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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Decisões de parto - Autoridade sobre aquilo que podemos/devemos escolher

Hoje foram publicados dois artigos de opinião sobre o modelo hegemônico de assistência ao parto. Confiram abaixo.



No Site do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), o texto "Cesarianas no Brasil: uma preferência das gestantes ou dos médicos?" repercute uma série de pesquisas nacionais as quais demonstram claramente COMO e POR QUE as brasileiras não têm tido a oportunidade real de tomar suas decisões de parto.

Seja no serviço público ou pelo plano de saúde, a atitude prescritiva inclui ainda o não-esclarecimento sobre as condutas clínicas, e traduzem a falta de autonomia das mulheres e o cerceamento de sua liberdade. São constrangimentos de ordem financeira, regionais, sócio-culturais e educacionais. Atingem a quase todas nós. Confiram alguns trechos retirados do artigo.

"Especialistas defendem que a cesariana tem indicações clínicas precisas como eclampsia ou nos casos da mãe sensibilizada pelo tipo sanguíneo (fator RH) do bebê. Entretanto, além da falta de consideração em relação à opinião da gestante, é possível encontrar o oposto a essa situação, onde mulheres que nem sequer entraram em trabalho de parto e já negociam a data do parto com o obstetra, marcando a cesárea previamente."
"Essa situação é comum e ocorre possivelmente devido a uma predisposição intervencionista dos médicos, que não seguem as recomendações para o parto cesáreo. Além disso, alguns agem de acordo com a sua própria conveniência, já que é possível constatar que cesarianas são realizadas com mais frequência em horários diurnos e em dias úteis (Nagahama e Santiago, 2011)."
"Ao contrário das gestantes com acesso a convênios médicos ou serviços particulares, aquelas que realizam o pré-natal pelo SUS frequentemente não têm a chance de escolher o médico que irá assisti-las e, provavelmente, não terão poder de negociação sobre o tipo de parto de sua preferência ou a forma de atendimento que desejam (Patah e Malik, 2011)."
"Sendo assim, de maneira geral, as mulheres que não interferem na decisão sobre o tipo de parto, ou simplesmente não são consultadas sobre sua opinião, são oriundas de classe social baixa e possuem menor nível de escolaridade."

Hospital birth photograph of a woman resting in hospital bed, black and white

Enquanto isso, no American Journal of Obstetrics and Gynecolgy (AJOG), o manuscrito "Planned home birth: the professional responsibility response" publica uma espécie de linha-guia para profissionais - do modelo tradicional tecnocrático tecnicista - lidarem com o recrudescimento dos partos em casa. Veja a tradução livre do resumo:

"Este artigo aborda o recrudescimento dos partos em casa por um novo modelo baseado na assistência de parteiras, o parto domiciliar planejado, nos Estados Unidos e os outros países desenvolvidos, no contexto da responsabilidade profissional.

Defensores do parto domiciliar planejado já enfatizaram a segurança das paciente, satisfação das pacientes, o custo-efetividade e o respeito pelos direitos das mulheres.

Nós fornecemos uma avaliação crítica de cada uma dessas reivindicações e identificamos respostas profissionais apropriadas para obstetras e outros médicos preocupados com os partos domiciliares planejados.

Começamos com o tema da segurança da paciente e mostramos que o parto domiciliar planejado tem aumentado risco de danos irreparáveis para as grávidas e os bebês - os quais seriam desnecessários e evitáveis.

Nós documentamos que as taxas persistentemente elevadas dos transportes de emergência debilitam a segurança da paciente e sua satisfação, justamente a razão de ser do parto domiciliar planejado, e que uma análise abrangente enfraquece os argumentos sobre o custo-benefício deste tipo de assistência.

Nós, então, argumentamos que os obstetras e outros médicos preocupados ​​deveriam:

(i) buscar compreender, identificar e corrigir as causas do recrudescimento do parto domiciliar planejado;

(ii) responder às manifestações de interesse pelo parto domiciliar planejado por parte das mulheres com recomendações baseadas em evidências contra este modelo de atenção;

(iii) recusar a participação do planejamento do parto em casa;
(iv) mas, contudo, proporcionar excelente e enternecido cuidado obstétrico no atendimento emergencial às mulheres transferidas de partos domiciliares planejados.

Nós explicamos porque os obstetras não deve participar ou fazer referência aos ensaios clínicos randomizados que compararam os partos domiciliares planejados com os partos hospitalares.

Chamamos a atenção de obstetras e outros médicos preocupados, das parteiras e outros prestadores de cuidados obstétricos, assim como de suas associações profissionais para que não apoiem os partos domiciliares planejado quando existem alternativas seguras e empáticas de alternativas com base hospitalar. Apelamos para que defendam uma experiência de parto hospitalar com as mesmas características de ambiência dos partos em casa."



Alguém já ouviu o CREMERJ papagaiar algo parecido? E o médico do pré-natal?

E desde quando é fácil - para as mulheres em geral, em consideração às suas necessidades específicas e diversas - exercer e garantir a proteção dos próprios direitos humanos, de seus direitos sociais, e direitos reprodutivos?

Concluímos então que há uma violação de direitos fundamentais. E retomamos o comentário que o leitor Adriano de Bortoli publicou no Blog do Nassif, quando da repercussão da reportagem sobre 'A falta de esclarecimentos sobre o parto humanizado', produzidas originalmente pela Rede Brasil Atualsobre a falta de informações e divulgação dos Centros de Parto Normal (CPN) em São Paulo-SP.

"A prefeitura, contudo, deve justificar esse sigilo que a meu ver não encontra fundamento jurídico algum para ser imposto pois não faz parte de nenhuma das exceções previstas na Constituição Federal ou na Lei de Acesso à informação.
O CRM/SP deveria abrir suas portas para o assunto da desospitalização do parto se aproximando, assim, das diretrizes da Organização Mundial de Saúde e se afastando de dpreconceitos, corporativismos, incompetências e, principalmente, da falta de cientificidade dos riscos atribuídos ao parto.
O parto está inserido no planejamento familiar e a CF é bem clara ao estabelecer que: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas."
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Em 2013, a gente continua a luta.



Fotos Allbright Creative Imagery

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por um outro modelo de assistência ao parto

Por um modelo de cuidado à gravidez, parto e pós-parto centrado na mulher, com mais mulheres envolvidas, e muito mais conversas entre elas.


52% dos nascimentos no Brasil ocorrem por cesáreas. A morte materna e a morte infantil são eventos raros. Mas a transferência de mães e bebês para a UTI não é fenômeno incomum. Todas as mulheres têm direito a auto-determinação e  não-coação em suas escolhas de parto.


Mais parteiras, mais obstetrizes, mais enfermeiras! E doulas para TODAS as mulheres.

O Blog Parto no Brasil assina este manifesto.

Violência obstétrica, em tradução artística de Noghan S. Rodberg, por The Unnecesarean

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ATENÇÃO MULHERES em defesa da cidadania:
Mais um direito à saúde está ameaçado! Compartilhe o manifesto da CMB, em defesa das boas práticas na atenção ao parto, com a valorização do trabalho das parteiras, obstetrizes e enfermeiras!
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A Confederação das Mulheres do Brasil - CMB repudia a cobrança de taxas ILEGAIS que vem sendo cobradas das mães brasileiras em trabalho de parto. Os Planos de Saúde pagam valores irrisórios pelo atendimento ao Parto. Com essa avidez por lucros estimulam que uma parcela de médicos cobrem taxas extras para acompanhar as mulheres em trabalho de parto natural.

A pressão sobre as mães é absurda e inaceitável. O número de nascimentos através de cesarianas no sistema se saúde privado alcançou 83% neste último ano. As famílias são colocadas diante da situação de concordar com a cesariana ou pagar a mais caso queiram tentar o parto natural com o médico ou médica que acompanhou o pré-natal pelo Plano de Saúde.

O Brasil ainda luta para diminuir a morte materna por causas evitáveis como infecções e hemorragias. A cesariana é uma cirurgia que pode ser evitada e as mulheres devem ter direito de optar livremente sobre como querem dar a luz tendo acesso à todas as informações necessárias sem indução em sua escolha.

