Informação - Saúde - Direitos - Autonomia
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Eventos no Paraná I - Parto Seguro em Curitiba
domingo, 18 de julho de 2010
"Eu quero uma casa no campo..."
Toda vez que viajo, como uma boa observadora que sou, sempre acabo incorporando mais alguma história de quem, rapidamente, acabei batendo papo, pois bem, dessa vez não foi diferente... No ônibus rumo a Sorocaba/SP, na Serra da Cabeça da Anta, conheci uma mulher, que nem seu nome sei... começamos a conversar, ela me contou que era de Eldorado, uma comunidade quilombola do Vale do Ribeira e que há 20 anos residia em Registro, mas que nunca se esqueceu de suas raízes, de sua identidade e dos bons momentos vividos no sítio, com simplicidade e que, em casa, sua mãe pariu quatro filhos, com a ajuda de uma sábia parteira, que, para ela, era como se fosse sua mãe, vindo a falecer já velhinha ano passado. No seu relato disse que toda vez que se sentia sozinha ou deprimida se recordava da casa de pau-a-pique onde nasceu, da esteira de taboa onde dormia e da vasta mata que circundava seu lar... pois é, tantas pessoas dizem que não nos lembramos de nosso nascimento, que tanto faz nascer/parir em casa ou no hospital (álias, no hospital sim temos segurança, recursos, equipamentos!), ou seja, que tudo isso é uma tolice! Sempre discordei dessa ideia, já que para mim a forma como somos recebidas/os influencia na nossa vida, no nosso trilhar e nada como vir a esse mundão com respeito, com naturalidade... nessa prosa, pelos caminhos do destino, pude ouvir mais uma comprovação daquilo que eu acredito e defendo, veementemente... talvez, inconscientemente (me ajudem, caros/as psicólogos/as e psicanalistas se estiver falando bobagem!) essa mulher, que também pariu seu filho com 17 anos sem indução, rapidamente, em um parto normal hospitalar, quando se sente acuada pelas pressões do dia-a-dia retorne ao paraíso edílico de onde nasceu, em sua casa, com amor, e encontre a segurança que todos/as nós precisamos... quem sabe... Desenho de Laura Andreato.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Um sonho...
Eu tenho um sonho... talvez um sonho partilhado por muitas mulheres, homens e suas famílias que irão receber um dia seus bebês... o sonho? Que as mulheres, homens e suas famílias possam ser respeitadas/os, que a parturiente possa parir sem práticas, protocolos e intervenções com vistas aos ponteiros de um relógio e que, assim, naturalmente, na medida da força ancestral feminina, um novo ser possa nascer e ser concebido com amor, respeitosamente! Foi assim que escolhi parir Rudá, vivência que transformou minha vida e meu olhar na assistência ao parto e nascimento, dado que tive anteriormente uma cesareana para que Ícaro, meu primogênito, nascesse. É... post todo emocionado de quem acabou de ver um vídeo de um parto em casa, e que pela enéssima vez teve seu coração tocado, sua memória recordada... nesse vídeo (Lynsey Stone Birth Photography), feito com as fotos de um parto domiciliar, o expectador pode ver como é simples e mágica a chegada de um bebê, como a mãe tendo liberdade se entrega ao evento, curte, e melhor, junto de quem confia e ama! Tão lindo ver sua filhota, imagino eu, esperar o irmãozinho/a, dar as mãos para sua mãe e dividir junto as emoções e, quando tudo acaba (ou seria, se inicia?), cortar o cordão umbilical e proporcionar um novo trilhar, de uma nova vida... Lindo lindo lindo! Meu sonho? É esse! Que nós possamos ter nossos filhos com simplicidade, com naturalidade, com amor! E, sonho que se sonha junto, já dizia o cantor, é realidade!!! Vejam também o vídeo Joyful Birth! Foto de Silmara Guerreiro - Acervo pessoal, ago/09.
Curetagem é a cirurgia mais realizada no Brasil
Segundo Ministério da Saúde, foram feitos 3,1 milhões de procedimentos entre 1995 e 2007 - Por Adauri Antunes Barbosa.
SÃO PAULO. Uma das cirurgias mais realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a curetagem (procedimento para limpar o útero após o aborto) foi feita na rede pública por 3,1 milhões de mulheres, entre 1995 e 2007.
O número, revelado em tese de doutorado pela médica Pai Ching Yu, do Instituto do Coração (Incor) da Universidade de São Paulo (USP), mostra a gravidade do problema. O aborto que precede a curetagem é uma das principais causas de morte no País — e motivo de maus tratos, por parte de profissionais da saúde, a mulheres que buscam atendimento médico.
