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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

18 de Dezembro - Dia de Nossa Senhora do Ó e da Doula!

Neste 18 de dezembro, às vésperas deste ano se findar, c/ muitas festividades, inclusive os três anos do Parto no Brasil - \0/ - c/ férias decretadas p/ rolar, o Blog homenageia Nossa Senhora do Ó, e tb, as doulas!


Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, remontando à época do X Concílio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de Dezembro. Tempos depois recebeu o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Sua imagem apresenta a mão esquerda espalmada sobre o ventre avantajado, em fase final de gravidez. A mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens com esta mão segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a fonte da vida. Em Portugal essas imagens costumavam ser de pedra e, no Brasil, de madeira ou argila - Fonte: aqui.


Quanto ao Dia da Doula, hoje reconhecida como ocupação profissional, mas que historicamente sempre existiu, ao acompanhar mulheres em trabalho de parto, junto de uma parteira experiente, ora da família, ou da vizinhança, formando um comadrio de zelo, carinho, e amor, tb foi comemorado, não só neste espaço, mas pelo web afora, bora espiar!




Gisele Leal, doula, e estudante de Obstetrícia, da EACH/USP tb prestou sua homenagem no Mulheres Empoderadas - aqui!

O Núcleo Carioca de Doulas escreveu - Por que uma doula?

Homenagem p/ Lívia Benetti e Lucia Stajana.

Confira aqui entrevista c/ Rebeca Celes, doula voluntária em Minas Gerais, homenageada por Polly AF.

Homenagem p/ a doula Viviane Zuccoli e Casa Moara.

Kalu Brum tb falou sobre o tema no Mamíferas - aqui, e foi entrevistada pelo Blog onde conta sua experiência - aqui.

Bianca Lanu durante trabalho de parto recebendo cuidados de doulagem de sua parteira Kátia Z. A. Pedroso.


No Estado de São Paulo, a Lei 14.586, de 7 de outubro de 2011, pelo Projeto de lei nº 344/11, da Deputada Ana Perugini - PT, institui o “Dia Estadual da Doula”.

A todas as doulas nosso agradecimento, c/ afeto!

Leia ainda:



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Chá de bençãos - boas práticas brasileiras

Elas não precisam ser profissionais da saúde, especialistas ou bacharéis em obstetrícia. Elas nem precisariam ser fundamental/excludentemente mulheres. O requisito é apenas que sejam capazes de "parar o mundo" para celebrar o sagrado feminino. Uma barriga imensa, dois corações - um deles ansioso com a espera mais divina, brilhante. Coragem, calma e amor. Abertura para o novo iminente.


"Será que é hoje?"
Relaxamento e espera pelo início do trabalho de parto: dias muito especiais!

Os últimos dias de barriga geralmente acometem as mulheres de muita ansiedade, que às vezes torna-se até mesmo angustiante. Afinal, vivemos em um país que tem o desrespeito, a pressa e a intervenção, como padrão de acolhimento nas maternidades. Outra característica marcante é o não-compromisso com a integridade física das mulheres e dos bebês. Um corte aqui, outro acolá. Mas tudo tão rápido, e tão profunda e sinceramente feliz quando o bebê está bem, que tod@s pensamos que estes pontos estão, em alguma medida, ok. Sobrevivemos. E de volta à nossa casa, de onde talvez pudéssemos nunca ter saído, cicatrizamos nossas feridas.


Como é possível, diante deste nosso cenário, esperar pelo início de trabalho de parto espontâneo, com serenidade, segurança e felicidade pelas inúmeras escolhas que somamos ao longo de 40 semanas? 

Para muitas de nós, é um repertório de muita luta - o médico privado, os profissionais do serviço público, a família, a mídia, parece que o mundo todo atenta-se apenas para os "perigos do parto normal". E vai explicar que não é esse tipo de parto normal que a gente fala que é lindo e prazeroso.... Como é difícil mudar a posição de uma mulher, evitar um corte cirúrgico tão didático, perder o controle da dinâmica dos fatos e deixá-la livre para se movimentar no momento do expulsivo! 

