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terça-feira, 15 de maio de 2012

A Saúde Bucal da Gestante - Mitos, tabus e raciocínio


Por Ana Valéria Fink Lemos
 
Durante muito tempo, gestantes com problemas bucais sofriam sem atendimento, por se  considerar perigoso frequentar dentista durante a gravidez. Esse temor não tem nenhum fundamento, a não ser a desculpa de "escapar" do tratamento odontológico que, convenhamos, é desagradável. Uma anestesia   para dentes jamais atravessará a barreira da placenta e afetará o bebê, mas infecções que a mãe possa ter na boca atravessam essa barreira e prejudicam seriamente o filhote.
Nas consultas do pré-natal o médico sempre fica muito atento com relação a infecções urinárias. Quando uma gestante apresenta essa doença, seu organismo produz uma substância que pode fazer com que o útero contraia antes do tempo, ocasionando parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso. Recentemente, cientistas concluiram que se a gestante apresentar gengivite, seu organismo produz essa mesma substância, e que infecções bucais podem ser responsáveis por 82% dos partos prematuros no mundo! Portanto, é importantíssimo que a grávida tenha acompanhamento do cirurgião-dentista.
A gengivite se apresenta como uma gengiva mais vermelha, inchada ( meio "gorducha" entre os dentes) e que sangra com a maior facilidade. Como seres humanos tem um certo pudor com sangue ("tudo que sangra é  melhor não mexer"), a tendência de uma pessoa com gengivite é não tocar na gengivas. É muito comum pessoas relatarem que não usam fio dental porque ele "corta" a gengiva e sangra. Não é o que acontece. Provavelmente a pessoa apresenta gengivite, que manifesta sangramento ao toque do fio. Gengiva que sangra está pedindo SOCORRO!!! E o socorro é a limpeza. É fundamental que a escova de dentes tenha cerdas muito macias, que devem massagear a gengiva. Além disso, sabe-se que as bactérias que "atacam" a gengiva não suportam oxigênio. Então, substituir a pasta de dentes por água oxigenada 10 volumes pode acelerar a cura. As cerdas da escova devem penetrar na "dobrinha" que a gengiva faz sobre os dentes, e devem ser vibradas dentro da gengiva, com delicadeza. O uso do fio dental é fundamental, pelo menos uma vez ao dia. Procure o dentista para orientações e realização de limpeza, com remoção de tártaro, cáries etc. A única restrição ao tratamento é o cuidado com as radiografias, que devem ser evitadas no primeiro trimestre da gestaçãio, e devem sempre ser realizadas com a proteção de um avental de chumbo sobre a barriga.
Outro engano é achar que a gravidez prejudica os dentes da mãe! A natureza não seria cruel... Além de gerar, carregar e parir, a mãe sofreria a "injustiça" de ter o cálcio de seus dentes e ossos sugados pelo bebê? Isso definitivamente não acontece, mas a gestante pode apresentar mais problemas bucais por uma questão muito simples: todas as doenças bucais acontecem por sujeirinha mal limpa! A grávida que enjoa muito tem muita dificuldade na escovação, então vai ter problemas porque não consegue limpar direito. Nesse sentido a escovação com água oxigenada 10 volumes também pode ser útil: pra mim foi ótimo, eu enjoava menos do que quando escovava com pasta dental.
Outro detalhe que pode prejudicar a futura mamãe: conforme o bebê vai crescendo dentro do ventre materno, os órgãos internos da mãe vão sendo "espremidos": o estômago fica menor, e a grávida vai ter que fracionar a alimentação, utilizando menor quantidade de comida, mas mais vezes durante o dia. Se o velho hábito de escovar os dentes três vezes ao dia (após o café da manhã, almoço e jantar) for mantido, a grávida terá mais problemas bucais porque estará sujando mais do que limpando. Então, o segredo é esse: sujou, limpou!
Os cientistas também descobriram que o paladar do bebê começa a se formar a partir do quarto mês de gestação, e que grávidas que comem muito doce já estariam "viciando" a criança. Como o açúcar só serve pra engordar e causar cáries, cuidado com ele. O açúcar é um grande perigo para a saúde, mas como é delicioso, deve ser consumido com inteligência!
Costumo dizer que a saúde bucal é uma conquista do dono da boca, e que o dentista é o "pobre coitado" que corre atrás do prejuízo: os dentes vão estragando, e o dentista consertando... Mas isso não é saúde! E se a gente parar pra pensar, é uma questão cultural: nenhum ser humano do mundo, em sã consciência, permite que nenhuma parte de seu corpo "apodreça". Mas, quase todo mundo já permitiu que pelo menos um dente deteriorasse! E vamos combinar que a boca seria o lugar mais "nojentinho" de se ter coisa estragada... E vamos combinar que o tratamento no dentista é uma das coisas mais desagradáveis pra se fazer na vida... Mas, tem jeito de escapar: se você conseguir se manter saudável, escapa! Depende do dono da boca...
Mas, é preciso raciocinar: a boca é a portinha de entrada do corpo, certo? Quando você suja a portinha de saída tem coragem de deixar pra limpar mais tarde ou limpa na hora? Tem coragem de limpar "mais ou menos" porque está com pressa ou preguiça, ou limpa sempre bem? Se você é como todo mundo, deve ser um ótimo cuidador da portinha de saída. Todo ser humano do mundo cuida melhor da bundinha do que da boca!!!!! E isso não é muito inteligente, concorda? Então, pra se manter saudável, devemos cuidar da boca como cuidamos da bundinha! Ou seja: limpar com perfeição na hora em que se suja. Se você come mais de três vezes por dia tem que escovar os dentes mais de três vezes... Se você escovou os dentes após o almoço e depois comeu uma bolachinha, sujou tudo de novo, então deve limpar novamente! Muita atenção com balinhas e chicletes; é melhor comer 10 balas e escovar muito bem imediatamente do que comer uma bala e passar muito tempo com ela "grudada" nos dentes. E isso é uma questão de hábito... Ouço muitas mães dizerem que os dentes de seu filho estão cariados porque "ele não deixa escovar"! Mas nunca ouvi nenhuma mãe dizer que seu   filho não "deixa" trocar fraldas ou limpar a bundinha... É uma questão de hábito!
Então, desde as primeiras mamadas, mesmo sem dentes, deve-se limpar a língua e gengivas do bebê com paninho ou gaze e água fervida ou filtrada. Desta maneira seu filho vai se acostumar com a limpeza da boca: assim como se limpa a bundinha a cada vez que se suja, assim também se limpa a boquinha. Dessa maneira, como prova de amor, você vai livrar seu filhote das doenças bucais. Você é responsável pelos hábitos que ele vai adquirir na infäncia e repetir pela vida toda!!!

