quinta-feira, 11 de março de 2010

III Curso de Atualização - A ecologia do parto e nascimento


Heloisa Lessa* e Michel Odent** convidam:
III Curso de Atualização
A ecologia do parto e nascimento
Objetivo: Oferecer evidências científicas atuais aos interessados em renovar/niciar sua prática profissional acompanhando mulheres, durante a gravidez, parto e amamentação. O curso tem como base a fisiologia da mãe e do bebê e as conseqüências à longo prazo na saúde do indivíduo do que ocorre no Período Primal (da concepção até o 1° ano de vida).
Aula Inaugural dia 9 de abril
Palestra com MICHEL ODENT: Razões para Otimismo - As conseqüências da Mid-Atlantic Conference on Birth and Primal Health
Encontro mensal: Sexta-feira, das 17h às 21h e Sábado, das 9h às 13 h.
Local: Gestos - Rua Conde Afonso Celso 99, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ.
Revisão bibliográfica atual em português e inglês.
Trabalho corporal, dinâmicas e atividades interativas.
Investimento: Pagamento mensal (9 meses) de R$ 330,00.
Matricula: R$ 100,00 – a ser realizada durante entrevista e entrega de material.
Certificados fornecidos pelo Primal Health Research Center.
*Heloisa Lessa é enfermeira obstetra / parteira e mestre em Enfermagem. Atende a partos em casa planejados no Rio de Janeiro desde 1989. Tem experiência de trabalho com as parteiras tradicionais e a população indígena brasileira. É internacionalmente conhecida.
**Michel Odent, obstetra francês conhecido pelos conceitos de sala de parto como casa e da utilização das piscinas de parto. Fundador do centro de pesquisa Primal Health Research Center, em Londres. Possui 12 livros publicados em 22 línguas e mais de 50 artigos científicos.
Mais informações e programação completa escrevam para: heloisa.lessa@terra.com.br
Tel.: (021) 2232-2445
Ilustração: Zuza.

Seminário Promoção do Bom Parto no SUS

*Divulgando*
Seminário na Faculdade de Saúde Pública - USP "Promoção do bom parto no SUS: estratégias para mudanças institucionais"
Será realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o Seminário: "Promoção do bom parto no SUS: estratégias para mudanças institucionais" - Subtítulo: "Assistência ao parto baseada em evidências" e lançamento do DVD do documentário do Projeto de Humanização da Maternidade ISEA, de Campina Grande (PB). Nas últimas décadas, houve uma mudança radical na compreensão do que é um parto saudável para mães e bebês: atualmente, conforme as melhores evidências científicas, um parto fisiológico, com um mínimo de intervenções, deve estar disponível a todas as gestantes saudáveis. O parto fisiológico e humanizado oferece os melhores resultados: experiências mais satisfatórias para a mãe e melhores resultados para o recém-nascido. Para isso, é importante garantir o cumprimento da lei do acompanhante no parto para todas as gestantes, e reduzir procedimentos dolorosos e invasivos (episiotomias, indução ou aceleração rotineiras do parto com drogas, imobilização da parturiente, entre outras), que ainda fazem parte da cultura de muitos serviços no Brasil. Melhorar a experiência do parto é a melhor estratégia para reduzir as abusivas taxas de cesárea, e oferecer às mulheres um atendimento seguro e respeitoso. Este seminário discutirá estratégias de mudança e experiências bem-sucedidas no SUS. Palestrante: Dra. Melania Amorim - Professora da Universidade Federal de Campina Grande (PB), integrante do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (Genebra) e Revisora da Biblioteca Cochrane. Local: FSP/USP - Av. Dr. Arnaldo, 715 - Anfiteatro Auditório João Yunes Data: 22/03 das 14 às18h Coordenação: Profa. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz. Comissão Organizadora: Daniela de A. Andretto e Heloisa Salgado. Organização: Comissão de Cultura e Extensão FSP Escola de Artes, Ciência e Humanidades da USP-EACH Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuna Rede Parto do Princípio; Coletivo Feminista e Sexualidade Núcleo de Estudos da Mulher e das Relações de Gênero GEMAS - Gênero, Evidências, Maternidade e Saúde CONDECA - Conselho Estadual dos Direitos das Criança e Adolescentes * As inscrições serão isentas de taxa, e poderão ser feitas somente através deste site, até o dia 21/03. Será fornecido certificado de participação no evento que também será transmitido pela TV via Internet da USP (iptvusp). Mais informações pelo e-mail: svalunos@fsp.usp.br

terça-feira, 9 de março de 2010

Documentário "Vida"

Assistam o lindo documentário Vida feito no sul do País sobre parteiras tradicionais, parte da exposição "Mulheres e práticas de saúde", no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul, RS. Direção: Felipe Henrique Gavioli Roteiro: Felipe Henrique Gavioli/Marli Gavioli Pesquisas e Entrevistas: Éverton Quevedo




