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sábado, 2 de março de 2013

Multimídia Parto no Brasil - Centro de Parto Normal: O Brasil precisa de mais parteiras, obstetrizes e doulas!

Em defesa do SUS!

Em defesa das boas experiências de parto normal para todas as mulheres!

Fotos: 

Marcello Casal /Agência Brasil EBC
Tânia Rêgo/Agência Brasil EBC
Marcelo Camargo/Agência Brasil EBC

CPNs:

São Paulo-SP:
Casa Angela
Casa de Parto de Sapopemba

Brasília-DF:
Casa de Parto de São Sebastião

Rio de Janeiro-RJ:
Casa de Parto David Capistrano Filho 




































Fontes e para saber mais:

http://noticias.uol.com.br/saude/album/2012/10/22/casas-de-parto-na-periferia-de-sao-paulo-dispensam-medicos.htm

http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2012-10-22/casas-de-parto-1?foto=AgenciaBrasil051012MCSP5X_1

http://agenciabrasil.ebc.com.br/galeria/2012-10-22/casas-de-parto-1

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/sanitarista-david-capistrano-foi-pioneiro-na-defesa-das-casas-de-parto

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/maes-elogiam-atendimento-na-unica-casa-de-parto-do-distrito-federal

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-22/com-atendimento-mulheres-saudaveis-casa-de-parto-dispensa-presenca-de-medico-defende-especialista

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por um outro modelo de assistência ao parto

Por um modelo de cuidado à gravidez, parto e pós-parto centrado na mulher, com mais mulheres envolvidas, e muito mais conversas entre elas.


52% dos nascimentos no Brasil ocorrem por cesáreas. A morte materna e a morte infantil são eventos raros. Mas a transferência de mães e bebês para a UTI não é fenômeno incomum. Todas as mulheres têm direito a auto-determinação e  não-coação em suas escolhas de parto.


Mais parteiras, mais obstetrizes, mais enfermeiras! E doulas para TODAS as mulheres.

O Blog Parto no Brasil assina este manifesto.

Violência obstétrica, em tradução artística de Noghan S. Rodberg, por The Unnecesarean

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ATENÇÃO MULHERES em defesa da cidadania:
Mais um direito à saúde está ameaçado! Compartilhe o manifesto da CMB, em defesa das boas práticas na atenção ao parto, com a valorização do trabalho das parteiras, obstetrizes e enfermeiras!
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A Confederação das Mulheres do Brasil - CMB repudia a cobrança de taxas ILEGAIS que vem sendo cobradas das mães brasileiras em trabalho de parto. Os Planos de Saúde pagam valores irrisórios pelo atendimento ao Parto. Com essa avidez por lucros estimulam que uma parcela de médicos cobrem taxas extras para acompanhar as mulheres em trabalho de parto natural.

A pressão sobre as mães é absurda e inaceitável. O número de nascimentos através de cesarianas no sistema se saúde privado alcançou 83% neste último ano. As famílias são colocadas diante da situação de concordar com a cesariana ou pagar a mais caso queiram tentar o parto natural com o médico ou médica que acompanhou o pré-natal pelo Plano de Saúde.

O Brasil ainda luta para diminuir a morte materna por causas evitáveis como infecções e hemorragias. A cesariana é uma cirurgia que pode ser evitada e as mulheres devem ter direito de optar livremente sobre como querem dar a luz tendo acesso à todas as informações necessárias sem indução em sua escolha.

É preciso fortalecer o Sistema Único de Saúde e agilizar ainda mais a implantação do PROGRAMA REDE CEGONHA. É preciso colocar a SAÚDE no patamar que o povo brasileiro merece e precisa. Com as verbas necessárias e participação social á altura de um governo democrático. Queremos o atendimento pelo SUS proporcionando o acolhimento e a segurança que as mães merecem evitando que se tornem clientes dos Planos a aumentar os lucros de quem desrespeita a mulher brasileira.

A ANS está para decidir se legaliza a cobrança. A CMB apela ao Ministro da Saúde Alexandre Padilha que exija dos Planos de Saúde que tenham respeito com seus clientes que já pagam absurdas mensalidades e não recebem o tratamento adequado.

O acolhimento digno é elementar quando o assunto é SAÚDE. Os filhos do Brasil não são MERCADORIA e muito menos a SAÚDE. A falta de acolhimento é ainda mais grave quando se trata das mães brasileiras que estão a dar a luz à brasileiros e brasileiras que serão os futuros responsáveis por nosso país.

São Paulo, 4 de dezembro de 2012
CONFEDERAÇÃO DAS MULHERES DO BRASIL.

Pedimos que se posicione através de nossa página no Facebook.
http://www.facebook.com/confederacaodasmulheres.brasil

E envie sua mensagem ao ministro e à ANS.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

VI Encontro de Obstetrícia e I Encontro Internacional de Obstetrícia na USP Leste, em São Paulo

Já na sua sexta edição, o Encontro Anual de Obstetrícia agora passa a ser organizado pelo curso em conjunto com a Associação de Alunos e egressos do curso, uma entidade criada para defender os interesses de obstetrizes formados ou em formação. O Encontro é uma oportunidade de congregar todos os alunos, docentes, egressos e também pessoas das mais diversas áreas de conhecimento que atuam na defesa da Obstetrícia.

Hoje, das 14 às 18h, teremos o curso "Cidadania e participação política: Construindo os caminhos da Obstetrícia no Brasil", ministrado pela docente do curso de Obstetrícia Elizabete Franco Cruz.

Já no dia 26/10 teremos uma mesa intutulada de "Experiências internacionais na formação de obstetrizes" composta por Lorena Binfa, Carolina de Oliveira Duff, Amélie Lecorné e Célia Regina Maganha e Melo docentes de cursos de Obstetrícia no Chile, Nova Zelândia, França e Brasil.

À tarde teremos nossas tradicionais oficinas, que esse ano estarão dispostas em dois horários: das 14 - 15:45 e das 16:15 às 18h. A escolha pela oficina desejada deverá acontecer no ato da confirmação de inscrição, no dia 26, a partir das 8h, portanto, se programe para chegar com antecedência para garantir sua vaga na oficina desejada.

