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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A legislação brasileira e a violência institucional no parto e nascimento - VIII COBEON (2013)

Entre os dias 30/10 e 01/11/2013, foi realizado, em Florianópolis-SC, o VIII COBEON – Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal. Promovido pela ABENFO – Nacional e organizado pela ABENFO-SC e Departamento de Enfermagem da UFSC, o evento reúne centenas de profissionais que trabalham diretamente com o ciclo gravídico-puerperal. 

O grupo de pesquisa Gênero, Maternidade e Saúde esteve representado por alunas e as docentes líderes, as profas. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz (FSP/USP) e Dra. Camilla Schneck (EACH/USP).

A advogada Prisicila Cavalcanti apresentou uma série de marcos legais que protegem as brasileiras da violência obstétrica. Confira a íntegra do trabalho na imagem abaixo.

Priscila Cavalcanti, que também é doula em São Paulo-SP, considera ainda que o trabalho apresenta um “panorama geral” dos marcos legais, não incluindo as normas vigentes que decorrem de tratados internacionais ratificados pelo país.




Você também pode enviar seu trabalho apresentando no COBEON para publicação no Blog Parto no Brasil. 
Escreva para lunabianka@yahoo.com.br

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

No mundo todo, as mulheres estão usando as redes sociais para dar visibilidade ao que chamam de ‘violência obstétrica’.

Neste post, convidamos você a colaborar com a construção deste processo histórico, com a documentação da voz das mulheres, sobre os momentos que foram os mais tristes e difíceis da sua jornada reprodutiva.

Pelo direito de viver uma vida livre de violências.
Pelo direito à saúde e à boa informação.



Por que violência obstétrica?

Por definição, a violência obstétrica é considerada toda forma de desrespeito, maus-tratos, abuso e negligência, praticada pelos profissionais das maternidades contra as mulheres que estão ali em busca de serviço de saúde especializado – para a gravidez, o parto, o pós-parto, e o aborto.

Também pode incluir condutas, procedimentos e protocolos clínicos que não atendam as melhores práticas na atenção ao parto e nascimento, condutas e protocolos reconhecidos como fortes evidências científicas pela comunidade internacional para a segurança das pacientes e qualidade da assistência.

A falta de informação e esclarecimentos sobre todos os processos do parto e nascimento prejudica a comunicação entre os profissionais e pacientes. As mulheres precisam ser estimuladas a falar sobre suas dúvidas, medos, desejos e necessidades. E precisam ser ouvidas.

A Lei do Acompanhante no Parto é de 2005, e vale para todo o país, para todas as maternidades do SUS ou da Saúde Suplementar. A lei vale para todas! Todas as mulheres têm direito a ter um acompanhante de sua livre escolha desde o início até o final da sua internação na maternidade. Toda exceção é violação de direitos. Denuncie.



Segurança das pacientes e qualidade da assistência

Este cenário (de violência) é o oposto ao desejado pelo projeto da Humanização da Assistência ao Parto. Uma política pública que tem a proposta de superar o grande desafio da redução das mortes maternas; da organização de todos os serviços que compõem a rede de atenção ao pré-natal, parto e puerpério (nas UBS, centros de parto normal  e maternidades hospitalares); e da valorização do parto e nascimento como processos fisiológicos, que podem ser transformados em uma experiência positiva e satisfatória para as mulheres.

Em última instância, é uma defesa da cidadania e dos direitos humanos!



O convite para a ação

Nos últimos meses, uma série de ações sociais foram organizadas, via Internet, por mulheres que se dedicam à construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais amigável às mulheres, e que inclui necessariamente a articulação de uma equipe de profissionais tais como enfermeiras, doulas, obstetrizes, parteiras, e médicos.

Como resultado, temos duas Blogagens Coletivas que foram realizadas coletivamente por mais de 100 blogs ao total. Confira as informações:







Nesse tempo, as mulheres também saíram às ruas, na Marcha do Parto em Casa e na Marcha pela Humanização do Parto. A perspectiva das usuárias, favorecida pela Internet, é o item de maior valor que nós podemos oferecer à saúde pública brasileira.

Esta terceira postagem coletiva tem objetivo de proporcionar mais uma troca de experiências entre as mulheres, de resgate do apoio mútuo, e de valorização de uma metodologia que é específica de uma organização política, pessoal, comprometida, com os direitos humanos das brasileiras, e sua saúde sexual e reprodutiva, na perspectiva da integralidade, diversidade e individualidade, com aplicação de saberes multidisciplinares complementares.


Participe, divulgue a imagem abaixo, junto com um texto livre de sua autoria.
Grave seu video, e envie até 28 de outubro!

Instruções para a Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

Como resultado, esperamos produzir um videodocumentário sobre a perspectiva das brasileiras que se sentiram desrespeitadas, para ser lançado oficialmente durante o 10o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorrerá entre os dias 14 e 18 de novembro de 2012, em Porto Alegre-RS.

Uma iniciativa dos blogs Parto no Brasil, Cientista que Virou Mãe e Mamíferas, junto com o grupo de pesquisa do Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Nosso muitíssimo obrigada!
Ana Carolina Franzon
Bianza Zorzam
Kalu Brum
Ligia Moreiras Sena




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Participação da Comunidade Faculdade de Saúde Pública em pesquisa sobre parto


O Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP) convida a comunidade da Faculdade de Saúde Pública da USP para participar da pesquisa 'Riscos e Benefícios dos Modelos de Assistência ao Parto: Perspectivas de Usuárias/os e Profissionais'.


Na próxima semana, a pesquisa realizará dois encontros para promover uma conversa sobre a gravidez, o nascimento e a chegada dos filhos na vida familiar. Podem participar todos os alunos, funcionários, docentes e/ou usuários da Creche Saúde e do Centro de Saúde Paula Souza, desde que sejam mães ou pais que acompanharam o nascimento.

