Mostrando postagens com marcador Nascer no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nascer no Brasil. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de julho de 2012

Nosso modelo de assistência ao parto é adoecedor*

"Nos dias atuais, nascer naturalmente é uma questão de cidadania" Esta é a conclusão a que chega Maria do Carmo Leal, coordenadora da Pesquisa Nascer no Brasil, da ENSP Fiocruz. Aqui, "nascer naturalmente" significa receber uma assistência obstétrica e neonatal de qualidade, com profissional especialista em acompanhar a evolução da fisiologia do parto e detectar qualquer anormalidade que necessite de avaliação médica, com segurança. 

Para além dos indicadores em Saúde Pública, os resultados do nosso modelo de assistência ao parto representam a qualidade do acesso que as cidadãs brasileiras têm nos diferentes segmentos - SUS, plano de saúde, e via pagamento direto - para conseguir um "parto sem cortes", com mãe e bebê saudáveis, e íntegros.

A edição do programa Sala de Convidados que foi ao ar em 13 de julho de 2012, no Canal Saúde da Fiocruz, tem 54 minutos e é uma belíssima aula de Saúde Pública, sobre os diferentes modelos de assistência ao parto. 



Acesse aqui

(Vídeo disponível para download)



Os convidados são Marcos Nakamura, Marcos Dias e Maria do Carmo Leal. Dois médicos parteiros, e uma das mais brilhantes pesquisadoras do Brasil, na área da Saúde Materno-Infantil.

Um vídeo imperdível para quem gosta do tema, e para quem quer saber um pouco mais sobre o porquê nós NÃO nos impactamos negativamente com o UM MILHÃO de cesáreas desnecessárias que são realizadas no país, anualmente.

E de como esta é apenas um dos lados da questão, a mais extrema das intervenções obstétricas, entre tantas outras que são praticadas sem critérios de seleção, contrariando as recomendações de pesquisas científicas atuais. 

Imperdível para entender porque devemos apoiar e valorizar a assistência direta ao parto por enfermeiras, obstetrizes e parteiras.

Marcha das Vadias - autoria e local desconhecidos, publicada no perfil Parto Ativo
Ser perfeitamente saudável e poder escolher uma cesárea, TROCAR seu parto por uma CIRURGIA de grande porte, aqui no Brasil, e em outros países em que há muito desrespeito e violência contra as mulheres, você pode.

Mas estando perfeitamente saudável e poder escolher ter um parto domiciliar, com assistência de qualidade, e a segurança de que o hospital de referência está organizado para te receber muito bem em caso de uma transferência vir a ser necessária, conforme RECOMENDÁVEL por uma recente pesquisa inglesa, NÃO. Você NÃO PODE.

Nem 'parto humanizado' pelo plano de saúde pode!

Mais uma oportunidade que confirma o quanto nós não temos escolha:

- 95% de cesáreas no plano de saúde, significa que as mulheres não estão podendo escolher.
- 90% dos partos normais em posição de litotomia, significa que as mulheres não estão podendo escolher.
- Analgesia só para aquelas que 'descompensam', significa que as mulheres não estão podendo escolher.

Foto de Ana Carolina Franzon, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR

E também são atos de violência obstétrica: uma mulher baixo risco chegar ao ponto de 'desconpensar' durante um trabalho de parto para o qual ela 'não colabora'; e só para encerrar, proibir as mulheres de terem a companhia de uma doula ou outra mulher com experiência de parto.

Tudo isso não precisa ser assim, aliás, deveria ser tudo inadmissívelEspero poder ver o dia em que ter parto de mãe e bebê perfeitamente saudáveis com médico seja algo considerado retrógrado, esquisito, notavelmente antiquado. Brega.

