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terça-feira, 10 de abril de 2012

STF decide nesta quarta-feira sobre aborto de anencéfalos

O tema do post de hoje é polêmico. E, apesar do foco do Blog Parto no Brasil ser sobre gestação e parto, numa perspectiva que traga o protagonismo à mulher, também debatemos sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos, e a questão do aborto entra nesta pauta.

Amanhã, quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF), depois de oito anos, irá votar p/ que mulheres que gestam fetos c/ anencefalia possam ter o direito a interromper a gravidez, ou não. Neste Estado brasileiro laico e democrático, o mínimo que poderíamos esperar era que fosse concedido sim este direito, longe dos olhares morais cristãos, ou de qualquer outro dogma que incrimine o ato.


Não é de desconhecimento de ninguém que o aborto é amplamente realizado em nosso País, sendo, inclusive, causa de muitas mortes maternas. Na clandestinidade, muitas mulheres realizam a intervenção, quer nas clínicas particulares, a preços caríssimos, ou fazendo uso de medicamentos que contenham Misoprostol, ou, nos porões suburbanos. Fato! Não podemos negá-los. Tampouco cabe a qualquer um de nós o julgamento perante uma mulher, que por quaisquer motivos que sejam, o faça. Quem de vocês nunca ouviu alguma história ou conheceu alguém que tivesse abortado? E, mais uma vez, nós mulheres temos decidido como atuar em nossos corpos, em Leis retrógradas, paternalistas e misóginas.

Abortar não é realizar sem dores e angústias a interrupção de uma gestação não planejada, ou indesejada. É ter que decidir entre ser mãe, ou não. Sofrer na própria pele uma escolha, que por mais que seja oportuna no momento traga feridas por toda a vida, não somente no âmbito psicológico, mas também no espiritual, moral, sexual e reprodutivo.

Mais uma vez ressaltamos: não nos cabe c/ nossos valores julgar! Nossas lentes veem aquilo que nos faz sentido, de acordo c/ a roupagem que a Cultura e sociedade nos trás, assim, é de se esperar que @s brasileir@s tenham esse repúdio contra o aborto, sendo um País predominantemente católico/protestante. De qualquer forma a Saúde Pública e novos estudos estão aí, à luz da Tecnologia, p/ nos mostrar que permitir juridicamente o ato é contribuir p/ que as altas taxas de morte materna por aborto caiam. É aliviar a dor de inúmeras mulheres. É estar em par c/ muitos Países que legalizaram há anos a prática.

P/ elucidar trazemos outras opiniões em texto e audiovisual, abaixo:

Arguição de descumprimento de preceito fundamental 54-8, pelo Ministro Marco Aurélio/ Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) - ADPF é a "(...) denominação dada no Direito brasileiro à ferramenta utilizada para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público (União, estados, Distrito Federal e municípios), incluídos atos anteriores à promulgação da Constituição".
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Argui%C3%A7%C3%A3o_de_descumprimento_de_preceito_fundamental

Diante da gestação de anencéfalos, mulheres relatam momentos de dor e de difícil decisão, por Paula Laboissière, da Agência Brasil.

Chega de torturar mulheres, pela jornalista Eliane Brum, que também produziu o documentário Uma História Severina, c/ a antropóloga Debora Diniz, pela Imagens Livres.



Neste outro link, o vídeo Habeas Corpus, postado em outubro de 2011 pelo blog.

Pesquisa sobre o aborto no Brasil: avanços e desafios para o campo da saúde coletiva, de Greice Menezes e Estela M. L. Aquino.
Resumo: O texto apresenta um panorama dos estudos sobre aborto no país, no campo da Saúde Coletiva, apontando lacunas e desafios para a investigação. A maioria das pesquisas está concentrada em hospitais públicos, com mulheres admitidas para tratamento do aborto incompleto, restringindo-se portanto aos abortos que apresentaram complicações. Descrevem o perfil das mulheres, métodos e razões para o aborto e conseqüências imediatas para a saúde física. Entretanto, permanecem limites relacionados à necessidade de estudos para mensuração da incidência do aborto; para investigação das especificidades dos óbitos por aborto e casos de morbidade grave; para análise da relação do aborto com anticoncepção; para investigação das repercussões do aborto na saúde mental das mulheres e para incorporação da perspectiva masculina. É urgente o desenvolvimento de pesquisas de avaliação da atenção ao aborto nos serviços públicos. Os resultados dos estudos devem ser divulgados, contribuindo para superar a visão ideologizada da discussão do direito ao aborto no país.

sábado, 1 de outubro de 2011

Multimídia Parto no Brasil - Habeas Corpus


O documentário acompanha o sofrimento de Tatielle, uma jovem mulher de Morrinhos, interior de Goiás. Grávida de cinco meses de um feto que não sobreviveria ao parto, um Habeas Corpus apresentado por um padre que sequer a conhecia impediu Tatielle de interromper a gestação. Já sentindo as dores do parto, Tatielle foi mandada embora do hospital onde estava internada em Goiânia. De volta para Morrinhos, Tatielle agonizou cinco dias as dores de um parto proibido pela religião e pela Justiça.
Fonte: http://docverdade.blogspot.com/search/label/aborto
Baixe aqui!