É preciso fortalecer o Sistema Único de Saúde e agilizar ainda mais a implantação do PROGRAMA REDE CEGONHA. É preciso colocar a SAÚDE no patamar que o povo brasileiro merece e precisa. Com as verbas necessárias e participação social á altura de um governo democrático. Queremos o atendimento pelo SUS proporcionando o acolhimento e a segurança que as mães merecem evitando que se tornem clientes dos Planos a aumentar os lucros de quem desrespeita a mulher brasileira.

A ANS está para decidir se legaliza a cobrança. A CMB apela ao Ministro da Saúde Alexandre Padilha que exija dos Planos de Saúde que tenham respeito com seus clientes que já pagam absurdas mensalidades e não recebem o tratamento adequado.

O acolhimento digno é elementar quando o assunto é SAÚDE. Os filhos do Brasil não são MERCADORIA e muito menos a SAÚDE. A falta de acolhimento é ainda mais grave quando se trata das mães brasileiras que estão a dar a luz à brasileiros e brasileiras que serão os futuros responsáveis por nosso país.

São Paulo, 4 de dezembro de 2012
CONFEDERAÇÃO DAS MULHERES DO BRASIL.

Pedimos que se posicione através de nossa página no Facebook.
http://www.facebook.com/confederacaodasmulheres.brasil

E envie sua mensagem ao ministro e à ANS.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estar grávida no Brasil

Por Maria do Carmo Leal
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica novas responsabilidades afetivas, sociais e legais, decorrentes da maternidade. No ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que ocorreram. Embora 97% das gestantes brasileiras tenham realizado consultas pré-natais e 99% dos partos tenham ocorrido em hospitais, persistem problemas na qualidade da atenção oferecida (Lancet 2011; 377:1863-76).


Segundo dados de estudo realizado no Rio de Janeiro em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, durante a gestação a mulher vai mudando de opinião sobre o tipo de parto. No início, mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% haviam se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% tiveram um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto
vaginal e o desejo do companheiro por esta modalidade de parto (Ciência Saúde Coletiva 2008; 13:1521-34).

A cesariana é uma cirurgia que não deve ser banalizada, pois aumenta o risco de hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI, mortalidade e em gravidezes futuras de placentação anormal, ruptura uterina, dentre outros. Para o recém-nascido são reportados maior necessidade de suporte ventilatório ao nascer e maior uso de UTI neonatal.

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal também são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com o auxílio de episiotomia. Esses procedimentos não são hoje recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio nascimento dos seus filhos. Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, ficando subtraídos dessa experiência humana vital e tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde, tais como o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, a Lei do Acompanhante, o Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente, a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço. Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n8/01.pdf

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Audiência Pública: Saúde da Mulher - Desafios à Maternidade no Estado de São Paulo


Convite


Quarta, 29 de Ago de 2012 - 14:30 - Auditório Paulo Kobayashi - São Paulo/SP

Coordenação:
Comissão de Educação e Cultura - Comissão de Saúde - Comissão de Direitos Humanos

Pautas:
-Modelos e locais de assistência ao parto e nascimento;
-Qualidade e humanização da assistência ao parto e nascimento;
-Formação e inserção de profissionais para assistência ao parto e nascimento.

Sub-Pautas:
Violação de direitos elementares do ser humano com a presença de violência institucional no decorrer do parto;
Práticas intervencionistas de assistência e sem base em evidências científicas;
Fechamento da casa de Maria (Zona Leste de São Paulo)
Alta morbi-mortalidade materna e perinatal;
Altíssimas taxas de cesárea;
Não aproveitamento pelos serviços públicos direta ou indiretamente administrados pelo estado de São 
Paulo de obstetrizes, formados pelo próprio estado, na Universidade de São Paulo (USP)

Apoio:
Associação de egressos e alunos do Curso de Obstetrícia da Universidade de São Paulo
Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras - SP

domingo, 10 de junho de 2012

Plantão: A questão do (medo do) parto no jornal O Globo 2/2

Confiram a íntegra da matéria publicada na edição de sábado do jornal O Globo.

O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.

Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história! 
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A questão do parto
Número de cesáreas confirma cirurgia como primeira opção das mulheres


VIVIANE NOGUEIRA
Publicado: 9/06/12 - 14h00


A informação é sua melhor aliada para a defesa de sua integridade física e bem-estar emocional. Não deixe que escolham por você. Busque apoio de outras mulheres, em grupos presenciais e virtuais de apoio ao parto.

Se você perguntar à grávida mais próxima como ela quer que seu bebê chegue ao mundo, ela provavelmente responderá que por parto normal. Ainda assim, dados sobre nascidos vivos do Ministério da Saúde mostram que, em 2010 (ano mais recente desse levantamento), nas redes pública e privada, 52,2% dos partos realizados foram cesarianas e 47,8% foram normais. O motivo pode estar entre os instintos mais básicos: o medo. 

Um estudo feito em 2008 no Rio e na Baixada Fluminense pela epidemiologista Maria do Carmo Leal, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, mostrou que no início da gravidez 70% das mulheres queriam parto vaginal, mas ao fim dos nove meses apenas 30% confirmavam seu desejo. A maioria dos bebês nascia mesmo por cesárea. Por que elas mudavam de opinião? Algumas queriam ligar as trompas, outras eram influenciadas por seus médicos, mas a maioria tinha medo da dor.
A cesárea já está no inconsciente coletivo, é a experiência da maioria. Os médicos aqui não sabem fazer parto, já aprendem a cirurgia na universidade. Nos outros países não há essa cultura intervencionista, mas as mulheres são mais bem assistidas no pré parto, ficam em banheiras de água quente, recebem massagem para relaxar e aprendem a respirar para conduzir o parto, isso diminui o medo — acredita a pesquisadora, que prepara para agosto uma pesquisa com 24 mil mulheres do país sem problema algum de saúde que optaram pela cesárea.
Pela Organização Mundial de Saúde, o recomendado é que apenas 15% das mulheres deem à luz por cesárea, uma cirurgia ótima para quando há algum problema. Quando não há, o ideal é o parto vaginal para evitar o estresse orgânico do corte de tecido, infecções, cicatrizes uterinas e a alienação da mãe na hora do nascimento do bebê por causa da anestesia. 

Para tentar atender a esta demanda, o Ministério da Saúde criou em 2011 o Rede Cegonha, que prevê consultas de pré-natal, a presença do acompanhante durante o parto, e centros de parto normal com leitos adaptados para num só lugar acolher a mulher antes, durante e depois do parto. Hoje, o valor repassado ao médico do Sistema Único de Saúde (SUS) no parto normal já é maior que nas cesáreas e, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se pensa em remunerar as horas que o médico acompanha a mulher no parto normal.
— É preciso mudar a cultura dos médicos que hoje se aprimoram na cirurgia e deixam de lado o parto vaginal. O que vai reduzir o número de cesáreas é a gestante chegar segura à maternidade. Até 2014 queremos 80% das grávidas com no mínimo seis consultas de pré-natal e exames de sífilis, HIV e ultrassonografia feitos — anuncia Padilha.
Na experiência da professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) Daphne Rattner, presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), as mulheres cada vez mais reivindicam seus corpos e o direito de parir. E para isso a melhor opção seria o parto domiciliar. De acordo com a “The Cochrane Collaboration”, pesquisa da fundação sem fins lucrativos feita com 8.677 mulheres, quando comparados com os hospitais, os partos em casa apresentaram menos intervenções médicas e mais satisfação materna, com a ressalva de que cuidadores e pacientes devem estar atentos para sinais de complicações.
— Gravidez não é doença e parto não é cirurgia, mas a cultura influencia muito. Em 1997 participei de um encontro internacional e a representante do Nepal disse que lá o médico aprende que a dor é sinal de que algo está errado e é preciso intervir. Já a parteira diz ‘oba, as dores começaram, vamos ver o que há para fazer’ — conta Daphne.
Por aqui a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é terminantemente contra partos domiciliares porque considera que um parto só é sem riscos depois de 24 horas que aconteceu.
— Muitas interferências podem acontecer mesmo num parto normal, como uma hemorragia e a consequente retirada do útero. E às vezes, na transferência de casa para o hospital, a morte da mãe pode acontecer — explica a diretora administrativa da Febrasgo, Vera Lúcia Mota da Fonseca, que defende a cesárea em indicações precisas e acredita que a gravidez acompanhada por uma equipe múltipla pode servir para aumentar o número de partos normais. — Dessa forma o médico não precisa largar o consultório e correr para a maternidade: a mulher entra em trabalho de parto, vai para a maternidade em que fez o pré-natal e lá o médico disponível faz o parto.
A ginecologista e obstetra Cláudia Araújo Bottino credita à vida moderna a opção das mulheres “ocupadas e estressadas” pela cesárea:
— A carga da mulher hoje não é só ser mãe. Ela é profissional, esposa, dona de casa e mãe. E por isso não quer sentir dor — diz.
A dor não desanimou a publicitária Simone Pinto, que queria que seu filho João, hoje com sete meses e meio, nascesse quando estivesse pronto. As contrações começaram às 3h, ela monitorou tranquilamente, chegou ao hospital às 8h30 e às 15h recebeu o bebê. 
Eu senti dor mas curti, foi um momento intenso de dor e prazer. Mas a todo momento eu sabia que se algo desse errado eu poderia contar que minha médica faria a cesárea — conta.
Fonte: A Questão do Parto - O Globo