* Porque o nosso modelo de assistência ao parto é iatrogênico. Nos causa danos físicos e emocionais. E também é impossível não aproveitar para falar do nosso padrão de planejamento reprodutivo. Da falta de opção que temos, e de como muitas mulheres se submetem inquestionavelmente ao uso de hormônios anti-concepcionais. É a mesma lógica - do domínio e do controle do corpo das mulheres, só que em favor do homens.


Foto de Marcos AF Gomes, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR 
Fotos - Porque parir e maternar livremente, e conscientemente, são atitudes super-feministas!  

domingo, 10 de junho de 2012

Plantão: A questão do (medo do) parto no jornal O Globo 2/2

Confiram a íntegra da matéria publicada na edição de sábado do jornal O Globo.

O Blog Parto no Brasil defende e valoriza as boas práticas na atenção ao parto vaginal.

Mulheres, não vacilem: a possibilidade de ter um parto prazeroso existe! E você tem direito de escolher como viver a SUA história! 
--


A questão do parto
Número de cesáreas confirma cirurgia como primeira opção das mulheres


VIVIANE NOGUEIRA
Publicado: 9/06/12 - 14h00


A informação é sua melhor aliada para a defesa de sua integridade física e bem-estar emocional. Não deixe que escolham por você. Busque apoio de outras mulheres, em grupos presenciais e virtuais de apoio ao parto.

Se você perguntar à grávida mais próxima como ela quer que seu bebê chegue ao mundo, ela provavelmente responderá que por parto normal. Ainda assim, dados sobre nascidos vivos do Ministério da Saúde mostram que, em 2010 (ano mais recente desse levantamento), nas redes pública e privada, 52,2% dos partos realizados foram cesarianas e 47,8% foram normais. O motivo pode estar entre os instintos mais básicos: o medo. 

Um estudo feito em 2008 no Rio e na Baixada Fluminense pela epidemiologista Maria do Carmo Leal, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, mostrou que no início da gravidez 70% das mulheres queriam parto vaginal, mas ao fim dos nove meses apenas 30% confirmavam seu desejo. A maioria dos bebês nascia mesmo por cesárea. Por que elas mudavam de opinião? Algumas queriam ligar as trompas, outras eram influenciadas por seus médicos, mas a maioria tinha medo da dor.
A cesárea já está no inconsciente coletivo, é a experiência da maioria. Os médicos aqui não sabem fazer parto, já aprendem a cirurgia na universidade. Nos outros países não há essa cultura intervencionista, mas as mulheres são mais bem assistidas no pré parto, ficam em banheiras de água quente, recebem massagem para relaxar e aprendem a respirar para conduzir o parto, isso diminui o medo — acredita a pesquisadora, que prepara para agosto uma pesquisa com 24 mil mulheres do país sem problema algum de saúde que optaram pela cesárea.
Pela Organização Mundial de Saúde, o recomendado é que apenas 15% das mulheres deem à luz por cesárea, uma cirurgia ótima para quando há algum problema. Quando não há, o ideal é o parto vaginal para evitar o estresse orgânico do corte de tecido, infecções, cicatrizes uterinas e a alienação da mãe na hora do nascimento do bebê por causa da anestesia. 

