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sábado, 14 de julho de 2012
Multimídia Parto no Brasil - Parto Ativo na nMagazine
Neste sábado de sol pela Ilha de Cananéia (viva!!!), c/ direito a Arraiá à noite, compartilho a entrevista de Janet Balaskas a nMagazine, sobre Parto Ativo!
Fonte: http://issuu.com/nmagazine/docs/partoativo?mode=window&backgroundColor=%23222222
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Post Extraordinário - "Não aceite deitada": Janet Balaskas e o Parto Ativo
Sim! Não estamos sós...
Nesta quinta, o grupo terá o prazer de acompanhar Janet conduzindo um Workshop de Parto Ativo para casais, atuando no empoderamento para um parto natural, ativo e consciente, da mãe, seu companheiro, e sua família.
O post de hoje é só um tira gosto do que pretendo subir para o blog, e, aproveito, ainda, para compartilhar o relato "Janet Balaskas ministra curso sobre parto ativo", da jornalista, doula e instrutora de Yoga Adriana Vieira, lá das bandas do marzão de Santos/SP, e, também, divulgar a formação do 3o. Módulo - Parto Ativo com Yoga, que acontecerá entre 28 a 30 de abril, na Pousada Varshana, na área metropolitana de Curitiba.
Apreciem a publicação autorizada "Manifesto pelo Parto Ativo", de Janet Balaskas, escrito em 1982, que comemora neste mês de abril 30 anos, e confira a entrevista que o Blog Parto no Brasil teve o prazer de realizar c/ a autora de Parto Ativo: guia prático para o parto natural, em abril de 2011 - aqui!
Fotos de Bianca C. Magdalena.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Agenda Parto no Brasil destaca
O nosso destaque da semana é a vinda de Janet Balaskas, educadora perinatal e autora de "Parto Ativo", que chega pela 2a. vez ao Brasil e inicia no dia 11, no Rio de Janeiro/RJ uma série de eventos, entre palestras, vivências e workshops!
Neste 1o. encontro, Janet irá abordar um tema fundamental neste nosso atual cenário obstétrico - as altas taxas de cesariana no Brasil.
Dia 11, às 20 horas, na PUC-RJ, no Auditório America Express - Campus Gávea - valor promocional p/ inscrições antecipadas, e doulas que tiverem cinco gestantes inscritas ganham a sua inscrição!
Mais informações acessem - http://partoativobrasil.com.br/
quarta-feira, 28 de março de 2012
Agenda Parto no Brasil
Compartilhamos em nossa agenda semanal alguns poucos eventos, entre eles o encontro p/ gestantes do Grupo MadreSer, que encerra o mês de março, e outros p/ meados de abril!
Destacamos, também, a vinda de Janet Balaskas p/ o Brasil, novamente, p/ diversas atividades e palestas, pelo Parto Ativo Brasil, que se iniciam em 11 de abril, no Rio de Janeiro/RJ - informações aqui!
quinta-feira, 1 de março de 2012
Afirmações para a gravidez e o trabalho de parto - afirmações para Yoga e Parto Ativo
O post de hoje compartilha uma série de mentalizações para serem feitas durante a gestação e o trabalho de Parto, segundo a Educadora Perinatal e autora de Parto Ativo, Janet Balaskas.
A partir de abril o Parto Ativo Brasil trará Janet p/ o Brasil e teremos uma série de atividades imperdíveis!
Abaixo, as afirmações:
• Minha gestação é natural, normal, vibrante e saudável
•Meu corpo está nutrindo e protegendo meu bebê perfeitamente
•Meu bebê é puro, sagrado e inocente
•Meu bebê percebe tudo
•Estou aprendendo a relaxar mais e mais a cada dia
•Estou calma e tranquila, meu bebê sente minha tranquilidade
e compartilha dela
•Quanto mais me afasto do medo, mais relaxada eu fico e
menos dor eu sinto
•O Universo apóia e guia a mim e a meu bebê
•Eu posso me comunicar com o espírito do meu filho agora,
durante o trabalho de parto e após o parto
•Estou me preparando para um parto calmo e confortável
•O nascimento é um momento de prazer e não há nada a temer
•A respiração e a confiança se combinam para criar uma
experiência de nascimento estática e maravilhosa
•O parto é seguro e natural
•Cada onda, ritmo e movimento do meu corpo me leva para mais
perto do nascimento do meu bebê
•Meu bebê sabe como e quando nascer
•A cabeça do meu bebê se encaixa do interior de minha pélvis
perfeitamente
•As minhas ondas de contração uterina estão massageando e
abraçando meu bebê
•Meu bebê vai descendo suave e facilmente
•Meu corpo se amolece e se abre facilmente à medida que meu
bebê desce
•Confio em meu corpo
•Meu corpo sabe como parir
•Tenho muita força e energia
•Eu consigo
•Eu estou me entregando
•Eu me entrego ao milagre que acontece em meu corpo
•Eu posso respirar e transformar esta energia em prazer
•Minha vagina e meu períneo se expandem e se abrem como uma flor
para deixar meu bebê nascer
•A ajuda está lá se precisarmos – estamos seguros
•Gosto de pensar que você vem de mim , pensar em segurá-lo
em meus braços, pensar em olhar em seus olhos.
•Eu amo você
Por www.activebirthcentre.com
– jb@activebirthcentre.com
sábado, 25 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Texto inédito: Os Benefícios Comparativos de um Parto Ativo, por Janet Balaskas
O Blog no Brasil compartilha nesta segunda-feira, c/ grande satisfação, um texto inédito, de 2001, traduzido por Talia Gevaerd de Souza, da educadora perinatal inglesa, Janet Balaskas, sobre os benefícios de uma gestante ter um parto ativo.
Janet também é autora do livro "Parto Ativo: guia prático para o parto natural" - disponível em nossa Loja Virtual, além de coordenar o Active Birth Centre, e estará no Brasil novamente, em abril, p/ palestras, imersões e encontros, nos Estados do Rio de Janeiro e Paraná! Confiram no site Parto Ativo Brasil a agenda e as inscrições.
Apreciem, ainda, a entrevista que fiz c/ ela, em 2011, no 1o. módulo em Parto Ativo, em Curitiba/PR, e a publicação autorizada do Manifesto pelo Parto Ativo!
Os Benefícios Comparativos de um Parto Ativo
Janet Balaskas
Posições Verticais - Cócoras, de pé, de joelhos
* Atuação eficiente da gravidade
O peso da cabeça e do corpo do bebê fazem pressão por igual e vinda de cima sobre o colo do útero, o que resulta em uma dilatação mais rápida.
* O útero pende para frente durante as contrações
Quando a mãe inclina o tronco para frente, isto pode acontecer sem resistência. As contrações então são mais eficientes, e com menos dor.
