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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Um livro, muitas histórias

Quarta-feira postamos por aqui sobre o post do Mamíferas, de Kalu p/ que seus leitores enviassem dicas de livros sobre maternidade ativa, p/ ser montada uma sessão de indicações de leitura.

Esta rata de sebo mais que depressa se recordou de tantas lindas leituras que estiveram contigo desde a gestação de Rudá, até os dias de hoje. E, também compartilhou os livros já citados no Blog, inclusive p/ baixar.



A convite de Kalu me propus a escrever sobre Quando o corpo consente, escrito há seis mãos francesas - de uma gestante, sua mãe terapeuta, e uma parteira - publicado em 1997, numa deliciosa trajetória, semana a semana, da gestação de Marie.



Mais que o enredo, este livro tem uma valor muito especial p/ mim. Presente de Ana Carolina, e comentado como: "Você TEM que ler!!!".

Eu, gestando Rudá, no início do 2o. trimestre, Ana, c/ Iara nos braços, c/ três meses e Paulinha, uma amiga nossa, em Londrina/PR, num doce encontro! 
Foto: Acervo pessoal de Bianca Lanu, por Fernando Henrique. 

A cada página muita emoção, pois você se espelha na narrativa da gestante, já que muitas sensações dela também são as suas, como angústias, inquietações, alegrias, e toda esta onda que nos cobre nesta fase. Ao seu lado estão a terapeuta, que por acaso é sua mãe, que lhe passa exercícios de respiração e relaxamento, e a parteira Paule, que lhe informa sobre os períodos e etapas gestacionais.

Me lembro de uma vez que fui em uma das consultas de rotina, que fiz pelo SUS, e na fila aproveitei p/ ler um capítulo, e ao sair do encontro c/ a ginecologista quanta diferença pude vivenciar da assistência lida e a que eu tinha disponível, daquela que te trata como um número, um protocolo, que apenas mede sua altura uterina, confere exames, receita vitaminas, e nem te olha nos olhos.

P/ enriquecer a história este mesmo livro fez c/ que a cientista que virou mãe, Ligia estreitasse seus laços c/ a gente, sendo ela quem divulgou na lista Parto em Casa, de Florianópolis/SC o link p/ baixá-lo, e nos conta c/ muito amor um pouco mais, em A internet, as mulheres e as comadres: ao Parto no Brasil com carinho!

Eu, Rudá, Ligia e Clara, na Av. Beira-mar, em Cananéia/SP, em nosso reencontro, em 2011.
Foto de Frank Maia.

"Queridas! Fui verificar se os links para o livro ainda estavam válidos (estão, ufa!) e me toquei de que vcs publicaram isso no dia do nascimento da Clara. Enquanto publicavam, e digitavam meu nome, eu estava em contrações... Não dava para não sermos amigas, não é? Grande companheiras. Um beijo grande. "

O exemplar em questão está carinhosamente emprestado p/ a comadre, q inicia seu 2o. trimestre de gravidez, e nos enche de felicidade ao ver o barrigão crescer!

Rudá e Fer, num belo dia de sol e mar, no Boqueirão Sul da Ilha Comprida/SP! 
Foto: Bianca Lanu.

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Quanta gente querida ilustrando esta postagem!!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Livros para uma Maternidade Ativa, por Mamíferas

O Carnaval se foi. O Blog andou pouco acessado por suas editoras, mesmo porque uma delas está prestes a entregar sua dissertação de mestrado, rs - Bora, Anaaaaa! Enquanto a outra que vos fala se entregou a introspecção neste feriado, na companhia de Laura Gutman, em A maternidade e o encontro com a própria sombra.

Mesmo assim, diariamente, na fanpage, muitas informações sobre o universo da assistência ao parto e suas boas práticas são compartilhadas. É só acessar - https://www.facebook.com/BlogPartonoBrasil

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E, foi também, pelo Facebook, que a página Mamíferas Mãe Mulher compartilhou um post da jornalista, doula e fotógrafa, Kalu Brum sobre leituras bacanas p/ uma gestação consciente e ativa, bem como a maternidade.


