domingo, 25 de novembro de 2012

Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras


 



Neste 25 de novembro de 2012, completamos um ano de ações coletivas nas mídias sociais, sempre com objetivo de dar mais visibilidade ao tema da violência obstétrica e de desnaturalizar as infrações aos direitos das mulheres, cometidas pelos profissionais de saúde, que muitas vezes passam desapercebidas.

São ações coletivas organizadas por usuárias, pesquisadoras e profissionais da saúde para promover o debate, sensibilizar, denunciar e ir adiante, até que se consiga que políticas públicas efetivas sejam promovidas no sentido de erradicar a violação dos direitos humanos das mulheres no parto.

Embora estejamos mobilizando centenas de pessoas e falando com cada vez mais frequência sobre o assunto, é importante que as pessoas saibam o histórico do movimento contra a violência no parto - a violência obstétrica, nome que as próprias mulheres cunharam para tais práticas.

Em agosto de 2010, a Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, realizou a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, onde apresenta a evolução do pensamento e do papel das mulheres em nossa sociedade. Foram entrevistados centenas de homens e mulheres em mais de 170 municípios brasileiros.

Os resultados sobre o tema da violência contra as mulheres chamaram muito a atenção e, neste contexto, surgiu um dado alarmante sobre a violência institucional sofrida pelas brasileiras: uma em cada quatro mulheres (25%) relatou ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto. Dentre as diversas formas possíveis de abusos e maus-tratos, tiveram destaque:
exame de toque doloroso, recusa para alívio da dor, não explicação de procedimentos adotados, gritos de profissionais ao ser atendida, negativa de atendimento, xingamentos e humilhações. Além disso, 23% das entrevistadas ouviu de algum profissional algo como: “não chora que ano que vem você está aqui de novo”; “na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe”; “se gritar eu paro e não vou te atender”; “se ficar gritando vai fazer mal pro neném, vai nascer surdo”.





Esses dados chocantes começaram a ganhar repercussão na mídia, com matérias em jornais de grande circulação, publicadas em fevereiro de 2011.






Em abril do mesmo ano,  a Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher realizou um debate com o tema “Maltrato no atendimento em maternidade e no pré-natal”, na Câmara Municipal de São Paulo, reunindo cerca de 70 pessoas, entre elas o coordenador da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, o sociólogo e professor da USP Gustavo Venturi, a médica Anke Riedel, coordenadora da Casa Ângela, casa de parto considerada modelo no Brasil, a enfermeira e coordenadora do curso de Obstetrícia da USP Nádia Zanon Narchi, a representante do Programa Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini e a bióloga Ligia Moreiras Sena, uma das autoras da ação coletiva que apresentamos hoje. 


Neste evento, o professor Gustavo Venturi apresentou os dados sobre violência no parto acima mencionados e, em entrevista para a jornalista da Câmara, afirmou: “São três os principais problemas que ocorrem e acabam gerando a violência no parto. A primeira é a questão da formação dos profissionais, em segundo vem a superlotação das instituições e, em terceiro, as mulheres não são adequadamente preparadas para o momento do parto”.

A partir de então, os coletivos femininos começaram a se mobilizar em termos de circulação de informação, denúncia da situação da assistência obstétrica brasileira, reivindicação de direitos, discussão sobre o assunto. E as mídias sociais apareceram como fator catalisador crucial para todas as ações que se seguiram.

Em 24 de novembro de 2011, no contexto de uma grande ação das Blogueiras Feministas, realizamos a primeira Blogagem Coletiva sobre o tema - “Violência Obstétrica é Violência Contra a Mulher”. Dezenas de blogueiras participaram com textos autorais livres publicados no dia 25 de novembro e, desde então, muitos relatos foram produzidos, mulheres que usaram o texto para organizar a experiência vivida - e que talvez possam ter sido beneficiadas de alguma forma com tal escrita, e beneficiado outras mulheres por meio da leitura.

Neste dia, a pesquisadora Ligia Moreiras Sena também lançou nas mídias sociais o convite à participação em sua pesquisa de doutorado, sobre a violência obstétrica na percepção das mulheres que a viveram e, por meio do Facebook, dos blogs e do Twitter, centenas de mulheres se inscreveram para serem entrevistadas. Em um esforço de divulgação, foi aproveitado o Twittaço que ocorreu utilizando a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher para contactar pessoas que pudessem ajudar na disseminação do convite à pesquisa.







Em nossa segunda ação de ciberativismo, coordenada para o Dia Internacional da Mulher - 8 de Março de 2012, alcançamos certamente mais de duas mil mulheres, com a força de divulgação coletiva de 75 blogs.

Foi o Teste da Violência Obstétrica. Promovido pelos blogs Parto no Brasil, Cientista Que Virou Mãe e Mamíferas o instrumento foi idealizado a partir de documento original da associação civil argentina Dando a Luz, e o Coletivo Maternidade Libertária, disponível em algumas publicações na Internet, em blogs e sites, datadas de 2010.

Para a divulgação no Brasil, o documento foi revisado e adaptado à proposta desta Blogagem Coletiva. As questões abertas foram transformadas em um questionário com múltiplas escolhas, onde incluímos uma importante caracterização sociodemográfica, e contamos com a força de divulgação das mulheres conectadas em suas redes virtuais. Em apenas três dias compilamos mais de mil resultados. E seguimos com o recebimento de novas respostas durante 38 dias. Ao final do prazo, 1966 nascimentos foram avaliados.