Na segunda-feira, dia 24, será realizado o grupo específico para os pais; e na terça, dia 25, o grupo para as mães. Os encontros serão realizados na FSP/USP, e começam às 18h, com duração prevista de 1h. As vagas são limitadas e é preciso realizar inscrição por e-mail.

A participação na pesquisa é voluntária; os dados são sigilosos e anônimos. Os participantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Informações e inscrições nos endereços abaixo.

-Inscrições de pais: painoparto@gmail.com

-Inscrições de mães: escolhasnoparto@gmail.com

SERVIÇO:

Grupo de Conversa com os Pais - Pesquisa FSP/USP
Data: Segunda-feira, 24 de setembro de 2012, às 18h
Local: FSP/USP
Informações e inscrições até sexta, dia 21: painoparto@gmail.com
Para acessar o convite, clique aqui.

Grupo de Conversa com as Mães - Pesquisa FSP/USP
Data:Terça-feira, 25 de setembro de 2012, às 18h
Local: FSP/USP
Informações e inscrições até sexta, dia 21: escolhasnoparto@gmail.com

Fonte: http://www.fsp.usp.br/site/eventos/mostrar/2489

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Saúde Materna: Convite para participação em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP

O Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP) convida a comunidade à participação na pesquisa 'Riscos e Benefícios dos Modelos de Assistência ao Parto: Perspectivas de Usuárias/os e Profissionais'.




Quem pode participar?

  • Mulheres que tiveram seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Homens que acompanharam o nascimento de seus bebês em hospitais, em Centros de Parto Normal, ou em partos domiciliares planejados;
  • Profissionais de saúde e gestores que trabalham em serviços SUS ou na Saúde Suplementar: Ginecologistas e Obstetras, Pediatras e Neonatologistas, Anestesiologistas, Enfermeiras Obstetras, Obstetrizes.


Como é a participação na pesquisa?

  • Trata-se de um estudo qualitativo, com realização de entrevistas. Duração prevista: cerca de 30min.
  • A participação é voluntária; os dados são sigilosos e anônimos. Os participantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.


Onde serão realizadas as entrevistas?

  • Em local de preferência e escolha dos entrevistados: no domicílio, no serviço de saúde, em local de trabalho, ou no espaço da Faculdade de Saúde Pública da USP - Metrô Clínicas;
  • A pesquisa prevê também o uso da Internet (Skype) para gravação de entrevistas, com participantes de outras cidades e regiões ou aqueles que assim preferirem.


Quando serão realizadas as entrevistas?

  • O período de entrevistas começa em 10 de julho e termina em 31 de agosto de 2012.


Como obter mais informações ou realizar inscrição para participar da entrevista?

  • Escreva para escolhasnoparto@gmail.com para sanar dúvidas ou declarar interesse em participar.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Nós parimos em casa!

A soberba médica exige que o relacionamento entre pacientes e médicos seja de total autoridade: o especialista assume sua superioridade técnica e intelectual perante o sujeito à quem o corpo pertence, aquele que sente, dor e prazer. Por sua vez, a mente cede, em submissão, pouco questionável - o corpo então, padece.

A humanização do parto é um modelo de assistência, também uma política pública, incompatível com o domínio exclusivo de saberes. O padrão de parto normal (de prestação de serviço e de experiência de vida) que estas mulheres defendemos pressupõe que as pacientes tenham o domínio de informações estratégicas, para que possam dialogar com os profissionais sobre o processo fisiológico que lhe acomete.

A Marcha do Parto em Casa é uma expressão da autonomia feminina - e das famílias democráticas, permeáveis à igualdade entre os gêneros - sobre os riscos e benefícios dos diferentes tipos de modelos de atenção ao parto. É exatamente este o tema da pesquisa desenvolvida atualmente pelo Grupo de Pesquisa do CNPq Gênero, Maternidade e Saúde, liderado pela Profa. Dra. Simone Diniz, na Faculdade de Saúde Pública da USP, e do qual tenho imenso prazer em participar.

São milhares de pessoas espalhadas por quase todas as regiões do país, que acreditam no direito à segunda opinião médica, que aprenderam o valor que essa atitude tem. Diferentemente do que manifestam alguns cidadãos conectad@s às nossas redes, assinantes da Fanpage Blog Parto no Brasil e do Perfil Parto no Brasil, no Facebook, nós não somente acreditamos, como sabemos, que podemos sim questionar qualquer indicação de procedimento, antes, durante e após a sua realização.

"Total confiança" no profissional de Obstetrícia encarregado pelo seu parto, não me parece ser a melhor qualidade para sua relação com ele ou ela. Primun non nocere, respeito aos direitos humanos e reprodutivos e escuta atenciosa, devem ser mais importantes. Além da clareza sobre a parte da relação que cabe como consumidor de serviços de saúde - no setor privado, saúde suplementar e SUS. 

O Blog Parto no Brasil publica hoje, uma coletânea das mais belas manifestações do parto e nascimento como eventos prazerosos, seguros, quando atendidos de modo respeitoso e individualizado à cada contexto familiar. Uma história construída em defesa do direito de escolha que as mulheres têm sobre toda sua vida sexual e reprodutiva. Nossa imensa gratidão a todas aqui presentes!

Porque nós não precisamos mesmo de Conselhos, o que queremos são MAIS parteiras, obstetrizes e enfermeiras obstetras, cuidando da absoluta maioria das brasileiras - todas aquelas 90% de risco habitual. Por que não? 

São os pequenos grupos organizados que lideram, transformam e (re)produzem o mundo, sempre, e afinal.

Porque o parto é nosso!