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Parto humanizado

Por Leonardo Boff
A discussão sobre Cesariana X Parto Normal é muito antiga aqui nas linhas cibernéticas. Quem milita nas listas de discussão há alguns anos sabe que este debate vai e volta, sistematicamente, como um ioiô ideológico. Esta ótica específica da humanização - como algo relativo ao "humano" - foi amplamente debatida nesta lista há alguns anos, e re-debatida sistematicamente de tempos em tempos. Eu tenho um ponto de vista bem claro sobre o assunto, expresso no meu livro e nas minhas palestras, de que a "Humanização do Nascimento" tem a ver com um movimento filosófico chamado HUMANISMO, que, contrapondo-se ao teocentrismo da idade média, coloca o ser humano em destaque e oferece a ele o protagonismo de seu destino. Meu colega Maximilian consagrou a frase "Humanizar o nascimento é restituir o protagonismo à mulher" exatamente para oferecer este direcionamento ao movimento que visa humanizar partos. Segundo ainda Maximilian, sem o protagonismo garantido à mulher somente conseguiremos a "sofisticação da tutela", que não oferece a profundidade das mudanças geradas pela insensibilidade do paradigma biomédico de atender as necessidades básicas de uma mulher parindo. Desta maneira fica claro entender que uma cesariana não pode ser "humanizada" exatamente porque a mulher NÃO POSSUI o protagonismo: ela está à mercê da técnica e da assistência ostensiva do profissional que a atende. Por outro lado, é certo que uma cesariana pode ser "humana", tanto na concepção óbvia espécie-específica (pois é feita em seres humanos) quando na conotação de "gentil e respeitosa". Muito da discussão que observei sobre esta questão deve-se aos conceitos, ora equivocados, ora confusos, sobre o que vem a ser humanização. Cesariana é cirurgia, e no conceito que queremos dar à humanização ela NÃO tem como ser humanizada, pois aliena a mulher da sua condução (mesmo quando bem indicada). Por outro lado, um PARTO VAGINAL pode ser deveras DESUMANIZADO, e mesmo DESUMANO, quando impede a mulher de tomar qualquer decisão sobre seu corpo, ou quando a trata de forma rude, grosseira e mesmo violenta. Humanizar o nascimento é colocar a mulher como condutora do processo; tornar o parto "humano" é tornar a assistência mais suave, gentil e adequada. Entretanto, uma atitude gentil pode ocorrer até mesmo em partos desumanizados (sem protagonismo). Eu acredito que esta discussão fica acalorada por causa de seu evidente conteúdo erótico. Explico: parto é constituinte da vida sexual normal de uma mulher. Quando falamos em nascimento, parto, dores, contrações, vagidos e gemidos, estamos falando do EROTISMO pulsante e vivo que permeia este momento. É por esta razão que a discussão fica tão forte, mesmo quando eu vejo nítidos vértices de contato nos discursos de muitos debatedores. Não há duvida que existem diferenças claras do ponto de vista emocional, afetivo, psicológico e físico entre um parto vaginal e uma cirurgia, a qual sem dó nem piedade rompe 7 camadas de tecido para atingir a intimidade uterina. É claro para todos, também, que uma mulher NÃO se define pelo tipo de parto que teve: ninguém é mais mulher por ter tido um parto normal. Por outro lado, ninguém é mais homem por ter as duas pernas, mas a ninguém parece justo negligenciar as suas, e tampouco existem pessoas para quem perder as pernas não tem importância. Assim podemos entender o parto normal: não define a qualidade de uma mulher, mas não pode ser entendido como supérfluo ou desprezível para ela. O evento do nascimento é um momento impressionante na vida de uma mulher; divisor de águas é capaz de fazê-la naufragar em uma depressão melancólica (por reforçar suas fantasias inconscientes de impotência) ao mesmo tempo em que pode alçá-la a um patamar inimaginável de segurança, auto-estima e determinação. Uma encruzilhada ímpar. É fácil ver que isso pode ser atingido SEM a experiência de um parto (que o digam Madre Teresa, Jesus Cristo, etc.), mas nem por isso podemos fechar os olhos à sua imensa potencialidade criativa. A ansiedade que percebemos no que tange a esta discussão se origina exatamente de sua dimensão sexual. Falar do próprio parto é falar do seu sexo, da sua intimidade, de sua competência feminina. Por esta razão é importante que tenhamos esta visão até para que possamos contextualizar o debate e não torná-lo tão duro. Ainda sobre os conteúdos sexuais, basta que estejamos presentes em um nascimento humanizado para perceber que TUDO ali transpira sexualidade. Uma mulher deixada vagar livremente pelos seus desejos pode encontrar o êxtase no nascimento de um filho. Permitindo-se que ela transite pelo gozo indescritível desta passagem - sem interrupção e sem censura - ela poderá descrever seu parto (como já fui testemunha tantas vezes) como o momento mais prazeroso de sua vida. Pois é aí que está o segredo tão bem guardado !! Aqui se encontra o mistério recôndito. Se as mulheres soubessem o quanto existe de realização e transcendência no ato de parir estas discussões terminariam da mesma forma como se dissipa a névoa com a chegada do sol. Foram os homens que inventaram as dores lancinantes de parto, apenas para fazer valer sua técnica e seus aparatos tecnológicos. Era preciso fazer a mulher descrer em si para que ela acreditasse na idéia que somente através da intervenção sobre este corpo defeituoso é que se alcança sucesso no nascimento. Que triste !! Tanta força e tanta energia sexual desperdiçadas !!! Mas eu dizia ao mestre Marsden que não acredito que possamos enganar todas as mulheres por todo o tempo. Um dia elas vão acordar de seu sono de menosvalia, e reclamar de volta o que sempre foi seu.Neste dia o nascimento humano voltará a ser um momento deslumbrante, para uma nova sociedade de paz. Minha amiga Simone Diniz me disse há muitos anos uma frase que muito me irritou e me obrigou a refletir, até que eu finalmente aceitei e entendi: "A escolha pela cesariana é uma opção pela dignidade". O que vemos na sociedade contemporânea ocidental, no que tange ao parto, é um FALSO DILEMA: de um lado um nascimento violento regulado por pressupostos mecanicistas e positivistas, onde se aniquilam o psiquismo e a afetividade maternas em nome de uma ilusória objetividade cartesiana, junto com uma falsa promessa de segurança. Do outro lado uma cesariana, que é o ápice da alienação feminina sobre o nascimento, e onde se oferece o total controle médico sobre o evento. Neste contexto, optar por uma cesariana pode ser simplesmente o desejo de que seu parto seja minimamente digno, onde não haja alarido e violência verbal (por vezes física) na sala de parto. Optar pela cirurgia é ter controle (sim, o controle de decidir-se a fazê-la) para poder fugir da grosseria e da humilhação de parir sob o olhar de uma platéia onde podem até estar presentes curiosos, ignorantes e outros despreparados. O drama é que estas são as DUAS ÚNICAS alternativas oferecidas nos dias de hoje: partos humilhantes ou cesarianas alienantes, "limpas e seguras". Quase NINGUÉM (ok, muito poucos) oferece um parto digno, bonito, prazeroso, carinhoso, afetuoso e digno. ESSA É A LUTA !!! Os humanistas do nascimento não se contrapões às cesarianas (sou deslumbrado por esta história, de Edoardo Porro, passando por De Lee até os neo-cesaristas, como Marcelo Zugaib), mas nos insurgimos contra o abuso e a falsa promessa de redenção implícita no oferecimento de uma cirurgia como esta. Lutamos contra a objetualização e coisificação da mulher, seja numa cesariana ou num parto vaginal "Frankenstein", como bem dizia a Roselene. Somos visionários que enxergamos o nascimento como ATO REVOLUCIONÁRIO e libertário, que se opõe ao sexismo do patriarcado abrahâmico castrador, e que oferece uma nova visão para o porvir da humanidade, onde os nascidos de mulher serão acolhidos com amor. A simples diminuição matemática do índice de cesarianas não parece ser algo adequado. Diminuir a incidência dessas cirurgias sem a concomitante modificação da ideologia da assistência ao parto só pode produzir uma situação mais dramática do que a anterior. A falta de compreensão do sistema biomédico contemporâneo das necessidades básicas de uma mulher ao parir está na gênese do descalabro na assistência. O problema reside no modelo cartesiano aplicado ao nascimento, que entende o psiquismo apartado da "Humani Corporis Fabrica", e define a mulher como um aparelho defeituoso, equivocado e falho em essência. Sem uma mudança radical na visão que temos da MULHER vamos apenas criar aberrações sobre aberrações, sem nunca atingir o núcleo do transtorno. Precisamos mudar a forma de entender o feminino, para assim modificar o olhar que lançamos às grávidas. A tese do "protagonismo devolvido" e o rechaço à idéia de sermos "contrários à cesariana" são pontos nevrálgicos na discussão sobre a humanização do nascimento. Além disso, é importante trazer à tona a idéia de que abolir ou dificultar o acesso às cesarianas é inútil e até perigoso, porque a falha não é no seu uso (que não é causa, e sim conseqüência), mas na própria visão que temos da mulher e suas funções femininas. Precisamos nos dedicar a uma tarefa muito mais complicada e difícil do que simplesmente baixar nossas taxas de intervenção: necessitamos criar a "nova mulher", liberta dos grilhões do patriarcado e longe do revanchismo do antigo feminismo antropofágico. Precisamos, por fim, oferecer às gestantes e parturientes o suporte afetivo, espiritual e emocional que foi a marca de nossa ancestralidade, e aquilo que nos define como 'humanos", que é a capacidade de cuidar dos semelhantes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Hoje, dia 08 de março, muit@s comemoram o Dia Internacional da Mulher, mas esquecem que essa data é para relembrar e reivindicar nossos direitos enquanto mulheres, mães e trabalhadoras!
Afinal, essa celebração é originária das manifestações feministas estadosunidense e européia pela melhoria nas condições de trabalho e direito ao voto, no início do século XX, sendo que em 1975 as Nações Unidas adota esse dia em seu calendário, como forma de valorizar as conquistas sócio-econômicas deste gênero. Na temática da humanização do parto e assistência ao nascimento temos muito caminho a percorrer pela frente, mas na medida em que nos organizamos e nos agregamos em redes podemos somar forças em prol das mulheres parturientes e também àquelas que já pariram suas crias, mas que precisam amamentar e retornar a rotina profissional e levar seus filhos para creches. O Brasil é o segundo País da América Latina com as mais altas taxas de cirurgias cesarianas, perdendo apenas para o Chile; esse cenário se deve por falta de informação adequada e consciente tanto por parte das equipes médicas quanto das mulheres que confiam seus corpos e não se apropriam do processo fisiológico e natural que é a vinda de um ser. E como transformar esse paradigma? Como gerar uma nova maneira de compreender o nascimento, em uma perspectiva humanizada? As respostas podem ser conferidas no processo histórico que vivemos na atualidade, nos direitos adquiridos pelas mulheres, como a Lei do Acompanhante e Licença e Salário Maternidade, mesmo assim, não obstante, ainda vemos esses direitos garantidos por Lei não serem cumpridos, por isso, denuncie!