Para tentar atender a esta demanda, o Ministério da Saúde criou em 2011 o Rede Cegonha, que prevê consultas de pré-natal, a presença do acompanhante durante o parto, e centros de parto normal com leitos adaptados para num só lugar acolher a mulher antes, durante e depois do parto. Hoje, o valor repassado ao médico do Sistema Único de Saúde (SUS) no parto normal já é maior que nas cesáreas e, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se pensa em remunerar as horas que o médico acompanha a mulher no parto normal.
— É preciso mudar a cultura dos médicos que hoje se aprimoram na cirurgia e deixam de lado o parto vaginal. O que vai reduzir o número de cesáreas é a gestante chegar segura à maternidade. Até 2014 queremos 80% das grávidas com no mínimo seis consultas de pré-natal e exames de sífilis, HIV e ultrassonografia feitos — anuncia Padilha.
Na experiência da professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) Daphne Rattner, presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), as mulheres cada vez mais reivindicam seus corpos e o direito de parir. E para isso a melhor opção seria o parto domiciliar. De acordo com a “The Cochrane Collaboration”, pesquisa da fundação sem fins lucrativos feita com 8.677 mulheres, quando comparados com os hospitais, os partos em casa apresentaram menos intervenções médicas e mais satisfação materna, com a ressalva de que cuidadores e pacientes devem estar atentos para sinais de complicações.
— Gravidez não é doença e parto não é cirurgia, mas a cultura influencia muito. Em 1997 participei de um encontro internacional e a representante do Nepal disse que lá o médico aprende que a dor é sinal de que algo está errado e é preciso intervir. Já a parteira diz ‘oba, as dores começaram, vamos ver o que há para fazer’ — conta Daphne.
Por aqui a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é terminantemente contra partos domiciliares porque considera que um parto só é sem riscos depois de 24 horas que aconteceu.
— Muitas interferências podem acontecer mesmo num parto normal, como uma hemorragia e a consequente retirada do útero. E às vezes, na transferência de casa para o hospital, a morte da mãe pode acontecer — explica a diretora administrativa da Febrasgo, Vera Lúcia Mota da Fonseca, que defende a cesárea em indicações precisas e acredita que a gravidez acompanhada por uma equipe múltipla pode servir para aumentar o número de partos normais. — Dessa forma o médico não precisa largar o consultório e correr para a maternidade: a mulher entra em trabalho de parto, vai para a maternidade em que fez o pré-natal e lá o médico disponível faz o parto.
A ginecologista e obstetra Cláudia Araújo Bottino credita à vida moderna a opção das mulheres “ocupadas e estressadas” pela cesárea:
— A carga da mulher hoje não é só ser mãe. Ela é profissional, esposa, dona de casa e mãe. E por isso não quer sentir dor — diz.
A dor não desanimou a publicitária Simone Pinto, que queria que seu filho João, hoje com sete meses e meio, nascesse quando estivesse pronto. As contrações começaram às 3h, ela monitorou tranquilamente, chegou ao hospital às 8h30 e às 15h recebeu o bebê. 
Eu senti dor mas curti, foi um momento intenso de dor e prazer. Mas a todo momento eu sabia que se algo desse errado eu poderia contar que minha médica faria a cesárea — conta.
Fonte: A Questão do Parto - O Globo



--

Opção polêmica

Portal O Globo
Publicado: 9/06/12 - 14h00

Dados: O número de cesáreas na rede pública vem aumentando na medida em que diminuem os partos normais. No SUS, os percentuais de cesáreas em 2009, 2010 e 2011 foram 34,6%, 36,7% e 38,3 enquanto o de partos normais, 65,3%, 63,2% e 61,6%. Nas redes pública e privada (os dados dos nascidos vivos) o percentual de cesáreas aumentou de 50% para 52,2% entre 2009 e 2010 e o de partos normais caiu de 50% para 47,8% no mesmo período.
Mãe: Como toda cirurgia, a cesárea pode ter como desdobramentos, além da cicatriz aparente, uma fibrose uterina, o que pode dificultar a implantação do embrião em uma próxima gestação. Por isso muitos médicos indicam que o no segundo parto de uma mulher que já tenha feito uma cesárea se repita a cirurgia.
Bebê: A idade gestacional do feto é determinada por ultrassonografia ou pela data da última menstruação da mãe, mas esses métodos não podem precisar a data exata do nascimento.
Natural ou normal: A nomenclatura natural é usada quando todos os processos biológicos do nascimento do bebê são respeitados. Ou seja: não há anestesia, não há corte para ajudar a passagem da cabeça. Já o parto normal é o vaginal, no qual o bebê sai pela vagina e a mãe pode contar com a interferência médica.
SUS: No primeiro ano do programa Rede Cegonha, houve queda de 21% na mortalidade decorrente de complicações na gravidez e no parto. No Estado do Rio, já há uma unidade em funcionamento no Hospital da Mulher, em São João de Meriti e a próxima será inaugurada em Mesquita. Em 2011, mais de 1,7 milhão de mulheres fizeram no mínimo sete consultas pré-natais pelo programa.
Dor: Segundo Daphne Rattner, a dor faz parte do processo de parto e, “quando a mulher se mexe por causa da dor, a cabeça do bebê se encaixa”. Mais importante que qualquer estratégia ou planejamento já traçado, é que o parto seja bom para a mãe e para o bebê.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Novos padrões para nascer