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Opção polêmica

Portal O Globo
Publicado: 9/06/12 - 14h00

Dados: O número de cesáreas na rede pública vem aumentando na medida em que diminuem os partos normais. No SUS, os percentuais de cesáreas em 2009, 2010 e 2011 foram 34,6%, 36,7% e 38,3 enquanto o de partos normais, 65,3%, 63,2% e 61,6%. Nas redes pública e privada (os dados dos nascidos vivos) o percentual de cesáreas aumentou de 50% para 52,2% entre 2009 e 2010 e o de partos normais caiu de 50% para 47,8% no mesmo período.
Mãe: Como toda cirurgia, a cesárea pode ter como desdobramentos, além da cicatriz aparente, uma fibrose uterina, o que pode dificultar a implantação do embrião em uma próxima gestação. Por isso muitos médicos indicam que o no segundo parto de uma mulher que já tenha feito uma cesárea se repita a cirurgia.
Bebê: A idade gestacional do feto é determinada por ultrassonografia ou pela data da última menstruação da mãe, mas esses métodos não podem precisar a data exata do nascimento.
Natural ou normal: A nomenclatura natural é usada quando todos os processos biológicos do nascimento do bebê são respeitados. Ou seja: não há anestesia, não há corte para ajudar a passagem da cabeça. Já o parto normal é o vaginal, no qual o bebê sai pela vagina e a mãe pode contar com a interferência médica.
SUS: No primeiro ano do programa Rede Cegonha, houve queda de 21% na mortalidade decorrente de complicações na gravidez e no parto. No Estado do Rio, já há uma unidade em funcionamento no Hospital da Mulher, em São João de Meriti e a próxima será inaugurada em Mesquita. Em 2011, mais de 1,7 milhão de mulheres fizeram no mínimo sete consultas pré-natais pelo programa.
Dor: Segundo Daphne Rattner, a dor faz parte do processo de parto e, “quando a mulher se mexe por causa da dor, a cabeça do bebê se encaixa”. Mais importante que qualquer estratégia ou planejamento já traçado, é que o parto seja bom para a mãe e para o bebê.

Plantão: Práticas obstétricas obsoletas - O Globo 1/2


O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.
Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história!


Confira a íntegra do artigo publicado ontem no jornal O Globo.


Imperdível!

Busque esclarecimentos sobre riscos e benefícios - não apenas sobre parto vaginal e cesárea, mas também sobre o "jeitão" do parto normal, se o profissional conhece e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal

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Estar grávida no Brasil
Em artigo inédito, a epidemiologista Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Ensp/ Fiocruz escreve como são conduzidos os partos hoje no país

Publicado: 9/06/12 - 14h00


A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica em novas responsabilidades afetivas, sociais e legais decorrentes da maternidade. Mas, no nosso país, no ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em um nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que elas ocorreram. Das não planejadas, 30% foram consideradas gestações não desejadas pelas mulheres.

Esse aspecto do não planejamento da gravidez, mais frequente ainda em adolescentes, torna a gestação também um motivo de angustia para uma grande parte das mulheres. Estima-se que houve cerca de um milhão de abortos em 2008, ou seja, uma gravidez em cada quatro terminou em aborto naquele ano no Brasil (Victora ET AL 2011). A ilegalidade atribuída ao aborto no país faz com que essa prática seja de alto risco, frequentemente realizada fora do sistema oficial de saúde, muitas vezes por leigos, sem a presença de profissionais qualificados, estando, em qualquer das situações, fora do controle sanitário e profissional vigentes. A situação de vulnerabilidade é maior para mulheres de baixa escolaridade, negras e jovens (Victora ET AL 2011).

Assim, desejar estar grávida é o primeiro componente para o sucesso e bem-estar da gestação. Dados recentemente publicados na “World Health Statistics” da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2010, 97% das gestantes brasileiras realizaram consultas pré-natais, sendo que 86% fizeram mais de quatro consultas e que 99% dos partos ocorreram dentro dos serviços de saúde, colocando o Brasil em uma situação próxima aos indicadores de cobertura dos países desenvolvidos (WHO, 2012).

Dados preliminares do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, realizado em 2011, mostram que mais de 80% das mulheres entrevistadas usaram os serviços públicos de saúde para acompanhar suas gestações e seus partos, sem diferenças entre as regiões geográficas, capital e interior, denotando a importância do SUS para o alcance daquele desempenho em âmbito internacional. Entretanto, persistem ainda problemas na qualidade da atenção oferecida, o que pode ser constatado pelas altas taxas de morbidade e mortalidade por patologias possíveis de serem evitadas por uma assistência bem feita no pré-natal e no parto (Vettore ET AL 2011).

Durante a gestação a mulher planeja o seu parto, a forma como vai receber o seu filho. Aqui no Brasil recebe influência da opinião do seu médico, dos familiares e amigos sobre as vantagens de fazer um parto normal ou cesáreo. Para gestantes que têm plano de saúde a escolha da via de parto (vaginal ou abdominal) pode se constituir em motivo de estresse. Ao início da gravidez a maioria delas prefere que o seu parto seja vaginal, opinião essa que vai mudando no decorrer da gestação.

Um estudo realizado no Rio de Janeiro, em 2008, por nosso grupo de pesquisa em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, onde as cesarianas atingem cifras próximas a 90%, mostrou que as mulheres mudam de ideia sobre o tipo de parto, durante a gravidez. No início um pouco mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% havia se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% teve um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto vaginal e o desejo do companheiro por essa modalidade de parto. As mulheres referiram com muita frequência (mais de 50%) que a sua decisão de mudança foi compartilhada com o medico (Dias et al 2008).

Em relação à cesariana, o que se sabe hoje é que essa cirurgia produz danos para a vida reprodutiva futura da mulher, aumentando o risco de placentação anormal, ruptura uterina, hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI e mortalidade. É, portanto, um procedimento que não deve ser banalizado e que deve ser utilizado quando necessário, em situações em que esteja em risco a vida da gestante e do recém-nascido. Para o recém-nascido também são reportados prejuízos advindos de uma cesariana: mais frequentemente necessitam de suporte ventilatório para respirar ao nascer e usam mais a UTI neonatal, sendo essa necessidade tão maior quanto menor for a idade gestacional do recém-nascido (Hansen et AL, 2008).

Outros danos tão importantes quanto esses são o retardo do contato da mãe com o filho no momento do nascimento e a baixa prática do aleitamento materno na sala de parto. Esses últimos aspectos jogam um importante papel no apego da mãe ao seu bebê e vice-versa (Buccolini ET AL 2008).