* Ana Valéria é dentista graduada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e atua pela Prefeitura Municipal de Porto Belo/SC. Mãe de cinco filh@s!
Contato pelo email: leriafink@yahoo.com.br

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cesárea ou Parto Normal - Vídeo do Hospital Albert Einstein SP

Estamos em plena ação de reconhecimento e enfrentamento da Violência Obstétrica. Uma forma de violência contra a mulher ainda invisível, não legislada, não tratada da forma como gostaríamos e temos direito.

Todas as mulheres têm direito de saber as taxas de cesárea, parto, episiotomia, condução, indução e parto no leito praticadas pelas maternidades brasileiras.

O Blog Parto no Brasil está publicando hoje, aqui e nos canais do Facebook, um vídeo do Hospital Albert Einsten que compara riscos e benefícios das vias de parto: vaginal e cesárea. Veja, o hospital pratica 81% de cesáreas, e contraditoriamente, divulga muitos riscos associados à cirurgia.

O convite então é assistir ao vídeo, conferir a tabela de indicadores de 10 maternidades paulistanas (publicada recentemente pela obstetriz Ana Cristina Duarte, em seu perfil no Facebook) e refletir sobre as seguintes categorias:

Direitos reprodutivos  ·  Escolhas Esclarecidas  
Primum Non Nocere   ·   Ética Médica
                   
Fonte: Tabulações SISNAC
TabNet Win32 2.7: SINASC Nascidos Vivos
(Município de São Paulo Dados de 2011 até Outubro)
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//cgi/deftohtm.exe?secretarias%2Fsaude%2FTABNET%2FSMS%2Fnasc_sp.def

          


O Blog Parto no Brasil defende a autonomia das mulheres! 

Todas as mulheres têm direito a informações adequadas e justas sobre os procedimentos fisiológicos ou médicos que são inerentes ao processo de parto e nascimento.

52% dos nascimentos do país ocorrem via cesariana. 
Diante deste quadro, é impossível responsabilizar apenas as mulheres por estes indicadores. Mesmo em defesa da autonomia que garante direito de escolha até para realização de uma cirurgia eletiva, pergunto: Seria possível um resultado como este, se as mulheres e as famílias fossem realmente esclarecidas?

Definição de Direitos reprodutivos: Poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura.

E você, teve essa oportunidade de escolha real?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

MP 557 - Sexualidade e Direitos Reprodutivos

A estarrecida Medida Provisória 557, de 26 de dezembro de 2011, foi mesmo um ataque aos nervos d@s ativistas pelos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Muitas matérias e entrevistas interessantíssimas foram publicadas desde então, veja seleção de notícias abaixo, e saiba mais sobre a saúde das brasileiras.


Além da forma em que os fatos foram executados, aparentemente sem discussão com a sociedade civil ou com as organizações populares, por meio de medida provisória datada entre Natal e Ano Novo; há críticas até mesmo ao propósito de implementação de uma nova estrutura de vigilância. Que tal levar a sério os achados da CPI da Morte Materna de 2001? Cadê os Comitês de Morte Materna? Estes deviam ser os espaços legítimos de atenção à qualidade da assistência prestada às gestantes, especialmente as de risco. Afinal, investiga-se cada morte materna para quê?


Enfim, dois pontos específicos foram os mais atacados pel@s ativistas e pesquisador@s da saúde das brasileiras: 

i) A inclusão de garantia de direitos ao "nascituro", equiparando-o aos direitos das mulheres. O termo aparece uma única vez, na frase: "Os serviços de saúde públicos e privados ficam obrigados a garantir às gestantes e aos nascituros o direito ao pré-natal, parto, nascimento e puerpério seguros e humanizados." 

Segundo especialistas, a norma é inconstitucional, já que, pelo que pude entender, bebê na barriga não tem personalidade jurídica, assim, não pode ser sujeito de direitos, tem apenas "expectativa" de direitos. É um debate jurídico fervoroso, que vez ou outra é colocada em discussão - e que, neste momento, foge aos propósitos deste post. Já os direitos sexuais e direitos reprodutivos de mulheres e homens, são reconhecidos, devem ser protegidos e assegurados.


ii) Isso inclui e nos leva ao segundo ponto polêmico da MP 557 - o completo silenciamento sobre o aborto.  A terceira causa de morte materna no Brasil. E o novo Sistema não trata de seu cuidado, de programar medidas de atenção humanizada, de refletir sobre medidas preventivas, nada. As mulheres que se virem como podem. É assim que é. Terceira causa de morte. 


É assim que vai continuar sendo. As experiências ruins que as mulheres vivem, que são decorrentes do sexo que os homens também praticam - afinal, se na hora de fazer foi gostoso, foi gostoso para os dois não é cara pálida - estas, são de responsabilidade apenas das mulheres: os maus-tratos que ninguém quer aceitar, outros que muit@s não conseguem nem imaginar. E vai deixar acompanhante entrar ainda? Fala sério.


Por isso (e muito mais, claro), temos o fato de que os últimos dados "confiáveis" disponíveis sobre acompanhante de parto datam de 2006 - ou seja, estão defasados! - Segundo a última edição da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), apenas 16,3% das mulheres tiveram  garantido seu direito a acompanhante. 




Não deixe de ler a recentíssima entrevista de Maria Esther Vilela, da Área Técnica da Saúde da Mulher, Ministério da Saúde, ao Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM) - Integralidade é um objetivo. A entrevista foi publicada ontem, e traz algumas respostas que buscamos. Esther Vilela é obstetra, e atualmente está à frente do Rede Cegonha. Em seu histórico profissional, a implantação de um modelo de assistência ao parto que se tornou referência: Centro de Parto Normal e humanização no SUS.