Com participação da USP, pesquisa nacional sobre parto e nascimento questiona o uso indiscriminado da cesariana e alerta para seus efeitos nas mães e nos recém-nascidos
Por Sylvia Miguel
No Brasil, um dos principais argumentos utilizados a favor da cesariana e da episiotomia de rotina é que o parto vaginal provoca flacidez dos músculos, comprometendo a atratividade sexual das mulheres. O excesso de estimativa de risco fetal ou a dor materna também desencadeiam a demanda por cesariana. Mas também os horários e conveniência dos médicos, especialmente no setor privado, colaboram para a prática indiscriminada da cesariana. No setor público, um argumento usado especialmente na década de 1990 é que a cesariana aliviaria a lotação de leitos.
Um grande retrato da assistência em saúde no Brasil vem sendo produzido por um consórcio de instituições de pesquisa e ensino e revelará em breve a magnitude das intervenções rotineiras desnecessárias relacionadas ao nascer. Trata-se da pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), com participação da USP e outras instituições de pesquisa e ensino do País. Ela pode ser conhecida em detalhes no site www.ensp.fiocruz.br/nascernobrasil.
Segundo a pesquisa, as práticas intervencionistas durante o parto ganharam terreno especialmente após a década de 1950, com a adoção da tecnologia como forma de acelerar, regular e monitorar o processo de nascimentos no Brasil. Com isso, estabeleceu-se um padrão, uma espécie de “linha de montagem” para nascimentos que, além dos procedimentos citados, disseminou o uso da ocitocina e outros medicamentos para induzir o trabalho de parto, a adoção da posição deitada para a parturiente, o uso de rotina do fórceps em hospitais-escola e a “manobra de Kristeller” (empurrar a barriga para forçar a saída do bebê).
Mesmo comprovado que tais práticas rotineiras, além de obsoletas, não constituem bom exercício da obstetrícia, a maioria dos obstetras não consegue abandoná-las, justamente porque constituem práticas que lhes foram passadas nos bancos universitários.
Do ponto de vista das pacientes, parece que as únicas opções possíveis, pelo menos no sistema público e privado de saúde brasileiro, seriam a escolha do “corte por cima” (a cesariana), ou do “corte por baixo” (a episiotomia).
A grande maioria das mulheres se submete a tais procedimentos por conta das informações deformadas que recebem dos próprios médicos, acreditando que esse ou aquele medicamento, essa ou aquela prática protegerão seu bebê. Ou seja, as parturientes assumem que o “médico está fazendo a coisa certa”.
Ainda pesa na falta de opções o fato de que a episiotomia é um dos poucos procedimentos cirúrgicos realizados sem qualquer consentimento prévio da paciente. Os médicos a realizam como “procedimento de rotina”. É bom ressaltar que o uso dessas tecnologias podem, comprovadamente, prevenir e reduzir danos à mãe e ao bebê, mas em casos muito específicos. A episiotomia seletiva, por exemplo, ou seja, aquela com indicação específica, traz maiores benefícios que o uso rotineiro, sendo indicada em situações de sofrimento fetal, quando existe ameaça de laceração perineal grave, quando o feto está em apresentação pélvica (virado), ou ainda quando há progressão insuficiente do parto.