Habeas Corpus - um filme de Debora Diniz e Ramon Navarro from Universidade Livre Feminista on Vimeo.
Brasil, 2005, 20min. Direção de Debora Diniz e Ramon Navarro

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As muitas faces de um assunto

Ontem o blog divulgou eventos pelo País afora sobre a questão do aborto, incluindo uma aula aberta da profa. Dra. Simone Diniz, em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP).
Pouco falamos do tema por aqui, apesar de termos nossas convicções e posturas diante do assunto, porém já sofremos, inclusive, retaliação por termos divulgado um documentário sobre o aborto na capital paulista - aqui.
Tanto Ana, como eu somos estudiosas da Saúde da Mulher e o fato de muitas mulheres morrerem pelo ato não nos pode passar desapercebido, tampouco fazer do fato apedrejamento em praça pública em nome da moral, dos bons costumes ou da fé cristã - leiam aqui o post Curetagem é a cirurgia mais realizada no Brasil!

Por isso hoje, aproveitando o gancho, compartilho uma série de informações que venho compilando há tempos!
- Post A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada, do blog Matizes Feministas.

- O Preço de uma Escolha (If These Walls Could Talk) - A HBO produziu para a televisão o projeto If These Walls Could Talk, no qual três histórias distintas, sobre aborto em 1996 e sobre homossexualidade feminina em 2000, são apresentadas no mesmo cenário em épocas diferentes - 1952, 1974 e 1996. O primeiro filme contou com atrizes como Demi Moore, Sissy Spacek e Cher.

Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) - Com Leonardo di Caprio e Kate Winslet, de Sam Mendes, que dirigiu Beleza Americana - Leiam aqui, no post de Carol Pombo, do What Mommy Needs suas impressões sobre um filme forte e tocante. Assistam aqui seis clips do longa-metragem!
E, para finalizar os links p/ o documentário Clandestinas, no Youtube:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=PGy21f212OY&noredirect=1
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=YY3RcmmS0hk&feature=related
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=k5WlInkenEw&feature=related
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM&feature=related
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=kfLvyoqoSmc&feature=related
Parte 6 - http://www.youtube.com/watch?v=MNt7-giC21c&feature=related

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Post Extraordinário - 28 de setembro - Pela Descriminalização e Legalização do Aborto

Blog Parto no Brasil volta a tratar de um dos temas mais estigmatizados da Saúde das Mulheres.
Porque a maternidade, a nossa e a das outras, não é incomplexa.
O dia 28 de setembro – Dia pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe – nos propõe uma reflexão sobre a alteridade: de pensar em outra situação possível, para outras mulheres.
O aborto hoje é a terceira causa de morte materna no Brasil e, de acordo com dados do SUS, a curetagem é uma das cirurgias mais realizadas nos serviços públicos. Somente na América Latina, anualmente são realizados cerca de 6 milhões de abortos. Segundo Pesquisa Nacional de Aborto (PNA, 2010), ao completar quarenta anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto.
“Um fenômeno tão comum e com consequências de saúde tão importantes coloca o aborto em posição de prioridade na agenda de saúde pública nacional.” Débora Diniz, editora convidada do número temático Aborto, da Revista Ciência e Saúde Coletiva, a ser lançado em maio de 2012.
O grupo de pesquisa GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde (FSP/USP) convida a para a aula aberta da disciplina Gênero e Saúde Materna (SCS5702), ministrada pela profa. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz, com exibição e debate sobre o documentário O Aborto dos Outros.
Data: 29/09/2011, quinta-feira, às 13h30
Local: Faculdade de Saúde Pública/USP (Metrô Clínicas) – 1º andar – Sala Fernando Araújo Guimarães Filho
Grátis. Não é necessário realizar inscrição.
Serão oferecidos atestados de participação.
Mais informações no Facebook ou pelo email gemas.usp@gmail.com

Realização: SCS5702) Gênero e Saúde Materna Departamento de Saúde Materno-Infantil – Faculdade de Saúde Pública/USP GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde NEMGE – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e as Relações de Gênero

FICHA TÉCNICA
O aborto dos outros (Brasil, 2008)
Direção: Carla Gallo
Gênero: Documentário
Duração: 72min.
Distribuidora: Califórnia Filmes
Sinopse: O Aborto dos Outros é um filme sobre maternidade, afetividade, intolerância e solidão. A narrativa percorre situações de abortos realizados em hospitais públicos – previstos em lei ou autorizados judicialmente – e situações de abortos clandestinos. O filme mostra os efeitos perversos da criminalização para as mulheres e aponta a necessidade de revisão da lei brasileira.
Mais do mesmo:

Fonte: Universidade Livre Feminista - Blogueiras Feministas

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O sexo é meu!