É mesmo muito difícil. E são poucas as redes de apoio verdadeiro para as mulheres que querem um parto ativo, sem cortes e intervenções desnecessárias, em casa ou no hospital, na água ou no chão. Mas as que existem são muito poderosas - quem já esteve numa roda de mulheres sábias, conhece a delícia que é parar o mundo para celebrar o sagrado feminino. A Parto do Princípio mantém uma lista de grupos de apoio atualizada em novembro de 2011, acesse aqui.

Então, o convite hoje é abrir-se para um nova experiência, o Chá de Bençãos. São práticas já consolidadas em algumas cidades do país, promovidas, entre outros, pelos grupos de apoio ao parto e à gestante Ishtar (em vários estados) e a Roda Bem-Nascer (Belo Horizonte, MG).


Vejam como Kalu Brum, co-editora do Blog Mamíferas, descreve o chá:
"O evento é uma delícia: mães com filhos grandes, pequenos, recém nascidos, barrigudas se reúnem e levam uma contribuição para o lanche comunitário, assim como ervas para um escalda pés. Enquanto algumas correm atrás dos filhotes, outras amamentam, as barrigudas se agrupam. E ali, mulheres com boas experiências de parto e maternagem escutam histórias, inspiram-se em caminhos de outras mulheres para encontrarem sua própria maneira de maternar.

Escalda pés. Foto Kalu Brum. Disponível aqui.
Às vezes uma ou mais gestantes se reúnem no mesmo chá de bençãos. Enquanto seus pés estão imersos em bacias com ervas e água quente, doulas e mães conversam sobre o parto, tiram dúvida, criam relação com a gestante. Os papais também participam e se tranquilizam tendo nas mãos mais informações sobre a bendita hora. E nesse encontro se estabelece uma verdadeira corrente positiva.
Depois do escalda pés, procuramos um local mais tranquilo para as bençãos. Todos fecham os olhos e Geo conduz em uma vizualização focando, principalmente, na idealização do parto perfeito e a chegada tranquila da nova vida no planeta. Cada uma das mulheres presentes envia suas bençãos, verdadeiras intenções que são pérolas, repletas de emoção.
Conto hoje sobre este evento para inspirar que você possa fazer o mesmo em um chá de bebê ou em um encontro bacana com amigas. Ao invés de brincadeiras bobas ou presentes sem significado,  um chá de bençãos, com histórias positivas, com a vizualização do parto, a dissolução de mitos e medos pode ajudar muito no pré e pós parto.
Neste momento de fragilidade e força, com outras mulheres, nos sentimos poderosas e amparadas. Realmente é uma delícia. Fica aqui a idéia para você levar para os quatro cantos deste Brasil e do mundo."
Fonte: Chá de Bençãos

E o relato de uma mãe:
"Foi muito importante pra mim ouvir cada bênção, cada uma ficou gravada em minha mente e coração e já estão servindo de um suporte tremendo nessa grande etapa. Obrigada! Muito obrigada por compartilharem seu amor e força. Por me transmitirem tanta confiança, segurança e me empoderarem para este momento único.", declarou Aline.
Fonte: Chá de Bençãos 2

Você não está sozinha!

Em Londrina-PR, estamos nos preparando para um primeiro brinde! Que venham pés-vermelhinhos em seus tempos, bem cuidados e acalentados!

Como deixar estes encontros ainda mais preciosos?
Bianca, comadre, por gentileza, tem aí uma prece bem bonita para este momento?