Na publicação Livros para uma Maternidade Ativa, Kalu nos convida:

A idéia é que esse post cresça com os comentários das leitoras do Mamíferas. Tem algum livro que você leu na gestação, no pós parto que foi marcante para você? Mande uma foto (se puder) da capa do livro. Se não tiver, tudo bem. A gente procura. Uma pequena sinopse do livro. Não esqueça, no email de colocar seu nome completo, idade, profissão e cidade e estado. Mande para contato@mamiferas.com

Bora participar!!!

Por lá já estão as indicações de Nascer Sorrindo, de Frédèrick Leboyer, Memórias de um homem de vidro, de Ric Jones, A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman, Parto Ativo, de Janet Balaskas, Lobas e Grávidas, de Lívia Penna Firme Rodrigues.


Em nossa Loja Virtual vocês poderão encontrar alguns desses títulos, e muito mais!!!


Confiram, ainda, nossas indicações de leitura, inclusive p/ baixar, já postadas por aqui -

Mulheres que correm com os lobos e A ciranda das mulheres sábias, de Clarissa Pinkola Estés

Parteiras: escola de mulheres, de Anayansi Brenes

Parteiras Caiçaras, organizado por Bianca C. Magdalena

Manifesto pelo Parto Ativo, de Janet Balaskas

Quando o corpo consente, de Marie Bertherat, Théresè Bertherat & Paule Brung

Parto com Amor, de Luciana Benatti & Marcelo Min

Cesárea: Para Além da Ferida, de Ana Álvarez-Errecalde

Mamãe eu quero, de Sonia Hirsh

E, no post Blog Parto no Brasil mais clean outros títulos, como Dar à luz... renascer, de Livia Penna Firme Rodrigues, Parto Ativo, de Janet Balaskas, Um amor conquistado, por Elisabeth Badinter, Humanizando nascimentos e partos, de Daphne Rattner & Belkis Trench, Parto normal ou cesárea, de Simone Grilo Diniz & Ana Cristina Duarte.

Na minha estante o que não falta é leitura sobre o tema :))

Acervo pessoal de Bianca Lanu.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

No mundo todo, as mulheres estão usando as redes sociais para dar visibilidade ao que chamam de ‘violência obstétrica’.

Neste post, convidamos você a colaborar com a construção deste processo histórico, com a documentação da voz das mulheres, sobre os momentos que foram os mais tristes e difíceis da sua jornada reprodutiva.

Pelo direito de viver uma vida livre de violências.
Pelo direito à saúde e à boa informação.



Por que violência obstétrica?

Por definição, a violência obstétrica é considerada toda forma de desrespeito, maus-tratos, abuso e negligência, praticada pelos profissionais das maternidades contra as mulheres que estão ali em busca de serviço de saúde especializado – para a gravidez, o parto, o pós-parto, e o aborto.

Também pode incluir condutas, procedimentos e protocolos clínicos que não atendam as melhores práticas na atenção ao parto e nascimento, condutas e protocolos reconhecidos como fortes evidências científicas pela comunidade internacional para a segurança das pacientes e qualidade da assistência.

A falta de informação e esclarecimentos sobre todos os processos do parto e nascimento prejudica a comunicação entre os profissionais e pacientes. As mulheres precisam ser estimuladas a falar sobre suas dúvidas, medos, desejos e necessidades. E precisam ser ouvidas.

A Lei do Acompanhante no Parto é de 2005, e vale para todo o país, para todas as maternidades do SUS ou da Saúde Suplementar. A lei vale para todas! Todas as mulheres têm direito a ter um acompanhante de sua livre escolha desde o início até o final da sua internação na maternidade. Toda exceção é violação de direitos. Denuncie.



Segurança das pacientes e qualidade da assistência

Este cenário (de violência) é o oposto ao desejado pelo projeto da Humanização da Assistência ao Parto. Uma política pública que tem a proposta de superar o grande desafio da redução das mortes maternas; da organização de todos os serviços que compõem a rede de atenção ao pré-natal, parto e puerpério (nas UBS, centros de parto normal  e maternidades hospitalares); e da valorização do parto e nascimento como processos fisiológicos, que podem ser transformados em uma experiência positiva e satisfatória para as mulheres.

