Para acalmar o coração das partólatras, em tempos de merecida intolerância para matérias capengas de ética, responsabilidade civil, e coerência de informações.
Excelente vídeo sobre as mortes de mulheres no parto. Com entrevista do médico obstetra João Batista, diretor clínico do Hospital Sofia Feldman - Belo Horizonte/MG.
O hospital é um modelo de serviço humanizado, sempre imperdível conferir as informações de seu contexto. Mais uma vez, vencedor do Prêmio Iniciativa Maternidade Segura, da OPAS/OMS 2012.
Foram anunciados ontem, 29 de maio de 2012, em Washingnton nos EUA, os vencedores do concurso de fotografias e de boas práticas em saúde materna, da Iniciativa Maternidade Segura - uma realização da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Primeira posição: "Parir", de Tali Elbert, Argentina.
O objetivo é chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos países da América Latina e Caribe em promover a saúde materna e neonatal, assim como destacar as experiências eficientes que têm tido sucesso na resolução dos problemas de saúde das mães e dos bebês.
O concurso de fotografia premiou as melhores imagens sobre a promoção e proteção dos direitos das mulheres, mães e recém-nascidos, de acessar o mais alto padrão de atendimento em saúde disponível. A seleção recebeu mais de 2000 imagens participantes.
No concurso sobre as boas práticas, foram premiadas as melhores experiências em nível comunitário, estatal e institucional (serviços de saúde), que obtiveram redução eficaz da mortalidade materna e melhoraram o atendimento à gestante e recém-nascidos.
Mais de 121 experiências de 22 países foram avaliadas.
E o Brasil foi premiado nas três categorias de boas práticas. Confiram.
À esquerda, segunda posição: "Maternidad Digna" de Cecilia Monroy, México. À direita, terceira posição: "Pobreza económica, riqueza de amor maternal", de Gustavo Raúl Amador, Honduras
- Concurso de boas práticas na comunidade: terceira posição para o Programa Mãe Curitibana (Curitiba-PR), pelo aumento no atendimento ao pré-natal e partos institucionais, entre outras realizações
- Concurso de boas práticas institucionais, promovidas pelos serviços de saúde: terceira posição para a Casa de Gestantes Zilda Arns, do Hospital Sofia Feldman (Belo Horizonte-MG). Um programa que mostrou os benefícios da implementação de casas maternas para a redução das mortes maternas e infantis.
- Concurso de boas práticas governamentais, de Estado: terceira posição para a Comissão Perinatal de Belo Horizonte - Gestão da qualidade e da integralidade do cuidado para a mulher e a criança no SUS (Belo Horizonte-MG). Pela redução da mortalidade materna, aumento de consultas no pré-natal, e uma mudança na relação dos serviços com os direitos das mulheres e dos bebês.
Além das homenagens de reconhecimento, os vencedores são incluídos em um e-book sobre Maternidade Segura (a ser lançado em 2012), e também recebem prêmios em dinheiro, cujos valores variam entre mil e três mil dólares.
A Iniciativa Maternidade Segura é um chamado conjunto da OPAS com agências das Nações Unidas e ministérios da saúde nas Américas.
O objetivo da Iniciativa é reduzir a mortalidade materna e alcançar o acesso universal à saúde reprodutiva.
De acordo com estimativas da OPAS e da OMS, a redução das mortes maternas na América Latina e Caribe ainda não é suficiente para alcançar a meta do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio número 5, que estabelece a redução de 75% até 2015, em comparação com dados de 1990.
Super parabéns aos premiados, que suas experiências sirvam como fonte de inspiração, para que sejam replicadas para todas as brasileiras!
Em Bauru, no 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, no último dia 17, tivemos o prazer de ouvir a obstetra Gisele Maciel, que nos contou a experiência em Belo Horizonte c/ a Comissão Perinatal, que é formada por aproximadamente 30 entidades, c/ instituições públicas, líderes comunitári@s/ativistas e organizações da sociedade civil, que uma vez por mês, na quarta-feira, se reúnem p/ discutir a assistência obstétrica no município, que abrange sete maternidades conveniadas ao SUS, tendo como princípios básicos a humanização e as evidências científicas, c/ o foco na mulher, cuja legitimidade é propor novas alternativas, porém s/ autonomia p/ implantá-las.
A criação desta comissão é datada de 1994, c/ o Projeto Vida, que tinha um fórum inter institucional c/ vistas à atenção básica, sendo que em 1999 voltou seus olhos p/ a atenção hospitalar.
Nesta medida o trabalho c/ as mulheres foi iniciado c/ o objetivo de informá-las, tendo um caráter itinerante e de voluntariado, mesmo porque informar às mulheres é uma obrigação da Secretaria de Saúde. Assim, surge o Projeto Doulas Comunitárias, no Hospital Sofia Feldman, maternidade filantrópica que já capacitou 500 pessoas, c/ a bravura do Diretor Administrativo Ivo de Oliveira Lopes, que em qualquer dificuldade salienta: "É possível!".
Também existe a Comissão Perinatal Metropolitana, mas pouco atuante.
No que se refere aos ganhos e avanços tem-se a presença e permanência do acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; presença da doula, garantida por uma Política Pública Municipal, e de enfermeir@s obstetras; métodos não farmacológicos; partograma; bola suiça; uso de banheira; ausculta de 2o em 20 minutos; posições verticais; uso de analgesia s/ bloqueio motor; diminuição das taxas de episiotomia; bons índices de Apgar; contato pele a pele; aleitamento na 1a. hora e alojamento conjunto. P/ parturientes de alto risco, c/ obesidade mórbida e pressão alta, por exemplo, há uma atenção diferenciada.
O Hospital Sofia Feldman premiado como Hospital Amigo da Criança recebe a cada trimestre R$250.000,00 de incentivo pelas boas práticas oferecidas devido aos bons indicadores e a pontuação alcançada, sendo que as taxas de parto normal alcançam cerca de 80%.
A instituição também tem um prazo p/ cumprir a RDC 36, referente ao modelo assistencial.
Gisele, que passou por uma cesárea traumática, c/ aquele sotaque todo gostoso dos mineir@s afirma:
"Cada morte materna é p/ se indignar!".
E, ainda: " O médico tem que aprender c/ a enfermeira!" - salientando a importância das enfermeiras obstetras na atenção à saúde da mulher.
Ficamos maravilhadas pela apresentação e abastecidas de mais energia, pois por mais que às vezes pensamos que somos pouc@s neste imenso oceano do cenário obstétrico, repleto de violência institucional, impessoalidade, altas taxas de cesáreas eletivas etc., em oportunidades como essa também temos a certeza de que juntos somos fortes, como já disse a canção, assim, "continuamos a nadar, p/ achar a solução" - não é, Ana Carolina e Silmara?!
Depois de embebecidas por Minas, nada melhor do que escavar mais informações, que seguem compartilhadas:
- Matéria Sofia Feldman prioriza parto normal, na TV Conecta BH, c/ entrevista c/ a pediatra Sonia Lansky:
- Vídeo preparado pela ABENFO-MG sobre o VII COBEON e a participação do Hospital Sofia Feldman como um dos organizadores do evento, junto da Escola de Enfermagem da UFMG e do COREN-MG, nos dias 06, 07 e 08 de julho - Inscrições em www.cobeon.com.br