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com auxilio de episiotomia. Esses procedimentos, além de produzirem um trabalho de parto muito doloroso, são hoje não recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Ou seja, tanto pelo excesso de cesarianas quanto pela inadequação do modelo ofertado para atendimento ao parto vaginal, no Brasil a pratica obstétrica é obsoleta, não segue as recomendações baseadas em evidencias cientificas e precisa ser modificada.

No Reino Unido e em outros países da Comunidade Econômica Europeia as gestantes também escolhem o tipo de parto que melhor convém a elas, levando em conta suas expectativas, as do seu companheiro e da sua família. Mas, diferente daqui, a escolha que elas fazem não é se o parto será cirúrgico ou não, mas qual a posição que elas desejam parir, se de cócoras, sentada, de joelhos, dentro da água, ou outra. Além dos cuidados pré-natais habituais, durante a gestação as mulheres se preparam psicológica e emocionalmente para o momento do parto, aprendendo técnicas de respiração, concentração e relaxamento que ajudarão no alívio das dores e aumentarão a segurança e tranquilidade para condução do seu parto. 

O parto tem um profundo significado para o encontro da mulher com a sua feminilidade e, por isso, naqueles países, os aspectos emocionais da parturição são também objeto de considerações pelos serviços de saúde, que cumprem um papel de dar suporte, amparo e garantia de segurança à escolha da gestante na condução do seu parto, em uma ambiência de conforto material, afetivo e emocional que inclui a presença da família no cenário das maternidades. Nesses países, os protocolos de atendimento ao parto recomendam o parto vaginal, com um mínimo de intervenção, sendo a decisão por uma cesariana, geralmente da responsabilidade do serviço de saúde, diante das condições e necessidades reais de cada caso clínico.

Esse modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio parto dos seus filhos.

Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, não fazem força para nascer, ficando subtraídos dessa experiência humana e vital tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

As mulheres brasileiras, mesmo que desejem, têm pouca chance de vivenciarem um parto do tipo humanizado porque esse modelo de atenção está implantado em pouquíssimas maternidades dos serviços de saúde. E, para as mulheres de nível socioeconômico mais elevado que são esclarecidas e desejam ter um parto vaginal, uma opção tem sido o parto domiciliar, geralmente realizado por enfermeiras obstétricas.

No Brasil a decisão sobre a realização de um parto cirúrgico sem indicação clínica tem sido considerado um direito de escolha da gestante. Ocorre que o exercício desse direito não tem se acompanhado de informações claras sobre o risco de um parto operatório. Ou seja, a escolha tem sido feita sem informações adequadas para a tomada de uma decisão consciente. Em parte porque os obstetras que as assiste também ou não têm essas informações, ou não baseiam sua pratica em evidencias cientificas. Ambas as situações são graves, sobretudo porque os manuais técnicos do Ministério da Saúde trazem recomendações corretas sobre a atenção ao parto e nascimento e estão disponíveis para todos.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde tais como Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Lei do acompanhante, Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço.

Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Um grande número de grupos associativos de mulheres vem surgindo no país, tendo a ReHuNa — Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – uma organização da sociedade civil criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede em defesa do parto humanizado, um papel importante na articulação desse movimento pela mudança do modelo obstétrico vigente (http://www.rehuna.org.br/index.php/seminario). Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.




Bibliografia
Victora CG, Aquino EM, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald CL. Maternal and child health in Brazil: progress and challenges. Lancet. 2011 May 28;377:1863-76.
WHO World health Statistics 2012 - Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27, SwitzerlandWHO Press, World Health Organization, 20 Avenue Appia, 1211 Geneva 27.
Vettore, MV; Dias MABD; Domingues RMSM; Vettore MV; Leal MC - Cuidados pré-natais e avaliação do manejo da hipertensão arterial em gestantes do SUS no Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, Maio 2011, vol.27, no.5, p.1021-1034.
Dias MAB, Domingues RMSM; Pereira APE; Fonseca SCF; Gama GN; Theme Filha MM; Bittencourt SDA; Rocha PMM; Schilithz AOC; Leal MC - Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo: estudo de caso em duas unidades do sistema de saúde suplementar do estado do Rio de Janeiro. Ciênc. Saúde Coletiva 13 (5) Rio de Janeiro, 2008.
HANSEN, et al. Risk of respiratory morbidity in term infants delivered by elective caesarean section: cohort study. BMJ, v.336, n.7635, Jan 12, p.85-7, 2008.
BOCCOLINI, et al. Fatores que interferem no tempo entre o nascimento e a primeira mamada. Cadernos de Saúde Pública, v.24, p.2681-2694, 2008.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

SMRN 2012: Parto e Economia

Tecnologia baixo custo e altíssima efetividade!
Por um parto amoroso, livre, consciente e seguro!


Quem quer parir naquela banqueta ali?
(Foto de Panza Natural)  

Em 2012, a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, fala sobre Parto e Economia. 

O movimento internacional questiona:

"Quanto custa um parto normal para o sistema de saúde?
E uma cesárea sem complicações? E com complicações para mães e/ou bebês?
Quanto você pagou pelo seu parto?
Quanto custa um parto natural nas capitais?"

Isso é melhor para quem?

O Blog Parto no Brasil defende, apoia e valoriza as experiências dos Centros de Parto Normal, uma estratégia eficiente para a promoção das boas práticas na atenção ao parto normal no SUS e no sistema privado. 


Confira mais informações:

Sobre a pesquisa da UFMG, de 2011, que concluiu que a via do parto é escolhida, sobretudo, pela remuneração médica e renda da paciente:





Eles Venceram!!! (Blog do Desabafo de Mãe)



E como foi o seu parto?

Não deixe de conferir a linda participação da European Network of Childbirth Associations/Holanda


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ao Ministério Público: Queremos parir com dignidade, respeito e excelência técnica!

A ReHuNa publicou ontem à noite um Fact Sheet para ativistas da humanização do parto participarem da Consulta Pública que o Ministério Público Federal está promovendo nesta semana, em 21 capitais de estados: 

A audiência será realizada hoje à tarde em:  
Belo Horizonte/MG
Cuiabá/MT
Fortaleza/CE
Maceió/AL
Natal/RN
Porto Alegre/RS
Porto Velho/RO 
São Paulo/SP 
Vitória/ES 
Confira o endereço e a programação completa no link: 
São três áreas que necessitam de ação/investigação, e o descumprimento da Lei do Acompanhante é uma delas. Como podemos ver no documento, o Inquérito Nascer no Brasil está divulgando resultados preliminares sobre acompanhantes no parto: 25% das mulheres ainda têm descumprido seu direito fundamental. Os últimos dados 'oficiais' que tínhamos eram de 2006, quando apenas 16% das mulheres tinham tido acompanhante. 

Todas as pessoas podem escrever suas sugestões! Participe!



Este é o texto simples com o qual eu participei.

Se você conhece a atuação do MPF, informe quais ações da instituição são mais benéficas para a sociedade:
A proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana, com especial e equitativa atenção para os marcadores sociais da diferença (classe, gênero, cor da pele, geração). 
Na sua opinião, das ações elencadas acima, quais devem receber atuação prioritária?
O enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. Pela defesa de uma legislação que garanta ampla proteção aos direitos das mulheres, pelo direito de viver uma vida livre de qualquer forma de violência. 
Deixe aqui suas sugestões de melhoria para a atuação do MPF ou formule perguntas que você gostaria que fossem respondidas durante a consulta pública:
1) Excesso de cesáreas em toda a rede (52%), especialmente na saúde suplementar (85%)  
2) Descumprimento da Lei Federal do Acompanhante no Parto, de 2005. Dados de 2006, traziam que 16% das mulheres tiveram garantido seu direito à presença do acompanhante. Dados de 2011, registram que 25% das brasileiras ainda não têm acesso a este direito fundamental.
3) O enfrentamento da violência institucional praticada por profissionais da saúde contra as gestantes e parturientes, e o reconhecimento da especificidade de gênero na violência obstétrica. Em 2011, um quarto das brasileiras disse ter sofrido algum tipo de violência durante a assistência ao parto.


