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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um post histórico da Associação El Parto es Nuestro

Supremo Tribunal espanhol condenou a Comunidade de Madri e a administração sanitária a pagar INDENIZAÇÃO por SEQUELAS DE EPISIOTOMIA a usuária de hospital.


Para ter seu bebê, essa mulher precisou envolver-se com o poder desmedido e a soberba, e tornou-se vítima de Violência Obstétrica - e ELA NÃO ESTAVA ERRADA. Ela estava parindo!

Os 200 mil EUROS da indenização não vão devolver a paz de espírito e a integridade corporal desta mulher. Mas eles servem para provar a todXs nós que ELA NÃO ESTAVA ERRADA.

Essa é uma vitória para todo o movimento de mulheres, em defesa do direito à saúde e autonomia.

Acesse e compartilhe: http://www.elpartoesnuestro.es/blog/2012/10/26/la-comunidad-de-madrid-condenada-pagar-una-mujer-una-indemnizacion-de-200000-euros-por-las-secuelas-que-le-quedaron-tras-practicarsele-una-episiotomia-durante-el-parto-en-el-hospital-gregorio-maranon

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Episio não!

Este post foi motivado principalmente pela dúvida de uma leitora do blog Parto no Brasil.

"Eu gostaria de saber se vcs conhecem mulheres que usaram o EPI-NO, um instrumento à pressão usado para trabalhar o períneo de grávidas. Se vale a pena ter." 


Pessoalmente, não tinha recordações sobre tal aparato tecnológico. Fui ao Google. E então, prontamente direcionada ao ótimo blog da fisioterapeuta e doula Renata Olah. De lá, parti para o link de um comentário: 


Pois trata-se de um site da empresa que vende EPI-NO no Brasil. O aparelho promete tonificar o assoalho pélvico, portanto, trata especificamente de trabalhar com períneo íntegro, lesão espontânea ou episiotomia. Então, vamos observar como as coisas estão organizadas em nossa sociedade, para nós e o nosso corpo.

Os filmes explicam que o objetivo é obter um volume similar ao tamanho da cabeça de um bebê. Observem a reação com o tamanho do balão no primeiro filme, com mulheres dos EUA; já o varão no vídeo abaixo, não infla o produto da mesma maneira, o mantém em menor proporção. 



Fora do universo engajado na humanização, não raro, a episiotomia é defendida como salvadora das entranhas das mulheres, sem a qual todas se destroçarão. Neste mesmo mundo perverso, a cesárea, muitas vezes, é vendida como instrumento cirúrgico de preservação da integridade física do períneo das mulheres - não só durante o parto, mas meses após, para sempre "lesionadas" pela elasticidade do expulsivo? 

Voltando ao site do EPI-NO, encontramos as seguintes informações:

Episiotomia
Pequena incisão realizada no períneo que permite ao feto sair mais facilmente no final do período de expulsão.
Sexualidade no pós parto
Um dos aspectos mais importantes da recuperação pós parto é a “reconciliação” com o seu próprio corpo, especialmente com a zona genital. Depois do parto, o retorno da vagina às suas dimensões normais e consequentemente a qualidade das relações sexuais, está ligada à tonicidade do períneo.
Caso tenha sido um parto via vaginal, deve ter presente o risco de infecção na episiotomia, que deve estar cicatrizada antes de o casal iniciar as relações sexuais. Na prática, a episiotomia pode provocar dor, ardor e incômodo na relação, uma vez que sendo uma região húmida, dificulta a cicatrização.

Pequena incisão? Sair mais facilmente? Pode provocar dor, ardor, incômodo na relação? Acorda Alice! Ou, levante-se mulher! Qualquer corte cirúrgico dói! E torna cicatriz! 

Então qual é a charada? - "Qual é a polêmica com a episiotomia?" - como perguntou certa vez uma acadêmica de enfermagem durante palestra de Mary Zwart no interior do Paraná, me provocando risos.

A resposta está no eixo do seu corpo, mulher - é vertical ou horizontal.