*Não há pressão sobre as artérias e veias
Inclinar o tronco para frente permite melhor fluxo de sangue para o bebê e a placenta, e melhor oxigenação. Portanto, há menos risco de sofrimento fetal.
*O sacro está móvel
O canal pélvico pode se alargar e se ajustar ao formato da cabeça do bebê.
*As articulações da pélvis podem se expandir
Menos pressão nas articulações diminui a dor (principalmente das costas). Mais espaço, já que aumentam as proporções pélvicas internas.
Segundo estágio – o parto
* Pélvis na vertical
O ângulo de descida do bebê é o mais fácil – para baixo e para fora.
O útero pode aplicar o máximo de sua força, tornando o esforço para parir mais eficiente, e diminuindo o tempo do segundo estágio.
*O períneo expande uniformemente
Diminui o risco de lacerações.
*O bebê no nascimento está em ótimas condições quando o parto é ativo
Menor necessidade de anestesia, analgesia e intervenções, o que reduz o risco de efeitos colaterais. A mulher se sente orgulhosa, com poder e satisfeita.
Mantendo-se em posição vertical para o terceiro estágio - a saída da placenta
*A gravidade ajuda na separação e expulsão da placenta e na retração do útero, reduzindo a necessidade de sintometrina (no Brasil, é usado atualmente apenas a ocitocina pura)
*Os fluidos são drenados eficientemente do útero, reduzindo o risco de infecção.
*Fica fácil posicionar bem o bebê para a primeira mamada. Sugar o peito estimula o útero a contrair e reduz a perda de sangue.
Posições Reclinadas - Semi-reclinada, supina
*Oposição à gravidade
Menos pressão do peso do bebê sobre o colo do útero. Pressão desigual no colo uterino leva `a dilatação mais lenta e maior propensão a um ‘lábio anterior’ (pedacinho do colo uterino que ainda falta dilatar)
*O útero trabalha contra a gravidade
Estas posições se opõem à gravidade, e a resistência resultante torna as contrações menos eficientes e mais dolorosas.
*O peso do útero comprime as artérias e veias
Pode comprometer o fluxo sanguíneo para o útero, aumentando o risco de sofrimento fetal.
*O sacro está imóvel
Com o peso da mãe sobre o sacro, a passagem pélvica fica mais estreita.
*Pélvis menos móvel
Maior pressão sobre os nervos aumenta a percepção da dor. Menos espaço para o bebê, já que diminuem as proporções internas da pélvis.
Segundo estágio – o parto
Pélvis na horizontal
*O ângulo de descida do bebê é mais difícil – para cima
A força feita para parir se mostra menos eficiente, prolongando o segundo estágio.
*O períneo não pode expandir uniformemente
A cabeça do bebê faz pressão direta sobre o períneo, e o risco de laceração aumenta.
*O bebê no nascimento pode estar comprometido caso o parto seja passivo
Maior necessidade de analgesia, anestesia e intervenções, com possíveis efeitos colaterais.
Deitar-se após o parto
*Separação e expulsão da placenta menos eficientes. Retração mais lenta do útero pode criar a necessidade de sintometrina (no Brasil, atualmente se usa ocitocina pura) para prevenir perda de sangue excessiva.
*Os fluidos tendem a represarem no útero, aumentando o risco de infecção.
*Fica mais difícil posicionar bem o bebê para amamentá-lo.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Parto no Brasil entrevista Janet Balaskas - Abril de 2011
Com imensa satisfação que publico a entrevista inédita que a educadora perinatal inglesa, Janet Balaskas, cedeu ao Blog Parto no Brasil em Curitiba, PR, no dia 17 de abril, na Formação Profissional em Parto Ativo, pelo Espaço Aobä.
Um domingo inesquecível que com certeza ficará na memória ao ver aqueles lindos olhos verdes tão expressivos daquela incrível mulher que clamou que nós mulheres precisamos de parteiras! A entrevistadora aqui (rs) não se conteve e confirmou: "Simmm!!!".
Confiram abaixo!
(re)Leiam também outros posts sobre Janet:
Anotações da Formação Profissional em Parto Ativo, c/ Janet Balaskas;
Parto Ativo: a História e a Filosofia de uma Revolução;
Manifesto pelo Parto Ativo, por Janet Balaskas.
Baixe partes de Parto Ativo: guia prático para o parto natural - aqui! Ou adquira em nossa Loja Virtual - aqui!
PARTO NO BRASIL Já falamos do Parto Ativo e do teu trabalho no Blog Parto no Brasil, e eu queria que você contasse p/ nós como que o Parto Ativo é mais do que uma aplicação do Yoga na gestação e posturas verticais no trabalho de parto/parto, mas sim uma filosofia, um novo paradigma de atenção obstétrica?
JANET R: É fisiológico p/ a mulher que ela tenha liberdade de se movimentar durante o trabalho de parto e parto, e que ela tenha um ambiente onde ela possa ter o parto de forma fácil e de forma natural, mesmo que a princípio seja uma questão de se manter vertical, a diferença entre ficar em uma postura vertical e ficar deitada, é que deitada a mulher fica passiva e ela perde o poder. Ela está vulnerável às intervenções das outras pessoas. Ela perde a privacidade e a sua dignidade. Ela também perde muitas vantagens, como por exemplo, melhor fluxo sanguíneo do bebê p/ a placenta, mais possibilidades do seu corpo se abrir, e todo o processo do parto é mais fácil quando a mulher pode seguir seus próprios instintos. Quando a mulher segue seus próprios instintos ela sabe exatamente como parir seu bebê. Esse é um conhecimento instintivo de todas as mulheres, que todas as fêmeas de mamíferos tem. O bebê também tem reflexos inatos, ele sabe como nascer, e, eu sempre falo p/ as mães que o corpo delas foi perfeitamente desenhado p/ darem conta de parir um bebê. O corpo foi perfeitamente desenhado p/ conceber o bebê e nutrir o bebê na gravidez, assim como dar à luz e nutrir o bebê depois. Isso é algo que as mulheres sabem fazer, então o Parto Ativo reconecta a mulher c/ suas habilidades instintivas de ser mãe e de dar à luz. Porque quando tem intervenções médicas desnecessárias, essa cadeia de eventos fisiológicos fica interrompida. É um desenho da natureza muito delicado, e envolve uma liberação hormonal especial, e quando nós usamos uma intervenção médica sem ter a necessidade real inibimos a liberação desses hormônios naturais. Quando uma mulher está assustada, ou ela está ansiosa, também a liberação desses hormônios fica inibida. Então, o objetivo principal do Yoga no Parto Ativo é permitir que as mulheres possam relaxar e liberar medo e ansiedade, que elas acreditem mais na capacidade de dar à luz, daí elas querem que este evento aconteça, porque vai ser uma das experiências mais maravilhosas da vida delas. E, foi assim que a natureza desenhou o parto, é um momento importante na vida da mulher, um momento de desenvolvimento, e é o nascimento de uma criança. Nós não deveríamos deixar isso ser levado, tirado de nós e de nossos bebês, ainda mais porque o Parto Ativo é mais fácil e mais seguro, e ele é totalmente baseado em estudos e evidências de que é assim mesmo que deveria ser. È preciso achar um novo equilíbrio, onde a maioria das mulheres que estão saudáveis possa dar à luz de forma natural e normal, no ambiente certo, onde a ajuda obstétrica está lá para os casos mais difíceis, quando realmente é necessário. A natureza não é perfeita, nós precisamos da Obstetrícia moderna, e nós precisamos de obstetras competentes, mas não p/ o parto normal, p/ o parto normal nós precisamos de parteiras!
