Mostrando postagens com marcador Blog Cientista que Virou Mãe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Blog Cientista que Virou Mãe. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de maio de 2013

Dia das Parteiras - Parteiras tradicionais e uma homenagem especial



Oficina de Bordado - Arpilleras, p/ produção da arte têxtil p/ o Projeto Parteiras Caiçaras

Eu e Bianca decidimos publicar hoje esse texto no Cientista Que Virou Mãe como forma de homenagear todas as parteiras que conhecemos. Todas as parteiras urbanas e contemporâneas que conhecemos e admiramos e que muito nos têm influenciado em nossa busca pela democratização do acesso a um parto cheio de respeito e sem violência. Mas, também, às parteiras tradicionais. Essas  mulheres que têm, desde sempre, garantido nascimentos sem violência pelo interior do país e em comunidades onde os valores tradicionais ainda são preservados e onde a hegemonia médica tecnocrática ainda não os esmagou. 

"Apesar desse forte movimento pela humanização do parto, as parteiras tradicionais sofrem pela falta de reconhecimento, pela desvalorização. É como se o saber empírico delas não tivesse notoriedade, mostrando o quanto nossa sociedade é cartesiana e tecnificista. Os anos de prática, as intercorrências, a transmissão oral do saber, de uma parteira mais experiente, não tem valia, inclusive para muitos grupos do movimento. E quando elas são destaque, sempre é como uma senhorinha, de lenço na cabeça, pitando cachimbo, como se essa fosse a figura das parteiras tradicionais apenas. Somos muitas! E de diferentes áreas, formações e num caminhar permanente, de aprendizado, estudo, reflexão e entrega. Não é um 'curso' que forma uma aprendiz de parteira, mas suas vivências, acompanhamentos, trocas. Ninguém sai por aí partejando a Deus dará sem ter embasamento técnico, e cada parto te ensina algo, te faz outra" - diz Bianca.

Leia, na íntegra: Dia das Parteiras - Parteiras tradicionais e uma homenagem especial, por Ligia M. Sena, do blog Cientista que virou mãe.


* Leia mais sobre o Dia Mundial das Parteiras em:

Dia da Parteira & Marcha das Parteiras 2011

Dia Mundial das Parteiras Tradicionais, por Suely Carvalho

Dia Mundial das Parteiras e seus múltiplos -

Parte I
Parte II
Parte III, por Suely Carvalho
Parte IV

05 de Maio, Dia da Parteira

Foto: Acervo pessoal de Bianca Lanu.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Quem canta seu males espanta!


Vem chegando o dia das mães, e a gente quer comemorar com gente bacana e boa música.

A ideia é fazer um vídeo coletivo, com todo mundo cantando para celebrar a beleza da maternidade e a importância do carinho materno na sua vida.


Vale tudo: cantar sozinho, cantar junto, cantar para a barriga, para a esposa, para a filha, para o espelho. Vale tocar instrumento, cantar à capela, bater panela. Se for de coração, tá valendo. É só gravar e mandar pra gente.

A música é ‘Oração’, da Banda Mais Bonita da Cidade. Você pode aprender a letra nesse vídeo aqui. Cada um canta do jeito que lhe der vontade, e a gente junta tudo num vídeo só, com a carinha de todo mundo para homenagear essa coisa linda que é o amor de mãe.

Os vídeos podem ser enviados até o dia 7, para o email contato@vilamamifera.com. Quem preferir também pode subir o vídeo no youtube e mandar o link para este mesmo email.

Vem com a gente?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

No mundo todo, as mulheres estão usando as redes sociais para dar visibilidade ao que chamam de ‘violência obstétrica’.

Neste post, convidamos você a colaborar com a construção deste processo histórico, com a documentação da voz das mulheres, sobre os momentos que foram os mais tristes e difíceis da sua jornada reprodutiva.

Pelo direito de viver uma vida livre de violências.
Pelo direito à saúde e à boa informação.



Por que violência obstétrica?

Por definição, a violência obstétrica é considerada toda forma de desrespeito, maus-tratos, abuso e negligência, praticada pelos profissionais das maternidades contra as mulheres que estão ali em busca de serviço de saúde especializado – para a gravidez, o parto, o pós-parto, e o aborto.

Também pode incluir condutas, procedimentos e protocolos clínicos que não atendam as melhores práticas na atenção ao parto e nascimento, condutas e protocolos reconhecidos como fortes evidências científicas pela comunidade internacional para a segurança das pacientes e qualidade da assistência.

A falta de informação e esclarecimentos sobre todos os processos do parto e nascimento prejudica a comunicação entre os profissionais e pacientes. As mulheres precisam ser estimuladas a falar sobre suas dúvidas, medos, desejos e necessidades. E precisam ser ouvidas.