Conseguimos atingir nosso principal objetivo, que era dar grande visibilidade a esta questão nas mídias sociais, entre as mães editoras de blogs e demais usuárias da Internet. E os resultados não poderiam deixar de ser surpreendentes. A expressiva participação no Teste da Violência Obstétrica era apenas um indicativo da força que as mulheres, juntas, têm para denunciar um grave problema de cidadania, de falta de oportunidades, de nenhum direito de escolha.






Então em 1o. de agosto de 2012, um grupo de mulheres ativistas mineiras avançam mais um pouco no contexto da luta contra a violência no parto. Em um marco histórico, conseguiram levar a cabo a Audiência Pública “Violência no Parto” na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Estiveram presentes usuárias do sistema de saúde, obstetrizes, doulas, ativistas, políticos e estudantes, em um evento que acionou entidades médicas do estado e o Ministério Público para abrir o debate.

Em outubro de 2012, uma terceira Postagem Coletiva reuniu os esforços necessários para que o vídeodocumentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras" pudesse ser produzido. Em menos de dois meses, fizemos um roteiro para os depoimentos individuais, convidamos as mulheres a nos enviarem suas histórias de vida, com consetimento, para participação. As participantes gravaram vídeos caseiros com seus depoimentos, suas histórias de violência, intolerância, ignorância e racismo que marcaram seus corpos e suas vidas, e nos enviaram. As chamadas podem ser vistas nos blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil. Em poucos dias, conseguimos editar, com a ajuda do fotógrafo e videomaker Armando Rapchan, os vídeos recebidos e mais dezenas de fotografias, em um vídeo final de 52 minutos. Escolhemos por manter o caráter de produção caseira dos depoimentos.  O documentário foi então lançado no dia 17 de novembro último, como parte das comunicações científicas coordenadas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, ocorrido em Porto Alegre.

Assim, decorrido 1 ano após o início de nossas ações de ciberativismo, divulgamos hoje, 25 de novembro de 2012, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o vídeodocumentario “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS”. Ele representa o trabalho de dezenas de mulheres na luta contra a violência obstétrica. Com a voz de algumas delas, simbolizamos o coro de milhares de brasileiras que vivem desrespeitos aos seus direitos reprodutivos cotidianamente, em um processo tornado banal e rotineiro. Queremos ser representadas, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e que, de alguma forma, impulsionem medidas que visem a erradicação da violenta assistência ao parto no Brasil.

Queremos agradecer, em primeiro lugar, às mulheres que muito corajosamente se dispuseram  a tocar em suas próprias feridas, em suas próprias dores, a fim de problematizar a questão e formar um coro de vozes. Queremos agradecer também às dezenas de mulheres que nos enviaram fotografias dos partos/nascimentos de seus filhos e que, por limitação de tempo, não puderam ser utilizadas. Queremos agradecer a todos que, direta ou indiretamente, nos ajudaram e incentivaram na produção desta ação.

Esse vídeo foi realizado de maneira espontânea e voluntária por:


- Bianca Zorzam, obstetriz, aluna de mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo;


- Ligia Moreiras Sena, bióloga, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, autora do blog Cientista Que Virou Mãe;  


- Ana Carolina Arruda Franzon, jornalista, aluna de mestrado do Programa de Pós Graduação em Saúde Pública da Universidade de São paulo e co-editora do blog Parto no Brasil;


- Kalu Brum, jornalista, doula e co-editora do blog Mamíferas.


- Armando Rapchan, fotógrafo e videomaker.

Melhorar a qualidade da atenção ao parto e nascimento é um desafio complexo, que deve contar com a colaboração multi-setorial de vários agentes: profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e docentes, e ainda, as mulheres, por meio do controle social.

Assim, agradecemos cada pessoa envolvida nesta ação e convidamos a todas e todos para contribuírem com o enfrentamento desta forma de violência contra as mulheres, com propostas e encaminhamentos inovadores. Pelo respeito aos direitos humanos femininos. Pela redução das mortes maternas. Pela promoção da saúde das gestantes e dos bebês. Por formas inovadoras de organização dos serviços, e pela adoção massiva das boas práticas na assistência ao parto normal.

“Que nossas vozes sejam ouvidas. Que nossas histórias não sejam ignoradas...”

Muito obrigada

Bianca Zorzam
Ligia Moreiras Sena
Ana Carolina Arruda Franzon
Kalu Brum
Armando Rapchan



--


Às mulheres que transformaram suas histórias em luta


Prezadas participantes,

Estamos muito gratas por termos recebido o apoio de cada um/a de vocês nesta jornada pela melhoria da qualidade da assistência ao parto e nascimento no Brasil.

O conteúdo que vamos disseminar a partir de hoje nos coloca diante de uma realidade extrema, que resiste em muitos lugares e locais como problemas individualizados, personalizados, e invisíveis. A pior consequência da invisibilidade de toda forma de violência é o fato de que as mulheres ficam então proibidas de manifestarem suas mazelas, suas frustações, dores, traumas e revoltas.

Nós precisamos reiterar para cada pessoa que assistir a este filme que estas mulheres, todas nós, não estávamos erradas. Nunca estivemos equivocadas. O nosso único objetivo - coletivo - é colaborar para a construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais seguro e amigável às mulheres, que valorize sua autonomia, saúde, bem-estar emocional, e integridade corporal.

