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terça-feira, 31 de maio de 2011

Comissão Perinatal e Movimento BH pelo Parto Normal

Em Bauru, no 3o. Seminário de Humanização das Assistências Obstétrica e Neonatal, no último dia 17, tivemos o prazer de ouvir a obstetra Gisele Maciel, que nos contou a experiência em Belo Horizonte c/ a Comissão Perinatal, que é formada por aproximadamente 30 entidades, c/ instituições públicas, líderes comunitári@s/ativistas e organizações da sociedade civil, que uma vez por mês, na quarta-feira, se reúnem p/ discutir a assistência obstétrica no município, que abrange sete maternidades conveniadas ao SUS, tendo como princípios básicos a humanização e as evidências científicas, c/ o foco na mulher, cuja legitimidade é propor novas alternativas, porém s/ autonomia p/ implantá-las.
A criação desta comissão é datada de 1994, c/ o Projeto Vida, que tinha um fórum inter institucional c/ vistas à atenção básica, sendo que em 1999 voltou seus olhos p/ a atenção hospitalar.
Assim, o Movimento BH pelo Parto Normal surgiu indagando-se:
"Que tipo de modelo de assistência oferecemos?".
Nesta medida o trabalho c/ as mulheres foi iniciado c/ o objetivo de informá-las, tendo um caráter itinerante e de voluntariado, mesmo porque informar às mulheres é uma obrigação da Secretaria de Saúde. Assim, surge o Projeto Doulas Comunitárias, no Hospital Sofia Feldman, maternidade filantrópica que já capacitou 500 pessoas, c/ a bravura do Diretor Administrativo Ivo de Oliveira Lopes, que em qualquer dificuldade salienta: "É possível!".
Também existe a Comissão Perinatal Metropolitana, mas pouco atuante.
Desde 2006/2007 existe o Controle Social e, em 2008 foi criado o Termo de Compromisso das Maternidades, além de estarem integrados ao Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal.
No que se refere aos ganhos e avanços tem-se a presença e permanência do acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; presença da doula, garantida por uma Política Pública Municipal, e de enfermeir@s obstetras; métodos não farmacológicos; partograma; bola suiça; uso de banheira; ausculta de 2o em 20 minutos; posições verticais; uso de analgesia s/ bloqueio motor; diminuição das taxas de episiotomia; bons índices de Apgar; contato pele a pele; aleitamento na 1a. hora e alojamento conjunto. P/ parturientes de alto risco, c/ obesidade mórbida e pressão alta, por exemplo, há uma atenção diferenciada.
* Foto de Anderson Martins. Fonte: http://www.flickr.com/photos/portalpbh/sets/72157624977996483/detail/
O Hospital Sofia Feldman premiado como Hospital Amigo da Criança recebe a cada trimestre R$250.000,00 de incentivo pelas boas práticas oferecidas devido aos bons indicadores e a pontuação alcançada, sendo que as taxas de parto normal alcançam cerca de 80%.
A instituição também tem um prazo p/ cumprir a RDC 36, referente ao modelo assistencial.
Gisele, que passou por uma cesárea traumática, c/ aquele sotaque todo gostoso dos mineir@s afirma:
"Cada morte materna é p/ se indignar!".
E, ainda: " O médico tem que aprender c/ a enfermeira!" - salientando a importância das enfermeiras obstetras na atenção à saúde da mulher.
Ficamos maravilhadas pela apresentação e abastecidas de mais energia, pois por mais que às vezes pensamos que somos pouc@s neste imenso oceano do cenário obstétrico, repleto de violência institucional, impessoalidade, altas taxas de cesáreas eletivas etc., em oportunidades como essa também temos a certeza de que juntos somos fortes, como já disse a canção, assim, "continuamos a nadar, p/ achar a solução" - não é, Ana Carolina e Silmara?!
Depois de embebecidas por Minas, nada melhor do que escavar mais informações, que seguem compartilhadas:
- Matéria Sofia Feldman prioriza parto normal, na TV Conecta BH, c/ entrevista c/ a pediatra Sonia Lansky:
- No blog Yoga Bem Nascer podemos conferir como foi a comemoração dos 10 anos da Comissão Perinatal, por Cleise Soares - http://yogabemnascer.blogspot.com/2010/05/o-auditorio-do-bdmg-na-rua-da-bahia.html
- Vídeo preparado pela ABENFO-MG sobre o VII COBEON e a participação do Hospital Sofia Feldman como um dos organizadores do evento, junto da Escola de Enfermagem da UFMG e do COREN-MG, nos dias 06, 07 e 08 de julho - Inscrições em www.cobeon.com.br
Nós do Blog Parto no Brasil entrevistamos a feminista, militante e mestre em Ciências Sociais Monica Bara Maia, em 21 de dezembro de 2010, na época do lançamento de seu livro Humanização do Parto, por Ana Carolina, c/ apoio da Rádio UEL FM, e pudemos ter outras informações sobre a Comissão Perinatal. Baixem, ainda, a tese da pesquisadora no link - http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/CiencSociais_MaiaMB_1.pdf, e ouça, também, a conversa na íntegra - http://partonobrasil.blogspot.com/2010/12/convite-para-ouvir-humanizacao-do-parto.html - abaixo segue a Parte 2:

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minas, eu quero vocês! (Parte 1)

Minas de muitos sabores, gente, rios e cachoeiras, e história.