PARTO NO BRASIL Como esse modelo de Parto Ativo poderia ser aplicado como uma Política Pública num País como o nosso, com elevadas taxas de cesárea, que correu o risco agora de perder o curso de Obstetrícia, o único do País, da USP, e como que esse modelo poderia ser transformado p/ todas, porque hoje ainda é p/ poucas, ainda é elitista, p/ quem tem aquisição, p/ quem tem acesso a informação, enquanto a maioria da população fica a deriva?
JANET R: Eu acho que as parteiras e as mulheres tinham que protestar muito contra o fechamento desse curso, porque esse movimento deveria incluir treinamento das parteiras, condições e locais p/ o Parto Ativo acontecer. Eu acho que as mulheres devem ser educadas a respeito disso e que elas devem mesmo exigir essas mudanças nos hospitais públicos. Trinta anos atrás era assim também no Reino Unido, nós fomos p/ as ruas, nós tínhamos passeata, nós fizemos conferências, nós insistimos nos nossos direitos de fato. Isso não é um método, ou uma técnica, esse é o modo com que as mães humanas devem dar à luz, o modo como elas foram desenhadas p/ dar à luz. E vem acontecendo assim há milhões de anos, no mundo todo, c/ todas as culturas, em todos os países, é universal, global, basicamente é a verdade! Então, até que nós tenhamos o Parto Ativo possível p/ todas as mulheres existe um abuso do direito do parto natural, e é preciso encontrar um novo equilíbrio entre a Natureza e a Ciência, de modo que os dois possam nos servir, em nossa Humanidade.
PARTO NO BRASIL Qual é a sua expectativa nos eventos em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e no workshop no dia seguinte?
JANET R: Estou super empolgada p/ ir p/ São Paulo, e empolgada p/ ajudar o curso de Obstetrícia da USP, porque é muito importante que as mulheres tenham parteiras que sejam comprometidas c/ o trabalho, que sejam apaixonadas pelo trabalho, que acreditem e que confiem no poder das mulheres de dar à luz! È muito importante que existam parteiras, esse curso não pode fechar! Estou louca p/ conhecer essas pessoas, pois em São Paulo tem pessoas muito ativas e participantes. Também estou muito feliz pelo workshop profissional em Curitiba, onde encontrei pessoas do Brasil todo super comprometidas e que conhecem muito e que trabalham muito pela melhoria das condições de nascimento no Brasil, então estou muito feliz de estar aqui!
PARTO NO BRASIL E, nós também!!!
* Tradução de Talia Gevard.
Foto de Mario Lima - Talia, Janet e eu após a deliciosa prosa!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
® Uso exclusivo concedido por Janet Balaskas
Parto Ativo - A História e a Filosofia de uma Revolução
Janet Balaskas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
20 de Abril de 2011
Na véspera do feriado prolongado da Semana Santa, a visita da educadora perinatal Janet Balaskas à Faculdade de Saúde Pública da USP lotou o Anfiteatro Paula Souza. Estudantes e pesquisadores, profissionais da obstetrícia, usuários da saúde, e até mães com bebês aproveitaram a oportunidade de conhecer a britânica fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo.
A palestra Parto Ativo, a história de uma filosofia e revolução durou aproximadamente duas horas, durante as quais, Janet Balaskas e sua tradutora falaram de pé, apresentando um belo registro iconográfico. Coordenadora do Active Birth Centre em Londres, Janet compartilhou com o público a história do movimento organizado de mulheres, que há 30 anos, conseguiu denunciar e abolir práticas obsoletas e agressivas na assistência obstétrica da Inglaterra. Algumas destas ainda são rotina nos hospitais brasileiros.
Dois episódios foram marcantes neste processo: em 1982, uma passeata mobilizou seis mil ingleses que foram às ruas de Londres protestar contra as episiotomias de rotina e a imobilização das parturientes no leito. Alguns meses depois, novamente milhares de pessoas participaram de duas Conferências Internacionais pelo Parto Ativo, provocando mudanças significativas na assistência ao parto na Inglaterra.
Na USP, Janet também demonstrou algumas vantagens que os partos normais em posição vertical oferecem, como por exemplo, maior abertura do canal pélvico. Todos os presentes se levantaram para tocar seu próprio corpo e comparar o diâmetro de seu crânio com o de sua pelve, em variadas posições.
Em debate com o público, Janet Balaskas reconheceu no Programa Cegonha uma boa oportunidade para que o Brasil dê um salto de qualidade na atenção ao parto. Isso porque foi informada de que o atual plano de governo prevê investir na construção de 72 Centros de Parto Normal. Estudos recentes defendem que o parto normal – aquele sem o uso obrigatório de drogas ou procedimentos cirúrgicos – tem os melhores desfechos de saúde materna e infantil, sendo indicador da qualidade da assistência obstétrica de um país. Como disse o Ministro Padilha recente passagem pela FSP, esta política também objetiva reduzir a violência institucional no parto, questão que ganhou ampla divulgação na mídia pela pesquisa de opinião Mulheres e Gênero nos Espaços Públicos e Privados (SESC Fundação Perseu Abramo), segundo a qual, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido algum tipo de violência durante o parto.
Por fim, Janet dedicou todo apoio às obstetrizes brasileiras, especificamente às profissionais formadas pela EACH: “All power to the midwives” encerrou. Em seguida, um intenso e prolongado aplauso, com todos de pé, emocionou às lágrimas uma das figuras mais emblemáticas da humanização do parto. Além de todos nós.
