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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nas consultas pela internet encontrei a história de Madame Durocher, uma parteira francesa que atuou no Brasil Império prestando seus serviços ao Imperador, em uma época em que parir com o auxílio de uma parteira era comum, senão cotidiano.
Foi também a 1a mulher a ser titulada na Academia Imperial de Medicina, em 1871.
"1866. Uma francesa de aspecto peculiar chama a atenção na fervilhante sociedade fluminense. Com 22 anos de formada, Madame Durocher é nomeada parteira oficial da residência do imperador. Oportunidade honrosa e inédita, num tempo em que a medicina era controlada pelos homens. Talvez por isso ela se vestisse de casaca e cartola, o que também era prudente quando tinha de socorrer parturientes na calada da noite".
Leia mais aqui - Parteira do imperador atendia de princesas a escravas, Almanaque Brasil, abril de 2007.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Relato de obstetr@s da Maternidade Escola da UFRJ sem nenhum embasamento científico sobre parto em casa

A-B-S-U-R-D-O!!! Impossível não ficar indignada após ler um despaltério desse de profissionais que não tem o domínio suficiente para debater sobre tipos de parto, dentre eles, o parto domiciliar, chamado preconceituosamente de parto caseiro. Retrocesso é ler nos dias de hoje, com tanta literatura médica disponível e pesquisas baseadas em evidências científicas bobagens como essas! Particularmente fiquei "p" da vida quando li a matéria postada no Olhar Vital - Faces e Interfaces (Universidade Federal do Rio de Janeiro-Coordenadoria de Comunicação) - Parto em casa: saúde ou risco?, por Michelly Rosa & Vivian Langer. Guardem esses nomes car@s cariocas: Ivo Basílio da Costa Júnior & Evelise Pochmann. Álias, quanto será a taxa de cirurgias cesarianas desses profissionais? Confiram algumas partes que merecem destaque (para ler na íntegra clic sobre o título do release): "O parto caseiro geralmente é realizado por parteiras que utilizam as mesmas ferramentas dos médicos para extrair a placenta e contrair o útero". / "... as desvantagens de um parto domiciliar no que tange aos riscos, que tanto a mulher como o recém nascido correm. Muitas vezes sou questionado sobre o que é o parto normal. E a resposta é simples: parto normal é aquele em que tanto a mãe como seu bebê ficam bem e com saúde após o mesmo, independente se o bebê nasceu pela via transvaginal ou pela cesariana". / " Parto normal não é para quem quer e, sim, para quem pode", / "Querer defender o parto domiciliar é um retrocesso, pois os riscos são infinitamente maiores do que os benefícios. Dizer o contrário é uma temeridade". / "Um ambiente hospitalar, com equipe multidisciplinar atenciosa e carinhosa, eficiente e que permita à gestante e seu acompanhante a tranquilidade necessária nesse momento tão importante torna o parto muito mais humanizado e seguro". - Ivo B. C. Jr.; "... a mulher não tem infraestrutura domiciliar para intervir em qualquer transtorno que possa haver durante o trabalho de parto. Se tiver uma convulsão ou algum problema não há como salvar a criança ou mãe". / "Antigamente, crianças morriam durante e após o parto, porque era em casa". / "Outro fator é que as anestesias peridurais proporcionam à mulher um parto quase indolor. As mulheres de hoje em dia são menos predispostas a sentir dor". / "... parto normal sim, parto em casa não". - Evelise P.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

E dr., como vai ser o parto?

Tenho lido que várias pesquisas brasileiras indicam que um dos maiores problemas relacionados à assistência ao parto e nascimento é a comunicação entre médico e parturiente. Mas, no caso de quem não pariu no SUS, a interação começa na gravidez, e é uma relação que rende um caldo de considerações...
Sobre o que conversamos com o médico durante o pré-natal?
Vitaminas, alimentação, pressão arterial, e todo aquele universo mágico do desenvolvimento do filhote na barriga. Misteriosa e esotérica imagem ultrassonográfica! Cria linda e amada...
“- Mas, dr. e como vai ser o parto? - Ainda é muito cedo, sobre isso conversaremos mais adiante!”.
Quem nunca levou esta, levanta o mouse, por favor!
Passam alguns meses, queremos falar do assunto, sempre, por motivos óbvios.
A sensação é que, de fato, há uma indisposição para o assunto. Os olhos que brilham ao falar que a fisiologia do nosso corpo está funcionando suficientemente bem mudam imediatamente quando a pergunta corta o ar. O dr. encosta-se na poltrona e de lá responde sobre a dinâmica da internação, do expulsivo, da episiotomia, economizando palavras.
A impressão que dá é que somos tolas, o dr. não dedica importância para estes nossos anseios (e nestas horas, ainda bem que existem as amigas das listas de discussão, os blogs e sites com quem dialogar).
Mas, voltando ao pré-natal, é melhor pensar em outros termos. Temos que insistir na conversa sobre o parto, mesmo que rapidamente, em toda consulta. Insistir na conversa que queremos. Temos que ser exigentes de nossos direitos. Infelizmente, eles não são auto-exercidos.
A internet é nossa ferramenta de transformação, quantas de nós começamos nossas buscas no Google. Mas, o padrão da consulta pré-natal (e no caso deste texto, no sistema de saúde privado) também tem que ser transformado. E você que leu este post pode ser responsável por uma mudança.
Para finalizar, só porque eu comecei falando destas pesquisas que tenho lido, compartilho que os outros grandes problemas da assistência ao parto são as experiências de parto anterior (maioria que teve primeira cesárea, tem segunda; e também, maioria que teve primeiro parto normal, tem PN de novo), falta de informação e medo. São pesquisas qualitativas, realizadas nos últimos 10 anos, tanto em instituições públicas como privadas, de várias partes do Brasil.
Ilustração de Bruno Nunes.

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