E este é o modelo enviado por Daphne Rattner à lista da ReHuNa.





Nota de retificação: A ReHuNa corrigiu a informação sobre a porcentagem de mulheres que têm direito ao acompanhante. O texto deste post foi editado, e os dados aqui apresentados já foram acertados.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cesárea ou Parto Normal - Vídeo do Hospital Albert Einstein SP

Estamos em plena ação de reconhecimento e enfrentamento da Violência Obstétrica. Uma forma de violência contra a mulher ainda invisível, não legislada, não tratada da forma como gostaríamos e temos direito.

Todas as mulheres têm direito de saber as taxas de cesárea, parto, episiotomia, condução, indução e parto no leito praticadas pelas maternidades brasileiras.

O Blog Parto no Brasil está publicando hoje, aqui e nos canais do Facebook, um vídeo do Hospital Albert Einsten que compara riscos e benefícios das vias de parto: vaginal e cesárea. Veja, o hospital pratica 81% de cesáreas, e contraditoriamente, divulga muitos riscos associados à cirurgia.

O convite então é assistir ao vídeo, conferir a tabela de indicadores de 10 maternidades paulistanas (publicada recentemente pela obstetriz Ana Cristina Duarte, em seu perfil no Facebook) e refletir sobre as seguintes categorias:

Direitos reprodutivos  ·  Escolhas Esclarecidas  
Primum Non Nocere   ·   Ética Médica
                   
Fonte: Tabulações SISNAC
TabNet Win32 2.7: SINASC Nascidos Vivos
(Município de São Paulo Dados de 2011 até Outubro)
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//cgi/deftohtm.exe?secretarias%2Fsaude%2FTABNET%2FSMS%2Fnasc_sp.def

          


O Blog Parto no Brasil defende a autonomia das mulheres! 

Todas as mulheres têm direito a informações adequadas e justas sobre os procedimentos fisiológicos ou médicos que são inerentes ao processo de parto e nascimento.

52% dos nascimentos do país ocorrem via cesariana. 
Diante deste quadro, é impossível responsabilizar apenas as mulheres por estes indicadores. Mesmo em defesa da autonomia que garante direito de escolha até para realização de uma cirurgia eletiva, pergunto: Seria possível um resultado como este, se as mulheres e as famílias fossem realmente esclarecidas?

Definição de Direitos reprodutivos: Poder de tomar decisões com base em informações seguras sobre a própria fecundidade, gravidez, educação dos filhos, saúde ginecológica, atividade sexual; e recursos para levar a cabo tais decisões de forma segura.

E você, teve essa oportunidade de escolha real?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Porque o parto é nosso!


Imagem daqui.
Hoje começamos o dia compartilhando muito material bacana pela blogesfera afora! Link
Bora lá?!
Desde a matéria desde último domingo, na capa do jornal Folha de São Paulo, sobre nossas altíssimas (e vergonhosas) taxas de cesáreas que muito se fala sobre o assunto (leiam na íntegra aqui!). Ontem, o blog Mamíferas divulgou um post redigido pelas três editoras do espaço, Kalu Brum, Renata Penna e Nanda Café e nos faz (re)pensar o porquê desses assustadores índices - 52% de cesarianas no Brasil, e agora?
Outro espaço que discute o tipo de assistência prestada a uma gestante pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém s/ ter o autor nomeado é o blog Pré Natal no SUS, onde relatam-se as consultas, os exames, o atendimento, e a falta da boa prosa sobre gestação e parto, que é o que toda mulher mais necessita e deseja durante essa fase.
Indo de encontro a esta questão, em maio de 2010 escrevi um post no Mamíferas sobre como proporcionar de forma democrática e, inclusive, socialista, uma assistência p/ todas, e não apenas para àquelas que detém a (boa) informação, e um cuidado 1:1 durante o trabalho de parto e no parto, em Antropologia Militante.
Em setembro, neste mesmo veículo falei da responsabilidade da própria mulher neste momento, que deve ser protagonista de sua história, e não somente delegar ao médico/a como será seu parto e o nascimento de seu filho/a, em Tomar para si as rédeas da situação.
Finalizo c/ o blog PNAC - Parto Normal Após Cesárea, da doula Rebeca Celes, sobre relatos de parto após cesáreas anteriores - aqui!
Pois, o parto é nosso!

domingo, 20 de novembro de 2011

Post Extraordinário - Folha de São Paulo: Cesáreas superam partos normais pela primeira vez no país

Folha de São Paulo
Saúde
Domingo, 20 de novembro de 2011.