Simone Diniz e Ana Carolina Franzon
Fotos: Ana Carolina Franzon
Realização:
Curso de Obstetrícia EACH-USP
Associação de Obstetrizes da USP
Faculdade de Saúde Pública da USP
GEMAS – Gênero, Maternidade, Evidências, Saúde (FSP/USP)
Apoio:
sábado, 23 de abril de 2011
Multimídia Parto no Brasil - Parto no Brasil Entrevista Janet Balaskas
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Anotações da Formação Profissional em Parto Ativo, c/ Janet Balaskas
Hoje compartilho minhas anotações pessoais colhidas durante os três maravilhosos dias que passei ao lado de 30 mulheres e Janet Balaskas, que nos privilegiou c/ tantas e ricas informações acerca do Parto Ativo. Nesta vivência além de conhecermos diversas posturas verticais que auxiliam na dor durante o trabalho de parto/parto, c/ o uso da bola Suiça, também tivemos momentos de relaxamento e respiração c/ o Yoga aplicado à gestantes, no Active Birth Centre, em Londres, além de refeições vegetarianas indianas saboreadas na Associação de Yoga do Paraná (AYPAR), onde tivemos a formação, organizada pelo Espaço Aobä, em Curitiba/PR.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM PARTO ATIVO - MÓDULO I
De 15-17 Abril de 2011 - Espaço Aobä – Curitiba/PR
Janet Balaskas - Educadora Perinatal, fundadora do Active Birth Centre, em Londres e do Parto Ativo, tendo dado aulas de preparação p/ o parto há 25 anos. Também trabalha na Hungria.
Tradução: Talia Gevard.
Dia 15
Anos 70 – Inglaterra:
Início do Movimento pelo Parto Ativo, c/ passeatas e mulheres nas ruas exigindo o direito de parir c/ dignidade e respeito.
O controle ativo do trabalho de parto/parto era uma práxis do modelo obstétrico britânico, c/ indução, monitoramento eletrônico, uso de analgesia c/ peridural e cesárea, em última instância, sendo uma das características do mundo civilizado, que extinguiu o ofício das parteiras c/ a medicalização do corpo feminino.
A obstetrícia era responsável por diagnosticar problemas e salvar vidas, especialmente c/ a cesárea moderna, porém, ao invés de ter sido um modo alternativo de parto, passou a ser realizada corriqueiramente e aplicada a todas às gestantes, o que culminou na “Cultura do Medo”, atrapalhando o processo natural do nascimento.
Na mão dos profissionais em posição deitada (litotomia), a gestante fica a mercê desse modelo obstétrico, nesta medida o Parto Ativo é uma mudança de paradigma, não só nas posições, mas uma reconquista da privacidade, liberdade e controle do corpo feminino, tendo o parto como processo fisiológico e a mulher como um mamífero.
Com a medicalização do parto, quais os resultados que vemos?
Aumento das complicações e intervenções c/ o aumento da taxa de cesáreas, o que nos demonstra uma falha da Medicina, não cumprindo seu papel.
E, como o Parto Ativo deveria ser p/ uma gestante de baixo risco?
C/ 80% de chances de ter um parto vaginal.
Mas, porque ter um bebê naturalmente? O que é o Parto Ativo? Como os bebês nasciam ao longo da História, nas mais diversas culturas?
Este é nosso ponto de partida.
Imagens de mulheres em posições verticais foram vistas pela autora em um museu em Londres, o que demonstra um comportamento universal e instintivo, presente nos genes e apreendido pelas gerações, c/ a interferência da Cultura. No entanto, o saber popular foi suplantado pelo saber médico e a Ciência.
A sabedoria feminina contribuiu ao longo da História, e nos últimos 30/40 anos pesquisas demonstram como tais práticas são benéficas, c/ a redução de medicamentos alopáticos e menores taxas de cesárea.
Anos 80 – Inglaterra:
Manifesto pelo Parto Ativo, baseado em evidências científicas – (http://partonobrasil.blogspot.com/2011/04/manifesto-pelo-parto-ativo-por-janet.html)
Os benefícios do Parto Ativo:
Sacro/cóccix – Pélvis feminina perfeita p/ o parto.
O sacro tem inúmeros nervos que massageados durante o trabalho de parto contribuem na redução da dor, além disso, a relaxina e a progesterona são hormônios que amolecem a pélvis, que se alarga cerca de dois cm.
Os ossos do crânio do bebê se acomodam na pélvis, que alargada, c/ o sacro mais móvel, dá a possibilidade da cabeça do bebê se encaixar; o sacro se levanta e se abre, um design e uma fisiologia perfeita!
A pélvis se abre de frente para trás – 1/3 a mais do que na posição deitada (supina).
Alterar a posição p/ vertical já é uma transformação!
Parto Ativo= mais espaço p/ o bebê
A pélvis se assemelha a um funil (analogia). A gravidade é uma força poderosa!
Parto Ativo= gravidade
O útero:
Como funciona o útero?
Nas contrações o útero vai p/ frente. O suplemento de sangue vai p/ o útero, placenta e bebê.
No fim da gravidez, a barriga tem um peso aproximado de 10-15 kg. De costas, todo esse peso pressiona os vasos sanguíneos – veio aorta/cava, acarretando a falta de oxigenação p/ o bebê – sofrimento fetal/cesárea.
Na posição vertical e c/ o corpo p/ frente o útero também vem p/ a frente e c/ práticas simples, como a Yoga na gravidez, os benefícios são imensos.
Posição de quatro apoios:
Como os médicos ignoram isso? Faz uso de peridural, diminuindo a oxigenação p/ o útero.
Com indução e anestesia o Parto Ativo pode também ser empregado, sendo mais seguro p/ o útero trabalhar, p/ o bebê descer e nascer.
O bebê não é passivo no trabalho de parto/parto – reflexos inatos, e realiza uma grande jornada, senão a maior delas, p/ nascer.
O bebê precisa de sua mãe!
O oxigênio dá forças p/ o bebê nascer.
A pélvis tem um diâmetro maior na entrada, de um lado ao outro. O maior diâmetro da cabeça do bebê encaixa na pélvis.
A chegada no assoalho pélvico – Músculos curvos; a rotação do bebê é de 90 graus (restituição), isso quando ele está c/ seu dorso voltado p/ o abdômen da mãe, preferencialmente à esquerda, mas qdo ele está em posição posterior, c/ suas costas voltada p/ as costas da mãe, ele precisa fazer duas rotações de 90 graus, característica de partos demorados, pressão anal e dor no sacro, ao invés de na pélvis. A explicação p/ esta posição posterior do bebê são os hábitos de vida e postura da mãe.
Ao longo da coluna e cabeça – parte mais pesada do bebê.
Posturas:
No fim da gestação é indicado às gestantes posições eretas, c/ a pélvis mais alta que os joelhos ou c/ o corpo p/ frente p/ ajudar o bebê a se posicionar.
O uso da bola de Pilates no pré-natal e no trabalho de parto – Posições.
O papel do acompanhante no trabalho de parto é oferecer apoio à gestante, pois o parto é um processo.
Assim, é benéfico trabalhar o Parto Ativo ao longo da gestação, c/ a Yoga para gestante, a partir da 16ª. semana, por exemplo.