Carol
Ana Paula
Thany
Kelly

Bianca

Letícia

Carla



Patricia

Gabriela

Mariana

Elaine

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Atenção ao Parto e Nascimento: A Qualidade da Assistência em Debate



O evento "Atenção ao Parto e Nascimento: A Qualidade da Assistência em Debate" tem objetivo de promover uma discussão sobre formas inovadoras de organização do trabalho, e em benefício da saúde das mulheres no momento do parto.
A partir da exibição do filme "Hospital Sofia Feldman - Experiências do SUS que dá certo", o debate seguirá pelos temas das boas práticas já implementadas nos serviços e os desafios que permanecem.


Estarão reunidas, pela primeira vez, as enfermeiras responsáveis pelas cinco maternidades de Londrina. Também será apresentada uma pesquisa de mestrado sobre as profissionais de enfermagem que atuam na assistência ao parto, em Londrina, defendida na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, em 2010.


Para profissionais da área da saúde e afins, estudantes, movimento de mulheres e toda a comunidade interessada.


Confira a programação abaixo.

Atenção ao Parto e Nascimento: A Qualidade da Assistência em Debate
Data: 11 de maio de 2012 - 14h30 às 17h30
Local: Auditório Hospital Universitário/UEL
Inscrições e certificados: ENVIE NOME COMPLETO para partonobrasil@yahoo.com.br 
Grátis 


Programação:
14h30 - Abertura: Porque deste encontro
14h40 - Exibição do filme "Hospital Sofia Feldman (Belo Horizonte-MG): Experiências do SUS que dá certo"
15h40 - Mesa redonda e debate com o público: Mediadora Profa. Dra. Thelma Malagutti Sodré (Depto Enfermagem UEL)
17h30 - Encerramento


Convidadas:
Profa. Ms. Maria Angélica Motta da Silva Esser (Coord. Enfermagem Pitágoras)
Enfermeira Obstetra Regina Adelaide Adário (Maternidade Municipal Lucilla Ballalai)
Enfermeira Obstetra Andrielli Martins Barbieri (Hospital Evangélico de Londrina)
Enfermeira Obstetra Lígia Elayne Ananias (Hospital Araucária)
Enfermeira Renita Jesus Costa (Maternidade do Hospital Mater Dei)
Enfermeira Valéria Costa Evangelista da Silva (Hospital Universitário HU/UEL) - a confirmar


Comissão Organizadora:
Thelma Malagutti Sodré (Departamento Enfermagem UEL)
Maria Angélica Motta da Silva Esser (Coord. Enfermagem Pitágoras)
Ana Carolina Arruda Franzon (Instituto CRIAS - Cidadania, Direitos, Saúde; GEMAS/FSP/USP)


Promoção: 
Instituto CRIAS - Cidadania, Direitos, Saúde


Apoio e Realização:
Universidade Estadual de Londrina
Faculdade Pitágoras de Londrina
Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres 
GestaLondrina - Grupo de Apoio à Gestante e ao Parto Ativo
Blog Parto no Brasil


O evento ocorre em deferência ao Dia Internacional das Parteiras e Parteiros Profissionais - 05 de maio.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Violência Obstétrica hoje na Rádio UEL FM

Na estreia da coluna radiofonica Parto Seguro e Prazeroso, o tema não poderia ser outro: Teste da Violência Obstétrica - Uma denúncia pública inédita em forma de Blogagem Coletiva 

Boas novas hoje no Blog Parto no Brasil!

Continue participando e
divulgando esta causa
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Há uma semana, no Dia Internacional da Mulher 2012, publicamos a Blogagem Coletiva - Teste da Violência Obstétrica, com pesquisa e chamada dos blogs Cientista que Virou Mãe, Mamíferas e Parto no Brasil, e realização de mais de 60 blogueiras de todo o país. 

Hoje, somamos mais de 1500 respostas ao Teste, e seguimos com a observação dos debates suscitados a partir da ação - e, em muitos espaços, encontramos um caminho nunca antes aberto: são vários os relatos que confirmam a naturalização e a invisibilidade dos maus-tratos que as mulheres sofrem durante pré-natal e parto. Ontem, Ligia Moreiras Sena, co-autora do Teste, publicou algumas considerações iniciais, com resultados preliminares,  no Cientista que Virou Mãe. Confira aqui.


Dia Internacional da Mulher, Rio de Janeiro, 1993
Acervo Memória e Movimentos Sociais
Fotojornalista Claudia Ferreira
Ok, o princípio da dignidade da pessoa humana garante que "nenhum ser humano pode ser submetido a tratamento desumano ou degradante", especialmente nos espaços em que ela busca acolhimento e/ou cuidado técnico especializado. 

Concordo, está na Constituição Federal de 1988, inclusive! Mas infelizmente, percebo que garantir às parturientes a defesa dos direitos dos "consumidores da saúde" ou de sua "condição de pessoa, que merece dignidade", inserindo-a em um contexto maior e equiparando-a a 'todos os seres humanos', significa necessariamente desconectar a "atenção à saúde" da realidade social

Ora, nenhum ser humano, de fato, deve ter cuidados negligenciados ou ser mau-tratado durante sua internação em um serviço de saúde. Mas, de fato, quando isso ocorre, se dá de forma mais corriqueira, mais agressiva, lesiva e danosa contra as mulheres, as pessoas negras, portadoras de deficiências, as crianças e os idosos, entre outras 'populações' igualmente 'vulneráveis'.

Em agosto de 2006, o governo brasileiro decretou a Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Antes disso, toda mulher violentada (moral, física ou sexualmente), abusada, ameaçada ou roubada por pessoas do âmbito familiar ou doméstico, tinha que se dirigir até uma Delegacia de Polícia comum para realizar a sua denúncia. Isso significava, quase que necessariamente, estar diante de um homem qualquer (um policial, um delegado, um escrivão) para explicar sua vulnerabilidade social - que, no caso, acabara tornando-se uma violência íntima, individual.