Minhas mestras ancestrais

Por Suely Carvalho* Foto de Bruna Maldonado


Herdei a Tradição das minhas bisavós e avós. Minha bisavó Joaquina do Espírito Santo foi uma mulher admirável, ajudou a povoar vários municípios no entorno de Itararé-Sengés onde nasceu, fronteira do Paraná com São Paulo. Era uma mulher determinada e vivia na contra-cultura. Meu bisavô Joaquim Roque construtor e instrutor voluntário de camponeses na construção civil era um homem sensível, apaixonado, admirava e respeitava o trabalho da minha bisa, aceitava que ela saía a cavalo sozinha para atender partos nos sítios da redondeza e muitas vezes passava dias fora de casa partejando e cuidando da recém parida até cair o umbigo do bebê. Foi o terceiro marido da bisa Joaquina, ele era 10 anos mais jovem que ela e se amaram profundamente. Ele morreu aos 50 anos na epidemia de tifo, ela ficou sozinha até morrer aos 89 anos, sempre partejando.

Bisavó Madalena dos Santos

Não tive muitos detalhes do trabalho da minha bisavó Madalena porque ela era descendente direta de índio e era nômade, vivia em pequenos vilarejos e atendia partos enquanto meu bisavô índio trabalhava em plantações e caçava. Minha bisa Madalena era arredia e teve pouco contato com sua nora, minha vó Maria do Espírito Santo que ao casar com meu avô Urias Santos, nômade barbeiro, teve 14 filhos, a maioria sozinha em lugares isolados; meu avô cortava os cabelos das pessoas do povoado permanecendo algumas semanas, depois seguiam caminhando para outros vilarejos por onde passavam e ajudavam mulheres a terem seus partos e meu avô além de barbeiro ensinava remédios caseiros. Minha vó Maria, filha da Parteira Joaquina do Espírito Santo, meu avô Urias, filho da Parteira Madalena dos Santos.

Meus avôs, também meus mestres

Meu avô Urias dos Santos era raizeiro, não permitia em sua casa o uso de remédios alopatas. Ensinou-me remédios caseiros, o uso das plantas medicinais porque eu insistia, era curiosa, perguntava tudo e ele pacientemente ensinava. Apesar de ser descendente indígena não tinha o hábito de comer carne, em nossa casa que era uma chácara a alimentação era natural. Meu avô Manoel Carvalho conhecido como seu Maneco, pai do meu pai, era devoto de São Cipriano, usava o livro de rezas da Cruz de Caravaca. Além de rezador ele era vidente e falava com os espíritos naturalmente e eu ficava o máximo de tempo que podia estar com ele para vê-lo conversar com os espíritos. Meu avô Maneco era nativo da Ilha das Peças e toda a linhagem do meu pai eram pescadores caiçaras da Ilha no litoral do Paraná. Na Ilha das Peças meu avô Maneco via e conversava com os espíritos dos padres Jesuítas do primeiro século do Brasil e ele mostrava enormes pedras onde haviam inscrições feitas pelos Jesuítas que os espíritos mostravam onde estavam. Minha infância foi povoada pelas histórias dos meus dois avôs um índio raizeiro e barbeiro o outro pescador caiçara nativo da Ilha.

Minha vó Ernestina Pereira Carvalho

Nativa da Ilha das Peças no litoral do Paraná teve seus nove filhos sozinha na Ilha, ajudava outras mulheres nativas a terem seus filhos e fazia rezas e simpatias para ajudar os pescadores a voltarem vivos do mar com muitos peixes. Fazia patuás e simpatias para crianças doentes e encomendava as almas dos que faleciam. Minha vó Ernestina e meu avô Maneco tiveram um longo casamento de 60 anos e se amaram a vida toda.
Eu ser parteira tradicional é uma missão herdada. Minhas três bisavós foram parteiras em tempo e lugares muito remotos, minha avó materna e paterna foi parteira delas e de outras mulheres. Era um tempo onde ser parteira era um ofício de muito respeito e poder, tempo onde parir na própria casa era o óbvio, nascer naturalmente era sagrado, abençoado. Quando o inevitável (naquele contexto) acontecia era perfeitamente compreendido mesmo com toda dor da perda.

Uma característica é que a maioria das Parteiras não tem marido, desde sempre foi assim, é difícil o marido aceitar que frequentemente sua mulher saia no meio da noite atendendo o chamado de um homem estranho que foi buscá-la para atender sua mulher em trabalho de parto, o marido ficava sozinho enquanto a mulher saía e não sabia quando voltaria.

