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sábado, 9 de abril de 2011

Multimídia Parto no Brasil - Parto: entre a dor e o prazer

Talvez muitas pessoas já tenham visto esta semana o vídeo No es lo mismo que compartilho hoje em nossa Multimídia Parto no Brasil, onde podemos ver um paralelo entre dois tipos de parto, sendo que embora os dois sejam por via vaginal, um nos corta, literalmente, ao meio, c/ cenas fortes e dolorosas, ao passo que o outro nos demonstra a possibilidade de termos um parto prazeiroso, amoroso, c/ respeito, tendo a mulher como protagonista, em companhia de sua família, e de uma parteira que com sabedoria e amor recebe o bebê.

Já publicamos dois vídeos c/ partos hospitalares intervencionistas e desrespeitosos - Callate Y Puja e O nascimento de Marcelo. Já falamos, também, sobre violência institucional, de gênero, contra o corpo feminino. Essa pauta é continuamente discutida por aqui, c/ o objetivo de trazer a tona esse problema gravíssimo de Saúde Pública, que encontra em nossa Cultura suas bases e força, numa sociedade patriarcalista e tecnocrática.
Finalizo c/ o link do vídeo O Parto é seu, do parto domiciliar do quinto bebê de Rosana Oshiro, no Japão, tão acompanhado pelas listas virtuais, blogs e postado também por nós em Rosana Oshiro de bolsa rota com o intuito de que outras mulheres possam acreditar que parir c/ prazer é possível! Leiam, ainda, o relato do parto de Clara - aqui.

Foto: Acervo pessoal de Rosana Oshiro
Pelo resgate da ancestralidade feminina neste momento único que é parir um filho, pela fisiologia do ato e pelo empoderamento da mulher!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Post Extraodinário - Rosana Oshiro de bolsa rota!

Queridos leitores, post extraordinário prá lá de especial...
Está a caminho, o bb5 de Rosana Oshiro, a mamãe brasileira-blogueira que vive no Japão, e que vai compartilhar a experiência do nascimento deste filhote com o mundo!
Rosana, estamos na boa expectativa por aqui também! Que seu bb5 nasça com respeito e amor! Que seja inebriante e delicioso! Que o seu plano prá lá de empoderado (é minha gente, super mulher!!), seja um feliz sucesso!
Mas, como chegamos a esta informação?
Poucos dias atrás, via listas de discussão, muitas de nós ficamos sabendo do Projeto Empoderando. O Blog Parto no Brasil logo tratou de colher mais informações sobre Rosana Oshiro. A entrevista foi produzida-respondida com certa urgência, já que a DPP era 28 de fevereiro.

Programamos que o post especial seria publicado amanhã, mas diante destas palavras, não houveram dúvidas de que agora é o momento mesmo de divulgar o início do processo:
Minha bolsa acaba de romper. To sem contrações ainda e vou dormir um pouco porque aqui é de madrugada, mas logo as coisas vão apertar. Fica na torcida ai.
beijo Rosana Oshiro
Confiram então, mais sobre o Projeto Empoderando, e também mais sobre Rosana e suas experiências de parto.
Blog Parto no Brasil Entrevista: Rosana Oshiro - 25 de Fevereiro de 2011