Hoje, diante desta ação do Teste da Violência, surgem algumas inquietações:
i) O país, de fato, só reconhece e regulamenta as formas de violência contra as mulheres praticadas no espaço doméstico e familiar?

ii) Uma mulher brasileira, que sofre maus-tratos durante internação para parto, tem mesmo é que se virar como pode?

iii) A única saída de uma mulher violentada no parto/pré-natal é mesmo encaminhar sua denúncia para a direção ou ouvidoria do serviço? Ou seja, para os gestores dos serviços, que muitas vezes são também profissionais da saúde, da mesma categoria profissional daquele que está sendo acusado?

E seguimos em busca dessas respostas, com a provocação de novas reflexões, mesmo que tenham que ser produzidas, conjuntamente, ineditamente, assim como estamos todas juntas pela desnaturalização dos maus-tratos no parto, sua denúncia e enfrentamento.

Sobre este assunto e pelos motivos aqui expostos, o Blog Parto no Brasil inicia hoje uma nova área da trabalho e parceria. A convite da jornalista Patrícia Zanin, do Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, da Rádio UEL FM 107,9 MHz, damos início, à coluna radiofônica "Parto Seguro e Prazeroso".


O Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura vai ao ar diariamente, sempre às 15h, ao vivo. Uma vez por mês, até o final do ano, teremos a oportunidade ímpar de estar no estúdio com a jornalista Patrícia Zanin, para tratar de saúde materna a partir de uma perspectiva feminista, e de Saúde Pública.

Hoje, na estreia da coluna Parto Seguro e Prazeroso, vamos falar sobre o Teste da Violência Obstétrica: sobre a naturalização deste tipo de violência contra as mulheres, e os caminhos que se mostram (im)possíveis para o enfrentamento do tema. 

Com a presença ao vivo da Profa. Ms. Marisse Queiroz (Direito PUC-PR) e trechos da entrevista gravada ontem com a Coordenadora de Enfermagem da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina-PR, Enfermeira Regina Adário.

A coluna Parto Seguro e Prazeroso tem produção e realização da Rádio UEL FM/Programa Modos de Vida - Comportamento e Cultura, do Blog Parto no Brasil e do Grupo Crias na Roda. Apoio do Grupo de Pesquisa CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Enquanto nos preparamos para entrar no ar, a pedida é sintonizar a Rádioweb Brasil Atual e apreciar, em bom som, as palavras da companheira Ligia Moreiras Sena, sobre o que nos motivou para esta grande ação que teve a realização de mais de sessenta blogs! Acesse aqui.

domingo, 6 de novembro de 2011

Post Extraordinário - Parto (In) Seguro: Experiências no Brasil e no Reino Unido

Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
O que as próprias mulheres podem fazer para melhorar a qualidade do seu cuidado?
Como aumentar a segurança e referência para os partos fora do hospital?
Cartaz de Bia Fioretti
O Brasil não tem conseguido reduzir a morbimortalidade materna, e enfrenta um aumento de nascimentos de bebês prematuros e de baixo peso. São resultados de problemas de vigilância, avaliação e planejamento das ações em saúde, todas permeadas por dimensões culturais.
Por meio do SUS, o país tem conseguido uma grande vitória que é a universalização do cuidado à saúde. Agora, é hora de dar atenção à qualidade e à segurança do cuidado.
Intervenções benéficas e seguras, como grupos educativos no pré-natal, presença de acompanhantes no parto, garantia da privacidade das pacientes, e recursos não-farmacológicos para alívio da dor, não têm sido oferecidos à maioria das mulheres, nem quando previstos em lei. Pesquisas brasileiras mostram taxas de depressão e estresse pós-traumático pós-parto mais alto que em outros países.
No Brasil, a assistência ao parto se caracteriza pelo uso excessivo de intervenções como cesáreas, episiotomias, fórceps e aceleração do parto com drogas. Tais intervenções podem levar a conseqüências adversas à saúde de mães e bebês: no curto prazo (período perinatal), e em alguns casos, com implicações para o resto da vida.
Estes aspectos do cuidado e suas conseqüências são problemas de segurança e de qualidade da assistência, e devem fazer parte dos sistemas de informação em saúde.
As Metas do Milênio propostas pela ONU, além de provocarem algumas transformações concretas, servem também como um tipo de diagnóstico da situação atual. A expectativa é de que a Meta do Milênio número 5 (redução de três quartos da mortalidade materna entre 1990 e 2015) não será alcançada, em nenhum estado do país.
A Faculdade de Saúde Pública da USP quer enriquecer este debate e, para isso, convida a comunidade para o encontro da Profa. Jane Sandall, do Reino Unido, com três especialistas brasileiras: Dra. Sonia Lansky, de Belo Horizonte, MG; Dra. Maria Esther Vilela, de Brasília-DF; e Dra. Simone Grilo Diniz, docente na FSP/USP. (Confira mini-cvs abaixo).
Como mudar este quadro? Venha discutir conosco!
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Parto (In) Seguro: Seminário Internacional sobre Segurança e Qualidade na Assistência ao Parto
Data: Quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório João Yunes, Faculdade de Saúde Pública da USP
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo – SP (Metrô Clínicas)
Público alvo: Gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, usuários da saúde, movimentos de mulheres
Inscrições gratuitas, certificados e informações: svalunos@fsp.usp.br
Haverá tradução simultânea.
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Convidadas:
Jane Sandall é socióloga e parteira (midwife), coordenadora do Centro de Pesquisa sobre Inovação na Segurança dos Pacientes e na Qualidade da Assistência, do Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, sediado no King's College London, onde é professora na Divisão de Saúde da Mulher.
Sonia Lansky é médica pediatra, coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, MG. A experiência de "BH pelo parto normal" é destaque internacional, tendo sido premiada pela OPAS/OMS Brasil, em 2011, no concurso Boas Práticas em Iniciativa de Maternidade Segura.
Maria Esther Vilela é médica obstetra, coordenadora da Área Técnica da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, Brasília, DF. Está à frente da implementação da Rede Cegonha, projeto de governo que prevê, entre outros, a efetivação da "linha do cuidado às gestantes", em âmbito municipal.
Simone Diniz é médica, doutora em Medicina Preventiva, livre-docente do departamento de Saúde Materno-infantil da FSP/USP. Líder do grupo de pesquisa do CNPq GEMAS (Gênero, Evidências, Maternidade e Saúde), e coordenadora da Pesquisa Nascer no Brasil na região Sudeste.
gemas.usp@gmail.com
Realização
GEMAS (Gênero, Maternidade, Saúde)
Apoio
Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP/USP Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx/FSP/USP)
Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP
OMS/OPAS Brasil – Unidade Técnica Saúde da Mulher, do Homem, Gênero e Diversidade Cultural
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Áreas Técnicas de Saúde da Mulher e da Criança
Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo - SECONCI-SP
Instituto Camargo Corrêa GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
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Por Ana Carolina A Franzon e Simone G Diniz
Gênero, Maternidade e Saúde - GEMAS/FSP/USP