Minha bisavó Joaquina, do Espírito Santo, foi casada três vezes e isso não era comum para a sociedade da época. Seu último marido, meu bisavô Joaquim Roque, era dez anos mais jovem o que também causava espanto na época. Foram apaixonados e felizes, minha bisavó saia a cavalo para atender parto, despedia-se dele sem saber quando voltaria, muitas vezes passou mais de um mês sem voltar pra casa, porque fazia parte do oficio de Parteira permanecer por sete dias na casa da mulher parida, até depois de cair o umbigo do bebê, e acontecia de chegar outra pessoa chamando-a para outro parto e ela emendava de um lugar para outro. Em casa, meu bisavô esperava por ela com saudades, mas ele a amava muito e tinha grande admiração pelo trabalho dela, ele ia comprando presentes, juntando para recebê-la e presenteá-la quando voltava. Seu maior presente para ela foi uma igreja que com um grupo de homens que ele ensinava o trabalho de construção ele construiu para ela. Minha bisavó Joaquina ajudou a povoar mais ou menos seis municípios na fronteira entre São Paulo e Paraná. Minha bisavó Madalena era indígena, nômade, teve muitos filhos e atendeu muitos partos entre um povoado e outro por onde passavam e permaneciam alguns meses, nenhum tinha documentos, a história era repassada oralmente. Eliane era minha bisavó Parteira por parte de pai, era caiçara da ilha das Peças. Ela ia para a casa da gestante vários dias, até semana antes do parto, alguém ia buscá-la a pedido da gestante, a viagem era longa e difícil entre uma ilha e outra, por toda a região onde era conhecida, a viagem era de canoa a remo, não havia motor.

Eu honro minhas ancestrais dando continuidade, respeitando e preservando a Tradição. Este ano de 2010 completo 35 anos que sou Parteira, atendi até agora 5.300 e alguns partos. Em casa em torno de 800, o restante atendi na maternidade. Todos os partos que atendi em domicilio eu lembro cada um, tenho com as crianças de diferentes idades uma relação familiar, são meus afilhados/as, existe um vínculo forte. Uma das minhas filhas é Parteira, minha herdeira e ela têm uma das filhas, minha neta, também aprendiz de Parteira. Assim, preservamos a cultura e a Tradição.

Convido as pessoas a resgatar seus/suas ancestrais e restabelecer esse vínculo entendendo que herdamos o que somos socialmente e o que temos de meio ambiente, não criamos nada apenas transformamos. Para estarmos aqui foi necessário que existissem nossos antepassados; mãe, pai, avós, bisavós, tataravós... a medida que vamos conhecendo nossa história vivida e construída pelos nossos antepassados a ideia de eternidade torna-se real e a sensação de plenitude nos preenche, ao mesmo tempo sentimos a força da responsabilidade que temos com os que vem depois de nós, nossos descendentes. Um dia seremos contadas/os em histórias pelos nossos filhos/as, netos/as, bisnetos/as... seremos antepassadas, seremos ancestrais.

Que possam nos honrar.

* Suely Carvalho é parteira tradicional em Olinda/PE e uma das organizadoras do Centro Ativo de Integração do Ser - CAIS do Parto.

Direito ao acompanhante no parto


Mulheres denunciam ao Ministério Público descumprimento da lei
A rede de mulheres Parto do Princípio aproveita o dia 8 de março, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, para denunciar ao Ministério Público abuso do poder médico e das instituições hospitalares privadas e públicas, em descumprimento sistemático da lei que garante o direito a um acompanhante no processo do parto. Simultaneamente, a Parto do Princípio divulgará os benefícios e o direito da mulher a um acompanhante no processo do parto.

A Rede Parto do Princípio, juntamente com outras organizações civis, entrega no dia 8 de março ao Ministério Público de vários estados um documento que denuncia o descumprimento sistemático da Lei que garante à mulher o direito de ter ao seu lado um acompanhante de sua escolha durante o trabalho de parto, no parto e no pós-parto.

O quadro do desrespeito à lei em todo território nacional é alarmante e a desinformação é geral. “Eu fui colocada para fora da sala de cirurgia durante a cesárea da minha irmã, pelo anestesista de plantão! Quando fui agradecer por ter permitido que eu entrasse, ele disse que era contra a presença de acompanhantes, que um centro obstétrico não é um circo onde médicos dão espetáculos para estranhos assistirem, e que eu deveria sair imediatamente.", diz Vânia C. R. Bezerra. “Eu não sabia que existia essa lei, meu marido ficou do lado de fora pedindo ao médico para entrar por horas, disseram a ele que somente mulheres podiam entrar.” - denúncia anônima. “Sinto muito, mas ela não pode ficar na enfermaria com você. E também já está na hora de você crescer e aprender a fazer as coisas sozinha, já vai ter um bebê, já é bem crescidinha.” - G., de Fortaleza-CE. “A mulher que nos recebeu foi muito agressiva quando insistimos para que eu pudesse ter um acompanhante e citou o caso de outro hospital grande da cidade que também não aceitava acompanhante, como se isso tirasse a responsabilidade dela.” - A., de Fortaleza-CE. Apesar da lei, a cada dia milhares de mulheres em todo Brasil sofrem esse tipo de abuso do poder médico e das instituições hospitalares privadas e públicas. 

A Parto do Princípio, neste dia 8, toma duas frentes de ação
Entrará com as denúncias no Ministério Público de diversos estados. - Iniciará uma campanha de divulgação da lei e do direito que ela protege. A denúncia Buscamos levar ao conhecimento do Ministério Público Federal um panorama do que acontece em todo o Brasil em relação à Lei do acompanhante no parto, apresentando as graves implicações para as saúdes materna e neonatal. Denunciamos o abuso do poder médico e das instituições públicas e particulares, demonstrando que existe um boicote em divulgar e respeitar a lei tanto nas instituições do Sistema Único de Saúde (SUS) como nas particulares.

Abordamos também a completa omissão da Agência Nacional de Saúde (ANS) na regulamentação do direito e sem restrições.

Fatos sobre a lei
No dia 7 de abril de 2005, entrou em vigor a Lei 11.108 que garante às parturientes o direito à presença de um acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. No dia 2 de abril de 2008, entrou em vigor a Resolução Normativa nº 167 da ANS, na qual atualiza as diretrizes para os planos privados de assistência à saúde constando a exigência da cobertura de um acompanhante indicado pela parturiente nos Planos Hospitalares com Obstetrícia.

No dia 3 de junho de 2008, a ANVISA, através da Resolução da Diretoria Colegiada nº 36, no item 9.1 prevê que "O Serviço deve permitir a presença de acompanhante de livre escolha da mulher no acolhimento, trabalho de parto, parto e pós-parto imediato" reiterando o direito para os atendimentos particulares. Já se passaram quase 5 anos desde que a Lei 11.108 entrou em vigor.

A grande maioria dos serviços de saúde ainda não permite a entrada de acompanhante, restringe o seu tempo de permanência, cobra uma taxa para sua entrada, ou limita a escolha da parturiente. “Apesar de ser de conhecimento da classe médica que o acompanhante traz muitos benefícios para a saúde da mulher e do bebê, esse direito continua a ser negado ou cerceado!”, afirmam membros da rede Parto do Princípio.

Uma questão de saúde
Os benefícios da presença de um acompanhante para a parturiente e para o recém-nascido foram amplamente demonstrados. Entre outros, a presença do acompanhante foi relacionada à diminuição do tempo do trabalho de parto e parto e a melhores índices de Apgar no bebê. A Organização Mundial de Saúde recomenda a presença de um acompanhante de escolha da mulher desde 1996 (OMS). 

