia já havia mostrado em 1979?), com essas multidões penduradas nos períneos das mulheres (Força, mãezinha!)? Claro que os CRM's não fazem nada... 
A fazer algo, teriam que reconhecer que MÉDICO(a) OBSTETRA NÃO SABE ASSISTIR UM PARTO NORMAL EUTÓCICO. Mas isso é demais... Porque na sequencia teriam que reconhecer que outros profissionais - não médicos, e uns poucos médicos - sabem o que eles não sabem; e que tem muito a aprender com esses outros. E que talvez as CASAS DE PARTO possam ser locais mais adequados para o nascimento, e que a obstetriz e o enfermeiro obstetra, são tão capazes quanto eles na assistência ao parto. E isso eles não parecem dispostos a fazer. 

Isso é um desbafo, absolutamente pessoal...

Edson Borges de Souza
Médico Obstetra - Belo Horizonte




Ricardo Herbert Jones
Desabafo de um colega obstetra
Publicado em página pessoal do Facebook, em 20 de dezembro de 2011.


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Mais do mesmo
Acesse aqui o post com relato de pesquisa em que GO que diz que uma maternidade com seis parturientes é filme de terror http://partonobrasil.blogspot.com/2011/05/dia-mundial-da-parteira-e-seus_12.html

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Empoderamento feminino - Ric Jones propõe 'revolução cultural'