Janet não gosta da denominação “fases” p/ o trabalho de parto/parto, pois a experiência é contínua.
1. Pré trabalho de parto > “Aquecendo”
Os hormônios se preparam p/ o parto – Ocitocina e endorfina, que aumentam no fim da gestação.
A mulher, nesse período, deve descansar, pois tais hormônios começam sua atuação no fim da gestação. A palavra é relaxar!
Nas últimas três/quatro semanas da gestação é iniciado o preparo p/ o trabalho de parto pelo próprio corpo. O pulmão do bebê começa a “amadurecer”, se expandindo, expelindo o fluído no líquido amniótico, que é aderido pela mãe até chegar ao cérebro materno, ativando a ocitocina – conexão.
Ansiedade, medo e stress dificultam o processo do trabalho de parto.
O colo uterino produz prostaglandina, que deixa macia a sua parte baixa.
2. “Amaciamento”
Colo do útero macio, contrações e afinamento desse colo.
* Janet não utiliza a expressão “contração”, e sim “ondas” (waves).
3. “Afinando” – Raiz do parto
Colo dilatado – 0-10 cm. O bebê desce, suas orelhas alcançam à pélvis e ajuda a abrir o colo do útero; c/ o bebê alto o colo tem dificuldade p/ abrir.
4. “Abertura”
Confiar no instinto durante a gestação.
5. “Completude”
Transição – Parto – Placenta
Reflexo de puxo do útero muito forte – retraí e empurra.
Na 1ª. hora até às quatro horas após o parto – Vínculo e amamentação.
Os Hormônios:
Janet cita Michel Odent que menciona o coquetel de hormônios produzidos durante o trabalho de parto/parto, como a ocitocina, produzida no hipotálamo, uma glândula situada atrás da cabeça.
Há um contínuo de ocitocina durante o trabalho de parto até a expulsão da placenta – Extraordinária produção. Através de pulsos chega até o útero da mulher, pela corrente sanguínea.
O ritmo do trabalho de parto é contração – descanso, como um ciclo.
A ação muscular do útero é Contração – Parto – Expulsão da placenta, c/ um pico de produção de ocitocina, que também está presente no orgasmo feminino e masculino, e na ejeção do leite, chamada por Odent como o “Hormônio do Amor”.
O processo do parto tem um efeito neurológico no cérebro, produzindo um comportamento maternal. A adrenalina inibe a ação da ocitocina.
Ansiedade, medo, ser observada estimulam o néocortex e inibem a produção de ocitocina. Proteção, silêncio, falta de estímulo, ambiente aquecido tornam o parto mais rápido, pois facilitam a liberação desse hormônio tímido.
Dar à luz envolve reflexos primitivos/animais, tal como quando se faz amor e ou se tem orgasmos – É necessário esquecer do mundo e deixar fluir, uma total entrega.
Privacidade e ambiente suave – Quente, escuro, isolado. Nada pode atrapalhar a atuação da ocitocina. As mulheres podem parir por elas mesmas, em um estado calmo, adormecido, introspectivo, em transe, c/ concentração e foco. A ocitocina dá alívio à dor, enviando ao sistema nervoso sinais, cujo efeito é a diminuição dessa sensação dolorosa.
Endorfina – Produzida na parte da frente da glândula pituitária, ao passo que a ocitocina na parte de trás dessa mesma glândula.
OCITOCINA – ENDORFINA > Química natural em nosso próprio corpo
Em todo o processo de nascimento mãe/bebê recebem altos níveis desses hormônios, estimulando o comportamento maternal e a liberação de prolactina, que produz o leite materno. A produção de ocitocina é contínua após o parto, nascimento e no contato c/ o bebê, assim, para a mulher passar por essa experiência é ir muito além da dor.
Os bebês nascem sem chorar, ficam c/ os olhos abertos, prontos, formando um grande vínculo.
Na Inglaterra, após 40 semanas, as gestantes são induzidas e as taxas de cesárea estão crescendo cada vez mais.
Terapias complementares p/ acelerar e entrar em trabalho de parto contribui e muito, como a Reflexologia, uso de Mocha, Acupuntura etc.
O corpo sabe à hora de nascer e o bebê também!
A gestante precisa relaxar e se ela souber a fisiologia de seu corpo terá confiança, mas como ajudá-la? A ansiedade não é um estado natural de uma gestante. Falta compreensão da fisiologia do parto.
Parto & Sexo – Condição médica nos dias atuais.
A preparação durante a gestação deve ser holística, e contribui p/ reduzir a ansiedade.
Janet se encontra uma vez por semana c/ suas gestantes no Active Birth Centre, por duas horas p/ praticar Yoga p/ o parto ativo, sendo que é a partir da 16ª. semana que as grávidas iniciam os exercícios, geralmente. Essas aulas são mistas, c/ gestantes em todas as semanas, onde há uma troca neste processo educativo. No grupo de grávidas todas trocam e aprendem, compartilham suas experiências, tomam chá; uma vez por mês também há um encontro c/ a presença dos pais. Doulas e obstetrizes presentes no grupo se apresentam às gestantes.
Ações Afirmativas – Afirmações (programar a mente):
MEU CORPO SABE PARIR
MEU BEBÊ SABE COMO NASCER
MEU BEBÊ SABE QUANDO NASCER
MEU BEBÊ ESTÁ DESCENDO
MEU BEBÊ ESTÁ DESCENDO FACILMENTE E C/ SUAVIDADE
MEU CORPO ESTÁ SE ABRINDO
O corpo grávido após as afirmações fica mais confortável e feliz! Este trabalho de suporte é um antídoto.
Na Inglaterra as opções de assistência neonatal são: Serviço Nacional de Saúde, c/ Parto Domiciliar c/ duas obstetrizes, que recebem treinamentos extras para PD, um supervisor fica no hospital e conversa c/ as parteiras por telefone, quando necessário. Também há a possibilidade de transferência, caso necessite. Além dessa opção também existem os Centros de Parto, para partos c/ baixo risco c/ obstetrizes, s/ epidural, c/ banheiras, em um trabalho de equipe. Por fim, pode-se parir no hospital ou contratar obstetrizes particulares. Fruto do resultado de três décadas de mobilização, campanhas e trabalho direto c/ as mulheres p/ se alcançar tais práticas, mesmo assim ainda existem problemas, como falta de recurso e de obstetrizes, sendo que apenas de 15 a 20 % das mulheres britânicas tem um parto ativo.
Ocitocina sintética – Efeito nos músculos, mas não no vínculo e na produção de endorfina, levando ao aumento do sofrimento fetal e, por fim, de cesáreas > Cascatas de intervenções.
Realizar movimentos em espiral durante o trabalho de parto e parto tem uma relação c/ a energia do Universo; entregar-se conscientemente e perceber a sexualidade no parto dá a mulher o controle da situação. Bebês que nascem c/ respeito tem uma inteligência inigualável!