segunda-feira, 30 de maio de 2011

Blog Parto no Brasil entrevista Kalu Brum - Abril de 2011

Hoje publicamos a entrevista c/ a jornalista, doula e fotógrafa Kalu Brum, também co-editora do Mamíferas, ao lado de Tata e Kathy. Desde dezembro viemos idealizando realizar entrevistas c/ algumas pessoas desde cenário do Mov. da Humanização, e em fevereiro contactamos Kalu p/ prosearmos sobre como foi sua escolha por um parto domiciliar e como essa linda história da vinda de Miguel mudou seus rumos (literalmente - de SP p/ MG!), tal como aconteceu c/ Ana e eu, tendo nossas experiências pessoais dado uma nova guinada em nossa carreira profissional.
E, assim, tecemos essa grande rede que busca resgatar o feminino e a confiança na fisiologia de nossos corpos! Confiram a deliciosa conversa:
PARTO NO BRASIL Kalu, sabemos que a mudança de São Paulo para Minas Gerais está relacionada com a gravidez de Miguel. Conte-nos como foi este processo, da ideia ao desfecho. E também, como você avalia, hoje, tudo isso?
KALU R: Na verdade demorei um tempo para despertar minha Mamífera interior. Já tinha entrado em contato com estas informações sobre parto natural quando estava responsável pela pauta na TV Cultura. Fiz a pauta para uma matéria sobre parto humanizado. Guardei os links dos sites pesquisados em um diário. Quando minha chefe, na agência Folie Comunicação, engravidou, oferecei para ela os contatos destes sites e ela acabou mergulhando e compartilhando comigo do universo da humanização. Um ano depois eu estava grávida, no susto. Tinha um médico de família, que me atendia desde 13 anos de idade. Eu sabia das dificuldades de se conseguir um parto normal, afinal na minha família até minha avó teve cesárea. Sabia que teria que batalhar para conseguir parir meu filho. A princípio parti para um plano meio maluco: ficar mais tempo possível em casa, com uma doula e ser atendida por este médico no Hospital São Luís. Com 26 semanas fui a um encontro do GAMA. A minha chefe tinha tido a Ana Cris Duarte como doula e Dr Jorge Khun como obstetra e me indicou o GAMA. Neste encontro falei dos meus planos de parto para Ana Cris e ela me disse que minhas chances de parir com este médico eram mínimas. Saí de lá meio desesperada e fui pesquisar sobre os valores de ter um parto particular. É o preço de um carro popular. Resolvi que ia tentar parir com plantonista porque aos poucos fui percebendo que este médico estragaria meu parto e que não deixaria a doula trabalhar. Com 33 semanas fiz meu chá de bebê e foi a melhor (e pior) experiência para mim. Todo mundo me falava dos perigos de um parto normal, da maravilha da cesárea. Aquele dia eu estava fragilizada porque minha mãe tinha assumido o evento e eu não gosto que assumam as coisas por mim. Finalmente alguém me perguntou qual era meu plano de parto. Vale ressaltar que eu morava na casa dos meus pais, meu então namorado morava em Belo Horizonte. Eu achava que precisaria estar perto da minha mãe para os primeiros dias para cuidar de um recém nascido. Afinal eu não teria apoio familiar, nem de amigos em BH (afinal não conhecia ninguém). Então quando disse que meu plano de parto era ficar em casa com a doula e ir para o Hospital com uma dilatação mais avançada, meu pai disse que ao menor sinal de trabalho de parto me levaria ao hospital. Que doula nenhuma ficaria na casa dele. Foi a minha salvação e desespero final. Liguei para a Ana Cris que me deu a ideia de parir em BH, porque lá tinha o Sofia Feldman, uma maternidade pública referência em Parto Humanizado e que tinha uma casa de parto ótima. Me passou o telefone de uma doula também. Falei com Maurício, meu marido, sobre essa ideia. Ele ficou desesperado porque há muito preconceito contra SUS e um mito de que parto é perigoso. Fomos conhecer a Casa de Parto, que fica há 40 km da minha casa em BH. Adoramos a Casa de Parto e em todo momento eu pensava: nossa isso parece uma casa. Falei com uma das enfermeiras: pena que BH não tem parto domiciliar e que seja tão caro. Ela me disse que ela fazia parte de uma equipe de parto domiciliar e que cobravam mil reais. Eu fiquei maravilhada. Aí foi trabalhar com o marido que tinha medo de complicações. As enfermeiras foram lá em casa e explicaram tudo, os equipamentos que levavam para primeiros socorros. A doula, que acabei não chamando no parto, emprestou para meu marido o livro Nascer Sorrindo, do Leboyer. No final da gestação, com 37 semanas, reencontrei a Aurea Gil, que foi minha colega de infância (estudamos na mesma escola). Ela já tinha o Samuel e logo me apresentou a lista Parto Nosso e Materna_sp. Fui devorando os relatos de parto, tirando minhas dúvidas, sanando meus medos. Com 37 semanas cheguei a BH e 15 dias depois nascia Miguel, em 20 de fevereiro de 2007, em um parto que durou não mais que 40 minutos e apenas uma enfermeira conseguiu chegar (elas atuam em dupla). Foi um parto maravilhoso que me senti poderosa, dona da minha história. A mudança para BH foi o rompimento com a minha herança familiar. Foi a virada de mesa para assumir o protagonismo da minha vida. Poderia ter sido ao contrário (de BH para SP). E quando Miguel era recém nascido não precisei de ajuda alguma (só alguém para cuidar da casa, e então contratamos uma empregada). Com meu parto poderoso nasceu uma mãe segura. Assumir o protagonismo é a grande chave para a vida. Isso pode acontecer em muitos momentos da vida. E no parto é quando morre a filha para nascer a mãe/mulher.