Jornal Uruguaio “La diária”
SOCIEDAD 16.8.11 RICARDO JONES | HUMANIZACIÓN DEL PARTO
El obstetra y ginecólogo brasileño Ricardo Jones se encuentra en el país dictando el primer curso de “Extensión en humanización del nacimiento para profesionales de la salud”, organizado por el Instituto Perinatal del Uruguay. En diálogo con la diaria señaló que es necesario un cambio de paradigma en el sistema médico uruguayo para abordar los partos y que se le debe restituir el protagonismo a la mujer, algo que sólo será posible a través de una “revolución cultural”.
Foto: Javier Calvelo
Cuerpo y alma
Entrevista con Ricardo Jones, especialista en humanización del nacimiento.
-¿Qué se entiende por humanización del nacimiento?
-Es una actitud basada en la restitución del protagonismo de la mujer en el parto. Es una síntesis de dos paradigmas antiguos: el naturalista, que deja actuar a la naturaleza, y el intervencionista contemporáneo, que incluye las cirugías, los fórceps y las episiotomías, entre otras cosas. Este último es un paradigma del siglo XX, ahora tenemos que producir otro, que es el humanista, que toma las enseñanzas de la naturaleza, valoriza la fisiología del parto, pero tiene la herramienta de la tecnología para ayudar en los casos en los que el parto se aleja de la fisiología y se acerca a la patología.
-Esta idea de un nuevo paradigma ¿puede ser aplicado a la medicina en general?
-Es una idea general. Por ejemplo, en Brasil hay un programa nacional del gobierno que se llama Humanización del Sistema Único de Salud y se aplica no sólo en la obstetricia, hay toda una metodología para que las personas sean acogidas en los hospitales y tengan más autonomía y protagonismo de y en su existencia. Es más fuerte en la cuestión del nacimiento porque tratamos de la mitad de la población del mundo que puede pasar por ese evento, que además es fisiológico y natural. Se trata de un grupo de personas que son tratadas de una forma muy negativa y despreciativa, por eso hay más urgencia de humanizar el nacimiento que otras áreas.
-¿Hay más resistencia cuando se habla de humanizar esta área en particular?
-En todas hay resistencia porque los modelos médicos son autoritarios, no se puede cuestionar la autoridad del médico y de la institución. Pero en el tema del nacimiento es más complicado porque se trata de mujeres, que históricamente son más sumisas. Las mujeres deben decir “nuestro cuerpo es sagrado, es nuestro, no se lo puede tratar mal”.
-¿Qué elementos o situaciones deshumanizan los nacimientos?
-Por ejemplo cuando las mujeres no son escuchadas. Se les dice que un parto debe ocurrir en un hospital y nadie pregunta dónde ella se siente mejor. La Organización Mundial de la Salud [OMS] es muy clara cuando dice que el mejor lugar para que una mujer tenga su hijo es donde ella se sienta segura. En Inglaterra se le pregunta dónde quiere tener a su hijo; puede ser en una casa de parto o en su casa, y el sistema público va a la casa de esa mujer a ofrecerle asistencia. Pero acá y en toda América Latina se la deriva directamente al hospital porque pensamos que es mejor allí. En los estudios actuales no hay elementos que nos permitan afirmar que el hospital es el mejor lugar para una mujer que va a tener a su hijo si no tiene enfermedad; sin embargo, en una casa de parto o en el domicilio los resultados son iguales o mejores que en los partos de bajo riesgo que son atendidos en los hospitales.
-¿Cómo ve el tema en Uruguay?
-Es muy similar a Brasil, con la diferencia de que acá escuché una entrevista al doctor [Leonel] Briozzo [subsecretario de Salud Pública] en la que sostiene que él no se interesa por la idea de partos fuera del hospital y que va a incentivar los partos intrahospitalarios. Ésa es una idea del siglo XX. Me deja muy triste ver que Uruguay aún se quiere quedar tan atrás. Otros países como Brasil e Inglaterra, que es un ejemplo asombroso, están intentando entrar en el siglo XXI, ofreciendo lo mejor de los dos mundos: el de comprender y respetar la fisiología y el de ofrecer la calidad tecnológica cuando la fisiología no es suficiente. Por lo tanto, Uruguay aún no se dio cuenta de que es importante más que simplemente actuar para que la mujer sobreviva al parto, que sea un acontecimiento de calidad para ofrecer a la mujer y al niño un buen inicio de la maternidad y de la propia vida.
-La idea de parto humanizado no excluye la intervención médica cuando hay complicaciones. ¿Cómo equilibrar estas dos ideas?
-Muchas de las intervenciones se hacen para reanimar a un bebé que nació con problemas respiratorios principalmente porque las acciones médicas en el hospital lo perjudican. Por ejemplo, la utilización de oxitocina es muy desgastante para la oxigenación del bebé y, por lo tanto, nace mal por la acción médica. En casas de parto o en el domicilio no se utilizan estas hormonas. Más allá de eso, los partos a domicilio están respaldados por un aparato médico para resolver 98% de las complicaciones allí y, si es necesario, hacer traslados al hospital; es muy raro que suceda eso, pero siempre estamos preparados. El hospital y los médicos también son muy importantes y necesarios, pero hay un prejuicio que se creó con la idea de que la tecnología siempre es buena.
-¿De qué manera cree posible aplicar estos conceptos y la idea de humanización del nacimiento al sistema de salud uruguayo?
-Se debe dar pequeños pasos. Por ejemplo el Instituto Perinatal del Uruguay tiene la idea de utilizar sus instalaciones para crear una casa de parto y para eso necesita tener una aprobación del Ministerio de Salud, pero eso es difícil porque sus autoridades tienen una visión del siglo XX. La discusión del parto casi nunca es una discusión médica, sino política. También es necesario producir educación continuada. Hay que hacer una pequeña revolución en la cultura, en la manera de ver el parto así como entrenamiento sobre este tema en los hospitales. Yo pienso que la revolución va a ocurrir con las mujeres cuando empiecen a percibir que el parto se quitó de ellas y quedó en manos de los profesionales. Debe ser un movimiento social como en su momento lo fue el movimiento sufragista femenino; es un capítulo más en la historia de la emancipación de la mujer, que no sólo la beneficiará a ella sino a la humanidad en sí.
Inés Acosta
http://ladiaria.com/articulo/2011/8/cuerpo-y-alma/#contenido

sábado, 28 de agosto de 2010

Sorteio da Promo em Dobro nesta segunda-feira, participem!