Em última instância, é uma defesa da cidadania e dos direitos humanos!



O convite para a ação

Nos últimos meses, uma série de ações sociais foram organizadas, via Internet, por mulheres que se dedicam à construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais amigável às mulheres, e que inclui necessariamente a articulação de uma equipe de profissionais tais como enfermeiras, doulas, obstetrizes, parteiras, e médicos.

Como resultado, temos duas Blogagens Coletivas que foram realizadas coletivamente por mais de 100 blogs ao total. Confira as informações:







Nesse tempo, as mulheres também saíram às ruas, na Marcha do Parto em Casa e na Marcha pela Humanização do Parto. A perspectiva das usuárias, favorecida pela Internet, é o item de maior valor que nós podemos oferecer à saúde pública brasileira.

Esta terceira postagem coletiva tem objetivo de proporcionar mais uma troca de experiências entre as mulheres, de resgate do apoio mútuo, e de valorização de uma metodologia que é específica de uma organização política, pessoal, comprometida, com os direitos humanos das brasileiras, e sua saúde sexual e reprodutiva, na perspectiva da integralidade, diversidade e individualidade, com aplicação de saberes multidisciplinares complementares.


Participe, divulgue a imagem abaixo, junto com um texto livre de sua autoria.
Grave seu video, e envie até 28 de outubro!

Instruções para a Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

Como resultado, esperamos produzir um videodocumentário sobre a perspectiva das brasileiras que se sentiram desrespeitadas, para ser lançado oficialmente durante o 10o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorrerá entre os dias 14 e 18 de novembro de 2012, em Porto Alegre-RS.

Uma iniciativa dos blogs Parto no Brasil, Cientista que Virou Mãe e Mamíferas, junto com o grupo de pesquisa do Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Nosso muitíssimo obrigada!
Ana Carolina Franzon
Bianza Zorzam
Kalu Brum
Ligia Moreiras Sena




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Natureza da Violência

por Kalu Brum

Escolheu fazer medicina porque gostava de ajudar pessoas. Desde de pequenina ela socorria os coleguinhas que se machucavam, os animais enfermos. A medicina era uma vocação para fazer deste lugar um mundo melhor, dizia ela.
Estudou muito: anos de cursinho, abrindo mão das baladas e até mesmo do grande amor que surgiu no caminho. Era preciso estudar, madrugadas a fio, sacrificando qualquer coisa que a desviasse do caminho. Passou em uma das melhores faculdades do país. Orgulho na família, status no cursinho e na escola que frequentava. Foi garota propaganda de ambos e dava palestras motivacionais: como entrar em medicina.
Na faculdade aprendia mais sobre doenças, exames, diagnósticos, cirurgias do que sobre ouvir, acolher, entender os processos que levavam às doenças. Dava-se mais importância para vírus, bactérias do que para o seu hospedeiro: o ser humano.
Congressos patrocinados por laboratórios a mostrarem as grandes novidades das terras da alopatia. Seduzir para ser receitado. Ser receitado para gerar receita.
Ela decidiu pela obstetrícia. Nos hospitais escola, havia uma fila de alunos para fazer exames de toque nas pacientes em trabalho de parto. Um professor falava no corredor: vamos fazer um forceps, no leito 43, para os alunos aprenderem? E lá os alunos esqueciam do ser humano em nome da ciência.
Saiu do interior do país para a capital. Conheceu Wellington, que com seus olhos de jabuticaba, a seduziu naquela noite de forró. Ela esperou por meses a menstruação chegar. Pensava que a fome, excesso de trabalho tivesse resultado em um problema ginecológico. A barriga começou a crescer, mas ela achava que a falta de grana e muito pão que comia, que era o que dava para comprar, que tinha levado aos quilos a mais.
Em uma faxina pesada, desmaiou e foi levada ao SUS. Descobriu ali que estava grávida de mais de seis meses.
Quando as dores do nascimento começaram ela foi para o hospital. Pediu para que sua amiga fosse junto, afinal, ela nunca mais encontrou o rapaz de olhos de Jabuticaba. Ela não pode entrar.
Deixou todos os seus pertences na entrada: brincos, óculos, roupa. Lembrou-se de sua rápida passagem pela polícia.
Entregou seu ralo cartão de pré-natal. A enfermeira nem olhou na sua cara. Colocou um soro e mandou que ela ficasse deitada. Era praticamente impossível diante da dor das contrações.
O professor chamou a residente: vai lá e faça um exame de toque naquela ali. Ela fez o que aprendeu: nem olhou na cara daquela mulher assustada, com dor, que dizia: doutora, me dá sua mão.
A princípio pensou em acolher, mas voltou para o pedestal e distanciamento necessário. Foi introduzindo a mão. Estava com 8 centímetros. Avisou.
Vamos passar um forcéps nessa daí para você ver como funciona. Então será o pacote completo: episiotomia, fórceps e kristeller.
A faxineira gritava de dor. A residente pode ouvir a enfermeira chefe dizer: na hora de fazer você não gritou, né? Então fique quietinha senão vamos deixar você aí. Ela se calou, engoliu a dor.
Em nome da ciência um fórceps, uma episiotomia, um Kristeller. Ela nunca se sentiu tão humilhada com aquele tanto de estudantes em frente a sua vagina aberta. E assim, chegou ao mundo, um menino pequeno, sem pai, filho de uma mãe assustada. Foi levado, aspirado. Ela mal pode vê-lo. Ficou sozinha na sala de espera, sentindo muito frio. Sozinha no quarto, com muitas outras mães. No meio da madrugada veio a saber que ele não havia sobrevivido.
Ela não pode ver o corpo e só o viu no dia do velório. Enterrou seu primeiro filho e decretou: nunca mais quero parir! Sofrer assim ninguém merece. Quando contava sobre a violência que tinha sofrido, todas diziam: é assim mesmo.
A residente virou obstetra. Aprendeu a fazer cesáreas como ninguém e depois daquele campo de concentração que foi sua residência teve a certeza: cesáreas agendadas é o melhor caminho para o médico. Talvez para mãe e bebê, mesmo que a evidência científica provasse o contrário.