A professora universitária Verônica Toste, 30, e sua filha Luisa, em sua casa no Rio
(Foto de Marcos Michael, Folhapress)
Cesáreas superam partos normais pela primeira vez no país
Em 2010, 52% dos partos no Brasil foram cirúrgicos; em hospitais privados, taxa é de 82%, na rede pública, 37%
Dificuldade de achar leitos em hospitais e menor remuneração para parto normal explicam a tendência
ANTONIO GOIS
DENISE MENCHEN
DO RIO
Pela primeira vez, o Brasil registrou mais cesarianas do que partos normais. Tabulações feitas pela Folha no DataSUS, sistema do Ministério da Saúde, mostram que o percentual de partos cesáreos chegou a 52% do total em 2010. Em 2009, eles já tinham se igualado aos normais.
A Organização Mundial da Saúde recomenda uma taxa em torno de 15%. A cirurgia, quando bem indicada, traz benefícios à gestante e ao recém-nascido, mas, quando feita indiscriminadamente, pode elevar os riscos para a mãe e para o feto.
Como o parto é marcado com antecedência, ele pode ocorrer antes do tempo adequado, levando o bebê a ter problemas associados à prematuridade.
"Esse é o grande perigo do aumento das cesáreas. Mesmo com todos os exames, a medicina não é uma ciência exata", diz o coordenador da Câmara Técnica de Parto Normal do CFM (Conselho Federal de Medicina), José Fernando Maia Vinagre.
No país, o grande número de cesarianas é puxado pelo setor privado, em que cerca de 80% dos partos são cirúrgicos desde 2004. Mas é no SUS que essa taxa está aumentando: passou de 24% para 37% na década passada.
EPIDEMIA
O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, diz que o aumento é preocupante e que os atuais patamares de cesáreas são inaceitáveis, chegando a níveis "escandalosos" no setor privado. Ele classifica as altas taxas como uma epidemia.
Segundo ele, está havendo uma contaminação do SUS pelo setor privado. "Entre 70% e 80% dos médicos estão nos dois sistemas e eles transportam práticas da rede particular para o SUS."
Outro motivo que ele aponta para o crescimento é a deterioração da formação médica na década passada. "Milhares de estudantes se formam sem ter feito parto normal", diz o secretário.
Magalhães cita fatores econômicos e culturais para a elevação das cesáreas. A maior inserção feminina no mercado de trabalho, por exemplo, tem levado mulheres a optar pela comodidade de marcar data e horário do parto até na rede pública.
José Fernando Maia Vinagre, do CFM, diz ainda que muitas pacientes do SUS podem estar se mirando no exemplo das classes mais altas ao escolher a cirurgia. "Na saúde suplementar, o natural passou a ser o parto cesáreo", afirma.
Ele diz também que o número elevado de cesáreas no setor público pode estar relacionado a problemas no pré-natal. "Se o pré-natal for malfeito, o médico só vai detectar eventuais problemas na hora do parto e pode acabar optando pela cesárea."
Uma das apostas do governo para diminuir as cesarianas no SUS é a ampliação de centros de parto normal, unidades criadas só para esse fim. Hoje, são 25 no país. A meta é ter mais 250 até 2014.
REMUNERAÇÃO
Na saúde privada, há outros fatores que explicam o alto número de cesarianas. Um deles é a remuneração do obstetra e da equipe em partos normais pelos planos de saúde, considerada insuficiente pelos profissionais.
"O trabalho de parto, especialmente do primeiro filho, pode durar até 12 horas. Já na cesárea, o médico escolhe o horário mais conveniente e, em uma hora e meia, já está liberado. Alguns planos até remuneram melhor o parto normal do que a cesárea, mas mesmo assim não compensa", diz Vinagre, do CFM.
Outro problema é a dificuldade de encontrar leitos em maternidades quando a gestante entra em trabalho de parto -fica mais fácil marcar a cirurgia com antecedência. Os custos, porém, costumam ser maiores, já que a recuperação da mãe é mais lenta e, nos casos em que o bebê nasce prematuro, são comuns as internações em UTI.
"Tive de mudar de médico para evitar cesárea"
DO RIO
DE SÃO PAULO
A professora universitária Verônica Toste, 30, do Rio, diz que a gestação da primeira filha, nascida em setembro, foi tranquila, com exceção de um aspecto: o aborrecimento com o obstetra, que criava empecilhos para realizar o parto normal.
Nas consultas do pré-natal, o médico tentava dissuadi-la do parto normal dizendo que ela sentiria muita dor. Depois, passou a argumentar que o plano de saúde não remunerava as horas na sala de parto, o que ela descobriu não ser verdade, após consultar a operadora.
Mesmo assim, o médico quis cobrar R$ 2.000 para fazer o parto e disse que ela teria de pagar pelo pediatra da equipe, que não era do convênio. "Ele criou tantos empecilhos que acabei trocando de médico no oitavo mês."
Verônica conta que, conversando com amigas, descobriu que todas foram submetidas a cirurgias cesarianas, muitas convencidas com argumentos médicos. Foi o que aconteceu com a técnica em enfermagem Patricia Reis França, 33, de São Paulo, mãe de dois filhos nascidos de cesárea.
Quando engravidou pela primeira vez, sua intenção era ter o bebê por parto normal. "Mas, na época, o médico disse: 'Você vai sofrer mais, pode ficar até 12 horas em trabalho de parto'. Como eu tinha medo de ficar esse tempo todo sentindo muita dor, ele conseguiu me convencer", conta.
A chef de cozinha Mariana Costa, 20, de São Paulo, conta que também queria fazer parto normal, mas, quando engravidou pela primeira vez, no ano passado, seu médico recomendou a cesariana quado ela estava com oito meses de gravidez.
"As duas opções têm lados bons e ruins. Eu optei pela cesárea para ficar mais tranquila e me senti mais segura. É bom porque dá para você se preparar, não tem que sair correndo para o hospital."(AG, DM E MARIANA VERSOLATO)
Comissão quer obstetra de plantão em hospital
Proposta é de entidades médicas para estimular parto normal no setor privado
Médico que acompanha a gestação seria chamado só na hora do parto, para evitar necessidade de espera
DO RIO
Para tentar reduzir o número de cesarianas na rede privada, entidades querem que os hospitais mantenham equipes especializadas de plantão para acompanhar as primeiras horas do trabalho de parto das gestantes.
Com isso, o obstetra que fez o pré-natal poderia ser acionado só quando o nascimento estivesse se aproximando -a longa duração do processo é um dos motivos pelos quais muitos médicos optam pelas cirurgias.
Essa é uma das propostas da Comissão de Parto Normal, criada em 2009 pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) para estimular esse tipo de parto sempre que não houver indicação clínica para a cesárea.
"A cesariana é muito importante em alguns momentos, salva vidas, mas no Brasil tem sido feita de forma excessiva", diz a gerente de assistência à saúde da ANS, Karla Coelho.
Segundo ela, a agência já leva em consideração a evolução do número de cesáreas ao fazer a avaliação das operadoras de planos de saúde, mas isso não tem sido suficiente para diminuir as altas taxas na saúde suplementar.
MEDIDAS
Para isso, avalia, é necessário adotar uma série de ações conjuntas, que a agência busca estimular junto às operadoras. Além das equipes de plantão, por exemplo, Coelho defende a disseminação de salas de pré-parto, onde a gestante possa ficar durante o trabalho de parto, acompanhada por enfermeiros obstétricos.
Integrante do grupo técnico de obstetrícia do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), Jacqueline Torres diz que, em países como a Holanda, a maior participação desses profissionais melhorou a qualidade dos partos.
"São profissionais treinados para acompanhar o trabalho de parto e, diferentemente dos médicos, têm uma formação mais de aguardar do que de intervir", afirma. Outra medida em estudo é a adoção, pela rede privada, de iniciativas já vigentes no SUS, como o cartão da gestante e o partograma.
INFORMAÇÃO ABERTA
O cartão é um documento com informações sobre o histórico da gestação, inclusive com resultados de exames.
Na avaliação de José Fernando Maia Vinagre, do Conselho Federal de Medicina, isso daria mais tranquilidade à gestante para optar pelo parto normal: mesmo que o obstetra responsável pelo acompanhamento no pré-natal não esteja disponível no dia do parto, todas as informações importantes estariam acessíveis para o profissional que assumir o procedimento.
Hoje, muitos médicos mantêm essas informações em seus consultórios, sem repassá-las para a paciente.
Já o partograma é um registro da evolução do trabalho de parto, com informações como o número e a frequência das contrações e o grau de dilatação.
Além de orientar o trabalho da equipe, o documento poderia permitir que as maternidades acompanhassem de forma mais fácil a conduta de suas equipes. Segundo Vinagre, o CFM estuda editar uma resolução obrigando os médicos a preencher esses documentos.
Para Coelho, da ANS, é importante que as operadoras de planos formem grupos de gestantes para abordar a questão do parto normal. "É preciso desmistificar a questão da dor." (AG E DM)
FRASES
"O parto normal pode durar até 12 horas. Na cesárea, o médico está liberado em uma hora e meia. Alguns planos remuneram melhor o parto normal do que a cesárea, mas mesmo assim não compensa"
JOSÉ FERNANDOMAIA VINAGRE - do Conselho Federal de Medicina
"Meu médico disse que eu poderia sofrer mais no parto normal. Como eu tinha medo de ficar sentido dor, ele conseguiu me convencer a fazer cesárea"
PATRÍCIA REIS FRANÇA - técnica em enfermagem
Fonte: Folha de São Paulo, link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/index-20111120.shtml - acesso restrito a assinantes UOL ou FSP.

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O blog Parto no Brasil publica hoje a matéria da Folha de São Paulo que foi a manchete do domingo. A edição nacional teve tiragem de 544.555 exemplares. Ou seja, felizmente, milhares de brasileiros serão forçados a consumirem esta informação hoje. Agora, para quantos isto vai fazer algum sentido e que sentido será dado né, só podemos imaginar.
Aos nossos leitores, vale observar que o texto está razoavelmente alinhado ao que o movimento pela humanização do parto reclama. Mas muitos outros detalhes deste contexto foram silenciados - não há menção à violência obstétrica que é praticada contra as mulheres no setor público (com mais normalidade e crueza) e no setor privado (geralmente de forma velada ou anestesiada). Em contrapartida, a cesárea eletiva é novamente marcada na conta das mulheres - normalizado a falácia de que estas taxas são em parte resultado do desejo das mulheres.
As mulheres têm o direito de escolher pela cesárea? Têm. E deveriam ter seu direito assegurado, sempre (e especialmente aqui no Brasil, em que o parto vaginal é prá lá de inadequado). Agora, o ponto é mais complexo que simplesmente autonomia e desejo: o sistema de saúde deve melhorar a qualidade de seus modelos de atenção; e os profissionais devem esclarecer as mulheres sobre os riscos e benefícios sobre cada procedimento. Aí sim poderíamos conversar legitimamente sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos, os quais preveem, além da garantia de autonomia da mulher, também a possibilidade de viver a experiência da reprodução livre de discriminação, imposição e violência.
Também temos o direito de receber atenção profissional por especialistas bem treinados. O trabalho das enfermeiras obstetras perde-se no meio das informações que a Folha traz, não é valorizado como gostaríamos, como outras experiências já comprovaram como altamente protetoras e promotoras da saúde de mulheres e bebês. O trabalho das obstetrizes não é sequer mencionado - poderia já estar articulado à construção de duas centenas de Centros de Parto Normal (CPNs) no país, não é mesmo? Pelo contrário, a "versão da realidade" comunicada pela Folha, circunscreve nossas barrigas grávidas ao universo médico-obstétrico. Uma tragédia!
Não há uma 'que' sobre a integridade física da mulheres, o que por sua vez normaliza que este não é um desfecho relevante para a saúde materna. É a legitimação social da violência contra as mulheres na maternidade, que para fazer nascerem seus filhos, podem levar (de um médico!!!) a faca na barriga ou na vagina. Silêncio absoluto.
E seu eu fosse homem feminista, ainda estaria 'de cara' com a ausência da seguinte informação: dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) de 2006 registram que apenas 16% das parturientes tiveram assegurado seu direito à companhia de uma pessoa familiar durante a internação. Estes são os números mais atuais, publicados pelo Ministério da Saúde em 2009.
Qual o seu comentário a respeito?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estudo aponta aumento de pré-natal e idade das mães