Imagens (do alto para baixo, da esquerda para a direita): bandeira do Estado; conjuntos folclóricos de bonec@s de palha (www.asminasgerais.com.br); garimpo em Diamantina (Wikipédia); plantação de café em São João do Manhuaçu, na Zona da Mata (Wikipédia); tambores em festa popular (foto: Leonardo Lara); Glorificação da Virgem, pintura do mestre Ataíde na igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto (Wikipédia); e Jequitibá (foto: Wagner Andrade).
“A mesa mineira, onde sempre cabe mais um, é a maior marca da hospitalidade do povo do Estado.”
Frase extraída do Portal do Governo de Minas Gerais (http://www.mg.gov.br/governomg/comunidade/governomg/conheca-minas/turismo/5146).
Pois bem, um outro fenômeno social vem marcando fortemente a cultura mineira: o respeito ao tempo de nascer de mineirinh@s; o respeito e a valorização da autonomia das mineiras parideiras.

E eu, que estou descobrindo este cenário tão recentemente, não consigo esconder minha admiração pelo sucesso do trabalho dessa gente: quero muito ver esse povo do parto de perto!
Sei que há muito mais entre o céu e a terra do que supõe minha vã cabecinha, mas hoje, quero tratar daquilo e daquel@s que me inspiraram para publicar este post.
Então, se você não está em Minas, pegue o seu café, e pense naquela melhor receita de pão-de-queijo possível....
Para iniciar, vamos falar do lançamento do livro Humanização do Parto: Política Pública, Comportamento Organizacional e Ethos Profissional, de Monica Bara Maia (Ed. FIOCRUZ, RJ, 2010). O evento acontece hoje, dia 14, a partir das 18h30, na Blooks Livraria - dentro do Artiplex Unibanco de cinema - Praia de Botafogo n° 316, Rio de Janeiro.
Humanização do Parto: Política Pública, Comportamento Organizacional e Ethos Profissional é resultado da pesquisa de Mestrado em Ciências Sociais na PUC-MG, defendida em 2008.
Para a autora, humanizar a assistência significa, essencialmente, resgatar a individualidade e o protagonismo da mulher no parto.
Para analisar como as diferentes organizações hospitalares de Belo Horizonte (via equipes obstétricas) respondem às diretrizes de humanização do parto, a pesquisadora fez observação direta das reuniões da Comissão Perinatal, além de entrevistas com diretores das maiores maternidades da capital, obstetras médic@s e enfermeir@s.
Mãe de dois, Monica é gente como a gente (rs!), e avisou que não poderá comparecer ao evento de lançamento do livro porque tem formatura do filhote para prestigiar. Sacumé, outros livros virão.... (bom para nós!)
E o blog Parto no Brasil vai conversar com Monica Bara Maia para saber das entrelinhas desta produção. A entrevista você confere aqui, a partir de quinta-feira; aguarde e confira! Enquanto isso, deixo aqui para vocês o resumo da dissertação de mestrado, e o link para a pesquisa completa. *Se você tiver dúvidas, ou quiser comentar o trabalho de Monica, escreva para partonobrasil@yahoo.com.br e, na medida do possível, incluiremos sua reflexão em nossa pauta.
Resumo: O parto e o nascimento são eventos a um só tempo fisiológicos, culturais, individuais e políticos. Em pouco mais de um século, a medicalização do parto e da gestação transformou-os em objetos do conhecimento e da prática médica, e o parto deixou de ser uma experiência da esfera familiar e íntima, compartilhada entre mulheres, para se tornar um evento dominado pela medicina, institucionalizado nos hospitais e regulado por políticas públicas. (...) Este trabalho busca identificar quais os constrangimentos institucionais dificultam a implementação das políticas públicas de humanização do parto nos hospitais públicos e privados de Belo Horizonte, considerando o comportamento organizacional e o ethos das profissões que atuam na obstétrica, ou seja, enfermagem e medicina.
Hoje ficamos por aqui. Nos próximos posts desta série-mineirinha, você conhecerá os trabalhos desenvolvidos no Hospital Sofia Feldman - que ficou merecidamente famoso em Brasília, durante a III Conferência da Rehuna; saberá da organização e missão da Comissão Perinatal de BH; e também terá a oportunidade de admirar o trabalho das mulheres parideiras da ONG Bem Nascer.
A tod@s, minha gratidão!

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