Mostrando postagens com marcador protagonismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador protagonismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Acerca do protagonismo feminino

Para refetir...
Tira de Gabriel Bá e Fábio Moon, no Quase Nada, da Folha de São Paulo. Os irmãos quadrinistas também tem a produtora independente 10paezinhos, de Histórias em Quadrinhos (HQ).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gestante brasileira precisa de ajuda para parir


Ana Carolina Franzon
A América Latina é o continente campeão em número de nascimentos via cesárea; o Brasil perde apenas para o Chile. Nesta lógica, as gestantes brasileiras são umas coitadas! Mulher brasileira, grávida, sabe muito bem que vai passar por apuros para pôr seu filho no mundo. No SUS, elas sabem que não poderão gritar; não poderão comer ou beber água; terão de ouvir humilhações do tipo "Foi bom fazer né? Agora aguenta pôr pra fora!"; levarão soro na veia, o que aumentará suas dores; sofrerão a episiotomia de rotina; e muitas vezes, viverão tudo isso sozinhas com a equipe de saúde. Se é um plano de saúde que paga pelo parto, elas sabem que farão uma cirurgia; que ficarão mais de uma semana em recuperação; que será outra pessoa que cuidará de seu bebê nestes primeiros dias; que será difícil amamentar e maternar. O marido, a sogra, mãe, irmã ou vizinhas, serão indispensáveis. Se o "evento médico", que é o nascimento, for pago particularmente, a história mais comum é a lenga-lenga da mentira deslavada para justificar uma intervenção cirúrgica. Mas é justamente aqui, nesta situação específica, que a lógica deveria ser completamente outra. Um casal está contratando um serviço para lhes ajudar com o nascimento de seu filho. Você está pagando, você deve pagar por aquilo que quer. Então, o ponto chave se torna o protagonismo da mulher - como muito bem descreve o dr. Ric Jones (aqui você encontra um excelente texto que ele escreveu sobre o assunto). De nada adianta o médico topar um parto humanizado, a presença de uma doula, o marido não se opor e a mãe incentivar, se a grávida não estiver disposta a assumir a responsabilidade pelo nascimento do seu filho. O corpo é da mulher. A saúde é dela e do seu filho. Para uma criança nascer, sempre, há uma série de decisões que precisam ser tomadas - aconteça o parto em casa, na floresta ou no centro cirúrgico. Se a brasileira não tomar as decisões para si, alguém o fará, é certo! Entretanto há salvação. Embasada em evidências científicas e contra essa cultura de que o parto normal é perigoso para mãe e bebê, há milhares de mulheres organizadas e muito bem dispostas a ajudarem as gestantes a darem à luz. É o caso, por exemplo, da Parto do Princípio, Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, e das tantas listas de discussão que circulam pela internet, como a GestaPR, PartoNosso etc. São nestes espaços virtuais de articulação política que aquelas mulheres que desejam lutar por um parto e nascimento respeitosos encontram alento e orientação certeira. Não dá para ignorar as informações que circulam nestes espaços. Não dá para confiar no sistema médico obstétrico e no padrão de atendimento hospitalar. Para parir em paz, confiante, com prazer e, sobretudo, segurança, a gestante brasileira precisa mesmo de ajuda. Ps.: se for ter parto normal, procure alguém que saiba realmente assiti-lo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dar à luz _Leila Katz

Ter um bebê. Gerar uma vida. Trazer um filho ao mundo. Mais do que isso: uma enorme e única experiência. Bem além de simplesmente gestar e parir, a maternidade ganha um significado diferente para mulheres que buscam viver esse momento a fundo. Sem temer uma das sensações mais mitificadas da humanidade - a dor do parto - elas querem vivenciar o nascimento dos filhos de uma forma natural, sem intervenções, procedimentos, cirurgias, ao contrário da voz corrente que instituiu a cesariana como regra para os nascimentos no Brasil. Elas querem ser donas do próprio parto - um direito que, embora elementar à primeira vista, é freqüentemente desrespeitado pelo profissionais de saúde e contestado por familiares. Mas com uma coragem de mãe que defende a cria, elas vão à luta, peitam, contestam o sistema, se ajudam. E em um trabalho de parto simbólico, mostram o que desde sempre a humanidade soube: nascer é o ato mais natural do mundo.
Texto de pernambucopontocom, extraído do Youtube.