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/10

Inscrições e recepção
13:45 - 14:00h

Cerimônia de abertura - Profa. Dra. Nádia Zanon Narchi - Coordenadora do Curso de Obstetrícia da USP
Carla Azenha - Presidente da AO-USP

14:00 - 18:00 - Curso "Cidadania e participação política: Construindo os caminhos da Obstetrícia no Brasil"
Profª Drª Elizabete Franco Cruz

18:00 - Encerramento do primeiro dia

Dia 26/10

08:00 - 08:45 - Inscrições e recepção

8:45 - 09:00 - Abertura c/ a Profa. Dra. Nádia Zanon Narchi - Coordenadora do Curso de Obstetrícia da USP
Carla Azenha - Presidente da AO-USP

09:00 - 12:00 - Mesa redonda: Experiências internacionais na formação de obstetrizes
Coordenação: Célia Regina Maganha e Melo
Participantes: Lorena Binfa - Chile; Carolina de Oliveira Duff - Nova Zelândia e Amélie Lecorné - França

12:00 - 14:00 - Almoço

14:00 - 15:45 - 1º período de oficinas

15:45 - 16:15 -Coffe Break

16:15 - 18:00 - 2º período de oficinas

18:00 - Encerramento do evento

Confiram aqui as oficinas oferecidas, e faça sua inscrição pelo link - http://www.aousp.com.br/viencontro/inscricao.htm

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Post Extraordinário - RESOLUÇÃO CREMERJ 266/12

"Pai, afasta de mim esse cálice..."


Dispõe sobre a responsabilidade do Diretor Técnico em relação a assistência perinatal prestada por pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde. 

O CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 15 da Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e pelo Decreto n.º 6821 de 14 de abril de 2009.

CONSIDERANDO os artigos 4º, 7º, 8º e 11 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que respectivamente, exigem a adoção de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso da criança e do adolescente, e asseguram a estes atendimentos médico;

CONSIDERANDO que a Resolução CFM nº 1641/02, de 12 de julho de 2002 veda a emissão, pelo médico, de Declaração de Óbito nos casos em que houve atuação de profissional não-médico;

CONSIDERANDO a Resolução CFM nº 1627/01, de 23 de outubro de 2001 e a Resolução CREMERJ nº 121/98, de 25 de março de 1998, que disciplinam o Ato Médico;

CONSIDERANDO que a assistência ao ciclo grávido-puerperal é um evento dinâmico, exigindo vigilância permanente em virtude de situações emergenciais que podem surgir durante o trabalho de parto, envolvendo o binômio materno-fetal e exigindo procedimentos médicos complexos imediatos;

CONSIDERANDO o artigo 18 do Código de Ética Médica que veda aos médicos “Desobedecer aos acórdãos e às resoluções dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina ou desrespeitá-los.”

CONSIDERANDO o artigo 19 do Código de Ética Médica “Deixar de assegurar, quando investido em cargo ou função de direção, os direitos dos médicos e as demais condições adequadas para o desempenho ético-profissional da Medicina”.

CONSIDERANDO o artigo 6º da Constituição Federal, que estabelece que a saúde e a proteção à maternidade e à infância são direitos sociais;

CONSIDERANDO o artigo 24 do Decreto 20.931/32, que determina que os institutos hospitalares só poderão funcionar sob a responsabilidade e direção técnica de médicos;

CONSIDERANDO o artigo 15 da Lei nº 3.999/61, que dispõe que os cargos ou funções de chefia de serviços médicos somente poderão ser exercidos por médicos;

CONSIDERANDO a Lei Estadual nº 3.613/01, que garante direitos aos usuários do SUS no Estado do Rio de Janeiro, dentre eles a realização de parto em hospital devidamente equipado; 

CONSIDERANDO que no decorrer do trabalho de parto e até 24 horas após podem ocorrer eventos adversos, que representem risco à parturiente e ao recém nato;

CONSIDERANDO, finalmente, o deliberado em 370ª Sessão Plenária do Corpo de Conselheiros realizada em 13 de julho de 2012.

R E S O L V E:

Art. 1º É vedada a participação de pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar, ressalvados os acompanhantes legais.

Parágrafo único. Estão incluídas nesta proibição as chamadas “doulas”, “obstetrizes”, “parteiras”, etc.

Art. 2º Esta Resolução não se aplica às enfermeiras obstetrizes legalmente reconhecidas conforme disposto nos incisos II e III do artigo 6º da Lei nº 7.498/86. 

Art. 3º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar.

Parágrafo único. É responsabilidade do Diretor Técnico da unidade o cumprimento desta Resolução.

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 13 de julho de 2012.

Consª Márcia Rosa de Araujo - Presidente
Consº Sergio Albieri - Diretor Primeiro Secretário

Publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 19 de julho de 2012, Parte V, p.10.

sábado, 23 de junho de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Médicas em defesa da saúde das mulheres


Nesta Seção Multimídia, o Blog Parto no Brasil valoriza a ação de duas médicas brasileiras, importantes nomes do modelo de atenção de atenção humanizado. Esta semana, elas circularam mensagens importantes que nos esclarecem sobre a dinâmica de trabalho dos sistemas de saúde, sobre como a organização dos serviços é estratégia eficiente para melhorar a qualidade da atenção e do cuidado que recebemos para o parto e nascimento.

Abaixo, a neonatologista Ana Paula Caldas, durante a Marcha do Parto em Casa, em Campinas-SP, no dia 17 de junho de 2012.


Em seguida, replicamos o post de Simone Diniz, médica e docente da FSP/USP, atualmente desenvolvendo a pesquisa "Riscos e benefícios dos modelos de atenção ao parto: Perspectivas de usuárias/os e profissionais". Publicado originalmente em seu perfil no Facebook.

Para quem viu a Marcha do Parto em casa esses dias, quando mulheres (e crianças, e homens, e profissionais de saúde) saíram às ruas de mais de 20 cidades no Brasil em nome do direito à escolha e ao próprio corpo.
Acaba de sair a versão resumida dos principais resultados da coorte de nascimentos do Reino Unido, um estudo aqui do SUS deles (NHS), incluindo as questões do acesso/equidade, os principais resultados maternos e neonatais, os estudos de custo efetividade, e de estrutura/processo/instituições, comparando o parto em hospital, em casa de parto (midwive-led units), e em casa. Em inglês - acesse aqui a pesquisa Birthplace in England.