Essas 24 mulheres que participaram desta produção ressonam a gravidade de uma situação que não podemos mais ignorar. Juntas, nessa rede que estamos formando há um ano, com a força da websfera materna, temos certeza de que conseguiremos estabelecer critérios rigorosos e efetivos para a avaliação da qualidade da assistência obstétrica - com valorização da experiência positiva das mulheres com o parto.

Abaixo, deixamos as instruções sobre como tirar o melhor proveito desta nova ação coletiva. Novamente, nosso muito obrigada.

Roteiro para participação da divulgação:

1. Esta é uma ação realizada via mídias sociais, e proposta por um grupo de ativistas pela humanização da assistência ao parto, usuárias, profissionais de saúde e pesquisadoras da saúde pública.

2. Junto com a divulgação do vídeo, encorajamos todas as pessoas a publicarem seus próprios comentários sobre o tema da violência obstétrica.
4. Caso você queira compartilhar o vídeo via perfil do Facebook, Orkut, ou encaminhá-lo via e-mail para listas e grupos, pode utilizar o link a seguir ou compartilhar os vídeos que já estarão postados nas fan pages dos blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil
5. Além da ampla divulgação nas mídias sociais, esperamos levar esta produção para discussões coletivas em grupos de apoio ao parto; salas de aula; serviços de saúde, entre outros.

6. Encorajamos todas as pessoas a nos enviarem seu comentários sobre a produção, assim como sobre o tema em geral, e informações sobre as discussões geradas a partir das exibições. Sempre que uma apresentação coletiva for realizada, pedimos a gentileza de nos informarem o grupo em que foi apresentado, a data, e quantidade aproximada de pessoas.

Novamente, nosso agradecimento a todos que se juntaram e essa causa tão relevante.
Que possamos, juntos, combater todas as formas de violência contra as mulheres.

Grande abraço

Bianca Zorzam
Ligia Moreiras Sena
Ana Carolina Franzon
Kalu Brum
Armando Rapchan

sábado, 24 de novembro de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Relicário


Foto rara da parteira tradicional Editemaria da Silva auscultando uma grávida no engenho de Coceiro, em Palmares/PE, por Ricardo Funari.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ação Coletiva: Divulgação do vídeo 'Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras'

Neste 25 de novembro de 2012, completamos um ano de ações coletivas nas mídias sociais, sempre com objetivo de dar mais visibilidade ao tema da violência obstétrica, assim como para desnaturalizar as infrações aos direitos das mulheres, cometidas pelos profissionais de saúde, que muitas vezes passam desapercebidas.

Exatamente um ano atrás, junto com Kalu Brum e Nanda Café, do Blog Mamíferas, realizamos a primeira chamada para uma Blogagem Coletiva sobre o tema, no contexto de uma ação ainda maior das Blogueiras Feministas. Nesta ação, tivemos a participação de 11 blogueiras, com destaque para a chegada da companheira de pesquisa/ativismo/blogosfera Ligia Moreiras Sena, do Cientista Que Virou Mãe, com sua oportuna e necessária pesquisa de doutorado em Saúde Coletiva, na UFSC.





Abrimos uma caixa de pandora. Para nunca mais sermos ignoradas. Há um ano, muitas brasileiras, centenas, puderam manifestar-se publica e LIVREmente contra um modelo obstétrico doente e adoecedor - em blogs, sites, veículos de comunicação, reuniões e outras redes.

Na segunda ação sobre o tema, alcançamos certamente mais de duas mil mulheres, e conseguimos 1966 respostas à pesquisa então proposta. A expressiva participação no Teste da Violência Obstétrica era apenas um indicativo da força que as mulheres, juntas, têm para denunciar um grave problema de cidadania, de falta de oportunidades, de nenhum direito de escolha.






A terceira ação realizada, pela primeira vez nomeada uma postagem coletiva, reuniu os esforços necessários para que o vídeodocumentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras" pudesse ser produzido. Com gravações caseiras de depoimentos reais de mulheres com nome, sobrenome, e muitas histórias de violência, intolerância, ignorância e racismo, marcando seus corpos e suas vidas.

Instruções para a Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras


Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras
17 de outubro de 2012


Toda a história desta produção, e a saga de seu lançamento no X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, estão muito bem descritos por Ligia, no Blog Cientista Que Virou Mãe.
Aqui, é preciso reiterar a empatia que sentimos em todos os momentos com estas mulheres que aparecem no vídeo. E todas as outras que sabemos que estão, neste momento, dentro de uma maternidade, em extrema situação de vulnerabilidade. Vocês são nossa força hoje, o sopro da coragem, sutil e certeiro.

Minha gratidão pela oportunidade de ter vivido as últimas semanas desta forma como foram: ouvindo mulheres pela internet, de todo o Brasil, muitas e diferentes mulheres que participaram com seus depoimentos de vida; e conversando com outras mulheres, especialmente as companheiras deste Abrascão 2012, com quem pessoalmente participei das etapas de pós-produção e lançamento. Obrigada!

---


Acesse aqui o formulário de inscrições


Postagem coletiva Divulgação do vídeo 

'Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras'



Se você quiser ajudar a divulgar o documentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras", preencha o formulário no Google Drive - acesse aqui

Você receberá as instruções sobre como incorporá-lo ao seu espaço de divulgação no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, ou mesmo após esta data.

Também sugerimos que profissionais de saúde, gestores, professores, pesquisadores e lideranças de movimentos sociais promovam a divulgação do filme em suas redes, organizem apresentações coletivas e compartilhem o link para o vídeo e/ou este formulário.