Nossas propostas
Junto ao documento, várias propostas de soluções foram apresentadas, entre elas: - Exigir que a Lei seja afixada em quadro de informações na recepção das maternidades públicas e privadas. - Que as mesmas informações estejam impressas no Cartão da Gestante. - Estabelecimento de uma multa a ser paga pela instituição em caso de denúncia de descumprimento da Lei. - Que seja criada campanha de veiculação do direito na mídia, orientando para os meios de fazer valer este direito ou denunciar casos em que tenha sido negado.

 A divulgação
Divulgaremos a Lei do Acompanhante para que as usuárias do sistema de saúde tomem conhecimento do seu direito e possam exigir que ele seja respeitado no estabelecimento em que elas vão dar à luz. A tomada de consciência da população deste direito é o caminho para obtermos mudanças na postura dos médicos, hospitais e maternidades que continuam negando ou cerceando esse direito às mulheres. A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde brasileiro, que oferece informações sobre gestação, parto e nascimento baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conta hoje com mais de 250 pessoas trabalhando, voluntariamente, em 16 estados e no Distrito Federal, na divulgação dos benefícios do parto ativo.

domingo, 7 de março de 2010

XI Encontro Nacional de Aleitamento Materno e I Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável

*Divulgando*
Acontece entre os dias 10 a 12 de junho em Santos, Estado de São Paulo, o XI Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e o I Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS) cujo tema é:

São Paulo ganha Centro de Parto e novos leitos de UTI neonatal

*Divulgado em 03 de março de 2010* Colaboração: Secretaria de Estado da Saúde


Unidade obstétrica do Hospital de Sapopemba visa dar conforto à mãe na hora do parto e reduzir número de cesáreas
O governador José Serra e o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, entregam nesta quarta-feira, 03 de março uma nova ala do Hospital Estadual de Sapopemba, o Centro de Parto, totalmente destinada à realização de parto normal. Além disso, o hospital ganhou uma nova UTI neonatal, contando agora com 20 leitos, dez de cuidados intermediários e outros dez de terapia intensiva. No total, foram investidos R$ 4,9 milhões em melhorias na unidade.

O Centro de Parto conta com cinco leitos totalmente adaptados à realização do parto normal. Além da cama de parto e berço aquecido de UTI com todo o material necessário para atender o recém-nascido, o quarto conta com banheiro individual e poltrona para acompanhante. A unidade é adaptada as mais modernas normas de atendimento humanizado. Além de ter a companhia de uma pessoa de sua confiança durante todas as fases do parto, a gestante é acompanhada por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogo, assistente social, nutricionista e fonoaudiólogo.

“Além de segurança e conforto, a equipe fica à disposição da mulher para oferecer massagens relaxantes, exercícios em bola suíça e banhos terapêuticos. Ela também pode contar com cadeiras de balanço pélvico e musicoterapia. Tudo isso para oferecer à mulher um ambiente acolhedor e transformar o parto em um momento de tranqüilidade para toda a família”, afirma o gerente executivo do hospital, Irineu Silva Junior.

Após o nascimento, o bebê é colocado diretamente em contato com a mãe. “Com o Centro de Parto e a ampliação da UTI neonatal, a expectativa é aumentarmos cada vez mais a realização de partos sem intervenção cirúrgica, o que é bom tanto para a mãe quanto para o bebê. Agora, a mãe tem mais tranqüilidade para ter o bebê de forma natural porque além de um local adequado ela tem à disposição a infra-estrutura hospitalar com todos os recursos”, afirma.

Já a Unidade Neonatal ganhou ampliação de cinco leitos e melhoria da infra-estrutura local. A unidade possuía, antes, oito leitos de baixo risco e sete de UTI. Com a reforma, a unidade passou a contar com dez leitos de cuidados intermediários e outros dez de cuidados intensivos, sendo um de isolamento. O Hospital Estadual Sapopemba é referência para partos de baixo e alto risco na região de Sapopemba e Vila Prudente.

A unidade realiza 3.800 atendimentos de Pronto-Socorro, 2.860 atendimentos ambulatoriais, 1.056 internações, 4.829 exames de diagnóstico e 33.230 exames laboratoriais mensais. No ano de 2009, foram investidos R$ 4,9 milhões na unidade. O Hospital Estadual de Sapopemba fica na Rua Manoel Franca dos Santos, 174 – Jardim Sapopemba.

Fonte: http://www.jornaldeitupeva.com.br/noticia.php?id=100303215010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa



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Parto do Princípio inscrito no Changemakers


O Parto do Princípio está inscrito no Desafio Changemakers. Para conhecer o Projeto acesse: http://www.changemakers.com/pt-br/node/69423

Congresso Mundial de Parteiras

*Divulgando* -->
Congresso Mundial de Parteiras
O Congresso Mundial da ICM (International Confederation of Midwives) será realizado em Durban em 2011. Mais informações: http://www.midwives2011.org/

I Simpósio de Humanização do Nascimento

-->
*Divulgando*

2° Encontro GestaLondrina

*Divulgando*
2º Encontro GestaLondrina Tema: Humanização do parto e nascimento à luz das recomendações da Organização Mundial da Saúde Quando? 06/03, sábado, às 14h Onde? OM SHANTI Yogashala - R. Augusto de Souza Brandão, 35 - Lago Igapó I - Londrina - PR Como participar? Confirme presença através dos telefones: (43) 3341-0270 e (43) 3341-4860 ou pelos emails gestalondrina@gmail.com ou omshantiyogashala@yahoo.com. br Os encontros são gratuitos!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Novo sorteio para os leitor@s

Querid@s leitor@s,
lançamos para o mês de março uma nova premiação a vocês! A Zazou Moda Gestante, parceira dessa iniciativa, fornecerá ao sortead@ um Vale-Compras no valor de R$100,00 para ser gasto durante a Liquidação de Verão 2010 em uma de suas duas lojas, em São Paulo ou no Rio de Janeiro. A Zazou é uma grife especializada em moda gestante para mulheres grávidas que querem exibir a nova silhueta com charme e elegância, mantendo-se na moda, sem abrir mão da qualidade, do conforto e que queiram manter seu estilo de se vestir e ao mesmo tempo seguir as tendências da moda de cada estação. Gravidez não significa perder a sensualidade e o bom gosto, tão pouco mudar seu estilo de vestir, por isso, a Zazou cria roupas modernas, com modelagem própria e especializada focada nas necessidades das grávidas para valorizar sua beleza e para que se sintam mais felizes. Na loja da Zazou em São Paulo ou no Rio de Janeiro as novas mamães irão descobrir uma nova forma de se sentirem bonitas e charmosas. A Loja da Zazou em São Paulo fica na Vila Olímpia, que se tornou um polo segmentos de moda gestante, decoração e enxoval do bebê, onde se concentram as principais e melhores lojas do mercado. Já a loja no Rio fica na agitada e antenada Ipanema a dois quarteirões da praia.
Endereço em São Paulo: Rua Prof. Atílio Innocenti, 952 - Vila Olímpia - São Paulo - SP Tel.: (11) 3846-6511 * De segunda à sexta-feira, das 10:00 às 19:00hs e aos sábados das 10:00 às 18:00hs Endereço no Rio de Janeiro: Rua Visconde de Pirajá, 351 - Sobre-Loja 202 - Galeria do Fórum de Ipanema - Ipanema - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2247-4645 * De segunda à sexta-feira, das 10:00 às 20:00hs e aos sábados das 10:00 às 18:00hs.
O sorteio acontece dia 13 de março, sábado, à noite! O contemplad@ deverá na semana seguinte (15/03 a 20/03) realizar a aquisição das peças com seu Vale-Compras; caso suas escolhas ultrapassem o valor é só pagar a diferença, mas se não chegar ao valor estipulado não poderá ter o troco!
Para participar vocês devem responder nesse post a pergunta: Quais os diferenciais da Zazou no mercado em termos de moda gestante?
A resposta correta leva o prêmio! Boa sorte!