A Lei do Acompanhante no Parto é de 2005, e vale para todo o país, para todas as maternidades do SUS ou da Saúde Suplementar. A lei vale para todas! Todas as mulheres têm direito a ter um acompanhante de sua livre escolha desde o início até o final da sua internação na maternidade. Toda exceção é violação de direitos. Denuncie.



Segurança das pacientes e qualidade da assistência

Este cenário (de violência) é o oposto ao desejado pelo projeto da Humanização da Assistência ao Parto. Uma política pública que tem a proposta de superar o grande desafio da redução das mortes maternas; da organização de todos os serviços que compõem a rede de atenção ao pré-natal, parto e puerpério (nas UBS, centros de parto normal  e maternidades hospitalares); e da valorização do parto e nascimento como processos fisiológicos, que podem ser transformados em uma experiência positiva e satisfatória para as mulheres.

Em última instância, é uma defesa da cidadania e dos direitos humanos!



O convite para a ação

Nos últimos meses, uma série de ações sociais foram organizadas, via Internet, por mulheres que se dedicam à construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais amigável às mulheres, e que inclui necessariamente a articulação de uma equipe de profissionais tais como enfermeiras, doulas, obstetrizes, parteiras, e médicos.

Como resultado, temos duas Blogagens Coletivas que foram realizadas coletivamente por mais de 100 blogs ao total. Confira as informações:







Nesse tempo, as mulheres também saíram às ruas, na Marcha do Parto em Casa e na Marcha pela Humanização do Parto. A perspectiva das usuárias, favorecida pela Internet, é o item de maior valor que nós podemos oferecer à saúde pública brasileira.

Esta terceira postagem coletiva tem objetivo de proporcionar mais uma troca de experiências entre as mulheres, de resgate do apoio mútuo, e de valorização de uma metodologia que é específica de uma organização política, pessoal, comprometida, com os direitos humanos das brasileiras, e sua saúde sexual e reprodutiva, na perspectiva da integralidade, diversidade e individualidade, com aplicação de saberes multidisciplinares complementares.


Participe, divulgue a imagem abaixo, junto com um texto livre de sua autoria.
Grave seu video, e envie até 28 de outubro!

Instruções para a Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

Como resultado, esperamos produzir um videodocumentário sobre a perspectiva das brasileiras que se sentiram desrespeitadas, para ser lançado oficialmente durante o 10o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorrerá entre os dias 14 e 18 de novembro de 2012, em Porto Alegre-RS.

Uma iniciativa dos blogs Parto no Brasil, Cientista que Virou Mãe e Mamíferas, junto com o grupo de pesquisa do Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Nosso muitíssimo obrigada!
Ana Carolina Franzon
Bianza Zorzam
Kalu Brum
Ligia Moreiras Sena




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Natureza da Violência

por Kalu Brum

Escolheu fazer medicina porque gostava de ajudar pessoas. Desde de pequenina ela socorria os coleguinhas que se machucavam, os animais enfermos. A medicina era uma vocação para fazer deste lugar um mundo melhor, dizia ela.
Estudou muito: anos de cursinho, abrindo mão das baladas e até mesmo do grande amor que surgiu no caminho. Era preciso estudar, madrugadas a fio, sacrificando qualquer coisa que a desviasse do caminho. Passou em uma das melhores faculdades do país. Orgulho na família, status no cursinho e na escola que frequentava. Foi garota propaganda de ambos e dava palestras motivacionais: como entrar em medicina.
Na faculdade aprendia mais sobre doenças, exames, diagnósticos, cirurgias do que sobre ouvir, acolher, entender os processos que levavam às doenças. Dava-se mais importância para vírus, bactérias do que para o seu hospedeiro: o ser humano.
Congressos patrocinados por laboratórios a mostrarem as grandes novidades das terras da alopatia. Seduzir para ser receitado. Ser receitado para gerar receita.
Ela decidiu pela obstetrícia. Nos hospitais escola, havia uma fila de alunos para fazer exames de toque nas pacientes em trabalho de parto. Um professor falava no corredor: vamos fazer um forceps, no leito 43, para os alunos aprenderem? E lá os alunos esqueciam do ser humano em nome da ciência.
Saiu do interior do país para a capital. Conheceu Wellington, que com seus olhos de jabuticaba, a seduziu naquela noite de forró. Ela esperou por meses a menstruação chegar. Pensava que a fome, excesso de trabalho tivesse resultado em um problema ginecológico. A barriga começou a crescer, mas ela achava que a falta de grana e muito pão que comia, que era o que dava para comprar, que tinha levado aos quilos a mais.
Em uma faxina pesada, desmaiou e foi levada ao SUS. Descobriu ali que estava grávida de mais de seis meses.
Quando as dores do nascimento começaram ela foi para o hospital. Pediu para que sua amiga fosse junto, afinal, ela nunca mais encontrou o rapaz de olhos de Jabuticaba. Ela não pode entrar.
Deixou todos os seus pertences na entrada: brincos, óculos, roupa. Lembrou-se de sua rápida passagem pela polícia.
Entregou seu ralo cartão de pré-natal. A enfermeira nem olhou na sua cara. Colocou um soro e mandou que ela ficasse deitada. Era praticamente impossível diante da dor das contrações.
O professor chamou a residente: vai lá e faça um exame de toque naquela ali. Ela fez o que aprendeu: nem olhou na cara daquela mulher assustada, com dor, que dizia: doutora, me dá sua mão.
A princípio pensou em acolher, mas voltou para o pedestal e distanciamento necessário. Foi introduzindo a mão. Estava com 8 centímetros. Avisou.
Vamos passar um forcéps nessa daí para você ver como funciona. Então será o pacote completo: episiotomia, fórceps e kristeller.
A faxineira gritava de dor. A residente pode ouvir a enfermeira chefe dizer: na hora de fazer você não gritou, né? Então fique quietinha senão vamos deixar você aí. Ela se calou, engoliu a dor.
Em nome da ciência um fórceps, uma episiotomia, um Kristeller. Ela nunca se sentiu tão humilhada com aquele tanto de estudantes em frente a sua vagina aberta. E assim, chegou ao mundo, um menino pequeno, sem pai, filho de uma mãe assustada. Foi levado, aspirado. Ela mal pode vê-lo. Ficou sozinha na sala de espera, sentindo muito frio. Sozinha no quarto, com muitas outras mães. No meio da madrugada veio a saber que ele não havia sobrevivido.
Ela não pode ver o corpo e só o viu no dia do velório. Enterrou seu primeiro filho e decretou: nunca mais quero parir! Sofrer assim ninguém merece. Quando contava sobre a violência que tinha sofrido, todas diziam: é assim mesmo.
A residente virou obstetra. Aprendeu a fazer cesáreas como ninguém e depois daquele campo de concentração que foi sua residência teve a certeza: cesáreas agendadas é o melhor caminho para o médico. Talvez para mãe e bebê, mesmo que a evidência científica provasse o contrário.