O número de nascimentos no país continua em queda, a faixa etária das mães é maior e as gestantes realizam mais consultas pré-natal e mais cesáreas. Quanto ao perfil epidemiológico dos nascimentos, persistem diferenças importantes segundo regiões e porte do município de residência da mãe. É o que conclui a publicação Saúde Brasil 2010 no capítulo “Como nascem os brasileiros: descrição das características sociodemográficas e condições dos nascimentos no Brasil”.
De acordo com o estudo, a proporção de mães com nenhuma consulta pré-natal reduziu no país de 4,7% para 1,8%, entre 2000 e 2009. “Este aumento tem sido considerado um dos principais indicadores de acesso e qualidade da atenção à saúde da mulher e da criança”, destaca o diretor de Análise de Situação da Saúde do Ministério da Saúde e coordenador da publicação, Otaliba Libânio. As conclusões do Saúde Brasil 2010 estão sendo apresentadas e discutidas durante a 11ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), que vai até a próxima quinta-feira (3), no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília (DF).
A Rede Cegonha, estratégia lançada pelo Ministério da Saúde em março deste ano, tem o objetivo de ampliar o acesso das gestantes aos serviços de saúde como também melhorar a qualidade da atenção às crianças até o segundo ano de vida do bebê. A Rede também prevê uma assistência mais humanizada no Sistema Único de Saúde e o direito ao parto natural sem o excessivo intervencionismo ou indicação médica.
Houve crescimento da proporção de mães que declararam ter realizado sete ou mais consultas durante a gestação, em todas as regiões do país. O melhor indicador está na região Sul, que passou de 65,3% para 80,5%, entre 2000 e 2009, nos municípios com mais de 500 mil habitantes. Já a menor freqüência está na região Norte, que subiu de 38,2% para 42,3% no mesmo período.
Em 2000, a proporção de nascidos vivos de mães que não realizaram nenhuma consulta de pré-natal, segundo porte de município de residência da mãe, era expressiva: em locais com menos de 100 mil habitantes, o índice era mais elevado (6,2%) que em municípios com mais de 100 mil habitantes (3,4%).
Nascimentos – Lançado anualmente pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, o Saúde Brasil faz uma análise da situação de saúde dos brasileiros. As conclusões norteiam a formulação de ações e políticas públicas de saúde. De acordo com os dados de 2009 (último ano considerado no estudo), o total de nascimentos no país passou de 3,2 milhões no ano 2000 para 2,8 milhões em 2009; ou seja, aproximadamente 320 mil nascimentos a menos no período de nove anos.
As mães com menos de 20 anos de idade representaram 20% do total de nascimentos. Já aquelas com mais de 30 anos representaram 26,7%. A diferença é maior se considerados os municípios de maior porte, com 500 mil habitantes ou mais: os nascimentos de mães adolescentes representaram apenas 16% do total, enquanto que os de mães com 30 anos ou mais superaram 32%.
Partos – O percentual de partos cesáreas aumentou no Brasil, passando de 38% em 2000 para 50,1% em 2009. “A operação cesariana, quando adequadamente indicada, traz benefícios à gestante e ao recém-nascido. Mas, o uso indiscriminado dela pode implicar em riscos para a mãe ou a criança”, alerta Otaliba Libânio.
Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, observam-se elevadas proporções de parto cesáreo (superiores a 50%). Já nas regiões Norte e Nordeste, são marcadas as diferenças segundo porte: nos municípios de menor porte, um pouco mais de 30% dos partos são cesáreos, enquanto que nos municípios de maior porte a proporção de partos cesáreos supera 50%.
Outro indicador abordado no Saúde Brasil se refere ao nascimento de crianças com baixo-peso, que passou de 7,7% em 2000 para 8,4% em 2009. Em 2009, o percentual de nascidos com baixo peso variou de 9,4% nos municípios de maior porte a 7,4% nos de menor porte, sendo esses percentuais maiores nas regiões Sul e Sudeste, independente do porte populacional.
Segundo Otaliba Libânio, o aumento do percentual de cesarianas quando relacionado ao aumento do baixo peso ao nascer e da prematuridade (principalmente, nos municípios de maior porte populacional) pode indicar um excesso de intervenções durante a atenção ao parto com procedimentos que, muitas vezes, não apresentam indicação médica e que trazem, como consequência, complicações para o recém-nascido.
Veja os gráficos na matéria aqui!
Fonte: Alethea Muniz - Agência Saúde.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Novos padrões para nascer