PARTO NO BRASIL Rosana, em primeiro lugar, agradeço a oportunidade de ter sua participação no Blog Parto no Brasil. Desejamos uma boníssima hora, muita luz, ocitocina e felicidades! Eu começo rebatendo uma pergunta sua publicada em http://maternajapao.blogspot.com/2011/02/o-parto-e-seu-e-de-mais-ninguem.html:“O que falta para essas mulheres alcançarem a realização em seus partos?”
ROSANA R: Falta empoderar! Lutar pelo que elas acreditam, independente do que a sociedade fale, do que os médicos digam ou os amigos pensem. Acredito que falta “auto-estima” e confiança em si mesma. O corpo feminino hoje é visto como uma maquina velha,do século passado, que não funciona e precisa da medicina moderna para ajudar. A grande maioria das mulheres acredita que precisa de um médico para “fazer” seu parto!!! Onde isso vai parar? Quem faz o parto é a mulher, não é o médico, nem a parteira, é a mulher!!! Só devolvendo o protagonismo do parto à mulher é que ela vai se sentir realizada ao parir. Eu acredito nisso!
PARTO NO BRASIL Como foram suas experiências de parto anteriores?
ROSANA R: Tive uma cesárea por ter passado da DPP (41 semanas), o qual aceitei por acreditar na palavra da médica sem questionar. Dois anos depois tive outra porque não agüentei a pressão médica dentro de um hospital do meu convênio quando estava com 8cms de dilatação, amarrada em uma cama com monitoramento contínuo, ocitocina sintética, sem marido e nem ninguém para segurar minha mão. Pedi “pelo-amor-de-deus” para a médica fazer logo uma cesárea quando ela começou um discurso de que eu era louca por querer um parto normal, e que eu estava só experimentando o que eu queria, para aproveitar e “curtir” o momento. Quase 3 anos depois eu tive um parto domiciliar com uma parteira. Foram 9 horas de TP ativo, num processo natural sem intervenções, sem lacerar, com o apoio de minha mãe e minhas irmãs. Meu filho nasceu com 3,700gr num parto muito tranqüilo e realizador e eu me senti mulher de verdade ali. Senti que minhas cesáreas tinham cicatrizado de vez. Principalmente as cicatrizes da alma. No quarto parto eu estava morando no Japão e não vi solução melhor do que um parto desassistido. Eu que já tinha vivido todo protocolo de hospital durante um parto horroroso, queria evitar a todo custo e junto do meu esposo tive um parto rápido e realizador também.
PARTO NO BRASIL No final das contas, como você avalia o fato de ter acabado por “ficar sem assistência”: favoreceu sua experiência de parto natural? Como?
ROSANA R: Ficar sem assistência foi positivo para mim. No fundo eu queria parir sem assistência antes de ter certeza de que não conseguiria o auxilio de uma parteira. A idéia foi muito bem pensada e ponderada, mas ao mesmo tempo era uma coisa romântica e sublime que eu queria mesmo realizar. No parto desassistido eu pude seguir melhor meus instintos, eu me entreguei mais facilmente, eu sabia que o parto dependia (e depende) acima de tudo da minha entrega. A entrega do corpo, da mente e da alma. Eu pude me entregar melhor parindo sozinha. Eu senti essa diferença entre o parto assistido e o último. Para mim o parto é muito mais instinto do que qualquer outra coisa.
PARTO NO BRASIL Como foi o momento em que você assumiu-se como ativista pelo respeito ao nascimento e pelo parto ativo?
ROSANA R: Eu vim para o Japão com o propósito de ser mãe em tempo integral e cuidar da família. Eu sabia que aqui ninguém sabia nada de humanização pelo que tinha pesquisado pela internet e desde o Brasil já tinha decidido que ia começar algum trabalho aqui. Um blog, um site, uma Ong, qualquer coisa que pudesse mostrar as brasileiras que parto podia ser bom e não aqueles relatos horrorosos que eu tinha encontrado quando pesquisei no Google: parto no Japão. Depois do PD desassistido, com a ocitocina à flor da pele, eu encontrei duas parceiras para me ajudar e comecei o meu ativismo com o blog Materna Japão.