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Novos padrões para nascer

Com participação da USP, pesquisa nacional sobre parto e nascimento questiona o uso indiscriminado da cesariana e alerta para seus efeitos nas mães e nos recém-nascidos
Por Sylvia Miguel
No Brasil, um dos principais argumentos utilizados a favor da cesariana e da episiotomia de rotina é que o parto vaginal provoca flacidez dos músculos, comprometendo a atratividade sexual das mulheres. O excesso de estimativa de risco fetal ou a dor materna também desencadeiam a demanda por cesariana. Mas também os horários e conveniência dos médicos, especialmente no setor privado, colaboram para a prática indiscriminada da cesariana. No setor público, um argumento usado especialmente na década de 1990 é que a cesariana aliviaria a lotação de leitos.
Um grande retrato da assistência em saúde no Brasil vem sendo produzido por um consórcio de instituições de pesquisa e ensino e revelará em breve a magnitude das intervenções rotineiras desnecessárias relacionadas ao nascer. Trata-se da pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), com participação da USP e outras instituições de pesquisa e ensino do País. Ela pode ser conhecida em detalhes no site www.ensp.fiocruz.br/nascernobrasil.
Segundo a pesquisa, as práticas intervencionistas durante o parto ganharam terreno especialmente após a década de 1950, com a adoção da tecnologia como forma de acelerar, regular e monitorar o processo de nascimentos no Brasil. Com isso, estabeleceu-se um padrão, uma espécie de “linha de montagem” para nascimentos que, além dos procedimentos citados, disseminou o uso da ocitocina e outros medicamentos para induzir o trabalho de parto, a adoção da posição deitada para a parturiente, o uso de rotina do fórceps em hospitais-escola e a “manobra de Kristeller” (empurrar a barriga para forçar a saída do bebê).
Mesmo comprovado que tais práticas rotineiras, além de obsoletas, não constituem bom exercício da obstetrícia, a maioria dos obstetras não consegue abandoná-las, justamente porque constituem práticas que lhes foram passadas nos bancos universitários.
Do ponto de vista das pacientes, parece que as únicas opções possíveis, pelo menos no sistema público e privado de saúde brasileiro, seriam a escolha do “corte por cima” (a cesariana), ou do “corte por baixo” (a episiotomia).
A grande maioria das mulheres se submete a tais procedimentos por conta das informações deformadas que recebem dos próprios médicos, acreditando que esse ou aquele medicamento, essa ou aquela prática protegerão seu bebê. Ou seja, as parturientes assumem que o “médico está fazendo a coisa certa”.
Ainda pesa na falta de opções o fato de que a episiotomia é um dos poucos procedimentos cirúrgicos realizados sem qualquer consentimento prévio da paciente. Os médicos a realizam como “procedimento de rotina”. É bom ressaltar que o uso dessas tecnologias podem, comprovadamente, prevenir e reduzir danos à mãe e ao bebê, mas em casos muito específicos. A episiotomia seletiva, por exemplo, ou seja, aquela com indicação específica, traz maiores benefícios que o uso rotineiro, sendo indicada em situações de sofrimento fetal, quando existe ameaça de laceração perineal grave, quando o feto está em apresentação pélvica (virado), ou ainda quando há progressão insuficiente do parto.
No setor privado, onde 30% das mulheres dão à luz, a cesariana é realizada em mais de dois terços dos partos. A episiotomia em mulheres que dão à luz por via vaginal atinge a taxa de 94,2%, sendo 70% delas no serviço público, de acordo com dados da professora Carmen Simone Grilo Diniz, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
A sociedade e, principalmente, as brasileiras, nunca discutiram profundamente as consequências na saúde das parturientes e dos bebês e nem sequer foi feita, até hoje, uma conta dos custos hospitalares relativos aos procedimentos cirúrgicos desnecessários nas práticas obstétricas. O que existe atualmente nesse sentido no Brasil são movimentos e debates em torno da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa).
Motivações
Felizmente, pela primeira vez, o Brasil poderá fazer essa conta, ou seja, saber se, em se tratando de saúde pública, de fato se justifica a profusão de tantos procedimentos obstétricos sem indicação precisa. A pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento permitirá conhecer a magnitude e os efeitos de intervenções desnecessárias como a cesariana em puérperas e recém-nascidos. Também será possível descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto e as complicações médicas durante o período do puerpério.
A Faculdade de Saúde pública (FSP) da USP, através do Departamento de Saúde Materno-Infantil, sedia a coleta de dados em São Paulo. “A pesquisa se iniciou em fevereiro de 2011 e deve ser finalizada em dezembro próximo”, afirma a coordenadora da coleta estadual dos dados, professora Camila Schneck, da Escola de Artes e Humanidades (EACH) da USP.
O edital convocado em 2009 pelo CNPq foi “provocado” por anseios de organizações civis e movimentos nacionais a favor da humanização dos partos no Brasil e contra a mutilação genital feminina, segundo a professora Carmen Simone Grilo Diniz (FSP), coautora da pesquisa.
Simone também coordena e monitora a coleta de dados da região Sudeste. O inquérito epidemiológico tem a professora Maria do Carmo Leal, da Fiocruz, como coordenadora-geral.
“A pesquisa traz inovações nunca estudadas em âmbito nacional. Conheceremos a magnitude da cesariana e de outras intervenções desnecessárias. Mas também poderemos relacionar os efeitos de gravidade pós-natal em mães e bebês decorrentes dessas intervenções, como também os efeitos de procedimentos ‘invisíveis’ no prontuário, como a manobra de Kristeller, por exemplo”, afirma Simone.
A amplitude das informações será possível graças à metodologia, que cruza a investigação de prontuários hospitalares com entrevistas de puérperas face a face no pós-parto imediato e por telefone 45 a 60 dias após o parto. Foram selecionados estabelecimentos de saúde nas cinco macrorregiões. Todos os Estados da federação participam, perfazendo um total de 23.580 pares de puérperas e conceptos.
Fonte: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=18819