Channel BannerE hoje, às 20h, no Blog Saúde com Dilma, Esther Vilela (Rede Cegonha) e Dario Pasche (Ações Programáticas e Estratégicas) falam com o público sobre a MP 557, em debate pelo Twitcam. Confira mais informações aqui.


Outras fontes: 



AQUINO EML, MENEZES GMS, ARAUJO TVB, MARINHO LFB (2011). Epidemiologia, sexualidade e reprodução. In: ALMEIDA FILHO N, Barreto ML. (Orgs.). Epidemiologia & Saúde: Fundamentos, Métodos e Aplicações. 1ed Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1 (s/n): 581-592. 

Fotos: Passeatas no Rio de Janeiro. Dia Internacional da Mulher, 1988, 1989 e 1993. Acervo Memórias e Movimentos Sociais. Alguns direitos reservados.


 Este texto inaugura a série "Sexualidade e Direitos Reprodutivos" que publicará, quinzenalmente, no Blog Parto no Brasil, conteúdos sobre contracepção, aborto, HIV/Aids e participação dos homens. Tudo a partir de uma perspectiva feminista em favor da autonomia das mulheres. 


Porque o conhecimento é transformador. 
E este é um espaço de motivação, para que junt@s, a gente experimente boas novas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Monsanto Contra la Mujer: "Hallan toxinas peligrosas de maíz GM en sangre de mujeres y fetos"

Esta contaminación transgeniga se asocia directamente con extrañas alergias, destrucción del sistema inmunologico, y otros trastornos. Monsanto otra vez: Ya existen abundantes evidencias sobre la toxicidad del quimico Bt utilizado en las plantas GM de maíz y algodón. Este peligroso invento de Monsanto afecta a seres humanos y demás mamíferos, desencadenando la destrucción del sistema inmunologico. La transmisión de esta toxina en nuestro suministro de sangre, que pasa a través de la placenta a los fetos, puede xplicar el aumento de muchas enfermedades desde que fueran introducidas al mercado las variedades de cultivos Bt en 1996. No podemos dejar pasar, ante este descubrimiento, que Cristina Fernandez de Kirchner negocia con Monsanto, y acaba de inaugurar hace pocas semanas una planta de producción de Glifosato en Tierra del Fuego.
Una investigación patrocinada por el gobierno de Italia, demostró que los ratones alimentados con Bt de Monsanto, resluraron perjudicados con una amplia gama de respuestas inmunes. Los niveles elevados de IgE e IgG, por ejemplo, suelen estar asociados con alergias e infecciones.
Los ratones tuvieron un grave aumento de citoquinas, que se asocian con "respuestas alérgicas e inflamatorias". Las citoquinas específicas (interleucinas) también son mayores en los seres humanos que sufren una amplia gama de trastornos, desde artritis y la enfermedad inflamatoria intestinal, hasta la EM y el cáncer.
Dato: Cuando los reguladores de alimentos de EE.UU. aprobaron el maíz genéticamente modificado de Monsanto "Bt", sabían que estaban añadiendo un veneno mortal al suministro de alimentos. Es para eso que fue diseñado. El ADN del maíz está equipado con el gen de una bacteria del suelo llamada Bt (Bacillus thuringiensis) que produce la toxina Bt. Se trata de un pesticida que rompe y abre el estómago de ciertos insectos, matandolos.
"Sin embargo, y como de costumbre, Monsanto y la Agencia de Protección Ambiental (EPA), que intercambia funcionarios con Monsanto en forma constante, juraron de hiper juraron que los unicos perjudicados con esta toxina serían los insectos. La toxina Bt, según ellos, sería completamente destruida por el sistema digestivo humano y no tendría ningún impacto en nosotros, por lo cual, afirmaron a los consumidores, que sería seguro comer este maíz", relata el prestigioso medico estadounidense Jeffrey Smith.
"Un estudio acaba de demostrar que están equivocados"
"Doctores del Hospital Universitario de Sherbrooke en Quebec encontraron el maíz Bt-toxina en la sangre de mujeres embarazadas y sus bebés, así como en las mujeres no embarazadas", "En concreto, la toxina se identificó en el 93% de 30 mujeres embarazadas, en el 80% de la sangre del cordón umbilical de sus bebés, y en el 67% de 39 mujeres no embarazadas", "...el estudio ha sido aceptado para su publicación en la revista médica Reproductive Toxicology..."
De acuerdo con el Daily Mail del Reino Unido, este estudio, que "parece un agujero" en las demandas de seguridad, "ha provocado llamadas solicitando la prohibición de importaciones y una revisión total del régimen de seguridad para los alimentos genéticamente modificados(GM)". Organizaciones que abarcan desde Inglaterra a Nueva Zelanda, piden ahora una investigación certera sobre los cultivos transgénicos, y el comercio se detuvo debido a las graves consecuencias de este hallazgo.
Fonte: Mercola.com - http://translate.google.com/translate?sl=en&tl=es&js=n&prev=_t&hl=es&ie=UTF-8&layout=2&eotf=1&u=http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2011/10/06/dangerous-toxins-from-gmo-foods.aspx?e_cid%3D20111006_DNL_art_3

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As muitas faces de um assunto

Ontem o blog divulgou eventos pelo País afora sobre a questão do aborto, incluindo uma aula aberta da profa. Dra. Simone Diniz, em São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP).
Pouco falamos do tema por aqui, apesar de termos nossas convicções e posturas diante do assunto, porém já sofremos, inclusive, retaliação por termos divulgado um documentário sobre o aborto na capital paulista - aqui.
Tanto Ana, como eu somos estudiosas da Saúde da Mulher e o fato de muitas mulheres morrerem pelo ato não nos pode passar desapercebido, tampouco fazer do fato apedrejamento em praça pública em nome da moral, dos bons costumes ou da fé cristã - leiam aqui o post Curetagem é a cirurgia mais realizada no Brasil!

Por isso hoje, aproveitando o gancho, compartilho uma série de informações que venho compilando há tempos!
- Post A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada, do blog Matizes Feministas.