PARTO NO BRASIL Você é uma grande defensora do compartilhamento de experiências e saberes entre mulheres, gestantes. Porque escolheu a internet como ferramenta de trabalho, ativismo e empoderamento?
ROSANA R: O Japão é um país que tem alta tecnologia ao alcance de todos. Quase todo mundo tem internet no celular. A vida dos brasileiros aqui é trabalhar e navegar na internet, então achei que seria a melhor forma de alcançar as pessoas seria usando a web desde o começo. É também o jeito mais fácil e rápido de alcançar o Brasil e o mundo né? Eu já tinha virado uma ativista on-line há alguns anos, então juntei uma coisa com a outra. Meu trabalho é on-line sempre e sei que através da internet mais e mais pessoas estão estudando, lendo, fazendo amizades e se informando. A informação corre muito rápido e alcança milhões em pouco tempo.
PARTO NO BRASIL Tens algo especial a dizer sobre os relatos de parto?
ROSANA R: Eu adoro relatos de parto, dificilmente passo por um sem ler. É um vício... ;o) Ler os relatos foi o que mais me ajudou quando não tinha vivido ainda a experiência de parir, foi o que me ajudou com o VBAC’s e com o parto desassistido. Com um pouquinho de cada experiência eu escrevi as minhas histórias e meus relatos. Acho super válido toda mulher contar sua experiência de parto e partilhar para que outras possam se espelhar, aprender, amadurecer e poderem fazer também suas histórias.
PARTO NO BRASIL Quantas pessoas estarão na sua casa no momento do TP e do nascimento do bb5? Qual o plano A?
ROSANA R: O plano A é o parto desassistido com o marido, os filhos e duas amigas que irão fotografar e filmar. Isso seria contar com 8 pessoas, sendo que as crianças eu não conto porque estarão por perto, mas eles são super sossegados e já sabem que precisarei da colaboração deles no momento do parto. ;) As amigas sabem também que serão coadjuvantes e já tenho uma listinha das coisas “proibidas” durante o TP. São pessoas de confiança e de muita discrição.
PARTO NO BRASIL Porque este parto vai ser diferente (do que se vê por ai como parto normal)?
ROSANA R: O meu parto será diferente daquilo que se vê por ai, em vídeos da internet, com o título de parto natural, mas que de natural não têm nada! Tem um exemplo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=a2ibPJIeUK8 E outro aqui: http://www.youtube.com/watch?v=jV1NIjbTnwk. Pavorosos! Veja, eu não estou dizendo que a mãe que passou por um parto normal no hospital com o pacote todo, seja uma mãe frustada ou errada, e que eu por ter parto sozinha sou melhor, PELO-AMOR-DE-DEUS! As pessoas costumam tirar conclusões erradas das coisas que escrevo. Estou dizendo que a mulher que tem parto no hospital com todas as intervenções, na grande maioria das vezes acha a experiência de parto normal horrível, e pensa que foi tudo pelo seu bem e de seu bebê, o que não é verdade. É isso que eu quero mostrar para quem assistir meu parto. Quero mostrar que o “verdadeiro” parto natural é instintivo, é um processo único e deve ser vivenciado pela mulher em sintonia consigo mesma e com seu bebê e que se os profissionais que acompanham partos no Brasil e no mundo respeitarem isso, o parto vai ser melhor para todo mundo. Quero mostrar a diferença em poder se movimentar livremente, comer, beber, ter o marido dando apoio, essas coisas todas que depois quero enumerar quando assistir ao vídeo. ;) Acredito que até profissionais que acompanham partos mais naturais tenham algo a aprender com minha experiência mostrada ao vivo, eu não sei, só vou poder tirar mais conclusões depois que tudo acontecer.
PARTO NO BRASIL Já tá fazendo escalda-pés? Passa a receita? rs
ROSANA R: Escalda-pés? Sinceramente não entendi. É piada? Rsss Eu tomo muito banho de ôfuro, é uma delicia e me ajuda a relaxar bastante. Exercícios com a bola suiça, exercícios de respiração... Só o básico mesmo. ;)
PARTO NO BRASIL Muitíssimo obrigada!
ROSANA R: Obrigada a vocês pela oportunidade e apoio para divulgar o Empoderando. Um beijo. Rô Oshiro

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