Há 4 anos, arrumava as malas entre lágrimas e medo. Dentro e fora de mim uma nova vida a surgir. O que acumulei em 27 anos cabia em um porta malas de um corsa velho. Alguns livros, artigos de Yoga e meditação. Dentro de mim muita história. Dentro de mim uma nova vida. Com 37 semanas descobri um desejo ardente por parir em casa e uma coragem indescritível para romper com tantas verdades. Parir sozinha, em casa, a 700 km da família. Nascer como mulher, como mãe, como esposa tudo junto ao mesmo tempo agora. Mudar de estado, estado civil. Tantos lutos com tantos nascimentos. Escrever a minha história com consciëncia, coragem, perseverança e ousadia. Não sabia o que esperar de um relacionamento que existia há 1 ano. Nao sabia o que iria sobrar e se formar do incêndio da vida. E cá estou eu, mais madura, grata por mim, por meu caminho, por minhas escolhas. Como cantou Maria Betânia, acordei na noite escura para ver a lua. Brilhante e bela, escura e assustadora como a vida é.
PARTO NO BRASIL Como foi para você a decisão de ter um parto domiciliar? Que tipos de transformações a maternidade lhe trouxe?
KALU R: Eu brinco que meu parto domiciliar nasceu em 2001 quando tive uma dor de garganta com fechamento da glote que me levou a ser internada por três dias. Eu me sentia tão mal naquele hospital, com pessoas que nem me olhavam nos olhos, sem afeto, sem informação. Lembro que um dia fui passear pelo hospital e fui na maternidade (berçário) aqueles bebês sozinhos chorando atrás do vidro ativaram talvez uma lembrança do meu próprio nascimento. Eu não queria aquilo para mim, nem ser tratada como uma inválida, nem passar por uma cirurgia, nem que meu filho fosse deixado sozinho em sua chegada ao planeta. Mas, eu não sabia que existia Parto Domiciliar na cidade grande. Antes da gente engravidar a gente não sabe de nada, muito menos da profundidade que é toda essa história de parto/nascimento. Depois desta internação eu passei a fazer Yoga, me tratar com homeopatia e Reiki. Eu deixei de acreditar na medicina tradicional. Quando engravidei, apesar de ter demorado para descobrir o que eu realmente queria, minha jornada me levou para o parto mais natural possível, que é o domiciliar. Eu acho que toda mulher que pudesse deveria viver este parto. Ele é maravilhoso, incrível, transformador. Tem o cheiro da casa da pessoa, as músicas da pessoa, os objetos, cada detalhe íntimo, pessoal. É um portal de poder. Assim foi para mim. A maternidade mudou completamente a minha vida. Até então eu tinha sido programada para trabalhar e ser bem sucedida. Mas, quando eu engravidei eu vi que tinha uma responsabilidade maior: cuidar de uma vida e isso mudou o foco dos meus objetivos. Acho que quando nosso destino encontra a nossa alma o universo conspira para a realização. Jornalismo casou com maternidade, e eu com a Áurea e a Renata, pessoas que conheci na Materna_sp, assim nasceu o Mamíferas que aos poucos mostra que poderá ser até uma fonte de renda. Mudei de estado, mas como blogueira consegui um trabalho na agência que eu trabalho e trabalho em casa, o que é maravilhoso, porque estou todos os dias perto de meu filho. A maternidade me deu a chave para ajudar as pessoas, que já era um desejo meu. Fiz vários trabalhos voluntários, mas ainda não tinha achado o destino da minha alma. Quando meu destino encontrou minha alma, nasci doula. E desta paixão, a fotografia para registrar esse momento tão lindo.