- O Preço de uma Escolha (If These Walls Could Talk) - A HBO produziu para a televisão o projeto If These Walls Could Talk, no qual três histórias distintas, sobre aborto em 1996 e sobre homossexualidade feminina em 2000, são apresentadas no mesmo cenário em épocas diferentes - 1952, 1974 e 1996. O primeiro filme contou com atrizes como Demi Moore, Sissy Spacek e Cher.

Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) - Com Leonardo di Caprio e Kate Winslet, de Sam Mendes, que dirigiu Beleza Americana - Leiam aqui, no post de Carol Pombo, do What Mommy Needs suas impressões sobre um filme forte e tocante. Assistam aqui seis clips do longa-metragem!
E, para finalizar os links p/ o documentário Clandestinas, no Youtube:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=PGy21f212OY&noredirect=1
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=YY3RcmmS0hk&feature=related
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=k5WlInkenEw&feature=related
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM&feature=related
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=kfLvyoqoSmc&feature=related
Parte 6 - http://www.youtube.com/watch?v=MNt7-giC21c&feature=related

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Post Extraordinário - 28 de setembro - Pela Descriminalização e Legalização do Aborto

Blog Parto no Brasil volta a tratar de um dos temas mais estigmatizados da Saúde das Mulheres.
Porque a maternidade, a nossa e a das outras, não é incomplexa.
O dia 28 de setembro – Dia pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe – nos propõe uma reflexão sobre a alteridade: de pensar em outra situação possível, para outras mulheres.
O aborto hoje é a terceira causa de morte materna no Brasil e, de acordo com dados do SUS, a curetagem é uma das cirurgias mais realizadas nos serviços públicos. Somente na América Latina, anualmente são realizados cerca de 6 milhões de abortos. Segundo Pesquisa Nacional de Aborto (PNA, 2010), ao completar quarenta anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto.
“Um fenômeno tão comum e com consequências de saúde tão importantes coloca o aborto em posição de prioridade na agenda de saúde pública nacional.” Débora Diniz, editora convidada do número temático Aborto, da Revista Ciência e Saúde Coletiva, a ser lançado em maio de 2012.
O grupo de pesquisa GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde (FSP/USP) convida a para a aula aberta da disciplina Gênero e Saúde Materna (SCS5702), ministrada pela profa. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz, com exibição e debate sobre o documentário O Aborto dos Outros.
Data: 29/09/2011, quinta-feira, às 13h30
Local: Faculdade de Saúde Pública/USP (Metrô Clínicas) – 1º andar – Sala Fernando Araújo Guimarães Filho
Grátis. Não é necessário realizar inscrição.
Serão oferecidos atestados de participação.
Mais informações no Facebook ou pelo email gemas.usp@gmail.com

Realização: SCS5702) Gênero e Saúde Materna Departamento de Saúde Materno-Infantil – Faculdade de Saúde Pública/USP GEMAS – Gênero, Evidências, Maternidade, Saúde NEMGE – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e as Relações de Gênero

FICHA TÉCNICA
O aborto dos outros (Brasil, 2008)
Direção: Carla Gallo
Gênero: Documentário
Duração: 72min.
Distribuidora: Califórnia Filmes
Sinopse: O Aborto dos Outros é um filme sobre maternidade, afetividade, intolerância e solidão. A narrativa percorre situações de abortos realizados em hospitais públicos – previstos em lei ou autorizados judicialmente – e situações de abortos clandestinos. O filme mostra os efeitos perversos da criminalização para as mulheres e aponta a necessidade de revisão da lei brasileira.
Mais do mesmo:

Fonte: Universidade Livre Feminista - Blogueiras Feministas

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Universo feminino e materno: textos p/ baixar

Hoje compartilho alguns links c/ textos do universo feminino e materno p/ baixar, p/ aproveitar o fim de semana c/ ótimas leituras!
Acessem:
Na lista Círculo de Mulheres PDF´s sobre métodos contraceptivos naturais e outros textos - aqui!
No site Aleitamento.com baixem Além da sobrevivência: práticas integradas de atenção ao parto, benéficas p/ a nutrição e a saúde de mães e crianças - aqui!
Imagem: Moacir.

sábado, 13 de agosto de 2011

Multimidia Parto no Brasil - Morte Materna: Não precisa ser assim!


O Blog Parto no Brasil divulga hoje mais uma experiência internacional na área da Saúde Materna - Engender Health

Porque enquanto você assiste a este filme, duas mulheres terão morrido por complicações relativas à gravidez e ao parto.
Não precisa ser assim.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

19 de maio - Dia Mundial da Doação de Leite Humano


Hoje comemoramos o Dia Mundial da Doação de Leite Humano e para celebrar compartilho inúmeros sites e blogs c/ posts sobre o tema da promoção do aleitamento materno, mesmo porque o assunto tem sido divulgado em vários meios de comunicação, em especial pelo Mamaço, promovido no Itaú Cultural, em São Paulo, por mulheres-mães que se juntaram e, unidas, colocaram os peitos para fora para alimentar suas crias, dado que uma delas foi proibida de amamentar seu filho na instituição antes do acontecido. O Mamíferas também promoveu uma campanha nas redes sociais, o Mamaço Virtual, pois uma foto de uma de suas editoras que amamentava seu filho, a Kalu Brum, foi retirada do Facebook.
Mulheres unidas e empoderadas, lindo de ver! Porque teta é tudo de bom!
Confiram:
Info Brasília - http://avalarini.blogspot.com/2011/05/hoje-e-o-dia-mundial-de-doacao-de-leite.html
Mamíferas - Parto e Amamentação fazem parte da Sexualidade Feminina, por Kalu Brum - http://www.blogmamiferas.com.br/2011/05/parto-e-amamentacao-fazem-parte-da-sexualidade-feminina.html
Mamíferas - Mamaço Virtual, por Kathy - http://www.blogmamiferas.com.br/2011/05/mamaco-virtual.html
Mamíferas - Mamaço na Mídia, por Kathy - http://www.blogmamiferas.com.br/2011/05/mamaco-na-midia.html
Mães da Pátria - Mamaço Poderoso, por Bia Fioretti - http://maesdapatria.wordpress.com/2011/05/13/mamaco-podereso/