A história acima relata uma cena de violência fictícia que acontece diariamente nos hospitais do país. Mulheres são objetos de aprendizado para residentes. E assim, coisificadas, esses profissionais deixam de entender que ali, em trabalho de parto, existe uma mulher no momento mais importante de sua vida.
A violência, tida como tão normal, acontece sem estranhamento. E talvez nasça desta forma de aprendizado.
Precisamos abrir a nossa boca e denunciar a violência obstétrica. A Lígia Moreira Senna, do Blog Cientista que Virou Mãe, com apoio do Mamíferas e Parto no Brasil fez um teste revelando as facetas da violência obstétrica. Ela também tem 400 mulheres inscritas para realizar uma pesquisa sobre o tema.
Mais uma vez o  Mamíferas, Cientista que virou Mãe e Parto no Brasil se unem para lançar uma blogagem coletiva em vídeo. A idéia é que possamos fazer um vídeo com depoimentos de mulheres do Brasil sobre a violência que sofreram durante o parto.
Envie um vídeo de até 2 minutos relatando a violência que sofreu  para naoaviolencianoparto@gmail.com Nas próximas semanas vamos reunir os depoimentos e fazer um vídeo coletivo para mostrarmos a violência que acontece nas instituições durante o momento do parto.
Junto com o vídeo, envie seu nome completo, estado, nome da instituição onde a violência aconteceu e data do parto.
Sair do silêncio pode evitar que outras mulheres sofram novas formas de violência de gênero. Você pode também escrever seu depoimento no site http://violencianoparto.wordpress.com/depoimentos. Participe.

segunda-feira, 26 de março de 2012

"... bactérias no meio é cultura"

Antes de dar o start, bora passar um cafezin!

Pronto. Vamos lá!

Hoje trago a publicação "Parteiras Caiçaras: relatos e retratos sobre parto e nascimento, em Cananeia, SP" lançada em 06 de dezembro de 2011, p/ baixar - aqui, onde podem ser encontrados relatos sobre partos e práticas de algumas das parteiras tradicionais caiçaras, que foram registrados e compilados, além de outros textos que narram o cenário obstétrico de nosso Brasil, por pesquisadores e profissionais da área. Trabalho apoiado pela Secretaria de Cultura, do Governo do Estado de São Paulo, pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) - 2010.

Divulgo, também, a página c/ fotos e imagens do Blog Parto no Brasil - Sessão Multimídia, que Ana c/ dedicação postou uma a uma - eita, lindeza de parceria!

Compartilho, ainda, a alegria de ter almoçado neste domingo c/ Ligia, do Cientista que virou mãe, a pequena simpática Clara e seu companheiro Frank Maia, c/ nossa família, em um delicioso e gastronômico passeio pelo Centro Histórico de Cananéia - da blogesfera p/ a vida de carne, osso, sentimentos, emoções, reencontros! Ê, mais que beleza!



E, que venha uma semana próspera p/ tod@s nós! 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...