Não há números oficiais sobre aborto no Brasil. A mulher que procura atendimento médico depois de abortar geralmente não informa se o procedimento foi legal, espontâneo ou ilegal, temendo punições. Em alguns estados, como Bahia e Pernambuco, as complicações do aborto são a primeira causa de morte de mulheres, conforme constataram as ONGs Ipas Brasil e Grupo Curumim, que pesquisaram o assunto em cinco estados, incluindo o Rio de Janeiro.
De acordo com a enfermeira Ana Paula Lima Viana, da ONG Grupo Curumim, a lei restritiva não impede que os abortos continuem sendo realizados no País e, ao mesmo tempo, encobre “tabus e estigmas” em torno do problema.
Um deles, contou, é que o aborto é tratado como crime e pecado pelos profissionais da saúde, que se negam a dar o atendimento, provocando o agravamento do estado das mulheres e causando a morte.
Isso é grave violação a um direito humano. A mulher não tem atendimento ou tem atendimento de péssima qualidade — afirmou Ana Paula Viana.
Conforme as pesquisas feitas pelo Grupo Curumim e Ipas Brasil, a crueldade da curetagem em mulheres que fizeram aborto foi constatada no Rio, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Em vez de utilizarem o método de aspiração manual, um processo simples que não põe a mulher em risco, as ONGs observaram que a raspagem é feita com instrumento perfurante que, em muitos casos, provoca hemorragias e infecções.
Esse método arcaico de raspagem com objeto perfurante é verificado em mais de 90% dos casos, quase 100%. Inclusive no Rio — disse Ana Paula, que é parteira em Recife.
Segundo dados do Ministério da Saúde foram realizados no SUS mais de 32 milhões de procedimentos cirúrgicos entre 1995 e 2007. Entre os 1.568 tipos de cirurgias, as curetagens ficaram em primeiro, com 3,1 milhões de registros. Na sequência, ficaram as cirurgias para correção de hérnia, com 1,8 milhão de casos; retiradas de vesícula, 1,2 milhão; plástica de vagina e períneo, 1,1 milhão; e retirada do apêndice, 923 mil. As cirurgias cardíacas, partos e intervenções sem internação ficaram de fora da pesquisa.
Fonte: O Globo, 15/07/10. Foto extraída de: http://oglobo.globo.com/fotos/2008/09/17/17_MHG_mul_aborto.jpg
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Não bata, eduque
O ano? 2010. A campanha? Esta: “Não bata, eduque”. Ela é parte de uma ação que tem como peça legal uma especificação em relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A especificação diz respeito a uma legislação recém assinada pelo Presidente Lula, que define que a proibição aos “maus tratos” à criança inclui até mesmo a convencional “palmada pedagógica”. quarta-feira, 14 de julho de 2010
Divulgação de eventos no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal
Michel Odent, obstetra e pesquisador francês que foi encarregado do Centro Cirúrgico e da maternidade estadual em Pithiviers, Paris, entre os anos de 1962 a 1985 e fundador do Primal Health Research Centre, em Londres, estará no Rio de Janeiro/RJ no dia 20 desse mês, terça-feira, na Rua Real Grandeza, 108 e fará uma roda de conversa, das 18 às 21 horas, evento aberto e gratuito, vale a pena conferir e participar! Na década de 70 ele introduziu o home-birth (parto caseiro) e os quartos com pequenas piscinas aquecidas nas maternidades. Também é o autor do primeiro artigo na literatura médica sobre o uso das piscinas de parto (Lancet 1983), do primeiro artigo sobre o início da lactação durante a 1a hora após o nascimento e do primeiro artigo "Teoria do portão para o controle da dor” na obstetrícia. Criou o banco de dados do Primal Health Research e escreveu 12 livros publicados em 22 idiomas. Foto: Acervo Espaço Aobä - workshop ocorrido em abril, em Curitiba/PR.
O evento acontece em Brasília/DF entre os dias 26 a 30 de novembro, para mais informações, valores e inscrições de trabalhos acesse aqui!
terça-feira, 13 de julho de 2010
Parir e Gozar
Publicada na Tpm, #87, uma matéria sobre Parir e Gozar, na perspectiva de mulheres que pariram seus filhos/as e tiveram suas vidas transformadas. O parto visto como mais um dos eventos sexuais que temos, relacionando maternidade e sexualidade. Conta com a participação de Kalu Brum, do Mamíferas, além de relatos de outras mulheres. Texto de Fernanda Danelon, de 15 de maio de 2009. Foto extraída de: http://fatioupassou.com/wp-content/uploads/2008/10/21970668_3049cf2bba.jpg
Sobre parir e partejar
Opa! A boa filha a casa torna! E nesse finzinho de segunda-feira, para iniciar os posts desta semana linko duas matérias para vocês saborearem sobre o ofício de parteira e parto em casa, publicadas, respectivamente, na Gazeta do Povo, em 06 de maio de 2010 - Parteiras, heroínas da resistência e na Revista Tpm, #78 - Em Casa. Lindas histórias e emocionantes depoimentos desse belo ofício de partejar. Confiram! E bora lá... Fotos Acervo Revista Tpm - Mauro Restiffe.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Off
Necessidade urgente de retificação do programa eleitoral do candidato José Serra
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Corrente pra frente
quarta-feira, 30 de junho de 2010
E dr., como vai ser o parto?