Buena Leche - Amamentação e Sexualidade, por Claudia Rodrigues - http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com/2011/05/amamentacao-e-sexualidade.html?spref=fb
Ministério da Saúde/FIOCRUZ/Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano - Doação de Leite Humano - http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=360 e Aleitamento Materno - http://www.fiocruz.br/redeblh/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=384

Confiram, ainda, outros posts no Blog Parto no Brasil sobre amamentação:
Vídeo Quiero teta - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/02/quiero-teta.html
Leite de Mãe - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/06/leite-de-mae.html
Para as recém-paridas - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/08/para-as-recem-paridas.html
Dona das divinas tetas - http://partonobrasil.blogspot.com/2011/01/dona-das-divinas-tetas.html
Sobre Bancos de Leite - http://partonobrasil.blogspot.com/2011/01/sobre-bancos-de-leite.html
Lactância Selvagem - http://partonobrasil.blogspot.com/2011/02/lactancia-selvagem.html
Álbum Teta, no Facebook - https://www.facebook.com/profile.php?id=100001575006549#!/media/set/?set=a.109836839078816.11947.100001575006549
LEITE É VIDA!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sobre nascimento, Saúde da Mulher e respeito!

Bela segunda-feira esta que me contemplou c/ uma calorosa notícia: Juan nasceu, filho de Paty e Ramiro, amigos da terrinha ourinhense, nesta noite de domingo, dia 10, em Bauru/SP, num parto hospitalar na água, o 1o. do município! Chegou ao mundão com Apgar 10/10, 3.265Kg e 50 cm; Paty teve uma laceração pequena sem sutura, c/ períneo íntegro, viva!

Ramiro é amigo de meu companheiro, e nos procurou no início da gestação para saber sobre parto humanizado, por conhecer nossa experiência c/ Rudá. Foram algumas noites madrugada adentro e eu lhe contando sobre este lindo universo da Partolândia, lhe apresentando a pílula azul da Matrix obstétrica! E, ele tomou! Logo foi folhear Nascer Sorrindo, de Leboyer! A intenção era até ir p/ Campinas e ter a cria no CAISM, pois na região do Centro-Oeste paulista é difícil encontrar uma assistência humanizada (bem sei qdo estava por lá no início da gestação). Assim, lhes apresentei (virtualmente, rs) Denise Cardoso, mãe de Anahí e doula, da roda de casais MaternAtiva, e a busca se aprofundou!
Meses de encontros, conversas, novas descobertas!

E minha felicidade neste dia é tamanha, pois sei que mais um serzinho nasceu dignamente, c/ respeito, amparado por sua mãe e seu pai, que puderam vivenciar essa conquista, em seu tempo e momento próprios!
(suspiro)
Muita teta p/ vc Juan! Colo, carinho e atenção, porque é disso que bebê gosta! C/ sling então, melhor ainda!
O post de hoje trás alguns artigos que li nesta semana que se passou, contundentes e complementares, sobre o novo programa do Governo Federal - Rede Cegonha, lançado em Belo Horizonte/MG em 28 de março, pela nossa Presidenta e o Ministério da Saúde, c/ o Ministro Alexandre Padilha. C/ criticidade seus autores vão a fundo na discussão sobre a atenção à Saúde da Mulher e Saúde Pública, incluindo o enfoque de gênero, tão pertinente. Textos inscríveis, vejam só:
No Blog Saúde com Dilma -
As cegonhas vão parir... tudo está resolvido!!, de Clair Clastilhos - http://saudedilma.wordpress.com/2011/04/02/clair-castilhos-as-cegonhas-vao-parir-tudo-esta-resolvido/;
Rede Cegonha é um retrocesso de 30 anos nas políticas de gênero, saúde da mulher, direitos reprodutivos e sexuais, de Télia Negrão - http://saudedilma.wordpress.com/2011/04/05/rede-cegonha-e-um-retrocesso-de-30-anos-nas-politicas-de-genero-saude-da-mulher-direitos-reprodutivos-e-sexuais/.
Confiram no Estadão, de 1o. de abril:
Movimento de mulheres critica programa para gestantes lançado por Dilma - http://www.geledes.org.br/generos-em-noticias/movimento-de-mulheres-critica-programa-para-gestantes-lancado-por-dilma-01-04-2011.html.
"Voltamos a uma visão materno-infantil da saúde das mulheres, quando já considerávamos que a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, surgida em 1983, parecia estar consolidada”, observou a cientista política Telia Negrão.
Uma das 1as cidades a aderir ao programa é Campinas/SP - http://www.jusbrasil.com.br/politica/6808836/campinas-e-a-primeira-cidade-do-pais-a-aderir-ao-rede-cegonha.
E, para finalizar, completo c/ o esclarecedor texto de Ana Reis, no site Vi o mundo - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ana-reis-saude-nao-da-no-hospital-nem-no-posto.html.
Uma ótima semana para tod@s, e, vamos que vamos, pois amanhã já temos Janet Balaskas na terra das Araucárias, em Curitiba/PR, na palestra O Parto Ativo: a história e a filosofia de uma revolução, no auditório da FIEP, às 19h30, na Av. Comendador Franco, 1341, Jd. Botânico - faça sua inscrição gratuita aqui. Aproveitam, ainda, o último dia de desconto para se inscrever no evento c/ a autora em São Paulo, pelo PagSeguro - nós do Blog Parto no Brasil estaremos lá!
Fotos: Acervo MaternAtiva.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre mulheres, partes mimosas, bichos que dão na gente e muito mais