[Use o Keepvid para baixar o vídeo]

domingo, 24 de janeiro de 2010

A humanização do parto como alternativa para um nascimento com respeito

Foto de Anne Geddes
_Por Ana Carolina Arruda Franzon & Bianca Cruz Magdalena_
--> -->
Hoje em dia temos muita pressa; é preciso viver rapidamente, pois “tempo é dinheiro”. A velocidade das informações e os avanços tecnológicos invadiram nosso cotidiano tão intensamente que mudaram até a forma de nascer. Nossos filhos vêm ao mundo com hora marcada, e já não recebem mais o mesmo respeito que tinham no tempo dos partos de nossas avós, por exemplo. Isso porque muitas mulheres são levadas pelos seus médicos a optarem pela cesárea, tanto por falta de informações, quanto por quadros clínicos aterrorizantes, como sofrimento fetal, circular de cordão, bolsa rota há muito tempo. Enfim, são inúmeros os motivos dados por aqueles doutores do saber biomédico que acreditam serem eles os protagonistas do nascimento, papel que deveria ser desempenhado pela mulher.
Em tempos passados, as mulheres podiam dar à luz e receber cuidados em casa, acompanhadas por parteiras e entes queridos – vale lembrar que, atualmente, o número de partos domiciliares vem crescendo nos grandes centros urbanos. Outra alternativa, que pode ser realizada também no ambiente hospitalar, é a escolha pelo parto natural e humanizado, sem as intervenções desnecessárias ou de rotina, que apenas servem para atender protocolos.
O medo das dores do parto sempre foi tão certo quanto o nascimento. Mas, muita coisa mudou nestes últimos anos. A medicina moderna possibilita um rol de procedimentos cirúrgicos “seguros” para aquelas mulheres que preferem não passar pelas dores do parto. Em 2008, aumentou para 84,5% o número de cesáreas na rede de saúde privada, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar[1]. No Sistema Único de Saúde (SUS) a proporção é de 31%, caracterizando o Brasil como o segundo país da América Latina com maior índice de cesarianas, após o Chile.
Mas qual seria o motivo dessa escolha? Porque as mulheres não se apropriam de seus corpos e de sua saúde ao invés de confiá-los a um médico? Será que elas sabem exatamente por tudo o que vão passar no centro cirúrgico e no pós-operatório? Sabem realmente o que vão perder se optarem por deixar de dar à luz de forma natural?
Partos de baixo risco podem ser realizados seguramente em casa, com auxílio de profissionais da saúde como enfermeiras obstetras ou parteiras. Em algumas cidades brasileiras, as mulheres já podem optar pelas Casas de Parto, onde o nascimento é realizado sem as “cascatas” de intervenções que geralmente ocorrem nos hospitais (como por exemplo, a indução do parto com uso de ocitocina sintética, medicamento que aumenta as contrações uterinas, porém aumenta a intensidade das dores; analgesia para combater a dor, que impossibilita a mulher de participar ativamente desse momento, já que estará anestesiada, sendo obrigada a ficar deitada; episiotomia, que é um corte realizado na região do períneo, entre a vagina e o ânus, para facilitar a passagem do bebê). Ao invés de auxiliarem a parturiente, estes procedimentos muitas vezes são realizados de maneira desmedida, somente para acelerar o ato fisiológico que é o parto.
Um nascimento requer tempo, paciência e intimidade, pois quanto mais relaxada a mulher estiver, melhor será a experiência para ela e para o bebê, bem como a liberação de hormônios naturais como a ocitocina e a endorfina. E melhor ainda será se puder ter um trabalho de parto ativo, onde possa assumir a posição que melhor lhe conforte, podendo ficar em pé, caminhar, agachar, tomar banho, receber massagens e apoio emocional. Assim, poderá sentir e entender suas tensões e contrações, entrar no ritmo delas, e viver o nascimento de seu filho como algo prazeroso.
Afinal, trata-se da perfeição da natureza humana, já que segundo o obstetra francês Michael Odent, 73, “no parto normal, há a liberação de um coquetel de hormônios, que podemos chamar de hormônios do amor, que aumenta a capacidade da mãe e do bebê de amar.”.