Tenho lido que várias pesquisas brasileiras indicam que um dos maiores problemas relacionados à assistência ao parto e nascimento é a comunicação entre médico e parturiente. Mas, no caso de quem não pariu no SUS, a interação começa na gravidez, e é uma relação que rende um caldo de considerações...
domingo, 27 de junho de 2010
Mamãe eu quero
Eu também!
Pedida de boa leitura com certeza deve ser o livro Mamãe eu quero, de Sonia Hirsch, sobre alimentação infantil com um guia prático que informa qual a melhor maneira de alimentar um bebê depois do sexto mês, quando iniciamos a introdução de novos alimentos, que antes (deveria ser!) era privilégio do leite materno. Confira um trecho:
a
ntes de mais nada: leite, só de mãe. Todo animal mamífero mama no peito até poder alimentar-se sozinho, mas é no peito de sua própria mãe. As histórias de Rômulo e Remo, amamentados por uma loba, e de Tarzan, criado por uma macaca, e de Mowgli, criado também por uma loba, são meras exceções que confirmam a regra: leite, só de mãe.
Leite é sangue que deixa de correr pelo umbigo e sai pelo bico do seio. Até do masculino, afirmam as Amigas do Peito, se for bem sugado: a glândula desperta. As mães-de-leite que o digam, se é que ainda existem, criando no peito o filho dos outros – que passava a ser seu, com seu sangue circulando pelas veias.
E na boca a criança começa a aprender. Tem que puxar, tem que querer, às vezes chora de tão difícil que é no comecinho. Para a mãe às vezes também é difícil, encontrar a melhor posição às vezes leva uns dias, às vezes cansa. Mas sempre acabam se ajeitando. Da boca do neném o leite desce para o estômago, de lá para os intestinos, ativando no corpinho tudo aquilo que está pronto a funcionar. Devagar, devagarinho, deixando o tempo passar...SONIA HIRSCH.
sábado, 26 de junho de 2010
Chupeta: eis a questão
O acessório infantil desperta muitas controvérsias, de um lado profissionais, como pediatras e dentistas, do outro mães desesperadas por um pouco de sossego (e silêncio!). Costumo brincar que chupeta é para acalmar a mãe, e não o bebê, que com um pouco de colo e paciência logo para com o choro, mas quem atire a primeira pedra e nunca errou nesse aprendizado (diário) que é a maternidade. Me recordo que antes mesmo de Ícaro nascer, meu primogênito, já tinha uma coleção "fofíssima" de chupetas, com estampas para combinar com todo tipo de traje, o duro foi convencê-lo de deixar ela de lado, já com seus quase quatro anos! Com Rudá, o caçula que está com 10 meses (e dois dentes!), nem titubiei na ideia de dar-lhe a chupeta, mesmo com aquela pressão básica que sofremos por escolher caminhos conscientes e alternativos para criar nossos filhos, assim, ele nunca chupou nada a não ser meus seios até os dias de hoje, para água e sucos uso desde o sexto mês o copo de transição. Como me interesso pelo assunto encontrei dois materiais bem bacanas sobre o tema, dentre eles um relato de Fabíola Cassab - Uma Visão Mamífera das Chupetas, postado no Blog Mamíferas em 16 de março de 2009, sobre sua experiência com o uso e depois a escolha por não usar mais e um artigo de revisão do Jornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre os Fatores de Risco para Otite Média Aguda Recorrente, relacionado, entre outros fatores, ao uso de chupeta. E vocês, como administram esse quesito: usar ou não usar? Eis a questão! Desenho de Mariana Massarani_alguns-nunca-largam_
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Leite de Mãe
Na onda de boas ilustrações, como foi nossas páginas virtuais dessa semana, o post deste finzinho de sexta-feira pós partida da seleção canarinho é extraído do blog Deixa Sair, da jornalista e autora de vários livros sobre saúde e alimentação, Sonia Hirsch, com a cartilha Leite de Mãe, em parceria com Cesar Lobo. Confira esses links clicando nas palavras em destaque!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Parto Normal vs. Cesárea: a magnitude do problema - PARTE I
O artigo Parto Normal vs. Cesárea: a magnitude do problema, redigido pela Dra. Melania Amorim e publicado ontem no Guia do Bebê trata da incidência de cesáreas no mundo e quais são os problemas oriundos dessa prática quando realizada sem necessidade.