Muito obrigada por se juntar a nós nesse movimento contra a violência obstétrica.

Ana Carolina Franzon
Bianca Zorzam
Ligia Moreiras Sena
Kalu Brum

---


Este post foi atualizado às 21h40.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ai, essas vadias!!

A vocês, mulheres corajosas, vadias poderosas, nosso muitíssimo obrigada!

O Blog Parto no Brasil apoia o movimento de orgulho da vadia que existe em cada uma de todas nós! 

E registra hoje a gratidão que sentimos por estas mulheres que levantaram-se contra o modelo hegemônico de atenção ao parto e nascimento, e de maternagem.


Foto de autoria e local desconhecidos, publicada no perfil Parto Ativo

Foto de Ana Carolina Franzon, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR

Foto de Marcos AF Gomes, em 02 de junho de 2012, Marcha das Vadias em Londrina-PR 

Porque parir naturalmente e maternar livremente 
são atitudes super-feministas!  


Se você ainda não entendeu o orgulho de ser vadia, confira o vídeo abaixo; e se for preciso, reflita MUITO:

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um post histórico da Associação El Parto es Nuestro

Supremo Tribunal espanhol condenou a Comunidade de Madri e a administração sanitária a pagar INDENIZAÇÃO por SEQUELAS DE EPISIOTOMIA a usuária de hospital.


Para ter seu bebê, essa mulher precisou envolver-se com o poder desmedido e a soberba, e tornou-se vítima de Violência Obstétrica - e ELA NÃO ESTAVA ERRADA. Ela estava parindo!

Os 200 mil EUROS da indenização não vão devolver a paz de espírito e a integridade corporal desta mulher. Mas eles servem para provar a todXs nós que ELA NÃO ESTAVA ERRADA.

Essa é uma vitória para todo o movimento de mulheres, em defesa do direito à saúde e autonomia.

Acesse e compartilhe: http://www.elpartoesnuestro.es/blog/2012/10/26/la-comunidad-de-madrid-condenada-pagar-una-mujer-una-indemnizacion-de-200000-euros-por-las-secuelas-que-le-quedaron-tras-practicarsele-una-episiotomia-durante-el-parto-en-el-hospital-gregorio-maranon

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estar grávida no Brasil

Por Maria do Carmo Leal
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

A gravidez é um tempo de muitas mudanças e expectativas na vida da mulher e das suas famílias porque implica novas responsabilidades afetivas, sociais e legais, decorrentes da maternidade. No ano passado, apenas 45% das gestações que terminaram em nascimento foram planejadas para acontecer no momento em que ocorreram. Embora 97% das gestantes brasileiras tenham realizado consultas pré-natais e 99% dos partos tenham ocorrido em hospitais, persistem problemas na qualidade da atenção oferecida (Lancet 2011; 377:1863-76).


Segundo dados de estudo realizado no Rio de Janeiro em hospitais do Sistema de Saúde Suplementar, durante a gestação a mulher vai mudando de opinião sobre o tipo de parto. No início, mais de 30% delas gostariam de ter um parto cesariano, ao chegarem à maternidade, 70% haviam se decidido pela cesárea, mas, ao saírem das maternidades, apenas 10% tiveram um parto por via vaginal. O medo da dor foi o principal motivo alegado inicialmente para desejar fazer uma cesárea e continuou sendo importante para ela mudar de opinião durante a gestação. Foi protetor estar bem informada sobre as vantagens do parto
vaginal e o desejo do companheiro por esta modalidade de parto (Ciência Saúde Coletiva 2008; 13:1521-34).

A cesariana é uma cirurgia que não deve ser banalizada, pois aumenta o risco de hemorragia pós-parto, infecção, admissão em UTI, mortalidade e em gravidezes futuras de placentação anormal, ruptura uterina, dentre outros. Para o recém-nascido são reportados maior necessidade de suporte ventilatório ao nascer e maior uso de UTI neonatal.

Nos serviços públicos brasileiros as gestantes que fazem parto vaginal também são submetidas a uma excessiva manipulação, ficam presas ao leito, impedidas de deambular e se alimentar, usam ocitocina e dão à luz em posição de decúbito dorsal, com o auxílio de episiotomia. Esses procedimentos não são hoje recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O modelo de atenção, baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento (também conhecido como parto humanizado), conduzido por enfermeiras obstétricas (midwives) e encontrado em quase todos os países europeus, tem ótimos resultados perinatais e está em franco contraste com o modelo que temos implantado aqui no Brasil. Com mais de 50% de cesarianas, cada vez mais as mulheres brasileiras têm parido anestesiadas, passando pelo processo do parto sem sentirem dor, mas também sem sentirem acontecer o próprio nascimento dos seus filhos. Por outro lado, a maioria dos nossos bebês tem sido retirada do útero pelos médicos, ficando subtraídos dessa experiência humana vital e tão significativa. Não temos nenhuma avaliação dos resultados do nosso modelo extremamente medicalizado de atenção ao parto sobre as crianças a médio e longo prazo, mas podemos reconhecer, sem muito esforço, que ele se constitui em uma ruptura com a maneira como nasceram as gerações brasileiras anteriores e que, do ponto de vista populacional, é uma experiência não avaliada previamente.