[1] Caderno de Informação da Saúde Suplementar: Beneficiários, Operadoras e Planos, publicado em junho de 2009 pelo Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde Suplementar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Carta de uma parteira: quero me sentir mulher


_Por Ana Cristina Duarte*
Se o meu marido me perguntasse isso, eu diria…
Porque esse é o meu último filho e eu preciso experimentar o que o meu corpo pode. Quero sentir meu filho passando através da minha bacia, abrindo meus ossos, fazendo-os quase quebrarem pela força dele dentro de mim. Quero sentir meu filho descendo e encaixando a cabeça nas minhas entranhas, milímetro a milímetro, como se estivéssemos dançando um tango emocionante, em que cada passo fosse totalmente calculado para um resultado perfeito. Quero sentir minhas mucosas cedendo espaço e esquentando a cada contração, quero sentir meu filho saindo pelo mesmo lugar por onde entrou. Quero me sentir mais perto de Deus ao ser capaz de produzir uma vida e colocá-la de forma segura neste mundo.
Quero sentir meu útero se contraindo com força, porque sou mulher e me sinto muito orgulhosa de poder gerar, gestar, parir e alimentar uma criança. Se eu não vim ao mundo para isso, então não sei exatamente o que vim fazer aqui. Quero sentir cada contração como se fosse o sopro de Deus direto para dentro do meu corpo, fazendo todas as minhas células tremerem com a energia desse evento. Quero que meu filho sinta cada uma dessas contrações como se fosse um abraço forte que dou nele, como se Deus pessoalmente o estivesse embalando.
Quero que ele perceba que algo importante e grandioso está para acontecer na vidinha dele. Quero que confie em mim para o resto da vida como sendo aquela pessoa que lhe deu a vida e o colocou em segurança para fora do finito espaço uterino. Quero que confie nele mesmo para sempre e saiba que com esforço e perseverança pode conseguir o que quiser. Quero que saiba que eu e ele juntos, com o apoio do pai dele e a torcida do irmão, podemos tudo. Que não há limitação para a nossa força.
Quero provar a mim mesma que sou uma pessoa capaz, que meu corpo não é meu inimigo. Pelo contrário, é meu amigo, meu companheiro, meu templo e meu porto seguro. Quero recuperar tudo o que perdi e o que me roubaram quando tive bebê pela primeira vez. Quero me sentir poderosa, forte, vitoriosa, criativa, emotiva, grande, bonita – durante o parto e para sempre.
Quero que meu filho nasça e venha imediatamente para o meu colo, os meus braços, os meus lábios, as minhas mãos, os meus peitos. E para isso preciso ter um parto natural. Quero que meu filho nasça em paz, sem dor, sem ser arrancado das minhas entranhas porque eu não me esforcei o suficiente.
Quero que, se as intervenções forem necessárias, só o sejam porque eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para evitá-las. Quero que meu filho nasça livre de drogas, e que assim permaneça por toda a vida. Para que possa sempre sentir a beleza da vida de cara limpa, de pele limpa, de olhos limpos. Quero que ele se sinta calmo e seguro por estar sempre nos braços meus ou seus, ouvindo minha voz ou a sua, e não fique sozinho chorando num berço aquecido, sem um único som familiar para se acalmar.
Quero me sentir mais capaz quando tudo isso terminar. Uma bruxa, uma deusa, uma sacerdotisa do meu templo particular. Quero sentir minhas entranhas se abrirem e desabrocharem dando uma vida nova a essa criança. Quero sentir a dor, a ardência, o tremor, o prazer e a glória de parir. Quero me sentir mulher.

* Obstetriz pela Universidade de São Paulo (USP) Leste, doula e Coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA).

domingo, 3 de janeiro de 2010

A mulher enquanto protagonista do nascimento

Para mim, apesar de respeitar as opiniões diversas, continuo a considerar o protagonismo como o cerne conceitual da questão da humanização. O resto me parece sofisticação de tutela; quando este ponto não é valorizado ou ressaltado nenhum "acessório" poderá lhe definir de maneira firme e abrangente.