Compartilho hoje uma série de links que nos remetem ao Universo Feminino, nosso corpo e suas singulariedades.
Bora lá!
Quem não conhece a jornalista Sonia Hirsh, que edita o blog Deixa Sair e é autora de vários livros sobre alimentação saudável não sabe o que está perdendo! Não é a primeira vez (e nem a última) que vocês ouvem sobre ela aqui no Blog Parto no Brasil - sou entusiasta de suas publicações com leituras muito prazeirosas!
Hoje linko seu post Dicionário da mulher: Controlando a musculatura das partes mimosas * - http://www.soniahirsch.com/2010/03/dicionario-da-mulher-controlando.html.
* (Re) Leiam o post Partes mimosas, publicado por Ana Carolina, em 12 junho de 2010.
Confiram também o Almanaque de Bichos que dão em Gente, com capítulos online disponíveis no site da Correcotia, que publica os livros da autora - http://correcotia.com/vermes/pesquisa/indice_capitulos.htm.
Ainda no âmbito da feminilidade leiam dois textos:
A mulher brasileira faz uma revolução. Chauí conta uma história do Bolsa Família, encontrada no site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim - http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/12/26/a-mulher-brasileira-faz-uma-revolucao-chaui-conta-uma-historia-do-bolsa-familia/.
TPM: ela precisa existir mesmo???!!!???, do Blog Desabafo de Mãe - http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/07/tpm-ela-precisa-existir-mesmo.html.
E, para as mulheres vaidosas finalizo com o blog Cosméticos Orgânicos/Naturais - http://cosmeticosorganicosnaturais.blogspot.com/.
De mulher para mulher (e não é propaganda da Marisa, rs)!

terça-feira, 8 de março de 2011

O Dia 8 de Março, as feministas e o silêncio sobre a assistência ao parto

Plantão_Para as mulheres e @s ativistas pelo empoderamento no parto.

Hoje celebramos mais um Dia Internacional da Mulher. Damos visibilidade à dignidade, à autonomia e aos direitos que queremos ter respeitados. Clamamos pelo fim da violência contra nossos corpos, nossa produção laboral e a nossa saúde emocional. Publicizamos as mazelas que o capitalismo, o patriarcado e o machismo engendram sobre nós e os outros gêneros.
Deste modo, fala-se sempre em raça e etnia, aborto seguro, violência doméstica, valorização do trabalho, educação e assistência integal à saúde de boa qualidade.
Entretanto, fica sempre uma lacuna: como nascem noss@s filh@s?
Estou citando a pesquisadora feminista Monica Bara Maia, que, em entrevista ao Blog Parto no Brasil, afirmou que o processo da parturição é mesmo uma experiência desconsiderada na vida das mulheres. Parece-nos que o que importa é a gestação e a materialização da cria em boas condições de saúde. Mas o processo pelo qual "damos vida" aos pequenos seres é quase sempre completamente ignorado.
Assim, neste dia, proponho uma crítica aos movimentos de mulheres, e também chamo a atenção do movimento pela Humanização do Parto e Nascimento. Pois, nós mulheres, precisamos pautar a assistência à saúde que recebemos (e/ou prestamos) especificamente no momento de parir.
Nossa sexualidade é o campo dos fênomenos que acompanham os nascimentos. Temos direitos humanos e reprodutivos assegurados e precisamos popularizar as informações sobre o bom parto, sobre o parto que queremos, sobre os maus-tratos que sofremos, sobre a assistência que não nos satisfaz, aquela que mal-queremos.

Hoje, publico então a íntegra de um texto que considerei representativo desta data, o 8 de Março. Trata-se de uma carta assinada por muitas entidades e organizações brasileiras, publicada no site da Secretaria de Políticas para Mulheres, do Governo Federal.
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Feministas em Luta por Autonomia e Igualdade!
Contra o Machismo e o Capitalismo!