Parto> Processo de coragem e de autodescoberta
* A Inglaterra é um dos Países europeus pioneiros no parto na água.
Dia 16
O local do trabalho de parto:
Chão – Tapetes, lugar limpo, c/ lençóis que possam ser higienizados facilmente.
A mulher precisa manter sua energia, dormir, comer, beber água p/ ficar hidratada e ficar relaxada. Descansar do lado esquerdo. Ter apoio e segurança. Tentar dormir. Ter uma doula. Ter ajuda c/ os outros filhos.
Posições verticais durante as contrações (“waves” – ondas). Suavidade nos movimentos, respiração abdominal. Entre as “ondas” a gestante descansa na bola suíça c/ uma toalha na bola.
O trabalho de parto fica cada vez mais profundo e o Yoga é uma ferramenta muito importante p/ meditação, respiração e relaxamento, também importantes p/ a gestante passar por este momento.
Na Inglaterra os Centros de Parto indicam p/ às gestantes ficarem em casa até as “ondas” ficarem ritmadas e padronizadas, em torno de quatro a quatro minutos.
Janet nos mostra uma foto de um iceberg, c/ a maior parte dele submersa pela água, e faz uma analogia ao útero – Educação através de uma nova linguagem c/ a mulher em trabalho de parto, se necessidade de ser medicalizada.
O uso da bola suíça p/ relaxamento e respiração – Um pouco antes da “onda” chegar à gestante relaxa e respira; no topo da “onda” ela estará preparada e focada na respiração, que deve ser intensa nesse pico. O bebê oxigenado tem energia p/ o parto. A mulher deve se concentrar no pico da “onda” – A “Zona”/Partolândia. A mulher deve ficar entregue, em transe, trabalhando junto c/ a energia do parto.
Em quatro apoios – Posição muito relaxada p/ o final do trabalho de parto, c/ “ondas” rápidas, estando à mulher aterrada ao chão, c/ a mandíbula solta e a boca aberta; os sons vem de dentro, não da garganta, são guturais e naturais. C/ a cabeça mais baixa que a pelve o parto fica mais rápido no expulsivo, além de contribuir p/ o bebê mudar de posição – Janet nos mostra uma imagem de um urso polar nessa posição (analogia).
Bebê em posição c/ as costas na coluna da mãe, ocasionando dor nas costas na gestante e pressão no ânus – No início do trabalho de parto usa-se essa postura de quatro apoios, ao invés de posições verticais.
Acupuntura, Hipnose, Reflexologia e exercícios p/ auxiliar a mudança de postura do bebê.
No Centro de Parto Ativo há uma clínica de Terapias Complementares, em Londres.
Exercícios na parede p/ virar o bebê pélvico – deitada de costas, pés na parede, almofada embaixo; posição urso polar.
Pulsatilla – Homeopatia tomada em dose alta, uma única vez, contribui p/ mudança; caminhar uma hora por dia devagar, Acupuntura.
Liberar os medos – Psicoterapia.
Trabalho individual c/ a gestante.
34 semanas – Evitar o cócoras qdo o bebê está sentado.
Preparar a gestante p/ a cesárea, p/ evitar desapontamento. O bebê vem 1º. Não idealizar o parto ativo. O bebê recebe mensagens da mãe constantemente. Acolher a mulher grávida, dar carinho e atenção.
Sobre versão externa – As parteiras tradicionais relaxam muito a gestante p/ a prática, algumas inclusive tomam uma dose de bebida alcoólica e oferecem à gestante. Janet não gosta desta técnica, pois é preciso ter muita delicadeza, p/ não ser agressiva.
O útero:
Como é seu funcionamento? Ação involuntária – reflexo.
- Fibras longitudinais que trabalham na parte superior no trabalho de parto, provocando a descida do bebê;
- Fibras oblíquas que se cruzam; presença de muitas veias, muito sangue;
- Fibras concentradas na parte baixa do útero, elípticas.
Não é necessário fazer força, mas a ação já está impregnada no inconsciente das mulheres.
O útero sabe como parir o bebê!
“A consciência do parto natural está voltando e é por isso que estamos aqui hoje!”. Janet Balaskas
No Reino Unido as obstetrizes usam o Partograma.
Piscinas de parto – 75% dos hospitais ingleses tem piscinas p/ o parto.
* www.activebirth.com
Usar a piscina reduz a taxa de peridural e cesárea, baseado em muitas pesquisas, assim os hospitais aderiram por questões econômicas.
O uso da água no trabalho de parto/parto - A mulher não deve entrar na água no início do trabalho de parto; aguardar os cinco/seis dedos de dilatação. Água em temperatura pouco abaixo da temperatura ambiente, se necessário ver c/ um termômetro, de 32 a 36 graus. P/ o parto, de 35 a 36, em Países quentes. O bebê tem um grau a menos que a mãe.
O que se atentar em um parto na água:
- Qdo entrar?
- Temperatura
- Profundidade da água – água até o peito, c/ os ombros expostos. Em duas/três horas a dilatação total deve ser atingida p/ parir, se isso não acontecer, ou o trabalho de parto ficar lento é indicado sair da água.
Não dizer a mulher o que fazer, pois ela é guiada por sua intuição. O ambiente favorável contribui p/ isso. Dar sugestões, mas não prescrições; não criar regras e dar liberdade.
Odent diz que a água tem efeito sobre a ocitocina – redução.
Não ter a fantasia de parir na água, pois é preciso condições que só serão conferidas durante o parto.
Teste da piscina – “Água e Sexualidade”, Michel Odent.
Reflexo de mergulho – O bebê tem a laringe fechada e não respira pelo nariz nesse momento. O estímulo é dado quando ele sai da água e o ar toca seu rosto. Tempo do corte do cordão – Não há motivo p/ cortar o cordão umbilical antes da saída da placenta. A razão de cortar o cordão apressadamente é que após a saída do bebê é introduzida ocitocina sintética p/ dequitação da placenta, que é manual e controlada pelo médico.
“Completude”-Parto – Cabeça do bebê no assoalho pélvico – “Medo fisiológico”.
“Primeiro vem o cocozinho, depois o bebezinho!”. Ina May
Dia 17
No 3º. trimestre de gestação – Relaxamento e respiração; habilidade p/ relaxar e estar calma, trabalhar o medo.
Posição de relaxamento p/ o fim da gestação – Deitar do lado esquerdo p/ o bebê ter suprimento de oxigênio. Encorajar o bebê a ficar na posição esquerda.
Muito dos problemas da amamentação começam c/ o uso de medicamentos durante o parto, como a ocitocina sintética e a peridural, que dão um efeito combinado no bebê. É muito importante encontrar formas holísticas p/ empoderar a mulher, s/ o uso de alopáticos.