Para ler, clique no título acima em destaque.
Confira um trecho: "Ao longo das últimas décadas, as taxas de cesárea têm se elevado em todo o mundo, chegando a atingir taxas superiores a 50% em alguns países da América Latina (1). Esta elevação tem sido vista com preocupação por muitos profissionais de saúde e organizações internacionais incluindo a Organização Mundial de Saúde, uma vez que cesarianas desnecessárias podem se associar a riscos maternos e perinatais (1)."
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Babás
Minhas andanças pelo blog Muitos Desenhos, de Mariana Massarani, ilustradora de livros infantis que adoro e que inclusive nos cedeu o uso do desenho que ilustra nossa logotipo, cuja arte gráfica é de Pata, me fez descobrir uma crônica de Fernanda Torres, publicada na Veja Rio em 06 de janeiro desse ano e que fala sobre babás, cujo título leva esse nome, Babás. No blog Parto no Brasil postei no dia 07 de janeiro uma outra crônica sua, Parto Normal, e refletindo sobre as duas vejo que opinião é algo muito individual e cada um tem a sua mesmo! Leia também e deixe seu comentário! Nos diga o que você pensa sobre as babás, sobre o papel da maternidade nos dias atuais, como você vê a "terceirização" de nossos filhos ou conte-nos sua experiência como mãe/pai! Para ler os textos de Fernanda clique sobre o título das crônicas e aproveite para conhecer/ver os lindos desenhos de Massarani, apaixonantes! Mas, não esqueça de postar seu comentário! Desenho de Mariana Massarani_babas-web_
terça-feira, 22 de junho de 2010
Workshop com Michel Odent em São Paulo/SP
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Nascimento: da fisiologia à prática - PARTE I
Foi assim que o obstetra Michel Odent iniciou sua conversa com um grupo de pessoas no Espaço Aobä, em Curitiba/PR, de diversas áreas, incluindo obstetras, enfermeiras, doulas, psicólogas, cientistas sociais etc. em abril, em seu workshop Nascimento: da fisiologia à prática, desta forma, o post de hojé é o resultado da compilação dessa prosa boa (demorou, mas saiu!)!
Nossa sociedade, tecnocrata e cartesiana, não pode aguardar, com naturalidade, a vinda de nossos bebês. A indução do parto, pelo uso de ocitocina sintética, hormônio que contribui com as contrações uterinas, é uma das intervenções mais corriqueiras, mas não aparece nos estudos científicos e nas estatísticas de parto e nascimento, assim, é impossível saber quem teve o processo de Trabalho de Parto (TP) induzido, e, por que não falamos disso? Será apenas "um detalhe"? Por que tantas mulheres precisam de ocitocina sintética? Elas não conseguem naturalmente liberar esse hormônio fundamental para o parto? Será que o lugar em que elas estão parindo influencia? A ocitocina atravessa a placenta? Atinge o bebê? A quantidade introduzida de ocitocina é muito maior do que a produzida pela glândula perianal?
Na literatura médica encontramos apenas um estudo de 1996, de um jornal de Medicina Fetal e Materna em que foram relacionados os índices de ocitocina produzida pela mãe e a sintética introduzida na veia e na artéria umbilical e o que se concluiu, portanto, é que a ocitocina atravessa sim a placenta, assim, quando a mãe recebe ocitocina sintética o bebê também recebe, indo para seu cérebro e ocasionando durante seu efeito estresse nesse precioso momento de vida extra uterina, com a interação dos genes e do ambiente.
Desta forma, interferimos rotineiramente e continuamente no sistema ocitocinógeno dos humanos, que também interfere na vida social e na capacidade de amar.
Atualmente, passamos por um momento de revolução cultural e questionamos o uso demasiado dessa substância, utilizada mundialmente, e reavaliar as estatísticas é de suma importância, pois esse fato não é um "mero detalhe".
Algumas doenças comuns em nossa sociedade estão associadas ao sistema ocitocinógeno, como o autismo e a anorexia, então, vale questionarmos o uso de ocitocina sintética durante o TP. Como conclusão, podemos perceber que estamos no caminho de redescobrir o que há de básico na fisiologia do parto e esquecer tudo o que já foi dito e estudado.
Fisiologia - Período Perinatal: qual a necessidade da mulher no TP?
Podemos redescobrir hoje essas necessidades depois de tantos anos de aplicação científica/cultural/ritualística?