Vanessa de Lima Rosa sorteada com o slig petit


É isso mesmo Van, você e seu filhote Matheus, que completa um mês nesse dia, vão poder slingar muito com o sling petit da Casulinho que acabaram de ganhar! Parabéns! Aguarde que entraremos hoje em contato com você por correio eletrônico para combinarmos o envio dessa lindíssima peça! Abaixo deixamos em suas palavras porque slingar é tudo de bom!
"Slingar é tudo de bom, porque aproxima o coração da mamãe e do bebê, a conversa se torna mais olho no olho, o tom da voz da mãe é mais baixa e acolhedora, o bebê é automaticamente embalado pelo ritmo natural do corpo da mãe em movimento. Slingar é carinho, é começar bem e estreitar o relacionamento mãe-pai-filho, é mostrar amor e disponibilidade, por isso e por tantos outros motivos é tudo de bom". "Meu amado filhote Matheus, que nasceu num emocionante VBAC, completará exatos 1 mês de vida no dia do sorteio. Tomara que sejamos sorteados...rsrsss".
Van

Encerradas as inscrições de participantes no sorteio do sling petit da Casulinho

Com muita alegria, informamos que 39 leitor@s estão concorrendo a um sling petit da Casulinho. O sorteio acontece logo mais à noite. O nome do ganhador@ será divulgado aqui no Blog Parto no Brasil, a partir das 20h, horário de Brasília. Confira! Boa sorte!!!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Último dia para participar e concorrer ao sling petit da Casulinho


Querid@s leitor@s, ainda dá tempo de participar e concorrer ao sling petit da Casulinho cedido gentilmente por Mariana ao Blog Parto no Brasil, basta postar um comentário e responder: Porque slingar é tudo de bom? O sorteio acontece amanhã, dia 28, à noite. Participe!