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos

Narrativas da vagina

Georgia O'Keeffe "Leaves of a Plant"
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
I ENCONTRO DE MULHERES ESTUDANTES DA USP
21 a 23 de outubro de 2011
OFICINA: Narrativas da Vagina: Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos

Nosso corpo nos pertence!
O feminismo dos anos 60/70 incluiu a saúde das mulheres no rol dos temas políticos. Desde então, saúde e sexualidade, política e gênero, são pontos ‘controlados’ por um complexo sistema de valores sobre o exercício do poder.
Valorizar o histórico desta conquista. E situar os desafios presentes.
Foi em 1984, em Amsterdan, no International Women’s Health Meeting, que a noção de direito inaugurou um novo campo da saúde sexual e reprodutiva. Até então, esta era uma esfera considerada ‘natural’, regulada pela biologia, o Estado, a família e a religião.
O campo dos direitos sexuais e direitos reprodutivos é definido em termos de poder e recursos: poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura. Esse terreno envolve necessariamente a noção de integridade corporal ou controle sobre o próprio corpo. (Correa e Petchesky, Direitos Sexuais e Reprodutivos: Uma perspectiva Feminista, 1996).
Saúde das brasileiras e iniqüidades
O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM/MS, 1991) é o espaço em que a perspectiva das relações de gênero encontra abertura para ação. Sua proposta é ampla, trata da saúde para além do biológico, incorporando as dimensões culturais e simbólicas, o psicológico e o social. Propõe a crítica à medicalização dos corpos. E valoriza as diversidades e subjetividades tais como a geração, a classe social, etnia, sexualidades. Defende a maternidade voluntária e o direito a contracepção e ao aborto, preocupa-se com a saúde mental e ocupacional.
Além de ratificar tratados internacionais que privilegiam os direitos humanos e promovem eqüidades em saúde, o Brasil apresenta um histórico de implementação de políticas de Estado e publicação de documentos que recomendam práticas de saúde baseadas nas melhores evidências aos serviços de saúde. São exemplos destas ações: as recomendações da Organização Mundial da Saúde reunidas na publicação de 1996 intitulada “Maternidade Segura. Assistência ao Parto Normal: Um Guia Prático”; e as publicações do Ministério da Saúde: “Parto, Aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher (2001)” e “Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal (2004)”.
Apesar de passados trinta anos após o reconhecimento destes direitos, ainda hoje enfrentamos o drama de seu não cumprimento na prática: lei do acompanhante sem sanção pecuniária; episiotomia de rotina nas instituições de ensino e na prática da maioria dos serviços; ilegalidade e criminalização do aborto no país, entre outros.
Objetivos:
Promover a sensibilização das participantes para a possibilidade de auto-educação sexual e da promoção da saúde a partir da perspectiva do empoderamento feminino e comunitário.
Valorizar a beleza do corpo feminino, as diversidades do sexo, as manifestações do auto-cuidado saudável.
Para tal, às inscritas serão propostas atividades de sensibilização sensorial e cognitiva, por meio de troca de experiências e dinâmicas orientadas. Como produto final, as participantes da oficina produzirão cartazes (arte em tecido – imagem, desenho, colagens, etc.) de sensibilização para os temas da saúde e direitos sexuais e reprodutivos, que deverão compor uma Mostra Itinerante entre os vários campi da USP.

COORDENAÇÃO
Carmen Simone Grilo Diniz (PPGSP/FSP/USP - Docente e orientadora)
Ana Carolina Arruda Franzon (PPGSP/FSP/USP - mestrado)
Bianca Alves De Oliveira Zorzam (PPGSP/FSP/USP - mestrado)
Rosario Avellaneda (PPGSP/FSP/USP - doutorado)
Marília Reiter (jornalista e psicóloga, colaboradora GEMAS)
Bia Fioretti (publicitária e fotógrafa, colaboradora GEMAS)
GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde - FSP/USP

Aproveite e curta a página do GEMAS no facebook para saber mais sobre Gênero e Saúde Materna, além de acompanhar as atividades do grupo de pesquisa. Acesse aqui o link.