Nós, mulheres feministas, estamos nas ruas novamente neste 8 de Março para reafirmar nosso compromisso com a luta contra o machismo; uma luta que, para nós, também é anti-capitalista, pois ainda há muito a fazer para garantir nossa autonomia, igualdade e direitos plenos. Esta é a base da sociedade que queremos construir.
O combate ao machismo se faz todo dia. Reconhecemos os avanços conquistados pela luta das mulheres, mas temos no horizonte ainda muito pelo que lutar. Para sermos vitoriosas, é preciso compromisso com nossas bandeiras históricas e total autonomia do movimento para pautá-las. Estamos em luta diária contra a violência sexista, pela descriminalização e legalização do aborto, valorização do nosso trabalho, educação de qualidade para todos e solidárias às lutas anti-capitalistas travadas no Brasil e no mundo.
Em todo o país, acompanhamos o surgimento de uma grave ofensiva conservadora, que tenta impor princípios religiosos para o conjunto da população, além de propor retrocessos na questão dos direitos humanos, como vimos na ocasião da assinatura do Acordo Brasil-Vaticano e nos vetos ao PNDH-3. Essa ofensiva culminou em um processo eleitoral pautado pelo conservadorismo, no qual o papel da mulher se reduziu ao de ser mãe.
Reconhecemos a importância histórica da eleição da primeira mulher para a Presidência da República, mas sabemos que isso apenas não basta para mudar a vida das mulheres. No processo eleitoral, pautas importantes como a legalização do aborto e o casamento gay foram seqüestradas por setores reacionários e usadas como moeda de troca pelas principais candidaturas. A participação de mulheres à frente dos ministérios aumentou; entretanto, no Legislativo, ela foi reduzida e, infelizmente, os espaços de poder seguem ocupados majoritariamente por homens.
Contra a violência
O ano de 2011 começou com a tentativa, por parte do Supremo Tribunal Federal, de supressão de medidas jurídicas criadas em conjunto com a Lei Maria da Penha. A postura do STF semeia a confusão, reforçando a atitude dos que querem questionar a lei, e contribui para a certeza da impunidade de que gozam hoje os agressores, para a banalização da violência e o descrédito na Justiça por parte das mulheres. Todos os dias, dez mulheres morrem no país. A violência machista cresce em geral e nada é feito para nos proteger de maneira efetiva.
Em São Paulo, o poder público, apesar de ter assinado o Pacto pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, não investiu nenhum centavo para a ampliação das delegacias da mulher, casas abrigos ou na construção de centros de referência. A segurança das mulheres abrigadas também é negligenciada, uma vez que o sigilo sobre seu novo endereço é quebrado pela localização das crianças via matrícula feita pela internet na rede pública de ensino. É necessário que a Secretaria de Educação proteja esses dados, realizando a matrícula off-line destas crianças.
Em São Paulo, também constatamos, de forma escancarada, manifestações de violência contra lésbicas, homossexuais e transexuais. Rechaçamos com veemência as iniciativas dos setores conservadores, sobretudo da bancada religiosa no Congresso Nacional, em barrar aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia no Brasil. Por essa razão, nos juntamos ao movimento LGBTT na luta pela aprovação imediata do PLC 122 e demais políticas inclusivas, que reconheçam de forma integral os direitos desta população.
Por igualdade
A vida das mulheres tem piorado com a constante elevação de preços de produtos essenciais, como os alimentos, e a falta de um salário mínimo que dê conta das necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras. Hoje, 53% dos que ganham até um salário mínimo são mulheres e 30% das famílias são chefiadas por mulheres. Assim, a luta pelo aumento real do salário mínimo é também uma luta das mulheres.
Também é preciso lembrar que ainda ganhamos menos do que os homens no mercado de trabalho, muitas vezes realizando o mesmo serviço. Empregos considerados femininos possuem remuneração menor que a de trabalhos predominantemente realizados por homens. O Brasil é o único país da América Latina que ainda não assinou a Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que define a igualdade de oportunidades e de tratamento entre homens e mulheres e determina que a responsabilidade com o cuidado das crianças e da família deve ser compartilhada.
Pedimos ao Estado brasileiro que ratifique a Convenção, assim como aprove o Projeto de Lei em tramitação no Congresso que garante igualdade no mundo do trabalho.
A pobreza no Brasil tem gênero e cor. A grande maioria das mulheres empregadas são trabalhadoras domésticas e, destas, a maioria é negra. Super exploradas, vivem sem a garantia dos mínimos direitos trabalhistas e são as maiores vítimas da diferença salarial. Defendemos a equiparação dos direitos das domésticas aos de todos os trabalhadores, com a alteração do Art.7o da Constituição Federal.
Por autonomia e direitos
A maioria das mulheres brasileiras não tem licença maternidade garantida. Das que trabalham fora de casa, cerca de 60% estão na informalidade, ou seja, sem carteira assinada e sequer os quatro meses garantidos pela CLT. Defendemos a imediata aplicação da licença maternidade de seis meses para todas as mulheres, assim como a ampliação da licença paternidade de igual período.
Exigimos também políticas públicas que contribuam para a construção da nossa autonomia, como lavanderias e restaurantes coletivos, e uma educação de qualidade para as crianças. As vagas no ensino infantil não atendem a todos e, nas creches, o déficit de São Paulo em 2010 já passava de 120 mil vagas. Este número só não é maior porque a atual gestão Kassab optou por superlotar as creches, transformando-as em verdadeiros depósitos de crianças.
São milhares de mulheres e crianças atingidas pelo descaso com a educação infantil na cidade, sendo que as mães são penalizadas por não poderem voltar ao trabalho ou não conseguirem emprego por não ter onde deixar seus filhos. Exigimos das três esferas de governo educação infantil e creche com orientação pedagógica de qualidade, pública, gratuita e em tempo integral para todas as crianças. Uma educação de qualidade para as crianças também é direito de nós, mulheres.
Também reivindicamos nosso direito à atenção integral à saúde, para além da idade reprodutiva, considerando as necessidades da população idosa, que cresce em nosso país, a diversidade sexual e étnica existente entre as mulheres, as especificidades de saúde da população negra (hipertensão arterial, cardiopatias, anemia falciforme) e das mulheres com deficiência, como a acessibilidade aos equipamentos públicos de saúde.
A atenção integral à saúde inclui ainda a garantia dos direitos reprodutivos e a garantia de que tenhamos autonomia para decidirmos sobre nossos corpos, sobre se queremos ser mães e quando. A criminalização do aborto obriga as mulheres que decidem fazê-lo a se submeterem a procedimentos clandestinos, inseguros e que colocam suas vidas em risco. Em caso como esses, as mulheres pobres e negras morrem 6 vezes mais por não terem acesso ao atendimento de saúde integral.
Por dignidade
Nos meios de comunicação de massa, persiste a exploração e mercantilização do corpo das mulheres, a falta de diversidade étnico-racial e de orientação sexual, além de um discurso que reserva às mulheres um lugar subalterno na sociedade.
No contexto da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas em território nacional, temos a árdua tarefa de questionar o impacto das obras sobre as comunidades atingidas, assim como o aumento do turismo sexual e da prostituição que acompanham a realização dos mega eventos. É tarefa do movimento feminista problematizar e pautar o tema do tráfico de mulheres e da prostituição junto à sociedade!
Ano após ano, vemos nossas casas serem invadidas pelas águas das chuvas. Estas tragédias não são “naturais”. É o modo de produção capitalista, de produção e consumo desenfreados, o responsável pelas alterações climáticas que ocorrem no mundo. Essas mudanças e suas consequências têm sido previsíveis e podem e devem ser prevenidas. Exigimos ações governamentais contundentes para seu combate e políticas públicas urbanas efetivas que garantam nosso direito à cidade e à moradia digna.
Queremos uma verdadeira reforma urbana e não medidas que beneficiem a especulação imobiliária e expulsem a população pobre para as periferias, sem a mínima estrutura de moradia ou acesso a equipamentos públicos. Repudiamos, assim, o descaso criminoso do governo tucano e da Sabesp com a população do município de Franco da Rocha e bairros da periferia de São Paulo, e nos somamos à luta por uma cidade inclusiva com transporte público de qualidade. Estamos ao lado da juventude nos protestos contra os aumentos abusivos no preço das passagens de ônibus.
Nos juntamos às mulheres do campo ao afirmar o nosso direito a uma alimentação saudável e livre de venenos. Clamamos pela reforma agrária, por soberania alimentar e por outro modelo de desenvolvimento no campo, com uma agricultura sem agrotóxico e sem monocultura!
Solidariedade internacional
Acompanhamos a crise econômica se abater sobre a Europa, onde as reformas, principalmente as previdenciárias, se transformaram no carro-chefe para salvar o sistema financeiro. Tais medidas penalizam a classe trabalhadora e sobretudo as mulheres, tradicionalmente as primeiras a perder o emprego e as últimas a recuperá-lo.
Repudiamos a perda de direitos, trabalho e renda para trabalhadoras e trabalhadores. Manifestamos nosso apoio à luta das mulheres na Itália contra Berlusconi e reafirmamos nossa solidariedade às mulheres de todo o mundo, tanto àquelas que lutam na Europa contra os efeitos da crise quanto àquelas que se batem contra o imperialismo, para derrubar ditaduras de décadas como na Tunísia e Egito ou ocupações militares existentes mundo afora. Defendemos a soberania e autonomia dos povos.
Solidariedade em especial às mulheres do Haiti, que sofrem o aumento significativo da violência sexual, inclusive nos acampamentos de refugiados sob proteção da Minustah, a missão da ONU chefiada pelo governo brasileiro. É preciso ajudar na reconstrução do Haiti de forma humanitária. O Haiti não precisa de armas e soldados, mas de médicos e professores. Sua reconstrução deve estar sob o controle do povo haitiano e não pode significar penhora de recursos naturais, incentivo à especulação de empresas transnacionais na região e o aumento da violência contra o povo.
Neste 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, convocamos aqueles que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, sem opressão e exploração, a se somarem a nossa luta. Ainda há muito o que avançar e a participação de todos e todas é fundamental.
Sobre o 8 de Março
Em 1910, a alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, celebrado inicialmente em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. A ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, é a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher. Com a revolução, muitos direitos foram conquistados, como o voto e a elegibilidade feminina e o direito ao aborto. Em 1922, a celebração internacional foi oficializada nesta data e o 8 de Março se transformou no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem sua condição e a sociedade como um todo.
Assinam este documento:
APEOESP § APSMN/SP § Articulação Mulher e Mídia § AGB § AMB § ANPG § Barricadas Abrem Caminhos § CA Benevides Paixão da PUC § CACS PUC § CA Guimarães Rosa § CAPPF da USP § CAPSICO da PUC § CA XI de Agosto de Direito da USP § Contraponto § Construção § Domínio Público § Casa Cidinha Kopcak § Casa Viviane dos Santos § Católicas pelo Direito de Decidir § CIM § Centro Maria Maria § CEUPES da USP (Gestão Cirandeia) § CineMulher § Ciranda de Informação Independente § Círculo Palmarino § Coletivo 28 de Junho § Coletivo Alumiá § Coletivo Ana Montenegro § Coletivo Bancários na Luta § Coletivo Feminista Yabá do Direito da PUC-SP § Coletivo Dandara do Direito da USP § Consulta Popular § Coordenação de Mulheres da UNEGRO § CTB § CTB-SP § DCE Unicamp § DCE USP § Espaço Cultural Carlos Marighela § ENECOS § FEMN-SP § FCV § Fuzarca Feminista § Grupo Construção Coletiva § IBDC § Intersindical §Intervozes § Instituto Zequinha Barreto § Juventude Libre § LBL § LGBTs do PT § LGBTs do PsoL § Marcha Mundial das Mulheres § MH2O § MMC § Observatório da Mulher § Oriashé § PLPs § RFS § REF § Refundação Comunista § Romper o Dia § Sec. de Mulheres do PCdoB, PT e PSoL § SEMT/CUT-SP § SNMT/CUT § Sindicato é Para Lutar – Oposição do Sindicato dos Jornalistas § Sindicato dos Bancários de Santos § SINPSI § Sindicato dos Químicos Unificados § SINTARESP § SOF § Sub-sede Leste Tatuapé APEOESP § Terra Livre § Tribunal Popular § UEE-SP § UBM § UMM-SP § UNE § UNEAFRO Brasil §.
_________________________________________________________