A história acima relata uma cena de violência fictícia que acontece diariamente nos hospitais do país. Mulheres são objetos de aprendizado para residentes. E assim, coisificadas, esses profissionais deixam de entender que ali, em trabalho de parto, existe uma mulher no momento mais importante de sua vida.
A violência, tida como tão normal, acontece sem estranhamento. E talvez nasça desta forma de aprendizado.
Precisamos abrir a nossa boca e denunciar a violência obstétrica. A Lígia Moreira Senna, do Blog Cientista que Virou Mãe, com apoio do Mamíferas e Parto no Brasil fez um teste revelando as facetas da violência obstétrica. Ela também tem 400 mulheres inscritas para realizar uma pesquisa sobre o tema.
Mais uma vez o  Mamíferas, Cientista que virou Mãe e Parto no Brasil se unem para lançar uma blogagem coletiva em vídeo. A idéia é que possamos fazer um vídeo com depoimentos de mulheres do Brasil sobre a violência que sofreram durante o parto.
Envie um vídeo de até 2 minutos relatando a violência que sofreu  para naoaviolencianoparto@gmail.com Nas próximas semanas vamos reunir os depoimentos e fazer um vídeo coletivo para mostrarmos a violência que acontece nas instituições durante o momento do parto.
Junto com o vídeo, envie seu nome completo, estado, nome da instituição onde a violência aconteceu e data do parto.
Sair do silêncio pode evitar que outras mulheres sofram novas formas de violência de gênero. Você pode também escrever seu depoimento no site http://violencianoparto.wordpress.com/depoimentos. Participe.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Repercussões da ação MPF e PP: Blog Mamíferas » A Justiça é Carmim

Ótimo texto da Kalu.


... hoje eu vim compartilhar com você de uma conquista. Estamos aqui e em toda parte conectadas para informar as mulheres sobre a questão dos benefícios do parto natural, empoderá-las para que construam a possibilidade de um nascimento digno. E mudar significa também abalar as estruturas daquilo que está vigente.

Acesse o link abaixo e divulgue a ação também!
Blog Mamíferas » Arquivo do Blog » A Justiça é Carmim

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