Identificação de necessidades, ambiência, valorização dos profissionais, etc... tudo secundário. Sem o respeito à autonomia seremos apenas escravos bem tratados. E, ainda na minha modesta opinião, creio que o grande mal desta "condescendência ideológica" que parece querer agradar a gregos e baianos, é o paraefeito que aparece quase que naturalmente no discurso dos benevolentes e bondosos:

"Uma mulher que, sendo respeitada em sua autonomia e processo pessoal de parir, que informada sobre as reais indicações para cesárea, tendo uma assistência solidária, TEVE UM PARTO HUMANIZADO, ainda que a cirurgia tenha sido necessária." Se o nosso objetivo é humanizar o nascimento, podemos fazer isso lutando por melhores cesarianas. Os partos são apenas questões secundárias. Podemos empoderar as mulheres e depois que elas tiveram uma cesariana dizer que tiveram "partos humanizados", desreconhecendo a importância que esse evento exerce no corpo e na alma das mulheres e seus filhos. Ainda sobre o protagonismo como pedra angular da humanização do nascimento, trago este texto do próximo livro de Maximilian, a ser lançado em breve: “(...) O encontro médico-paciente é um encontro entre pessoas, onde fluem energias afetivas que compõe o cenário terapêutico. Negar esse fenômeno é cegar-se à própria essência do processo de cura onde, muito mais do que drogas e intervenções, operam os processos amorosos e afetivos que permeiam o evento. Médicos podem "atar" seus pacientes em transferências sado-masoquistas, ou aprisioná-los em medicamentos e terapias, mas somente quando estes se sentem livres é que a cura pode ocorrer. Não existe terapia verdadeiramente frutuosa que não remeta o paciente a libertar-se do seu egoísmo, de suas dores, culpas, ódios e rancores. A medicina, tal qual os desesperados protagonistas, por vezes procura forçar o bem estar, a despeito da autonomia e da vontade de quem se serve dela, desconsiderando o paciente como legítimo condutor de seus desígnios.” "Liberdade é nossa meta última". "O seu amor, ame-o e deixe-o livre para amar", diziam os doces bárbaros. Não existe relação verdadeira sem a liberdade de escolher. Não existe verdadeira humanização do nascimento sem protagonismo.

Entretanto, cabe dizer, o que fazer daqueles que OPTAM pelo cativeiro por se julgaram inaptos para a liberdade, e que se jogam nas mãos dos algozes para, abrindo mão da autonomia, encontrarem pelo menos a segurança que almejam?

Esta é uma questão que se responde com educação e informação, pois só elas levam à descoberta das alternativas para a alienação. No cenário do nascimento humano, apenas a possibilidade de oferecer às mulheres o controle sobre seus corpos poderá lhes "salvar" da tragédia da sua anulação enquanto sujeitos. Nenhuma "sofisticação de tutela", por mais dedicada que seja (como age a medicina tecnocrática), será capaz de resgatar as mulheres da "inanição" de um cárcere de si mesmas. O modelo patriarcal, com o qual convivemos, precisa descobrir as alternativas para resgatar a essência profunda das relações, nem que para isso precise rever os próprios alicerces que o sustentam. Uma sociedade em que se busque incansavelmente a liberdade e a justiça como metas é o destino que nós mesmos precisamos construir. Talvez estejamos mesmo vislumbrando o ocaso de um modelo baseado na conquista e na submissão, assim como nas ilusões racionalista e positivista que permeiam tanto as relações pessoais quanto a nossa medicina autoritária.

Certamente que muito ainda há que ser construído, mas não acredito em nenhum norteamento diferente do rebentar dos grilhões e do arrancar de mordaças. Porque não há futuro sem liberdade, e esta jamais é oferecida, pois é da sua essência ser conquistada (...)”.

Texto do Dr. Ric Herbert Jones, ginecologista obstetra e homeopata, natural de Porto Alegre/RS, extraído da lista virtual Parto Nosso, em debates acerca da humanização do parto em dezembro de 2009 – janeiro de 2010.

Foto de Silmara Guerreiro quando Rudá ainda estava em meu barrigão, com 38 semanas.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...