Nós, que reivindicamos melhores condições para parir, ficamos mesmo de fora deste documento em 2011?
Você, que atua em outras instâncias também pelas causas de gênero e das mulheres, enxerga outras lacunas?
Compartilhe conosco e fortaleça a construção de uma experiência melhor para tod@s!
Disponível em: http://www.sepm.gov.br/noticias/documentos-1/02-03%20Documento%20Feminista.pdf
Arte - Kinbaku de Nobuyoshi Araki.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico

A série de textos sobre as cirurgias cesarianas chega a sua terceira parte - confiram as outras duas aqui!
Estudos realizados a partir da Medicina Baseada em Evidências, publicados em forma de artigos no Femina, por Alex Sandro Rolland Souza, Melania Maria Ramos Amorim e Ana Maria Feitosa Porto foram disponibilizados nas listas virtuais e linkados no blog, assim, confiram Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico - https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0ByeaAlBSCXOOZjY5N2E4MTAtNzMxZi00NmY4LWIyMzUtOTM4ODFhNWJmYTRm&hl=en
Acessem também o blog MaternAtiva, editado por Denise Cardoso e vejam dois vídeos produzidos pelo Grupo Curumim sobre as altas taxas de cesária em nosso País - Por que cesárea?
Pois, não basta querer um parto normal no Brasil... temos que lutar por ele!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Por um novo modo de nascer no Brasil

Compartilho hoje o link para o incrível texto da pediatra, doutora em Saúde Pública pela UFMG e supervisora do Plano de Qualificação das Maternidades e Redes Perinatais da Amazônia Legal e Nordeste Sônia Lansky, publicado no site do Ministério da Saúde e postado via Facebook por Simone Diniz.
Confiram um trecho:
"É preciso mudar o modelo de atenção ao nascimento no Brasil para a solução deste grave problema de saúde pública. É preciso alcançar os níveis os patamares desejáveis na mortalidade materna e infantil, e melhorar a satisfação da mulher e da família no momento do nascimento de seus filhos. O foco deve ser o parto respeitoso e digno, apoiado na rede de atenção articulada que garanta acesso oportuno à atenção qualificada desde o pré-natal até o parto. Que garanta o protagonismo e os direitos da mulher e da criança neste momento ímpar de celebração da vida e do afeto, de forma a promover sua saúde e as relações humanas e da sociedade."
Para ler na íntegra acessem aqui - Por um novo modo de nascer no Brasil.
E, para engrossar o caldo leiam também neste link o artigo publicado no Femina - Assistência ao primeiro período do trabalho de parto baseada em evidências, de Ana Maria Feitosa Porto, Melania Maria Ramos Amorim e Alex Sandro Rolland Souza, autores de dois outros trabalhos postados aqui no blog - Indicações de cesareana baseadas em evidências (Parte I e II).

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