Muito bom para entender o que está dizendo a turma do Marcha do parto em Casa. Vejam a diferença em segurança que faz ter um sistema que apoia a escolha, organiza a referência, faz seleção de risco e investe na formação de profissionais para este modelo.

Não são lindas estas mulheres que lutam? O Blog Parto no Brasil também é grato à Ana Paula e Simone por seu empenho, dedicação e comprometimento com as mulheres.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Partejando: quais os caminhos para esta arte?

O texto de hoje nos conta, na voz de três obstetrizes, ou parteiras graduadas, como se configura o ofício através da Faculdade de Obstetrícia, da EACH - USP Leste, bem como os desafios da profissão.



Por

Bianca Alves de Oliveira Zorzam
Formada pela 1a. turma do Curso de Obstetrícia da USP, em 2008. Doula, consultora em amamentação, e mestranda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), integrante do Grupo La Mare
biancazorzam@gmail.com

Bianca Dias Amaral
Formada pela 1a. turma do Curso de Obstetrícia da USP, em 2008. Especialista em Saúde Coletiva pelo Instituto de Saúde (SES/SP), integrante do Grupo La Mare e obstetriz da Medicina Preventiva da Unimed Jundiaí 
bibadias@yahoo.com

Maíra Fernandes Bittencourt
Formada pela 2a. turma do Curso de Obstetrícia da USP, em 2009. Integrante do Grupo La Mare, conselheira fiscal da Associação de Alunos e Egressos do Curso de Obstetrícia da USP (AO-USP), colaboradora da ONG Amigas do Parto e obstetriz da Medicina Preventiva da Unimed Jundiaí
mairafarfala@yahoo.com.br

A criação de parteiras acadêmicas no Brasil é antiga. No século XIX, mme. Durocher, francesa naturalizada aqui no Brasil, foi a primeira mulher a se formar como parteira através do curso aberto pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, formaram-se obstetrizes, termo acadêmico que se criou para designar as parteiras acadêmicas em várias cidades brasileiras, inclusive na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

No século XX, os cursos tinham em média três anos de duração e formavam profissionais diferentes da área médica e da área de Enfermagem. Nos centros obstétricos e em casa, os partos normais eram assistidos por obstetrizes, além dos médicos, mas não por enfermeiras.

Em torno dos anos 70, o modelo político que passou a vigorar começou a rejeitar a formação de obstetrizes e a defender a formação exclusiva de enfermeiros especializados em Obstetrícia, uma vez que esta categoria garantiria a atenção à mulher dentro do contexto obstétrico. Além disso, o crescente número de escolas de Enfermagem abertas em todo o País levou à extinção do último curso de formação direta de obstetrizes, o da USP, deixando em vigor apenas uma legislação quanto às atribuições das obstetrizes.

No entanto, movimentos e visões sobre a assistência ao parto e nascimento nunca foram lineares e homogêneos e, aqueles que também se iniciaram por volta dos anos 70 no mundo todo, hoje identificado como o movimento de humanização do parto e nascimento, defensor de uma assistência que respeita a fisiologia e a normalidade deste processo, continuaram a defender a permanência de parteiras tradicionais e acadêmicas como profissionais de vital importância dentro das equipes de saúde e em diversos contextos.

Em vários países, como Holanda, Canadá e Inglaterra, a atuação da obstetriz na assistência ao parto trouxe melhores resultados perinatais, como a redução dos índices de morbi-mortalidade materno-infantis. Essa profissional, especializada em parto normal, promove assistência integral às gestantes, parturientes e puérperas de baixo risco, preservando e protegendo o processo fisiológico do nascimento. Através de técnicas que propiciam o manejo não-farmacológico da dor e a condução do parto fisiológico, a assistência centra-se na segurança e promoção do conforto físico e emocional da mulher durante todo o período gravídico-puerperal, incluindo os primeiros cuidados com o bebê e a amamentação.

Nos últimos anos, muitos esforços têm sido impulsionados pela categoria da Enfermagem Obstétrica no Brasil para a promoção da humanização da assistência ao parto. Estes esforços incluem o trabalho de um grupo de profissionais da Escola de Enfermagem da USP (EEUSP) a partir do projeto da obstetriz Dulce Maria Rosa Gualda, para a retomada da formação direta de obstetrizes no Brasil. Este ousado projeto causou grande polêmica e muitos não entenderam o motivo de se formarem obstetrizes para além da já existente especialização em Enfermagem Obstétrica.

Embora os cursos de especialização em Enfermagem Obstétrica insiram, recentemente, novas perspectivas para a formação de um profissional capacitado a respeitar a fisiologia do nascimento, percebia-se a necessidade de se investir em uma formação com sólidas bases acadêmicas no complexo contexto do parto e do nascimento, sob a perspectiva do modelo de humanização da assistência e as práticas baseadas em evidência, que compreendesse e, acima de tudo, valorizasse as esferas sexuais, culturais e espirituais das mulheres e famílias inseridas no evento da parturição.

O atual curso de Obstetrícia foi concebido e tem se desenvolvido em meio à necessidade de mudanças nos paradigmas dentro dos processos de cuidados, defendendo um novo modelo de assistência obstétrica. 
Durante a formação das novas obstetrizes, além de incluir a importância da assistência obstétrica frente às situações de riscos e patogenicidades, que necessitam de intervenções, são enfocadas e aprofundadas as formas de promoção e proteção de um processo que é essencialmente natural e saudável no contexto da vida da mulher.

Neste sentido, a defesa da retomada do curso de Obstetrícia e sua manutenção objetiva fortalecer e impulsionar as mudanças de paradigmas em relação à atual assistência obstétrica, cujo modelo é extremamente intervencionista e medicalizado, com índices alarmantes de morbidade e mortalidade materno-infantil, decorrentes de intervenções dolorosas e desnecessárias.