Das razões da cultura sobre nosso corpo


Médicos do Brasil Imperial promoviam a amamentação com estímulo à culpa e medo.
Confira a matéria clicando na ilustração de Ivan Wasth Rodrigues
Vocês sabem que somos tod@s a evidência de que informações justas e adequadas fazem a diferença no momento de brincar com nossa sexualidade: nas relações de prazer, na gravidez, parto e puerpério, ou amamentação e cuidados com os filhotes.
Como somos bicho-mãe e mulheres humanas, somos seres biopsicossociais, fisiológicos e culturais. Isso significa que até o ato de fazer cocô, para a gente, é simbólico: tem significados outros, além de ser o ato fisiológico de evacuar as fezes. Cada um o vive e percebe de um jeito diferente do outro! Aposto até que muita gente achou de mau gosto o uso do termo referente ao 'cocô' aqui no blog, preferindo muito mais a segunda opção, não é mesmo?
Pois bem. Somos assim mesmo. E manter esta perspectiva de distanciamento da nossa própria cultura, quando tratamos de questões de saúde, é melhorar o entendimento que temos sobre as dinâmicas médico-hospitalares, os processos de saúde-doença dos sujeitos, e a nossa própria experiência nesse meio.
Parir é cultural
Não raro, digo que as dificuldades por que passei durante a gestação (inúmeros encontros com diversos profissionais, insegurança, desajuste de interesses, choro), para parir Iara sem intervenções são mesmo o motivo do meu ativismo.
Brasileiras, temos nossos corpos peculiarmente dominados pelas instituições médico-hospitalares.
Nota 1: Falo dos 84,5% de cesáreas praticados no país (Fonte: http://www.ans.gov.br/portal/site/informacoesss/informacoesss.asp), mas falo também, das nossas gestações cuidadas no esquema padrão. Será que todas estas gestações têm problemas fisiológicos?
Nota 2: Outras instituições também subjugam nosso corpo e autonomia, como a Igreja e o Estado. O exemplo é a questão do aborto, que aqui ainda está no mérito de ser debatida pelos varões católicos e evangélicos do Congresso Nacional. Esta situação de fato é a tragédia da vida privada. O aborto clandestino condena milhares à morte – se já somos super maltratadas em pleno processo de parturição, no maravilhoso ato de dar à luz, quem dirá em caso de abortamento? Por isso vale a pena assistir a filmes tais como o que a Carolina Pombo do What Mommy Needs compartilhou via FB (ié, estamos on, babe):
Para repensarmos as situações que nos são dadas. Em outras palavras, vida de gado com a nossa própria saúde não rola, né?
Nota 3: Confira no Blog Mamíferas a polêmica discussão que está rolando sobre a amamentação, se é direito ou dever das mães. A simples colocação deste debate em pauta já evidencia que somos bichos culturais, ou seja, não amamentamos porque produzimos leite e ponto (assim como as outras mamíferas), amamentamos porque produzimos leite e sobretudo porque queremos amamentar.
Nota 4: Culpa e medo não são recorrentes ainda hoje na relação médico-mulher paciente de saúde materno-infantil?
Para finalizar, vale repetir então a importância de preparar-se emocionalmente para parir. Parto é 50% fisiológico (biologia-corpo) e 50% emocional (cultura-mente). Não basta a gestação saudável, é preciso entregar-se à experiência, coisa que a maioria das brasileiras desaprendeu a fazer.
Sozinhas, extremamente medicalizadas e passivas, em poucas décadas, a maioria das mulheres perdeu a confiança inata na sua capacidade de parir.
Lucía Caldeyro Stajano - Associação Nacional de Doulas, ANDO-Campinas.
E você com isso tudo? Conte para a gente tudo o que quiser, pois são temas tão distoantes e próximos. Nossos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O aborto na realidade virtual e na vida real

Informação a quem possa interessar...
No meio do caminho de volta para casa (processo que inicio amanhã), está uma tarde na cidade de São Paulo.
Se coincidência ou destino eu não sei, mas felizmente, o evento sobre aborto que aconteceria há duas semanas na Faculdade de Saúde Pública da USP foi transferido e ocorrerá amanhã, às 14h. Acesse aqui as informações.