No século XX, descobrimos através de um acúmulo de informações que o bebê precisa da mãe, mas algumas sociedades separam mãe e bebê após o parto, tendo a amamentação atrasada, seja por mitologias culturais ou tecnologias científicas, assim, o instinto protetor agressivo da mãe, inato, é reprimido, anulado pelas culturas, crenças e rituais, sendo o colostro, considerado nos cinco continentes, um fluido que faz mal, justificando, portanto, a separação, mesmo sendo tão precioso... outras crenças também são transmitidas, ritualizadas e difundidas, como o corte do cordão umbilical e a expulsão da placenta.
Nos anos de 1953 e 1954, em um hospital de Paris, ainda como estudante de Medicina, Odent pode acompanhar os procedimentos de parto e nunca os bebês ficavam com as mães após o nascimento, a parteira cortava o cordão e o bebê era separado, comprovando o condicionamento cultural pelo qual sofremos.
A partir de testes de controle randomizados, e a introdução do contato entre mãe/bebê, pele a pele, através da autorização de cômites éticos e a defesa de que o bebê precisa de sua mãe verificou-se a presença de hormônios que flutuavam nesse período perinatal e a produção de anticorpos, assim, se não interferimos na relação mãe/bebê e o filhote encontra o seio na primeira hora após o parto uma imunização bacteriológica natural acontece.
O bebê precisa de sua mãe!
Essa descoberta de suma importância é também aceitável?
Os exemplos tem demonstrado que sim!
Alojamento conjunto: mãe e bebê juntos versus Berçário.
Cuidado Mãe Canguru: criado em Bogotá, na Colômbia, em 1979, sendo a mãe a melhor incubadora.
Mesmo essas práticas serem aceitas intelectualmente tais descobertas culturalmente não foram tão aceitáveis.
Um outro ponto nesta discussão é a presença do pai durante o TP e parto, sendo uma nova "doutrina" aplicada, além das atendentes de parto, com uma nova geração de parteiras e doulas. Desta forma, se foi possível no século XX redescobrir que o bebê precisa da mãe também podemos redescobrir as necessidades da mulher durante o TP.
Nesta perpectiva temos dois entraves que atrapalham o processo fisiológico do parto e nascimento: a Ciência e a cultura, portanto, qual a razão para otimismo?
A fisiologia ultrapassa e supera as intervenções científicas e culturais! A grande questão é o antagonismo entre ocitocina e adrenalina, visto que quando os mamíferos liberam adrenalina não podem liberar ocitocina, o hormônio que facilita as contrações uterinas para o parto e expulsão da placenta e sensações como medo, frio, sentimento de estar acuado ativam o neocórtex, parte do cerébro responsável por "pensar", que garantiu o desenvolvimento dos humanos, produzindo mais adrenalina!
Durante o parto ou outros processos sexuais inibições do neocórtex interferem no desenvolvimento dos mesmos, assim, quando falamos de fisiologia do parto temos que centralizar na ocitocina, como ocorre sua liberação, quais são os fatores para a sua produção, tendo em vista que em pessoas tensas e ou observadas age como um "hormônio tímido", portanto, temos que verificar as situações que dependem da liberação da ocitocina.
Tanto a ocitocina como a endorfina estão presentes em todos os processos sexuais, reflexo de ejeção, como da ereção, do esperma, da lubrificação vaginal, do feto, do leite.
Em todas as sociedades, até àquelas em que são mais livres, casais se isolam para copular. No reflexo de ejeção do leite, por exemplo, quando a mulher está sozinha, em um lugar escuro, com portas e janelas fechadas esse processo é mais fácil.
Mas, existem estratégias para não observação quando se está parindo? Em sociedades pré agriculturas, mulheres se isolavam para parir, comprovados em documentos antropológicos, assim, os partos ocorriam na floresta, em casas específicas para o parto e quando acompanhadas eram de uma figura materna, como a mãe, avó, tia, parteira ou outra mulher, nesta medida a origem do ofício das parteiras surge como protetoras do espaço.
Mas, as coisas mudaram de lá para cá...
Atualmente, o parto é um evento socializado! Esqueceram que a ocitocina é um hormônio tímido.
E o papel da parteira ganha outros contornos. Antes ela era a mãe ou outra mulher experiente, hoje ela tem o controle do processo, guia a mulher, realiza alguns procedimentos de intervenção, como o uso de ervas, massagens, toques para acelerar o TP ou aliviar as dores da parturiente; quando as mulheres começaram a parir em suas casas o processo de socialização do parto se desenvolveu, e isso historicamente é recente, tendo início em meados do século XX, quando ainda parto era assunto de mulher e ser obstetra era usar o fórceps; ninguém, ainda, antes disso, tinha pensado no acompanhante de parto e na presença do homem nesse momento.
Foto: Acervo Espaço Aobä.