Parto humanizado conquista grávidas

Ao contrário do que alguns meios de comunicação e profissionais da saúde alertam para os riscos de um parto domiciliar alguns grupos como o Ishtar defende a prática e instrue casais quando essa escolha é feita.
Confira máteria de Will Montenegro, de 21 de fevereiro de 2010, extraída do Amazônia Jornal.
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Na banheira ou dentro de casa. As modalidades de partos normais são diversas, no entanto, o que modifica, é à maneira de como o parto é conduzido e realizado. O mito de uma vez cesárea, sempre cesárea, em pouco tempo, pode ser quebrado, com a efetivação do parto ativo ou mais conhecido como parto humanizado. O nascimento normal sem intervenções cirúrgicas também é caracterizado como humanizado e independe do espaço em que é realizado. Pode ser no hospital ou em outro local adequado. É claro que em casos extremos e de complicações, a cesárea é a cirurgia salvadora da mãe e do bebê. Entretanto, métodos alternativos estão, cada vez mais, sendo implantados no segmento da saúde brasileira.
Prova disso, é o reconhecimento do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) dos benefícios do parto normal, tanto para a mãe como para o seu bebê. Os benefícios podem ir desde uma melhor recuperação da mulher e redução de riscos de infecção hospitalar até vantagens financeiras quando o assunto é parto normal. Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a prática custa R$ 291, enquanto a cesárea, R$ 402. A cesariana inclui também infecções e hemorragias e até risco para o bebê, durante o corte da parede uterina.
De acordo com o gerente de toco-ginecologia da Santa Casa de Misericódia do Pará, Antônio Sérgio Carvalho, o parto humanizado conforme o que determina o Ministério da Saúde começa com assistência pré-natal, depois o acolhimento da gestante e, finalmente, o direito ao acompanhante de ficar com a gestante desde a internação até a alta hospitalar. 'E o trabalho é direcionado para fazer com que se reduzam as intervenções no trabalho de parto. Tais como a colocação de soro com hormônio que acelera a contração, lavagem intestinal, raspagem dos pêlos pubianos e minimizar a taxa de cortes realizados na vagina', afirma.
Entretanto, mais do que o simples acompanhamento adequado da gravidez, o parto humanizado preconiza um trabalho biopsicossocial realizado ao longo da gestação com a mulher. Além de ressaltar a necessidade do processo da natureza humana de parir. Caso mais recente foi da top model brasileira Gisele Bündchen, que preferiu, na hora do parto, estar em casa com o marido e usando banho quente para aliviar a dor.
Servidora passou 22h em trabalho de parto
A bolsa rompeu às 21 horas e o bebê só nasceu às 19 horas do dia seguinte. Foram 22 horas de trabalho de parto até ouvir o primeiro choro do filho. Para a servidora pública Ana Paula Gaia, a internet foi a principal ferramenta que a apresentou às modalidades de parto e informações sobre a gravidez, em especial, o parto humanizado. A partir das informações disponibilizadas na rede mundial de computadores, ela começou a frequentar grupos de apoio e participar de discussões com outras mulheres sobre a prática.
'Minha bolsa se rompeu à noite e só fui para o hospital às cinco horas da manhã, porque não tinha necessidade de ir logo. A bolsa rompida requer um pouco mais de cuidado, mas depende muito de cada caso. Até as 10 horas da manhã, ainda não estava em trabalho de parto. A minha médica esperou entrar em trabalho no final da manhã', relata.
Ana Paula é integrante da rede Parto do Princípio, que está presente em 16 Estados brasileiros e no Distrito Federal. A rede é formada essencialmente por mulheres que crêem na sua capacidade de tomar para si as decisões sobre o seu corpo nos processos de gestação, parto e pós-parto. Sem vínculos com profissionais, organizações e planos de saúde, a rede busca oferecer informações às usuárias. 'São mulheres que buscam informação e orientações sobre a capacidade de parir e de amamentar. De resgatar o processo de parir', diz.
Segundo ela, as mulheres sofrem intervenções ao serem entregues, no trabalho de parto, nas mãos de médicos e enfermeiros e, consequentemente, acabam não seguindo a sua natureza de parir. 'Quando ela está nas mãos dos profissionais, a mulher fica o tempo todo passiva. Fica recebendo ordem e o processo de parir não é natural, leva anestesias, procedimentos cirúrgicos e isso quando ela não vai para uma cesárea. Buscamos informar que ela é capaz de parir, de se movimentar na hora do trabalho de parto. O corpo simplesmente expele o bebê e não precisa ficar sedada. Basta que ela aceite essa condição e deixe o corpo agir naturalmente. Lógico que ela precisa de liberdade e privacidade', explica.
A cesárea não é condenada pela rede, que divulga o seu trabalho através do endereço eletrônico: www.partodoprincipio.com.br. Pelo contrário, considera a cirurgia salvadora. 'O que condenamos é uma cesárea eletiva', afirma.
Obstetra: menor risco para as mães e bebês
'Não é uma preferência e, sim, um compromisso'. É desta forma que a obstetra, Neila Dahas Jorge, se refere ao parto normal. Ela atua na especialidade há 29 anos e teve a formação voltada para prática por se tratar de uma via natural e de menor risco à mãe e ao bebê. Para a médica, a cesárea foi inventada para salvar a vida - de mãe e filho - nos casos em que o parto normal os expunha aos riscos.
'A cesárea foi banalizada e, devido a vários fatores ligados à mãe e ao médico, tornou-se indicação básica. A mãe não quer sentir dor e escolhe o dia e a hora do nascimento. Ela acredita que o parto normal possa danificar-lhe a genitália comprometendo sua atividade sexual', justifica.
Apesar disso, Neila considera que a cesariana tem indicações nas gestações de alto risco e ainda durante o trabalho de parto. São elas: desproporção entre a cabeça fetal e a bacia materna, sofrimento fetal agudo, irregularidades incorrigíveis nas contrações e/ou na dilatação do colo, entre outros. Segundo a obstetra, um parto normal conduzido corretamente e humanizado, possibilita melhor e mais rápida recuperação para a mãe, menos riscos de prematuridade e de angústia respiratória do recém-nascido. A médica não sabe mensurar o número de partos realizados ao longo da carreira.
'A família reforça o elo do casal, e mais rapidamente é estabelecido o vínculo mãe e filho através da amamentação precoce. Não faço idéia de quantos partos ou cesáreos já realizei. Nunca contei, porque quando jovem, no Rio de Janeiro, fazia plantões seguidos e a quantidade era absurda de procedimentos (10 a 20 pacientes por 24 horas), diz Neila Dahas.
Analista funda grupo que já atua em Belém, do Pará
A internet também foi a porta de entrada sobre o parto humanizado da analista de sistema Thayssa Rocha. Ela começou a frequentar os grupos de apoios sobre a temática em 2006, quando ainda morava na cidade de Olinda, em Recife. Thayssa ressalta a importância de grupos de apoio para auxiliar a grávida, já que estava em busca de uma alternativa de parto, que não fosse a cesárea nem o parto normal.
Após freqüentar os grupos de discussão e o nascimento do filho, Thayssa quis retribuir os conhecimentos adquiridos durante a gravidez. Juntou-se às amigas e fundou o grupo Ishtar-Recife, que tinha o objetivo de oferecer informações para grávidas sobre o parto humanizado. Em 2008, Thayssa se mudou para a capital paraense e deu início às atividades do Ishtar-Belém.
O grupo Ishtar trabalha com reuniões semanais com o intuito de trocar as experiências do parto humanizado. Além de contar com uma equipe de profissionais de saúde multidisciplinar. Entre eles, obstetras, enfermeiros, fisioterapeutas, educadores físicos e demais profissionais de saúde adeptos do parto sem intervenções cirúrgicas desnecessárias. Segundo Thayssa, as reuniões são compostas, em média, de 10 mulheres que buscam informações sobre o parto normal e, então, que queiram desmistificar a prática cesariana. 'Basicamente elas chegam procurando informação. São reuniões quinzenais e temáticas. É importante para a mulher grávida se sentir parte de um grupo. Para mim, isso foi muito importante', diz.
Thayssa afirma que a presença de maridos, avós e parentes é constante no grupo e é um apoio para a mulher imersa na sociedade que preconiza a cesárea. Ela não é contra a cesárea, no entanto, considera como uma cirurgia de resgate, quando indicada.
Além de atuar no grupo, Thayssa é doula (palavra grega, que significa: 'mulher que serve'). São mulheres voluntárias com experiência em ajudar e tranquilizar as gestantes. A doula, segundo explica, tem o objetivo de acompanhar a grávida desde o pré-natal até o pós-parto, minimizando as consequências do estado.
Nascimento em casa volta a ser incentivado por profissionais
Condução é a palavra mais adequada para definir quem auxilia no parto humanizado. O enfermeiro-obstetra e professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Horácio Bastos, já conduziu três partos em casa. Ele também participa dos encontros do Ishtar e afirma que não é toda grávida que pode fazer o parto em casa. 'É preciso acompanhar a mulher desde o pré-natal até o pós-parto, e para isso uma equipe de profissionais precisa acompanhá-la. Nem toda mulher poder fazer isso. Ela precisa ser muito bem atendida. Há uma maternidade de retaguarda para caso aconteça alguma complicação', explica.
O professor conta que foi partir de uma exposição fotográfica de partos normais que despertou o interesse, principalmente, em bibliográficas científicas que abordassem o assunto. Hoje, ele repassa os conhecimentos adquiridos aos alunos e demonstra que existem alternativas que não é somente a cesárea.
Foi através de uma amiga que trabalha com grupo de mulheres, no Rio de Janeiro, que a professora Edna Abreu tomou conhecimento do parto humanizado. Hoje, aos 40 anos de idade, ela tem dois filhos. Todos nascidos de parto humanizado e realizados dentro de casa.
Na época, ela morava no Rio de Janeiro, quando engravidou da primeira filha. Depois, no segundo filho, o parto foi realizado em Belém. Segundo ela, as duas experiências foram pensadas no bem-estar dos filhos. 'Eu e meu marido, optamos por isso em respeito a mim e aos nossos filhos que nasceram na companhia de profissionais que respeitaram o meu processo fisiológico e tudo foi feito com muita informação, esclarecimento e diálogo. Dentro de casa nós temos total liberdade de movimento, posição e toda disponibilidade de tempo, temos o direito a fazer as escolhas que consideramos melhores', relata.
Rede ajuda mulheres a perder medo de ter filho naturalmente
A usuária da rede considera que as mulheres têm medo do trabalho de parto, principalmente de como ele é demonstrado para a sociedade. De acordo com Ana Paula, isso ocorre quando a mulher está entre uma equipe médica fora dos padrões de humanização. 'As mulheres precisam se sentir seguras no trabalho de parto. Ela sente o corpo, mas, é claro, que ela geme, dá aqueles sinais naturais de uma mulher que vai ter um filho e é por causa disso que muitas mulheres temem o parto normal, além de que não têm informações suficientes de quando precisam de uma cesárea', completa.
Para ela, os profissionais de saúde precisam ter confiança na capacidade natural de parir, além de disponibilidade de tempo para a realização do parto natural, sem precisar induzir o nascimento do bebê com intervenções cirúrgicas, como por exemplo, a injeção de ocitocina para acelerar o trabalho de parto, aumentando a força das contrações. Ou ainda o períneo (corte vaginal) para facilitar a passagem da criança.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sessões CineMaterna da semana