As características da “Completude”:
Na 1ª. parte do trabalho de parto a adrenalina é ausente, pois está inibida, mas uma vez completa a dilatação a mãe tem uma descarga desse hormônio, mas o que produz esse efeito? Segundo Odent o “medo fisiológico”.
O último dos quatro partos de Janet foi assistido por Odent em casa, c/ uso de piscina p/ o parto, porém como o mesmo teve uma parada de progressão, o obstetra pediu q ela saísse da água. Em poucos minutos sua filha caçula nasceu! Três anos antes Janet tinha tido uma cirurgia de fibrose no útero, tinha já 42 anos, e o bebê pesava mais de cinco quilos, mesmo assim, não teve nenhuma laceração.
“Parecia que eu dirigia uma Ferrari, s/ freio!”. Michel Odent
Não ter durante o trabalho de parto e parto pessoas ansiosas por perto. As obstetrizes precisam estar conscientes do silêncio e privacidade. O principal equipamento é a mudança de consciência. Ensinar a mulher a se soltar, e no parto em si só é preciso esperar!
A importância da respiração, do movimento da pélvis. No parto ativo é necessário espaço p/ se movimentar, inclusive na água/piscina.
Quando ter o parto na água?
- Se os batimentos cardíacos do bebê estiver ok;
- Se a mulher quiser;
- Gemelares e pélvicos são contra indicados na água;
O ponto é que condições as mulheres precisam p/ produzir os seus hormônios naturais.
Quando o bebê está de ombros presos – Posição em pé, c/ um joelho no chão. Duas outras pessoas fazem pressão no quadril p/ abri-lo.
O índice de morte materna/neonatal por cesárea é de 55%, segundo estudos científicos.
“É sobre liberdade que a gente fala!”. Janet Balaskas
“Hands off!” – Sem as mãos, mas a postos.
“O futuro começa c/ um pequeno passo!”. Janet Balaskas
terça-feira, 19 de abril de 2011
Manifesto pelo Parto Ativo, por Janet Balaskas
1. Todos os partos vividos em liberdade e sem inibições são acompanhados de uma importante movimentação da mulher: ela caminha, fica em pé, de cócoras, de joelhos, deitada, e se movimenta livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis. Não se pode designar uma posição fixa para um trabalho de parto e parto natural e saudável quando a mulher segue seus próprios instintos – porque o parto é ativo, envolve uma sucessão de posições variadas, e não é um confinamento passivo.
2. Durante milhares de anos, no mundo todo, as mulheres tem espontaneamente vivido seus trabalhos de parto e partos em alguma posição vertical ou agachada – geralmente com a ajuda de alguém ou alguma coisa servindo de apoio. Qualquer que seja a raça ou a cultura: africana, americana, asiática ou europeia, e assim por diante, as mesmas posições verticais predominam. A História confirma as evidências dos etnologistas, que demonstram que o uso das posições verticais prevaleceu ao longo do tempo.
3. Hoje, a maioria das mulheres de países industrializados são confinadas em posição deitada ou semi-deitada, geralmente no hospital. Esta prática é ilógica, e torna o parto desnecessariamente complicado e caro. Faz com que um processo natural se torne um evento médico, e a parturiente passa a ser uma paciente. Nenhuma outra espécie adota uma posição tão desvantajosa em um momento tão crucial.
4. As pesquisas revelam sérias desvantagens ao uso da posição recumbente:
•Deitar-se de costas comprime os grandes vasos abdominais localizados ao longo da coluna vertebral. A compressão da grande artéria do coração (aorta descendente) obstrui a circulação sanguínea em direção ao útero e à placenta, e pode resultar em sofrimento fetal. A compressão da grande veia que vai ao coração (veia cava inferior) restringe o retorno venoso, e pode contribuir para a hipotensão e outros problemas circulatórios, aumentando o risco de grandes sangramentos após o parto.
•A posição recumbente reduz o potencial de mobilidade das juntas pélvicas. Reduz particularmente as vantagens de se flexionar os joelhos e quadris em alguma posição vertical, ou seja, o ângulo agudo que se forma quando os joelhos vem em direção ao peito (como em posição de cócoras), que abre e expande a pélvis ao seu máximo. Na posição reclinada, o peso do corpo repousa diretamente sobre o sacro, e impede o movimento que a parede posterior da pélvis faz para acomodar a cabeça do bebê à medida que ele desce. Isto reduz significativamente o espaço da passagem pélvica entre a sínfese púbica e o cóccix; perde-se até 30% de potencial de abertura, quando comparado com a posição de cócoras ou posições onde o tronco se inclina para frente.
•É mais fácil para qualquer objeto cair em direção `a superfície da Terra do que deslizar paralela a esta (Lei da Gravidade de Newton). Em posições reclinadas, o útero tem que trabalhar em oposição à gravidade. Assim, ocorre um desperdício de energia, se produz esforço e dor desnecessários e a duração do trabalho de parto e do parto aumenta. A descida, a rotação e o parto do bebê são mais fáceis quando a posição materna direciona o bebê para a Terra, ao invés de direcioná-lo na linha do horizonte.
• Apresentações inadequadas do bebê são mais comuns quanto os movimentos espontâneos da mulher, que guiam a rotação do bebê através do canal de parto, são restringidos.
• Na posição deitada, o parto acontece com uma distenção desigual dos tecidos perineais às custas da porção posterior, o que causa estresse, dor e aumenta o risco de uma laceração ou da necessidade de uma episiotomia.
5. Os movimentos e as mudanças de posição são mais importantes do que adotar uma única posição considerada ótima, ou, considerada a melhor posição, durante o trabalho de parto. Posições espontâneas de trabalho de parto incluem ficar de pé, caminhar, sentar-se com o tronco ereto, ajoelhar, acocorar ou deitar de lado.
Uma posição para o trabalho de parto é fisiologicamente eficiente quando:
•Não há compressão dos vasos abdominais.
•O movimento é irrestrito.
•A pélvis é totalmente imobilizada.
•O corpo trabalha em harmonia com a gravidade.
Para o parto, a posição de cócoras e suas variantes são as posições mais próximas às leis da natureza, e são conhecidas como posições fisiológicas para parto. Tais posições incluem cócoras completa ou semi cócoras, cócoras em pé ou várias posições de joelhos.
O uso de tais posições verticais produz os seguintes benefícios adicionais durante o parto:
•Contrações mais poderosas, resultando em um reflexo expulsivo eficiente.
•Excelente oxigenação fetal.
•Mínima extenuação e esforço muscular.
•Excelente ângulo de descida.
•Máximo espaço para descida, rotação e emergência das partes do bebê que vão se apresentando na saída da passagem pélvica.
•Ótimo relaxamento do períneo.