* Quer ler mais sobre Michel Odent no Blog Parto no Brasil? Clique aqui! *
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Estrelinha lá no céu
Meu bebê é como um vício
Por que o feminismo não admite o prazer de ser mãe?
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Vale a pena espiar as leituras
"Tirania da mãe perfeita": maternidade e feminismos
"A filósofa acusa os movimentos ecológicos de contribuir para a regressão do papel da mulher na sociedade ao 'impor' a amamentação, o uso de fraldas de pano, e a necessidade de alimentar os bebês somente com produtos naturais preparados em casa."
"Não somos todas iguais, como os chipanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar."Acesse aqui a matéria completa. O outro polêmico livro de Elizabeth Badinter ("Um amor conquistado: o mito do amor materno") está disponível na internet, o link você encontra aqui no Blog Parto no Brasil, na seção Estante. Boa leitura!
quarta-feira, 16 de junho de 2010
O corte por cima e o corte por baixo
“Se eu fosse mulher já teria, sei lá, pegado em armas, porque é muita violência... Ela vai para a maternidade e ou lhe fazem um corte na barriga, desnecessário na maioria das vezes, ou no períneo. De todo jeito alguém vai atacá-la com uma faca” Álvaro Atallah (Lattes), do Centro Cochrane do Brasil, em seminário (Práticas Obstétricas Baseadas em Evidências), no Instituto de Saúde de São Paulo, 1999.Dias atrás, conheci uma mulher que teve seu primeiro filho por um parto "natural" que a traumatizou. Aconteceu há mais de dez anos, nos EUA, segundo ela, num centro de referência para o parto natural, todo "estiloso-natureba". O TP foi longo, a episio infeccionou. Foram mais de seis meses de tratamento da cicatriz. Advinha como nasceu o segundo filho? Em Florianópolis, cidade que é referência para os partos natural, domiciliar e vertical, ela teve dificuldades em encontrar um GO que topasse marcar a data da cesareana. "A recuperação foi bem melhor!", disse ela enfatizando muito o "beeeeeem melhor". É o tipo de encontro que nos faz rever todo o cenário do parto. Eu fiquei imaginando quantos meses mais foram necessários para tratar "da alma" daquela mulher da episio infeccionada... e o que o corte passou a simbolizar para esta mulher ainda não cicatrizou. Nesse climão pesado de violência contra as mulheres, e sobre o assunto do "corte por cima ou corte por baixo", indico a leitura do artigo da profa. Simone Diniz da Faculdade de Saúde Pública - FSP/USP: http://www.mulheres.org.br/rhm1/revista1/80-91.pdf, que é de onde tirei a citação do Atallah. Também indico o vídeo que a Bianca encontrou no Youtube, de um parto tenebroso, e infelizmente, ainda comum. Acesse: http://www.youtube.com/watch?v=_7BkISrU1Tg&NR=1
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Direitos da gestante
Acompanhante no parto: todas nós temos direito
A Rede Parto do Princípio iniciou a divulgação essa semana no site das Leis, Portarias e Resoluções que amparam o direito ao acompanhante no parto, além de um FAQ com perguntas frequentes de como proceder em caso de descumprimento dessa Lei Federal que está em vigor há cinco anos e também uma página para denúncia. Com a colaboração de Cris Kondo essa nova sessão da Parto do Princípio também dispõe de um endereço eletrônico para esclarecimento de dúvidas, basta escrever! Conheça ainda a campanha realizada no Dia da Mulher pela PP, em território nacional!
XI Encontro Nacional de Aleitamento Materno
Teve início dia 08 de junho, terça-feira, em Santos, litoral paulista, no Mendes Convention Center, o XI Encontro Nacional de Aleitamento Materno - ENAM, com o tema Fortalecendo as redes de promoção, proteção e apoio do aleitamento materno e da alimentação complementar, que ocorre até o dia 12, com a presença de vários profissionais e palestras. Mais informações aqui!
Além do evento, hoje mil mães se reuniram na ação Mil Mães Amamentando, no Emissário Submarino, na Praia José Menino, a partir das 15 horas, organizada pela Rede Social de Amamentação Santos e Região, co-realizadora do ENAM.
Palestra com Jean-Paul Rességuier
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Chuva e internet
Estou de saco cheio
Maravilhosos (e complementares!) os dois últimos posts do Blog Mamíferas, de Kathy e Kalu, respectivamente - Exercitando a ironia & Chega de ladainha. Ativismo na rede! Perdõem a falta de neutralidade antropológica, mas a bandeira da humanização, muito mais que a imparcialidade científica de meu ofício (uma faca de dois gumes) me cercou... ainda sonho (e acredito) em um mundo onde mulheres possam parir com respeito e bebês nascerem amparados com amor!