Querid@s leitores, ainda dá tempo de participar de nossa promoção que está pra lá de especial com duas ótimas leituras cedidas gentilmente por seus escritores - Mamãe, eu quero, de Sonia Hirsch e Memórias do Homem de Vidro, de Ric Jones! Para concorrer basta enviar uma foto de algum momento especial c/ seus filhotes ou, para quem está grávida, de seu barrigão, c/ um breve relato sobre a maternidade/paternidade. Para mais informações acesse o link da Promo em Dobro aqui! O sorteio será dia 30 de agosto, segunda-feira, a partir das 20hs. No momento estou lendo este exemplar de Sonia (pois tb ganhei um, rs!) e é maravilhoso, muitas dicas, receitas e conversa boa sobre essas crias deliciosas! O livro de Ric (q tb ganhei um, hehe) iniciei a leitura, tb deliciosa, mas queria rascunhar as ideias centrais e acabei deixando na cabeceira da cama, pq merece uma leitura mais atenta e c/ a cria ora na teta, ora no colo não deu! Enfim, não percam essa chance, aproveitem o fim de semana para passear c/ as crianças e tirar muitas fotos!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Capacitação de Doulas em Porto Alegre/RS

Estão abertas as inscrições para um novo curso de capacitação de Doulas em Porto Alegre/RS, entre os dias 1, 2, 3 e 4 de outubro 2010, com o Dr. Ricardo Jones, Zeza Jones e Lucia Caldeyro. Local a definir. Tratar com Zezé pelos telefones (51) 91236136 - 30131344 ou com Zeza - (51) 99511124. Conteúdos: I. Conhecendo a Doula. II. Conhecendo seus Clientes. III. Conhecendo a Fisiologia do Aparelho Reprodutor e da Gestação. IV. Conhecendo o Trabalho de Parto e o Nascimento. V. Conhecendo a Arte do Acompanhamento do Parto - Parto/Nascimento/Bebê. VI. Conhecendo Meios de Iniciar uma Prática como Doula. VII. Conhecendo as Evidências Científicas dos Benefícios da Presença da Doula para a Mãe, para o Bebê, para os Vínculos Familiares. Vantagens para a Instituição e para o Sistema de Saúde.

sábado, 31 de julho de 2010

Promo em dobro

Opa! Hoje lanço mais uma promoção do Blog Parto no Brasil com duas ótimas premiações! Sortearemos no dia 30 de agosto, segunda-feira, a partir das 20hs, os livros Mamãe, eu quero - de Sonia Hirsch (confira o post do dia 27 de junho sobre o livro aqui!) e Memórias do homem de vidro: reminiscências de um obstetra humanista - de Ricardo Jones, também conhecido como Dr. Ric nas listas virtuais. Aproveito o momento para agradecer com muito carinho @s autor@s por ser noss@s parceir@s nesta empreeitada, feita diariamente com amor por uma maternidade consciente e responsável, e ter disponibilizado os exemplares de suas obras, obrigada! Como participar? Pois bem, basta enviar para o email lunabianka@yahoo.com.br, A/C de Bianca, uma foto de um momento especial com seus filhos/as, pode ser durante a gestação, quando ele/a nasceu, durante a amamentação, as 1as refeições, um passeio bacana em família e um breve relato de como você entende a maternidade/paternidade. Não esqueçam de informar nome da mãe/pai, filho/a, idade da cria e email para contato, lembrando que @ sortead@ terá 15 dias após o sorteio para entrar em contato conosco e repassar seu endereço para a remessa dos livros, claro, depois de nosso contato prévio que lhe informará que ele/a foi @ contemplad@! Cada email enviado ganhará um número que será sorteado, ou seja, não serão as melhores imagens e sim, vocês contarão com a sorte! As demais fotografias serão postadas no Blog Parto no Brasil posteriormente. Preparem suas câmeras e, clic!