Ao contrário do que podem parecer, as obstetrizes estão em plena parceria com os esforços promovidos pela Enfermagem Obstétrica no movimento de humanização da assistência obstétrica. A exemplo de outros Países do mundo, enfermeiras obstétricas e obstetrizes atuam conjuntamente no sistema de saúde. 
Geralmente, as obstetrizes estão no modelo de Centro de Parto Normal (CPN), Casa de Parto e parto domiciliar, realizando a assistência às gestantes de baixo risco, enquanto as enfermeiras estão no cuidado de gestantes de alto risco, em modelo hospitalar. Embora as competências de ambos os profissionais permitam que o inverso também aconteça, isto é, que obstetrizes possam atuar nos contextos hospitalares e de alto risco e as enfermeiras nos contextos não-hospitalares citados acima, de qualquer forma se aposta antes de tudo na promoção e ampliação de um perfil de profissionais profundamente identificados em oferecer assistência para o baixo risco.

Enfermeiras obstétricas e obstetrizes podem e devem coexistir, quando se entendem as diversas instâncias de cuidados e níveis de atenção que envolve a assistência obstétrica. O Brasil tem uma alta demanda por profissionais competentes e qualificados que assistam o parto normal, especialmente porque existe uma escassez, inclusive de enfermeiras obstétricas, em muitos lugares do nosso País.

Após a formação da primeira turma do curso de Obstetrícia, um importante embate e disputa se estabeleceram como resistência ao resgate desta profissional e sua inserção no mercado de trabalho. O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) se negaram a registrar as obstetrizes recém-formadas, ainda que este registro lhes fosse obrigatório por Lei Federal vigente, pela alegação de ser necessária uma formação anterior em Enfermagem para atuar nesta área. Além disso, estes órgãos estimulam uma disputa, já antiga e ultrapassada, entre obstetrizes e enfermeiras obstétricas, admitindo que as obstetrizes vieram tomar o lugar das enfermeiras.

Para entender esta disputa, é importante retomar o papel dos Conselhos na sociedade. Todo profissional de saúde, assim como qualquer profissão que possa colocar em risco a vida de outra pessoa, precisa juridicamente estar inserido num Conselho de classe. Mas, por que obstetrizes esperavam ser registradas no Conselho de Enfermagem? Novamente é preciso voltar na História e entender por que os criadores e docentes do curso de Obstetrícia da USP se surpreenderam com esta posição do Conselho de Enfermagem.

Quando, nos anos 70, se extinguiu o último curso de Obstetrícia, a presença de obstetrizes se manteve no mercado de trabalho e a conquista social pela manutenção desta profissão se conservou. Os Conselhos de Enfermagem abarcaram naturalmente essa profissional (até aquela época, a profissão era exclusivamente de mulheres) e as registraram como obstetrizes, isto é, as obstetrizes tinham um registro nos Conselhos de Enfermagem, mas identificadas como obstetrizes e não enfermeiras ou enfermeiras obstetras, como rapidamente passou a ser designado na formação de Enfermagem.

Nos anos 80, com a reformulação da Lei do exercício profissional de Enfermagem, a obstetriz foi inserida dentro desta plataforma. Nesta Lei, definiu-se que é enfermeiro o portador do diploma de Enfermagem ou Obstetrícia, e a obstetriz é citada inclusive nas determinações exclusivas do enfermeiro obstetra. Por que então esta resistência atual do Conselho em registrar obstetrizes?

Muitas discussões e ações foram e são necessárias para resolver este impasse, que tem gerado grandes obstáculos para as obstetrizes iniciarem sua vida profissional. Como pontua em reflexões com estudantes e egressos do curso de Obstetrícia, a profa. dra. Elizabete Franco Cruz, “não é preciso ser um grande leitor de Foucault e perceber que se trata de uma questão de disputa de poder”.

A formação de obstetrizes e as discussões ideológicas envolvidas seguem em diversos fóruns e alcançaram diversas entidades e associações que militam dentro do movimento de humanização do parto e nascimento e de direitos da mulher. Estes embates estimularam um amadurecimento político entre os estudantes e egressos do curso de Obstetrícia. Em meio a estas dificuldades, originou-se a Associação de Alunos e Egressos do Curso de Obstetrícia da USP (AO-USP), que acaba de se formalizar juridicamente, mas que desde o início do ano de 2011 já conta com membros empenhados, engajados e dedicados na luta pelo reconhecimento desta profissional e do modelo de assistência ao qual se inseriu a retomada das obstetrizes.

As obstetrizes que já conseguiram iniciar sua prática no contexto da assistência obstétrica vêm devagar encontrando reconhecimento dentro dos serviços e fora deles. Algumas iniciaram o trabalho ainda fora da prática de partejar, com o importante papel de produção acadêmica e científica para a manutenção e fortalecimento de uma assistência embasada e consistente, levando à frente todas as reflexões filosóficas e ideológicas que as práticas de promoção para a saúde da mulher e perinatal necessitam.

Outra minoria já iniciou sua jornada de atuação em um modelo não hospitalar, sintonizadas com mulheres que também buscam e desejam experiências diferentes, mais plenas e conscientes no seu processo de parturição e iniciação na vida como mãe, promovendo assistência domiciliar às mulheres e suas famílias durante a gravidez, parto e puerpério.

Também podemos encontrar outras poucas que iniciaram sua prática dentro de serviços obstétricos. Estas iniciam sua jornada com uma presença que reluta em desempenhar procedimentos que entende desnecessários e que fazem parte da rotina hospitalar, o que pode soar como incompetência dentro da ótica intervencionista e hegemônica da maior parte dos serviços. As obstetrizes causam estranhamento por alguns colegas de trabalho, encantamentos ou curiosidade e despertar em outros. Apesar de destoantes, a compreensão e aceitação de um novo olhar se desperta aos poucos.

Ainda que a grande maioria das obstetrizes nem sequer ganhou a chance de trabalhar na área e as poucas que estão dentro do Cavalo de Troia contam somente com a perseverança a cada dia, o que realmente alimenta estas parteiras que retomam um lugar na atual assistência obstétrica brasileira é o apoio de multidões de mulheres, que lutam há mais de décadas pelos seus direitos para uma vivência respeitosa do parto e nascimento, que foram às ruas por seu sólido objetivo de mudar o modelo hegemônico de assistência ao parto no Brasil. Esta é uma luta, sobretudo, de nós mulheres.