Por aí
No Blog de Gisele Bündchen tem uma sessão interessante sobre parto humanizado, vale a pena uma espiada - O Despertar da Vida, clique aqui!
Visita Aberta e Direito ao Acompanhante


Visita aberta é um dispositivo da Política Nacional de Humanização, do Ministério da Saúde, que amplia o acesso dos visitantes às unidades de internação para garantir o elo entre o paciente, sua família, amigos, enfim, sua rede social e os serviços da rede de saúde. O acompanhante representa a rede social da pessoa internada e está com ela durante toda sua permanência nos ambientes de assistência a saúde.
Para que serve esse dispositivo?
Visitas e acompanhantes fazem bem à saúde! São representantes legítimos da pessoa internada e ajudam na sua reabilitação. A presença de um visitante no ambiente hospitalar possibilita que a equipe de saúde capte dados do contexto de vida da pessoa internada e do momento existencial por ela vivido, possibilitando um diagnóstico abrangente. Ela auxilia ainda na identificação das necessidades da pessoa internada e, através das informações fornecidas pela família e amigos, a equipe de saúde pode elaborar e acompanhar com mais eficácia seu projeto terapêutico singular.
A presença de visitantes/acompanhantes de forma mais constante no ambiente hospitalar traz o 'cheiro' da comunidade a este ambiente, tornando a comunidade também responsável e co-produtora do cuidado, aumentando a autonomia dos membros da família quanto ao seu papel de cuidadores leigos. O acompanhante colabora na observação das alterações do quadro clínico e comunica-os a equipe. Além disso, esse dispositivo mantém a inserção social do doente durante sua internação, que pode perceber a participação dos familiares no tratamento, fortalecendo sua identidade e auto-estima.
Então, todo paciente do SUS tem direito a visita e acompanhante?
De acordo com a carta dos direitos dos usuários em saúde, as crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e idosos têm direito a acompanhamento durante todo o período de internação. A lei 11.108 de 07 de abril de 2005 dá à mulher o direito de ter, durante o trabalho de parto, parto e pós-parto, um acompanhante de sua escolha, e recomenda que toda maternidade adapte seu espaço físico para receber este acompanhante. Os demais usuários têm direito a visita diária de no mínimo duas horas durante as internações, com exceção para situações técnicas contra indicadas. A proposta da visita aberta é mais ousada e tem demonstrado ser possível. Hospitais têm ampliado seus horários de visita para até dez horas por dia, constatando que este dispositivo de inclusão traz novos padrões de comportamento, aumentando a solidariedade e o compromisso de todos para com o cuidado.
Como implantar a visita aberta e direito ao acompanhante?
• Conhecer experiências de hospitais que já implantaram este dispositivo, e os dados referentes aos dias de internação, infecção hospitalar, satisfação dos usuários e trabalhadores;
• Promover atividades de sensibilização com todos os setores do hospital;
• Construir de forma coletiva os passos para a implantação, envolvendo o pessoal da portaria, administração, enfermarias, copa, laboratório, etc.;
• Adequar espaços para a permanência de visitas/acompanhantes fora dos quartos, como por exemplo, áreas verdes que podem ser adaptadas, varandas;
• Informar à comunidade e abrir espaço de discussão permanente sobre o dispositivo (rodas de conversa no hospital).
Para mais informações sobre visita aberta e direito ao acompanhante, acesse o site da Política Nacional de Humanização.
Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/html/pt/dicas/165visita_aberta
Biblioteca Multimídia
Para àqueles que gostam de pesquisar e ler uma ótima dica, repassada por Ana Carolina, da Biblioteca Multimídia da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP, do Rio de Janeiro/RJ, com muitas opções de pesquisas, teses, cartilhas etc. Vale a pena conferir, clique aqui!
Desenho de Ziraldo.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Renascença
Sou mulher, sou mãe, sou deusa, e assim mereço ser cuidada. Se parir faz parte da natureza, que esta força seja respeitada. Respeitada pelos homens e por mim mesma, pois fazemos a humanidade crescer. Que as cesáreas, induções, tecnologia, sejam usadas com magia e saber. Saber que os médicos dominam, e nós, mulheres, também. Conhecendo nosso corpo e instinto, sabemos mais do que ninguém. Portanto, minha gente, é hora de parir como e com quem quiser. Se durante a noite ou na aurora, a ordem é esperar quando vier. Chega de intervir na natureza! As mulheres precisam compreender, receber o bebê no coração, experimentar o "dar à luz e renascer".
terça-feira, 1 de junho de 2010
A Cama de Procusto
Por Dr. Ric Jones
"Procrusto era um bandido que vivia na serra de Eleusis. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes para se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, os que tinham com pequena estatura, eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Ninguém sobrevivia, pois nunca uma vítima se ajustava exatamente ao tamanho da cama. Procusto representa a intolerância do homem em relação ao seu semelhante. O mito já foi usado como metáfora para criticar tentativas de imposição de um padrão em várias áreas do conhecimento, como na economia, na política, na educação, na história, na ciência e na administração." (Wikipedia)
Eu, obviamente, incluiria a sanha homogeneizante da biomedicina contemporânea como exemplo entre os acima.