No setor privado, onde 30% das mulheres dão à luz, a cesariana é realizada em mais de dois terços dos partos. A episiotomia em mulheres que dão à luz por via vaginal atinge a taxa de 94,2%, sendo 70% delas no serviço público, de acordo com dados da professora Carmen Simone Grilo Diniz, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
A sociedade e, principalmente, as brasileiras, nunca discutiram profundamente as consequências na saúde das parturientes e dos bebês e nem sequer foi feita, até hoje, uma conta dos custos hospitalares relativos aos procedimentos cirúrgicos desnecessários nas práticas obstétricas. O que existe atualmente nesse sentido no Brasil são movimentos e debates em torno da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa).
Motivações
Felizmente, pela primeira vez, o Brasil poderá fazer essa conta, ou seja, saber se, em se tratando de saúde pública, de fato se justifica a profusão de tantos procedimentos obstétricos sem indicação precisa. A pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento permitirá conhecer a magnitude e os efeitos de intervenções desnecessárias como a cesariana em puérperas e recém-nascidos. Também será possível descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto e as complicações médicas durante o período do puerpério.
A Faculdade de Saúde pública (FSP) da USP, através do Departamento de Saúde Materno-Infantil, sedia a coleta de dados em São Paulo. “A pesquisa se iniciou em fevereiro de 2011 e deve ser finalizada em dezembro próximo”, afirma a coordenadora da coleta estadual dos dados, professora Camila Schneck, da Escola de Artes e Humanidades (EACH) da USP.
O edital convocado em 2009 pelo CNPq foi “provocado” por anseios de organizações civis e movimentos nacionais a favor da humanização dos partos no Brasil e contra a mutilação genital feminina, segundo a professora Carmen Simone Grilo Diniz (FSP), coautora da pesquisa.
Simone também coordena e monitora a coleta de dados da região Sudeste. O inquérito epidemiológico tem a professora Maria do Carmo Leal, da Fiocruz, como coordenadora-geral.
“A pesquisa traz inovações nunca estudadas em âmbito nacional. Conheceremos a magnitude da cesariana e de outras intervenções desnecessárias. Mas também poderemos relacionar os efeitos de gravidade pós-natal em mães e bebês decorrentes dessas intervenções, como também os efeitos de procedimentos ‘invisíveis’ no prontuário, como a manobra de Kristeller, por exemplo”, afirma Simone.
A amplitude das informações será possível graças à metodologia, que cruza a investigação de prontuários hospitalares com entrevistas de puérperas face a face no pós-parto imediato e por telefone 45 a 60 dias após o parto. Foram selecionados estabelecimentos de saúde nas cinco macrorregiões. Todos os Estados da federação participam, perfazendo um total de 23.580 pares de puérperas e conceptos.
Fonte: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=18819