* Texto integrante de "Parteiras Caiçaras: relatos e retratos sobre parto e nascimento, em Cananeia, SP" - Capítulo Outras Vozes, organizado por Bianca C. Magdalena, publicado em dez. de 2011, c/ apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Cultura, do Governo de São Paulo.

Foto de Silmara Guerreiro, dinda e comadre, em meu trabalho de parto, em ago. de 2009.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Petição - Por el Derecho a Elegir el Parto

Por el derecho de la mujer a elegir cómo, dónde y con quién parir.
Impulsan esta campaña la Asociación Nacional de Parteras Independientes junto con diversas familias, en busca de la libertad de elección para el parto.
En el mes de agosto pasado, se realizó el III Congreso de Partería en la Cuidad de La Plata. Bajo este marco, se comunicó los detalles de la reforma y actualización de la ley que regula el ejercicio de la profesión Obstétrica en Argentina. La ley vigente, determina que las parteras pueden tener casas de partos, consultorios propios, pueden ejercer su profesión de forma individual o en equipo con otros profesionales, en hospitales públicos y privados y pueden atender a la mujer en su domicilio.
Lamentablemente, junto con modificaciones favorables, se ha introducido una que es altamente alarmante: eliminar la posibilidad de las casas de parto, marcando una tendencia que llevará a quitar también del proyecto de ley, la atención y asistencia por parte de las parteras de los partos planificados en domicilio.
De esta manera se quita la posibilidad de elegir una modalidad de parto con profesionales idóneos, con experiencia en este tipo de partos realizados en un marco de seguridad pertinente, que evalúan con claridad qué mujeres están en condiciones de optar por esta opción, profesionales de la salud que se encuentran equipadas con el equipo necesario para brindar un excelente atención y que cuentan con habilidades para resolver o anticiparse a complicaciones antes, durante o después del parto.
Los conocimientos que se tiene del parto domiciliario tanto desde las altas esferas públicas, como desde la sociedad en su conjunto y desde los diferentes ámbitos de la medicina misma son vagos y escasos. Países como Canadá y Holanda, ofrecen a sus mujeres embarazadas estas opciones de parto con excelentes resultados.
Las mujeres que toman la decisión de parir en casa con parteras, lo hacen con información y prudencia. Estas mujeres son atendidas y controladas, durante el embarazo, el parto y postparto por una partera calificada, responsable, preparada y en permanente capacitación. Parir en casa no es una moda, ni una elección irresponsable, ya que parir en casa es seguro siempre y cuando la mujer sea sana, el embarazo normal y se esté debidamente acompañada.
Elegir cómo, dónde y con quién parir, es parte del derecho sexual y reproductivo de la mujer, es elegir sobre su propio cuerpo, sobre los cuidados y atención que se adecuen a sus necesidades y creencias.
"LA ELECCION ES PERSONAL, EL DERECHO A ELEGIR ES DE TODAS"
Por favor al firmar es importante que coloquen su D.N.I, pueden optar por hacer o no pública su firma.
Agradecemos infinitamente el apoyo y la difusión.
Asociación de Parteras Independientes y Familias

ASSINEM AQUI!

sábado, 3 de setembro de 2011

Multimídia Parto no Brasil - Flores do Cerrado

“Flores do Cerrado” é um documentário de 52 minutos de duração que abordará a questão conflitante entre os benefícios/malefícios do parto normal e da cesárea, assim como apresentará a opinião de defensores dos dois lados. Parteiras e Médicos. Direção e Roteiro de Patrícia Ermel, c/ produção da Nove9. SINOPSE
Por meio deste trabalho procuraremos trazer mais informações às mulheres que pretendem a maternidade e provocaremos um debate sobre a importância da obstetriz nos dias de hoje. O documentário mostrará a importância do conhecimento de Dona Flor, parteira do interior de Goiás, dentro do contexto precário de atendimento à saúde para a população da região. E também proporá um diálogo com os movimentos a favor de partos naturais humanizados em São Paulo.
Fonte: http://vimeo.com/27156838
FLORES DO CERRADO from Nove9 on Vimeo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Registro de obstetrizes no Conselho de Enfermagem


De peitos a mostra obstetrizes e ativistas protestaram contra o fechamento do curso de Obstetrícia, em março de 2011, no vão livre do MASP, em São Paulo, capital. Imagem da internet.
Como previsto na Lei 7.498/86, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, o art. 6º estabelece que é enfermeiro “o titular do diploma ou certificado de obstetriz ou de enfermeira obstétrica, conferidos nos termos da lei”. Mesmo assim, @s obstetrizes graduad@s pela EACH-USP não conseguem atuar na assistência obstétrica, pois os conselhos não reconhecem o ofício.
Mas, boas novidades! Confiram nas inúmeras matérias noticiadas pela internet:
MPF quer que conselho reconheça obstetrizes como enfermeiros - http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5212504-EI8266,00-MPF+quer+que+conselho+reconheca+obstetrizes+como+enfermeiros.html
A medida beneficia os estudantes de Obstetrícia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP). De acordo com o MPF, um inquérito civil público foi aberto após a constatação de que o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SP) estava indeferindo o registro de bacharéis formandos pela USP. O Coren-SP e o Cofen têm um prazo de 25 dias para informar se cumpriram a recomendação.
MPF recomenda a conselho que registre formado em Obstetrícia como enfermeiro - http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,mpf-recomenda-a-conselho-que-considere-como-enfermeiro-formado-em-obstetricia,738459,0.htm
A grade curricular foi alterada baseando-se no curso de enfermagem e o Coren/SP concordou em reconhecer como bacharéis os alunos que a cumprissem. No entanto, a decisão foi refutada pelo Cofen, que expediu a resolução nº 378 em 29 de abril de 2011, determinando que os conselhos regionais não aceitassem a inscrição de obstetrizes, independente da carga horária cumprida.
MP quer que órgãos de enfermagem reconheçam formados em obstetrícia Conselho Federal de Enfermagem não reconhece diploma de obstetriz - USP decidiu manter as 60 vagas oferecidas no vestibular - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/06/mp-quer-que-orgaos-de-enfermagem-reconhecam-formados-em-obstetricia.html
O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do Cofen e aguarda retorno. Em março, o órgão emitiu nota assinada pelo presidente Manoel Carlos Neri da Silva, na qual afirmava que o curso da USP “não preenche os requisitos legais para o exercício profissional da enfermagem”. Ainda segundo a nota, o Conselho Federal de Enfermagem, desde 2008 tem emitido pareceres repetidos indicando a impossibilidade de concessão de registro profissional aos egressos do curso de obstetrícia porque contraria as diretrizes curriculares para o curso de graduação em enfermagem.
MPF recomenda ao COFEN que reconheça bacharéis em obstetrícia como enfermeiros - Cursos de obstetrícias devem voltar a valer, mas formados devem ser considerados enfermeiros - http://www.redebomdia.com.br/noticias/dia-a-dia/58638/mpf+recomenda+ao+cofen+que+reconheca+bachareis+em+obstetricia+como+efermeiros
O Ministério Público havia recusado a base curricular do curso da USP e proibido a inscrição de obstetrizes nos Conselhos Regionais de Enfermagem. Agora, o MPF pediu o cancelamento dessa proibição.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução

® Uso exclusivo concedido por Janet Balaskas
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
Janet Balaskas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
20 de Abril de 2011
Na véspera do feriado prolongado da Semana Santa, a visita da educadora perinatal Janet Balaskas à Faculdade de Saúde Pública da USP lotou o Anfiteatro Paula Souza. Estudantes e pesquisadores, profissionais da obstetrícia, usuários da saúde, e até mães com bebês aproveitaram a oportunidade de conhecer a britânica fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.
A palestra Parto Ativo, a história de uma filosofia e revolução durou aproximadamente duas horas, durante as quais, Janet Balaskas e sua tradutora falaram de pé, apresentando um belo registro iconográfico. Coordenadora do Active Birth Centre em Londres, Janet compartilhou com o público a história do movimento organizado de mulheres, que há 30 anos, conseguiu denunciar e abolir práticas obsoletas e agressivas na assistência obstétrica da Inglaterra. Algumas destas ainda são rotina nos hospitais brasileiros.
Dois episódios foram marcantes neste processo: em 1982, uma passeata mobilizou seis mil ingleses que foram às ruas de Londres protestar contra as episiotomias de rotina e a imobilização das parturientes no leito. Alguns meses depois, novamente milhares de pessoas participaram de duas Conferências Internacionais pelo Parto Ativo, provocando mudanças significativas na assistência ao parto na Inglaterra.
Na USP, Janet também demonstrou algumas vantagens que os partos normais em posição vertical oferecem, como por exemplo, maior abertura do canal pélvico. Todos os presentes se levantaram para tocar seu próprio corpo e comparar o diâmetro de seu crânio com o de sua pelve, em variadas posições.
Em debate com o público, Janet Balaskas reconheceu no Programa Cegonha uma boa oportunidade para que o Brasil dê um salto de qualidade na atenção ao parto. Isso porque foi informada de que o atual plano de governo prevê investir na construção de 72 Centros de Parto Normal. Estudos recentes defendem que o parto normal – aquele sem o uso obrigatório de drogas ou procedimentos cirúrgicos – tem os melhores desfechos de saúde materna e infantil, sendo indicador da qualidade da assistência obstétrica de um país. Como disse o Ministro Padilha recente passagem pela FSP, esta política também objetiva reduzir a violência institucional no parto, questão que ganhou ampla divulgação na mídia pela pesquisa de opinião Mulheres e Gênero nos Espaços Públicos e Privados (SESC Fundação Perseu Abramo), segundo a qual, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido algum tipo de violência durante o parto.
Por fim, Janet dedicou todo apoio às obstetrizes brasileiras, especificamente às profissionais formadas pela EACH: “All power to the midwives” encerrou. Em seguida, um intenso e prolongado aplauso, com todos de pé, emocionou às lágrimas uma das figuras mais emblemáticas da humanização do parto. Além de todos nós.
Simone Diniz e Ana Carolina Franzon






Fotos: Ana Carolina Franzon
Realização:
Curso de Obstetrícia EACH-USP
Associação de Obstetrizes da USP
Faculdade de Saúde Pública da USP
GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)
Apoio:

terça-feira, 12 de abril de 2011

Número de vagas em Obstetrícia da EACH-USP é mantido

"Hoje, dia 05/04/2011, a Comissão de Graduação da EACH-USP reuniu-seextraordinariamente, com a pauta “Curso de Obstetrícia”. O colegiado recebeu como convidados os docentes, discentes e egressos do curso de Obstetrícia, e deliberou de forma unânime a favor de uma manifestação de apoio ao curso, nos seguintes pontos: 1. Permanência do Curso de Obstetrícia na EACH; 2. Permanência do curso no vestibular 2012; 3. Manutenção do Projeto Político Pedagógico em vigor e do nome do curso. Foi deliberado que a questão das vagas será discutida no contexto dos demais cursos da EACH em reunião da CG no dia 07/04/11".
Trecho do comunicado enviado pela direção da EACH após a reunião - confiram a íntegra aqui.
Abaixo-assinado, manifestação, divulgação em mídia virtual, nas redes sociais e encontro c/ governantes. Foi assim que estudantes e obstetrizes já formadas do Curso de Graduação em Obstetrícia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu que seus desejos fossem ouvidos, através de uma intensa mobilização.
Confiram as notícias veiculadas sobre o assunto:
Estadão: USP Leste decide manter todas as vagas - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110408/not_imp703294,0.php;
IG: Comissão da USP Leste decide deixar tudo como está - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/comissao+da+usp+leste+decide+deixar+tudo+como+esta/n1300036348793.html;
Estadão: USP Leste e o curso de obstetrícia - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110410/not_imp704191,0.php;
Guia do Estudante: Comissão de graduação da USP Leste decide manter número de vagas para o próximo vestibular - http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/comissao-graduacao-usp-leste-decide-manter-numero-vagas-proximo-vestibular-624512.shtml;
Brasil Atual: Alunos de Obstetrícia da USP paralisam aulas em defesa do curso - http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/obstetricia_estudantes_protesto.mp3.
A USP também noticiou que terá ainda este ano um vestibular para Graduação em Saúde Pública, c/ 40 vagas - vespertino, c/ duração de oito semestres - saibam mais aqui.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Andamento das discussões sobre o Curso de Graduação em Obstetrícia, da EACH-USP