Se o mito existe, então é representativo do inconsciente coletivo. Passou pelo imaginário social e deixou sua marca na ficção. Segundo o psicanalista Slavoj Zizec, aquilo que é insuportável aos sentidos e à razão brota do inconsciente como narrativa ficcional. E mito.
O Mito, portanto, está querendo nos dizer algo a respeito dos "core values", dos valores fundamentais que sustentam a cultura. Os mitos nos levam (direta ou indiretamente) ao poço profundo onde se encravam as pilastras dos nossos códigos valorativos. Porque cortar as pernas e "normatizar" os visitantes? Porque tínhamos que nos adaptar à cama de Procusto?
Seremos nós, profissionais da saúde, vigários da "Religião da Boa Saúde" os Procustos hodiernos? Teremos todos que morrer (ou sofrer as agruras de uma homogeneização abjeta e cruel) se não coubermos nos moldes impostos pela tecnocracia?
É sempre surpreendente (porém esclarecedor) perceber quanta dificuldade nós (da área biomédica) temos para aceitar o fato de que as expressões da oralidade são manifestações de conteúdos psicológicos de ordem inconsciente, as quais se enraízam no oceano obscuro das vivências sexuais infantis. Ao mesmo tempo em que tentamos tratar o "evento" chupar dedo (ou chupeta), fechamos - freqüentemente - os olhos às questões a serem resolvidas pela própria criança no que diz respeito à satisfação das necessidades fundamentais do seu desenvolvimento. Pior: tentamos estabelecer tratamentos às vezes cruéis (meu tio tinha as unhas pintadas com Buscopan para afastar o dedo na boca) no afã de restituir uma "normalidade" por nós (tecno-bio-medicina) estabelecida sem levar em conta a subjetividade (das constituições e dos caminhos trilhados).
Na área do nascimento humano o mesmo tratamento des-umano se observa quando forçamos o tempo de nascer dentro de normas rígidas, cegando-nos à evidência avassaladora de que ninguém ama igual, ninguém geme igual e ninguém vai parir da mesma forma. Os tempos são construídos sobre a rocha bruta das emoções vividas, e estas são irreprodutíveis. Somos caminhantes das estrelas e temos nosso pegadas na poeira das estrelas, como dizia Max, e isso nos confere uma vivência absolutamente particular do universo à nossa volta. É a "paralaxe" que Zizec nos fala: a capacidade de encarar o mesmo evento (amar, amamentar, chupar o dedo, parir) de ângulos diversos, e com isso observar objetos distintos, em função de subjetividades únicas. Na obstetrícia contemporânea, as curvas de Friedmann, usadas para estabelecer tempos de trabalho de parto, são usadas como "moldes" nos quais as mulheres precisam forçadamente se adaptar, sob pena de serem vítimas do bisturi fatal a lhes cortar a carne e os sonhos acalentados.
Zeza sempre me dizia que um dia virá em que um funcionário de Motel baterá à porta de um casal que namora acima de tempo normal padronizado, segundo a "curva de Ric"... E dirá: "Vocês não podem mais ficar aí. É perigoso. O tempo médio de utilização libidinosa destas sala já foi ultrapassado. Saiam, ou arrombaremos".
Chupamos dedos, mamamos, amamos e trepamos de acordo com uma história que é única, mas a visão positivista e homogeneizante da sociedade espera que nos adaptemos ao modelo imposto por uma noção tacanha de "normalidade".
Não se iluda: a mesma força que nos obriga a inexorabilidade no tratamento das crianças que chupam dedo também se faz presente na visão diminutiva do sujeito que ama e pari.
Segundo Maximilian é a mais brutalizante das epidemias médicas: a "normose"...
A propósito... Friedmann nunca desejou que suas curvas fossem utilizadas para normatizar o nascimento humano. Da mesma forma que estabelecemos a altura média das pessoas em um determinado local ou país, fizemos com o parto - e o desenvolvimento infantil. Mas ainda não vi ninguém cortando pernas para que alguém se adaptasse ao tamanho médio da população. Por enquanto, pois o espectro de Procusto paira sobre nossas cabeças.
* O texto redigido circulou na lista virtual Parto Nosso em maio de 2010.
Imagem: The Modern Bed of Procustes - Punch Cartoon.