Está em curso no país um movimento pela adoção de um modelo de atenção baseado em tecnologias apropriadas para o parto e nascimento. Iniciativas importantes do Ministério da Saúde, tais como o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, a Lei do Acompanhante, o Programa de Qualificação das Maternidades no Nordeste e Amazônia Legal e, mais recentemente, a Rede Cegonha, são exemplos desse esforço. Em paralelo, verifica-se um renascimento dos movimentos sociais das mulheres pelo resgate do protagonismo da mulher na condução do seu parto e do nascimento dos seus filhos. Existe hoje um consenso de que se necessita urgentemente reformar o modo de atender ao parto e nascimento das mães e crianças brasileiras.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n8/01.pdf

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

VI Encontro de Obstetrícia e I Encontro Internacional de Obstetrícia na USP Leste, em São Paulo

Já na sua sexta edição, o Encontro Anual de Obstetrícia agora passa a ser organizado pelo curso em conjunto com a Associação de Alunos e egressos do curso, uma entidade criada para defender os interesses de obstetrizes formados ou em formação. O Encontro é uma oportunidade de congregar todos os alunos, docentes, egressos e também pessoas das mais diversas áreas de conhecimento que atuam na defesa da Obstetrícia.

Hoje, das 14 às 18h, teremos o curso "Cidadania e participação política: Construindo os caminhos da Obstetrícia no Brasil", ministrado pela docente do curso de Obstetrícia Elizabete Franco Cruz.

Já no dia 26/10 teremos uma mesa intutulada de "Experiências internacionais na formação de obstetrizes" composta por Lorena Binfa, Carolina de Oliveira Duff, Amélie Lecorné e Célia Regina Maganha e Melo docentes de cursos de Obstetrícia no Chile, Nova Zelândia, França e Brasil.

À tarde teremos nossas tradicionais oficinas, que esse ano estarão dispostas em dois horários: das 14 - 15:45 e das 16:15 às 18h. A escolha pela oficina desejada deverá acontecer no ato da confirmação de inscrição, no dia 26, a partir das 8h, portanto, se programe para chegar com antecedência para garantir sua vaga na oficina desejada.

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/10

Inscrições e recepção
13:45 - 14:00h

Cerimônia de abertura - Profa. Dra. Nádia Zanon Narchi - Coordenadora do Curso de Obstetrícia da USP
Carla Azenha - Presidente da AO-USP

14:00 - 18:00 - Curso "Cidadania e participação política: Construindo os caminhos da Obstetrícia no Brasil"
Profª Drª Elizabete Franco Cruz

18:00 - Encerramento do primeiro dia

Dia 26/10

08:00 - 08:45 - Inscrições e recepção

8:45 - 09:00 - Abertura c/ a Profa. Dra. Nádia Zanon Narchi - Coordenadora do Curso de Obstetrícia da USP
Carla Azenha - Presidente da AO-USP

09:00 - 12:00 - Mesa redonda: Experiências internacionais na formação de obstetrizes
Coordenação: Célia Regina Maganha e Melo
Participantes: Lorena Binfa - Chile; Carolina de Oliveira Duff - Nova Zelândia e Amélie Lecorné - França

12:00 - 14:00 - Almoço

14:00 - 15:45 - 1º período de oficinas

15:45 - 16:15 -Coffe Break

16:15 - 18:00 - 2º período de oficinas

18:00 - Encerramento do evento

Confiram aqui as oficinas oferecidas, e faça sua inscrição pelo link - http://www.aousp.com.br/viencontro/inscricao.htm

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre violência no parto

Com os olhos rasos d´água posto um vídeo c/ um relato sobre violências e desrespeitos no parto, via Mamatraca, c/ Priscilla Perlatti, uma das autoras do site, e tb do Mãe de Duas. Nele Priscilla conta como foi submetida a uma cesárea, c/ 40 semanas, na 1a. gestação, e a um parto hospitalar, da segunda filha, c/ muitas intervenções.


O tema vem sido tratado por diversos blogs, inclusive em blogagens coletivas, e tb na nova ação - Postagem Coletiva, que o Blog Parto no Brasil, Cientista que virou mãe, Mamíferas e GEMAS produziu p/ chamar outros relatos gravados que serão exibidos no 10o. Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Porto Alegre, em novembro, portanto, você que foi violentada compartilhe conosco sua história, e que as feridas e dores sirvam p/ semear novos frutos por partos respeitosos, p/ outras mulheres!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Entrevista com a parteira Naolí Vinaver sobre seu próximo encontro - “Nossas Relações Amorosas e Sexuais”



Confiram a entrevista gentilmente cedida pela parteira mexicana Naolí Vinaver, que reside atualmente em Florianópolis/SC, e facilita vivências e encontros sobre a natureza feminina, sendo que nos dias 02 e 03 de novembro acontecerá um novo encontro p/ compartilhar sobre relações amorosas e sexuais.