Alguns veículos de informação noticiaram o andamento das discussões sobre o Curso de Graduação em Obstetrícia, da EACH-USP, confiram nos links:
Diretoria da EACH faz reunião c/ deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - http://each.uspnet.usp.br/site/noticia.php?id=1002;
IG - Diretoria da USP Leste promete manter n° de vagas, por Cinthia Rodrigues - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/diretoria+da+usp+leste+promete+manter+numero+de+vagas/n1300024579440.html;
G1 - Diretor da USP Leste promete manter vagas e lutar por curso de obstetrícia - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/04/diretor-da-usp-leste-promete-manter-vagas-e-lutar-por-curso-de-obstetricia.html;
Estadão - Diretoria da USP Leste diz que manterá vagas - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110405/not_imp701761,0.php.
Leiam, ainda, a Carta Aberta da Rede Parto do Princípio contra o fechamento do Curso de Obstetrícia da USP Leste - http://www.partodoprincipio.com.br/obstetriz-carta.html.
Para finalizar, um lindo e emocionante relato da obstetriz Ana Cristina Duarte, formanda da 1a. turma do curso:
Porque obstetriz, ou, O que você tem a ver com isso?

Entenda a opção pela obstetrícia. E se puder, apóie a causa.
Meu nome é Ana Cristina Duarte. Coordeno o GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (www.maternidadeativa.com.br).
Sou obstetriz formada pela USP-EACH.
Quando decidi me dedicar ao atendimento de mães e bebês, já casada, dois filhos, vida estabilizada, eu poderia ter trilhado qualquer caminho que quisesse, qualquer carreira. Mas eu esperei por alguns anos, perseguindo a Profª Dulce Gualda em todos os eventos de Humanização para saber quando sairia o prometido curso de obstetrícia da USP. No tempo em que esperei o curso sair, eu poderia já ter completado um curso de enfermagem! Mais dois semestres e algumas horas de estágio, eu já poderia ser enfermeira obstetra. Mas não era o meu sonho. Eu não me via como enfermeira, eu não queria estudar doenças, hospitais, cuidado com idosos, crianças, UTI, procedimentos, cardiologia, oncologia, sistematização do processo de cuidar, antes de me dedicar à minha paixão.
Eu queria estudar a mulher, seus processos, a gravidez, seus partos, seus bebês. Eu queria reinventar o cuidado na gravidez, parto e pós-parto. Eu queria pensar em como cuidar da mesma mulher desde o resultado do exame de gravidez, até ela estar amamentando seu bebê. Eu queria estar com ela desde o início, até o fim do processo. Com a mesma mulher, na sua família, na sua casa, no seu contexto social, emocional, afetivo. Eu me via assim, parteira. Eu não me via assim, antes enfermeira, depois especialista. Questão de identidade pessoal com uma carreira que já existe internacionalmente e já existiu no Brasil!
Quando o curso saiu para o vestibular de 2005, eu devo ter sido a primeira a me inscrever! Foram quatro anos de dedicação. Quatro anos estudando tudo o que se refere à mulher, nesta fase da vida. Tínhamos na ponta da língua tudo o que era normal e o que era anormal. Normal na média, normal fora da média, anormal. Exames, diagnósticos, sintomas. Equipe multidisciplinar, UBS, alto risco, baixo risco. Fisiologia, anatomia, nutrição, sociologia, psicologia. Mecanismos do parto, manobras, posições, apresentações, distocias, eutocia. Intervenções, estatísticas, saúde pública e privada. Filmes de parto entre técnicas de esterilização. Parto na água entre elaborações de escala.
Sacolejando em trens ou parados na Marginal Tietê ao final de um dia cansativo, nós sobrevivemos a quatro anos de intenso treinamento focado na assistência humanizada, segura e baseada em evidências no ciclo da gravidez, parto e puerpério.
Foram quatro intensos e difíceis semestres de estágio, porque ainda não existem campos de estágio onde a mulher seja vista e tratada como nós, alunos, havíamos aprendido na escola. Mas ainda assim pudemos atender muitos partos, consultas de pré natal, consultas de pós parto, em ambulatório e domicílio. Massagem nas costas e partograma, palavras de incentivo, acocorar no banheiro, abraçar, controlar a dinâmica e o gotejamento (desse não pudemos escapar). Proteção do períneo, clampeamento tardio (quando conseguíamos), contato pele-a-pele (quando transgredíamos).
Tivemos um excelente curso, que certamente poderia ser melhor (tudo pode ser sempre melhor) e que desde então vem sendo melhorado ano a ano, com novas disciplinas, reestruturação da grade, adaptação a exigências. Formamo-nos obstetrizes competentes e sedentos por trabalhar na assistência. Não queremos ser enfermeiros, nem médicos, nem psicólogos. Queremos trabalhar na assistência à saúde da mulher durante a gravidez, parto e puerpério. Apenas obstetrizes, como existem em todo o mundo sob os curiosos nomes de sage-femme, midwife, matrona, partera, hebamme, ostetrica, obstetrix, llevadora. Não estamos reinventando a roda e não negamos a importância de todas as outras profissões que existem.
Quero apenas continuar fazendo o que amo: assistência dentro de equipe multidisciplinar, com parceiros obstetras, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, doulas, educadoras, pediatras e muitos outros. Quero continuar parceira respeitosa e privilegiada desses maravilhosos médicos e enfermeiras obstetras que têm nos dado os braços nessa longa jornada pela melhoria da assistência à saúde no Brasil. Mas não quero ser enfermeira nem médica. Eu sou obstetriz.
Neste momento o primeiro e único (por enquanto) curso de formação de obstetrizes do país está sob ameaça. A USP pretende encerrar as vagas para a carreira já no próximo ano. A justificativa é que o COFEN (Conselho Federal de Enfermeiros) não nos reconhece como enfermeiros (que não queremos ser), bem como não mais reconhece a profissão obstetriz, apesar dela ser mais antiga que a enfermagem obstétrica. A proposta oficial da USP é "Fundir o curso de obstetrícia com a enfermagem", ou seja, aumentar um pouco o número de vagas para Enfermagem no vestibular e extinguir de vez a Obstetrícia.
Esse é o começo do fim. Sem vagas, sem alunos. Sem alunos, sem curso. Sem curso, sem carreira. Sem carreira, sem obstetrizes. Mesmo as que existem serão como solitárias andorinhas voando sem um bando. Sem fazer verão. Sem mudanças no cenário. Continuaremos como era antes, o que não era nada bom. Para impedir que isso aconteça, é necessária muita pressão da sociedade e é isso que estamos tentando fazer. Para isso peço sua ajuda neste momento.
Assinando nossa petição, manifestando nela a sua opinião, vamos mostrando que o curso não é uma manifestação de 250 alunos e 150 obstetrizes formados. Não estamos falando mais de um vestibular, nem de alguns formados a procurarem uma nova carreira. Assinando e manifestando repulsa a essa amputação proposta pela USP, mostramos que o curso e seu ideário são uma manifestação da sociedade por um mundo melhor, por uma forma diferente e justa de se gestar, nascer, dar à luz e amamentar seus filhos, que seja acessível a todas as mulheres. A obstetrícia não diz respeito a obstetrizes, enfermeiros, médicos, USP, CFM ou COFEN. A obstetrícia diz respeito à vida de todos e ao futuro dos nossos filhos.
Para assinar nossa petição: clique em http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452
Basta nome e RG, mas você também pode deixar uma mensagem de apoio. Não precisa preencher os outros dados.
Assinaturas já recolhidas (7800 na última visita): http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/8452/?show=500
Vídeo da Manifestação de apoio ao curso de obstetrícia da USP:
http://www.youtube.com/watch?v=-lq3BqQ6DT0
Reportagem da Globo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1470143-7823-ALUNOS+DA+FACULDADE+DE+OBSTETRICIA+DA+USP+FAZEM+PROTESTO,00.html
Reportagem no blog da fotógrafa Bia Fioretti:
http://maesdapatria.wordpress.com/2011/03/27/forca-obstetriz-uma-essencia-da-profissao/
Grupo de Apoio no Facebook:
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_149118918485370
Blog Obstetrizes Já:
http://obstetrizesja.blogspot.com/
Grata pela colaboração! E assine a petição, clicando aqui: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8452