Com participação da USP, pesquisa nacional sobre parto e nascimento questiona o uso indiscriminado da cesariana e alerta para seus efeitos nas mães e nos recém-nascidos
Por Sylvia Miguel
No Brasil, um dos principais argumentos utilizados a favor da cesariana e da episiotomia de rotina é que o parto vaginal provoca flacidez dos músculos, comprometendo a atratividade sexual das mulheres. O excesso de estimativa de risco fetal ou a dor materna também desencadeiam a demanda por cesariana. Mas também os horários e conveniência dos médicos, especialmente no setor privado, colaboram para a prática indiscriminada da cesariana. No setor público, um argumento usado especialmente na década de 1990 é que a cesariana aliviaria a lotação de leitos.
Um grande retrato da assistência em saúde no Brasil vem sendo produzido por um consórcio de instituições de pesquisa e ensino e revelará em breve a magnitude das intervenções rotineiras desnecessárias relacionadas ao nascer. Trata-se da pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), com participação da USP e outras instituições de pesquisa e ensino do País. Ela pode ser conhecida em detalhes no site www.ensp.fiocruz.br/nascernobrasil.
Segundo a pesquisa, as práticas intervencionistas durante o parto ganharam terreno especialmente após a década de 1950, com a adoção da tecnologia como forma de acelerar, regular e monitorar o processo de nascimentos no Brasil. Com isso, estabeleceu-se um padrão, uma espécie de “linha de montagem” para nascimentos que, além dos procedimentos citados, disseminou o uso da ocitocina e outros medicamentos para induzir o trabalho de parto, a adoção da posição deitada para a parturiente, o uso de rotina do fórceps em hospitais-escola e a “manobra de Kristeller” (empurrar a barriga para forçar a saída do bebê).
Mesmo comprovado que tais práticas rotineiras, além de obsoletas, não constituem bom exercício da obstetrícia, a maioria dos obstetras não consegue abandoná-las, justamente porque constituem práticas que lhes foram passadas nos bancos universitários.
Do ponto de vista das pacientes, parece que as únicas opções possíveis, pelo menos no sistema público e privado de saúde brasileiro, seriam a escolha do “corte por cima” (a cesariana), ou do “corte por baixo” (a episiotomia).
A grande maioria das mulheres se submete a tais procedimentos por conta das informações deformadas que recebem dos próprios médicos, acreditando que esse ou aquele medicamento, essa ou aquela prática protegerão seu bebê. Ou seja, as parturientes assumem que o “médico está fazendo a coisa certa”.
Ainda pesa na falta de opções o fato de que a episiotomia é um dos poucos procedimentos cirúrgicos realizados sem qualquer consentimento prévio da paciente. Os médicos a realizam como “procedimento de rotina”. É bom ressaltar que o uso dessas tecnologias podem, comprovadamente, prevenir e reduzir danos à mãe e ao bebê, mas em casos muito específicos. A episiotomia seletiva, por exemplo, ou seja, aquela com indicação específica, traz maiores benefícios que o uso rotineiro, sendo indicada em situações de sofrimento fetal, quando existe ameaça de laceração perineal grave, quando o feto está em apresentação pélvica (virado), ou ainda quando há progressão insuficiente do parto.
No setor privado, onde 30% das mulheres dão à luz, a cesariana é realizada em mais de dois terços dos partos. A episiotomia em mulheres que dão à luz por via vaginal atinge a taxa de 94,2%, sendo 70% delas no serviço público, de acordo com dados da professora Carmen Simone Grilo Diniz, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
A sociedade e, principalmente, as brasileiras, nunca discutiram profundamente as consequências na saúde das parturientes e dos bebês e nem sequer foi feita, até hoje, uma conta dos custos hospitalares relativos aos procedimentos cirúrgicos desnecessários nas práticas obstétricas. O que existe atualmente nesse sentido no Brasil são movimentos e debates em torno da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa).
Motivações
Felizmente, pela primeira vez, o Brasil poderá fazer essa conta, ou seja, saber se, em se tratando de saúde pública, de fato se justifica a profusão de tantos procedimentos obstétricos sem indicação precisa. A pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento permitirá conhecer a magnitude e os efeitos de intervenções desnecessárias como a cesariana em puérperas e recém-nascidos. Também será possível descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto e as complicações médicas durante o período do puerpério.
A Faculdade de Saúde pública (FSP) da USP, através do Departamento de Saúde Materno-Infantil, sedia a coleta de dados em São Paulo. “A pesquisa se iniciou em fevereiro de 2011 e deve ser finalizada em dezembro próximo”, afirma a coordenadora da coleta estadual dos dados, professora Camila Schneck, da Escola de Artes e Humanidades (EACH) da USP.
O edital convocado em 2009 pelo CNPq foi “provocado” por anseios de organizações civis e movimentos nacionais a favor da humanização dos partos no Brasil e contra a mutilação genital feminina, segundo a professora Carmen Simone Grilo Diniz (FSP), coautora da pesquisa.
Simone também coordena e monitora a coleta de dados da região Sudeste. O inquérito epidemiológico tem a professora Maria do Carmo Leal, da Fiocruz, como coordenadora-geral.
“A pesquisa traz inovações nunca estudadas em âmbito nacional. Conheceremos a magnitude da cesariana e de outras intervenções desnecessárias. Mas também poderemos relacionar os efeitos de gravidade pós-natal em mães e bebês decorrentes dessas intervenções, como também os efeitos de procedimentos ‘invisíveis’ no prontuário, como a manobra de Kristeller, por exemplo”, afirma Simone.
A amplitude das informações será possível graças à metodologia, que cruza a investigação de prontuários hospitalares com entrevistas de puérperas face a face no pós-parto imediato e por telefone 45 a 60 dias após o parto. Foram selecionados estabelecimentos de saúde nas cinco macrorregiões. Todos os Estados da federação participam, perfazendo um total de 23.580 pares de puérperas e conceptos.
Fonte: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=18819

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pesquisadores investigam indução de cesarianas por praticidade

Por Juliana Braga - Correio Braziliense, em 25/09/11
Pesquisadores brasileiros ouvirão 24 mil mulheres de todo o país para investigar as etapas de nascimento e descobrir, entre outros aspectos, a razão do aumento do número de bebês prematuros e por partos cesarianos — entre 1997 e 2007, o número de partos não naturais aumentou 44%. Coordenado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz, o levantamento inédito, intitulado Nascer no Brasil, também pretende apontar as causas de mortalidade materna e neonatal.
Coordenadora do Núcleo da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, Esther Vilela define o alto número de bebês prematuros como uma “epidemia oculta”. “É uma prematuridade em consequência da cesárea de hora marcada. Hoje, se programa tudo, até o dia em que o bebê tem de nascer, de acordo com a comodidade da família e do profissional de saúde”, detalha. “É uma entrega total à tecnologia, como se ela fosse superior a tudo. Isso leva as crianças a encherem cada vez mais as UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo). A gente sabe que a cesárea é mais perigosa para a mulher e para o bebê”, critica.
Só em 2009, foram 202 mil nascimentos prematuros. O número de bebês abaixo do peso chegou a 242 mil. A quantidade de cesáreas varia conforme a rede de atendimento: pública ou privada. Dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam que, no SUS, 35% dos partos são cesarianos. Se considerarmos a média nacional, o índice sobe para 46%. “Na rede privada, chega a 70%”, afirma Esther.
Segundo Daphne Hattner, coordenadora regional do estudo e professora da Universidade de Brasília (UnB), a prematuridade em decorrência de uma cesariana programada pode trazer algumas complicações para o recém-nascido. A principal delas acontece quando o bebê nasce antes de o sistema pulmonar estar completamente desenvolvido. “Respirar aqui fora é o básico para o recém-nascido. Se o bebê nasce antes da hora, isso pode ser comprometido”, detalha.
Nesses casos, a criança precisa ficar em uma UTI e, consequentemente, mais exposta a outras doenças. “O bebê tem o tempo dele de nascer e a mãe, o tempo dela de dar à luz. Isso precisa ser respeitado. A cesárea deveria ser um procedimento utilizado apenas em emergências”, defende Daphne. Esther Vilela concorda. “Toda mulher já nasce capaz de dar à luz. O profissional deve apenas auxiliá-la nesse momento”, pontua.
Mortalidade
Outra consequência grave das cesarianas desnecessárias é o risco de mortalidade materna. Esther Vilela reconhece que essa deve ser a única meta dos objetivos do milênio que não será alcançada pelo país. O objetivo é reduzir em três quartos os casos, o que no Brasil representaria um índice de 37 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Em 2007, a média era de 75 a cada 100 mil. A Coordenadora do Núcleo da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde explica que essa é uma meta difícil de ser alcançada porque tem que abranger todo o Brasil, que enfrenta problemas regionalizados com relação ao tema. A pasta desenvolve um plano com metas específicas para cada região brasileira.
Evidências científicas mostram que cerca de 90% dos óbitos maternos poderiam ter sido evitados. Em alguns casos, bastava ter iniciado o pré-natal mais cedo”, Daphne Hattner. “Pode ser que a mãe não tenha dinheiro para o pré-natal ou que ela tenha sete filhos e não sobre tempo para os exames. Queremos investigar todas essas causas”, exemplifica.
Metas internacionais
Em 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu oito objetivos a fim de amenizar o que a entidade considera como os maiores problemas mundiais. São eles: acabar com a fome e a miséria; reduzir a mortalidade infantil; combater a Aids, a malária e outras doenças; fornecer educação básica de qualidade para todos; promover a qualidade de vida e respeitar o meio ambiente; promover a igualdade entre sexos e a valorização da mulher; melhorar a saúde das gestantes; e fazer com que as pessoas trabalhem pelo desenvolvimento.
Tensão nos primeiros dias
Em 2009, foram registrados 2,9 milhões de nascidos vivos no país. Desses, saiba quantos nasceram prematuros e quantos estavam abaixo do peso.
Prematuros
Menos de 22 semanas - 1.803
De 22 a 27 semanas - 11.507
De 28 a 31 semanas - 20.899
De 32 a 36 semanas - 167.893
Total - 202.102
Abaixo do peso
Menos de 500g - 2.979
De 500g a 999g - 13.496
De 1.000g a 1.499g - 21.021
De 1.500g a 2.499g - 204.935
Total - 242.431
Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2011/09/25/interna_brasil,271274/pesquisadores-investigam-inducao-de-cesarianas-por-praticidade.shtml#.Tn-DwzvjtAE.facebook

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