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Cama de Procusto

Por Dr. Ric Jones
"Procrusto era um bandido que vivia na serra de Eleusis. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes para se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, os que tinham com pequena estatura, eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Ninguém sobrevivia, pois nunca uma vítima se ajustava exatamente ao tamanho da cama. Procusto representa a intolerância do homem em relação ao seu seme­lhante. O mito já foi usado como metáfora para criticar tentativas de imposição de um padrão em várias áreas do conhecimento, como na economia, na política, na educação, na história, na ciência e na admi­nistração." (Wikipedia)
Eu, obviamente, incluiria a sanha homogeneizante da biomedicina contemporânea como exemplo entre os acima.
Se o mito existe, então é representativo do inconsciente coletivo. Passou pelo imaginário social e deixou sua marca na ficção. Segundo o psicanalista Slavoj Zizec, aquilo que é insuportável aos sentidos e à razão brota do inconsciente como narrativa ficcional. E mito.
O Mito, portanto, está querendo nos dizer algo a respeito dos "core values", dos valores funda­mentais que sustentam a cultura. Os mitos nos levam (direta ou indiretamente) ao poço pro­fundo onde se encravam as pilastras dos nossos códigos valorativos. Porque cortar as pernas e "normatizar" os visitantes? Porque tínhamos que nos adaptar à cama de Procusto?
Seremos nós, profissionais da saúde, vigários da "Religião da Boa Saúde" os Procustos hodi­ernos? Teremos todos que morrer (ou sofrer as agruras de uma homogeneização abjeta e cruel) se não coubermos nos moldes impostos pela tecnocracia?
É sempre surpreendente (porém esclarecedor) perceber quanta dificuldade nós (da área biomé­dica) temos para aceitar o fato de que as expressões da oralidade são manifestações de con­teúdos psicológicos de ordem inconsciente, as quais se enraízam no oceano obscuro das vi­vências sexuais infantis. Ao mesmo tempo em que tentamos tratar o "evento" chupar dedo (ou chupeta), fechamos - freqüentemente - os olhos às questões a serem resolvidas pela pró­pria criança no que diz respeito à satisfação das necessidades fundamentais do seu desenvolvimento. Pior: tentamos estabelecer tratamentos às vezes cruéis (meu tio tinha as unhas pintadas com Buscopan para afastar o dedo na boca) no afã de restituir uma "normali­dade" por nós (tecno-bio-medicina) estabelecida sem levar em conta a subjetividade (das constituições e dos caminhos trilhados).
Na área do nascimento humano o mesmo tratamento des-umano se observa quando forçamos o tempo de nascer dentro de normas rígidas, cegando-nos à evidência avassaladora de que ninguém ama igual, ninguém geme igual e ninguém vai parir da mesma forma. Os tempos são construídos sobre a rocha bruta das emoções vividas, e estas são irreprodutíveis. Somos ca­minhantes das estrelas e temos nosso pegadas na poeira das estrelas, como dizia Max, e isso nos confere uma vivência absolutamente particular do universo à nossa volta. É a "paralaxe" que Zizec nos fala: a capacidade de encarar o mesmo evento (amar, amamentar, chupar o dedo, parir) de ângulos diversos, e com isso observar objetos distintos, em função de subjetivi­dades únicas. Na obstetrícia contemporânea, as curvas de Friedmann, usadas para estabele­cer tempos de trabalho de parto, são usadas como "moldes" nos quais as mulheres precisam forçadamente se adaptar, sob pena de serem vítimas do bisturi fatal a lhes cortar a carne e os sonhos acalentados.
Zeza sempre me dizia que um dia virá em que um funcionário de Motel baterá à porta de um casal que namora acima de tempo normal padronizado, segundo a "curva de Ric"... E dirá: "Vocês não podem mais ficar aí. É perigoso. O tempo médio de utilização libidinosa destas sala já foi ultrapassado. Saiam, ou arrombaremos".
Chupamos dedos, mamamos, amamos e trepamos de acordo com uma história que é única, mas a visão positivista e homogeneizante da sociedade espera que nos adaptemos ao modelo imposto por uma noção tacanha de "normalidade".
Não se iluda: a mesma força que nos obriga a inexorabilidade no tratamento das crianças que chupam dedo também se faz presente na visão diminutiva do sujeito que ama e pari.
Segundo Maximilian é a mais brutalizante das epidemias médicas: a "normose"...
A propósito... Friedmann nunca desejou que suas curvas fossem utilizadas para normatizar o nascimento humano. Da mesma forma que estabelecemos a altura média das pessoas em um determinado local ou país, fizemos com o parto - e o desenvolvimento infantil. Mas ainda não vi ninguém cortando pernas para que alguém se adaptasse ao tamanho médio da popu­lação. Por enquanto, pois o espectro de Procusto paira sobre nossas cabeças.
* O texto redigido circulou na lista virtual Parto Nosso em maio de 2010.
Imagem: The Modern Bed of Procustes - Punch Cartoon.

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