Com liberdade de posição ou presa ao protocolo do profissional que está á sua frente.
Com respeito ao tempo da fisiologia ou com alarme programado, "porque, depois que vai para a litotomia, tem que nascer em 15 minutos" 



Acompanhante engajado, doula, água quente, massagem, assistência profissional especializada, hands off. Eles te ajudarão a proteger teu períneo. E especialmente o teu autocuidado em realizar os exercícios. Recomendo esta versão, da Cartilha Fique Amiga Dela, de Simone Diniz - minha orientadora, com muito prazer, líder do Grupo de Pesquisa CNPq Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP). Na página 15.

É tão incoerente esta atitude de valorização da tecnologia acima de qualquer coisa. E quando este valor é somado ao "medo do parto normal" (e é de dar medo mesmo, eu tenho muito medo de violência verbal, kristeller, episiotomia, fórceps, assistência técnica de má-qualidade, tudo isso sem analgesia) - pimba! 52% de "parto cesáreo" e períneos íntegros. E, hoje à noite, o Prof. Dr. Zugaib vai falar 45min sobre "A Cesárea nos Dias Atuais", durante lançamento do livro Ética em Ginecologia e Obstetrícia.


Exercícios para músculos do assoalho pélvico devem ser praticados por todas as pessoas. Muito especialmente por aquelas que se cuidam, e que estiveram grávidas, independente da via de nascimento dos filhos.

A leitora é que está certa. Buscando informação para melhorar, prevenir o que for possível. Alguém tem experiência que possa compartilhar?

sábado, 12 de março de 2011

Multimídia Parto no Brasil - Episiotomy Stopper


_Tradução livre_
Introduzindo o novo
Rolha de Episiotomia (TM)
Você está dando a luz num hospital?
Tem escrito um plano de parto, mas acho que seu médico pode ser "cortado feliz"?
Então você precisa de uma rolha de episiotomia (TM)
Simplesmente explodi-los
E ter o pai-de-ser colocá-las em!
E deixar que cortam!
Oops! Derrubou seu bisturi com minhas mãos gigantes, mais uma vez!
Hey! Eu posso ver!
Oh! São minhas mãos gigantes no caminho? Eu irei mover uma vez que o bebê termine a coroação.
Parturientes podem desgastá-los muito!
Eu irei mover minhas gigantes mãos infláveis quando você abaixar seu bisturi e voltar atrás!
Agora com designer colorido!
By www.mamaiscomic.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cegueira de gênero: corta tua vagina senão te rasgarás.