*Divulgando*
Para mais informações sobre os filmes: http://www.cinematerna.org.br/web/FilmesCartaz.aspx Porto Alegre 04/03, quinta-feira, 14h Unibanco Arteplex Bourbon Country Filme: O segredo dos seus olhos R. Tulio de Rose, 80 O bate-papo após a sessão acontece no café do próprio cinema. Sessões quinzenais às quintas, 14h Rio de Janeiro 04/03, quinta-feira, 14h Unibanco Arteplex Botafogo Filme: O segredo dos seus olhos Praia de Botafogo 316 O bate-papo após a sessão acontece no bistrô do próprio cinema (somente às quintas). Sessões quinzenais às quintas, 14h e mensais aos sábados às 11h. São Paulo 27/02, sábado, 14h Cine TAM Filme: Simplesmente complicado Av. Roque Petroni Jr 1089 Não há café nas sessões aos sábados. Sessões mensais aos sábados, 14h. 02/03, terça-feira, 14h Unibanco Arteplex Frei Caneca Filme: O segredo dos seus olhos Rua Frei Caneca 569 O bate-papo após a sessão acontece no café do próprio cinema (somente às terças). Sessões quinzenais às terças, 14h e mensais aos sábados, 11h. 04/03, quinta-feira, 14h Cinemark Shopping Villa Lobos - Lançamento Filme: Simplesmente complicado Av. das Nações Unidas 4777 O bate-papo após a sessão acontece no café Havanna, em frente ao cinema. Sessões quinzenais às quintas 14h

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Texto da Melania Amorim em resposta ao Guia do Bebê UOL

O texto foi passado hoje à lista de discussão da Parto do Princípio. A obstetra Melania Amorim escreveu diretamente à direção do portal Guia do Bebê UOL, solicitando sua publicação - e claro, deixou evidente suas críticas: "Acho muito importante a divulgação de uma segunda opinião médica sobre o tema,uma vez que foi ouvida somente uma colega que se mostra contrária ao parto em casa, sugerindo diversos efeitos deletérios e complicações, porém sem apresentar evidências confiáveis."
O artigo é muito bom, publico aqui na íntegra. São vários parágrafos expondo resultados de estudos embasados no preceito da "Saúde Baseada em Evidências Científicas". Para quem adora o tema ou, tem dúvidas sobre qual o melhor tipo de assistência ao parto disponível no mercado. Recomendo uma passadinha pelo Lattes também.
Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.
Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.
Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.
O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.
Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8, 3% em primíparas e 1,6% em multíparas. A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hosp italares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.
Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.
O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intrapa rto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.
Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário. Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas com médicos.
Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.
Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde.
Melania Amorim, MD, PhD Currículo Lattes Médica formada pela UFPB Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO Mestre em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP Doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP Pós-doutora em Tocoginecologia pela UNICAMP Pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP Colaboradora da OMS e revisora da Biblioteca Cochrane

Repercutindo criticamente um artigo do portal Guia do Bebê UOL

Foi publicado ontem um artigo no portal Guia do Bebê UOL. Acesse aqui.
O texto é claramente opinativo, há apenas uma fonte de entrevista. Sua opinião sobre o parto domiciliar ou em casa de parto deveria ser rebatida pela de outros profissionais da mesma categoria, ou então, o artigo deveria estar assinado. As brasileiras têm o direito de consumir infomações claras e justas sobre a gravidez e o parto.
Mandei essa sugestão para o site. Espero que consertem a falha ética.

4o Encontro GestaCuritiba

*Divulgando*
4º Encontro de 2010 – GestaCuritiba Na próxima quinta-feira, dia 25, acontecerá o 4º encontro deste ano do grupo GestaCuritiba. Tema: Tipos de parto (normal, natural, de cócoras, na água). Local: Rua Paula Gomes, 850, São Francisco (próxima ao prédio da antiga Telepar e ao Largo da Ordem), das 19:00h às 21:30h. Coordenação: Patricia Bortolotto e Felicitas Kemmsies. O encontro é gratuito, mas pedimos a gentileza de confirmar presença pelo e-mail ou pelo telefone (41) 9113-6364. Solicitamos ainda que com a confirmação da presença seja enviado um telefone para contato, pois estamos acompanhando quatro gestantes que podem entrar em (trabalho de parto) a qualquer momento! Com muita alegria comunicamos que desde o último encontro nasceram dois bebês de gestantes que freqüentaram o Gesta! Sejam bem vindos Ananda e Leonardo! Parabéns Katiúscia e Ruth! Mais informações: www.nascercomrespeito.com.br

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Yes! Nós temos Twitter!

O Blog Parto no Brasil agora também tem uma conta no Twitter.
Mais um canal de comunicação aberto em prol das escolhas conscientes para nascimentos com respeito às individualidades!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sessões CineMaterna da semana

*Divulgando*
Belo Horizonte 23/02, terça-feira, 14h Cinemark Pátio Savassi Filme: Invictus Av. do Contorno, 6061 O bate-papo após a sessão acontece no Café do Ponto, um piso abaixo do cinema. Sessões quinzenais às terças, 14h Campinas 23/02, terça-feira, 14h Cinemark Iguatemi Campinas Filme: Idas e Vindas do amor Av. Iguatemi, 777 O bate-papo após a sessão acontece no Havanna Café, no primeiro piso. Sessões quinzenais às terças, 14h Curitiba 25/02, quinta-feira, 14h Espaço Unibanco Crystal Filme: Invictus Rua Comendador Araújo 731 - Piso Lj 1 - Shopping Cristal O bate-papo após a sessão acontece no Café da Esquina, em frente ao cinema. Sessões quinzenais às quintas, 14h. Porto Alegre 25/02, quinta-feira, 14h Cinemark Barra Shopping Sul Filme: Idas e vindas do amor Av. Diário de Noticias 300 O bate-papo após a sessão acontece no café do próprio cinema. Sessões quinzenais às quintas, 14h Rio de Janeiro 23/02, terça-feira, 14h Cinemark Downtown Filme: Idas e vindas do amor Av. das Américas, 500 - Bloco 17 2º Piso - Barra da Tijuca O local do bate-papo após a sessão está em definição. Sessões quinzenais às quintas, 14h. Salvador 23/02, terça-feira, 14h Espaço Unibanco Glauber Rocha Filme: Hanami, cerejeiras em flor Praça Castro Alves S/N Salvador - BA O bate-papo após a sessão acontece no café do próprio cinema. Sessões mensais às terças, 14h. Santo André 23/02, terça-feira, 14h Cinemark ABC Plaza Filme: O fada do dente (dublado) ABC Plaza Shopping, Av. Industrial 600 O bate-papo após a sessão acontece na Casa do Pão de Queijo, no piso do cinema. Sessões quinzenais às terças, 14h São Paulo 23/02, terça-feira, 14h Espaço Unibanco Augusta Filme: Hanami, cerejeiras em flor Rua Augusta 1470, próximo à Av. Paulista O bate-papo após a sessão acontece no Starbucks do Center 3, no piso Augusta. Sessões quinzenais às terças, 14h 25/02, quinta-feira, 14h Cinemark Market Place Filme: Idas e vindas do amor Shopping Market Place, Av. Dr. Chucri Zaidan 920 O bate-papo após a sessão acontece no Vipiteno Café, no mesmo piso do cinema. Sessões quinzenais às quintas, 14h Para mais informações sobre os filmes: http://www.cinematerna.org.br/web/Default.aspx

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