segunda-feira, 28 de março de 2011

Blogagem Coletiva - Carta de Apoio ao Curso de Obstetrícia da EACH-USP

A semana que passou foi intensa contra a redução do n° de vagas para o único curso de graduação que temos em Obstetrícia, pela Universidade de São Paulo-USP, campus Zona Leste, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades-EACH.
Contamos c/ um abaixo-assinado que circulou pelas redes afora e duas manifestações - na Reitoria da USP e no MASP, ambas na capital paulista. Mulheres c/ seus filhos/as, nascidos/as pelas mãos de obstetrizes, profissionais, estudantes, alunos/as recém formadas em Obstetrícia clamaram NÃO a esta decisão anti-democrática, c/ vozes e peitos de fora!
Movimentação linda de se ver!
Pela internet muito se falou sobre o assunto, e, nós do Blog Parto no Brasil noticiamos diariamente as novidades e imagens desses atos, c/ orgulho e felicidade (e indignação, claro!).
Abaixo publicamos uma Carta Aberta em apoio ao curso de Obstetrícia, redigida e compartilhada na web e redes sociais, c/ assinaturas de outros veículos de comunicação virtuais, entidades e apoiadores da causa, pelo direito de partejar e nascer c/ respeito!
Publiquem em seus sites/blogs!!!
CARTA DE APOIO AO CURSO DE OBSTETRÍCIA DA EACH-USP
Nós, mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), mães, profissionais das mais variadas áreas e entidades afins declaramos nosso apoio ao Curso de Obstetrícia da Escola de Artes e Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo – EACH-USP, que terá seu número de vagas reduzido e corre o risco, inclusive, de ser fechado, visto que o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) não reconhece a categoria e a USP por pressão e intimidação se posicionou em seu Relatório Estudos das Potencialidades, Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da Escola de Artes e Ciências e Humanidades da USP considerando reduzir mais de 300 vagas, de diversos cursos.
Com indignação clamamos e lutamos contra esta ação, visto que o curso é o único no País a formar obstetrizes centradas nos cuidados integrais relacionados à saúde da mulher, especialmente em um momento único como o parto e nascimento de um filho, que é visto pelos atuantes deste ofício como algo fisiológico, próprio do corpo feminino, tendo a mulher como protagonista.
Uma formação desta magnitude é uma inovação, dado que o Brasil apresenta elevadas taxas de cesarianas eletivas, alcançado patamares como o 2º. País com os mais altos índices, seja no sistema público de saúde (cerca de 45%), ou no privado (cerca de 90%), mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar um percentual de 15%, assim uma profissão centrada nas especificidades que uma gestante necessita é um ganho para a sociedade e para as futuras gerações, além do mais que já é uma vitória ter o Curso de Obstetrícia reaberto após 30 anos de sua exclusão, ocasionando cenários de violência institucional no atendimento ao parto e nascimento em várias regiões brasileiras, tratando os corpos femininos como templos do saber médico.
Pela continuidade do Curso de Obstetrícia da EACH-USP, pelo reconhecimento de nossas obstetrizes e pela arte de partejar!
Abaixo-assinamos,
Nome das entidades/grupos/coletivos/sites/blogs:
- Blog A Bolsa da Doula - Patrícia Merlin
- Aldeia Materna
- Blog Buena LecheCláudia Rodrigues
- Blog Parir é Natural - Carla Andreucci Polido
- Blog Parto no BrasilAna Carolina A. Franzon & Bianca Lanu
- Blog Mamãe Antenada - Pérola B.
- Blog Mães Empreendedoras - Vanessa Rosa
- Blog MaternAtiva - Denise Cardoso
- ciadasmães
- Gesta Paraná - Patrícia Merlin
- Grupo Curumim - Paula Vianna
- Hugo Sabatino
- Kika de Pano - Bruna Leite
- Mamíferas - Kalu Brum
- Umbiguinho Slings
- What Mommy NeedsCarolina Pombo
- Yoga para Gestantes - Anne Sobotta
24 de março de 2011.

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