Breve revisão de pesquisas sobre Episiotomia
Definição: Alargamento cirúrgico do orifício vaginal, por meio de uma incisão no períneo, durante a última parte da segunda etapa do parto (expulsivo).
Motivos sugeridos para sua realização: prevenção de roturas perineais severas; preservação do assoalho pélvico e períneo; aumentar o diâmetro vaginal de modo a facilitar o nascimento; promover facilidades de reparo.
Efeitos adversos relacionados à episiotomia: extensão da incisão; cicatrização anatômica insatisfatória; dor; edema; outras complicações como sangramentos; infecção e formação de abscesso. Custos de procedimentos e materiais também devem ser considerados.
Estudo com mais de 6 mil mulheres descobriu que o primeiro determinante para o uso da episiotomia refere-se ao prestador do cuidado obstétrico; e não às características das pacientes. Pesquisas encontraram as mais altas taxas de episiotomia entre médicos do sistema privado de saúde; e também entre mulheres com 30 anos ou mais, brancas, casadas, primeiro filho e com mais de 12 anos de formação escolar.
Outra pesquisa considerou mais de 5 mil mulheres em dois grupos: que tiveram episio de rotina e outro de uso restrito. O primeiro grupo teve episio em 75% dos partos, contra 28% do grupo de uso restrito. Os benefícios citados na política de uso restrito incluem: menos traumas perineais graves; menos suturas; e menos complicações no sétimo dia de recuperação. Não houve diferença na dor; incontinência urinária; sexo dolorido; ou trauma vaginal/perineal severo após o nascimento.
Também foi cientificamente comprovado que, quando a episiotomia é feita no primeiro parto vaginal de uma mulher, fica aumentado o risco de existirem lesões espontâneas em seus partos subseqüentes. 51% de um grupo de mulheres que têm em seu histórico uma episio, tiveram lacerações espontâneas em partos posteriores. Em comparação, entre as que têm histórico de lacerações naturais, apenas 27% delas repetiram a lesão. Este estudo conclui que, para prevenir uma única lesão espontânea grave, o obstetra deve realizar outras 32 episios desnecessárias. Também concluíram que, em partos de primíparas, a realização da episiotomia é ineficaz na prevenção de lesões espontâneas de 3º e 4º graus.
Estas pesquisas evidenciam que há uma variedade de motivações o uso da episiotomia; e que elas se baseiam principalmente em opinião médica. As informações hoje disponíveis, em conjunto com a opinião médica, sugerem que não há evidências suficientes para a recomendação do uso rotineiro de episiotomia.
Fonte:
http://www.npic.org/Services/Sample_V093_Incidence_of_Episiotomy_Analysis.pdf
Enviado pela professora dra. Simone Diniz (FSP/USP), na qualidade de orientadora de mestrado. Pois é, bem-vinda vida nova!
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O trecho em destaque é um exemplo do que, nos Estudos de Gênero, é chamado “viés de gênero” ou “cegueira de gênero”. Aquela pesquisa concluiu que não houve diferenças na sensação de dor no pós-parto comparando mulheres que tiveram partos com e sem episio. Foram avaliadas mais de 5 mil mulheres, um estudo super respeitado; mas que, ao desconsiderar a transversalidade das questões de gênero, deixa de compreender uma série de fatores que também são parte de um todo – que é fato de que somos nós mulheres quem parimos.
Para saber mais sobre cegueira de gênero e parto, acesse o artigo Gênero, Saúde Materna e o Paradoxo Perinatal, de Simone Diniz.
Para saber mais sobre episio, acesse: http://www.rituaismaternos.com/episiotomia/, de Maria João.
Compare com as informações disponíveis na Enciclopédia Ilustrada de Saúde.
Esta é uma escolha que deve ser sua.
Ilustração de Natascha Rosenberg, Childbirth.
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Não quer episio? Converse e muito com o profissional que vai te prestar a assistência ao parto.
Para evitar lacerações naturais, busque informações sobre como controlar a vontade de expulsar seu filhote neste momento que é tão .... (muitas palavras): único; transcendental; enérgico; apaixonado; e fisiológico – que é momento exato do nascimento. Converse com todos os que estarão te acompanhando neste momento, e peça que te ajudem a trabalhar contra o excesso de força típico deste momento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O corte por cima e o corte por baixo


“Se eu fosse mulher já teria, sei lá, pegado em armas, porque é muita violência... Ela vai para a maternidade e ou lhe fazem um corte na barriga, desnecessário na maioria das vezes, ou no períneo. De todo jeito alguém vai atacá-la com uma faca” Álvaro Atallah (Lattes), do Centro Cochrane do Brasil, em seminário (Práticas Obstétricas Baseadas em Evidências), no Instituto de Saúde de São Paulo, 1999.
Dias atrás, conheci uma mulher que teve seu primeiro filho por um parto "natural" que a traumatizou. Aconteceu há mais de dez anos, nos EUA, segundo ela, num centro de referência para o parto natural, todo "estiloso-natureba". O TP foi longo, a episio infeccionou. Foram mais de seis meses de tratamento da cicatriz. Advinha como nasceu o segundo filho? Em Florianópolis, cidade que é referência para os partos natural, domiciliar e vertical, ela teve dificuldades em encontrar um GO que topasse marcar a data da cesareana. "A recuperação foi bem melhor!", disse ela enfatizando muito o "beeeeeem melhor". É o tipo de encontro que nos faz rever todo o cenário do parto. Eu fiquei imaginando quantos meses mais foram necessários para tratar "da alma" daquela mulher da episio infeccionada... e o que o corte passou a simbolizar para esta mulher ainda não cicatrizou. Nesse climão pesado de violência contra as mulheres, e sobre o assunto do "corte por cima ou corte por baixo", indico a leitura do artigo da profa. Simone Diniz da Faculdade de Saúde Pública - FSP/USP: http://www.mulheres.org.br/rhm1/revista1/80-91.pdf, que é de onde tirei a citação do Atallah. Também indico o vídeo que a Bianca encontrou no Youtube, de um parto tenebroso, e infelizmente, ainda comum. Acesse: http://www.youtube.com/watch?v=_7BkISrU1Tg&NR=1

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