Confira também o blog do Centro Acadêmico de Nutrição, que está organizando o debate. Como convidada, a professora Dra. Simone Grilo Diniz fará palestra. Fala sério! rs
E já que toda a imprensa está dedicada a pautar o tema por causa das eleições, para ferver o sangue geral, resolvi linkar aqui o vídeo do Programa CQC, que foi ao ar na edição de ontem à noite, Documento CQC: Aborto.

Pessoalmente, espero que o Blog Parto no Brasil sirva para provocar novas reflexões e mudanças em tod@s nós.
E para esclarecimento prévio, também pessoalmente, eu não me dou o direito de julgar as escolhas das outras pessoas. O que me interessa neste tema específico está no âmbito da coletividade, ou melhor, da Saúde Pública e das injustiças e violências que acometem o sexo feminino simplesmente por sê-lo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cine Feminista apresenta Clandestinas - o aborto no Brasil, em São Paulo/SP > AMANHÃ

A Marcha Mundial das Mulheres e o Centro de Informação da Mulher (CIM) realizam nesta sexta-feira (17) o Cine Feminista. A atividade contará com a exibição do documentário “Clandestinas – o aborto no Brasil” produzido pela jornalista Ana Carolina Moreno. O documentário traz um panorama da situação da ilegalidade do aborto no Brasil, tendo como perspectiva atuação do movimento de mulheres. Estima-se que no Brasil, anualmente um milhão de mulheres fazem aborto, dessas dez mil morrem em decorrência do aborto inseguro, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Cerca de 240 mil mulheres são internadas em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de abortos clandestinos. A atividade começa às 19 horas na sede do CIM que fica na Praça Roosevelt, 605, ao lado da Igreja da Consolação. Fonte: http://www.sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=502. Foto: Centro de Mídia Independente - cmi brasil.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Curetagem é a cirurgia mais realizada no Brasil


Segundo Ministério da Saúde, foram feitos 3,1 milhões de procedimentos entre 1995 e 2007 - Por Adauri Antunes Barbosa.
SÃO PAULO. Uma das cirurgias mais realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a curetagem (procedimento para limpar o útero após o aborto) foi feita na rede pública por 3,1 milhões de mulheres, entre 1995 e 2007.
O número, revelado em tese de doutorado pela médica Pai Ching Yu, do Instituto do Coração (Incor) da Universidade de São Paulo (USP), mostra a gravidade do problema. O aborto que precede a curetagem é uma das principais causas de morte no País — e motivo de maus tratos, por parte de profissionais da saúde, a mulheres que buscam atendimento médico.
Não há números oficiais sobre aborto no Brasil. A mulher que procura atendimento médico depois de abortar geralmente não informa se o procedimento foi legal, espontâneo ou ilegal, temendo punições. Em alguns estados, como Bahia e Pernambuco, as complicações do aborto são a primeira causa de morte de mulheres, conforme constataram as ONGs Ipas Brasil e Grupo Curumim, que pesquisaram o assunto em cinco estados, incluindo o Rio de Janeiro.
De acordo com a enfermeira Ana Paula Lima Viana, da ONG Grupo Curumim, a lei restritiva não impede que os abortos continuem sendo realizados no País e, ao mesmo tempo, encobre “tabus e estigmas” em torno do problema.
Um deles, contou, é que o aborto é tratado como crime e pecado pelos profissionais da saúde, que se negam a dar o atendimento, provocando o agravamento do estado das mulheres e causando a morte.
Isso é grave violação a um direito humano. A mulher não tem atendimento ou tem atendimento de péssima qualidade — afirmou Ana Paula Viana.
Conforme as pesquisas feitas pelo Grupo Curumim e Ipas Brasil, a crueldade da curetagem em mulheres que fizeram aborto foi constatada no Rio, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Em vez de utilizarem o método de aspiração manual, um processo simples que não põe a mulher em risco, as ONGs observaram que a raspagem é feita com instrumento perfurante que, em muitos casos, provoca hemorragias e infecções.
Esse método arcaico de raspagem com objeto perfurante é verificado em mais de 90% dos casos, quase 100%. Inclusive no Rio — disse Ana Paula, que é parteira em Recife.
Segundo dados do Ministério da Saúde foram realizados no SUS mais de 32 milhões de procedimentos cirúrgicos entre 1995 e 2007. Entre os 1.568 tipos de cirurgias, as curetagens ficaram em primeiro, com 3,1 milhões de registros. Na sequência, ficaram as cirurgias para correção de hérnia, com 1,8 milhão de casos; retiradas de vesícula, 1,2 milhão; plástica de vagina e períneo, 1,1 milhão; e retirada do apêndice, 923 mil. As cirurgias cardíacas, partos e intervenções sem internação ficaram de fora da pesquisa.
Fonte: O Globo, 15/07/10. Foto extraída de: http://oglobo.globo.com/fotos/2008/09/17/17_MHG_mul_aborto.jpg

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