Foi demonstrado que quando o uso de posições verticais durante o trabalho de parto e parto é apoiada e encorajada, o número de partos fisiológicos espontâneos aumenta.
6. Em um parto ativo, o processo fisiológico se desenrola espontaneamente graças à liberação irrestrita dos hormônios do parto. A liberação de ocitocina é ótima, resultando em contrações eficientes no trabalho de parto, num reflexo expulsivo eficaz no parto, em fácil liberação da placenta e boa retração do útero depois. Os altos níveis de endorfinas aumentam a habilidade da mulher para lidar com a dor sem intervenções. Os efeitos altruístas dos altos níveis hormonais, tanto na mãe quanto no bebê, promovem o vínculo na crítica hora após o parto.
7. A importância de um ambiente propício para o trabalho de parto e nascimento, onde a mãe se sente segura e sua privacidade é protegida, é de crucial importância. Tais condições são essenciais para garantir os movimentos espontâneos nas posições verticais e também para a excelente liberação hormonal – fatores chave para um parto ativo.
8. A imersão em água quente, na temperatura do corpo aproximadamente, e durante a fase ativa do trabalho de parto (5-6 cm dilatação), tem se mostrado eficaz como facilitador de um parto ativo. As contrações podem ficar mais intensas, e a propriedade de flutuação da água aumenta o relaxamento, o conforto e a mobilidade. Estudos tem demonstrado que a modificação da dor é significativa. Utilizada inicialmente com a intenção de facilitar o trabalho de parto, uma piscina de parto também pode oferecer um ambiente favorável para o parto, quando as condições são adequadas.
9. Vários estudos, nos últimos 50 anos, indicam que quando o parto é ativo, as vantagens são:
•O ritmo natural, e a continuidade do parto não sofrem interrupções ou interferências.
•As contrações uterinas são mais fortes, mais regulares e mais freqüentes.
•A dilatação é favorecida.
•Um relaxamento mais completo se torna possível entre as contrações.
•A pressão intrauterina é consideravelmente mais alta.
•O trabalho de parto e o período expulsivo são mais curtos – alguns estudos apontam para uma porcentagem de tempo mais curto de 40% para o grupo em posição vertical.
•Existe mais conforto, menor dor e estresse; portanto, a necessidade de analgesia diminui.
•A condição do recém nascido é geralmente ótima.
•As mulheres sentem que são participantes plenas, que estão no controle, e, sentem com maior freqüência que parir é uma experiência maravilhosa e satisfatória.
10. Não há dúvidas para ninguém que tenha vivido ou assistido tanto o parto ativo quanto o parto passivo, que um processo de parto ativo é geralmente mais fácil, mais seguro e mais recompensador tanto para a mãe quanto para o bebê. Após um parto ativo, a mãe sente que ela pariu seu filho, ao invés de sentir que seu filho foi extraído dela. Ela e seu bebê foram, juntos, participantes plenos, e ambos estão alertas, não estão sob o efeito de drogas, e estão saudáveis quando se encontram face-a-face. Isto cria, inevitavelmente, as melhores condições possíveis para a vinculação materno-infantil, e para a formação de bases para relacionamentos amorosos e saudáveis na família.
11. O parto ativo é mais que simplesmente uma questão de posições. Apesar da liberdade de movimentação espontânea e do uso de posições verticais ser fundamental, a definição essencial de um parto ativo é aquela na qual a mulher está no comando de suas escolhas e decisões. É esta condição que permite a ela se beneficiar de uma parceria produtiva e mutuamente respeitosa com os profissionais que a atendem. Quando as intervenções são necessárias, os princípios do parto ativo ainda podem ser úteis. Podem ser combinados com os procedimentos obstétricos, e ajudar a minimizar os riscos e os efeitos colaterais. Quando este é o caso, cada parto, seja natural ou assistido, pode ser chamado de parto ativo.
12. As conseqüências a longo prazo de intervenções desnecessárias no período ao redor do nascimento , tanto para a saúde quanto para o bem-estar, são cada vez mais preocupantes. Com base em descobertas de pesquisas, experiências modernas e instinto ancestral, mudanças profundas na atitude e na oferta dos serviços de maternidades, na educação das parteiras-obstetrizes e na preparação das mulheres para o parto são inevitáveis para que se aumente o potencial para o parto fisiológico.
13. O parto, na vida de qualquer mulher, é um ato excepcional, uma viagem de força, parcialmente instintiva e parcialmente aprendida. É necessário uma certa destreza para se fazer a maioria das coisas, e o parto não é exceção. Uma mulher que deseja viver o parto plenamente precisa de mais que informação e conhecimento sobre gravidez, trabalho de parto e parto. Ela também precisa de preparação física, mental e emocional ao longo de sua gestação, para que possa adotar posições verticais com facilidade e conforto, e desenvolver confiança em sua habilidade inata para parir. A preparação para um parto ativo precisa oferecê-la formas para obter um relaxamento profundo de seu corpo e sua mente, para que ela possa acessar e confiar em seu potencial instintivo.
14. Além de ser uma celebração na família, o nascimento de um filho é um evento crítico e incerto, que envolve suspense em relação ao seu resultado. As habilidades para parir, e para atender partos, são valorizadas em todas as sociedades. No mundo moderno e ocidental, a aplicação da tecnologia ao nascimento trouxe, sem precedentes, segurança e procedimentos que salvam vidas. Entretanto, o uso indiscriminado e rotineiro de tais tecnologias, aplicadas na grande maioria das mulheres, é inapropriado, e tem causado um aumento no número de partos complicados e cirúrgicos em todo o mundo. Este contexto leva à perda do saber valioso e essencial do partejar, e aumenta a dependência na tecnologia. Vai corroendo a satisfação e a confiança tanto das mães quanto das parteiras-obstetrizes. Os médicos se tornaram os especialistas em partos. Mais ainda, o equilíbrio de poder é tal que a capacidade da mãe foi tão minada até chegar ao ponto da maioria das mulheres terem perdido o contato com o conhecimento e sabedoria antigos sobre o parto, que antes eram passados de geração em geração, de mãe para mãe. Este equilíbrio de saber e poder deve ser restaurado através da recuperação do potencial instintivo, da liberdade e do poder de quem faz o parto, a mãe. O Movimento pelo Parto Ativo é comprometido com o empoderamento das mulheres no parto e da redescoberta global do parto.
* Escrito pela primeira vez em Abril de 1982 por Janet e Arthur Balaskas. Revisado por Janet Balaskas em Fevereiro de 2001. Tradução autorizada: Talia Gevaerd de Souza.
©Copyright Janet Balaskas 2001 - Nenhuma parte do texto acima pode ser reproduzida, de nenhuma forma, sem permissão de Janet Balaskas. A autora permitiu que o Blog Parto no Brasil publicasse o texto, na íntegra.
Bibliografia
Livros e relatórios:
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