Por Elli

Como nasceu a ideia deste encontro?
No ano 1987 comecei meu caminho como parteira. Nesse andar tenho descobrido muitos segredos da natureza, da fisiologia e da emocionalidade humana. Entre outros, o fato que a gravidez começa através do fluir da energia sexual, que é energia VITAL na sua mais pura forma. Mas da mesma forma, a sua vez, o trabalho de parto pode ficar atrapalhado se esta energia está de uma ou mais formas bloqueada ou mal-resolvida.
O prazer pela vida, o gosto por ela, pela comida, pelos amores, pelo sexo, elas experiências criativas... tudo tem a ver com os mesmos hormônios que atuam de forma profunda e intensa no ato do amor. Para ser feliz, a gente precisa se-permitir amar em grande, chorar em grande, rir em grande e se-expressar abertamente. Mesmo se é de forma discreta, uma emoção pode ser fluida. Não estou falando de um estilo de vida necessariamente extrovertido mas de ser como somos, inteiros e fieis a nós em toda a extensão da palavra.
A ideia deste encontro nasceu de estes conceitos juntos, porque as pessoas não temos espaços de abertura, reflexão profunda em companhia de outras pessoas sententes e pensantes dispostas a dividir e compreender a natureza humana em relação com a nossa sexualidade, amorosidade e os nossos relacionamentos.
É preciso falarmos sem-inibições e com grande coragem e abertura se queremos chegar a tratar o parto e o sexo com a mesma naturalidade com que a nossa saúde mental, física e espiritual exige. Quem procura trabalhar dentro da corrente do “parto humanizado” precisa “naturalizar” a sua própria visão e sentimentos em relação ao sexo e ao amor.

Você percebe que as pessoas precisam cada vez mais falar sobre sua sexualidade?
Com certeza que sim! Quando a sociedade não consegue ter espaços de abertura, aprendizado e reflexão sobre os detalhes mais preciosos da sua natureza sexual, as pessoas seja ficam sem compreender, seja procuram a informação de forma desconectada, incompleta, errada, ou simplesmente ficam sem saber só tentando fazer o melhor que seu atual conhecimento e capacidade permite.  As vezes os casais se-separam por não saber remediar e lidar com desafios comuns, que são muitos dos temas que vamos tocar no encontro.

Por que é ideal o casal participar? Mas, também pode participar individualmente?
Estar juntos homens e mulheres para explorar temas que de repente são esquivos ou doloridos, ou complexos na relação de casal da como fruto olhares novos, renovados, ou fichas caírem pela primeira vez duma forma nova! Por exemplo, uma mulher pode ouvir da boca de outro homem uma versão parecida mas com palavras diferentes e compreender pela primeira vez o que seu companheiro tentava comunicar para ela sem sucesso. Ou de repente, os homens presenciar e ouvir algumas mulheres expressando a partir da sua sexualidade, sentimentos parecidos ou diferentes dos da sua mulher pode dar uma luz básica e vital para chegar a um novo lugar na relação. Nos-ouvir mutuamente falar com abertura, sinceridade, sensibilidade e curiosidade, na procura de descobrir alguns padrões que podem ter o efeito de nos-bloquear ou nos-libertar sexual e amorosamente dentro dos nossos relacionamentos.
Também acho muito importante e positivo para pessoas que atualmente estão fora dum relacionamento participar, porque é nesse espaço de intervalo entre amores que a gente tem a maior capacidade e possibilidade de observar, refletir e possivelmente mudar alguns dos padrões nocivos ou inférteis de relacionamentos passados.

Como será a dinâmica do encontro?
A dinâmica é abrir com um pacto de absoluta confidencialidade e entrega ao trabalho. É saber que nada que ninguém senta, pense ou tenha feito é melhor ou pior do que ninguém mais, e que a base do trabalho e o não-julgamento. Dessa forma vamos ir nos-apresentando uns e outros, abrindo para o grupo tudo o que quiser dividir sobre as suas preocupações, sensações, curiosidades e dificuldades nos temas da sexualidade, as relações amorosas e afetivas. A partir de lá vamos criar um tecido amoroso e de apoio e abertura refletindo, conversando e explorando a grande variedade de temas propostos no programa. Tem várias referências e filosofias pessoais e de riqueza cultural que vamos colocar para o grupo, mas com certeza as pessoas que participarão no grupo vão marcar profundamente o rumo do encontro, porque dependendo das preocupações e necessidades individuais vamos expandindo, dividindo e contribuindo na reflexão do grupo.

O que faz uma relação se aproximar do perfeito?
Tudo mundo quer ser feliz e sentir o intenso tesão pela vida! Mas cada indivíduo e cada combinação de pessoas que formam uma relação ou um casal vai ter idiossincrasias bem especiais que diferenciam eles das outras pessoas e casais do mundo. Por isso que é impossível falar de “perfeição”, mas também porque a vida e as relações amorosas nos-servem nos seus processos de desenvolvimento para justamente nos-aprimorar como pessoas individuais. Se-diz que uma pessoa se-sente atraída por outra que é muito diferente de sim pelo fato de “complementar” ela de diversas maneiras. Mas se durante o relacionamento essa pessoa que se-sentiu atraída pelo “oposto” não trabalha para cultivar essas qualidades em sim própria, com o passo do tempo pode chegar a se-sentir irritada e ate a “detestar” as qualidades originais que foram o atrativo inicial. Quer dizer, toda relação tem a capacidade absoluta de dar certo ou de dar errado, tudo depende de quanto que a gente investe no crescimento pessoal dentro da relação. Não tem perfeição, só tem entrega e procura de fluir e crescer no processo de nos-relacionarmos. O vínculo amoroso que conseguimos ter através da comunicação sexual e afetiva vital, criativa, propositiva, expansiva é o que nos-permite crescer e transcender a nossa percepção limitante da vida.