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Agenda Parto no Brasil

Confiram muitos eventos voltados p/ gestantes e profissionais da área neste mês de agosto, e, também, em setembro! Imperdíveis!
A pesquisa Nascer no Brasil - Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, que estuda as condições de parto e nascimento no Brasil por meio de um inquérito com 24 mil puérperas em todo o Brasil, será apresentada na Unicamp neste dia 11 de agosto, das 14 às 17 horas, sob coordenação da pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP (Demqs), Maria do Carmo Leal.
Realizada em conjunto com a ENSP/Fiocruz, a apresentação tem como objetivo divulgar a pesquisa e apresentar os principais aspectos metodológicos e logísticos do estudo, além de discutir e sensibilizar a comunidade científica e a sociedade sobre as condições do nascimento no Brasil e as estratégias para melhorar a qualidade da assistência às mulheres e recém-nascidos. A atividade é voltada para pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes, movimentos de mulheres e demais interessados.
O evento é aberto e gratuito e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail sabrinamv79@gmail.com, aos cuidados de Sabrina.
Programação:
14 horas - Recepção;
14h30 - Abertura;
14h45 - Pesquisa Nascer no Brasil - Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento por Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz);
15h15 - Comentários de Antonieta Keiko Kakuda Shimo (FCM/Unicamp); Denise Bueno Parto do Principio (Campinas); Carmem Simone Grilo Diniz (FSP/USP);
17 horas - Encerramento.
Local: Salão Nobre da Faculdade de Ciências Médicas/Unicamp, na R. Tessália Vieira de Camargo, 126 - Cidade Universitária Zeferino Vaz - Campinas/SP
Nos dias 27 e 28 de agosto, das 9 às 13 horas, a Despertar do Parto, na R. Itacolomi, 480 - Alto da Boa Vista, em Ribeirão Preto/SP realiza um evento voltado p/ informações de parto, pós-parto e cuidados c/ o bebê.
Programação:
- Os “tipos de parto” e o parto possível;
- Dicas de como evitar uma cesariana desnecessária;
- As vantagens e desvantagens dos procedimentos médico-hospitalares como anestesia, fórceps, episiotomia;
- A participação ativa do pai ou acompanhante no processo;
- Elaborando o Plano de Parto - dicas práticas;
- A chegada do bebê, rotinas, pós-parto e amamentação;
- Exibição de vídeos e vivências.
Inscrições e informações pelos tel.: (16)3878-0886/9705-8922 e pelo site - www.despertardoparto.com.br
Oficina de Aromaterapia aplicada à gestação, no dia 11 de setembro, em Curitiba/PR:
Esta oficina oferece fundamentação teórica para a utilização da Aromaterapia durante a gestação, na hora do parto, no pós-parto e no período de amamentação, c/ duração de oito horas, cujo conteúdo programático inclui introdução à Aromaterapia; uso e aplicação de Óleos Essenciais (OE) e Óleos Vegetais (OV) durante a gestação; uso dos OE na prevenção e cuidados à dor lombar, inchaço, insônia, ansiedade etc.; os OE contra indicados nos três primeiros meses e durante todo o período de gestação; Aromaterapia aplicada ao momento do parto; aromatização ambiental para a sala de parto; os OE indicados no pós-parto e período de amamentação;os OE para amenizar a depressão pós-parto.
Das 9 às 18h30 (com intervalo para almoço). Informações e inscrições c/ Nicole Passos pelo tel.: (41)9832-6646 - nicnunes@gmail.com - http://naturoterapeuta.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pesquisadora destaca a necessidade de maior atenção à saúde materno-infantil