Mais informações sobre o evento e a oficina em http://eme-usp.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal


Para fechar a semana, divulgamos nesta sexta-feira o texto da pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - FSP/USP Simone Grilo Diniz - Gênero, Saúde Materna e Paradoxo Perinatal, que está linkado no site da Scielo e pode ser encontrado no impresso da Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, V.19, n.2, de agosto de 2009.
Confiram um trecho:
RESUMO
Nos últimos 20 anos, houve uma melhoria de praticamente todos os indicadores da saúde materna no Brasil, assim como grande ampliação do acesso aos serviços de saúde. Paradoxalmente, não há qualquer evidência de melhoria na mortalidade materna. Este texto tem como objetivo trazer elementos para a compreensão deste paradoxo, através do exame dos modelos típicos de assistência ao parto, no SUS e no setor privado. Analisaremos as propostas de mudança para uma assistência mais baseada em evidências sobre a segurança destes modelos, sua relação com os direitos das mulheres, e com os conflitos de interesse e resistências à mudança dos modelos. Examinamos os pressupostos de gênero que modulam a assistência e os vieses de gênero na pesquisa neste campo, expressos na superestimação dos benefícios da tecnologia, e na subestimação ou na negação dos desconfortos e efeitos adversos das intervenções. Crenças da cultura sexual não raro são tidas como explicações 'científicas' sobre o corpo, a parturição e a sexualidade, e se refletem na imposição de sofrimentos e riscos desnecessários, nas intervenções danosas à integridade genital, e na negação do direito a acompanhantes. Esta 'pessimização do parto' é instrumental para favorecer, por comparação, o modelo da cesárea de rotina. Por fim, discutimos como o uso da categoria gênero pode contribuir para promover direitos e mudanças institucionais, como no caso dos acompanhantes no parto.
Palavras-chave: gênero; saúde sexual e reprodutiva; cuidado baseado em evidências; SUS; saúde materna; humanização.
Para ler na íntegra acessem: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-12822009000200012&script=sci_arttext

terça-feira, 28 de junho de 2011

Parto em evidência

A partir de hoje, terça-feira, vários eventos incríveis sobre Saúde da Mulher, c/ foco na gestação e parto estarão em destaque, a começar pelo encerramento da disciplina Evidências em Saúde, das profas. Maria Luiza Riesco, Diná Monteiro da Cruz e Simone Diniz, ofertada pelos Programas de Pós-Graduação em Enfermagem e Enfermagem na Saúde do Adulto, na Escola de Enfermagem da USP, na capital paulista, na sala 349 - 3o. andar, das 9 às 12 horas.
Na oportunidade ainda terão relatos de pesquisas e experiências de usuárias mobilizadas em favor das melhores práticas na atenção ao parto vaginal, sendo uma aula aberta e gratuita. Além disso, o objetivo da disciplina foi de ampliar a capacidade d@s alun@s em interpretar criticamente o conhecimento gerado por pesquisas científicas e suas publicações. Na aula aberta de encerramento, o curso destacará a mobilização de mulheres usuárias dos sistemas de saúde, em favor do uso das evidências em obstetrícia, por melhores práticas na atenção ao parto e nascimento. O país que é campeão em número de cesáreas, mantém uma assistência ao parto vaginal que pode ser considerada até retrógrada, em termos de evidências científicas. Neste contexto, brasileiras mobilizam-se virtualmente e presencialmente para popularizar e garantir as práticas mais seguras e efetivas, evidenciadas por metaestudos.
Abaixo a Programação:
9h - Abertura
9h15 - www.partonobrasil.com - Internet, Obstetrícia e Empoderamento, com Ana Carolina Franzon (GEMAS, PPGSP, FSP/USP)
* Apresentando resultados da pesquisa divulgada em BSB, em nov/2010, na Conferência organizada pela ReHuNa - saiba mais aqui! E, também, palestrado em Bauru, em maio passado, no seminário realizado pelo SENAC/GAAME - saiba mais aqui!
9h30 - Parto do Princípio: Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, com Heloisa Salgado (GEMAS, PPGSP, FSP/USP)
10h - Parto do Princípio: Representações no Ministério Público baseadas em Evidência, com Denise Yoshie Niy (GEMAS, PPGSP, FSP/USP)
10h15 - Parto do Princípio: Participação na Rede de Usuários Cochrane, com Deborah Rachel Audebert Delage Silva (GEMAS, PPGSP, FSP/USP)
Realização:
GEMAS (Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde) - FSP/USP
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - EEUSP
Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto - EEUSP
Rede Parto do Princípio

Na terça, ainda, conforme divulgamos na Agenda Parto no Brasil da semana passada, do dia 22, teremos à tarde o Seminário Parir e Nascer, na Faculdade de Saúde Pública e, na quarta, um evento incrível (e imperdível) - Saúde dos Brasileiros, sobre os artigos publicados na revista inglesa The Lancet. Para fechar a semana, na quinta-feira, em Campinas/SP, na Unicamp, a palestra Assistência Perinatal como Desafio para atingir a 4a. meta do milênio: Redução da Mortalidade Infantil, no Auditório do Centro de Convenções, das 9 às 17 horas, organizado pelo CAISM. É necessário se inscrever pelo site: http://foruns.bc.unicamp.br/saude/saude41.php
E, dá-lhe ocitocina!!!
* Ilustração de Leonardo da Vinci.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução

® Uso exclusivo concedido por Janet Balaskas
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
Janet Balaskas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
20 de Abril de 2011
Na véspera do feriado prolongado da Semana Santa, a visita da educadora perinatal Janet Balaskas à Faculdade de Saúde Pública da USP lotou o Anfiteatro Paula Souza. Estudantes e pesquisadores, profissionais da obstetrícia, usuários da saúde, e até mães com bebês aproveitaram a oportunidade de conhecer a britânica fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.
A palestra Parto Ativo, a história de uma filosofia e revolução durou aproximadamente duas horas, durante as quais, Janet Balaskas e sua tradutora falaram de pé, apresentando um belo registro iconográfico. Coordenadora do Active Birth Centre em Londres, Janet compartilhou com o público a história do movimento organizado de mulheres, que há 30 anos, conseguiu denunciar e abolir práticas obsoletas e agressivas na assistência obstétrica da Inglaterra. Algumas destas ainda são rotina nos hospitais brasileiros.
Dois episódios foram marcantes neste processo: em 1982, uma passeata mobilizou seis mil ingleses que foram às ruas de Londres protestar contra as episiotomias de rotina e a imobilização das parturientes no leito. Alguns meses depois, novamente milhares de pessoas participaram de duas Conferências Internacionais pelo Parto Ativo, provocando mudanças significativas na assistência ao parto na Inglaterra.
Na USP, Janet também demonstrou algumas vantagens que os partos normais em posição vertical oferecem, como por exemplo, maior abertura do canal pélvico. Todos os presentes se levantaram para tocar seu próprio corpo e comparar o diâmetro de seu crânio com o de sua pelve, em variadas posições.
Em debate com o público, Janet Balaskas reconheceu no Programa Cegonha uma boa oportunidade para que o Brasil dê um salto de qualidade na atenção ao parto. Isso porque foi informada de que o atual plano de governo prevê investir na construção de 72 Centros de Parto Normal. Estudos recentes defendem que o parto normal – aquele sem o uso obrigatório de drogas ou procedimentos cirúrgicos – tem os melhores desfechos de saúde materna e infantil, sendo indicador da qualidade da assistência obstétrica de um país. Como disse o Ministro Padilha recente passagem pela FSP, esta política também objetiva reduzir a violência institucional no parto, questão que ganhou ampla divulgação na mídia pela pesquisa de opinião Mulheres e Gênero nos Espaços Públicos e Privados (SESC Fundação Perseu Abramo), segundo a qual, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido algum tipo de violência durante o parto.
Por fim, Janet dedicou todo apoio às obstetrizes brasileiras, especificamente às profissionais formadas pela EACH: “All power to the midwives” encerrou. Em seguida, um intenso e prolongado aplauso, com todos de pé, emocionou às lágrimas uma das figuras mais emblemáticas da humanização do parto. Além de todos nós.
Simone Diniz e Ana Carolina Franzon






Fotos: Ana Carolina Franzon
Realização:
Curso de Obstetrícia EACH-USP
Associação de Obstetrizes da USP
Faculdade de Saúde Pública da USP
GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)
Apoio:

sábado, 15 de maio de 2010

Evento na Faculdade de Saúde Pública - USP

Neste mês de maio, o Departamento de Saúde Materno-infantil da FSP promoverá um ciclo de seminários intitulado Direitos e Saúde Materna. No dia 19, das 14 às 17h, no Auditório João Yunes será realizado o evento “Parto e Nascimento Respeitoso: do Trauma ao Prazer”. Na ocasião, será inaugurada a exposição de fotografias em comemoração à Semana Mundial de Respeito ao Nascimento (SMNR) 2010 - "Parir e Nascer: do trauma ao prazer". Os eventos são co-organizados pelo Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP; GEMAS – Gênero e Evidência, Maternidade e Saúde e Parto do Princípio – Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa. As inscrições para o evento serão isentas de taxa e poderão ser feitas através do site da FSP, até o dia 18/05. Serão fornecidos certificados de participação. Mais informações com Simone G. Diniz - Tel. (0xx11) 3061.7124/e-mail: sidiniz@usp.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

Seminário Promoção do Bom Parto no SUS

*Divulgando*
Seminário na Faculdade de Saúde Pública - USP "Promoção do bom parto no SUS: estratégias para mudanças institucionais"
Será realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o Seminário: "Promoção do bom parto no SUS: estratégias para mudanças institucionais" - Subtítulo: "Assistência ao parto baseada em evidências" e lançamento do DVD do documentário do Projeto de Humanização da Maternidade ISEA, de Campina Grande (PB). Nas últimas décadas, houve uma mudança radical na compreensão do que é um parto saudável para mães e bebês: atualmente, conforme as melhores evidências científicas, um parto fisiológico, com um mínimo de intervenções, deve estar disponível a todas as gestantes saudáveis. O parto fisiológico e humanizado oferece os melhores resultados: experiências mais satisfatórias para a mãe e melhores resultados para o recém-nascido. Para isso, é importante garantir o cumprimento da lei do acompanhante no parto para todas as gestantes, e reduzir procedimentos dolorosos e invasivos (episiotomias, indução ou aceleração rotineiras do parto com drogas, imobilização da parturiente, entre outras), que ainda fazem parte da cultura de muitos serviços no Brasil. Melhorar a experiência do parto é a melhor estratégia para reduzir as abusivas taxas de cesárea, e oferecer às mulheres um atendimento seguro e respeitoso. Este seminário discutirá estratégias de mudança e experiências bem-sucedidas no SUS. Palestrante: Dra. Melania Amorim - Professora da Universidade Federal de Campina Grande (PB), integrante do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (Genebra) e Revisora da Biblioteca Cochrane. Local: FSP/USP - Av. Dr. Arnaldo, 715 - Anfiteatro Auditório João Yunes Data: 22/03 das 14 às18h Coordenação: Profa. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz. Comissão Organizadora: Daniela de A. Andretto e Heloisa Salgado. Organização: Comissão de Cultura e Extensão FSP Escola de Artes, Ciência e Humanidades da USP-EACH Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuna Rede Parto do Princípio; Coletivo Feminista e Sexualidade Núcleo de Estudos da Mulher e das Relações de Gênero GEMAS - Gênero, Evidências, Maternidade e Saúde CONDECA - Conselho Estadual dos Direitos das Criança e Adolescentes * As inscrições serão isentas de taxa, e poderão ser feitas somente através deste site, até o dia 21/03. Será fornecido certificado de participação no evento que também será transmitido pela TV via Internet da USP (iptvusp). Mais informações pelo e-mail: svalunos@fsp.usp.br

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