A mulher moderna ainda carrega mitos e preconceitos sobre o próprio corpo que a impede de viver em plenitude sua sexualidade?
Sim, e o homem também. Existem tantos mitos sexuais e corporais como existem inibições e proibições religiosas ao prazer sexual. A ideia é ir compreendendo e aprendendo da integralidade do que é conformado pelas capacidades dos nossos corpos, as nossas almas, nossos corações e a profunda espiritualidade que podemos atingir através da união disso tudo no momento de amar. É bom, muito bom! Deixar de carregar com as energias negativas e ignorantes das gerações anteriores às nossas. É tempo de aproveitar, crescer e nos-sentirmos bem mais felizes e expansivos!

Este encontro já foi realizado anteriormente? Qual a expectativa?
Este é um primeiro encontro do tipo que eu celebro. Muitos anos já passei felizmente entre a mulherada toda em conversas riquíssimas. Também muitos anos tem passado em conversas e reflexões com os homens que eu tem amado. Sento que está na hora de juntarmos os dois sexos com pessoas de qualquer inclinação sexual e amorosa para tentar abrir as polêmicas e as nossas compreensões! A expectativa é deliciosa. Vai ser um grupo bem íntimo de menos de 16 pessoas que até agora prometem ser pessoas ricas, trazidas pelo interesse de sair profundamente renovadas e fluidas. A gente nunca termina de aprender sobre os fenômenos da sexualidade e do amor. Cada pessoa vai trazer uma nova forma e uma nova sensibilidade.

Em 2013 há previsão de uma viagem para Bali para esta temática? Como será este encontro?
O encontro de Bali em Junho 2013 será uma experiência de imersão de 10 dias com temas de sexualidade e amorosidade também, só que num contexto diferente e num momento diferente. Só sei que já existe uma lista de veinti-poucas pessoas desejosas de participar! O programa desse trabalho vai ir se-gestando nos próximos sei meses, mas com certeza vai ser também uma delicia! Por enquanto, para quem quer trabalhar e aproveitar do encontro no Brasil, ainda tem umas poucas vagas, sentam-se bem-vindas e bem-vindos com o coração!

Mais informações sobre os temas do programa, vagas e inscrições com a Naolí Vinaver, pelo email - naolivinaver@gmail.com, e, tb no evento criado no Facebook - https://www.facebook.com/events/241822342607203/

Foto de Bianca Lanu, em dez. de 2011, em Florianópolis/SC.

sábado, 20 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

No mundo todo, as mulheres estão usando as redes sociais para dar visibilidade ao que chamam de ‘violência obstétrica’.

Neste post, convidamos você a colaborar com a construção deste processo histórico, com a documentação da voz das mulheres, sobre os momentos que foram os mais tristes e difíceis da sua jornada reprodutiva.

Pelo direito de viver uma vida livre de violências.
Pelo direito à saúde e à boa informação.



Por que violência obstétrica?

Por definição, a violência obstétrica é considerada toda forma de desrespeito, maus-tratos, abuso e negligência, praticada pelos profissionais das maternidades contra as mulheres que estão ali em busca de serviço de saúde especializado – para a gravidez, o parto, o pós-parto, e o aborto.

Também pode incluir condutas, procedimentos e protocolos clínicos que não atendam as melhores práticas na atenção ao parto e nascimento, condutas e protocolos reconhecidos como fortes evidências científicas pela comunidade internacional para a segurança das pacientes e qualidade da assistência.

A falta de informação e esclarecimentos sobre todos os processos do parto e nascimento prejudica a comunicação entre os profissionais e pacientes. As mulheres precisam ser estimuladas a falar sobre suas dúvidas, medos, desejos e necessidades. E precisam ser ouvidas.

A Lei do Acompanhante no Parto é de 2005, e vale para todo o país, para todas as maternidades do SUS ou da Saúde Suplementar. A lei vale para todas! Todas as mulheres têm direito a ter um acompanhante de sua livre escolha desde o início até o final da sua internação na maternidade. Toda exceção é violação de direitos. Denuncie.



Segurança das pacientes e qualidade da assistência

Este cenário (de violência) é o oposto ao desejado pelo projeto da Humanização da Assistência ao Parto. Uma política pública que tem a proposta de superar o grande desafio da redução das mortes maternas; da organização de todos os serviços que compõem a rede de atenção ao pré-natal, parto e puerpério (nas UBS, centros de parto normal  e maternidades hospitalares); e da valorização do parto e nascimento como processos fisiológicos, que podem ser transformados em uma experiência positiva e satisfatória para as mulheres.

Em última instância, é uma defesa da cidadania e dos direitos humanos!



O convite para a ação

Nos últimos meses, uma série de ações sociais foram organizadas, via Internet, por mulheres que se dedicam à construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais amigável às mulheres, e que inclui necessariamente a articulação de uma equipe de profissionais tais como enfermeiras, doulas, obstetrizes, parteiras, e médicos.

Como resultado, temos duas Blogagens Coletivas que foram realizadas coletivamente por mais de 100 blogs ao total. Confira as informações:







Nesse tempo, as mulheres também saíram às ruas, na Marcha do Parto em Casa e na Marcha pela Humanização do Parto. A perspectiva das usuárias, favorecida pela Internet, é o item de maior valor que nós podemos oferecer à saúde pública brasileira.

Esta terceira postagem coletiva tem objetivo de proporcionar mais uma troca de experiências entre as mulheres, de resgate do apoio mútuo, e de valorização de uma metodologia que é específica de uma organização política, pessoal, comprometida, com os direitos humanos das brasileiras, e sua saúde sexual e reprodutiva, na perspectiva da integralidade, diversidade e individualidade, com aplicação de saberes multidisciplinares complementares.