Por Vinicius Zepeda
Nos últimas décadas, o Brasil tem praticado uma forma de atendimento ao parto e ao nascimento que poderia ser mais eficiente e humanizada. O alerta é de Maria do Carmo Leal, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, médica sanitarista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Uma das maiores especialistas do País na questão da atenção à saúde de bebês e gestantes, tema que vem estudando desde os anos 1980, ela explica que os melhores índices de resultados obstétricos e perinatais estão em países da Europa Ocidental, como Suécia, Noruega, Inglaterra, França, onde a maioria dos partos acontece de forma normal ou natural – quando não há indução de nenhuma espécie e o parto ocorre no tempo adequado para o recém-nascido, respeitando a necessidade de maturação e desenvolvimento dos fetos dentro do útero. "Muito diferente do modelo que adotamos no Brasil, que é bastante intervencionista, chegando mesmo a colocar o País na péssima condição de ser o detentor das maiores taxas de cesárea do mundo", afirma Maria do Carmo. Segundo a pesquisadora, é preciso recuperar as práticas de partos naturais. "Na Europa Ocidental, o índice de mortalidade de bebês chega a ser três vezes menor que o brasileiro. Já no caso da mortalidade materna, o índice europeu chega a ser dez vezes menor que o brasileiro", complementa.
A pesquisadora, que recentemente deixou o cargo de vice-presidente de Ensino e Pesquisa da Fiocruz, explica que a cirurgia cesariana é uma excelente tecnologia que salva vidas de mães e bebês, mas quando é feita sem indicação deixa de ser benéfica e passa a representar riscos. "No Brasil, a maioria dos partos operatórios ocorre por escolha do médico e da gestante, sem indicação ligada à presença de qualquer patologia materna ou fetal", afirma. Maria do Carmo, porém, destaca que vários estudos internacionais vêm mostrando os riscos associados ao parto cesáreo para a gestante e o recém-nascido, quando não há indicação clínica, tais como maior probabilidade de o recém-nascido precisar de suporte ventilatório, ida para a UTI neonatal, dor e desconforto imediatos, adoecimento e óbito durante o primeiro ano de vida dos bebês. "No caso das mães, aumenta-se a chance de problemas de inserção da placenta e ruptura do útero nas futuras gestações", acrescenta.
Para conhecer a realidade brasileira, está em curso um estudo nacional denominado "Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre parto e nascimento", sob a coordenação de Maria do Carmo Leal. Apoiado pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo entrevistará 24.000 mulheres que pariram recentemente em hospitais públicos e privados, em todas as capitais e o interior de todos os estados brasileiros. "Previsto de completar a coleta de dados em dezembro desse ano, esse estudo permitirá uma avaliação dos resultados perinatais – períodos imediatamente anterior e posterior ao parto – de acordo com a modalidade de parto praticada", acrescenta.
Maria do Carmo Leal chama ainda a atenção para a necessidade urgente de reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna no País. "O Brasil assumiu um compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – conjunto de oito metas firmadas pelos 191 Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, com vistas à redução das desigualdades mundiais até 2015 – mas não deverá cumprir a meta estipulada em relação à mortalidade materna, o que se constituirá uma vergonha para o País", afirma. Segundo a pesquisadora, os dados também estão associados ao modelo de atenção ao parto e nascimento que adotamos, pois, hoje, 97% dos partos ocorrem dentro dos serviços de saúde, segundo as estatísticas oficiais. "O modelo intervencionista de atenção obstétrica não se refere somente às cesáreas, mas diz respeito também ao uso indiscriminado de ocitocina, episiotomia e outras intervenções desnecessárias e não mais recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)", complementa.
Com apoio da FAPERJ, a médica sanitarista concluiu um estudo sobre a qualidade do atendimento pré-natal nas unidades públicas do município do Rio de Janeiro. "Com elevadas coberturas de atendimento ao pré-natal, atingindo, pode-se dizer, a totalidade das mulheres grávidas, o município do Rio de Janeiro ainda tem problemas incompatíveis com a extensão de cobertura que oferece. Por exemplo, uma taxa excessivamente alta de sífilis congênita", afirma. O estudo procurou entender onde estavam as falhas nos processos de atenção e procurou identificá-las em três componentes: gestantes, profissionais de saúde e infraestrutura dos serviços de saúde. "Comparecendo regularmente às consultas pré-natais marcadas no decorrer da gravidez e seguindo, na medida do possível, as recomendações médicas, as mães foram as que melhor cumpriram sua parte", recorda a pesquisadora. Já os profissionais de saúde foram os que mais falharam. "Observamos que falta uma melhor formação para eles se comunicarem com a população. Se o médico ou enfermeiro não interagem com as mães, não dialogam porque certos comportamentos devem ser evitados, não orientam sobre os alimentos que são mais adequados, que medicamentos são necessários e como usá-los, não se terá a adesão dessa mãe desinformada", explica. Segundo a pesquisadora, vários estudos têm mostrado que o entendimento do uso do medicamento receitado é muito baixo. "Além disso, a falta de diálogo entre médico e paciente torna grande o uso incorreto, principalmente quando há desnível educacional e a paciente tem vergonha de perguntar o que não entendeu", complementa.