PARTO NO BRASIL Quais as principais diferenças nos movimentos de humanização dos quais você participou em São Paulo, e, em Belo Horizonte? E como você percebe o movimento nacional pela humanização do parto e nascimento?
KALU R: Acho que em São Paulo temos mais doulas experientes, mais obstetrizes, mais médicos que atendem plenamente um parto humanizado. Mas, tudo isso pelo sistema privado a um valor bem alto. Em São Paulo há poucas Casas de Parto e elas são bem diferentes da Casa de Parto de Belo Horizonte. Em Sampa há mais mulheres com demanda de partos humanizados. Aqui em BH o movimento é bem mais recente e conta com a atuação da ONG Bem Nascer, da qual sou voluntária. Não existem médicos, nem pediatras que atendem em Partos domiciliares, por exemplo. Os médicos que são humanizados tem restrições. Atendem a planos de saúde, cobram um valor por fora, mas só fazem em partos hospitalares. Em contrapartida tem enfermeiras obstetras que atendem a poucos PDs. A Casa de Parto do Sofia tem sido uma alternativa para quem quer parir como se estivesse em casa. Em quatro anos que estou lá o movimento tem se intensificado. Em 2010 tivemos dois cursos de doulas. Com mais doulas atuando aumenta-se a demanda por partos humanizados. Em 2010 atendi dois PDs. Em 2011 foram dois, com mais três à vista. O mineiro é mais conservador. Mas, acho que estamos conseguindo expandir muito o acesso à informação.
PARTO NO BRASIL O quê a experiência de doula-fotógrafa tem lhe mostrado? Que tipo de situações você tem vivenciado com esses outros e novos rumos em sua carreira profissional?
KALU R:Minha experiência de doula-fotógrafa vem me mostrando que as mulheres estão acreditando mais em seus corpos e acordando para a importância das escolhas para um nascimento mais respeitoso. Acho que o grande desafio ainda é saber o limite dos médicos que nos atendem em Partos Hospitalares. Não tive boas experiências. Os Hospitais não querem a humanização. Então somos uma ilha (médico, doula, mulher) pressionados pelo sistema. Às vezes é triste ver um parto se perder por limite de um profissional. Quem perde é a mulher, o bebê e o mundo. Ser doula-fotógrafa era um hobby. Hoje já tem sido mais freqüente minha atuação, o que mostra que mais mulheres desejam um nascimento mais humanizado. Quero investir agora em equipamentos profissionais de fotografia e em cursos para aprimorar minha técnica/olhar. São rumos lindos com diferenciais. Eu estou amando seguir este caminho. Como jornalista eu descobri como posso informar as pessoas e como desejo mudar o mundo: mudando a forma de nascer, de como as pessoas encaram as dores, de como a gente favorece a fisiologia. Meus textos nascem da alma, do fundo do coração. Às vezes são ácidos e saculejam, como fui saculejada. Como doula posso fazer a informação virar ação. E como fotógrafa eu posso registrar a transformação da mulher em seu momento mais íntimo, transformador e inesquecível. Eu me sinto realizada com a minha maternagem e com a minha forma de maternar o mundo!