Participe, divulgue a imagem abaixo, junto com um texto livre de sua autoria.
Grave seu video, e envie até 28 de outubro!

Instruções para a Postagem Coletiva - Violência no Parto: A Voz das Brasileiras

Como resultado, esperamos produzir um videodocumentário sobre a perspectiva das brasileiras que se sentiram desrespeitadas, para ser lançado oficialmente durante o 10o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorrerá entre os dias 14 e 18 de novembro de 2012, em Porto Alegre-RS.

Uma iniciativa dos blogs Parto no Brasil, Cientista que Virou Mãe e Mamíferas, junto com o grupo de pesquisa do Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS/FSP/USP).

Nosso muitíssimo obrigada!
Ana Carolina Franzon
Bianza Zorzam
Kalu Brum
Ligia Moreiras Sena




Agenda Parto no Brasil

Confiram nossa agenda semanal!







terça-feira, 16 de outubro de 2012

A água na tradição africana - Relato de Bernadette Rebienot



"As mulheres aprendem a dar a luz. Antes de dar a luz elas fazem um retiro com a água. Na minha época, esse retiro durava dois meses, hoje dura apenas duas semanas porque as mulheres trabalham. A mulher grávida era tratada com água de uma maneira específica. As parteiras davam banho nas mulheres grávidas, cada parte do seu corpo, da cabeça aos dedos dos pés. Alguns lugares eram lavados com água quente e outros com água fria. E o ventre de uma mulher que tinha acabado de dar a luz era um tesouro, e não se podia tocar o ventre de uma mulher de qualquer maneira, usava-se uma escovinha, uma vez com água fria, outra com água quente. Nesse momento, o segredo da água era revelado à mulher.

Tenho uma outra pequena história para contar, que é pessoal. Eu tinha somente 22 anos quando meu primeiro filho nasceu. O trabalho de parto durou mais de um dia e meio e como disse a parteira, ele nasceu dentro da bolsa de água. E ele estava dentro dessa bolsa e se mexia como um peixinho. Quando olhei, pensei: o que é isso na minha barriga? O bebê ficou esperando dentro da bolsa d’água até encontrarmos alguém que soubesse romper a bolsa d’água. A água devia ser guardada. Somente quando o bebê saiu de sua bolsa d’água, ele deu seu primeiro grito. Duas anciãs lavaram a criança e três meses depois, uma das mães que havia me ajudado a dar a luz disse que a criança tinha ido falar com ela. Achei estranho porque a criança só tinha três meses. Ela disse que a criança tinha lhe dito que o nome que lhe tinham dado não era o verdadeiro e que seu nome verdadeiro era “o lugar onde se faz muita música e muita alegria, e que ele tinha vindo desse lugar”. Hoje essa criança é um grande curandeiro. Ele nasceu com esse dom dentro da sua bolsa de água. Todas as mulheres têm uma missão com a humanidade, uma responsabilidade com a humanidade”.

Por Bernadette Rebienot, integrante do Conselho das Treze Avós Nativas.

Conheça sua história aqui!

Fonte: http://acervodesaberes.wordpress.com/2012/10/05/a-agua-na-tradicao-africana/

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A água nas tradições culturais brasileiras - Relato da parteira tradicional Suely Carvalho



Meu prazer de ser parteira está na possibilidade de ensinar às mães e pais a cuidarem de suas crianças. Toda criança que chega vem da luz, traz nova esperança, e os pais devem cuidar dessas crianças. A família é sagrada, o amor de mãe e pai são sagrados.

Mesmo contra a vontade de muitas pessoas que nos discriminam, nós, parteiras tradicionais, continuamos existindo. Nós tivemos uma inquisição que dizimou milhões de parteiras na Europa e no Ocidente. Nós transmitimos o nosso saber por meio da oralidade. Eu me sinto honrada por ser herdeira das minhas antepassadas, em que muitas são parteiras. Eu tenho uma filha que é parteira e uma neta de 20 anos que é aprendiz de parteira. É assim que nós passamos a nossa tradição, de avó pra neta, de mãe pra filha. Nas cidades grandes, esse é um ofício que não é valorizado, e as mulheres que tem o dom de ser parteiras não descobrem esse dom.

Nós viemos da água. O ventre materno é sagrado porque todo ser humano passou pelo ventre de uma mulher. Portanto, todas as pessoas devem respeitar isso. A mulher precisa respeitar o seu próprio ventre. Se o trabalho de parto for bem feito, sem intervenções desnecessárias, a criança pode nascer dentro da bolsa das águas. É lamentável que os médicos rompem as bolsas das águas, seja em partos normais seja em partos cesáreos.

A mulher tem o corpo perfeito para a gestação e para o parto. Os partos em hospitais não são saudáveis, as pessoas devem nascer e morrer junto com seus familiares. Eu desejo que as águas do parto sejam respeitadas”.

Por Suely Carvalho, parteira tradicional e fundadora do CAIS do Parto, em Olinda/PE.

Fonte: http://acervodesaberes.wordpress.com/2012/10/05/a-agua-nas-tradicoes-culturais-brasileiras/

Foto: Acervo de Bianca Lanu, julho de 2010.

sábado, 13 de outubro de 2012

Multimídia Parto no Brasil - Dia das Crianças: Minha Mãe é Parteira

Porque só elas são a verdadeira garantia da graça, diversão e alegria em todos os nossos dias...





Recomendado pela companheira obstetriz, comadrona e sage-femme Bianca Zorzam.
Obrigada!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...