Outro problema identificado no estudo refere-se ao funcionamento do SUS para o atendimento pré-natal, em que se constatou atraso na disponibilização dos resultados de exames de rotina. "De que adianta fazê-los se eles não são disponibilizados em tempo hábil? O problema, identificado no Rio, está presente em outros lugares", destaca a sanitarista. Segundo Maria do Carmo, o que temos hoje no SUS é a instalação de várias facilidades diagnósticas e de infraestrutura para suporte, por exemplo, uma boa assistência pré-natal, mas sem velocidade nos processos para que o investimento feito redunde em proteção efetiva às mães e recém-nascidos. "A dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde e os pacientes é outro problema dessa mesma natureza. Esse ajuste fino é o nosso desafio atual", explica. Para ela, o enfrentamento dessas mudanças não poderá ser feito isoladamente pelos serviços de saúde. "Será necessário uma revisão na formação do profissional de saúde, que atualmente não está saindo da universidade preparado para realizar bem a sua tarefa de atender a população", destaca.
A edição de maio de 2011 da revista inglesa The Lancet, uma das publicações médicas mais influentes do mundo, publicou pela primeira vez na sua história, um número falando somente sobre o sistema de saúde e a saúde do brasileiro. Pesquisadores de todo o País traçaram, em artigos, um panorama sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) com base em um extenso estudo de documentos existentes. Na publicação, Maria do Carmo Leal apresentou, em conjunto com outros pesquisadores, a situação da saúde materno-infantil no Brasil. Para ela, a discussão na renomada revista inglesa foi uma oportunidade enorme e o reconhecimento dos esforços feitos pelo País na área da saúde. "Com a revista, pudemos mostrar ao mundo que temos um sistema de saúde e que, com qualidades e insuficiências, estamos avançando na direção correta de oferecer uma atenção à saúde pública e gratuita para todos os brasileiros", afirma a pesquisadora.
Um dos pontos abordados em seu artigo diz respeito ao número abortos praticado no País. Maria do Carmo explica que, em 2008, o SUS contabilizou 215 mil internações de mulheres em hospitais públicos, decorrentes de complicações de abortos feitos no País. Estima-se que o número de abortos, resultante da soma dos contabilizados oficialmente e dos feitos ilegalmente é cinco vezes maior, chegando à cifra de um milhão. Em vista desses fatos, a pesquisadora se mostra pessoalmente favorável à legalização do aborto. No Brasil a legislação só permite no caso de estupro ou de feto anencéfalo (sem cérebro). Neste último caso, porém, somente depois de autorização judicial. "O aborto ilegal, como é praticado pelas mulheres mais pobres em clínicas clandestinas, é uma chaga em nosso País. Ele maltrata e humilha a mulher, além de ser a quarta maior causa de mortalidade materna no Brasil, só perdendo para hipertensão, infecção generalizada (septicemia) e hemorragia", afirma. "Enquanto as mulheres ricas fazem abortos pagos em clínicas particulares de maneira segura, as pobres estão sujeitas a infecções e ao risco de infecções e da própria vida", acrescenta.
Apesar das dificuldades ainda enfrentadas na área da saúde, a médica identifica como muito positiva a busca de soluções para problemas crônicos na gestão do SUS. Entre os exemplos, ela cita o maior investimento nos Programas de Saúde da Família, nas capitais e cidades de grande porte, como vem acontecendo no Rio de Janeiro, e o desenvolvimento do Rede Cegonha – projeto do Ministério da Saúde, lançado no final de março de 2011, que pretende reunir um conjunto de medidas para garantir a todas as brasileiras, pelo SUS, atendimento adequado, seguro e humanizado desde a confirmação da gravidez, passando pelo pré-natal e o parto, até os dois primeiros anos de vida do bebê. "Com essas iniciativas, espero que no futuro as crianças possam nascer de forma mais humanizada, sem aceleração de seu processo de maturação. Que nasçam quando, de fato, avisarem que estão prontas para chegar", conclui.
Fonte: FAPERJ - http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=7379
* Ilustração de Paulica Santos.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...