Fotos: Acervo Pessoal de Kalu Brum.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Post Extraordinário - Relato e novidades sobre o Curso de Obstetrícia da EACH-USP


Divulgo novidades que circularam na web sobre a manifestação contra a redução de vagas e o possível fechamento do Curso de Obstetrícia da EACH-USP, único no País a formar obstetrizes:
Parto de baixo risco com enfermeira sim, por Kalu Brum, jornalista, doula e fotógrafa, além de co-editora do Mamíferas - http://www.blogmamiferas.com.br/2011/03/parto-de-baixo-risco-com-enfermeira-sim.html.
Obstetriz na saúde da mulher, por Bia Fioretti, fotógrafa e idealizadora do Projeto Mães da Pátria, que fotografa imagens de parteiras pelo mundo - http://maesdapatria.wordpress.com/2011/03/23/obstetriz-na-saude-da-mulher/.

Lindas fotos do ato realizado ontem, na Reitoria da USP, no Butantã, em São Paulo/SP, que contou c/ a participação de cerca de 150 ativistas a favor da arte de partejar!
O IG noticiou: Governador promete ajuda contra o fechamento de curso da USP Leste, por Cinthia Rodrigues - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/governador+promete+ajuda+contra+fechamento+de+curso+da+usp+leste/n1238187030422.html. O G1 também: Alckmin defende manutenção de curso de Obstetrícia na USP Leste - http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/03/alckmin-defende-manutencao-de-curso-de-obstetricia-na-usp-leste.html.
O site do DCE também comentou e informa sobre a audiência pública na ALESP que será amanhã, dia 24, confiram no link: Audiência pública e paralização no dia 24 - http://www.dceusp.org.br/2011/03/audiencia-publica-e-paralisacao/. Também publicou imagens e vídeos do ato ocorrido ontem: Fotos e vídeos do ato em defesa da Obstetrícia (22/março) - http://www.dceusp.org.br/2011/03/fotos-e-videos-do-ato-em-defesa-da-obstetricia-22marco/.
Para finalizar, fecho c/ as sábias palavras de Adriano Rangel, geógrafo e jornalista, além de conterrâneo dos mares de Caniné (puxa, rs!) via Facebook:
"Não estudo na EACH, não tenho filhos, não moro da zona leste, mas tudo isso não importa quando a USP resolve arbitrariamente cometer, pela segunda vez em sua história, o erro de fechar um dos cursos mais humanísticos da área da saúde, o de Obstetrícia. Tendo ou não filhos, sendo ou não estudante de Obstetrícia, a extinção do curso deve ser motivo de revolta em toda a sociedade, a maior interessada na formação de profissionais de saúde capazes de olhar o ser humano como gente, não como mero produto. A formação atual dos profissionais da saúde tem desprezado sistematicamente o estudo das questões sociais que permeiam a saúde pública. O curso de Obstetrícia é um dos poucos, quiçá o único, que tem, desde a sua origem, o compromisso de abordar o parto como um processo natural, que deve ser respeitado. Infelizmente, não é esse o tratamento que a maioria das mulheres recebe, especialmente na rede privada, onde a taxa abusiva de cesáreas (90%) visa industrializar o parto e, com isso, torná-lo mero produto. A USP Leste foi inaugurada sob a justificativa de levar o ensino público para uma região carente da cidade. Poucos anos depois, A mesma USP decide reduzir a já pequena oferta de vagas na nova universidade, privilegiando, como de costume, cursos "de maior reconhecimento social", como se o papel da universidade não fosse justamente o de gerar todo o tipo de conhecimento. O reitor João Grandino Rodas fará história ao repetir o erro de menosprezar a formação humanística em prol exclusivamente das demandas de mercado, lugar que, lamentavelmente, a saúde pública brasileira se encontra há muito tempo. Ofereço o meu apoio aos estudantes de Obstetrícia e à todas as mulheres brasileiras, que merecem ter um tratamento digno no sistema de saúde."
E, neste sábado, dia 26, às 10h no vão livre do MASP, na Av. Paulista, em São Paulo/SP, novo ato de repúdio contra a posição do COFEN e USP, reúnam-se, compareçam, lutem por uma assistência ao parto e nascimento humanizada, pois parir c/ obstetriz é tudo de bom!!!
_ilustração de Ingrid Lotfi, doula e ativista da Parto do Princípio (PP).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Repercussões da ação MPF e PP: Blog Mamíferas » A Justiça é Carmim

Ótimo texto da Kalu.


... hoje eu vim compartilhar com você de uma conquista. Estamos aqui e em toda parte conectadas para informar as mulheres sobre a questão dos benefícios do parto natural, empoderá-las para que construam a possibilidade de um nascimento digno. E mudar significa também abalar as estruturas daquilo que está vigente.

Acesse o link abaixo e divulgue a ação também!
Blog Mamíferas » Arquivo do Blog » A Justiça é Carmim

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu sou a melhor mãe do mundo - Blog Mamíferas

Lindo lindo o texto de Kalu publicado hj no Blog Mamíferas, para dar água na boca um trechinho procêis:
Cada mãe é uma verdadeira heróina. Superamos (ou não) as dores do parto, as dificuldades de amamentação. Quantas vezes não experimentamos o desespero, o cansaço? Somos heroínas do cotidiano, aclamadas por uma horda de anjos. E isso é mais importante que qualquer conquista humana: saber que a maior delas é realizar com completude a experiência de ver desabrochar a grande obra de arte - seu filho.

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